A verdadeira magia
9 O achar
Acordei de supetão e me sentei na cama, suando frio. Fui rapidamente para o banheiro para tomar um banho quente. Fiquei embaixo da água por uns dez minutos tentando entender esse sonho, se é que fosse possível. Tudo aquilo parecia ser de outro mundo. Mas de algum jeito parecia real demais. Resolvi por isso pra rodar em segundo plano e saí do banho para continuar o dia. Hoje era sexta, então iria poder falar com o senhor Burlin.
Tomando um café super-rápido, saí de casa e me dirigi à loja. Usando Velocidade foi rápido, e já estava na frente da loja em poucos segundos. Só que eu tive uma grande surpresa chegando lá. A loja estava fechada. E não era fechada no sentido não tinha abrido ainda, era fechada de nunca mais abrir. Na porta da loja estava um papel falando que a loja estava de endereço novo. Ele agora estava no centro da cidade, muito longe da escola.
Desistindo de ver os itens novos, fui para a escola caminhando derrotado. Cheguei na escola meia hora antes do começo das aulas. Me dirigi diretamente pra sala e fiquei lá rabiscando no meu caderno. Tinha mais uns dois alunos na sala, daqueles que só conheço porque fazem a chamada, então estava praticamente sozinho. Rabiscava várias coisas sem sentido. Círculos, quadrados, uns símbolos de séries ou filmes que são legais, só que não adiantava, porque o tempo não tava passando rápido.
Lentamente a sala foi enchendo. Eu percebi isso quando Will chegou e se sentou atrás de mim. Alguns minutos depois logo chegou Amanda, se sentando a minha direita. Ela dirigiu um simples sorriso para nós e se sentou. Eu terminei de rabiscar meu dragão super irado, pelo menos era isso que eu pensava estar rabiscando, e desisti de esperar. Me levantei e me dirigi até a porta de saída, exatamente no mesmo segundo que tocou o sinal. Voltei ainda mais frustrado pra cadeira e me sentei tediosamente.
Peguei meu celular para mexer em alguma coisa enquanto o tempo não passava, até que vi uma mensagem de um número desconhecido. Acontece, de vez em quando, você receber uma mensagem acidental, ou ligação, então eu ignorei. No começo. O tédio foi tão grande que até fui ver que mensagem era essa. E ainda bem que eu vi, porque ela era do senhor Burlin.
“Pequeno homem, venha na loja nova, acho que achei uma das suas cartas.”. Não podia ser de mais ninguém além dele. Logo me agitei por saber disso. Tanto ao ponto de querer sair e ir logo lá. Escrevi um bilhete rápido pra Amanda e Will e saí da sala. Deixei a bolsa na escola e me dirigi ao antigo local da loja para pegar novamente o endereço. Confirmando o endereço, comecei a correr pra lá. Corri muito muito rápido, usando Velocidade ao máximo, e o caminho de cerca de quarenta minutos de carro foi vencido em oito. Identifiquei imediatamente a loja, porque tinha crescido muito em comparação à antiga.
Dois andares, do tamanho de um grande supermercado, com estacionamento, ficou bem legal por fora. Entrei e percebi que não era só grande como um supermercado, mas agora era também um supermercado. Tinha vários caixas e as seções pareciam ter itens do dia a dia. Quase tudo igual a um supermercado mesmo. Rodei rapidamente pelos corredores vazios até achar a escada para o segundo andar. Subindo, logo vi várias seções, parecendo repletas com os itens da loja antiga. A loja que tinha perto de casa tinha mudado pra cá, ficando bem mais espaçosa e ampla. Rodei por algumas seções até ver um estande grande para cartas. Logo segui pra lá, vendo um atendente uniformizado dentro do quadrado de exibição. Olhando um pouco os decks e livros de cartas em exibição, o atendente falou comigo.
– Com licença, por acaso o seu nome é Filipe? — Ele falou com educação.
– Eh, sim, eu já te conheço? — Saiu um pouco mais duro do que parecia na minha cabeça.
– Não, é porque eu tive instruções de procurar um garoto, ou pequeno homem, como ele disse, chamado Filipe, que talvez ele aparecesse na loja nos próximos dias. — Ele me respondeu. — Nossa gerente pediu para avisá-lo. Eu irei falar com ela, ok. Não vá embora ainda.
Ele afastou um dos lados do quadrado e saiu sumindo de vista. Continuei observando os itens ao redor, sem sair de perto do quadrado das cartas. Após alguns minutos ele retornou com outra pessoa, provavelmente a gerente.
– Seu nome é Filipe, certo? — Ela começou.
– Sim. — Eu respondi.
– Você ia na antiga loja, não é? — Ela continuou.
– Sim, era um grande cliente e amigo do senhor Burlin.
– Ótimo, me acompanhe. — Ela se virou e começou a andar, enquanto eu rapidamente a seguia. — O senhor Burlin pediu para que ficássemos atentos a um Filipe. Disse que era um antigo cliente da loja anterior, e pediu para avisá-lo imediatamente.
– A loja ficou maravilhosa agora. Bem mais cheia de ar respirável. — Falei, rindo de lado.
– Sim, ele decidiu mudar. — Ela falou, pondo disfarçadamente a mão na boca para soltar uma risada fraca. — A loja, antes unicamente um hobbie para ele, agora será mais uma grande fonte de renda. Além disso, no andar inferior, como você viu, tem itens do dia a dia para suprir durante o mês.
– Legal. E ele pretende fazer o que com tudo isso?
– O senhor Burlin apontou homens de confiança para manter a loja ativa, sendo um para cuidar da loja inferior e outro para a loja superior. — Ela respondeu. — Sem contar que agora ele contratou alguns para buscar novos itens pra essa loja. — Ela concluiu no momento que chegamos a outra porta. — Suba até o andar de cima com esse elevador, já estará na sala do senhor Burlin.
– Tem mais um andar? De fora não parece.
– Sim, mas não é um andar, é somente a sala do senhor Burlin.
– Ok, obrigado. — Falei isso quando a porta estava se fechando.
O elevador subiu rapidamente, se abrindo diretamente para a sala. Uma sala de chefão mesmo, com cadeira de dois metros de altura e bar com vidros grossos, parecendo aquele perfume de gente velha. Quando a porta do elevador abriu, a cadeira de dois andares virou, revelando o senhor Burlin, vestido num terno de veludo, muito estranho.
– Ah, meu caro! Finalmente você chegou! Demorou anos pra você aparecer. — Ele falou.
– Senhor Burlin, você me mandou a mensagem hoje.
– Não importa, pequeno homem, não importa isso agora. — Ele se levantou e caminhou para o bar. — Enfim, eu te mandei aquela mensagem porque eu acho que achei uma das suas cartas. O vendedor me garantiu que não houve toque de humano nenhum. — Ele gesticulava como se ajudasse a explicar o que dizia. — Precaução, disse ele, maluquice, digo eu. Mas enfim. — Ele pegou um copo de whisky e voltou para a mesa, logo abrindo uma gaveta. — Veja se ela é uma. — Ele me estendeu uma pequena caixa.
Meu coração já pulsava forte desde quando recebi a mensagem, tinha até passado um pouco chegando na nova loja, e voltou com tudo agora. Uma nova carta poderia estar na minha frente. Mais uma das centenas que podem existir. Estendi minha mão e peguei a caixinha. Abri cuidadosamente para poder ver a carta. Meu queixo não caiu no chão porque estava grudado no resto da cabeça, mas que despencou despencou.
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