A verdadeira alma gêmea
13 Um Beijo
Pronto, minha mãe podia ficar feliz, fui a um encontro com Astro, não foi um encontro ruim, eu não sabia se queria continuar com isso, não sabia dizer se o encontro fora bom por conta do encontro em si, ou por conta de ele ter lido tudo sobre mim, uma coisa eu tinha certeza, isso ia rondar muito tempo na minha cabeça.
Minha noite não foi muito tranquila, acordei várias vezes durante a noite, acabei tendo vários sonhos diferentes, mas quando acordei não me lembrava de nenhum deles. Acordei mais cansada do que quando fui dormir, minha mente não parava de girar em pensamentos.
— Bom dia – resmunguei de qualquer jeito chegando à mesa para tomar café da manhã, ainda estava de pijama, não tive ânimo para trocar de roupa.
— Bom dia, Luazinha, nossa você está acabada – comentou Pietro – Por que está tão cansada? Como foi seu encontro ontem? – ele me perguntou.
— Não dormi direito, muita coisa pra pensar. Mas o encontro foi legal – respondi ainda com sono.
— Vai sair com ele de novo? – minha mãe perguntou animada.
— Não sei, talvez – respondi ainda tentando manter os olhos abertos, talvez fosse precisar de café ou água bem gelada.
— Como assim não sabe? Mas é claro que vai, vocês têm tanto para conversar. Falando nisso, meu filho, quando é que você vai chamar a Linda para sair?
— Chamei, mas essa semana ela não podia – ele respondeu desapontado.
— Bom, ele tem que arrumar tempo para a alma gêmea dela, isso não está certo – continuou, insatisfeita.
— Tudo bem mãe, eu entendo. Linda é uma atriz famosa e tudo mais, mas nós nos falamos pelas redes sociais, ela é muito atenciosa – ele continuou contente acalmando nossa mãe.
— Tem alguém na porta, deixar entrar? – M.A.I.A. perguntou, interrompendo a conversa.
— Deixe a visita entrar M.A.I.A. – respondeu meu pai.
— Gabriel, que grande surpresa, você quase nunca aparece por aqui – meu irmão o cumprimentou.
— Lu pediu para vir cedo, acordei e vim – ele respondeu.
— Pedi? Desculpe, ainda estou com sono – perguntei confusa.
— Sente-se e tome café conosco – minha mãe convidou amavelmente.
Arrumamos espaço na mesa e Gabriel sentou-se conosco para tomar café, nesse meio tempo eu comecei a pensar em qual momento da noite eu convidei o Gabriel para aparecer de manhã. Olhei pra ele ainda muito confusa, mas deixei para depois.
— Sobre o que estamos falando? – perguntou Gabriel.
— Sobre nossas almas gêmeas – respondeu Pietro.
— Estávamos falando sobre o encontro da Luna com o Astro – meu pai comentou ao mesmo tempo.
— Pietro já está planejando o casamento e os filhos? – Gabriel comentou enquanto pegava pão e manteiga.
Pietro não respondeu, apenas deu um sorriso de lado enquanto ainda mastigava.
— Meus dois filhos estão se relacionando bem com suas almas gêmeas, estou tão feliz e tão orgulhosa de vocês – nossa mãe comentou com emoção.
— E vocês vão se casar com elas? – perguntou Magnólia, com sua doçura de criança.
— Mas é claro que sim, meu anjo. Nossa família inteira é casada com almas gêmeas, até você vai se casar com a sua um dia – respondeu meu pai com carinho.
— É muito cedo para dizer, a gente acabou de se conhecer – respondi ao mesmo tempo, não queria dar uma resposta negativa em definitivo, casamento nem passava pela minha mente.
— Você não pretende se casar com Astro? – meu irmão perguntou em choque, como se outra possibilidade fosse absurda. – Eu vou me casar com Linda assim que possível, estou planejando meu futuro com ela, mesmo antes de encontrá-la.
— Ela não pode casar com o Astro por que ela está apaixonada pelo Gabriel – comentou Magnólia inocentemente.
Cuspi meu café e quase me engasguei com o comentário, foi feito de forma inocente e sem nenhum contexto, mas me pegou de surpresa, minha mãe exclamou “Luna!” e se levantou pra pegar um pano pra limpar a mesa. Gabriel olhou pra mim com o mesmo choque que estava em meu rosto, ele ficara vermelho e logo desviara o olhar, Pietro me olhava também tentando segurar o riso.
