AKAI ITO 01 - Amor a segunda vista

26 Capitulo 27 - ESSE ASSUNTO DE NOVO NÃO!


— Esse vestido está um arraso – Hazel me analisou

— O Percy vai odiar isso – Piper comentou sorrindo

— Ele vai amar isso – Hazel rebateu

— Ok! Ele vai amar, mas vai odiar em seguida – Piper riu

— Ele vai amar, ou ele vai odiar? Vocês precisam me ajudar quanto a questão de entendimento. – Eu resmunguei.

— Vai amar! – Elas decidiram.

Eu me olhei no espelho, era um vestido azul Royal sem mangas, com um busto composto, mas tinha abertura nas laterais deixando a cintura visível, ele era um pouco justo e, não tão curto, mas por ser justo acabava subindo um pouco.

— Então eu vou levar – Eu sorri.

Eu estava feliz por poder comprar algo com meu dinheiro, dei metade do valor para minha mãe e, a outra metade decidi gastar no que eu podia. Comprei maquiagem, coisa que eu não tinha, comprei roupas e, sapatos, coloquei até credito no celular. Ai você me pergunta, e deu pra tudo isso? Bem... Eu ganho 40% do valor das aulas de reforço e, a escola é uma das mais caras, acha que eu ganho pouco por isso? Eu poderia ser modesta e, dizer que sim, mas não, eu não ganho tão pouco, as matriculas me renderam mais que um salário mínimo... Nunca achei que perder noite estudando me traria reconhecimento tão cedo, “A base de tudo é o estudo”, era sempre o que minha mãe me dizia e, hoje estou reconhecendo isso.

— Acho que vou me inscrever pra dar aulas – Hazel resmungou

— Você precisa fazer uma prova – Piper disse – O nível é altíssimo, por isso a remuneração é boa.

— Achei que era só inscrição – Hazel fez um bico

— Eu fiz essa prova ano passado, fui convocada esse ano, a inscrição é para confirmar que você ainda está interessada, dai a direção avalia e, te aprova – Eu dei de ombros

— Quanta burocracia – Hazel reclamou.

— Eu me sinto orgulhosa de você – Hazel disse a mim – há seis meses se lamentava por achar que não era ninguém, por achar que as pessoas te ignoravam por ser de classe baixa... Olha só pra você agora, torrando dinheiro no shopping.

— Eu estava justamente pensando nisso – Eu sorri – Eu estou tão feliz por essa conquista...

— Eu estou percebendo – Piper disse – Comprou até um batom vermelho.

— Isso é especial – Eu corei – Foi o que me fez abrir os olhos para mim mesma... O batom vermelho é como meu espírito, ele faz toda diferença em uma alma, pode te transformar de um nada em um tudo. – Eu sorri

— Uau! Quem disse isso? – Hazel perguntou

— A mãe do Percy – Eu dei um largo sorriso

Piper e, Hazel se entreolharam com uma cara que claramente dizia “A sogra” Eu corei com a idéia. Na época eu nem sonhava nisso, eu ainda me sentia um nada estando lá, e ela simplesmente renovou minha auto-estima.

— Vou te levar para casa, Annie – Piper disse – Já está tarde.

Estávamos a caminho da minha casa, Piper e, Hazel eram umas das poucas pessoas que sabiam onde era minha casa. Apesar de que antigamente eu evitava de fazê-las virem aqui, por vergonha, agora era tão natural quanto tomar um ar fresco.

— E sobre as coisas que falaram de você na escola? – Hazel perguntou – Eu fiquei sabendo, peguei uma briga na minha aula de calculo III por ouvir os absurdos.

— O Percy pareceu não ter gostado mais do que eu – Eu suspirei

— Acha que a Caly e, a Reyna tem algo a ver com isso? – Piper perguntou

— Acho! – Admiti – E o garoto de mais cedo também.

