A Última Chance
18 Capítulo 18 - A espera acabou
Notas iniciais
Não é o maior de todos, mas acho que vocês vão se animar bastante com ele.
Ah, e srta. Lerman E Scodelario... Acho que alguém me deve uma recomendaçãão...
— Pareceu uma conversa bem... intensa — Jasper comentou, segurando a mão da Princesa.
Annie continuava olhando para o ponto de onde Charlie desaparecera.
— Raiva precisa ser justificável?
— As pessoas esperam que sim — respondeu ele, dando de ombros. — Mas quando são elas que estão sentindo, nunca querem justificar.
Eles ficaram em silêncio por um minuto.
— Imagino o que o Hutton fez.
Annie riu levemente com a possibilidade.
— Não, tenho certeza de que você não imagina.
* * *
— Eu sinto como se ficasse estragando tudo repetidamente — Charlie sentou-se ao lado de Zack no dia seguinte.
— Isso é porque você é um idiota.
— Obrigado pelo apoio, Zachary.
— Não me agradeça por insultar você, foi verdadeiramente um prazer. — Zack abriu seu típico sorriso torto.
— Zack.
— Sim?
— Você já disse à Princesa que gosta dela?
— Não.
— Você gosta dela?
— Eu acho que ela merece ser feliz. O problema é que ela é muita areia para o caminhãozinho de todo mundo aqui.
— Menos o de Jasper — Charlie bufou. — Ele não tem um caminhão. Ele tem uma escavadeira feita de ouro maciço.
— Verdade.
— Não era para você concordar!
— E não era para você se importar. Mas ninguém aqui está falando o que devia, não é?
— Zack, você é péssimo com sentimentos.
— Disse o cara que finge não ter nenhum.
— Eu acho que a Princesa é incrível. Já disse isso a ela. Quero ficar aqui, nem que seja para ser uma estátua no jardim, ou um cabide de casaco.
— Se eu fosse você, me decidiria logo — Zack se levantou, ainda encarando o outro rapaz. — Porque tenho certeza de que Jasper tem outros planos para o futuro dele no castelo.
Isso não deveria afetar Charlie, mas afetou.
* * *
Annie e Jasper estavam sentados em uma toalha de mesa no gramado. As costas dela estavam pressionadas contra o peito dele.
Eles haviam começado um pequeno jogo de Isso ou Aquilo.
— Livros ou filmes? — perguntou Jasper.
— Livros. Torta de maçã ou de limão?
— Limão. Caras que desenham ou que tocam violão?
Annie fingiu ultraje, rindo.
— Você não me perguntou isso!
— É uma pergunta bem válida.
— Que tocam violão.
Jasper sorriu.
— Você disse isso só para me provocar?
Não.
— Sim.
— Alteza, eu...
Os olhos de Annie se cravaram na janela do quarto de Charlie, de onde ela ouvia a canção que ele tocava sempre que ela estava perto. A moça realmente queria poder dizer que ouviu qualquer coisa que Jasper disse depois disso, mas seria mentira.
Charlie fingia que não estava ali só para observar Annie, e tocava violão alto para ter certeza de que não ouviria a conversa. Jasper, que a envolvia, disse algo a ela, que sorriu. Charlie já a vira sorrir muitas vezes. Só não estava acostumado a não ser a razão do sorriso.
Era Annie. Apenas Annie. Então o que era aquele sentimento de que algo estava errado?
Não havia nada de errado quando Charlie a abraçava. Não havia...
Ele suspirou baixinho. Não era apenas Annie. Era a Annie de Charlie. A Annie DELE.
E de repente, todas as dúvidas se responderam na mente dele. Não queria ser uma estátua. Não queria ser um cabide. Jogaria tudo isso para o alto, apenas por uma chance de ser a razão do sorriso dela.
Charlie parou de tocar.
— Jane.
— Sim, sr. Charlie?
— Mentir cansa.
* * *
— Jasper é um cavalheiro, sabem — comentou Annie com suas criadas quando voltou aos seus aposentos rapidamente para prender o cabelo antes de voltar para o piquenique com Jasper. — Não um provocador. Garotos gentis são uma espécie em extinção.
As criadas fingiam não perceber a mágoa e as indiretas na voz de Annie. Leah olhava pela janela, sorrindo.
— E quanto a garotos que jogam pedras na sua janela?
Annie ergueu uma sobrancelha, confusa, e foi desconfiada até a sacada. Lá encontrou Charlie, jogando pequenas pedras perto da sacada dela.
— Isso é para ser uma metáfora? — perguntou a garota, franzindo o cenho. — Romeu e Julieta ou algo assim?
Charlie sorriu. Havia algo radiante no sorriso dele.