— De onde você tirou isso, Ma? Ele é meu amigo, não gosto dele mais do que isso – respondi sem jeito.
— Então por que você disse o nome dele dormindo? – ela indagou com seus olhos doces penetrando nos meus.
— Não diga bobagens, Magnólia, sua prima vai se apaixonar pelo Astro, é o destino dela – meu pai comentou tentando parecer casual, mas ele parecia quase... triste?
— É isso mesmo meu bem, todos se apaixonam por suas almas gêmeas – minha mãe completou depressa demais.
Agora definitivamente eu não ia conseguir olhar nos olhos do Gabriel, eu não sabia o que minha prima estava fazendo, não conseguia lembrar de nenhum sonho para poder me defender, por alguma razão naquela manhã ela decidira que era uma boa ideia ser totalmente inconveniente, a espontaneidade das crianças é muito estranha, as vezes é muito engraçada, mas as vezes deixa as pessoas muito sem graça. Olhei para ela e respondi sem voltar meu olhar para mais ninguém.
— Porque eu sonhei que ele tinha morrido e fiquei triste, eu acordei depois, você não viu? – menti, já que não lembrava do sonho. – Aliás, mocinha, por que a senhorita estava acordada? – Mudei de assunto, tirando o foco de mim.
— Eu estava com saudade da minha mãe – ela respondeu com um toque de tristeza.
— A Magnólia foi ao nosso quarto essa noite querida, vamos levá-la a pra visitar a Roberta hoje. Falando nisso, vocês querem ir conosco? – perguntou meu pai, feliz em mudar de assunto.
— A gente vai tomar picolé na volta – comentou Magnólia animada, o assunto Gabriel completamente esquecido da sua mente infantil.
— Claro, adoro tia Roberta – respondi.
Eu tinha visitado tia Roberta há pouco tempo, mas já estava com saudade dela, sua energia era muito contagiante, e ia ser bom para Magnólia ver a mãe e o pai, já fazia algum tempo que ela estava lá em casa. Tomei um banho rápido, coloquei meu macacão florido e uma rasteirinha. No caminho para a casa de tia Roberta, fiquei o tempo todo ao lado de Pietro e evitando Gabriel a todo custo, ainda desconfortável com o comentário de Magnólia sobre nós dois, não era um comentário verdadeiro, eu não estava apaixonada pelo Gabriel, mas isso me incomodava por alguma razão. A casa estava mais silenciosa do que a visita anterior, não havia sinal de reforma.
Magnólia pulou em cima do pai e o abraçou com força.
— Minha princesa, que saudade. Estou louco pra você poder voltar. E aí, como está sendo na casa do tio? – ele perguntou, feliz em vê-la, enquanto entrávamos. – Luna, Pietro, Ricardo, Márcia, Gabriel, entrem, entrem – ele cumprimentou cada um de nós.
Tia Roberta e o marido fizeram um pequeno tour pela casa, estava quase pronta, não era uma reforma muito grande. Meus pais ficaram muito surpresos, mas muito felizes ao saber que eram dois bebês. Eles não podiam saber que a gravidez era de risco, eu olhei pra minha tia e os olhos dela brilhavam, depois olhei para os outros e era tanta felicidade, eu não podia fazer isso com eles, então só fiquei parada sorrindo enquanto eles conversavam.
— Já tem os nomes? – meu pai perguntou.
— Você sabe que eu gosto de flores, pensei em Amarílis e Gardênia – tia a Roberta respondeu emocionada.
— E se não forem meninas? – minha mãe comentou.
— Nós não pensamos nessa possibilidade, Roberta tem muita certeza que são meninas – Will comentou, dando um beijo na bochecha de tia Roberta.
— Elas vão crescer muito unidas, Pietro e Luna cresceram – minha mãe comenta.
