A trilha, o tesouro de Nicolau VII

17 Cap.17-A cavalaria chegou!



Cap.17-A cavalaria chegou!

A culpa pesava bastante nas costas de Alexis, quando ouviu uma voz o chamar. Virou-se para a direita, a fonte de onde ela vinha, e avistou um escudo que vinha até ele bastante veloz e lhe bloqueava a visão do dono daquela voz que parecia tão familiar, a única coisa capaz de observar dele era seu cabelo laranja e que os raios de sol ao iluminá-lo davam a impressão de que eram feitos de chamas, "Tony"; concluiu. E então pegou o escudo em meio ao ar ainda desnorteado sob o que fazer com o objeto e então atentou o olhar para trás, foi a primeira direção em que conseguiu pensar de onde o perigo viria, e consorte o palpite estava certo.
A flecha roçou.
Não resistindo a força do impacto, Alexis caiu para trás direto no chão. Deitado naquele chão, não sabia o que sentir: alívio, surpresa ou espanto, sinceramente sentia um misto das 3 emoções, seus olhos estavam arregalados, ficou boquiaberto e sua respiração estava mais lenta.

Depois de finalmente ter absorvido boa parte do ocorrido, fitou o olhar atentamente ao escudo que salvara sua vida e percebeu que havia uma flecha cravada nele na parte superior esquerda, a que protegia o lado esquerdo do peito, justamente onde estava localizado o...coração, se não estivesse pego aquele escudo a tempo... Teria sido uma flecha de Micaelle? Um sinal de socorro? Não, não era do feitio dela fazer algo daquele tipo, aquele disparo havia sido para matar e Micaelle jamais o machucaria. Então olhou para a frente afim de encontrar o dono daquilo, e viu um homem ruivo, de cabelos desgrenhados com olhos verdes que chamejavam de fúria, com um arco empunhado na mão esquerda, ao lado de uma barraca em um posição nem um pouco fácil de ser descoberta, " Foi você!"; concluiu Alexis: "Mas quem é você?"; quando foi interrompido com Tony correndo preocupado até ele e dizendo:

__Você tá bem?__ disse Tony que logo o ajudou a levantar-se

__ Estou sim, obrigado por ter me salvado

__ De nada, eu sei que faria o mesmo por mim

Alexis deu um sorriso desconfortável a Tony, não teria como ficar realmente alegre quando tantas coisas ruins estavam ocorrendo ao seu redor:
__ Quem é aquele cara?__ indagou ele virando-se novamente em direção ao misterioso homem do arco e apontando o indicador a ele Tony virou-se na direção que Alexis indicava e franziu a testa confuso ao perceber que naquele local não havia ninguém

__ O quê? Tem um homem invisível ali?__ indagou Alexis não acreditou, podia ter certeza de que aquele homem não era miragem, disse então perplexo:

__ Mas... mas... eu jurava que tinha alguém ali!

__ Você tá falando do arqueiro ruivo que tentou te matar

__ Sim! Exatamente ele!

__ Nossa, pra um arqueiro até que ele sabe se esconder muito bem!__ disse Tony logo também admirado

__ Alguma ideia de quem seja ele?
__ Não, nunca vi mais gordo, mas quem sabe se eu vir onde ele atirou eu tenha uma... certa noção do que estamos enfrentando

Alexis desastradamente deu o escudo a ele, Tony não pôde evitar de sorrir ao ter pego o escudo, disse:
__ Relaxa, cara, ele não é tão burro de atirar sabendo que você está atento__ e então examinou o escudo atentamente, a flecha cravou-se justamente na parte que protegia o coração, disse então um pouco preocupado:__ Caramba...
__ O quê?__ disse Alexis um pouco apreensivo
__ Com certeza ele não é um amador, ele tem a mira melhor que a de Micaelle e é mais ágil do que nós 4 juntos
"4... se é que ainda somos 4"; pensou Alexis sombriamente, mas logo tentou tirar aquilo de sua cabeça, Tony então estirou a flecha do escudo, examinando com atenção a ponta e assim concluiu:

__ Consorte a flecha não tem veneno nenhum

__ Só por curiosidade, como sabe tanto de tiro ao alvo? Pensei que sua habilidade fosse nas artes de um espadachim e do ninjatáxi

Tony não pode deixar de rir ao ouvir aquela última palavra, e indagou:

__ Ninja o quê?

__ Ninjatáxi, sabe, aquela arte marcial que ensina alguém a ser um ninja...
Tony riu ainda mais e disse:

__ Não é ninjatáxi, é ninjutsu
__ Ah, claro, desculpa, você ainda não respondeu a minha pergunta

__ Quando uma flecha tem algum veneno, ela brilha mais do que uma flecha comum, não é assim tão complicado descobrir isso, é só questão de uma boa visão
Boa visão... aquilo o fez recordar de Micaelle, poderia ter se livrado do peso de uma flecha no coração, mas o peso da culpa ainda resistia e não havia escudo que o protegesse de sentir aquela dor. Tony então observou novamente para onde Alexis havia apontado e disse:

__ Ele vai voltar, e o pior é que não sabemos quando vai ser, por isso devemos ficar mais atentos do que nunca, você viu Marcelo?__ em seguida lhe devolveu o escudo, Alexis quase havia se esquecido de Marcelo,onde será que ele estava? Será que teve o mesmo destino de Micaelle?
__ Não...__ respondeu__ E você viu Micaelle?

