ACBAH - Academia de Belas Artes Hudson 2
6 Eu não ligo.
Notas iniciais
Emily olhava ansiosa a cada segundo para o portão de desembarque do aeroporto de Los Angeles. Seu pai havia chegado, e ela o esperava ansiosamente.
Ela negociou direito com ele e ele vai morar sozinho... com uma enfermeira que Emily escolheu a dedo, mas ela não ia ficar invadindo a privacidade dele, só estaria lá para se ele precisasse de alguma coisa, exatamente o que ele queria.
Assim que viu o loiro de olhos verdes sair empurrando um carrinho cheio de malas se agitou indo até ele o abraçando com força.
– Nossa, quanta saudade, não faz nem dois dias que nós vimos – ele sorriu abraçando a filha.
– Eu sei, mas eu te amo, te amo, muito, muito, muito – ela disse dando vários beijinhos na bochecha dele que sorriu.
– Também te amo meu anjo – ele acariciou os cabelos da filha – vamos?
– Vamos, depois vou mostrar Los Angeles pra você, apesar de estarmos bem longe da praia... mas o senhor não gosta de praia, então sem problemas.
Ele sorriu assentindo deixando a filha levar o carrinho até a saída onde tinha um taxi os esperando.
– Ah, nossos carros chegam até domingo – ele disse e Emily sorriu.
– Ótimo, eu tenho que ficar pedindo carona pra Sarah – ela disse e ele sorriu – assim fica mais fácil.
– É, até porque minha filhinha é uma celebridade!
– Fala baixo, eu to disfarçada.
– Ah, isso explica a jaqueta, o cabelo preso e os óculos.
Emily sorriu entrando no taxi com seu pai e apoiou a cabeça em seu ombro.
– E como vai o Jay? – ele não disse o nome do garoto de forma muito agradável.
– Bem... porque falou assim?
– Não é novidade pra você que eu não gosto dele, preferia o outro.
– Pode falar o nome do Charlie, eu já superei – ela fez um gesto de desdém com a mão – mas é bom o senhor gostar do Jay porque agora eu estou com ele.
– Eu sei... mas tem alguma coisa naquele menino que não me agrada, não sinto uma química entre vocês.
– Como não? Temos química sim!
– Aham, nem transam direito.
Emily escondeu o rosto nas mãos.
– Pai!
– O que? Falei alguma mentira?
– Não, mas... como você sabe disso?
– É meio óbvio.
– Ah, legal – ela suspirou e ele sorriu.
– Mas bem, a vida é sua então...
– Agradeço.
Edwin riu a abraçando de lado, ela estava com um biquinho nos lábios, aquele bico emburrado que era mais fofo do que ela poderia imaginar.
– Mas me responde uma coisa – ele disse perto do ouvido dela – ele é tão mal de cama assim?
– PAI! – ela avermelhou e Edwin gargalhou.
Eles seguiram em silencio alguns minutos com Emily ainda vermelha.
– Fico feliz que tivemos essa conversa – ele disse repentinamente.
– É – ela disse ainda de bico.
– Já que na verdade nunca realmente tivemos essa conversa.
– Ainda bem.
Edwin pensou por um segundo.
– Espera, desde quando tem ciência sobre sexo?
Emily explodiu escondendo a cabeça entre as mãos.
– Hein? – ele a cutucou só provocando mais.
– Não fala nada pai, vai quietinho até sua casa, por favor.
Ele riu abraçando a filha mais forte beijando sua cabeça.
– Meu anjinho ta crescendo – ele disse.
– Já cresci faz tempo.
– Continua sendo minha bebê.
. . .
O treino havia acabado. Charlie pingava suor como todos os outros e necessitava de um banho para relaxar os músculos.
Ele fez um sinal para Nathan e Nick de que eles podiam ir indo para o vestiário, mas do que um banho ele precisava de água, muita água. Tirou a camisa suada a pendurando no ombro enquanto ia para fora da quadra.
Ele se inclinou no bebedouro sentindo a água em seus lábios, ela nunca pareceu tão deliciosa.
Duas mãos seguraram sua cintura e alguns beijos foram dados em sua nuca, ele sorriu sentindo dedos delicados passarem por suas costas.