Deixei meus pais e meus tios conversando e fui dar uma volta pela casa, acabei me sentando no quintal. O quintal não era muito grande, contava apenas com algumas flores em vasinhos de barro, uma árvore frutífera cercada por tijolinhos vermelhos, dois banquinhos de pedra e um laguinho artificial de pedras com alguns peixinhos, tinha um gnomo muito velho na beira do laguinho como se estivesse pescando os peixinhos. Quando éramos crianças e íamos visitar tia Roberta, em algum momento demos o nome de Benjamim ao gnomo, não sei porquê, mas ele tinha uma carinha de Benjamim, também gostávamos de dar nomes para os peixinhos, mas a gente sempre esquecia os nomes, só lembrávamos do nome do gnomo.
— Benjamim ainda existe – Pietro disse atrás de mim.
— Sim, ele ainda existe. Está meio velho, mas continua com sua tentativa de pegar os peixes – comentei olhando o gnomo distraída sentindo o sol no rosto.
— Sara, Rebeca, Luiz Antônio, Caleb, Enzo, Gustavo e Jéssica – ele continuou o raciocínio.
— O quê?
— Os peixinhos que o Benjamim está tentando pescar, são sete peixinhos.
— O que vocês estão fazendo aí no sol? – Gabriel vinha logo em seguida.
— Estamos nomeando os peixinhos – respondi, com Pietro entre nós ficava mais fácil, esperava que as coisas voltassem ao normal logo.
— Benjamim ainda não pegou nenhum peixe? – Gabriel perguntou.
— Não, coitado. Ele tenta há anos e nunca conseguiu pegar nenhum.
— Talvez ele só seja tímido, vai ver ele consegue quando ninguém está olhando. Ele não é muito magrinho, alguma coisa ele tem que estar comendo.
— Se ele fosse um androide ele não precisaria pescar nossos peixinhos – comentei.
— Pelo menos quando faz calor o Benjamin já tem uma piscina só pra ele. – Pietro comentou.
— Até que uma piscina e um pouco de diversão iriam cair bem agora, o dia está bem quente.
Quando a gente era criança, inventávamos várias histórias sobre o gnomo de jardim, podíamos ficar nisso por horas. Às vezes a gente fazia uma competição para saber quem contava a melhor história, mas nunca chegávamos num acordo, cada um se declarava vencedor, mesmo em discordância, raramente brigávamos, minha mãe tinha razão, as gêmeas iam crescer unidas.
Já havíamos feito tantas teorias sobre o gnomo que talvez nem houvesse mais o que explorar, todas as histórias talvez já tenham sido exploradas por nós. De repente voou água na minha cara, eu me distraí por meio segundo e um dos dois jogou água em mim. Não sabia qual dos dois me atormentava mais se era Pietro ou Gabriel, eles são muito diferentes em muitas coisas, mas quando se juntam contra mim parecem iguais com um objetivo em comum. Na dúvida joguei água nos dois e corri, sabia que aquilo não ia acabar ali.
— Sem sair do quintal – meu irmão gritou antes de eu chegar até a porta.
Parei de supetão e quase caí com o movimento, mas consegui me equilibrar a tempo. Nos filmes que eu via na televisão, as crianças brincavam de guerra de neve, mas onde eu cresci não tinha neve, nós crescemos com outros tipos de guerra, às vezes de lama, travesseiros ou nesse caso, água da fonte artificial. Meu irmão se preparou para jogar mais água em mim, mas quando ele se abaixou para se preparar, o telefone dele tocou. Pietro secou a mão na roupa e atendeu. Ele escutou por um tempo antes de responder “Não, por quê?” e a conversa continuou por um tempinho, eu só sabia um lado da conversa, “Sim, claro.” “Eu ia adorar”, “Posso sim, vou avisar todo mundo”, “Claro”, “Até mais”. Eu não precisava de muitas informações para saber quem era, pelo modo como ele se animou, Linda acabara de ligar pra ele, ainda assim decidi confirmar meu palpite.
— Deixa-me adivinhar, Linda Halley? – perguntei.
— Humhum. Ela me chamou pra sair. Vamos entrar? Preciso dar tchau pra todos.
Voltamos pra dentro, meus pais estavam contando as novidades para a tia Roberta e Will, mais para Will, minha tia já sabia.
— Acho que vocês estão falando de nós – comentei casualmente.
— Falando nisso, preciso ir. Vou sair com a Linda – despediu-se Pietro rapidamente abraçando todos e saindo.