__ Não__ disse Tony__ e você?
Alexis hesitou, será que valia a pena contar? "Ele tem o direito de saber a verdade, eu tenho de falar":
__ Nós já tínhamos nos encontrado, e estávamos montados em um cavalo, prontos pra procurar vocês pra finalmente fugirmos desse lugar infernal, quando um bárbaro idiota nos fez cair dele...__ interrompeu-se, como era difícil recordar... mas conseguiu continuar:__ e então eu percebi que talvez nós dois morrêssemos ao lutar com aquele cara, e alguém tinha de procurar o tesouro do Nicolau VII, e ae eu insisti que ela fosse enquanto eu cuidava daquele bárbaro, ela fugiu e então eu comecei a enfrentar ele, e pra variar eu estava perdendo, foi quando vi...__ interrompeu-se mais uma vez, desta vez reflexivo, recordando daquele momento...
__ O que você viu? __ indagou Tony bastante atento ás palavras de Alexis
__ Quando... quando vi um bárbaro com uma espada agarrando Micaelle pelo pescoço e a arrastando pra floresta, eu... tentei salvá-la tentando vencer logo aquele bárbaro, e finalmente consegui vencê-lo... mas... mas-mas era tarde demais, quando eu fui correr atrás ela já tinha desaparecido, é tudo culpa minha! Ela deve estar morta, eu sou um assassino, um monstro, podia ter feito alguma coisa, mas não fiz, eu sou um monstro! Um monstro!
Os olhos negros de Alexis marejaram,prestes a soltarem lágrimas, Tony o abraçou o consolando:

__ Relaxa, cara, relaxa, você fez o que podia
__ Não, eu podia ter feito mais, o sangue dela está nas minhas mãos...
__ Não está nas suas mãos, está nas mãos daquele bárbaro, você fez o seu melhor pra tentar salvar ela
__ Então por que me sinto tão culpado?
__ Não é pra se sentir assim, você foi e é mais nobre que qualquer bárbaro por aqui, e pra honrarmos o nome de Micaelle e tudo que ela fez pela gente temos de seguir em frente__ e deixou de o abraçar
Aquelas palavras confortaram Alexis um pouco, lhe proporcionando um pouco de animação ao âmago do seu ser e motivação para prosseguir a trilha
__ Tem razão, Micaelle não ia gostar nem um pouco que depois de tudo que ela passou por nós desistíssemos, ela ia querer que seguíssemos em frente E subitamente recordou da promessa que havia feito a ela: "Como posso ter me esquecido disso tão fácil? Como posso ter sido tão egoísta?".
__ Isso mesmo! Devemos lutar com todas as nossas forças pra sair daqui e encontrarmos o tesouro de Nicolau balofo juntos por Micaelle!
__ Sim, por Micaelle!!!__ Isso! Agora toca aqui!__ levantou a palma da mão e Alexis e bateram as mãos
__ Legal, e você está com o mapa, não é?
__ Não, está com...__ "Micaelle!"; recordou Alexis em questão de instantes
__ Com...?
__ Micaelle...__ disse Alexis frustrado
Tony ficou perplexo e por alguns instantes esteve sem reação... quando enfim disse:
__ Isso é sério?
__ Sim, eu disse que alguém tinha de continuar a procura do tesouro de Nicolau VII

__ E a última vez que você a viu foi quando ela foi capturada por algum bárbaro, não?
__ Sim... por quê?
__ Você viu algum rastro de sangue dela? Aljava? Foi de cabelo ou qualquer sinal?
__ Não...

__ Cara, isso é uma notícia ótima!
__ Mas... o que tem ótimo em saber que o mapa pode estar em mão erradas?
Então Tony com um sorriso estridente no rosto fortemente agarrou seus ombros e disse:
__ Será que você não percebe mesmo? Sem sangue, sem corpo, aljava... Micaelle ainda pode estar viva!
Demorou a absorver, mas Alexis havia entendido, foi tomado de surpresa, seus olhos arregalaram-se e ficou boquiaberto até enfim conseguir abrir um sorriso, e então disse:
__ Claro! Como não percebi isso antes? Micaelle ainda está viva!
__ Isso mesmo, mas não podemos perder tempo, temos de procurar Marcelo e ela pra sairmos logo desse inferno de uma vez por todas!
__ Isso, vamos conseguir sair juntos!
__ Isso, juntos! Yeaaah!!!

Então os dois abraçaram-se, saltaram de alegria e deram tapas nas costas um do outro, em meio a diversos infortúnios, uma notícia boa era bastante significativa. Quando Alexis em meio ao longe ouviu o som de um trote rápido cada vez mais próximo, quando encontrou a fonte daquele som, aquele clima alegre logo havia desaparecido, um cavalo marrom avançava velozmente contra ele e Tony, e montado nele estava um bárbaro enfurecido empunhando uma longa lança de metal, Alexis logo escapou do abraço e disse amedrontado:
__ Tony, olha pra trás!

