A trilha, o tesouro de Nicolau VII
14 Cap.14- No campo de batalha
Cap.14- No campo de batalha
Quando os quatro estavam próximos da saída, surpreenderam-se com a visão dos seus inimigos, Jotun estava montado em seu cavalo marrom malhado, alto e majestoso, o Herzog montado nele exalava um ar régio e soberano, indagou a eles:
__ Olha! Olha! Aonde pensam que vão?
Os quatro apenas trocaram olhares confusos, o seu filho Rhodes estava montado ao seu lado, em um cavalo prateado, tão formoso e forte quanto o dele, traduziu:
__ Ele perguntou aonde pensam que vão
Os quatro gelaram de medo, com o receio de que qualquer resposta que eles viessem á falar seriam mortos, um silêncio percorreu o ambiente por um longo tempo, até Alexis o cortar:
__ Para qualquer lugar que seja bem longe de vocês
Rhodes traduziu cada palavra ao pai, e traduziu a resposta deles ao pai, Jotun disse:
__ Sinto muito em lhes dizer que apenas em Valhalla conseguirão esse desejo, não importa o quão rápido sejam, nós sempre conseguiremos os alcançar
__ Duvido muito, eu consegui enganar vocês__ disse Micaelle, que se perguntou se seria mesmo ela a ter dito aquelas palavras
__ Decerto que é esperta, garotinha, e mais forte do que parece, é raro alguém escapar do veneno da minha flecha
__ Então foi você?
__ Não, o meu cavalo aprendeu a ser arqueiro e a atirar flechas por todo o lado
E um monte de gargalhadas foi ouvido, Tony disse confuso:
__ Isso é mesmo possível?
Quando Rhodes traduziu aquilo, foi Jotun que gargalhou, Micaelle ficou indignada com aquilo, Jotun disse:
__ Parece que não é tão esperta quanto pensei, conseguiu enganar muitos de nós e salvar seus amigos do caldeirão, e juntos conseguiram matar 4 de meus melhores guerreiros__ e aplaudiu e disse:__ merece uma salva de palmas, garota, sendo a líder ou não deles o seu plano foi genial, mas teve um pequeno erro nele
__ E qual foi?__ disse Micaelle curiosa
__ Nunca se ataca o lar de um inimigo sem um exército, achava mesmo que você, uma simples mulherzinha conseguiria nos driblar assim, tão facilmente? Que ia conseguir salvar seus amigos dos guerreiros que conhecem todas essas terras como as próprias palmas da mão, assim, de forma tão simples?
Micaelle não conseguiu pensar em uma resposta, Jotun então disse:
__ Garotinha tola! Bem, eu vou lhes dar uma chance, vocês 4 conseguiram matar 4 de nossos melhores guerreiros, é raro reles crianças conseguirem tal feito, por isso, terão a chance de morrerem de forma digna, entreguem-se a nós e aceitem de livre e espontânea vontade serem nossos sacrifícios, que após a morte serão recompensados por Odin na terra de Asgard
Então um dos bárbaros o cutucou e sussurrou:
__ Chefinho, que tal matarmos os três garotos e tornarmos a garota nossa concubina?
__ De forma alguma, ela merece morrer pura como os outros
Rhodes traduziu a oferta do pai, Marcelo indagou:
__ E se nós não aceitarmos?
Jotun riu e disse:
__ Bem, morrerão de qualquer forma, mas pelas nossas espadas e com a maior dor que possam imaginar e sofrerão eternamente em Valhalla, então, o que decidem?
__ Queremos ir embora sem que nos machuquem, nós não fizemos nada de errado a vocês__ disse Alexis
__ Ou minha oferta ou nada feito
Aquelas palavras haviam atingido Alexis em cheio feito agulha na pele, tomado pelo impulso da raiva disse gritando:
__ Então que se lasquem os seus deuses! Não vamos servir de sacrifício a seus deuses cruéis e idiotas que querem ver simples crianças morrerem! Se é isso que chamam de deuses, os seus deuses não são mais importantes que uma bosta!
