A trilha, o tesouro de Nicolau VII

16 Cap.16- A janela da alma


Notas iniciais
E finalmente aqui vai depois de tanto trabalho e esforço o cap.16, espero que gostem! ^^

Cap.16- A janela da alma

O gosto de aventura percorria aquele local, o vento trazia um ar fúnebre, como se qualquer momento em questão de instantes viesse a se tornar o último, a adrenalina percorria sua veias, para Tony tudo aquilo trazia uma agradável emoção, sempre teve certa atração pelo perigo.

Um bárbaro aproximou-se, usava um meio elmo, mas através dele Tony ainda podia notar que seus olhos eram cinzentos, e com um aspecto avidamente faminto, feito os de um lobo diante da caça, no braço esquerdo estava com escudo metálico marrom meio desbotado, e no outro uma espada prateada que cintilava ao sol bastante graciosa, e igualmente afiada, o samurai sentia que iria ter uma batalha divertida com aquele selvagem, seus dedos enrijeceram-se ainda mais sobre o punho de sua espada de ossos, e estirou a sua mochila ainda com os olhos ainda atentos perante a qualquer movimento que o inimigo viesse a fazer.

Tinha uma certa admiração pelos bárbaros, pelas histórias que ouviu pareciam guerreiros bastante... desafiadores, e isso tornou-se mais nítido quando presenciou de perto o estado que ficou o reino do Nicolau VII.

O selvagem ataca rapidamente: esquerda, direita, frontal, esquerda... o seu adversário era bastante rápido, mas não tão rápido a ponto de Tony não conseguir pará-lo, defendeu-se e afastou sua espada, e desta vez foi o samurai que dominou o campo de batalha: direita, frontal, frontal, esquerda, esquerda, enquanto o voraz guerreiro protegia-se com o escudo, mas Tony ainda manteve-se radiante, “seu escudo não vai te proteger pra sempre”; pensou otimista.

Mas logo foi surpreendido com mais ataques de sua cintilante lâmina: frontal, frontal, esquerda, direita, “pensei que fosse se esconder pra sempre debaixo do seu escudinho”; pensou o samurai, que começou a achar o duelo mais... interessante, seus olhos cintilaram e um sorriso lhe invadia os lábios, para ele aquilo não passava de uma mera brincadeira, um mero esporte.

Defendeu-se com vigor, mantendo em sincronia sua alegria com toda a sua atenção e agilidade, e logo quando escapou de um golpe afastando a lâmina, recebeu um forte golpe de escudo com a extremidade mais pontuda direto em sua barriga, o samurai sentiu uma grande pontada de dor, o ar começou a lhe escapar como estivesse afogando-se, e ajoelhou-se bruscamente... tentou recuperar o fôlego, mas era quase inútil, por pouco teve a sorte de conseguir observar o próximo golpe, uma estocada direto ao seu crânio, não podia deixar-se levar por vencido por apenas um golpe! Então conseguiu recuperar suas forças para defender-se, as lâminas se encontraram em um som estridente, os olhos lupinos do bárbaro cintilaram em um misto de surpresa e alegria, pois sua presa não era assim tão fraca quanto pensava.

Tony afastou a espada determinado e levantou-se, ainda com certa dificuldade, mas ainda assim o sorriso em questão de instantes reapareceu, não deixaria se abalar...

E atacou com sua espada em um arco de direita para a esquerda, mas ainda assim o bárbaro defendeu-se com seu escudo.

O selvagem parecia ter bons reflexos, pois em questão de instantes lhe surpreendeu novamente com um ataque de esquerda direto em sua bochecha esquerda, e no momento que distraiu-se pousando sua mão sobre a parte ferida, o bárbaro atacou com o escudo direto em seu queixo que logo o fez cair para trás, e quase ver estrelas por tamanha força.

Os olhos do bárbaro cintilaram, tão brilhantes quanto sua espada e tão voraz quanto um predador que observa sua presa morta e enfraquecida á sua frente, “Não é a toa que tem esses olhos de lobo”; pensou Tony sentindo a ferida em sua bochecha arder, e
o queixo doer.

Pequenas gotas de sangue escorriam por sua face, até Tony que estava acostumado ao perigo estava surpreso, mal havia visto aquela espada aproximar-se dele, “Você é... bastante rápido, tão rápido quanto eu”; e um sorriso de satisfação lhe veio aos lábios, se ele era á sua altura aquele duelo seria bastante difícil, como esperado de um bárbaro... qualquer outro no lugar de Tony se sentiria um pouco apreensivo e até mesmo amedrontado por ter de enfrentar um alguém igualmente forte, e com razão, mas o samurai não, ao invés disso, sentia prazer, seria ele burro ou apenas louco?

O bárbaro lupino avançou a passos largos e quase tão rápido quanto seus aguçados reflexos e lhe desferiu uma grande estocada, Tony esquivou-se rolando para a esquerda e levantou-se em um pulo, e percebeu que se não estivesse escapado a tempo seu rival teria lhe acertado a garganta, “Seus dentes são bastante afiados, lobinho”.