Pietro se despediu de todos dizendo que não sabia que horas ia voltar, mas que iria direto pra casa. Nós ficamos a tarde inteira na casa de tia Roberta, saímos por volta das cinco horas, Magnólia se divertiu bastante e ficou muito contente por ver os pais de novo. Para a minha sorte o assunto “Astro” morreu muito rápido, uma vez que Magnólia rapidamente recomeçou a falar dos bebês e contar novidades da escola, ela queria contar tudo aos pais, nunca me senti tão aliviada por me envolver em seus assuntos infantis.
Gabriel ficou conosco até o jantar, Pietro ainda não havia chegado, nós conversamos um pouco sobre o dia que tivemos, Magnólia estava animada com as gêmeas. Meu pai também estava animado, ele sempre quis uma família grande, mas o controle populacional não permitia ter muitos filhos, ele estava muito feliz por ter dois filhos e três sobrinhas, ele começou a falar sobre como os domingos e feriados seriam divertidos no futuro, ele imaginava a casa arrumada, muitos natais juntos e muita comida, as vezes ele esquecia que éramos pobres.
— E com Linda e Astro, logo teremos netos. – Ele continuou feliz. Ah não, ele trouxe o assunto das almas gêmeas de volta, era tudo o que eu não queria. Eu nem pretendia continuar meus encontros, talvez.
— Eu nem sei se vou me casar pai, mas Eto com certeza vai te dar pelo menos um neto – comentei tentando deixar o assunto de lado.
— E é claro que o Gabriel vai continuar amigo da nossa família, os filhos dele vão brincar com nossos netos, igual ele brincava com Luna e Pietro, igual eu brincava com a mãe dele.
— Gerações de amigos – Gabriel comentou. – Eu gosto de fazer parte dessa família.
— Nós gostamos de ter você conosco – minha mãe respondeu com um sorriso.
— Que bom. Será que posso ficar essa noite? Posso dormir no sofá. Ainda não conversei com a Luna.
— Mas é claro. Vou lhe preparar uma coberta – ela respondeu novamente.
Eu tinha até me esquecido que ele havia dito mais cedo que eu o havia chamado em casa. Minha mãe foi arrumar as coisas para ele dormir no nosso sofá, Pietro chegou depois da janta, enquanto isso nós três limpamos a mesa e arrumamos a cozinha, ele não quis jantar eu fui rapidamente ao meu quarto, escovei os dentes e voltei de pijama. Minha mãe deixou uma coberta leve e um travesseiro para ele no sofá e foi para o quarto, os outros também foram e ficamos só Gabriel e eu.
— Lu, será que podemos ver um filme antes de dormir? – ele me perguntou quando minha mãe saiu.
Evitei ficar sozinha com o Gabriel o dia todo, mas agora não tinha mais jeito. Eu nem sei do que eu estava com medo.
— Se for um filme curto, tenho trabalho amanhã.
— Tudo bem, eu também.
Nos sentamos no sofá e passamos um tempo procurando algo para ver distraidamente, me lembrei que não havia o chamado, mas não perguntei, ele ia me contar o que quer que fosse a qualquer momento.
— Obrigado por me deixar ficar, precisava mesmo ficar longe de casa – Gabriel comentou com uma leve tristeza no rosto.
— O que houve? – perguntei preocupada com ele, os olhos dele estavam muito tristes.
— Você sabe como são as almas gêmeas, desde que o programa foi criado e aperfeiçoado os divórcios foram ficando cada vez mais incomuns – ele começou a desabafar e eu prestava atenção.
— Humhum – resmunguei para mostrar que estava ouvindo.
— Acho que meus pais vão se separar. Eles acham que só porque eles ficam muito tempo fora que eu não ia perceber, pelo menos eu não sou mais criança, mas ainda estou um pouco triste – ele continuou, deitando no meu ombro.
— As almas gêmeas raramente se separam – respondi fazendo cafuné nele.
— Eu sei. É uma situação na qual eu não sei como agir. – Ele passou do ombro para o meu colo.
— Você não tem o que fazer, às vezes o amor pode não dar certo.
— Isso me fez questionar se eles se amavam de verdade. Por que depois de tantos anos juntos, eles agora decidiram se separar?
