Todos fizeram uma longa reverencia a deusa Atena. Por sorte a coruja não havia se transformado na forma divina da deusa, porque todos ali que a olhassem seria pulverizados na hora.

Assim que todos se levantaram, Quíron veio trotando de longe para dar as boas vindas à deusa.

— Senhora Atena, qual a honra desta visita?

— Meu caro Quíron. São alguns motivos importantes. – começou a deusa – Vim anunciar um grande problema do Olimpo, e também reclamar pessoalmente meu filho. – Ela fitou John com seus olhos acinzentados.

Um clima de tensão pairou sobre o pavilhão. Nunca um deus anunciou pessoalmente uma missão no Acampamento.

— Mas antes, gostaria de ter um conversa com meu filho. A sós. – falou a deusa.

…

Dionísio cedeu a sala da Casa Grande para a conversa entre Atena e John. O garoto estava claramente apreensivo, ele mal conhecia a mãe, não sabia o que esperar.

— John Martinez, meu filho. Como você está crescido. – disse ela – Queria ter podido acompanhar seu crescimento, queria que você tivesse uma infância melhor. Queria que seu pai estivesse vivo.

Pelo olhar da deusa John percebeu que ela sentia mesmo tudo que havia acontecido com ele.

— Mas, o que aconteceu? Eu não me lembro de nada. – respondeu John, muito curioso para saber seu passado.

— A história é longa e é exatamente isso que eu quero conversar com você: “Há alguns anos atrás fui conferir pessoalmente uma nova estátua que foi erguida para mim, em nome da sabedoria, na Northwest University”.

“Seu pai estava na ao lado da estátua, apreciando a leitura de um livro sobre seu curso de mitologia antiga, ele era exatamente como você, pele branca, cabelos castanhos, só os olhos que eram diferentes, eram azuis, seu some era Antony Martinez”.

“Interessei-me por ele após uma longa conversa sobre os assuntos da história antiga, depois de sairmos muitas vezes, me apaixonei por ele e então contei a ele quem eu era; Ele ficou maravilhado por estar com uma deusa, decide dar a ele um filho meu; Assim como eu surgi da cabeça de meu pai, você surgiu da cabeça de Antony”.

“No começo foi muito difícil, pois nós, deuses, não temos permissão para intervir na vida de nossos filhos semideuses, seu pai cuidou muito bem de você, até o dia em que as górgonas atacaram a casa em que vocês moravam”.

“Consegui ajudá-los a fugir do local, vocês estavam fugindo do local no carro de seu pai, quando um grifo posou sobre o capô do carro e avançou contra seu pai, consegui protegê-lo, mas seu pai foi atacado, lutei contra os monstros até destruí-los e quando foi a socorro de Antony vi que estava gravemente ferido”.

“Ele não resistiu”.

Atena fez uma pausa na história, se deuses chorassem John podia jurar que ela estava chorando. Ficar sabendo de sua historia desta maneira foi um pouco chocante para John, mas ele estava realmente grato por estar sabendo de tudo por sua própria mãe.

— Eu não podia colocá-lo aqui no Acampamento Meio-Sangue, você era muito novo ainda, então coloquei você em um orfanato onde ninguém o procuraria, onde você não iria correr nenhum perigo. – continuou a deusa – E aqui está você. – os cabelos negros dela se esvoaçaram com a brisa leve que entrava pela janela – Um futuro herói, porém bastante orgulhoso. Ao desafiar uma filha de Ares, você se mostrou um verdadeiro filho de Atena, ardiloso e sábio. – ela sorriu para John – Você não pode se deixar levar pelo orgulho meu filho, por isso quero que você lidere uma missão, para solucionar o problema que temos em mãos.

— Mas eu não tenho quase nenhum treinamento. Como conseguirei liderar uma missão? – protestou John.

— Um filho de Atena sempre tem uma estratégia na manga. Você vai se sair bem. É necessário que você sai nesta missão. Por isso sou a informante. Agora vamos voltar ao pavilhão.

Mas antes deles saírem, Atena fez uma coisa que surpreendeu John. Ela o abraçou. Um caloroso abraço de mãe.

…

John e a deusa Atena voltaram ao pavilhão. O assunto que ela tinha para tratar parecia sério, pois ela ordenou que todos do Acampamento se reunissem no pavilhão. Agora que cada semideus estava na mesa de seu chalé, John percebeu que o Acampamento não estava realmente cheio. Connor Stoll contou para ele certa vez que durante o ano ficam no Acampamento apenas os semideuses fixos, segundo ele, durante as férias de verão o numero de campistas triplica.

