A trilha, o tesouro de Nicolau VII
15 Cap.15- Nobreza
Cap.15- Nobreza
Marcelo observava atento, Tony batalhava, Alexis e Micaelle caíram de um cavalo derrubados por um bárbaro com um grande martelo prateado, “Será uma longa batalha...”; pensou, alguns bárbaros batalhavam entre eles mesmos, o que achou uma tremenda babaquice por razões bastante óbvias.
Quando uma longa corrente avançou contra ele, o garoto não notou, e tropeçou de frente e de cara no chão. Sentiu uma grande dor no nariz, ajoelhou-se lentamente e levantou-se com a mão desocupada no nariz esfregando-o para que a dor cessasse, ouviu uma voz dizer:
__ Geralmente meus adversários não são acertados de primeira
Marcelo virou-se encontrando o dono daquela voz, era ele... “o abençoado pelos deuses”, o homem que parecia ser o único a entender o idioma deles e que ainda assim se recusou a salvá-los, Marcelo respondeu com certo menosprezo:
__ Abençoado pelos deuses
__ Também me chamo Rhodes Astrid. E qual o seu nome?
__ Por que quer saber isso?
__ Sempre gostei de saber com quem estou lutando
__ Marcelo Oliveira Miller, eu já ouvi bastante história, mas nunca a que havia um bárbaro nobre
__ Marcelo...__ murmurou o bárbaro__ rima com martelo, é um nome bonito, realmente é raro um bárbaro nobre, antigamente não éramos assim... impiedosos, covardes e cruéis, sonhávamos em ser como os cavaleiros da alta sociedade, em ter o que eles tem, as suas moradias e até mesmo aquelas suas belas esposas, oh... como as mulheres deles eram encantadoras. Muitos deles nos acolheram, nos ensinaram as suas culturas, nos deram melhores comidas e bebidas, e em troca nos tornamos seus aliados, e os ajudamos a vencer cada um de seus inimigos, mas sempre desejamos mais, mais e mais, queríamos mais terras, mais poderes, mais... mais e mais! E então muitos de nós, selvagens, corrompidos ainda mais por essa sede de poder, lutamos contra os nobres, nos aproveitamos de todo o ouro que eles tinham e caçamos cada um deles, muitos de nós violaram as mulheres dos nobres, e a cada dia que se passava nos tornávamos mais vis, mas não nos incomodávamos, e sabe por que?
__ Por que vocês ganhavam mais poder
Rhodes deu-lhe um sorriso sincero:
__ Exatamente
__ E se era contra tudo isso, por que não lutou para impedi-los?
__ Porque eu acreditava que fazia em nome de Odin, e também todo aquele poder era bom mesmo no início, mas depois eu sempre me sentia infeliz e me arrependia, e depois...__ Rhodes interrompeu-se pensativo
__ E depois?
Rhodes comprimiu os olhos e então disse:
__ Eu já falei demais, basta
__ Se você ainda é contra isso e é realmente nobre, por que não nos salvou quando tinha a chance, Rhodes?
__ Sou nobre a minha religião também
__ Mas você acabou de dizer que parou de acreditar
__ Eu não disse que parei, certas coisas ainda não gosto que meu povo faça, mas eu tinha de deixar que morressem em nome de Odin
__ Você não é tão diferente do povo que você considera injusto então, é igual a eles, se você simplesmente fica calado e permite!!
__ Basta! Acha que eu posso derrotar um povo inteiro?! Tantas vidas... eu sou um herdeiro apenas, não o líder deles!
__ Rhodes... um príncipe... você ainda pode fazer algo então...
__ Vocês não estão aqui pelo que são
__ Mas pelo que nós temos?
__ Exatamente, pelo visto você é bem esperto, Marcelo
“Como assim?”; pensou Marcelo, “ Será que ele sabe que nós temos... não, não pode ser...”