— Falou isso ao Percy? – Ela perguntou

— Não, estou tentando ignorar, ser superior, quando ela ver que não me atingiu com nada do que ela fez, talvez ela canse

— E se não cansar? – Hazel perguntou preocupada

— Eu não quero brigar com ela por causa de um garoto, isso é ridículo – Eu resmunguei

— Ela está pedindo pra isso e, pior... Se fazendo de vitima e, pior... Fez o Percy acreditar nela – Hazel fez questão de evidenciar isso.

— Eu sei – Eu suspirei mais uma vez – Mas é como o Percy disse, falta pouco para as aulas acabarem, daí teremos um pouco de paz.

— Acha que agüenta até lá? – Piper perguntou

— Vou tentar o Maximo, por mim e, pelo Percy... Serio, me incomoda um pouco ele ter acreditado nela, mas não quero que ele fique mal com isso, Percy se sente culpado pelo que fez a Caly passar, ele só está tentando ser legal... Porque ele é assim, uma pessoa maravilhosa – Eu tentei sorrir.

— Você gosta mesmo dele... Tipo, isso é bem notável agora – Piper sorriu

Eu sorri porque gostei de ouvir aquilo, o que eu sentia pelo Percy estava finalmente transbordando, a cada dia que passava mais intenso se formava.

***

O sábado a noite havia chegado, eu estava ansiosa pela chagada do Percy, dessa vez foi a minha mãe quem havia me arrumado, meu cabelo estava em um coque moderno, que eu tinha pesquisado na internet e, minha maquiagem um pouco casual, eu não queria chamar muita atenção. Minha mãe não se importou com questão de horário, ela sabia que eu chegaria bem se estivesse com o Percy. Assim que ouvi a buzina do carro do Percy, me despedi da minha mãe e, corri para fora.

— Oi! – Eu disse entrando no carro.

Percy me analisou sem dizer nada por alguns segundos. Eu me inclinei para beijá-lo antes de colocar o cinto de segurança.

— Eu amei sua roupa – Ele disse depois de um tempo – E odiei também.

Eu ri.

— Foi exatamente o que as meninas disseram que você acharia. – Eu dei um risinho. – Porque toda essa contradição?

— Você usaria uma roupa dessas, em uma festa, sem minha presença? – Percy perguntou enquanto já estávamos a caminho.

— Não sei... Talvez, se eu me sentisse bem – Dei de ombros

— Eu já disse, não sou perfeito... Sou cheio de defeitos, um deles é ciúmes, eu estou amando ter você assim comigo, mas odiaria imaginar você desse jeito sem que eu estivesse – Ele admitiu

— Está indiretamente me proibindo de usar algo assim sem sua presença? – Eu perguntei confusa – Sabe que não pode fazer isso, não é? E sabe que não vou concordar com isso, não é?

— Sei e, antes que entenda de uma maneira errada, eu não proibiria – Ele suspirou – Mas o fato de não gostar preciso deixar em evidencia.

— Não gosto de algumas atitudes sua, mas não preciso deixar em evidencia – Eu resmunguei.

— Oi? – Ele ficou dividido entre me encarar ou encarar o transito – Isso é serio?

— Deixa pra lá – Eu suspirei

— Não vamos começar com isso de novo, não é? Preciso que seja sincera, Annie... – Ele resmungou – O que eu faço que não é do seu agrado.

— Acreditar nela – Eu admiti – Ser legal com ela...

Percy suspirou

— Não acredito que a história da Caly ainda está entre nós – Ele balançou a cabeça desapontado

— Não está entre nós... Só é algo que eu não gosto, exatamente como você colocou no exemplo do vestido, não te proíbo de ser legal com ela, só não gosto.

— O que quer que eu faça? Que comece a tratá-la como um lixo?...

— Não faça uma pergunta que você sabe qual é a resposta, mas não vai gostar de ouvir – Eu revirei os olhos

— Não posso trata-la como um lixo, isso seria demais. Você sabe como ela se sente, você já passou por isso... Como se sentiu quando descobriu que o Jason só estava se aproximando de você pra tentar esquecer a Piper? – Percy perguntou irritado

— Não acredito que essa história vai ser colocada como exemplo e, ainda mais por você – Eu cobri a testa e, suspirei.

Mas ele tinha um ponto, eu me senti um lixo de pessoa.