O bárbaro avançava cada vez mais veloz,quando Tony enfim virou-se Alexis percebeu que em questão de instantes seu amigo iria se tornar a sua primeira vítima, então tomado pelo desespero o puxou pela manga para a direita e Tony caiu no chão desnorteado. Logo o bárbaro estava avançando contra Alexis, que em resposta pôs o escudo a frente, lança e escudo se encontraram, o garoto sente de imediato o peso do objeto e firmou fortemente os pés sob a terra, mesmo assim quase vacilou para trás, porém ficou incólume do ataque da lança. O cavalo continuou a avançar para a frente até seu dono fazê-lo dar meia-volta, Alexis sem perder tempo virou-se para trás ainda bem armado e protegido. Tony levantou-se e logo notou que estava acontecendo, mas não sabia como ajudar, o trotar novamente estava mais alto, "Alexis precisa de mim, não posso ficar aqui de mãos atadas, eu tenho defazer alguma coisa!". CLOPT! CLOPT! CLOPT! Quanto maior era o som do trotar, maiores eram as batidas do coração de Alexis, tomado pela aflição disse:
__ Tony, vá procurar por Micaelle!
Tony hesitou. O bárbaro levantou a lança na altura de sua cabeça como se estivesse manejando uma clava de madeira e atacou, Alexis não resistiu ao impacto e saltou para trás rolando chão afora.
Alexis sentiu-se tonto, mas logo recobrou a consciência e percebeu o bárbaro avançando contra ele empunhando a lança a frente outra vez, tomado pelo medo o garoto fechou o punho e pôs o escudo a frente, foi quando percebeu que estava sem ele, rapidamente apalpou seu corpo e procurou ao redor, até encontra-lo entre os galhos de uma árvore alta atrás dele: "Ah, isso só pode ser brincadeira!". Quando voltou o olhar para o seu adversário percebeu que ele estava muito mais próximo do que pensava, e sentiu um frio na espinha, "Talvez... se eu me esquivar bem rápido eu consiga me esquivar da morte"; mas aquele ato era quase impossível considerando que aquele bárbaro havia o desarmado com um único golpe e Alexis sabia disso, "E também estou com a minha espada na mão..."; e recordou-se da última batalha que teve contra Sr.Coleman e da última lição que aprendera: "Enquanto houver qualquer coisa que se possa usar como arma seja em qualquer parte do corpo sempre haverá como atacar", aquilo o animou um pouco, então empunhou os braços firmemente no cabo da espada, porém não pôde evitar que deixassem de estremecerem, ainda parecia improvável escapar daquele ataque.
Quando algo perfurou no meio do peito do adversário, uma lâmina pálida, sangue espirrou e escorreu pelo objeto, e ao redor do pescoço do bárbaro Alexis viu um outro braço o segurando, o cavalo desacelerou e Alexis foi tomado por uma estranha calma misturada a surpresa e espanto. Os olhos do bárbaro também surpreenderam-se, seus olhos arregalaram-se olhando por todas as direções em uma vã tentativa de encontrar seu misterioso inimigo, o gosto de sangue percorria sua boca e derramava-se no seu queixo, então ele caiu estatelado no chão ainda empunhando a lança. E finalmente Alexis conseguiu ver a identidade de seu herói: um Tony ofegante e aliviado empunhando a espada da lâmina pálida.
__ Bem que eu devia ter suspeitado pela espada branca__ disse Alexis
__ Nunca subestime uma espada de ossos, nem o portador dela__ então quando pôs as mãos nas rédeas, o cavalo levantou as patas dianteiras e relinchou, Tony riu e disse:
__ Opa! Vai com calma ae, amigão__ e o animal deu meia-volta para trás e avançou bastante veloz:__ Eu disse para ir com calma!__ e agarrou mais fortemente, e subitamente o cavalo parou, Tony teria imediatamente saltado dele caso não estivesse segurado com firmeza na sua nuca. "Já vi que você é bem difícil, mas acho que não vai dar muito trabalho"; e então pôs novamente as mãos sob as rédeas e disse:__ Bom garoto, acho que vamos nos dar muito bem E virou as rédeas para a direita para que o cavalo regressasse até Alexis, e assim o animal fez, mas outra vez avançando velozmente, Tony disse tentando frear:__ Calma, por que você me odeia tanto? Pizza! Pizza! Você ganha pizza se me obedecer!__ mas de nada adiantou, Alexis estava bem á frente, Tony então o alertou:__ sai da frenteeee!!! Alexis bastante alerta esquivou-se saltandopara o lado e consorte escapou do animal. Desesperadamente Tony moveu as rédeas várias vezes e o mínimo que conseguiu foi girar ao redor de Alexis,aterrorizado Tony gritou para quem quer que ouça:__ Alguém sabe como se desliga essa coisa? Socorro! Cadê o manual de instruções?! Alguééééém?!!__ e o cavalo começou a girar ao redor de si mesmo enquanto Tony gritava:__ Maçãã?! Eu te dou maçãs se parar-rar-rar-rar-rar!!! Alexis também ficou desnorteado, ele tinha de fazer alguma coisa, então sem pensar muito se aproximou a passos rápidos, o cavalo percebeu, relinchou e levantou as patas dianteiras em sinal hostil. Alexis apreensivo recuou um pouco, o cavalo manteve-se parado, mas comum ar feroz determinado a atacar a qualquer instante. "O que você está fazendo?"; pensou Tony em dúvida se permanecia montado no cavalo ou resolvia aproveitar-se da situação para sair de cima do animal. O cavalo bufou e bateu as patas, Alexis automaticamente fitou os próprios pés questionando-se se aquele seria um bom momento para usá-los, foi quando viu que estava com a espada levantada e enfim entendeu o motivo da tamanha inquietação do animal. Então agachou-se lentamente fitando o olhar ao cavalo, que também o fitava atento a qualquer passo e pôs a espada no chão, e lentamente levantou-se
__ Pirou na batatinha?!__ indagou Tony

"Tô tentando te salvar, sua donzela reclamona"; pensou Alexis e disse:
__ Viu? Eu não vou te machucar
E pôs a mão direita a frente. O cavalo recuou alguns passos bufando. Alexis parou e novamente avançou até o animal, desta vez ele não recuou tanto quanto antes, o garoto continuou a andar até ele e conseguiu tocar em seu focinho, e logo mesmo conseguiu acaricia-lo, então sorriu e disse:
__ Bom garoto__ e o cavalo respondeu esfregando seu focinho na bochecha de Alexis
Tony disse surpreso:
__ Cara, você é o Dr.Dolittle ou um encantador de cavalos?
__ Não sei, só sei que agora estamos quites
__ É, e eu também sei quem vai pilotar essa fera mortífera
__ O certo é montar, e poxa, ele é tão dócil...__ disse Alexis acariciando a crina do animal
__ Não foi você que virou palhaço de rodeio

__ Tá, eu monto

E em seguida um escudo marrom veio rolando e parou aos pés de Alexis, não demorou muito para ele perceber que era o seu.
__ Parece que alguém quer se desculpar__ disse Tony com um ar travesso
Alexis deu um sorriso simples e disse ao pegar o escudo:
__ Bom, antes tarde do que nunca__ e embainhou a espada novamente
E antes de avançarem a cavalo, Tony teve a ideia de começar a usar a lança do bárbaro que havia matado, segundo ele seria uma arma de alcance muito maior e com um cavalo até mesmo mais destrutiva do que um machado, Alexis concordou e ambos foram o desarmar, o que não foi uma tarefa tão difícil, difícil mesmo foi carregar a arma que era pesada demais para apenas uma pessoa suportar, e mais difícil ainda foi equipá-la ao animal,mas conseguiram. Alexis ficou a frente das rédeas,conseguindo uma abertura no escudo para ao mesmo tempo se defender e conseguir comandar o cavalo com o seu braço esquerdo, e o direito empunhou a parte da frente da lança, enquanto Tony ficou com a parte de trás da arma a manejando com os dois braços.
__ Você já montou um cavalo alguma vez, não montou?__ indagou Tony
__ Hoje... eu domei um outro cavalo que me ajudou a salvar a Micaelle bem antes, será que conta?
__ É... você já sabe como fazer ele andar pra frente, agora só falta o resto
__ Não deve ser tão difícil