__ Como assim? Nós somos apenas crianças, não temos nada que interessem a vocês
__ Aquela parte da floresta em que estavam, nós raramente vamos lá para caçar, não foi por acaso que o encontramos...
Os olhos de Marcelo estavam confusos, será que eles realmente sabiam do mapa? E se sabiam, como sabiam? Aquilo não fazia sentido, mas e se não fosse o mapa? Não podia arriscar, talvez pudesse ser outra coisa que eles estivessem atrás, Marcelo fingiu não entender
__ Do que está falando?
Rhodes sorriu e disse:
__ Eu sei que você sabe, Nicolau VII, o famoso tesouro__ em seguida desfez o sorriso e disse preocupado:__ não podem encontra-lo, vocês tem que sair daqui, fujam com seus amigos o quanto antes e nunca mais voltem
__Quando era pra salvar, você não fez, por que se importa tanto agora com isso?
__ Confesso que de início eu queria os ver mortos, com certeza, não só por Odin, mas também porque eu sei que existem pessoas piores do que os bárbaros, e que mereciam morrer, com certeza, mas foi então que eu comecei depois a perceber que eram inocentes quando aquele seu amigo resolveu confrontar o meu pai, e sua amiguinha resolveu resgatar vocês, ambos arriscaram suas vidas, estão protegendo uns aos outros, são realmente nobres, e também... depois que a batalha começou, eu decidi que queria mudar, estou cansado disso tudo, de fazer coisas que no fundo eu não quero! E quero começar por agora, fujam todos aqui, não é seguro vocês encontrarem esse tesouro, se realmente querem se proteger, se realmente se importam com cada uma de suas vidas, fujam e nunca mais voltem nesse lugar!!
As palavras de Rhodes pareciam verdadeiras, e estavam carregadas de desespero, culpa e preocupação, seus olhos estavam melancólicos, tristonhos, e cansados, Marcelo percebeu aquilo, e refletiu cada uma daquelas palavras cuidadosamente, quase pensava em desistir, mas foi então que pensou em Sr.Coleman, não era isso que ele iria querer, Marcelo não estava mais caçando aquele tesouro por ele mesmo, por apenas o simples fato de provar que aquela história era baboseira, mas pelo diretor que estava prestes a morrer, não podia deixar de realizar esse último desejo dele! Não podia! Aquilo também não seria nem um pouco nobre.
__ Está mentindo__ respondeu Marcelo __ eu não vou embora enquanto não encontrar aquele tesouro
O semblante de Rhodes tornou-se sombrio, segurou firmemente a corrente na mão e trouxe o cabo da espada para si, e então disse:
__ Misericórdia, eu nunca dei a inimigo algum esse privilégio, e você simplesmente recusou ela, sendo que tantos queriam o que estou lhe oferecendo, você não pode recusar isso, você tem de fugir daqui, Marcelo, não sabe o que te aguarda
__ Um cavaleiro nunca foge de uma luta, é isso que torna nobre um cavaleiro
Rhodes hesitou, refletindo aquelas palavras, um longo silêncio se formou, até que o cortou:
__ Você então não me deixa escolha, vou ter de impedi-lo
E então correu para ataca-lo, deu um grande frontal, Marcelo se defende e afastou sua espada, Marcelo então ataca um de esquerda, Rhodes defende-se e afasta sua espada também, e o ataca com a corrente o chicoteando direto na barriga, Marcelo se afasta sentindo dor, e determinado consegue juntar forças para o atacar, um frontal, e Rhodes ao mesmo tempo ataca também, e é mais rápido lhe golpeando a corrente na face, que ficou roxa, e Marcelo quase tropeça inconsciente.
Rhodes tirou proveito para atacar de esquerda, Marcelo defende-se, afasta a sua espada e o ataca com um grande frontal, Rhodes esquiva-se para a direita, e percebendo a posição vulnerável de seu adversário ataca atingindo seu braço com um grande arranhão, Marcelo institivamente afasta-se correndo, aos poucos ouvia o som da corrente cada vez mais ao longe, logo sentiu uma grande dor na canela e percebeu que foi atacado, o cavaleiro ficou confuso, podia ter certeza que havia ficado longe de seu alcance, então como... quando vira-se para seu algoz, levou outro ataque direto na costela.
Sangue derramava-se, Marcelo estava sentindo dor como nunca antes havia sentido, nem ao menos nas suas aulas de esgrima, quase ajoelhou-se, mas com suas pernas meio trêmulas, o garoto insistiu em permanecer de pé, conseguiu fitar seu adversário, aqueles olhos azuis... não havia alegria neles, mas pena, Rhodes não desejava fazer aquilo, mas sentia-se obrigado a fazê-lo, para o proteger, ou melhor, proteger todos eles, só que Marcelo não conseguia entender do quê, olhou mais atentamente e percebeu que o guerreiro não segurava mais o cabo da espada, mas a corrente presa a ela, e a corrente era longa, longa o suficiente para o alcançar.