Jotun apenas franziu a testa, confuso, Rhodes arregalou os olhos de surpresa, então disse nervoso:
__ T-tem certeza que é is-isso que quer dizer?
Marcelo, Tony e Micaelle, estavam tão surpresos quanto Rhodes, Tony tocou no ombro de Alexis e disse:
__ Relaxa aê, cara, toma cuidado com o que diz
__ Nós vamos morrer de qualquer forma mesmo, então... dane-se o que eu diga, pode traduzir
Rhodes hesitou um pouco, mas traduziu, seu pai ficou boquiaberto, dilatou as narinas, rangeu os dentes, enrubesceu de raiva e gritou:
__ Retire o que disse! Retire essa blasfêmia! Quem é você para falar mal dos grandiosos deuses de Asgard? Os nossos deuses! Moleque insolente!
Alexis estava cansado dos selvagens, eram piores do que nas histórias, os capturaram para serem mortos cruelmente em nome dos deuses! Por mais que acreditasse no mítico, relutaria em acreditar que deuses seriam assim tão cruéis, já que eles eram o exemplo de perfeição, e também, não queria morrer sem encontrar o tesouro de Nicolau VII e seus pais.
__ Que os deuses beijem o meu traseiro, se esses deuses são cruéis como vocês, não merecem que morramos por eles!!!
Jotun bufou de raiva, Rhodes também se enfureceu, Jotun então respondeu:
__ Onde eu estava com a cabeça quando queria que um monte de crianças estúpidas morresse com honra?__ e empunhou o seu machado__ que o sacrifício espere...__ o restante de seus guerreiros também empunharam suas armas, apenas aguardando as ordens de seu Herzog, Rhodes não traduziu, apenas seguiu o exemplo da horda, empunhando sua espada com uma longa corrente, Alexis, Tony, Micaelle e Marcelo apesar de não entenderem palavra alguma do chefe, sabiam o que armas empunhadas queriam dizer, e também empunharam as suas espadas.
Jotun fitou Alexis em um olhar fulminante, “Vamos ver quem grita mais alto agora, garoto”; pensou pesarosamente, e bradou:
__ O garoto vermelho é meu! Ninguém blasfema dos deuses e sai impune do julgo do meu machado! O resto pode matar como bem quiserem!
E o Herzog avançou trotando com o machado levantado para ataca-lo, Alexis quase se sente arrependido por ter dito aquelas palavras, até mesmo questionou se teria havido outra forma de escaparem sem envolver morte e provocar a fúria de todo um povo.
O machado aproximava-se ameaçador, o garoto tinha de pensar em um jeito de escapar de tal ameaça, Jotun lança um ataque para lhe decepar a cabeça, Alexis se abaixa, escapando do ataque.
Sentiu o machado tão próximo de si que apalpou a cabeça com a mão desocupada para ver se ainda estava inteiro e concluiu que estava. O garoto estava em tremenda desvantagem, o seu adversário tinha um cavalo de guerra, maior força física e aquele seu machado era ainda mais forte no seu poder do que a espada na mão de Alexis.
O Herzog dá meia-volta e avança novamente contra Alexis, não conseguia decifrar para qual lado iria atacar, mas então recordou o que Sr.Coleman lhe havia ensinado: “ você não pode se esquecer de fitar os olhos, são eles que irão entregar a mais difícil das posições e evitar o ataque mais brutal”.
E assim conseguiu perceber através do olhar lupino do Herzog que iria atacar para a esquerda, quando seu inimigo aproximou-se e atacou, Alexis esquivou-se saltando para a direita, escapou da ataque, e de ser pisoteado pelo cavalo, mas não de um golpe da pata do animal de guerra direto na costela esquerda.
A dor foi tanta que ajoelhou-se, ouviu o som do galopar mais alto novamente, tinha de se levantar, então assim fez com as pernas meio trêmulas.
Jotun atacou, Alexis olha para trás a tempo e defende-se com a espada, empurrando a arma do inimigo para cima e o Herzog avança caminho, mas rapidamente volta para ataca-lo outra vez.
E ataca com uma força brutal, descarregando seu ódio em todos eles: frontal, frontal, esquerda, direita, esquerda, e Alexis defende-se deles ao máximo, mas parte de sua força era levado junto, e sua força não era nada perto comparada a daquele homem.
Não demorou muito para que o garoto estivesse cansado, seus braços doíam, Jotun impiedosamente o atacava, a mochila de Alexis estava pesando feito um chumbo, e o deixava cada vez menos ágil e leve, e em uma batalha contra um homem daquele tamanho aquelas duas qualidades significavam bastante.
“Ele é duas vezes pior que Sr.Coleman!”; pensou Alexis.