__ Eu disse a mesma coisa
Porém realmente Alexis aprendeu com facilidade como se controlava o animal, Tony ficou impressionado, até mesmo comum pouco de inveja

__ Exibido__ disse Tony__ Parece que sou mesmo um encantador de cavalos
__ Então, para onde vamos primeiro?
__ Precisamos encontrar rastros dela, qualquer coisa

__ Você é um professor de história, refazer trilhas não é tão difícil pra você

__ Mas um pouco de matemática também ajudaria
__ Acho que ela está num raio de 15 a uns 30 metros daqui
__ Beleza, isso limita a nossa procura, o que vai facilitar bastante
__ Mas ainda é pouca coisa, temos que refazer sua trajetória até o momento queela desapareceu Alexis sabia bem o que Tony estava sugerindo, seu tio usava bastante aquela técnica para rastrear sequestradores,mas mesmo assim... voltar a recordar de Micaelle sendo capturada era a últimacoisa que desejava... foi quando a voz de seu tio lhe veio a mente e disse: "Ás vezes temos que tomar decisões difíceis para conseguir o que queremos". "Não quero, mas eu tenho de fazer"
__ Alexis?
__ Tá, eu aceito, eu vou tentar me lembrar ao...
__ Não é isso, cara! Tem um cara não muito amigável nos olhando!__ O quê? Foi quando Alexis viu bem á frente deles um bárbaro com mais armaduras que ele havia visto no meio daquele povo,seus cabelos eram soltos, mas com um elmo que cobria toda sua face com exceção de uma viseira para os olhos, empunhando uma longa lança como eles e também montado em cavalo, depois do guerreiro os observar por um tempo partiu galope contra eles. Alexis também partiu. Tony imediatamente teve uma ideia edisse:

__ Alexis! Tive uma ideia de derrotar ele sem o matar!
__ O quê? Como?
__ Levanta a lança pra esquerda Alexis achou aquilo estranho, mas ainda assim fez o que ele pediu:
__ Um pouco mais alto, como se essa lança fosse um taco de baseball!__continuou Tony
Alexis achou aquilo ainda mais estranho, porém não tinha motivo para desconfiar dele e mesmo que estivesse, aquilo não era um bom momento para questionar qualquer coisa, e Tony continuou a prosseguir com sua ideia estratégica:
__ No 3 você empurra bem forte direto na cabeça dele! O bárbaro já estava com a lança bem posicionada para atacar direto n o tórax__ 1! Os cavalos estavam cada vez mais velozes
__ 2!
O ataque que o selvagem estava prestes a fazer, parecia ainda mais letal:
__ 3!
O bárbaro atacou. Alexis e Tony empurraram juntos fortemente a lança e atacaram-a certeiramente no elmo do bárbaro, que caiu para trás levando consigo a sua arma. O cavalo continuou a correr e o bárbaro mesmo tendo levado um poderosíssimo golpe permaneceu no animal com o pé preso em uma das pedaleiras enquanto era arrastado ainda consciente tentando livrar-se do animal digladiando-se feito uma barata apavorada. Alexis e Tony o observaram, Alexis ficou surpreso ao entender o plano completo de seu amigo e como havia fluído tão naturalmente quanto o curso de um riacho, enquanto Tony pressionava os lábios para não rir daquela cena rara.

Alexis cortou o silêncio:

__ Caramba! Genial!

__ Tudo uma questão de cálculo__ em seguida riu e continuou:__ Que ironia, quem diria que o cavalo iria conduzir o próprio dono
__ É fácil quando ele evolui de um encantador de cavalos pra uma baratona
E os dois riram bastante e cessaram os risos naturalmente, por incrível que pareça foi Tony que retomou o ar de seriedade:

__ Agora é a sua vez de fazer sua parte, encantador de cavalos

E de repente o bom-humor de Alexis havia acabado, "Por Micaelle..."; pensou ele que estava começando a hesitar outra vez, enfim disse tentando recordar daquelas lembranças:
__ Certo, a primeira vez que me encontrei com ela foi com... nós estávamos montados em um cavalo prestes a fugir, não, foi antes, ah é, foi antes, nós...nós... eu estava, quer dizer... eu não me lembro ou... não tenho certeza de quando nos encontramos desde que nós 4 nos separamos...

__ Tá bem, fecha os olhos e se concentre

__ Mas por que? Não sei se é uma boa ideia fazer isso

__ Hipnose é uma boa técnica pra se lembrar, confie em mim, ok?

__ Mas e se...__ Não se preocupe, se algum bárbaro vir eu te acordo o mais rápido que eu puder Alexis refletiu um pouco e mas aceitou apreensivo:__ Certo...__ e fez o que Tony disse Tony disse com a voz bem calma:
__ Siga apenas o som da minha voz, abra os olhos novamente e foque-se apenas em um objeto__ Alexis assim o fez focando-se no chão__ sua pálpebras estão pesadas... cada vez mais pesadas... feche os seus olhos lentamente sem forçar... seu corpo está em repouso, sua mente já não está mais aqui, já não existe caos e sim apenas calma, a minha voz é seu guia, 1, 2, 3! Você, eu,Micaelle e Marcelo tentamos fugir dessa aldeia bárbara, você recorda? Á medida do que Tony dizia aquela lembrança construiu-se novamente como se estivesse ocorrendo outra vez, todos estavam juntos outra vez, 4 outra vez, alegres porque estavam próximos de sair daquele inferno
__ Sim
__ Conte-me do que se lembra dessa parte
__ Eu, você, ela e Marcelo estávamos próximos de sair e até cantamos aquela música do cavaleiro atrasado
Tony sorriu ao recordar daquilo e disse:

__ Mas algo nos impediu, lembra o que foi?

__ Os bárbaros, o líder deles nos propôs uma oferta e tinha um bárbaro louro abençoado pelos deuses que traduzia

"Não tão abençoado assim"; refletiu Tony e Alexis continuou antes que Tony viesse a lhe perguntar algo outra vez:

__ Ele propôs a nós que ou... morrêssemos de forma digna em nome do deus Odin ou da pior forma possível com a gente ainda sofrendo ainda mais em Valhalla, a gente não aceitou e eu acabei mandando os deuses beijarem meu traseiro e blasfemando bastante deles porque como iríamos morrer de qualquer forma aquilo não faria diferença nenhuma, foi a partir daí que nos separamos e as coisas apenas pioraram...

