A queda do Muro
2 Capitulo 2.Os Skystov.
Já estava de manhã quando acordei de novo, e me veio a pergunta: como diabos tinha sobrevivido a uma facada no peito? Dito isso, Evelyn entrou no quarto, estava com olheiras e estava acompanhada de Manson, que estava igualmente com olheiras. Ela sentou-se ao meu lado, e acariciando meus cabelos, perguntou:
–Como está se sentindo, Irmão? -sua voz soava bastante preocupada.
–Parei de vazar sangue, e isso é bom.-disse eu, irônicamente.
Manson fez uma cara de quem iria rir, mas Evelyn fuzilou-o com o olhar.
–Como sobrevivi á uma punhalada no peito?
–Foi graças á isso. -Ela disse, pegando algo na mesinha á minha esquerda.-O relógio de bolso que mamãe te deu.A faca não te matou por que perfurou isso aqui primeiro.
–“Você pode carregar o tempo, mas quem garante que ele continuará correndo?”-li atrás do relógio, escrito no metal, que apesar de estar com um rasgo, ainda podia-se ler aquilo.
–Então já está pronto para apanhar mais?-Disse Manson, com aquele maldito sorrisinho.
–Eu é que lhe pergunto.-disse num tom irônico.
Mesmo estando ali, conversando com eles, minha cabeça estava em outro lugar: quem era o homem encapuzado? Por que ele tentou me matar? Se foi contratado, por quem?
Decidi ir atrás do homem que todos procuravam quando precisavam de respostas: Sasha Skystov.
O castelo de Sasha ficava ao sul da minha e era realmente grande. Ele era ex-guarda real, mas ainda tinha contatos com o Rei, e por isso sabia de tudo que acontecia no reino. Não era o tipo de pessoa com quem você fosse querer uma rixa, mas quem disse que não haviam? Os Walker e os Skystov não se davam bem á décadas, talvez por ficarem discutindo quem tem o melhor poder de ataque:eles, o em terra, e nós o no mar.Essa rixa idiota me irritava bastante, mas não isso não importava muito, só iria perguntar umas coisas á Sasha e iria embora, apenas isso.O castelo dos Skystov era realmente grande, maior que o nosso.Ao entrar já pude perceber olhares feios e gracinhas ditas em russo. Infelizmente o primeiro Skystov que encontrei era justamente o Anisim, 38 anos,era alto,tinha o cabelo loiro levemente puxado para o castanho, graças á sua mãe. Tem uma cicatriz do lado esquerdo da boca até a orelha esquerda devido á um ferimento feito em batalha, tem o apelido de guerra de "demonio gargalhoso" pelo fato de rir enquanto dilacera seus inimigos. Credo.
Não que eu tivesse medo dele, mas ele era realmente ameaçador.
–O que um Walker quer aqui?-disse ele, com a voz mais grossa que já ouvi na vida.
–Quero ver Sasha!-Tentei falar com a voz mais confiante que tinha, pois ainda estava meio fraco, meio com medo, talvez muito fraco e com muito medo.
–Vou perguntar de novo: o que queres aqui?-Disse ele, com uma voz mais grossa ainda.
–Eu disse que quero falar com Sasha, e não com você, sua anta!
Ele fez menção de que iria me dar um soco, mas Sasha apareceu atrás dele e segurou seu braço.
–Me dê licença filho. -Fazendo referencia a Anisim. Ele olhou nos meus olhos e disse:
–Walker, me acompanhe.
–Mas pai...-Disse Anisim, descrente na situação
–Não me faça dizer de novo.
–Mas... Sim senhor...
–Ótimo, Walker, me acompanhe.
Passamos por um tipo de saguão, e depois entramos em uma sala, que parecia ser o escritório dele, o lugar fedia a mofo, talvez das velhas paredes, talvez das velhas pessoas. Haviam papéis espalhados por toda parte, principalmente numa mesinha. Ele sentou atrás de uma mesa e me disse:
–O que queres aqui?-Seu tom era ríspido.
Sasha Skystov, 59 anos, alto, cabelos loiros grisalhos.Perdeu a esposa num ataque ao seu castelo onde a mataram, visto isso Sasha se enfureceu e matou um a um dos soldados que invadiram. Como? Também não sei, é o que eu ouço nas histórias.
–Você já foi da guarda real, certo?
–Sim.
–E ainda tem contatos lá, certo?
–Certo.
–Então ainda recebe informações do reinado inteiro?
–Vá direto ao ponto.
–Quero saber quem era o homem que me atacou na festa de ontem.
Ele não respondeu, apenas ficou me olhando como se procurasse a palavra certa para usar, ou só queria socar minha cara, como todos os outros caras no lugar. E então sem dizer nada pegou um dos vários papéis espalhados pela mesa, me deu e depois disse:
–Esse é o homem.
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