O seu inimigo atacava com cada vez mais rapidez, e para o seu tamanho aquilo era espantoso, estava tornando-se até mesmo mais ágil do que Alexis, e o seu cavalo estava cada vez mais rápido e quase que o mordeu algumas vezes, se não morresse por Jotun morreria por seu cavalo.
Talvez se abandonasse sua bolsa conseguiria virar o jogo, deu um leve relance com o canto do olho para trás floresta afora, além daquela aldeia, qualquer lugar por entre aquelas folhagens seria ideal para esconder sua mochila, o mínimo que podia temer eram os animais, e apesar de serem irracionais, eram racionais o suficiente para não chegarem perto de um lugar cheio de humanos que não hesitariam em caçá-los.
Tinha de chegar lá sem morrer, e logo uma ideia lhe veio a mente.
Então defendeu-se dos ataques, recordando das lutas com Sr.Coleman, e assim estudou o Herzog e notou que, seu intervalo era a cada 16 ataques, apenas alguns segundos, mas eram o suficiente para Alexis conseguir o que queria, conseguiu ainda arranjar forças contra cada um deles apesar de parecer que a mochila o puxava feito uma pedra, e correu.
Com todas as forças que ainda havia em seus pés e não demorou muito tempo para que Jotun começasse a persegui-lo, o garoto saltou algumas vezes para conseguir vantagem, e depois de tanto, conseguiu alcançar as tão desejadas folhagens. Sem pestanejar tirou a mochila e a jogou para detrás de uma árvore ao seu lado, e conseguiu olhar para trás tempo o suficiente para perceber um ataque de Jotun, um grande frontal, Alexis consegue se esquivar saltando para o lado e o machado se cravou em um tronco de árvore.
Lascas de madeira saltaram para fora, a lâmina havia adentrado a madeira de forma tão profunda que Alexis se perguntou o que teria acontecido se aquilo realmente acertasse sua cabeça. E foi tão forte o impacto da arma que o Herzog se esforçava para estira-la de lá, balançou o cabo, puxou com bastante força mais ainda assim não conseguiu.
Alexis percebendo a vulnerável posição do adversário o ataca de esquerda, e conseguiu arranhar o braço direito de Jotun, sangue é derramado e o Herzog grita de dor.
Movido pela fúria de ter sido golpeado por uma criança conseguiu enfim arrancar a lâmina, atacou para cortar a cabeça de Alexis, mas o garoto abaixa-se a tempo e corre.
Cessou o passo detrás do cavalo, e pensou em atacar o animal, já que era uma grande vantagem para o Herzog, mas quando Alexis brandiu a espada, o cavalo pareceu pensar a mesma coisa que o garoto e lhe deu um grande coice direto no peito.
E saltou para trás, bastante alto e rápido, e colidiu de costas contra o caldeirão.
Suas costas doíam e suas costelas também, sua nuca estava vermelha, com esforço levantou-se, dolorido, e observou ao longe Jotun enfurecido, com seu machado, ávido para mata-lo e seu cavalo bastante rápido e tão perigoso quanto o seu dono.
Alexis teve uma ideia que achou estúpida, mas como não havia pensado em outra melhor... iria usar aquela mesmo, fitando a árvore cinza morta pensou que se subisse nela a tempo, talvez o cavalo não conseguisse frear os próprios passos, colidiria de cabeça contra a árvore, perderia a consciência, e Jotun perderia sua vantagem, e talvez assim Alexis conseguisse saltar da árvore e dar-lhe um ataque bem dado quando ele estivesse despercebido, ou Jotun morreria com o cavalo em cima dele.
Antes de perceber já estava a escalando, o medo era seu maior combustível, e quase que o fazia esquecer das dores no corpo, quase.
E enfim consegue escalar a árvore, onde tinha ampla visão da aldeia, estava em completo caos, selvagens corriam á procura de armas melhores, outros para levarem as suas famílias desprotegidas para as barracas, uns para pegar cavalos, e para isto alguns guerreiros brigavam entre eles, os mortos eram saqueados pelos jovens e velhos, sejam eles vencedores ou não, outros com cavalo ou não, já estavam á procura do blasfemador, da assassina, e dos outros dois cúmplices.
Notou que o cavalo de Jotun não havia caído da armadilha, o Herzog o freara a tempo e tentava o atacar, e Alexis se afastava e aos poucos os ataques de seu adversário estavam cada vez mais próximos.