— Não precisa responder a pergunta, apenas pense sobre isso... Eu tentei fazer o mesmo com ela, eu tentei esquecer você com ela, eu a iludi, eu alimentei um sentimento que pra mim não existia da mesma forma... Eu me sinto culpado quanto a isso, eu não quero mais ser o motivo da tristeza de alguém. – Ele disse inconformado. – Eu me esforcei pra acreditar nela, porque achei que se eu acreditasse, estaria me redimindo. Não foi fácil acreditar... Não está sendo fácil acreditar

— Eu te entendo – Eu tentei acalmá-lo – Mas não consigo ficar bem com isso, me desculpe.

Eu queria poder dizer o que eu achava sobre ela, sobre as coisas que estavam falando, mas eu sentia que se eu protelasse o assunto, nós acabaríamos brigando.

— O que você quer que eu faça? – Ele estreitou as sobrancelhas – Só preciso que diga...

Eu queria ter dito, “que trate ela como um lixo” Mas ai a noite estaria perdida pra nós dois. Eu suspirei e, controlei meu nervosismo.

— Eu odeio o fato de ver que você acredita nela, mas odiaria mais ainda se fizesse algo que não vem de você... Eu já disse, eu confio em você... E isso basta, não quero começar uma briga com você agora – Eu suspirei – Eu só preciso que você veja uma coisa... Ela mentiu sobre ir embora, ela mentiu sobre a transferência e, você sabe disso, não adianta dizer que talvez ela tenha desistido... Você sabe que ela inventou isso, porque achava que você voltaria atrás, porque ela ainda tem esperanças... Você tem ciência disso, não tem?

Percy suspirou

— Tenho! – Ele admitiu

— Ótimo! – Eu murmurei. A conversa havia se encerrado.

Alguns poucos minutos se passaram em silencio. Percy passou a mão sobre minha coxa e, me fez olhar pra ele.

— Odeio o silencio pós discussão– Ele suspirou. – Eu posso tentar estimular meu orgulho e, fingir que você não está ao meu lado, você sabe que eu sou bom nisso, mas eu não quero fazer isso...

Nós paramos em frente a um salão de festas super lotado. Só de imaginar Percy agir da mesma forma que agiu quando discutimos da primeira vez, meu coração se apertou.

— Eu quero ficar bem com você – Eu murmurei

— Nós estamos bem, temos que nos acostumar com alguns desentendimentos as vezes – Ele tirou o cinto e, se inclinou para me beijar. – Eu queria ser perfeito assim como acha que sou, mas não é desse jeito... Eu já disse, sou coberto de defeitos, você precisa aceita-los também. Relacionamento não é um conto de fadas.

— Eu sei – Eu segurei seu rosto e, o beijei. – Sinto muito por ser insegura, mas não menti quando disse que confio em você.

— Não quero que nada fique entre nós, eu já suportei muita coisa entre nós dois, pra aceitar que algo tão insignificante tenha sucesso... Caly não significa nada pra mim, você significa tudo – Ele sorriu um pouco sem graça – Isso em uma escala de intervalo, não existiria interseção nenhuma, há um conjunto bem vazio entre as duas proposições. Consegue entender dessa forma?

Eu sorri, comparar algo assim com matemática com certeza era algo que eu podia entender.

— Falando desse jeito, parece obvio – Ele sorriu e, me beijou de novo.

Percy saiu do carro e, veio para meu lado abrindo a porta como um verdadeiro cavalheiro. Não adianta discutirmos, a gente sempre acaba se dando bem. Percy entrelaçou seus dedos aos meus e, seguimos para festa juntos, sem ter certeza do que realmente aconteceria lá, mas tendo em mente que nada ficaria entre a gente.

Obs:

“Isso em uma escala de intervalo, não existiria interseção nenhuma, há um conjunto bem vazio entre as duas proposições”.

Uma ser tudo e, a outra ser nada. Para Annabeth entender perfeitamente isso, Percy usa uma mistura de referencias matemática para explicar que uma coisa é diferente da outra e, são tão distantes que não existe comparação.