O selvagem novamente correu de forma bastante veloz contra ele, “Suas patinhas também não são nem um pouco ruins, eu ia gostar muito de apostar corrida com você se não quisesse me cortar em pedacinhos”; e o selvagem lhe lançou uma estocada direto na barriga, Tony defendeu-se, o bárbaro logo estirou a espada de encontro a do samurai e lhe lançou um ataque de direita lhe arranhando o ombro direito.

Tony recuou sentindo bastante dor naquela parte, sangue escorria, seus braços começaram a estremecer, “não... não posso ficar fraco agora”; e tentou firmar ainda suas mãos sob o cabo da espada, que aos poucos parecia escapar entre seus dedos como se a espada estivesse escorregadia, e tentou enrijecer os músculos do ombro, não poderia demonstrar fraqueza diante de seu adversário, ou caso contrário ele poderia usá-la a seu favor.

Mas ainda assim o bárbaro notou a fragilidade nele, havia lutado batalhas demais para deixar aquilo passar despercebido, e desta vez foi ele que sorriu.

O lupino então atacou um golpe de direita direto em seu pescoço, Tony abaixou-se e encaminhou-se para a retaguarda de seu inimigo, e atacou um grande frontal, e o bárbaro pouco defendeu-se com seu escudo.

Um sorriso travesso subiu aos lábios do samurai, um sorriso... a sua melhor e mais forte armadura, o que o fez ser conhecido como era, alegre, radiante, divertido e sempre inabalável, por mais que debaixo daquela couraça se escondesse um garoto frágil com os próprios fantasmas para enfrentar, fantasmas que não se enfrentam com uma mera espada de ossos.

O bárbaro enfim resolveu atacar, um grande frontal e quase conseguiu atingir seu crânio, um arrepio subiu a nuca do samurai, não sabia se era por medo ou algo natural, a única coisa que sabia era da lâmina que esteve próxima de o matar e do maldito escudo que tentou penetrar novamente!

Mas ainda assim, seu inimigo parecia mais inabalável com aquele escudo, e atacou ainda mais vezes, e mais vezes, e não conseguiu atingir nem ao menos uma pequena parte de seu elmo, o que havia naquele escudo? Diamante?!! Aquilo já estava começando a o deixar nos nervos! Tinha de ter algum ponto fraco!

Mal sabia o samurai, que o bárbaro estava começando a penetrar em sua armadura, os seus olhos iluminaram-se feito os de uma criança alegre, sentia a vitória tão próxima de si, tão próxima quanto o momento em que o samurai se quebraria feito vidro.

Tony é golpeado pelo escudo direto na face e então atacou novamente, o bárbaro defendeu-se e atacou uma série de ataques velozmente: esquerda, esquerda, frontal, direita e lhe acertou com um golpe na perna de esquerda fazendo Tony dobrar de tão intensa que fora o impacto e sem pensar duas vezes o selvagem lhe atacou um frontal direto no crânio, Tony por pouco defendeu-se afastando sua espada, mas quando conseguiu levantar-se foi golpeado direto no nariz pelo escudo, uma ferida abriu-se e Tony quase tropeçou para trás, mas ele ainda resistia.

E avançou, tentando ignorar a excruciante dor na perna e atacou o escudo fortemente, mas ainda assim o bárbaro parecia inabalável feito montanha.

O bárbaro lupino atacou-lhe um golpe de esquerda na mesma perna, Tony caiu não resistindo, seus braços estremeceram novamente e mais fortemente sua perna doía, até mesmo ajoelhar-se era tortuoso, sentia que se ajoelhava sob pedras afiadas, tinha de resistir... não podia enfraquecer agora, não agora!

Logo afastou a espada do selvagem que veio fortemente contra ele, e então uma voz lhe veio a mente quando novamente foi golpeado pelo escudo: “Garoto tolo!”; e a voz lhe ecoava na mente cada vez mais alta, e o sorriso lhe desapareceu aos poucos.

Tony tentava a ignorar mas ela continuava a repetir a mesma frase sem parar, “Garoto tolo! Garoto tolo! Garoto tolo!”; pensou que havia se esquecido daquilo para sempre, mas novamente ela ecoava de seu passado para assombrá-lo novamente.

Foi golpeado pelo escudo direto no nariz novamente, e desta vez sangue se derramou, Tony recuou e pousou a mão notando o líquido vermelho: “Não...”; pensou Tony aflito: “ Não posso... perder...”; novamente aquela voz surgiu novamente: “Garoto tolo!”; e a fúria preencheu os vazios de fraqueza que lá havia e atacou fortemente o bárbaro gritando:

__ Eu não sou tolo! Eu não sou tolo! Eu não sou tolo!

O bárbaro lupino apenas riu, seu rival estava ficando cada vez mais furioso, como aquilo o deixava satisfeito, quanto maior a fúria, maior a insensatez e a cegueira, e uma presa vulnerável era mais fácil de se abocanhar.

