A queda do Muro
3 Capitulo 3. Os preparativos.
Eu peguei o retrato do sujeito, nele estava o seu rosto e embaixo da foto estava escrito “procurado por estupros, assassinatos e roubos. Caso o veja, avise as autoridades.” Ele parecia ter uns 40 anos, cabeça raspada e olhos fundos, sendo que um deles era totalmente branco, o que me levava a dedução de que ele era cego de um olho. Ou só bizarro demais pra ter os dois olhos normais como todo mundo.
–Ok, mas por que ele foi atrás de mim?-perguntei apreensivo.
Sasha me olhou como se eu tivesse errado a questão mais fácil de uma prova, suspirou e disse:
–Ele não foi atrás de você.
–Agora eu fiquei confuso. Se ele não foi atrás de mim, por que me atacou?Ou melhorando a pergunta, QUEM mandou ele atrás de mim?
–Ele te confundiu com um outro rapaz da festa, pelo menos foi o que ele me disse no interrogatório.
Dito isso percebi que os punhos de Sasha estavam com ferimentos, como se ele estivesse socando um tronco de árvore por horas, mas eu duvido que tenha sido duma arvore mesmo.
–E quem mandou ele fazer o serviço -ele continuou- Ainda não sabemos, ele não quis dizer. Disse que iriam matar ele se ele contasse.
–E ficou por isso?
–Você não me deixou terminar –disse ele levantando a mão num sinal que era para que eu ficasse quieto- Mas depois de uma “conversinha” — Sasha estralou os dedos – Ele disse que iria contar, mas não ali, estava em perigo na cidade. Eu mandei alguns homens meus escolta-lo para fora da cidade.
–E onde ele está agora?
–Morto.
–COMO ASSIM ELE ESTÁ MORTO?! NÃO DISSE QUE ESTAVAM....
Não senti direito o que veio depois só ouvi um “slap” bem alto e depois senti meu corpo caindo para trás com um zumbido bem alto no ouvido direito. O mundo girou por alguns instantes, meus sentidos ficaram travados pelo mesma quantidade de tempo e minha coordenação motora foi embora por que não conseguia me levantar direito. Vi Sasha de pé, atrás da mesa com uma cara enfurecida para mim. Ainda estava meio zonzo quando ele me puxou pela gola da camisa quando ele disse:
–VOCÊ VEM NA MINHA CASA. – Me empurrou na direção da porta – ME FAZ PERGUNTAS CONFIDENCIAIS. – Me empurrou de novo, agora estávamos passando pelo saguão- E AINDA OUSA GRITAR COMIGO?-Me jogou pela porta de entrada- E NÃO VOLTE AQUI ATÉ QUE SAIBA O QUE SIGNIFICA RESPEITO!
Ótimo, minha única chance de saber quem era o sujeito foi por Água abaixo, estava pensando nisso quando vi Jean correndo em minha direção.
–Bryan, o que diabos está fazendo a está hora na rua? –Antes que eu respondesse ele continuou- Aliás isso não importa, -Seu tom era eufórico- Pai quer que fossemos á loja dos Mercadé!
Dava para ver em sua expressão que ele estava muito animado, o que era bem raro acontecer com ele. Eu respondi:
–Os Mercadé? Por que ele quer que vamos lá?
–Para comprar armas!
–E para o que precisaríamos de armas?
Ele iria responder, quando vimos um jovem correndo e gritando:
–PREPARE-SE, A GUERRA ESTÁ VINDO!!! SE ARMEM. OS INIMIGOS NÃO TERAM PIEDADE DE VÓS!!!
E então vi que havia dezenas de pessoas correndo em direção as lojas dos Mercadé, e outras voltando das lojas deles carregando diversas armas, a maioria nem sequer deveria saber como usar um punhal, mas na hora do desespero estavam comprando até machados nórdicos de dois gumes. Iria passar lá depois, pois sei que os Mercadé não iriam fechar tão cedo com tanto dinheiro chegando. Quando anoiteceu, o movimento já havia parado nos Mercadé, mas no campo de treino estava cheio até a porta. Quando cheguei na loja vi que René Mercadé estava vendendo alguns equipamentos á Enzo e sua família ele estava dizendo :
–Não se preocupe Enzo, esses armamentos são de primeira e posso te garantir que lhe vão salvar sua vida no combate e .... olha só quem dá as caras por aqui! –Disse ele, com aquele sotaque Francês.
Ele terminou os negócios com os Giofrino e se virou para mim, dizendo;
– E então, como posso ajudar o Senhor Sortudo?