Rhodes corre novamente contra ele e ataca, Marcelo se defende, mas ainda assim foi ferido na coxa esquerda, o cavaleiro ajoelha-se com a perna machucada, com apenas a espada não poderia fazer aquilo, mas com a corrente longa sim, Rhodes tinha a vantagem de conseguir que sua espada atingisse seus adversários a longa distância, seus ataques eram menos limitados e mais certeiros que a espada de Marcelo, uma arma manual que funcionava também a longa distância, a única arma parecida que o cavaleiro Marcelo conhecia era uma lança, e esse era o tipo de arma que funcionava mais a longa distância, nunca conheceu uma arma que funcionava tão bem a dois tipos de distância, e essa arma... a única vez que havia visto a arma de Rhodes em algum lugar foi num jogo de videogame de mitologia grega, nunca sonhou que poderia existir alguma arma feito aquela no mundo real. Então veio-lhe a lembrança do diretor, no primeiro duelo que tivera contra ele na fortaleza, naquele momento havia se concentrado tanto na ofensiva, que havia se esquecido de usar a defensiva no momento certo, se viesse a esquecer-se disso mais uma vez naqueles exatos momentos, levaria muito mais do que apenas golpes de uma espada de madeira, aquela lâmina de Rhodes poderia desmembrar qualquer adversário em apenas um golpe e em questão de instantes.
Rhodes atacou novamente, um ataque frontal, Marcelo se defendeu, mas outra vez é atingido, direto na barriga, consorte o ataque não foi profundo, o bárbaro então executou outro ataque frontal, mas desta vez com a corrente, Marcelo saltou para trás e caiu, e a arma do príncipe não o alcançou, a corrente encontrou-se no chão e fez subir poeira, Marcelo tossiu.
O bárbaro traz a corrente de volta para si, Marcelo se sentiu aliviado pela corrente dessa vez não ter o alcançado e levantou-se, Rhodes o fitou com certa fúria e girou as correntes preparando-se para mais um ataque, o cavaleiro começou a sentir medo, o príncipe através dos olhos dele notou aquilo, e girou a corrente, e á medida que a velocidade do movimento aumentava, mais ameaçador tornava-se a arma, Rhodes avançou os passos, e Marcelo recuou tentando acompanhar cada um de seus movimentos, mas cada tentativa era em vão, porque não conseguia descobrir qual seria seu próximo ataque, sentia que estava se esquecendo de algo.
Rhodes atacou com um grande frontal, Marcelo recuou com a espada ainda á frente, a lâmina cravou-se.
Marcelo sentia a presença da lâmina, aquele frio metálico, quando olhou para baixo percebeu que havia perfurado seu sapato do pé direito, consorte não atingiu seu pé, seus dedos estavam encolhidos, o cavaleiro surpreendeu-se... arregalou os olhos, e ficou boquiaberto, feito um anzol a corrente com a lâmina começou a o puxar, ele percebeu, então lutou contra isso, mas ainda era puxado e o pé desocupado era o único que realmente se esforçava, aos poucos a força de Rhodes ganhava, Marcelo, percebendo arrancou o sapato do pé antes que fosse tarde demais... e por pouco não foi levado.
Marcelo arranca o outro lado, pois era um desperdício usar apenas um sapato, e triste e furioso porque aqueles sapatos eram seus favoritos... e também foram muito caros, mas não era aquilo que mais o preocupou, e sim o fato de Rhodes quase ter conseguido arrancar seu pé, se perguntou como conseguiria derrotar um inimigo daqueles, o bárbaro avançou e Marcelo outra vez recuou, quando o seu adversário estava prestes a desferir outro ataque, pensou: “Os olhos são o espelho da alma”; havia ouvido aquela frase em algum lugar, um frontal veio e em questão de segundos o duelo de Sr.Coleman contra Alexis veio-lhe a mente, e aquela frase começou a fazer sentido, os olhos de Rhodes eram a peça para decifrar o quebra-cabeças daqueles golpes e assim conseguiu defender-se afastando sua espada, mas não sem tropeçar outra vez.