— Eu não acho que eles se separarem significa que o amor acabou. Talvez eles ainda se amem, mas eles sabem que ficar juntos não está bom, então para que o amor não acabe, eles preferem ficar separados – continuei com o carinho na cabeça.
— Será? Eu não tinha pensado nessa perspectiva. Mais uma vez obrigado por me deixar ficar, eu precisava de você – ele disse com ternura.
— Você sempre será bem-vindo na minha casa – respondi com doçura e em seguida beijei sua testa.
Nós desistimos de ver o filme, a televisão estava só ligada em um canal aleatório que nenhum de nós estava prestando atenção. Ficamos em silêncio por um tempo, continuei fazendo carinho na cabeça dele, em algum momento ele perguntou se podia se preparar para dormir, se me incomodava, respondi que não e ele tirou a camisa e ficou de bermuda, depois voltou a deitar no meu colo. Os pais do Gabriel iam se separar, eu estava chocada, normalmente as almas gêmeas se encontravam e ficavam juntos pelo resto da vida, o sistema nunca errava, pelo menos era o que eles vendiam, a pessoa perfeita para a sua vida, saber que uma alma gêmea podia não querer ficar com a outra, quebrava um pouco essa perfeição matemática. Por isso eu acreditava mais no amor antigo, funcionava melhor e mesmo que não desse certo, pelo menos era uma escolha.
— O que a Ma quis dizer àquela hora? – Gabriel perguntou depois de um tempo.
— Que hora?
— Na mesa de jantar, sobre você estar apaixonada por mim.
Meu rosto ficou quente e eu agradeci por estar escuro e por ele estar deitado olhando para a televisão e não para mim. Nem eu sabia dizer de onde veio isso.
— Não sei, a Magnólia é criança, ela imagina coisas. Mas por que isso agora, Gabriel?
Gabriel levantou do meu colo e me olhou nos olhos antes de responder.
— Estava pensando aqui. Se meus pais vão mesmo se separar, isso significa que o sistema não é cem por cento a prova de falhas, e deveria ser. As pessoas, a maioria delas pelo menos, não fica com ninguém antes de encontrar as almas gêmeas, algumas até ficam, mas elas sabem que não podem ficar juntas. Mas e se pudesse, você ficaria com outra pessoa que não fosse o Astro? – ele me perguntou com ar sério.
Pensei por um tempo antes de responder.
— Acho que sem o sistema, Astro e eu nem ao menos teríamos nos conhecido. Mas você me conhece, eu não me cerco de muita gente, então eu não sei, talvez, nunca pensei nessa possibilidade – respondi com calma.
— Eu já pensei – ele respondeu chegando mais perto, seus olhos encontraram os meus e depois foram para a minha boca.
Fechei os olhos quando os lábios dele encostaram nos meus. Eu nunca pensei que meu primeiro beijo seria com meu melhor amigo. Por muito tempo eu pensei que o Gabriel me via como uma irmã e por muito tempo foi verdade, eu também o via assim, como um irmão, mas isso havia deixado de ser verdade já fazia um tempo e eu nem percebi. Uma parte de mim percebeu, eu só não queria admitir para mim mesma, talvez pelo o que ele disse, quem não era alma gêmea nunca ficava junto, eu gostava de tê-lo na minha vida, a outra possibilidade, quaisquer outras possibilidades eram terríveis, então alguma coisa silenciou meu coração, eu queria proteger a nós dois do sofrimento, mas a verdade não se esconde por muito tempo, em algum momento ela vai lhe escapar entre os dedos e naquele momento eu tinha que admitir, Gabriel já estava nos meus pensamentos já fazia algum tempo. O beijo dele se encaixou no meu de uma forma doce e delicada, eu queria aquele beijo, o hálito dele se misturou com a menta da pasta de dente usada a pouco tempo. Ele segurou minha cabeça entrelaçando os dedos no meu cabelo, os lábios eram macios e eu me senti nas nuvens, ele se inclinou na minha direção e nossos corpos ficaram ainda mais perto, a pele dele colada no meu pijama, eu podia sentir meu coração descompassado e eu sabia que o dele estava assim também, mas antes que perdêssemos o controle, ele se afastou. Foi tão breve que eu mal vi quando acabou, breve, porém completamente inesquecível, não por ser o meu primeiro beijo, mas por ser tão perfeito.
Fale com o autor