O ódio do samurai de fogo consumia-se feito incêndio em palha, conseguiu defender-se avidamente da lâmina do lupino, mas não escapou dos ataques de escudos, levou um golpe no olho, na boca, na testa, na bochecha, no peito e na barriga.

E o sorriso que era antes sua melhor armadura havia evaporado feito fumaça, agora havia apenas um samurai cansado, triste e ferido.

Seu olho esquerdo estava inchado e sangrando, sua boca ferida, sua bochecha direita roxa e um pouco inchada, e a outra com uma ferida, seu tórax dolorido, sua testa com um pequeno inchaço, e sentia-se tonto, sua visão um pouco turva... cambaleou ainda com bastante dor na sua perna, mesmo ferido estava determinado a destruir seu adversário, aquela voz voltou e ainda mais forte: “Garoto tolo!”; se fosse para ser naquele exato instante a sua morte, não seria a lâmina, ou o escudo de seu inimigo a dar a sentença final, e sim aquela voz brutal daquele fantasma que havia despertado das profundezas de seu passado para assombrá-lo novamente, de um passado que ninguém ao seu redor imaginava existir por detrás da armadura que o próprio samurai havia construído.

O bárbaro quase que sentia pena dele, tão fraco, tão indefeso, mas quase não era o mesmo que sentir, e então atacou, com a parte da frente do escudo o derrubando no chão quase sem esforço, “Era como eu pensei, não passa de um garotinho que não sabe de nada, será mesmo mais útil morto do que vivo, ooh, útil pra minha pança, mal veja a hora de enfiar minha espada nele e derramar mais de seu sangue delicioso”.

Tony sentia sua vida se esvair, seu corpo pesava e sentia dor em diversos lugares, a morte parecia iminente... e a cada passo que seu inimigo dava mais próximo era aquele momento, era aquele o seu fim, não viveria tempo o suficiente para saborear aquele tesouro de doces, para viver mais fantásticas aventuras. As aventuras... de repente veio lhe a mente todas as confusões que havia arrumado, como numa vez em que roubou as goiabas de um feirante e correu mais do que o Flash para se livrar do encalço daquele vendedor, ou quando havia brigado com alguns arruaceiros e quando fez um professor tropeçar em um pote de tinta.

E ironicamente havia se tornado um professor, como a vida era engraçada, a maior palhaçada de todas e começou a ir mais longe com as lembranças, que aos poucos tornavam-se mais férteis e vívidas, havia roubado aquelas goiabas para dar a uma menina muito pobre que não tinha o que comer, havia lutado com os arruaceiros para defender um menino deles e havia feito aquilo com o professor, pois ele havia reprovado injustamente seu amigo.

Apesar de gostar do perigo e altas aventuras, não era um mau garoto, apenas tinha seu próprio senso de justiça. De longe, muitos o viam como um garoto vândalo e folgado, e que sorria pelo fato de achar que a vida era fácil, de perto muitos viam que não era bem daquela forma, e que o sorriso era apenas pelo simples motivo de que era um garoto muito feliz por natureza, mas mesmo assim não o conheciam de verdade.

Começou a pensar ainda mais longe, em um dia de chuva forte, estava deitado no chão, sentia-se fraco e que perdia a vida como se sentia naquele exato instante, seu sangue misturava-se ás poças de água, e bem á sua frente estava um homem, não lhe veio mais a mente como era... talvez fosse um sinal de que seus sentidos aos poucos estavam se esvaindo, apenas o via como uma vívida sombra escurecida, a única coisa que via dele com clareza era uma cintilante espada com sangue fluindo na lâmina que empunhava, gargalhou e disse:

__ Garoto tolo!

E logo aquele arrepio e medo que sentiu naquele dia retornaram tão reais quanto a dor que sentia, voltou a si e parecia que aquela cena estava se repetindo, era assim que morreria... com o monstro de seu passado retornando para devorá-lo de uma vez, “Que piada sem graça, vida”; tentou acender uma chama de alegria, mas foi em vão, a chuva era mais forte.

O bárbaro levantou a espada, bastava apenas um movimento. “Não pode se deixar enfraquecer, Tony”; era a voz de seu avô: “lute, vamos! Não se deixe enfraquecer! Você é capaz de fazer melhor do que isso! Não foi esse o neto que eu criei!; e Tony respondeu: “Me desculpa o decepcionar, vovô, mas... eu não posso vencê-lo, ele é forte... demais... é impossível”; e seu avô respondeu: “Está agindo como um idiota, todo inimigo tem uma fraqueza, e ele usou a sua a favor dele... mas estava tão cego de ódio que sequer percebeu isso, mas ainda pode mudar isso, pense com a cabeça e não com o coração, escute com os ouvidos e veja através da janela da alma, vamos! Eu sei que você não é burro! E se caso você perder, vai me ouvir cantar pelo resto de sua eternidade!;”

Tony não pôde evitar de sorrir, era essas pequenas coisas que faziam a vida valer a pena: alegria, amigos, aventuras e até mesmo aquela voz de pato engasgado de seu avô, nunca pensou que em algum momento teria saudades da cantoria daquele velho, outra piada da vida, também tinha de viver para ouvir mais delas.