__ E como começaram a piorar?

__ O líder pareceu ter ficado bastante furioso, ele falou umas coisas que eu não consegui entender, mas pareceu que tinha ordenado que todos os outros selvagens nos matassem e então... e então...?__ E então? Vamos, continue, estamos progredindo__ Tony tentava sempre manter sua voz no mesmo tom calmo, apesar de estar com medo dos bárbaros o atacarem e ter plena consciência de que não podiam ficar por muito tempo parados em um mesmo local
__ Então... en-então o chefão veio na minha direção com um machado e montado num cavalo nem um pouco manso, eu fiquei com muito medo daquele machado encostar em mim, tentei escapar ao máximo daquela lâmina seja me esquivando ou usando a espada pra me defender, se eu não estivesse me lembrado também do que eu aprendi com o Sr.Coleman na fortaleza... aquela espada não faria diferença nenhuma, mas mesmo assim não pude evitar de levar uns belos coices daquele cavalo estúpido dele
O cavalo que Alexis estava montado bufou furioso, Tony o acalmou dizendo:
__ Calma, amigão, não é você. E então, Alexis, como você conseguiu se livrar do chefão?
__ O último coice que eu levei do cavalo bati no caldeirão, e quando vi, o líder estava vindo contra mim, eu não tinha opção nenhuma: ele tinha um cavalo,um machado e experiência, e eu era só um garoto que mal sabia usar a espada direito, e então eu fiz a primeira ideia que me veio a cabeça, escalar aquela árvore que ficamos presos quando quase virávamos picadinho, para que quando ele finalmente chegasse, não conseguisse frear seu cavalo, que bateria na árvore e o derrubaria, na teoria aquilo era fácil, mas na prática... eu comecei a escalar a árvore mesmo com uma baita dor dos coices que eu levei e no final das contas consegui... mas o plano ainda assim não deu certo porque quando ele havia chegado, também tinha conseguido frear ele e como ele não conseguia me alcançar, subiu a árvore saltando... e então lutamos bastante e por pouco eu não caí no caldeirão, quando... eu feri a sua perna, ele se desequilibrou e caiu, depois eu consegui domar o cavalo dele e vi que tinha um... bárbaro quase empurrando Micaelle no caldeirão...
__ Caldeirão, cavalo e bárbaro, já é uma boa forma de começar, o que mais?
__ Eu a salvei e nós tentamos procurar vocês pra depois fugirmos__ e logo veio-lhe a mente a lembrança do líder ardendo outra vez, uma cena que não havia visto por tanto tempo, mas havia visto o suficiente para que aquilo permanecesse impregnado em sua memória como um pesadelo, ainda era capaz de ouvir seus gritos
__ Certo, e onde fica o caldeirão?
__ Caldeirão... caldeirão... caldeirão...__ e logo viu-se a frente do caldeirão cinza, estava tão tenebroso quanto se lembrava, um grito era ouvido dentro dele, Alexis pensou em ajudar, mas estava receoso de quem iria encontrar naquele caldeirão, tão receoso que mal conseguia mover um passo, uma mão queimada forte ergueu-se das águas ferventes, com correntes entrelaçadas e aos poucos um corpo grande e forte tomou forma emergindo do caldeirão, encoberto de bolhas de queimadura, sua pele era pálida feito a de um cadáver e seus olhos eram azuis cinzentos, mas mesmo assim... era ele, o bárbaro líder! Sua face guardava rancor e fúria, ele então saiu do caldeirão rangendo os dentes, Alexis recuou e quando percebeu que ele iria o atacar, tentou empunhar a sua espada,mas ao pegar na bainha notou que estava vazia, logo o medo o domina ainda mais,recuou, tentou desculpar-se, mas antes que algum som saísse de sua boca o bárbaro avançou contra seu pescoço, Alexis sentiu-se sufocado, o ar diminuía cada vez mais como se uma corda estivesse envolvendo-o, tentou escapar contorcendo-se ao máximo, mas a única coisa que mudou foi uma voz que sussurrava próximo a ele: "Iutitia"! Iutitia!", e depois uma voz familiar que disse: "Alexis! Alexis! No 3 você acorda, 1, 2, 3!". Logo tudo tornou-se escuro em instantes uma grande claridade, sua respiração voltava ao normal, demorou um pouco a seus olhos habituarem-se aquela grande claridade e mais ainda a sua mente perceber que tudo aquilo não havia passado de uma grande ilusão.
__ Cara, o que foi que você viu?__ disse Tony preocupado:__ tava suado e dizendo coisas como caldeirão, líder, ele quer me matar e depois ficou sem ar!
__ Eu vi o bárbaro líder se levantar do mesmo caldeirão que ele morreu e...__tateou suavemente seu pescoço que estranhamente sentia-o dolorido__ ele tentou me matar me estrangulando
__ Nossa... ainda bem que foi só um sonho, nunca vi ninguém tão envolvido num sonho ao ponto de perder a respiração...
__ Foi o sonho mais real que eu já tive__ e então recordou-se do falcão gigante em frente a sua casa que tentou o matar, "O segundo sonho mais real que eu já tive"
__ Você já teve algum desses sonhos alguma outra vez?
__ Não__ mentiu Alexis
__ Então com certeza foi a hipnose, nunca mais faço isso, cara... você tá pálido, não precisa mais ficar nervoso, foi só um sonho
__ Tem razão, foi só um sonho, até parece que um morto ia levantar só pra me matar__ e riu nervosamente, "foi só um sonho... mas parecia tão real... será que...?" foi então que recordou de quando estava no reino em ruínas de Nicolau VII E Tony riu junto e tocou no seu ombro dizendo:
__ Que bom que voltou ao normal, e então conseguiu se lembrar de alguma coisa além do caldeirão?__ O caldeirão é a principal referência, é lá onde devemos começar a procurar por Micaelle! É a partir de lá onde tudo começou a dar errado entre eu e ela!__ "E a razão de estarmos aqui!":refletiu pesarosamente
__ Então vamos nessa!!!__ disse Tony com seu jeito animado de ser Alexis e eles então começaram a avançar outra vez, Alexis tomava cautela para não esbarrar em algum inimigo e ao mesmo tempo para não se perderem no caminho em busca do caldeirão, quando avistou ao longe 4 bárbaros armados com espadas avançando furiosamente contra eles, Alexis logo disse:
__Tony?
__ Que foi?
__ Inimigos á vista
__ Melhor a gente preparar a lança
__ Parece que eles vão dar trabalho
__ Não ao ponto da dupla dinâmica não conseguir derrotar__ disse Tony com um pequeno sorriso travesso
__ Eu sou o Batman
__ Você ainda tá mais pra Menino-prodígio do que pra morcego
__ O mesmo esquema de antes?
__ Com certeza... no 3, 1... 2... 3! Atacaaar!
E avançaram também ferozmente atacando com a lança como se fosse um taco de baseball, dizimaram todos, que saltaram para trás e rolaram ficando inconscientes em seguida. E então mais 3 bárbaros vieram contra eles. Ao longe uma misteriosa mulher de capuz observa atentamente as 2 misteriosas crianças que estavam causando tamanha confusão entre o seu povo, mas diferente de muitos selvagens não havia fúria, rancor ou ódio em seus olhos negros, e sim, apenas interesse, disse ela:
__ Aqueles que matarão o escorpião estão porvir, um samurai com o fogo sob a cabeça empunhando a lâmina pálida dos mortos, um paladino vermelho com uma espada ligeira feito uma formiga e tão rápido quanto as próprias sombras dos homens, são eles
Por entre as árvores, invisível a todos feito um camaleão, Cupido também observava atentamente a dupla, seus olhos verdes eram como uma mira natural apenas aguardando o melhor momento para acertá-los:

__ Parece que eu subestimei esses hereges, juntos conseguem ser tão melhores quanto um de nós__ disse ele, e em seguida estirou uma flecha de sua aljava e disse a fitando com um sorriso malicioso:__ mas todos os homens são iguais perante flechas, alvos
Depois de tanto batalharem contra selvagens, Alexis e Tony enfim conseguiram chegar ao destino que desejavam, o caldeirão permanecia da mesma forma que Alexis recordava: a árvore branca, a água borbulhante, o galho mergulhado, rastros da batalha que teve contra Jotun, com exceção de...
__ Você e o bárbaro-mor tiveram uma luta e tanto mas... cadê o corpo?__ disse Tony
Foi quando Alexis recordou-se daquele sonho... aquilo era coincidência até demais
__ Não sei
__ Talvez alguns dos seus súditos tenham tirado ele
__ É, talvez tenham... levado mesmo
Tony notou a incerteza em sua resposta:
__ Cara... você não tá pensando que aquele sonho que você teve possa ter algo a ver com isso, não é?
“Talvez...”
__ Nem pensar
__ Certo... e então... continua a me mostrar a trajetória de você com Micaelle
__ Micaelle e eu fugimos nessa direção__ disse Alexis apontando para a direção oeste do caldeirão
__ Tem certeza?
__ Tenho, tem um bárbaro que eu matei mais pra frente__ “Eu matei”; aquelas palavras jamais soariam normais ou boas por mais que as repetisse quanta vezes possíveis
E então foram até lá e Alexis viu também o bárbaro do martelo de ferro, com os olhos abertos porém vazios, “Eu matei”; pensou outra vez, mas logo tentou livrar-se daqueles pensamentos. Olhou em volta e recordou... foi ali! Naquela direção mais para o norte do cadáver daquele mesmo bárbaro, Alexis então apontou o indicador para aquela direção e disse:
__ Foi ali! Foi ali mesmo que Micaelle desapareceu com o bárbaro, eu tenho certeza que foi ali!
__ Então tá esperando o quê?! Manda poeira e acelera esse cavalo!
__ É pra já!
E o cavalo avançou velozmente de forma meio torta, pois Alexis ainda tinha dificuldades para manter as rédeas, estavam prestes a penetrarem floresta adentro outra vez, quase conseguiam sentir o gosto de liberdade outra vez... aquele doce gosto de se verem livres daquele tormento, nem que seja por tão pouco tempo...!
Quando outro cavalo rompe seus passos com um selvagem montado nele, empunhando uma alabarda de cabo longo e usando uma couraça de bronze.
O cavalo era negro, negro como a alma do dono e tão ameaçador quanto o próprio selvagem.
O cavalo de Alexis e Tony recuou, a dupla firmou logo a lança sob os braços e Alexis posicionou bem o escudo, ambos estavam determinados a conseguirem sair daquela aldeia para enfim encontrarem Micaelle nem que estivessem de passar por mais outro selvagem, e para sentirem novamente o sabor de se verem livres daquela prisão de homens canibais, insanos e cruéis.
O bárbaro avançou frente com seu cavalo executando um grande frontal contra eles, Alexis defende-se com seu escudo e o selvagem desferiu outros golpes: esquerda, frontal, direita, frontal, esquerda.
Tony apenas por notar qual arma usava percebeu que o combate não seria assim tão fácil: “Lâminas nos dois lados... uma parecida com um machado a maior e uma parecida com um gancho a menor, e ainda uma parte central afiada, que pode servir como uma bela lança como uma luva, e eu pensando que o lobinho tinha sido o maior dos meus problemas”.
Quando o bárbaro desferiu com a lâmina maior um grande frontal, tão veloz que Alexis mal teve tempo de posicionar seu escudo direito, a lâmina ficou a centímetros de sua face e ao mesmo tempo prendeu-se a parte de cima do escudo.
Tentou afastá-la ao máximo de si, quando o selvagem fizera isso por conta própria levando ainda consigo a parte do escudo em que sua lâmina havia se agarrado, com a mesma força que havia o atacado.
O garoto então não resistindo a força do adversário, ficou desprotegido por instantes, instantes o suficiente para o bárbaro conseguir o atacar, e assim ele fez desferindo um golpe com a parte central em direção ao seu peito, por pouco Alexis com a ajuda de Tony conseguiu defender-se afastando a alabarda.
A alabarda afastou-se para cima
__ De direita!__ disse Tony
Alexis não tardou a entender e rapidamente a dupla atacou um golpe certeiro de direita na bochecha do bárbaro.
O selvagem ganhou um corte superficial e recuou para trás.
Alexis e Tony então avançaram, o bárbaro enfim conseguiu recuperar o manejo de sua arma, os garotos executaram um grande frontal, o bárbaro defendeu-se com o cabo, a dupla então afastou a lança e investiram uma estocada que atingiu certeiramente o bárbaro no peito, que quase desequilibrou-se de seu cavalo em seguida.
Tomado pela dor do impacto puxou fortemente as rédeas do animal, que levantou as patas dianteiras quase o fazendo cair de vez da sela.
Alexis e Tony avançaram mais ainda, mesmo furioso, o bárbaro tinha sua fúria moderada, como se já soubesse o que fazer para alcançar a vitória, “uma dupla que forma um só cavaleiro, elimine um e não haverá cavaleiro nenhum, só uma criança fingindo ser”; refletiu ele.