A dúvida de como derrotar Rhodes ainda fomentava em sua mente, levantou-se cada vez mais intrigado, tinha de haver algo vulnerável naquele bárbaro, tinha de ter algum ponto fraco...
Rhodes trouxe a sua lâmina de volta para si, e disse como se estivesse lido seus pensamentos:
__ Gostou? Chamo ela de Chicote da Punição, e qual o nome da sua?
__ Excalibur__ e sem entender sentiu-se um pouco orgulhoso por ter dito aquilo
__ Excalibur...__ disse Rhodes como se estivesse saboreando aquelas palavras__ a lendária espada do rei Arthur, procurada por muitos e uma das espadas mais desejadas de todas... é realmente uma espada magnífica!!__ e em seguida disse com ferocidade:__ Mas na sua mão não vale mais que um cadáver__ e avançou passo e atacou um grande ataque de esquerda, Marcelo defendeu-se a medida que recuou, os olhos serviam como faróis na escuridão naquela luta, e quanto mais o cavaleiro recuava, maior era a percepção de onde poderia vir o golpe.
Rhodes atacou mais: esquerda, frontal, direita, esquerda, frontal, frontal, e nenhum ataque lhe atingia, com exceção de sua espada, Marcelo sentiu-se cada vez melhor, que o vento soprava a seu favor, cedo ou tarde Rhodes iria se fadigar e Marcelo tiraria proveito do intervalo para pôr um ponto final naquela luta, um orgulho lhe subiu a mente, e disse entusiasmado:
__ Chama isso de punição? Se na minha mão a Excalibur não vale nada, quem dirá na sua!
O bárbaro enfureceu-se, mas sua fúria não valia de nada, pois para cada ataque Marcelo tinha uma resposta á altura, quando um obstáculo imprevisto aparece para o cavaleiro, sem perceber ele bateu suas costas de encontro a uma árvore.
Marcelo apenas percebeu no que havia encontrado quando virou-se para trás, e quando voltou o olhar ao adversário, se viu cercado: não havia como recuar, e caso corresse para os outros lados seria pego pela dolorosa corrente, mas apesar disso não perdeu as esperanças, pelo contrário, ainda posicionou sua espada, atento para se defender a qualquer momento, Rhodes sorriu e disse:
__ Você ainda tem chance de mudar de decisão, se me entregar o mapa podem vagar em qualquer lugar da floresta quanto quiserem, e até mesmo ir embora pra suas casas
O mapa não estava com ele, mas com Micaelle, poderia muito bem dizer que estava com ela, e assim conseguir escapar daquele guerreiro torturante, mas não estava mais em Relic, onde caso dedurasse sairia sempre ganhando, agora as escolhas além de afetar aos outros, afetaria a ele mesmo, por mais que detestasse cada um de seus companheiros de viagem tinha de aturá-los e por mais que detestasse mais ainda admitir, precisava deles, e também, mesmo se o mapa estivesse com ele, não falaria, então mentiu:
__ Só vai conseguir esse mapa por cima do meu cadáver
Rhodes deu um sorriso malicioso e disse:
__ Seu desejo é uma ordem
E atacou com um grande frontal com a corrente, com apenas um dos braços, Marcelo defendeu-se, mas o inesperado ocorreu, a corrente enroscou-se na espada feito uma ágil serpente, e Rhodes começou a puxar a espada de Marcelo, que esforçava-se para se livrar daquela corrente, mas ele subestimou a força do bárbaro que puxou-o com a mesma facilidade com que se captura uma formiga.
Quando Marcelo estava bastante próximo de seu rival, Rhodes pegou parte de sua corrente e a enrolou no pescoço de Marcelo começando a o estrangular.
Aos poucos o cavaleiro começou a ter dificuldades em respirar, e sentia com se estivesse afogando-se, sua pele começou a ficar vermelha e depois roxa, suas veias estavam escuras e pareciam estarem prestes a explodir em qualquer instante, Marcelo sacudiu os braços apavorado e tentou arrancar as correntes de seu pescoço aos puxões, aos poucos começava a perder os sentidos, Rhodes disse:
__ Ainda tem tempo de mudar de ideia
Marcelo respondeu com a voz rouca:
__Nunca...__ e quando pareceu que tudo estava perdido, seus olhos apavorados encontraram sua espada, á sua direita, ainda com a corrente entrelaçada, e então esticou o braço para alcança-la, estava quase... faltava apenas um pouco... e conseguiu pegar o cabo e ainda conseguiu forças o suficiente para atacar, perfurando com vigor o ombro direito.