E então começou a recordar nas palavras de seu avô: “pense com a cabeça e não com o coração, escute com os ouvidos e veja através da janela da alma”; e começou a refletir pesarosamente a última frase que de certa forma parecia meio confusa: “Janela da alma... janela da alma... janela da alma? ”; e então recordou das palavras de Sr.Coleman: “Os olhos são a janela da calma, digo, calma, não! Alma! Os olhos... olhos! É isso! Olhos de lobo! Os olhos dele são a sua maior força e também a sua maior fraqueza!!!”.

O samurai então pressionou fortemente a mão sobre o cabo da espada e sentiu-se mais forte outra vez, o bárbaro enfim atacou abaixando sua espada contra ele, Tony conseguiu levantar-se um pouco e atacar antes do bárbaro, e lhe acertou o olho esquerdo lhe fazendo recuar, sangue derramou-se e o selvagem pousou a mão sobre ele.

E Tony levantou-se por completo e sem pensar duas vezes velozmente avançou e o atacou, o bárbaro defendeu-se desajeitadamente com o escudo, e ainda assim conseguiu escapar do ataque, Tony então ataca novamente, desta vez o bárbaro não teve tanta sorte, com seu rival conseguindo perfurar o braço que empunhava a arma.

A dor fora tão intensa que o bárbaro jogou seu escudo para a esquerda ao longe, Tony sorriu otimista, aquela era a chance perfeita para atacar agora que estavam como iguais.

De início, o bárbaro arregalou o olho que não estava machucado, o samurai até podia pensar que estava com um certo medo.
“Vamos como consegue se virar sem seu escudo, lobinho”´, e avançou o atacando com um grande frontal, o bárbaro defendeu-se, e Tony lançou uma sequência de sucessivos ataques, a defesa de seu rival como esperado não era a mesma do que quando manejava seu escudo, estava... mais frágil, tanto que conseguiu lhe acertar um golpe de direita na sua costela direita.

Mas o bárbaro ainda assim conseguiu virar o jogo lhe desferindo diversos golpes, mas ainda estava mais lento, Tony facilmente podia esquivar-se deles, “você não é nada sem o escudo, não, na verdade não, você não é nada sem os olhos de lobo, os dois olhos.”

E atacou de direita em direção ao seu outro olho, mas o bárbaro conseguiu defender-se a tempo, “pelo visto esse olho ainda funciona...”; refletiu Tony que logo surpreendeu-se com um forte frontal contra ele e por pouco conseguiu defender-se, afastando a espada de seu adversário e novamente dominando o campo de batalha.

O bárbaro virou-se para a esquerda e recuou os passos, tentando defender-se ao máximo.

A vitória parecia cada vez mais próxima, o samurai de fogo era capaz de sentir...

Quando notou algo estranho, aquele olhar arregalado de medo que antes havia visto nele quando havia o feito perder o escudo não estava mais presente, mas estava confiante, confiante até demais, e a não ser que estivesse disposto a morrer aquilo não fazia sentido algum, foi quando notou logo detrás dele a resposta daquele otimismo, não estava recuando porque estava enfraquecido, e sim pelo escudo!

Tinha de impedi-lo antes que fosse tarde demais! Tony então lhe desferiu uma estocada novamente focando-se no olho sadio, o bárbaro defende-se como esperava, e quando ele lhe desferiu um frontal, Tony esquivou-se para a esquerda, e avançou para frente girando e indo para detrás de seu adversário.

Antes que o bárbaro desse conta, era Tony que estava correndo em busca do escudo, logo quando o selvagem percebeu velozmente avançou correndo para o alcançar.

“Estou perto... perto... apenas mais um pouco...”; pensou Tony, estava veloz feito uma corça, mas ainda assim era capaz de ouvir o som dos passos do lobo voraz cada vez mais próximos, tinha de ser mais rápido... mais rápido!

Enfim chegou próximo, quando sente alguém o puxar para trás, Tony cai: “Não... não...!, o bárbaro estava com a espada levantada e o puxando com todas as forças: “Que se dane aquele escudo, esse é o momento perfeito pra te matar!”.

Com todas as forças Tony resistia, arrastando-se para pegar aquele escudo, faltava pouco... muito pouco... o bárbaro tentou pisar em cima de suas pernas para que não errasse o último golpe... e enfim Tony pega o escudo e lhe golpeia fortemente na face!