E então Alexis e Tony atacaram de esquerda, o bárbaro fortemente afastou a arma da dupla na direção de onde vinha e brutalmente começou a atacar: direita, esquerda, frontal, esquerda, frontal, Alexis mesmo bem protegido com o escudo ainda era capaz de sentir o impacto tamanho dos golpes.
Estocada! Alexis firma-se com mais força sob as rédeas de seu cavalo e o escudo, estocada! Estocada! Alexis foi levado para trás de tal forma que saltara do animal, consorte conseguiu manter-se ainda montado nele, porém Tony não teve a mesma sorte.
Alexis ouviu o barulho da queda e logo virou-se para verificar o estado de seu amigo, “Tony”; o samurai encontrava-se inconsciente, “Não, não posso perder mais um amigo!”; o bárbaro então lançou outro ataque estirando o escudo das mãos do garoto.
O garoto voltou o olhar para o bárbaro assustado, sua lança pesava bastante, de tal forma que mal conseguia levantá-la direito, caso permanecesse com ela... a lança estava pesando toneladas, não sabia por quanto tempo suportaria... então a soltou e rapidamente empunhou sua espada.
“Como eu pensei... um garoto fingindo ser um cavaleiro”; e avançou para finalizá-lo.
O cavalo como se já sentisse o medo presente em seu dono, recuou, o bárbaro acompanhou-os e posicionou-se para atacar, o cavalo então levantou as patas e outra vez recuou.
O bárbaro furiosamente avançou outra vez em tamanha velocidade que o cavalo não teve tempo para reagir, e desferiu um golpe de esquerda, Alexis esquivou-se para a direita, e o cavalo recuou ainda mais, o bárbaro desferiu um ataque em meia-lua da esquerda para a direita em direção a sua cabeça, desta vez Alexis esquivou se abaixando, e o cavalo novamente tirou proveito para recuar.
E logo não havia mais para onde recuar, Alexis havia chegado aos limites daquela aldeia que era delimitada pelas árvores, uma grande árvore o impedia de recuar ainda mais.
O bárbaro sem perder tempo atacou e Alexis defendeu-se com o que lhe restava de forças afastando a alabarda para trás.
Mas aquilo não era o bastante, não o bastante para derrota-lo, sentia que suas forças o abandonavam cada vez mais, não havia mais para onde fugir, nem para recuar ou esquivar-se, “ao menos se eu conseguisse escalar a árvore atrás de mim...”, mas o bárbaro estava próximo demais, e mesmo se tentasse seria uma escalada longa demais pois a árvore era bastante alta e caso conseguisse fugir do alcance do bárbaro, ainda corria o risco de ser acertado por uma flecha, “acabou, me perdoem pai, mãe e Micaelle, eu falhei, falhei com todos vocês, eu não consegui cumprir a promessa que fiz”; o bárbaro levantou a alabarda para dar o golpe final, uma lágrima foge aos olhos de jabuticaba de Alexis há tanto tempo aprisionada no âmago de sua alma aguardando um dia ser liberta.
O bárbaro abaixou a arma contra Alexis.
E seu corpo caiu.
O corpo do bárbaro caiu bruscamente no chão a frente, o seu cavalo assustado levantou as patas dianteiras e correu floresta adentro.
Alexis ficou confuso por instantes até notar o escudo alguns passos á direita do bárbaro e mais para trás de seu adversário, Tony, tão vigoroso como nunca, que disse:
__ Voltei dos mortos
O bárbaro levantou-se e foi atrás de sua alabarda que estava alguns passos á frente dele, Alexis logo o impediu interpondo-se entre a arma e ele, mas ainda assim ele não se rendeu avançando até o escudo, Tony também foi na mesma direção e conseguiu ser mais veloz que o bárbaro pegando o escudo bem antes dele, o samurai então apontou a espada de ossos contra o selvagem que afastou-se lentamente para trás a medida que Tony lentamente ia até ele.
Antes que percebesse, viu-se cercado pela dupla, Tony na frente, e Alexis em sua retaguarda, parecia tudo perdido ao selvagem, que para não ter de lidar com a humilhação de ser derrotado por dois garotos, tentou recorrer a uma última esperança:
__ Odin, não me faça morrer dessa forma tão lamentável, salve-me, por favor
E então uma flecha voou e acertou ferozmente Tony, roçando-lhe o lado esquerdo do peito.
O sabor da morte é sentido á flor de sua pele, seus olhos arregalaram-se, sua boca abriu em um grito de dor que não saía, seu corpo aos poucos pesava cada vez mais.
Ajoelhou-se como se estivesse curvando-se a alguém superior, sua pele tornou a ficar pálida e então soltou suas armas.
Sua visão aos poucos torna a escurecer cada vez mais, seus olhos pesavam, a última coisa de que viu foi a silhueta daquela noite a sua frente dizendo-lhe: “garoto tolo!”.
__ Tony!__ gritou Alexis horrorizado e desesperadamente correu até ele.
O bárbaro de início ficou chocado, mas em seguida sorriu de forma sádica, e disse:
__ Odin age de formas misteriosas
Logo o selvagem viu á frente uma dúzia de arqueiros apontando flechas contra a dupla então afastou-se para não correr o risco de se tornar um alvo e para poder comtemplar o que ele chamava de obra de Odin.