Sangue espirrou e Rhodes gritou de dor o libertando e afastou-se para trás, Marcelo logo tirou proveito para tentar tirar as correntes de cima de sua espada, e recuou.
Rhodes sentindo bastante dor pousou a mão direita sobre o ferimento, e disse:
__ Parece que... eu o subestimei
Apesar da tentativa de estancar o sangue, aquilo não melhorava seu estado, Marcelo percebendo aquilo disse:
__ Melhor acabarmos por aqui, você está horrível
Rhodes disse:
__ Essa luta não acaba enquanto eu não conseguir o que quero__ e então rasgou um pedaço de pano da sua roupa e amarrou o tecido na parte ferida, e usou os dentes para firmá-lo melhor
“Não há como eu derrota-lo, os golpes deles são mais ilimitados”; pensou Marcelo: “ e minha espada só funciona a curta distância, a não ser que...” o seu cachecol verde esvoaçava, soprado por uma mansa brisa, o cachecol bateu nos seus olhos, mas quando Marcelo tirou percebeu que aquilo não havia tapado sua visão, mas havia o feito ver as coisas a partir de outros olhos , o cachecol era longo... longo o suficiente para que: “ eu me iguale a ele”.
Como não havia pensado naquilo antes? Então tirou o cachecol de seu pescoço e amarrou parte dele no cabo, e o final enrolou na sua mão direita, Rhodes sorriu ao ver a cena e disse:
__ Belo ato, mas isso não vai ser o suficiente pra me derrotar__ e atacou, um ataque de esquerda para cortar sua cabeça, aquele era o momento perfeito para Marcelo testar a sua arma nova, então pegou com a outra mão o cachecol para dar mais força ao ataque, e movimentou-o, era agora ou nunca!
As lâminas encontraram-se e o cavaleiro com êxito afastou o Chicote da Punição, Marcelo surpreendeu-se, seus olhos arregalaram-se, e até Rhodes espantou-se, e disse:
__ Como... como... você...?
Marcelo deu um sorriso orgulhoso e disse:
__ Deveria falar menos e lutar mais
E atacou: frontal, esquerda, direita, direita e frontal, dessa vez Rhodes que parecia encurralado, aos poucos Marcelo ganhava território, possibilitando assim que pusesse a espada realmente em punho, quando deu uma estocada, e o bárbaro afastou sua espada e atacou um grande frontal, mas o cavaleiro, atento feito um lobo defendeu-se a tempo.
Rhodes porém, era persistente e continuou a avançar feito uma casa firme em uma rocha, pressionando a espada contra ele ainda mais fortemente, Marcelo tentava resistir, mas medir forças contra o bárbaro era tolice.
Então abaixou-se e escapando assim da lâmina de Rhodes, e ainda curvado avançou para detrás de Rhodes, e notando a posição vulnerável de seu rival lhe arranhou a costela esquerda.
Marcelo cessou os passos e olhou para trás, Rhodes pousou o braço esquerdo na costela ferida, o semblante do cavaleiro iluminou-se esperançoso mas logo apagou-se quando o príncipe dos selvagens virou-se para trás como se nada estivesse acontecido, e disse:
__ Isso é tudo que consegue?
E atacou bastante rápido com um forte frontal, Marcelo defende-se e afasta sua espada, e Rhodes ataca de novo, de novo e de novo e o bárbaro domina o campo outra vez.
Em meios aos sucessivos ataques, Marcelo começou a pensar em como o derrotar, parecia inabalável, sempre conseguia erguer-se
__ Desista!
__ Nunca!
__ Desista!__ disse Rhodes ainda mais forte
__ Eu já disse que não!__ disse Marcelo ainda mais forte
E Rhodes atacou uma grande estocada, Marcelo defende-se e o bárbaro com força o empurra ao longe para trás.