O bárbaro recuou diversos passos e quase tropeça atordoado, quando retoma a si lá estava o garotinho que não sabia de nada com o seu próprio escudo no braço esquerdo e a espada de ossos no outro, “Não vou me perder pra um garotinho tolo, a primeira coisa que vou arrancar vai ser a sua mão imunda que está com meu belo escudo!”; cerrou os dentes e avançou contra ele.

O bárbaro atacou e Tony defendeu-se com seu escudo, “Agora sou eu que me escondo atrás do escudo, lobinho”; pensou Tony, que não pôde evitar de sorrir, o que fervilhou ainda mais o sangue enfurecido do selvagem que logo atacou ainda mais fortemente mas não acertou golpe nenhum, o que fez o samurai dar risada: “Perdeu as garras, lobinho?”; pensou travesso.

Percebendo que estava perdendo tempo, o bárbaro tentou desferir um golpe frontal direto no crânio, Tony por pouco defendeu-se e então desferiu uma estocada direto no estômago do lupino acertando em cheio.

Tony soltou o escudo, a vitória era dele e isso era inevitável, o bárbaro o fitou com o olho arregalado, o samurai estirou sua espada, nada havia para o lupino ver além de escuridão e caiu ensanguentado no chão.

E depois o samurai de fogo ajoelhou-se fadigado ao lado do morto, suava bastante, ainda sentindo um pouco de dor, sabia que não devia ser dar ao privilégio de descansar, pois a qualquer momento qualquer outro bárbaro poderia vir ataca-lo outra vez, mas a vontade foi maior que ele, então olhou para o corpo caído de seu inimigo e disse:

__ Você deu trabalho

Alexis estava de olhos fechados, sua barriga doía e lhe faltava ar, suas costas doíam ainda mais e sentia tanta dor na cabeça que parecia que um tijolo lhe havia acertado em cheio, estava tonto, a única coisa de que recordava era que estava montado no cavalo com... Micaelle, logo seus olhos se abrem de preocupação com certo esforço, se perguntando se ela estava bem.

Ela estava a seu lado inconsciente, “Não, não é possível que esteja morta”; pensou Alexis preocupado e foi até Micaelle sem se levantar por completo, e logo aliviou-se, ela ainda respirava, então delicadamente sacudiu seus ombros dizendo:
­­

__ Micaelle, Micaelle, acorde!

Micaelle lentamente virou a cabeça de um lado para outro, abriu os olhos e disse com a voz enfraquecida:

__ O que aconteceu?

__ Eu não...__ ao olhar ao redor interrompeu-se com a visão de um bárbaro a sua frente, a parte branca que havia ao redor de seus olhos era vermelha como se estivesse encoberta de sangue, e a cor de seus olhos eram negros feito a noite mais escura, fúnebre e deserta, sua face era tão dura e inflexível quanto ferro, sua barba da cor do cobre, e era um pouco calvo, tão musculoso que parecia ser feito de aço, manejava um martelo de ferro com um longo cabo de madeira, o guerreiro parecia ser tão vazio que nem se o prêmio para descobrir o que se passava na mente dele fosse o tesouro do Nicolau VII, Alexis conseguiria chegar próximo de acertar.

Ele moveu-se e Alexis sentiu frio na espinha.

__ Alexis...? Eu não o quê?__ disse Micaelle apreensiva

__ Na-nada mesmo que... eu não possa cuidar sozinho, apenas levante-se, corra que rapidinho eu te alcanço__ e então Alexis levantou-se sem tirar dos olhos da ameaça que estava porvir e posicionou sua espada.

Mas aquilo só a deixou mais preocupada, curiosa direcionou-se para onde Alexis observava, e também espantou-se, aqueles olhos... conseguia ver algo de puro até mesmo nos animais, mas o que via nos daquele selvagem era apenas escuridão... logo um medo lhe invadiu o corpo involuntariamente, e movida por seus instintos moveu o arco, pôs uma flecha na corda e mirou-o com cautela prontificada a atirar a qualquer instante, é para isso que havia sido treinada por seu pai, para sobreviver.

__ Micaelle, fuja__ disse Alexis preocupado

__ O quê? Você enlouqueceu?

__ Você já fez demais por mim, só o fato de você ter salvo a minha vida é mais do que eu merecia

Micaelle não estava gostando nem um pouco daquelas palavras... será que havia avançado por vários metros de distância para deixar Alexis e todos os outros morrerem?

__ Não vou deixar você, nem Marcelo e Tony sozinhos

__ Você não vai deixar... encontre eles e fuja, eu posso me virar sozinho, eu consigo alcançar vocês...__ disse Alexis tentando ser otimista

__ Por que está fazendo isso? Sabe que não precisa fazer isso sozinho

__ Porque eu quero retribuir dessa vez o que você fez por mim, e também não quero que nada aconteça com você, eu... nunca vou me perdoar se você morrer__ aquele não era o motivo por completo, á medida que a viagem avançava mais apaixonado por Micaelle ficava, além de bonita, era bondosa, guerreira e sempre disposta a se sacrificar pelas pessoas que amava... jamais havia sentido algo tão intenso assim por alguém... talvez sentir aquilo fosse bom, ou talvez ruim, não sabia ao certo, apenas o que sabia era que sentia uma vontade de imensa de protege-la, de cuidar dela.