Alexis o segurou pelas costas e disse:
__ Você não pode morrer... não pode me deixar sozinho...
Tony abriu os olhos e disse:
__ Eu não vou morrer... eu... sou um samurai de fogo, e samurais de fogo... não morrem, eles descansam para... se tornarem mais fortes__ e deu um sorriso simples
__ Não, um samurai de fogo sobrevive__ e quando olhou para frente percebeu a dúzia de arqueiros não tão distante deles.
O que estava no centro os liderava e era o único que não estava com uma flecha apontada contra eles, Alexis recordou-se de quem ele era, aquele arqueiro em especial era o mesmo que havia tentado o matar no... “lado esquerdo do peito, foi você, você que matou Tony”
__ Desgraçado! Devia perder os braços por causa do que fez!!!
__ Se eu fosse você tomaria cuidado com o que diz
__ O quê? Você...
__ Sim, eu também sou abençoado pelos deuses, vejo que está com muita raiva de mim, saiba que a raiva que provocou a Odin não é nada comparada á sua
__ É por isso que quer me matar? Por que eu blasfemei o seu deus?
__ Não só por isso, porque é da vontade de Odin que todos vocês morram... vermes nojentos
__ Não, Odin não ia gostar nem um pouco do que você vai fazer
__ Quem é você pra saber o que Odin pensa ou não?! Huh, eu já falei demais
__Por favor... eu faço qualquer coisa... eu-eu viro o banquete de vocês, mas, por favor, ajude o meu amigo
Cupido o estudou profundamente com seus olhos verdes como se estivesse tentando descobrir se ele estava tirando sarro com ele ou se estava realmente sendo verdadeiro, enfim disse:
__ Como eu disse, é da vontade de Odin que todos vocês morram__ e então pôs outra flecha no seu arco e proferiu ordens na própria língua:__ Mirar... mirem em qualquer parte exceto no coração... atirem á vontade
E uma dúzia de flechas foram atiradas.
Dúzia de flechas... fora assim que morrera Nicolau... uma estranha ironia.
Tudo parecia estar acabado, Alexis por instinto fechou os olhos e pensou: “Encontre o tesouro e os meus pais por mim, Micaelle.”
As flechas estavam cada vez mais próximas, quando algo inesperado ocorreu, as flechas em questão de instantes, encheram-se de penas negras, e criaram asas transformando-se em pássaros, não, corvos! Que crocitaram e avançaram velozmente ao encontro dos arqueiros os atacando
Uma confusão de penas e gritos se formou, com os arqueiros antes bem posicionados, correndo desnorteados para todos os lados para além da aldeia, Alexis abriu os olhos tempo o suficiente para notar apenas os pássaros negros bicando os guerreiros, e os selvagens batendo os braços tentando livrarem-se dos impertinentes animais.
E á medida que a formação de arqueiros se desmanchava, uma pessoa aparecia, uma formosa mulher de capuz posicionando o cajado para a frente, com a ponta brilhando em uma luz pálida, parada em frente a Alexis ao longe.
A mulher abaixou o cajado e aproximou-se andando normalmente como se não houvesse caos algum em meio a aquele lugar, mesmo com o cenário dos homens aterrorizados acontecendo tão próximo a ela, sua face permanecia em uma estranha tranquilidade.
Seus olhos eram negros, em uma negritude tão encantadora quanto a da noite, sua pele era clara, seus cabelos eram encaracolados e longos, seu corpo magro era de curvas suavemente esculturais, seu capuz verde escuro lhe cobria os ombros e as costas, e nas costas possuía uma aljava vazia, onde em certa parte de seu caminho guardou o cajado que parou de brilhar, usava um cordão entalhado de pequenos ossos, vestia um colete de couro, e seu cinto possuía uma bainha onde havia uma pequena e fina adaga, era uma jovem adulta, na faixa dos 20 anos de idade.
O bárbaro que havia empunhando uma alabarda, tirou proveito do momento em que o cavalo de Alexis e Tony estava distraído para recuperar a sua arma de volta, ávido para destruir aquela mulher, “Aquela feiticeirazinha intrometida tinha de aparecer logo agora, já tá na hora de você sumir!”; e correu até ela com sua alabarda levantada.
A mulher então pegou a sua adaga e quando o selvagem estava bem próximo lançou-a acertando seu ombro esquerdo, o bárbaro caindo para trás jogou a sua arma para cima que girou em meio ao ar até pousar em sua coxa direita com o lado maior, o guerreiro gritou de dor e disse:
__ Sua vadia! Bruxazinha filha de uma...__ quando a feiticeira como se ele não significasse mais do que uma mosca passou por cima dele pisando fortemente na alabarda e prosseguindo seu caminho até o garoto como se nada estivesse acontecido.
__ Vai arder em Valhalla por causa do que fez, bruxazinha vira-lata!!
Então a mulher finalmente mostrou algum sinal de que havia se importado com ele, cessando seus passos, virando o olhar a ele e dizendo em um ar frio e sério:
__ Pelo menos eu vou arder com as duas pernas, aleijadinho
E novamente foi até o garoto, curvou-se até ele e disse:
__ Eu sou Gwenda, filha de Krauser e sacerdotisa de Odin e irei ajudar vocês a saírem desta aldeia