Alexis ainda pensa em saltar para cima dele, mas inesperadamente Jotun que saltou para a árvore e quase que o golpeia no peito, por pouco o garoto esquivou-se de lado. Mais golpes vieram contra ele, e defendeu-se deles, ao mesmo tempo em que evitava cair e ser alvo do cavalo voraz.
Jotun logo pareceu entusiasmado com a luta, “Nunca me diverti tanto lutando com um garoto, daria um grande soldado para a minha horda”; pensou.
Alexis tentava arrumar uma posição melhor para ataca-lo, mas Jotun parecia não ter ponto fraco algum e o atacava impiedosamente, o Herzog lança um forte frontal, Alexis defende-se com a sua espada, o machado parecia ganhar mais força por mais esforço que o garoto fizesse para que a arma não alcançasse seu crânio, e ao mesmo tempo fazia forças com as pernas para não cair, pois o bárbaro o estava empurrando com força.
O garoto então se abaixou e escapou do ataque do machado, e para não cair agarrou a tempo a roupa de Jotun e puxou-se para detrás de dele.
Jotun enfurecido virou-se para trás e o atacou de forma rápida, quando Alexis nem sonhava em ataca-lo, apenas teve tempo para defender-se e bem mal.
Mais ataques vieram contra ele, Alexis recuava e defendia-se, e quando olhou para baixo percebeu que estava abaixo do caldeirão, Jotun deu um sorriso malicioso e pensou: “Finalmente te peguei, blasfemador!”
Ficou no final do galho, além de ter de manter o equilíbrio e se defender, tinha de olhar para trás e tomar cuidado dobrado com seus passos, como iria conseguir derrotar o rei dos bárbaros? Como iria conseguir fazer cair um alguém tão experiente em guerras?
Jotun fadigou-se, o intervalo... Aquela era a chance de Alexis! Ele então velozmente atacou-lhe com uma grande estocada, direto na sua coxa direita, a lâmina atravessou o osso e a ponta alcançou o outro lado.
O sangue se espalha na lâmina feito tinta, algumas gotas espirraram pela face clara de Alexis, rapidamente estirou a espada, impressionado, Sr.Coleman não o havia ensinado aquele golpe.
Jotun se sentiu dor, não demonstrava, a fúria em seu semblante era capaz de omitir qualquer outra emoção que era capaz de sentir, e deu um forte golpe frontal, Alexis se defende, mas tal foi a força aplicada pelo Herzog que o garoto foi empurrado para fora do tronco.
Consorte Alexis segurou-se no tronco com seus braços, e o bárbaro com dificuldades para se equilibrar e andar, percebendo que o seu inimigo ainda estava vivo, correu. Mas aquilo tinha sido um grave erro no estado em que estava a sua perna.
A dor em sua perna aumentou ainda mais quando fez muito esforço, para não ter de continuar com aquela dor tortuosa tentou equilibrar-se de uma forma melhor, estava próximo ao seu destino desejado, de finalmente conseguir matar o blasfemador; mas deu um passo em falso, a sua perna ferida tentou pisar em meio ao ar, então Jotun perdeu o equilíbrio e caiu, mergulhando de cabeça nas águas ferventes do caldeirão cinza.
Alexis seguiu-o com os olhos, Jotun, o Herzog, após ter entrado não mostrou sinal algum de vida, o garoto pensou que já havia morrido, porém Jotun emergiu das águas novamente aos gritos, fumaça saía de sua pele, sangue derramava-se de muitos ferimentos que se abriram, bolhas cresceram e explodiram em sangue, a agonia aumentava com o bárbaro remexendo-se para que aquele líquido saísse de seu corpo, mas a única coisa que mudava era o som de seus gritos.
O garoto virou o olhar, pois não aguentava ver mais aquela cena, com esforço nos braços puxou seu corpo para estar sobre o galho outra vez, e depois disso, levantou-se, e equilibrou-se com as pernas para não cair.
1 passo, 2 passos, 3 passos, 4, 5 passos, relutava em olhar para baixo, 6, 7, ouviu o som de um quebrar, 8, 9, os gritos de Jotun eram cada vez mais altos, a culpa no interior de Alexis também, mas... 10, 11, não podia deixar-se enfraquecer, 12, 13, estava cada vez mais perto, 14... descobriu a origem do som de algo se quebrando, era aquele mesmo galho, 15, 16, faltava muito pouco, o galho se quebrou e começou a cair, Alexis salta.
Ouviu-se o som de um objeto mergulhando, Alexis conseguiu pousar em segurança no centro da árvore.
