Peter acordou mais cansado do que quando foi dormir. Os seus sonhos essa noite foram mais intensos do que de costume.

Ele se via em uma caverna de pedras escuras e um grande lago negro no meio. No alto de uma enorme rocha havia uma enorme prisão, com barras de bronze celestial e algum outro material que Peter não reconheceu.

A prisão estava envolta de uma névoa vermelha e densa. Dentro dela estava uma mulher caída, não parecia morta, mas muito fraca. A névoa estava tão densa que Peter não conseguia ver a mulher muito bem, mas a pele dela era muito pálida.

— Hécate?! – deduziu Peter.

A mulher gemeu.

De um ponto mais alto da caverna, a mesma névoa vermelha se avultou, formando um corpo de outra mulher. Essa era alta, esbelta, estava bem forte. Seus cabelos vermelhos se uniam à névoa com se fossem uma coisa só. Usava uma longa túnica rubra de mangas longas que se afunilava no corpo. Seus olhos eram completamente brancos, sem pupila, sem íris, sem nada.

O que mais apavorou Peter foi que estava abaixo desta mulher. Os corpos de Annie e Caroline jaziam em uma enorme poça de sangue.

— Jovem semideus, sofra minha ira e meu poder. – falou a mulher que lançou a névoa em Peter que caiu no chão com um baque.

Peter acordou com um susto e ensopado de suor. Ele olhou para os lados e viu Carol e Selene dormindo tranquilamente. Mais ao longe no Chalé estava a cama de seu irmão mais velho, Percy Jackson. A fonte de água brilhava a um canto do quarto.

Percy havia saído em missão junto com Annabeth Chase, sua namorada, a mando de Quíron. Peter não sabia muito bem sobre o que era a missão, mas sabia que era importantíssima.

Uma ideia surgiu em sua cabeça e ele pulou da cama. Precisava conversar com Annie.

Ele saiu do chalé ruidosamente, se encaminhou para uma janela do fundo do chalé 6. A janela que dava para a cama de Annie. Ele deu três batidinhas no vidro que foi suficiente para acordar Annie. Ela sorriu quando ele a chamou.

Alguns minutos depois. Peter e Annie estavam no estreito de Long Island sentados na areia, na claridade da lua.

Peter passou os braços pelos ombros de Annie e a puxou para o seu peito. O cabelo dela cheirava à flores do campo e Peter achava o abraço dela aconchegante.

— Tive um sonho muito ruim essa noite? Estou preocupado. – falou Peter.

— Calma todos nós, semideuses temos sonhos ruim. – Annie respondeu.

— Que muitas vezes mostra a realidade. Você sabe disso.

— Mas sobre o que era o sonho? – perguntou Annie olhando para os olhos verde-mar de Peter.

— Parecia ser sobre a missão. Havia muita névoa, e uma deusa presa, supus que fosse Hécate. Mais no alto da caverna onde eu estava surgiu uma mulher que eu nunca vi na vida. E aos pés dela, você e Carol estavam mortas.

Annie não respondeu nada. Só ficou olhando Peter, pensativa.

— Tive esse mesmo sonho na semana passada. Só que eu olhava você morto aos pés de uma mulher que também nunca vi na vida. No dia você havia saído para resgatar os semideuses em Seattle, por isso fiquei feliz quando te vi são e salvo. – falou ela.

— Será que este sonho está realmente ligado a essa missão?

— Não se preocupe. Acho que o problema com a névoa informado por Atena deve estar interferindo em nossos sonhos também.

— Não quero te perder. – murmurou Peter.

— Nem eu.

Os dois se beijaram e permaneceram abraçados ouvindo as ondas que se quebravam na baía.

…

Faltando praticamente meia hora para o amanhecer, Peter e Annie voltaram aos seus chalés. A mochila dos dois já estava arrumada com tudo que eles precisariam na missão. Néctar, Ambrosia, Roupas, Dracmas de Ouro, dinheiro dos mortais, e alguns lanches, como: Barrinhas de Cereal, cookies de chocolate e etc.

Quando Peter chegou ao chalé 3, Carol já estava acordada se arrumando.

— Estava pensado em passar uma mensagem de Iris para nossa mãe. – falou ela.

— Você acha necessário preocupá-la com isso? – perguntou ele.

— Mas e se acontecer alguma coisa.

— Ok. Só me espere por um minuto.

Peter foi até ao banheiro troca de roupa, e quando voltou ao quarto, Carol já estava aguardando ele perto da fonte.

O sol que surgia no horizonte e entrava pela janela, foi suficiente para criar um pequeno arco-íris.

— Ó Iris, Deusa do Arco-íris, mostre-nos, Mary Campbell, Los Angeles, Califórnia.

O arco-íris tremeluziu e tomou a forma de uma mulher muito parecida com Caroline, com exceção dos olhos que eram cor-de-mel, e seu cabelo castanho anelado estava cortado no ombro.

Peter e Carol moravam com a mãe em Los Angeles quando descobriram que eram semideuses. Peter tinha 13 anos e Carol, 14. Eles foram atacados por górgonas quando voltavam da escola. Poseidon havia mandado Percy ir buscá-los junto com um sátiro chamado Grover e Annabeth. No momento que as górgonas apareceram Percy, Annabeth e Grover chegaram defendendo eles. Depois dos monstros destruídos os três levaram Peter e Carol pra casa, e lá a mãe dele contou toda a história. Ela e Poseidon haviam ficado duas vezes gerando Peter e Carol. No dia seguinte, já no Acampamento Meio-Sangue eles foram oficialmente reclamados filhos de Poseidon.

Como a Califórnia é bem longe de Long Island, Peter e Carol passam a maior parte do ano no Acampamento, só retornam para a casa nos feriados.

Mary acordou assustada, já que na Califórnia ainda é madrugada.

— Filhos?!

— Olá mãe – disseram Peter e Carol juntos.

— Aconteceu alguma coisa?

— Bem, sim e não. – começou Carol.

— É porque estamos saindo para uma missão – explicou Peter.

— Muito perigosa?! – indagou Mary.

— É...

— Fala logo Caroline!!!

— É uma missão de busca, temos que encontrar a deusa da magia Hécate. – respondeu Carol.

Peter contou a mãe rapidamente tudo que estava acontecendo. Os novos semideuses, a aparição de Atena, o desaparecimento de Hécate e a missão que Atena deu a eles.

— Muito cuidado meus queridos – falou Mary quase chorando.

— Vamos nos cuidar.

A névoa tremeluziu e a Mensagem de Íris se desfez.

...

Meia hora depois, quando o sol já estava completamente nascido, os semideuses da missão estavam reunidos no topo da colina meio-sangue para partir.

Quíron, Hikari, Lewis, Sun (o namorado de Carol) estavam lá também para se despedirem. Sun é um filho de Apolo de 19 anos, um ano mais velho que Carol. Ele é idêntico a seu pai. Cabelos loiros, olhos claros, tinha uma beleza esportiva.

Carol e ele estavam abraçados, esperando a hora dela partir. Até nisso Peter se sentiu aliviado, pois tinha Annie com ele na missão.

— Meio-sangues. Argos vai leva-los até o Porto de New York. De lá o próximo transporte estará a cargo de Peter e Carol. Que os deuses os levem. – disse Quíron.

— Estarei aqui te esperando. – falou Sun com Carol. Eles se beijaram em despedida.

Hikari e Lewis também se despediram dos cinco semideuses da missão, e assim, Annie, Peter, John, Carol e Malu desceram a colina Meio-Sangue sem saber o que os aguardava.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.