René Mercadé, 45 anos, calvo, e gordinho. Todos sabiam que vendia armas para todos, até mesmo para os inimigos do reino, apesar de não haver provas ou testemunhas, e quando havia uma das duas, sumiam “misteriosamente”, parece que tudo por aqui se resolve na base do aço. Estava me chamando de senhor sortudo pelo fato do que aconteceu no Baile de alguns dias atrás.
–Boa noite René, queremos fazer o que o resto do reino está fazendo, se preparar para a guerra.
–Ótimo, quer dizer, péssimo. Ou melhor péssimo para a vida mas ótimo para os negócios.Vão querer o que?
–Vou querer um peitoral, uma calça e uma espada.
–Nenhuma braçadeira?
–Bem lembrado, vou querer Du... – Parei e contei o dinheiro – Pensando bem só uma.
–Falta-lhe dinheiro? Pode levar duas, depois me paga.
–Sabes que não gosto de dever, vou querer só uma mesmo.
–Braço direito ou esquerdo?
–Sou Destro, vou querer para o braço direito. Pouco me importa o que acontecer com o esquerdo.
–O braço é seu. –Disse, levantando os ombros.- E você Jean, vai querer o que?
–O-o mesmo que ele, mas com as d-duas braçadeiras.-Jean também era um pouco gago, se não mencionei ainda.
Ele pagou, recebeu os equipamentos e fomos para casa, quando chegamos lá, fomos recebidos por Richard, meu pai.
–Boa noite pai.
–Boa noite garotos, entrem, chegou um convite para vocês.
Entramos, e lemos o convite, nele estava escrito:
“Caro senhor Bryan Walker, estamos por meio deste, convidando-o para o baile de despedida, onde iremos comemorar a vida, mesmo por que todo o reino sabe que a guerra se aproxima e não podemos fazer nada para impedi-la, mas por esta noite iremos comemorar por ainda estar vivos. O baile se encontra na sede real. Será uma honra te-lo conosco.”
–Nós vamos poder ir?
–É claro que sim! Agora vá se arrumar.
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O baile estava incrível, cheio de pessoas felizes, que pareciam nem sequer mais se importar com a guerra. Não sei se era o álcool que estava tirando a atenção deles ou se era só a falsidade mesmo, não me importa.
Estava me divertindo quando vi Pierre Mercadé,o ser mais Francês que já vi na vida, tinha sotaque, só usava roupas vindas da França e adorava Croassaint e essas coisas de Francêses. Tinha 19 anos, mas era possível ver que já estava ficando calvo como o pai. Como a maioria dos outros convidados, estava bêbado.
–Bryan (hic) Walker!!!- ele veio na minha direção cambaleando e carregando uma garrafa de vinho que já estava na metade.-Meu amigo!!!! Me de cá um abraço!!!-Me abraçou, quase desmaiando em cima de mim, e o bafo dele estava insuportável, parecia que havia bebido um garrafão de vinho por hora, no ultimo ano inteiro. -Ele continuou:
–Diga-me, veio com toda a sua família aqui?-Por que todo bêbado tem que falar muito alto?
–Diga-me você, bebeu todas as garrafas ou deixou algumas para os outros convidados?
Ele soltou uma gargalhada que eu acreditaria que seria falsa, se ele não estivesse completamente bêbado.
–É por isso que eu gosto de você, Bryan, você sabe brincar também. Mas mudando de assunto eu realmente sinto muito pelo que aconteceu no ultimo baile. Manson disse caliunias horríveis sobre ele e sua irmã.
–Olha Pierre, muito obrigado mas....
–Até porque todos sabem que ela curte mesmo é incesto com seu irmão!!!!
Ouve uma gargalhada muito alta vindo dele. E os outros convidados da festa olharam para nós e eu disse:
–Não liguem para ele, está completamente bêbado!- Tentei diminuir o alvoroço que ele estava criando
–Sim, eu estou, mas eu tenho memória fotográfica, e eu vi eles dois no ultimo domingo se pegando atrás da igreja e...
–Sacrilégio!!!!-Disse o padre- quando me disseram que queriam ir atrás da igreja não me disseram que era para isso!!! Isso é pecado!!!
–Pessoal, deve ser só um mal entendido, vocês vão realmente confiar na palavra de um bêbado?-Disse tentando acalmar os ânimos dos convidados.
Vi que Jean estava muito corado e Evelyn estava quase chorando.
–Quem diria que a formosa Evelyn curtia anões?
–Cale a boca Pierre.
–Todos aqui sabemos o que é isso!!! É INCEST...