O grito de Jotun não era mais ouvido, a sensação de culpa também havia desaparecido.
Um bárbaro de olhos verdes, 3 cicatrizes na face, uma na testa e as outras nas duas bochechas, cabelo ruivo com uma longa trança que chegava até o início da coxa, longa e protuberante barba, empunhando uma grande lança de duas pontas nos braços, correu até Micaelle.
A caçadora estava atenta ao adversário, o bárbaro executa um ataque de esquerda, ela se defende, e é levada pela arma do inimigo bruscamente para a esquerda e cai.
Não muito distante dela, o bárbaro vai até ela e lhe lança uma grande estocada apesar de sua mochila ter amortecido a queda, Micaelle percebeu que o objeto a faria ter dificuldades na hora de se esquivar, tirou uma alça e a lança veio depois, fortemente interpôs a espada e conseguiu afastar a lança.
O bárbaro então velozmente atacou um grande ataque de direita, consorte Micaelle conseguiu tirar a outra alça e levantar-se e a mochila levou o ataque.
Ela recuou alguns passos um pouco aflita, e o guerreiro impiedosamente executou diversos ataques: esquerda, direita, esquerda, direita, esquerda, Micaelle defendeu-se de todos com êxito, os ataques vinham das duas pontas das lanças, de certa forma a variação de forças confundia a visão do adversário, não se sabendo para qual lado atacaria, uma espécie de arma que provocava confusão ao raciocínio, por isso seu dono a chamou de Babel.
O bárbaro lançou uma grande estocada, Micaelle se defende, mas a arma lhe alcançou a bochecha esquerda, apenas o que a garota conseguiu foi impedir um estrago ainda maior, com força ela tentou afastar a lança, mas a força do bárbaro era maior, que a fitou com alegria, pois havia a conseguido encurralar, lhe abriu um pequeno corte diagonal e recuou.
Micaelle sente uma pontada de dor e quando tocou com a mão desocupada no ferimento percebeu que estava sangrando, quando fitou os olhos de seu inimigo novamente, percebeu que eles brilhavam de divertimento: “Ele podia ter me matado se quisesse, então por quê não fez?”; pensou Micaelle, o bárbaro mostrou que iria atacar para a esquerda, Micaelle se defendeu, mas não veio ataque algum, o lanceiro sorri e através dele a garota viu que ele estava brincando com ela.
E então ele realmente atacou de esquerda, Micaelle consegue se defender a tempo, o bárbaro forçou a Babel contra ela, com esforço a caçadora luta contra a arma, e quando se vê estava sendo arrastada para trás contra a sua vontade, á medida que recuava impedia-se de tropeçar com as pernas.
Mais o lanceiro era astuto e com a outra ponta da Babel ele a faz tropeçar.
O bárbaro ameaçadoramente aproxima-se com a sua lança, Micaelle levanta a sua espada contra ele, o lanceiro lança um forte golpe com a ponta direita direto na mão, Micaelle sentiu tanta dor que soltou a espada para o lado direito e para longe de seu alcance, o lanceiro então lança uma estocada direto na sua barriga.
Micaelle arregalou os olhos e rolou para a direita, levantou-se e correu até sua espada, quando sente uma grande pontada de dor por detrás do joelho esquerdo, percebeu então que Babel havia penetrado um pouco na sua carne, aos poucos... a ponta afundava cada vez mais, estava tão próxima de alcançar a espada, faltava tão pouco... e conseguiu pegar! E atacou direto na sua bochecha.
O bárbaro recuou os passos com uma dor ardente, Micaelle fitou a espada, orgulhosa de si mesma, e veio-lhe a lembrança do que passou para consegui-la, a luta com Sr.Coleman, quando ele lhe disse que para que conseguisse duelar com ele, imaginasse que... sua espada era uma flecha, e assim conseguiu o vencer... se havia conseguido imaginar aquilo, por quê não fazer também de conta que a sua espada era uma lança?
Pelo que notou do bárbaro combatendo, não parecia ser muito difícil, uma arma leve, flexível, funcionava a longa distância e seus ataques eram básicos, o semblante de Micaelle brilhou quando o selvagem veio contra ela, ansiando para pôr seu plano em prática, mais ataques vieram-lhe: esquerda, direita, frontal, inferior para lhe fazer tropeçar, Micaelle salta, esquerda, direita, esquerda, o bárbaro fadigou-se então, e a caçadora partiu para a ofensiva com uma mão esquerda na lâmina e a outra no cabo.
