A traição de Alana
9 A traição de Alana 9
Após ter tido um excelente banho, vesti um jogo de roupas limpas (uma calça jeans azul, uma blusinha de manga longa preta, e um par de botas marrons), e saí do banheiro criado pelos filhos de Hefesto para me encontrar com Lohane, que estava justamente onde havia dito que ficaria: no lado da imensa porta de ferro.
Um sorriso brilhou no rosto dela assim que me viu.
— Você é realmente uma garota elegante. – Ela disse.
Eu fiquei tentada a dizer: Sim, é claro que sou; afinal Alana Montechio e moda são irmãs gêmeas. Mas não disse isso, primeiro que não sou chegada à moda, e segundo, porque tenho que ser amigável com as pessoas – O que para mim vai ser algo difícil a se fazer.
Por fim, apenas agradeci e então caminhamos de volta ao chalé 11, onde me deitei em minha deliciosa cama, esperando tirar uma bela soneca de fim de tarde. Infelizmente minha tentativa de dormir foi arruinada de início por Lohane que não parava de falar comigo, e como eu disse acima, tenho que fazer amigos, porque se não fosse por isso, eu já a teria mandado ir à merda.
— E então, onde você nasceu? – A garota me perguntava.
— Verona, na Itália. – Respondi fechando aos poucos os olhos cansados.
— Nossa então você é Italiana? – Lohane comemorou, batendo palmas de alegria, e me obrigando a abrir os olhos.
Não, eu nasci na Itália, mas sou australiana, pensei em dizer, mas no fim disse:
— Sim, sou italiana.
— Deve ser muito legal falar outra língua, não é mesmo?
Dei de ombros e respondi:
— Para mim é normal. Gosto mais de falar Italiano, mas o inglês também tem seu charme.
— Fala algo em Italiano para mim?
Bocejei por alguns segundos então disse:
— Talvez outra hora; no momento estou querendo dormir.
— Tudo bem, você deve está muito cansada né?
— Com certeza.
— Gostaria que eu fosse embora?
— Se quiser. – Respondi.
— Certo, então depois nos falamos. – Lohane disse.
Balancei a cabeça em sinal de positivo e me virei de bruços, tentando assim acabar com aquela conversa fiada com Lohane e poder ter um tempo para mim mesma. A semideusa pareceu entender o recado, e então me deixou sozinha sem antes dizer:
— A propósito, eu sou de Nova York mesmo!
Como resposta ao que disse, Lohane recebeu um breve roncar de minha pessoa; pois quando estou muito cansada, eu acabo por roncar (sim, isso é estranho, porém verdade).
Como já era de se esperar, meu sonho não foi muito relaxante. Para semideuses como nós, os sonhos muitas vezes são formas que os deuses utilizam para nos contatar. Minha tia por sinal sabe muito bem disso, pois foi ela quem apareceu em meu doce e breve sonho.
— Temos que conversa minha querida sobrinha. – Aitna disse enquanto me fitava com aqueles grandes olhos azuis feitos de diamantes.
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