A queda do Muro

1 Capítulo 1. Os Walker


Era um dia quente, mais quente do que qualquer um gostaria. O tipo de dia em que nós gostamos de fazer nada com a barriga virada pro céu, que estava muito bonito hoje, a propósito. Ao sair de casa dei de cara com o Jean, e ele estava carregando aquele maldito livrinho de sempre, apesar de ter nada a ganhar com isso, também não teria nada a perder, então decidi ir falar com ele:

–Bom dia meu irmão, já deve ser a milésima vês que eu pergunto isso, mas, me diga por Deus, o que diabos tem nesse livro que você não deixa ninguém ver?

Jean, meu irmão, 22 anos, o caçula da família para falar a verdade, era também o mais baixo de nós, até mesmo que nossa irmã. Tinha cabelo preto, apesar de estar sempre cortando. Também não era muito forte, mas em compensação, o que lhe faltava em músculos, ele tinha em cérebro, era muito inteligente, não tanto quanto nossa irmã, mas ainda era muito inteligente. Ele estava escrevendo algo naquele livro enquanto andava com aquela cara tonta e engraçada de sempre. Virou pra mim e disse:

–B-Bom dia irmão, sabes que eu não vou mostrar a ninguém o conteúdo deste livro até que ele esteja terminado. Por que continuas a me perguntar isso?

Notei algo diferente em sua voz, algo preocupante, talvez ansiedade, não sei, mas afinal, quem não vive preocupado com algo nos dias de hoje? Eu lhe disse:

–Pff, deverias largar esse livro idiota e vir comigo e nossa irmã ao baile de hoje á noite.

–A Evelyn vai?-Disse ele se referindo a nossa irmã.

–É claro que vai, ela é muito inteligente mas sabe curtir a vida, como eu.

–Então eu também vou! Onde me encontro contigo?

–Aqui mesmo, depois do sol se por, e arrume umas roupas decentes! As garotas gostam de rapazes que andam arrumados.

Dito isso ele saiu em disparada pela rua principal, tenho certeza que vai passar no alfaiate. Não sei se estou vivendo a vida de um jeito certo, se realmente vou me orgulhar desses meus dias de hoje amanhã, mas isso não é problema pra agora.

Subi no telhado de casa, e fiz algo realmente raro, comecei a refletir sobre algumas coisas até que pensei na batalha que se aproximava, ninguém a queria, mas como uma grande tempestade vindo do sul, todos sabiam que ela estava vindo, e como no mesmo exemplo, não havia nada que nós poderíamos fazer além de nos preparar para a chuva. Pensei em papai, em Jean, se ele seria forte suficiente para agüentar a pressão de uma guerra, e mesmo se ele não agüentasse, papai estaria lá para nos salvar, era o que ele fazia de melhor. Richard Walker, Nosso pai, o mesmo que trouxe o nome Walker para família (e acabou ficando definitivo), era um homem bom, e um pai melhor ainda, sempre nos auxiliando na escola ou até mesmo nos treinos de combate. Nem todos gostavam dele, mas todos o respeitavam, e saberia que daria a própria vida para salvar a nossa.

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Em outro lugar, mas não longe da residência dos Walkers, alguém espiava o garoto no telhado.

–Ei chefe, é essa mesmo a família?-disse uma voz, coberta pela escuridão.

–Exato, não falhe hoje a noite, pois caso contrario, quem sumirá será você!

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Quando dei por mim, já estava começando a escurecer, desci do telhado e entrei em meu quarto. Não era pequeno, mas também não era grande, não era confortável mas também não era um incomodo. Comecei a me arrumar e quando terminei parei e olhei para mim mesmo. Bryan Walker, 26 anos, cabelos pretos. Não muito alto, não muito baixo, uns 1,70. Desci para o segundo andar para ver se Jean e Evelyn já estavam prontos para o baile. A casa tinha três andares, meu quarto ficava no terceiro, o de Jean e de Evelyn Ficavam no segundo, e o de mamãe e papai ficavam no primeiro. Evelyn era mais Velha que Jean, mas também era mais nova que eu. Era realmente muito bonita, cabelos Loiros do qual puxou a nossa mãe, e era extremamente inteligente. É, eu não sei se você percebeu, mas eu nunca sou o melhor ou o pior, sempre na média, e não sei se isso é realmente bom. Passei pela porta do quarto dela e ao ver que a porta ainda está trancada perguntei:

–Evelyn, já esta pronta?

–Ainda não!-ela disse.

–No dia em que você se arrumar para um baile rápido, os cães pararão de latir!-disse eu, num tom irônico.

–Esse também será o dia em que você vai conseguir parar de ser um completo idiota -disse ela num tom irritado.

Depois dessa resposta, fui ver o Jean, que pela cara dele parecia que já estava pronto desde o século 16(estamos no século 17, ou é 18, não sei, nunca precisei lembrar das datas, tem quem faça isso por mim) ! Parecia que tinha ouvido meu conselho, e comprou roupas apresentáveis.