– Eu estou todo suado, Jen – ele disse, a menina apenas sorriu o virando para ela.
– Assim você fica ainda mais gostoso – ela mordeu o lábio inferior dele o beijando em seguida.
Charlie a segurou pela cintura pressionando seu corpo no dela e sorriu encerrando o beijo.
– Oi pra você também – ele disse e Jen sorriu.
– Justo você vem me falar isso seu cara de pau?
Charlie franziu o cenho.
– Oque?
– Eu te vi naquela lanchonete, estava do seu lado te secando e você nem me viu!
Ele sorriu.
– Desculpa, acho que eu estava de cabeça quente.
– Uhum – ela fez cara de brava – eu até poderia ter ido e te dado oi, mas você saiu e eu fiquei com preguiça de ir atrás.
Ele riu.
Jen era consideravelmente alta, mas ainda sim mais baixa que Charlie, tinha cabelos lisos e pretos e olhos tão azuis que hipnotizavam, mas não eram. Ela treinava vôlei no clube também e bem... ela e Charlie meio que estavam... bom, não chegava nem a ser um "ficar", eles davam uns beijos quando se viam e só. Pode-se dizer que tinham uma amizade colorida.
– Gostoso – ela passou a mão no tanquinho dele.
– Eu preciso de uma banho, gata, tipo urgente.
– Que tal suar mais um pouquinho para tomar banho depois?
Ele sorriu de lado e a puxou pelas pernas pra cima as enlaçando em sua cintura a beijando novamente.
– Tenho mesmo que ir – ele disse.
– E quando vou te ver de novo?
– Um dia, quem sabe? – ele piscou para ela a colocando no chão, deu mais um selinho em seus lábios e saiu.
. . .
– Então senhor pegador, tem algum encontro hoje? – Nick perguntou.
Depois do banho eles foram comer em uma lanchonete próxima ao clube, a mesma de sempre.
– Hoje é... Quarta? – Charlie perguntou franzindo o cenho e tanto Nick quanto Nathan assentiram – não, não tenho – ele disse – porque quer saber?
– Ah, sabe aquele boate bem massa lá pelos lados da praia? – Nick perguntou.
Charlie fez uma careta, era longe.
– Sei, a Imperial lá.
– É – Nathan concordou – nós vamos com as meninas hoje a noite, topa?
– Claro – ele sorriu.
– Ah... Emily vai, não tem problema, não é?
Charlie negou com a cabeça tomando sua Coca.
– E porque teria?
– Ah, sei lá... talvez o fato de vocês terem namorado por quase um ano e você ter ficado, tipo, muito deprimido depois que ela foi embora e agora ela estar com outro?
Nathan arregalou os olhos.
– Pega leve Nick.
– Falei algo errado?
Nathan revirou os olhos. Charlie riu.
– Querem saber a sincera verdade? – Charlie disse e eles assentiram – eu to pouco ligando para o que a Emily faz ou deixa de fazer, e se ela quer namorar aquele mauricinho filhinho de papai, o problema é dela.
Os meninos se olharam meio desconfiados.
"Problema dela, até porque ele não a merece". Charlie fechou os olhos e negou com a cabeça, porque pensou aquilo?
– Certeza? – Nathan perguntou.
– Absoluta.
– E afinal, vocês já conversaram ou ficam apenas se encarando nas aulas?
Charlie suspirou revirando os olhos.
– Já conversamos e ela nem me olha nas aulas e vice-versa.
– E o que deu nessa conversa?
– Pedi pra ela ficar longe de mim.
– Por...? – Nathan franziu o cenho.
– Porque não quero mais nada com ela, não quero mais contato com ela – Charlie suspirou – eu não vou permitir que ela me deixe daquele jeito de novo, ninguém tem esse direito. Então ela que viva a vidinha de estrela dela com aquele mauricinho que eu vou continuar na minha, bem sossegado.
– Ok... – Nick ficou meio assustado, Charlie realmente parecia bem bravo.
. . .
Aquela balada era simplesmente incrível. Ficava consideravelmente perto da praia, claro, analisando que eles moravam bem longe da praia a boate era bem perto.
