A traição de Alana
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Eu sinceramente esperava que meu pai fosse aparecer em meu sonho, até porque tudo indicava isso. Quando minhas pálpebras se fecharam, eu me encontrei lutando contra Diana, uma ninfa da rocha, e minha meia irmã. Para você ter uma ideia, eu tenho cerca de 10 irmãos, sendo que apenas eu sou a semideusa da família, pois os demais são frutos de relacionamentos entre meu pai e boa parte das ninfas que vivem entre as montanhas. Quando descobri isso, fiquei com certo nojo já que para mim, Pugnis Rex apenas amava minha mãe, mas me toquei de que com os deuses as coisas são diferentes. Meu pai disse que amava de verdade minha falecida mãe, e que foi por esse motivo que decidiu ter uma criança com ela, pois notou que eu iria ser uma garota de um grande futuro (É isso aí, eu Alana, já era demais antes mesmo de nascer).
Contudo, Pugnis era um deus da montanha, e o senhor de muitos outros deuses de sua região. Ele não poderia tomar como esposa uma simples mortal como minha mãe, sem sofrer retaliação de seus súditos. E foi por isso que ele se casou há séculos atrás com uma ninfa da terra, tendo com ela inúmeros filhos – sendo mais da metade de meus irmãos e irmãs –, mas permaneceu tendo relações extraconjugais com outras ninfas e mortais, como minha mãe (Acho que Hera e minha madrasta deveriam criar uma associação para cornas eternas. Vou jogar essa ideia quando retornar para o palácio de meu pai).
Enfim, como eu estava dizendo: Meu sonho começou com uma luta entre mim e Diana, uma das filhas mais velhas de meu pai, e também uma das líderes de seu exército. A garota de pele cinza, cabelos vermelhos, orelhas pontudas e intensos olhos verdes como folhas novas de árvores; lutava comigo incansavelmente, em prol de saber se eu estava mesmo apta para entrar em seu exército de guerreiros que iriam marchar contra os monstros de uma das montanhas de meu pai, que ameaçavam tomar aquele território para eles. Após lances rápidos com espadas e ataques de rochas, Diana acabou por me vencer, me deixando presa ao chão, apenas com a cabeça e o pescoço para fora da terra, enquanto sua espada prateada levantava meu queixo para cima.
— Gosto que meus oponentes olhem para mim quando são derrotados. – Disse Diana me fazendo ficar irritada.
Uma grande parte de mim quis chorar de raiva por ter perdido, mas a outra parte me convenceu de que nada seria mais humilhante do que isso. E foi aí que meu pai surgiu e me incentivou a me levantar. Com o resto de minhas forças, eu saí daquela prisão de terra e voltei a lutar ferozmente contra Diana. Infelizmente fui derrotada pela mesma, mas ainda sim entrei para seu exército devido minha valentia e coragem.
Foi exatamente nessa parte do sonho que minha Tia apareceu. Ela alongou o corpo de Diana bilhões de vezes, até ficar tão grande quanto um prédio gigante. Seus olhos azuis pareciam holofotes de tão brilhantes, e seus dentes de pedras preciosas eram quase uma espécie de arco-íris bizarro.
— Vejo que conseguiu entrar tranquilamente no acampamento dos semideuses, minha cara sobrinha. –Disse Aitna para mim.
— Pois é – Respondi –, Até que não foi difícil encontrar o lugar certo.
— Imagino que não, mas eu quase perdi as esperanças em você sabia minha querida? – Disse Aitna com um tom melancólico na voz. – Aquele incidente no Haiti quase me fez acreditar que você não sairia viva dali.
Talvez você esteja se perguntando sobre o que a louca da minha tia está dizendo. Não se culpe por isso, afinal eu omiti algumas coisas de vocês. Mas enfim, para chegar até LongIsland, eu tive que atravessar meio mundo, e não, não estou brincando quando digo isso. Para você ter uma noção, eu saí da Itália, fui para Espanha, passei para Portugal onde peguei um navio com comerciantes Ciclopes, e viajei com eles por quase todo o oceano atlântico, onde fomos atacados por monstros marinhos várias vezes ao dia, até nosso navio ser devidamente destruído quando chegamos próximos do Haiti, por um polvo gigante e nojento.
Acho que essa foi única vez que eu estive mais próxima da morte em toda minha jornada até o acampamento meio sangue. Depois disso uma onda de monstros me atacou, mas eu fiz amizade com um grupo de Harpias que me levou até Nova York. Se hoje estou aqui relatando isso a vocês, eu devo isso a essas garotas de asas e comedoras de gentes (Sério, amo isso nelas).
— Eu não iria ser parada por um simples polvo, minha querida Tia. – Eu disse.
– Não se sinta corajosa demais, minha bela sobrinha. Muitos semideuses de grande poder pereceram ao mar. O elemento de Poseidon é repleto de seres muito poderosos. – Disse Aitna.
— Desde quando você virou defensora de Poseidon?
— Não me tornei defensora do deus do mar. – Disse Aitna sem sequer tirar os olhos de mim. – Mas ele de todos os demais deuses, é o que menos odeio. Na verdade eu até gosto do deu do mar.
Revirei os olhos com aquele comentário. Minha tia Aitna era assim, sempre se apaixonava fácil, embora não tivesse filhos, o que era algo curioso de sua parte.
— Enfim.. – Disse a Deusa. – Eu não estou aqui para ficar falando de Poseidon. Estou aqui para lhe dizer qual o próximo passo que você deve seguir.
Aitna me colocou em cima de sua palma direita e me elevou até seus olhos ficarem próximos de mim igual dois sóis extremamente brilhantes.
— Você tem que procurar por Kara, uma semideusa filha de Hécate que vive no acampamento. Ao encontra-la, diga a palavra: Castelli, que ela irá ajuda-la. A garota tem dons mágicos grandiosos e sabe o resto do plano. Encontre-a e juntas destruam o território dos deuses.
— Ok, legal. – Eu disse. – Mas uma pergunta: Quanto tempo temos para finalizar nossa missão?
— Bom isso eu não sei, mas acho que Kara já deva saber. Ela sabe que você chegou, e deve está te procurando também. – Aitna se abaixou de me colocou no chão.
— Por enquanto isso é tudo minha querida. – A deusa acrescentou. – Tenha cuidado para não levantar suspeitas, pois esse Leo Valdez pode te prejudicar.
Bufei ao ouvir o nome daquele filho de Hefesto retardado.
— Ele que não se meta em meus assuntos. – Respondi.
Aitna sorriu.
— É assim que se fala, minha sobrinha mortal preferida.
— Sou sua única sobrinha mortal. – Respondi.
—Exatamente. – Disse Aitna. – Em breve nos veremos de novo. Agora acorde e bata em seus companheiros de chalé, pois dois deles estão mexendo em suas coisas dentro do baú.
— O que?
— Adeus Alana. – Disse Aitna, me fazendo acordar.
A primeira coisa que ouvi foi duas vozes masculinas próximas de minha cama.
— Cuidado Alec, ela pode acordar a qualquer minuto. – Disse um garoto de cabelos ruivos.
— Acalme-se, Clóvis. Ela dorme igual a uma pedra. – Respondeu Alec. – E deve ter alguma coisa de valor para a gente roubar. Os novatos sempre tem.
Assim que ouvi as palavras de Alec, um grande sorriso surgiu em meu lindo rosto.
— É verdade, eu tenho coisas valiosas aí dentro. –Eu disse levantando meu punho. – Mas vocês ganharão algo muito melhor de minhas mãos.
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