Estavamos lá, o baile estava cheio de gente, cheio de “famílias” para ser mais exato, tinha os Mercadé, que era francesa; Giofrino, que era italiana; Skystov,que era Russa; e tinha a gente, os Walkers, todos essas famílias eram as mais ricas do reino, que todas elas juntas formavam “O Grande Muro” econômico da cidade. Eu era amigo dos Giofrino, mas nossa família e os Skystov não se davam bem, e os Mercadé nem fediam nem cheiravam, sempre ficavam em cima do muro. E infelizmente os Brack, ou melhor, o Brack, só sobrou ele, o Manson dá em cima da Evelyn desde que eu me lembro por gente, e aquele idiota veio diretamente na nossa direção, e ainda disse:

–Boa noite, Walker’s. está uma noite maravilhosa hoje, não?

Manson era alto, e relativamente bonito, mas agia feito um babaca o tempo inteiro, mandando gracinhas idiotas para as garotas sem parar. Não sei se tudo aquilo era pra provar pra alguém que ele realmente era um grande galanteador ou se ele só era um baia dum babaca mesmo. Mas o tratamento com a Evelyn era diferente, era muito pior! A convidava para ir a cama com ele sem parar e ainda em publico, e isso me deixava realmente irritado, queria meter-lhe um bom soco na cara, mas Evelyn sempre me segurava, dizendo para não me rebaixar ao nível dele. Eu sabia que ele caluniava-a pelas costas, dizendo que ela já havia ido a cama com ele, ele deve fazer isso com várias garotas, se uma mentira é contada do jeito certo, as pessoas podem até tomar ela como verdade.

–Boa noite Manson, o que queres conosco?

–Ora, que tipo de pergunta é essa?-ele começou a falar mais alto- Quero falar com Evelyn, e não com você!

Ia falar alguma coisa pra ele quando Evelyn me segurou e foi direto a ele:

– O que queres comigo Manson?

–Eu quero saber se tu queres ir comigo a minha cama.-disse ele com uma cara maliciosa.

Nessa hora, a maioria da festa olhou para nós até por que ele estava falando alto.

Evelyn ficou vermelha igual a uma maçã, se virou para mim e disse:

–Por favor Bryan, me leve para casa.-ela tinha lagrimas nos olhos.

Atendi seu pedido e comecei a andar com ela para fora do baile, nem tínhamos dançado, mas era melhor voltar para casa do que ficar no mesmo ambiente que aquele idiota.

–Vai vir comigo para minha cama ou não?- disse ele, com o mesmo sorriso idiota no rosto. Ouvi umas risadinhas de alguns convidados mas eu simplesmente disse:

–VÁ PRO INFERNO!

–Eu vou, mas me diga uma coisa antes: ela vai cobrar dessa vez ou vai fazer de graça de novo?-Ouvi gargalhadas dos convidados. Parei de andar. Virei para ele e comecei a andar em sua direção e vi que ele ainda estava com aquele sorriso. Quanto mais me aproximava dele mais via aquele sorriso sumindo e a expressão dele mudou para uma expressão preocupada.

–O que foi Bryan?Foi só uma piada amigo! O que você vai faz...

Sabe aquele tipo de momemto em que você faz algo sem pensar nos riscos? Sem pensar nas conseqüências? Sabendo que vai se arrepender no dia seguinte? Não foi o caso aqui. Antes dele terminar a frase, dei-lhe um soco no rosto tão forte que o fez cair no chão. Antes mesmo dele levantar eu o agarrei e o joguei contra a parede, e golpeei-lhe na barriga. E então ele reagiu, me empurrando para longe.

– EU VOU TE PARTIR AO MEIO!-Ele disse.

–ENTÃO VENHA SEU LIXO, QUE EU VOU TE ARREBENTAR A CARA VAI SER AGORA MESMO!

E então começamos a brigar, um soco aqui, um chute ali, ele mal conseguia me acertar um soco e parecia que ia desistir a qualquer momento, ele devia estar bêbado, p’ra variar. Ai então eu olhei pelo ombro direito dele, vi uma figura, alguém que estava num canto da festa, me distrai com esse sujeito, fui golpeado por Manson, e de novo, e de novo, e de novo. Mal conseguia me manter em pé, e ele não estava diferente. Quando parecia que nós dois iríamos cair ao mesmo tempo, uma fumaça subiu no ar, e eu senti uma pontada no peito, logo depois cai pra trás.

Abri meus olhos, podia ver um teto baixo acima de mim, uma janela de vidro transparente a minha esquerda e eu devia estar deitado numa cama. Decidi realmente acordar, estava sendo atendido pelo médico, eu estava com uma atadura no peito, e lá também estava o Manson ao meu lado, com curativos no rosto e nas mãos. Falei com ele:

–Seu covarde! Usou uma faca contra alguém de mãos vazias?!

Nessa hora ele olhou pra mim e vi que estava com uma atadura na olho, suja de sangue recente, como a do meu peito.

–Seu ingrato! Alguém tenta te matar, e eu tento te ajudar e você ainda me xinga?

–Que me ajudar que nada!Aposto como foi você que pu...

Antes de terminar a frase apareceu Evelyn e me disse:

–É verdade.Alguém tentou te matar e o Manson tentou te ajudar, mas como ele estava tão ruim como você, não conseguiu fazer quase nada.Só ganhou uns cortes nas mãos.

Olhei para ele e vi que era verdade, me senti culpado por te-lo julgado mal e pedi o seu perdão, impressionantemente ele aceitou.E então voltei a dormir.

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Em outro lugar, naquele mesmo dia, um corpo de um homem encapuzado foi encontrado morto, com o estomago aberto e a garganta cortada.