O mundo parou. Os sons se esvaíram, tudo ficou desfocado, senti meu corpo aquecendo, a única coisa que eu conseguia ver era ele. O maldito Pierre. O maldito que estava fazendo minha irmã chorar. Esse não é o tipo de momento em que nós pensamos em cada detalhe do que está acontecendo antes de tomar alguma decisão pra não nos arrependermos no dia seguinte, é o tipo de momento em que nós fazemos antes de pensar e nos arrependemos no dia seguinte pra um padre qualquer, as coisas funcionam assim por aqui. Plock. Foi esse o primeiro barulho que eu ouvi, ai as coisas voltaram ao normal, comecei a ouvir gritos de horror e susto, e só ai que percebi o que tinha feito. Eu o golpeei na face com o primeiro objeto solido que vi. Para o azar dele era uma rocha que estava servindo de peso de papel para os convites. A pedra se despedaçou e o nariz dele também, ai subiu no ar um esguicho de sangue como se fosse de um chafariz que sujou tanto as minhas como as roupas dele.
Todos no salão me olharam com uma cara de pânico, preocupação e até mesmo medo. Não tinha pensado no momento, apenas fiz, era possível que os guardas me prendessem dessa vez, afinal, em dois bailes que o reino patrocinava, eu arruíno as duas arranjando briga com alguém, e esse era só um dos meus vários charminhos. Vi meu pai vindo em direção á mim com a mesma expressão dos outros convidados. Também olhei para Pierre, eu tinha arrebentado todo o seu rosto, era possível ver seu olho esquerdo completamente esmagado pela pedra, sua testa estava igualmente á um chafariz, jorrando sangue para todos os lados. Ele estava caído sobre uma poça de sangue e suas roupas estavam muito piores do que eu esperava (já havia batido em outros inimigos usando pedras, mas nunca saiu tanto sangue), formando um “V” de seu pescoço para a cintura. Seu olho esquerdo, ou o que sobrou dele, estava vazando sangue, e no direito estava vazando lagrimas. Ainda estava pensando no estado de Pierre quando meu ombro foi puxado com firmeza por alguém menor que eu. Era meu pai, a expressão de antes tinha se mudado por uma expressão de desespero, mas seu olhar não se conduzia a mim, e sim a Pierre. Ele disse, sem parar de olhar de Pierre:
–Por Deus Bryan, o que diabos você fez?!
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Chegamos em casa, Evelyn subiu direto ao seu quarto, Jean a acompanhou até seu quarto e logo depois foi para o seu, que ficava ao lado, Mamãe estava no hospital com o Pierre, não gostava dele, mas se sentia na obrigação de pagar o tratamento do garoto. Não sequer tirei meu casaco e meu pai, se dirigindo á mim, disse:
–O QUE DIABOS VOCÊ ESTAVA PENSANDO QUANDO ARREBENTOU AQUELA PEDRA NA CABEÇA DO RAPAZ?!
–Pai, eu juro que não era a minha intenção, quando eu vi eu já tinha...
–Besteira! A primeira coisa que se deve fazer numa situação dessa é pensar no que vai fazer!!! É nessa hora que nos diferenciamos dos animais!!!
–Pai, eu tentei mas...
–Tentou nada-Seu tom começará a ficar sarcástico. –Eu vi o que aconteceu! Ele disse aquelas calunias sobre sua irmã e você arrebentou aquela pedra na cabeça do rapaz!- Seu tom voltou a ser autoritário – Tão descuidado, irresponsável, imaturo...-Dito isso ele soltou uma gargalhada longa.
Eu estava realmente confuso, um pouco arrependido por Pierre, e agra estava confuso e preocupado por meu pai, que sem motivo nenhum tinha soltado uma gargalhada no meio de um sermão. Ótimo, o que faltava era ele ter enlouquecido, ai sim eu mereceria ganhar um prêmio “a pessoa que conseguiu fazer mais besteiras na menor quantidade de tempo” Ainda estava pensando quando ele diz, ainda se recuperando do ataque de risos:
–E...-Riu mais um pouco- E por isso eu sei que você é meu filho!-Seu humor ficará ótimo de uma hora para a outra- Eu fazia exatamente as mesmas coisas quando tinha a sua idade. Mas se a sua mãe perguntar, eu te dei uma bronca que parecia infinita, Okay?
Já tinha um sorriso aberto quando respondi:
–Sim senhor!-Fazendo a referencia que os aprendizes são obrigados a fazer quando se tornam soldados, jurando lealdade á coroa.
Ambos rimos, eu estava para subir a escada para o meu quarto quando ele me disse do começo da escada:
–Durma bem, amanhã teremos um dia cheio!
Bem que esse “dia cheio” que ele mencionou poderia ser no bom sentido.
Acordei com o barulho canhões explodindo e Jean me sacudindo com a face cheia de sangue e expressão horrorisada. Não foi um bom jeito de acordar.
–P-por Deus Bryan, acorde logo!!!
–Jean?-pergunto, confuso- O que aconteceu com seu rosto?
–Depois te explico, agora levante, o exercito do rei Koch está invadindo o Reino!!!
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