__ Não, não__ disse Micaelle com a voz meio trêmula__ não vou deixar você sozinho, eu quero te ajudar, eu também nunca vou me perdoar se você morrer

__ Você quer me ajudar? Ótimo, você vai me ajudar bastante se conseguir sair daqui viva com os outros

Micaelle então se rendeu, se era isso que ele queria...

Ela abaixou o arco sentindo-se frustrada, e começou a correr, o que deixou Alexis um pouco mais aliviado, quando ele recordou-se de algo e a chamou de volta:

__ Micaelle, espera!

__ Você mudou de ideia?

__ Não é isso, é que...__ e então estirou uma folha do bolso de sua jaqueta, a folha do diário de seu pai, e a estendeu para Micaelle.

Ela pegou um tanto quanto confusa, indagou:

__ Por que você tá me dando essa folha?

__ Se eu morrer...

__ Você não vai morrer__ interrompeu Micaelle ainda mais nervosa

__ Mas se caso acontecer, eu quero que você entregue essa folha aos... Oh não, ele tá chegando mais perto!!!__ disse Alexis ainda mais amedrontado

__Entregar a quem?!

__ Meus pais, diga que eu morri á procura deles e que...__ interrompeu-se tentando conter as lágrimas que ameaçavam escapar, engoliu a saliva e disse:__ eu amo eles

Ao ouvir aquilo ela sentiu-se ainda mais triste e culpada por ter que deixa-lo para trás tendo que lidar com aquele bárbaro sozinho, entendia bastante a dor que ele sentia, de ter um pai ausente: “Seu idiota, por que não deixa de ser orgulhoso e deixa eu te ajudar?”; pensou em falar, mas bem sabia que seria o mesmo que falar com o vento, pelo semblante dele podia perceber nitidamente que a sua decisão estava tomada, mas uma parte sua ainda queria ajudar mais... de qualquer forma... tinha de ter alguma outra forma... foi quando o pegou firmemente nos braços, encarou os seus olhos de jabuticaba com seriedade e disse:

__ Se você quer de verdade retribuir o que eu fiz por você, aqui vai o que eu quero que faça: prometa que vai sobreviver pelos seus pais

Aquilo foi um golpe inesperado até para Alexis... não conseguia imaginar-se vencendo uma luta com aquele bárbaro... parecia tão forte e tão resistente, mas ainda assim Alexis disse a ela:

__ Eu prometo

Micaelle afastou-se dele ainda um pouco hesitante... e correu, ouviu um forte golpe de martelo e alguém sendo arrastado... mas ainda assim relutou em olhar para trás, por mais que desejasse bastante, sabia o que ocorreria se olhasse... aconteceria o mesmo que ocorreu dentro da floresta: ela havia voltado e quase havia morrido envenenada por uma flecha, e agora precisava levar Tony e Marcelo sãos e salvos... por Alexis... mas mesmo assim queria voltar pra ajudar aquele cabeça-dura: “Não, eu não posso, e mesmo assim ele me prometeu, e eu acredito que ele seja capaz, eu sei que ele pode”.

Alexis foi golpeado pelo martelo direto no peito e caiu voando para trás e rolou no chão em cambalhotas 3 vezes.

Estava bastante sujo de terra, o golpe fora tão repentino que nem havia dado tempo de gritar, as dores no corpo aumentaram, sua testa estava um pouco ralada, suas pernas com algumas partes arranhadas, quando virou a cabeça para observar o inimigo adiante (até aquele simples ato doía) notou que ele lentamente andava até ele, tão seguro em cada passo como se mesmo que o garoto corresse o mais rápido que pudesse, ainda assim não escaparia de morrer nas suas mãos.

Com bastante esforço levantou-se, á medida que seu inimigo aproximava-se mais rápido o seu coração acelerava, e as pernas estremeciam, seria medo que estava sentindo? Não, não havia lugar para o medo nele, havia prometido para Micaelle que sobreviveria para ver os seus pais, e o medo poderia prejudica-lo de cumprir aquela promessa... mas era tão inevitável quanto as dores... tentou parecer ainda mais forte colocando ameaçadoramente sua espada a frente, mas aquele selvagem parecia não se importar, seus olhos negros pareciam tão vazios quanto um abismo e o vermelho ao redor parecia um rio raso de sangue.

O bárbaro executa um ataque superior, Alexis conseguiu forças para defender-se e conseguir afastar seu martelo o suficiente para que não morresse.