Ele sorriu ao ver o tanto de meninas entrando na boate, ah hoje ele ia se divertir.
Os meninos saíram do carro e Nathan e Nick foram andando em direção ao lado da porta, o que Charlie estranhou, mas decidiu não perguntar e apenas os seguiu.
As meninas estavam ali na frente, esperando por eles.
– Cadê o Jay? – Charlie ouviu a voz de Emily antes de avistá-la.
Revirou os olhos, já não bastava a loira ali aquele mauricinho também ia?
– Olá garotas – Nick sorriu.
Os olhos de Charlie voltaram para Emily, era algo bem involuntário. Ela usava um vestido preto e curto colado no corpo o que acentuava muito bem suas curvas definidas. Não era tão curto ao ponto de parecer uma prostituta, era apenas curto deixando os homens tentados a subi-lo, usava um salto enorme preto que a deixava mais alta, o que para ela era bom e seus cabelos dourados estavam apenas soltos do modo mais bonito possível. Quando ela se virou de lado ele percebeu que as costas do vestido eram abertas.
– Emily, fica escondida aqui – Abby disse – e se os fotógrafos aparecerem?
– Dane-se eles – ela deu de ombros e Abby sorriu.
– Podemos entrar? – Sarah perguntou.
– Vamos.
Emily mandou uma mensagem para Jay dizendo que já tinha entrado para ele não ficar a procurando como um idiota.
Assim que Charlie entrou já foi procurando uma menina bonita e desacompanhada, o que em uma boate daquelas não era nada difícil, ainda bem.
Avistou uma ruiva, mas tão ruiva que parecia vermelho. Ela usava uma mini saia e uma regata, parecia bem... fácil, e como ele não queria nada sério aquela tava bom.
E outra, ele nunca havia pegado uma ruiva natural.
Deixou os amigos para trás e foi andando até a ruiva chegando por trás.
Sentou ao lado dela no bar e sorriu para o homem atrás do balcão.
– Dois Whiskys – ele pediu e o homem pegou dois corpos os enchendo com o líquido.
Assim que entregou a Charlie ele olhou para a ruiva que olhava para frente e empurrou o corpo a ela.
– Me acompanha?
Emily sentiu o celular vibrar em sua bolsinha e o pegou.
– Já to aqui dentro, onde você tá? – era Jay.
– Estou perto do bar, mais pro centro.
– Hã... estou vendo uma coisa loira linda, é você?
Emily olhou para os lados vendo Jay com o celular no ouvido sorrindo enquanto se aproximava dela. Desligaram o celular até ele a abraçar enterrando a cabeça na curva do ombro dela.
– Hum, minha namorada está tão cheirosa – ele sorriu – você viu algum fotógrafo ou coisa do tipo lá fora?
– Não, dessa vez pelo menos parece que estamos em paz.
Ele sorriu a segurando pela cintura a beijando.
Ao olhar de relance para o lado Charlie viu Emily e Jay se beijando. Sentiu um embrulho muito incômodo e estranho no estômago, as mãos da menina subiram dos ombros para a nuca de Jay a massageando com calma.
Charlie se lembrou de quando ela fazia isso com ele e depois descia arranhando suas costas.
Não soube explicar bem o que deu nele, mas puxou a ruiva ao seu lado a beijando sem nenhum romantismo. Se aquilo era uma forma de dizer para ela que ele também seguiu em frente? Não exatamente, mas inconscientemente sim.
Olhou para o lado discretamente na esperança de que ela estivesse olhando para ele, mas não estava, pelo contrário, estava abraçada a Jay com a cabeça em seu peito e os olhos fechados, e ele envolvia a cintura dela com um braço e mexia no celular com o outro.
"Ele nem dá atenção a ela, que babaca!" Charlie pensou, aquele idiota realmente não a merecia, se fosse Charlie estaria a abraçando bem forte, sentindo o cheiro de seu cabelo e cada parte de seu corpo colado ao dele...
Negou com a cabeça se chamando de idiota, ela não era mais problema dele, e se ela queria um cara que não a dava atenção a ela o problema era dela, só dela.
Virou rapidamente ao ver que eles se soltaram e antes que pudesse respirar a ruiva o beijou novamente subindo em seu colo.
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