Na mesa do Chalé de Atena estavam sentados aproximadamente oito campistas contando com John, Lewis e Annie (que era a conselheira substituta, quando sua irmã Annabeth Chase não estava presente) estavam sentados na ponta, e outros dois garotos e três garotas estavam dos outros lados. John olhou para a mesa do Chalé 3, Peter, Carol (Caroline) e Selene estavam sentados lado a lado. Eles eram os únicos filhos de Poseidon do Acampamento, com exceção de tal de Percy Jackson, que segundo alguns campistas, ele em uma missão secreta com Annabeth Chase e alguns outros campistas.

Atena nem sequer se sentou continuou de pé, segundo ela uma reunião do conselho olimpiano fora marcada às pressas e eles a estavam aguardando.

— Hécate, deusa da magia está correndo perigo, ela foi aprisionado, comprometendo seus poderes sobre a névoa, e isso coloca em perigo todo o mundo mortal. Por isso ordeno que meu filho recém-reclamado lidere uma missão de busca. Quíron siga a tradição, faça uma reunião com os conselheiros de cada chalé e decida o destino da missão. Tenho que ir. – ela se virou para a mesa do chalé 6 – Espero o máximo de vocês meus filhos.

A deusa se dissolveu em uma névoa prateada, neste mesmo instante, uma garota ruiva que estava junto a Quíron e ao Sr.D na mesa central do pavilhão se aproximou de John. Ela ficou envolta por uma névoa verde, seus olhos ficaram vagos e quando ela falou sua voz parecia triplicada:

“Um grupo de semideuses para o sul seguirá,

A força de Hécate um irá sustentar,

Renascida do caos, ressurge a maligna feiticeira,

Que com a própria mãe será traiçoeira.

Apenas cinco deverão viajar,

Para que no final não se possa falhar.

O poder da névoa está no alvo,

Pelos filhos de Atena o mundo será salvo”.

Assim que a menina se calou, dois semideuses a colocaram sentada num banquinho de três pernas. E o silêncio pairou no ar. Diante disso, Quíron mandou que os conselheiros de cada chalé se reunissem imediatamente, com a participação de John.

Peter acompanhou Jonh até o conselho, que necessariamente era a sala de jogos de Dionísio, na Casa Grande. Peter estava apreensivo, era muita coisa acontecendo em uma noite só. Primeiro a disputa pela arma entre John e Stephan, depois John é reclamado e Atena aparece contando de um grande problema com Hécate, agora uma profecia. Se Peter não tivesse explicado a John que Rachel (a garota ruiva) era o oráculo e que o que ela falou era uma profecia, John teria se assustado ainda mais.

Quando eles chegaram perceberam nem todos os conselheiros chefes estavam presentes, já que só haviam doze semideuses, sendo dois eram do chalé de Hermes, dois de Poseidon e dois de Atena. O ultimo a chegar foi o Sr. D que se sentou, abriu uma lata de Diet Coke e ficou calado com uma cara de tédio. Quíron iniciou a reunião dizendo:

— A própria deusa Atena ordenou uma missão, então vamos aos preparativos e à discussão dela.

Jonh estava com tanto medo dessa missão, que nem percebeu que suas mãos ainda sangravam. Ele as enrolou na manga do casaco. Malu, a filha de Apolo, foi até ele, murmurou algumas palavras e o sangue estancou. John então se lembrou de que Apolo também era deus da medicina.

— Atena me informou o mundo mortal está sofrendo várias interferências vinda do nosso mundo. E que isto está sendo causado pelo sumiço da deusa Hécate, que controla a névoa. – continuou Quíron.

— Bom então devemos partir ao amanhecer, e acho eu deveria ir nesta missão e não o recém-reclamado de Atena. – disse Clarisse.

— Primeiro se você não percebeu eu devo guiar a missão. – disse Jonh, fazendo todos se surpreenderem já que ele quase nunca falava.

Clarisse o fulminou com o olhar, mas se manteve calada.

— Jonh tem razão, Atena deixou bem claro que essa é uma missão dele, com certeza para ele mostrar seu valor. E de acordo com a profecia de Rachel ele deverá escolher mais quatro integrantes. Um filho de Atena e mais três campistas.

— Porque outro filho de Atena? – perguntou Travis.

— A profecia dizia: “Pelos filhos de Atena o mundo será salvo”. Supõe-se que seja necessário mais de um filho de Atena nesta missão.

— Como John é o líder da missão. Ele deverá escolher quem ele quer que o acompanhe.

— Eu gostaria que a Annie fosse à segunda de Atena a participar da missão. – falou Jonh – E que o Peter e a Malu me acompanhassem também, se concordarem com isso é claro.

— Bom nós concordamos! – disseram Malu, Annie e Peter em uníssono.

— Falta mais um componente. – falou Quíron.

— Carol? – arriscou John.

Carol sorriu em concordância. Todos os campistas concordaram, com exceção de Clarisse que saiu da sala bufando dando o conselho por encerrado.