O selvagem então atacou um grande frontal direto á barriga o acertando, Alexis sente-se perder o fôlego e é golpeado novamente, e com bastante vigor tentava respirar, já era capaz de sentir o peso da força de seu adversário... mas não podia fraquejar, tinha uma promessa a cumprir, o bárbaro novamente lança outro fatal frontal , e o garoto velozmente esquiva seu peito para a direita e a perna esquerda também, o seu adversário ao ter errado o golpe fica mais suscetível a golpes, Alexis percebendo aquilo, sem pensar duas vezes avança contra ele veloz feito uma ventania e logo lhe atacou um grande frontal acertando o seu braço esquerdo.

A sua determinação aumentou ainda mais, estava com o semblante mais intrépido e bravo, não era mais aquele simples e ingênuo professor de Relic que estava lá, mas um guerreiro no corpo de um menino, com sangue quente do calor da batalha e com espírito de paladino, estaria nascendo agora essa sua parte ou estava adormecida e só naquele momento havia sido despertada?

Não sabia ao certo, só o que sabia era que realmente estava disposto a lutar com todas as suas forças, afundou ainda mais a lâmina na sua carne e disse:

__ Por Micaelle, por Tony, por Marcelo e pelos meus pais!

O bárbaro então rosnou e o empurrou fortemente com o braço ferido.

Alexis quase tropeçou de costas, mas ele firmou fortemente os pés sob a terra com resistência, apenas deslizando alguns passos.

O braço do selvagem estava bastante ensanguentado, o que no estado de Alexis o deixava mais otimista e motivado, mas o bárbaro parecia não sentir, andou rapidamente alguns passos e atacou de esquerda, Alexis defendeu-se e afastou seu martelo.

E então vieram mais e mais golpes: esquerda, direita, superior, frontal, superior, direita, esquerda, e Alexis defendia-se deles bastante atencioso com os olhos negros chamejando, quando notou algo logo atrás do bárbaro, Micaelle em meio a corrida havia sido agarrada pelo pescoço por uma espada, o que logo o deixou preocupado.

E então a vida parecia sorrir para ele novamente, o guerreiro fadigou-se e parecia fraco devido ao grave ferimento: “Um intervalo!”; pensou Alexis com um sorriso otimista crescendo no seu semblante e sem pensar duas vezes avançou para encerrar de vez aquela luta antes que fosse tarde demais.

O paladino estava prestes a lhe dar uma estocada quando surpreendeu-se com o relancear de olhos vazios e atentos do bárbaro, e logo um golpe frontal direto no peito que fez Alexis saltar e cair para trás.

Antes de se dar conta já não sentia a espada na mão e quando olhou para a direita percebeu que a arma estava um pouco distante dele, e quando virou-se para a frente percebeu um selvagem com os olhos negros brilhando de divertimento apenas andando até ele.

“Jamais se começa a atacar se expondo desta forma a não ser que o oponente esteja bastante vulnerável e atordoado, o que é raro, e os inimigos que irão enfrentar são alertas feito morcegos”; recordava das palavras de Sr.Coleman como se fosse ontem, mas... “Eu jurava que ele estava bastante fraco, como que...? O ferimento...?”; foi quando percebeu que o golpe no braço não havia sido assim tão profundo, nada que não pudesse ser estancado... será que ele havia feito aquilo de propósito? Para fingir que estava fraco para incentivar seu inimigo a ataca-lo de propósito?: “Desgraçado! Ele se fez de fraco de propósito pra que eu me expusesse quando percebeu que eu me defendia muito bem de cada golpe, e a melhor forma de fazer isso era se fazer de abatido pra que eu viesse ataca-lo sem me preocupar com nada além de vencer! E no fim das contas... o fraco era eu esse tempo todo”; e refletiu melancólico a frase na carta de Sr.Coleman: “Pequenos detalhes, grandes significados”; se estivesse observado com atenção o ferimento, não, não o ferimento mas... os olhos!!!

Se ao menos estivesse atenção neles poderia ter escapado daquela armadilha, mas ainda havia como sair dela, mas como? Mesmo se conseguisse recuperar sua espada podia não ter tempo o suficiente para atacar ou defender-se quando o selvagem viesse o golpear, mas também não ajudaria em nada ficar parado no mesmo lugar.

O bárbaro desferiu um golpe superior, Alexis pôs forças em suas pernas e recuou, vieram mais e mais golpes, o garoto executou o mesmo ato, mas o último ataque esteve próximo demais dele, tinha de pensar em outra coisa antes que sofresse um certeiro.

Um golpe certeiro veio antes que Alexis pudesse esperar, então sem pensar em outra saída esquivou-se rolando para a direita e desesperadamente correu aos tropeções até sua espada.

“Não adianta correr, garoto, não importa quão longe consiga ir, vai morrer de uma forma ou outra, porque esse é o destino de todos os fracos na fé como você, eu até tô te fazendo um favor acabando com a sua vidinha, te poupando de viver uma vida pecaminosa e também poupando o mundo de ter de sofrer com seu coração tão podre”; pensou o bárbaro, Alexis ao ter recuperado a espada simplesmente ficou imóvel, com as mãos pousadas no cabo, o selvagem ao ter visto aquilo pensou que havia desistido, “Isso mesmo, quanto menos lutar, será melhor pra você, quanto menos fugir da morte, menos dor vai ter”; e logo estava bastante próximo dele, e então levantou o martelo para dar um último golpe, um golpe de misericórdia.