— Você é quem acha metáforas para tudo. Eu apenas faço besteira.
Ela suspirou.
— O que você está fazendo, afinal?
— Sendo imprevisível, acho.
Charlie mexeu na própria orelha.
— Estou ouvindo — disse ela.
— Não. Preciso que venha até aqui.
— Isso é mesmo necessário?
— Sim. Não vou embora até que você desça.
— Vai se cansar.
— Não é como se eu tivesse alguma coisa para fazer. Mesmo se tivesse, não seria mais importante — ele a fitou com aqueles olhos acizentados que ela secretamente adorava. — Por favor?
Annie suspirou e virou-se para suas criadas, que a encorajavam silenciosamente.
Ela desceu para o jardim. Charlie correu até ela ao vê-la e sorriu.
— Certo, seja lá o que queira dizer, eu... — Annie começou.
Mas ele não queria dizer nada. Apenas segurou-a pela cintura para juntar seu corpo ao dele e a beijou nos lábios.
Foi diferente. Havia uma espécie de certeza silenciosa, uma convicção.
Ela o beijou de volta. Claro que o beijou de volta. Quando afastaram-se, Charlie a fitou por um longo momento. Depois sussurrou:
— Era isso o que você estava esperando?
— Me diz você.
— Você me beijou de volta.
— Ao que parece.
— Isso quer dizer que não se arrepende de ter me beijado na visita dos franceses?
— Bem, você mesmo disse que não significou nada.
Ele baixou os olhos, mas não a soltou.
— Eu estava errado.
* * *
Eles caminharam até um banco de pedra no jardim, longe do gramado. Annie entrelaçou os dedos da mão de Charlie nos dela.
— O que isso quer dizer?
— Você é a futura governante dessa nação inteira — ele desviou o olhar. — Eu não governo nem o meu próprio banheiro. Você vem com toda essa presença mágica e todas essas teorias incríveis... Iluminando todos os lugares por onde passa, e tem todos esses caras aqui que eu teoricamente tenho que superar... — suspirou. — É muito mais fácil convencer a mim mesmo de que não gosto de você.
— Se é o caso, você está fazendo um péssimo trabalho.
Charlie riu um pouco.
— Eu só quero que você saiba — ele finalmente cravou os olhos nos dela. — que eu vou lutar.
— Lutar pelo quê?
— Para te dar uma razão para você me deixar ficar.
— Pêssego — ela sorriu. Qual foi a última vez que o chamara assim? — Você não vai embora nem que implore muito. Fugir daqui seria mais difícil do que fugir de Alcatraz. E você não seria esperto o bastante para arquitetar tal plano.
— Sou esperto o bastante para comandar o país?
— Esperto o bastante para ganhar minha atenção.
Apesar de ela não ter certeza de que atenção era tudo o que Charlie havia ganhado dela.
Ele sorriu.
— Achei que você finalmente tivesse se esquecido da história toda de Pêssego.
— Não esqueço das coisas tão facilmente.
O que era quase verdade. Depois de quarenta e cinco minutos conversando com Charlie, ela se lembrou de Jasper. E foi só porque Lucius chamou o moreno para uma aula de reforço em História.
— Oi — ela sorriu, se sentando. — Eu... Hum... Lucius me arrastou até uma reunião. Foi mal.
— Relaxa — Jasper sorriu de volta, parecendo simplesmente alegre por vê-la novamente. — Você parece mais feliz.
— Foi uma ótima reunião.
O olhar de Jasper a fazia sentir-se culpada. Ele estivera lá por ela nos últimos três dias, enquanto ela estava na fossa. E então ela apenas o largou ali por um beijo — e que beijo! Droga, não era hora para sorrisos bobos — de Charlie e algumas palavras que fizeram o dia dela? Que ótima pessoa ela era.
Ela gostava de Jasper. Até Charlie entrar no campo de vista dela. E se odiava por isso. Como se dizia isso para alguém? "Oi, eu gosto do cara do violão, mas é legal ter você aqui para quando ele me magoar muito, mas isso é só até ele me beijar e ficar tudo bem, pode ser?".
Não. Jasper merecia mais do que isso. Mas o caso é que ela gostava de tê-lo ali. Queria tê-lo ali. E ele queria ficar ali.
Então, todos ganham, certo?
* * *
— Hoje, meus caros colegas, é um ótimo dia — Charlie, pela primeira vez, entrou sorrindo e animado no salão de jogos. — Não acham? Parece um ótimo dia para todos vocês permanecerem trancados nesse salão, porque a Princesa não quer ver nenhum de vocês!
Ele não queria soar tão satisfeito, mas não deu para evitar.
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