Esquerda, o bárbaro tenta defender, mas é golpeado na face com outro corte, direita, sua bochecha avermelha-se, direita, esquerda, esquerda, esquerda, direita, esquerda.
O bárbaro ficou atordoado, quando pensava que sabia para onde atacaria, era surpreendido com um ataque de outra direção, assim, provando do que sua Babel havia proporcionado a seus rivais, porém apesar disso, o lanceiro sabia como driblar-se da arma que ele mesmo manejava, Micaelle fadigou-se e atacou novamente, o guerreiro abaixou-se e contra-atacou com a parte central da sua lança, a de madeira, ataques consecutivos e rápidos, e a garota, ocupada demais em tentar defender-se dos ataques, não conseguia perceber para onde seu inimigo a estava levando: ao horrendo caldeirão de sacrifícios, quando enfim aprendeu-se a defender-se sentiu um calor percorrendo suas costas, e algumas gotas começavam a tocar sua pele, quando se deu conta estava a um triz de cair naquelas águas, o bárbaro sorri com satisfação e pensou: “Ela é mais tola do que Jotun pensava...”.
Alexis pensava em uma forma de conseguir escapar daquela árvore, sem que o cavalo de Jotun percebesse e o fizesse morrer jovem, mas o animal era sagaz, e em qualquer lugar que o garoto pensava em ir, ele corria para lá também.
Tentou o assustar, mexendo os braços e até mesmo fazendo caretas, mas o cavalo mantinha-se firme e atento feito uma sentinela, se Alexis aguardasse o momento que aquele animal se cansasse, morreria naquela árvore mesmo.
Começou então a refletir... como conseguiria despistá-lo? Mesmo se conseguisse ir correr em outra direção, cedo ou tarde o cavalo o pegaria.
Foi quando teve uma ideia, correu para a esquerda por alguns instantes, o cavalo como esperado o segue também, Alexis frea, e toma impulso com as pernas para saltar, e pousou aonde desejava, nas costas do cavalo.
“Se não pode vencê-los, junte-se a eles”, pensou Alexis travesso, mas esqueceu-se de um pequeno detalhe, o cavalo havia sido o animal de estimação do mesmo bárbaro que os fez desmaiarem, quase havia matado Micaelle e os cozinhou vivos, e o animal lutou para arrancá-lo de cima dele, remexendo-se violentamente e levantando as patas da frente, Alexis persistia nas rédeas, segurando-as firmemente, até enfim conseguir puxar a embocadura domando enfim o cavalo do rei dos selvagens.
Ao longe avistou Micaelle e um bárbaro de lança quase a afogando no caldeirão
__ Agora é a minha vez de te salvar!__ pensou Alexis em voz alta
E avançou trotando meio torto, posicionou a espada quando estava bem próximo atacou com uma grande estocada no pulmão, o selvagem a soltou em segurança e foi arrastado pelo garoto, em seus últimos momentos tentou freá-lo com os pés, e escapar da tortuosa espada, mas não conseguia, sua respiração pesava feito chumbo, Alexis estirou a espada e o lanceiro estatelou-se no chão.
Alexis retomou caminho em direção á Micaelle, que tentava entender o que havia ocorrido, fitou o caldeirão de água quente, aliviada por não ter mergulhado naquelas águas, viu um galho flutuando e as águas estranhamente estavam vermelhas, havia tantas perguntas na mente...
Quando um braço humano emergiu das águas tentando agarrá-la, Micaelle assustou-se e recuou alguns passos
__ Você está bem?__ disse uma voz
Quando olhou para trás notou que era Alexis, montado em um cavalo, não demorou muito tempo para que entendesse que ela havia a salvo, mas...
__ Como... conseguiu esse cavalo?__ indagou ela franzindo a testa
__ Eu não tenho tempo pra explicar, depois eu digo, precisamos ir embora daqui!__ havia certo medo naqueles olhos de jabuticaba__ você está bem?
__ Estou
__ Então vêm
Micaelle subiu no cavalo com a ajuda de Alexis, que disse quando bateu os calcanhares no cavalo e o animal avançou passo
__ Precisamos encontrar o Tony e o Marcelo, e sair bem rápido desse lugar horrível!
Quando um martelo atacou Alexis direto na barriga, que foi empurrado para trás levando Micaelle junto, e ambos caíram do cavalo, que continuou correndo, e depois se foi... e uma grande chance de escaparem também
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