Então lançou a arma para exterminá-lo quando surpreendentemente Alexis defendeu-se com um ataque de direita afastando fortemente o martelo.

O martelo foi bem para trás, quando o selvagem relanceou o olhar distraído com a arma, viu seu inimigo correr para perto dele e estava bem próximo, o selvagem então rangeu os dentes de fúria e gritou:

__ Idiota! Vai arder em Valhalla por seu atrevimento!

“Podemos brincar do mesmo jogo, não precisa brincar sozinho”; pensou Alexis com um ar travesso e antecedendo o golpe de seu algoz, saltou para cima dele e lhe lançou uma forte estocada conseguindo perfurar a lâmina inteira no coração do bárbaro.

O selvagem não resistindo mais á dor intensa interrompeu o ataque jogando o seu martelo para trás ao longe e caiu também para trás já tão frágil que mal resistia ao peso do garoto contra ele, que também caiu junto.

E junto da morte levou um pouco da preocupação que Alexis carregava em seus ombros e um alívio preenchia o espírito de paladino do garoto, até mesmo a dor parecia quase não ter algum significado, e o sofrimento agora parecia menor.

Mas apesar da batalha ganha, não pôde deixar de evitar os olhos negros de seu adversário, e notou que não estavam mais vazios, mas encobertos de alegria, brilhavam de uma forma indescritível de felicidade e uma lágrima percorreu solitária a sua face dura, o que Alexis achou estranho, era quase impossível de se imaginar um bárbaro que destruiu cidades, povos e civilizações com monstruosa força derramando alguma gota de lágrima, mas então recordou no que acreditavam e logo pôde perceber o motivo daquilo: estava feliz porque finalmente veria Asgard e aquela lágrima era de alegria: “Parece que a batalha terminou bem para nós dois”; pensou Alexis que até sentia inveja do selvagem, um dia queria estar tão feliz quanto ele ou até mais, será que estaria assim quando encontrasse seus pais? E fechou os olhos do selvagem e levantou-se se sentindo mais revigorado.

E logo a preocupação voltou, como se estivesse acordado de um sonho lembrou-se de Micaelle, tinha de encontrá-la, e estirou a espada do corpo do selvagem e revirou os olhos para todos os lados e nenhum sinal dela.

Procurou, procurou e procurou, mas apenas o que via era o mesmo caos de antes, tentou ver ao máximo além de tudo aquilo, qualquer sinal, “Queria ter seus olhos de águia agora”; pensou Alexis melancólico.

Tentou procurar ainda melhor, mais ainda nenhum sinal.

__ Por favor, grite, clame, chore, até atire alguma flecha, mas se estiver me escutando mande algum sinal de onde você tá!__ gritou Alexis, mas parecia estar gritando com o vento

Então tentou procura-la até aonde seus olhos pudessem alcançar por uma última vez, mas de nada adiantou, então ajoelhou-se com o peso da culpa voltando a cair sobre ele: “Eu a matei... se estivesse me esquivado daquele martelo a tempo quando estava montado naquele cavalo tudo seria diferente... tudo, ou se eu estivesse derrotado esse bárbaro mais depressa, se eu estivesse sido melhor, mais rápido, mais eficiente... ela não estaria morta... ela morreu por minha causa... e tudo o que eu tinha dos meus pais morreram com ela... será que é o meu destino fracassar? No fim das contas eu não sou tão diferente de qualquer bárbaro, eu sou um monstro... um monstro como qualquer um deles, ou talvez pior do que eles”.

E logo mais atrás dele, ao longe, estava o Cupido com um brilho sanguinário no verde de seus olhos, o garoto estava tão vulnerável, tão indefeso, poderia acabar com ele de uma vez por todas, nada podia o impedir, nada poderia perder, nem Jotun.

__ Se eu estivesse matado esse vermezinho desgraçado há muito tempo atrás, aquele velho tolo não estaria morto__ disse Cupido melancólico, e estirou uma flecha de sua aljava e pôs a corda no arco fitando atentamente seu alvo__ vamos ver se os deuses beijarão seu traseiro mesmo__ e atirou

Tony logo fitou a flecha movimentando-se em alta velocidade contra Alexis, tinha de salvá-lo, mas não conseguiria chegar até ele a tempo de impedir a sua morte, a não ser... com o escudo!

Então sem perder tempo o atirou até Alexis.

Mas parecia que Alexis estava em outro mundo ajoelhado naquele chão:

__ Vamos, Alexis! Seja em qualquer planeta que você esteja, volte pra Terra logo!__ gritou Tony aflito e gritou o nome de Alexis por várias vezes

A flecha estava cada vez mais próxima e a morte de Alexis também.

A flecha roçou.