Marcelo machucou suas costas e seu crânio, sentia-se tonto, mas não o suficiente para deixar de notar os passos de seu adversário, que seguiam-se lentamente, Rhodes saboreava a cada um deles o doce sabor da vitória que sentia aproximar-se, Marcelo podia perceber através de seu olhar a confiança de seu inimigo, caso não se levantasse o bárbaro estaria certo e aquilo era a última coisa que ele queria.
Levantou-se com um pouco de dificuldades e recuou a passos largos, Rhodes então disse:
__ Não adianta continuar, por que tentar algo que não tem mais chance nenhuma de conseguir?
__ Já enfrentei inimigos piores do que você
Rhodes deu um riso gutural e disse:
__ Você estaria numa cova agora se fosse verdade__ e atacou
E uma ideia surgiu na cabeça de Marcelo quando conseguiu defender-se daquele ataque, havia conseguido encontrar algo vulnerável em Rhodes, seu chicote poderia ser rápido e bastante forte, mas não era certeiro por inteiro, o fato de ser longo também era uma desvantagem, e demorava mais para atacar a longa distância do que á curta, mesmo com a força que Rhodes possuía, então caso afastasse a corrente, o bárbaro estaria mais indefeso.
Rhodes atacou de direita, Marcelo descarregou ao máximo suas forças sobre Excalibur e afastou a espada de seu adversário para a esquerda e avançou em alta velocidade e atacou enrolando seu cachecol na sua perna direita, correu para trás e puxou o fazendo se ajoelhar com uma das pernas, o príncipe enfim conseguiu pegar sua corrente e atacou o cavaleiro, mas Marcelo foi impulsionado para detrás de Rhodes no momento em que o bárbaro movimentou-se para executar o ato, e quase tropeça.
Tirando proveito da vulnerável posição de Rhodes soltou seu cachecol, subiu sob seus ombros e saltou conseguindo pegar a corrente dele.
Rhodes tentou puxar a corrente para si e Marcelo dançou conforme a música indo contra ele e pegando a própria espada de seu inimigo e o golpeou fortemente com o cabo, uma, duas, três, quatro, cinco vezes! O rosto do bárbaro ficou roxo, um pouco de sangue escorria no supercílio, na testa e no canto da boca, o príncipe entonteceu-se e o cavaleiro tirou proveito para amarrá-lo com as próprias correntes e estirou seu cachecol e Excalibur.
O bárbaro ficou deitado ao chão, ainda tonto, tentando entender o que estava acontecendo, Marcelo caminhou lentamente até ele com a Excalibur empunhada, a medida que Rhodes o via aproximar-se, sua mente começou a ficar mais confusa
__ Odin?__ disse ele
Marcelo, apesar de cansado, teve de sorrir e disse:
__ Estou longe de ser um deus, mas não posso negar que ás vezes gostaria de ser um
Rhodes semicerrou os olhos, ainda tentando entender aquela situação, observou as correntes atentamente e remexeu-se tentando se libertar
__ Não adianta__ disse Marcelo__ é o Chicote da Punição, lembra?
__ Marcelo, você... você não pode encontrar o tesouro, não sabe com o que está se metendo!
Marcelo perdeu a paciência e exclamou:
__ Acha que me importo com o que há nessa droga de tesouro? Mesmo se estivesse uma bomba atômica nele, mesmo assim eu o caçaria!
__ Por que?!
__ Porque não se trata mais de mim, se trata de realizar o último desejo de uma pessoa que gosto muito
__ Se realmente gosta dessa pessoa, desista desse tesouro!
__ Não, você está errado, Rhodes! Não há nada naquele tesouro de perigoso!
__ Há sim! Me escute...
__ Chega! Eu não quero mais escutar, chega de escutar suas besteiras, eu vou encontrar aquele tesouro, quer você queira ou não
Rhodes hesitou um pouco, reflexivo, e percebendo que estava derrotado, disse:
__ Sendo assim... o que eu posso dizer é apenas boa sorte
__ Obrigado__ e caminhou para longe de Rhodes, prosseguindo a jornada
__ Que Odin proteja sua alma, cavaleiro da esperteza
Marcelo sentiu calafrios ao ouvir aquilo, pela primeira vez estava em dúvida sob algo que antes havia plena certeza, será que Rhodes estava certo? Será que Marcelo estava realmente atrás de uma ameaça? Seria ele, no final das contas, tão louco quanto Alexis?
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