A nova vida de uma alma sem lembranças
74 Capítulo 74 - Minha primeira missão.
Notas iniciais
Aqui estou novamente na Guilda.
Tudo bem que o nome correto desse lugar seria algo como Agência de Serviços Gerais, mas eu gosto de chamar de Guilda, pois me dá um ar de fantasia a mais.
Hoje Khonar está comigo.
Ele acordou cedo.
Quando eu terminei de meditar ele já estava acordado.
Basicamente com os primeiros raios do Khadji ele despertou.
Será que ele tinha um sono igual aos dos pássaros? Dormindo assim que escurece e acordando bem cedo?
Isso é relativamente engraçado e curioso, mas eu não vou incomodá-lo com isso.
O fato é que ele viu minha plaqueta de identificação da Guilda e surgiu um grande sorriso no seu rosto.
— Você é registrado na agência também!? — Ele quase gritou, procurando e tirando sua plaqueta de uma de suas mochilas.
— Eu me registrei ontem, estou pensando em realizar uma missão hoje. — Eu respondi sorrindo.
— Então vamos juntos! — Ele estava empolgado, mas ele ficou um pouco sério antes de continuar. — Se você não se importar.
— Claro que não problema! Vamos juntos sim. Que classe você está? — Eu perguntei.
— Eu estou na Oitava Classe. Mas tudo bem fazer algumas missões mais básicas juntos. — Ele voltou a ficar animado.
Um frio subiu na minha espinha.
Algo me dizia que não era uma boa ideia, mas eu não tinha como dizer não para ele agora.
Além disso eu lembrei que eu não poderia ficar soltando magias sem encantá-las na frente dele.
Seria complicado se fosse uma missão de extermínio, mas se fosse outra coisa acho que estaria tudo bem.
Então nós fomos à Guilda.
O Elfo alado portava sua enorme lança.
Eu digo enorme pois era realmente muito maior do que qualquer lança que eu já havia visto.
Os Elfos de Khuma e de Marima também usavam lanças, mas elas eram geralmente da mesma altura que os próprios caçadores.
Os Elfos de Vegúrlia usavam alabardas, mas eram pouca coisa maiores que os soldados.
Já essa lança devia ser pelo menos 50% maior que o corpo de Khonar, e ele não é nem um pouco baixo.
— Um Elfo do Céu e um Elfo Negro juntos? O quão raro é isso? — Algum indivíduo falou no canto da guilda quando entramos.
— Bom dia, Dinus! Seja bem-vindo de volta. Tudo bem? — Harumali estava no balcão toda sorridente. — Como está sua mão?
— Bom dia, Harumali, minha mão já está bem melhor, já consigo usar meu arco e minha espada sem problemas. — Eu respondi sorrindo.
— Bom dia. Eu sou Khonar, muito prazer. Posso trazer meu registro para cá? — o Elfo alado foi rapidamente ao balcão, colocando seu passaporte e sua plaqueta na frente de Harumali.
— Claro! Muito prazer, eu sou Harumali, mas pode me chamar só de Haru. — A garota raposa cumprimentou Khonar e já foi preparar alguns papeis para ele.
Khonar me explicou que ele é registrado na Guilda de outra cidade, então ele precisa migrar seu registro para essa unidade para fazer missões aqui.
Isso foi feito rapidamente e logo nós já estávamos olhando as missões juntos.
Kuri não estava no balcão hoje. No seu lugar estava uma bela garota humana de pele chocolate, muito parecida com a professora Mayuna, porém muito mais jovem.
Seu cabelo estava preso em um coque alto, mas algumas mechas não estavam presos no coque e seus cabelos cacheados eram muito belos.
Ela ostentava grandes olhos castanho-caramelo e parecia espantada ao ver Khonar e eu olhando as missões no quadro.
Mesmo quando um aventureiro passou pelo balcão para pedir alguma coisa, ela continuou a nos observar.
Dentre as missões disponíveis, existia uma em particular que eu achei interessante.
Uma fazenda humana nas redondezas da metrópole precisava de um mago da terra para erguer alguns muros, pois ele precisava de um muro forte de pedra para protegê-los dos Kobolds.
O fato de a palavra Kobolds estar escrita da mesma maneira que havia conhecido na terra me impressionou muito.
Eu nunca havia visto esses monstrinhos, mas eu sabia o que eram. Ou pelo menos, eu tinha alguma ideia.
As palavras Elfus, Orcs, Goblins, Dracos e Harpias eram extremamente parecidas com o que se via na terra.
Embora o idioma daqui fosse completamente diferente de tudo que se ouvia na terra, existiam muitas palavras de seres que eram iguais.
Algo nisso tudo era estranho.
Por que seres mitológicos e fantasiosos da terra existiam de verdade aqui e recebiam nomes muito parecidos?
— Eu não posso usar magia de terra, mas eu posso te acompanhar até lá. — Khonar me fez recuperar a atenção e perceber que eu estava muito tempo encarando aquele papel.
— Pode ser então? — Eu perguntei com um sorriso forçado.
— Sem problemas. — Khonar sorriu de volta.
Depois de perceber que eu estava perdido em pensamentos, eu recuperei o foco, peguei aquele papel e fui ao balcão.
A atendente humana estava com os olhos brilhando quando percebeu que eu me aproximei justamente dela.
Seu rosto era jovem e um pouco arredondado, diferente da expressão cadavérica do pessoal de Khuma, e isso me parecia bastante fofo.
Ela também não era muito alta, sendo mais baixa que Harumali e Nuri.
Mesmo Harumali estando disponível, eu sabia que essa atendente estava interessada em atender um Elfo Negro ou um Elfo do Céu, então eu preferi falar com ela.
— Com licença, eu gostaria de tirar uma dúvida sobre essa missão. — Eu coloquei o papel no balcão e sorri antes de terminar de falar. — Você pode me ajudar?
— Claro! — Ela parecia um pouco surpresa, mas prontamente me atendeu. — No que posso ajudar?
— Muito prazer, eu sou Dinus de Khuma. — Antes de continuar, eu gostaria de saber o nome dela.
— Me chamo Nayná. O prazer é meu. — Ela sorriu e ficou aguardando minha pergunta.
— Eu não conheço esse monstro que é dito na missão, como são os Kobolds?
Nayná me explicou exatamente aquilo que eu já esperava.
Kobolds são pequenos seres humanoides com cabeça e calda de lagarto.
Como se fosse uma versão pequena do Zijaq
Eles não eram monstros e falavam o idioma de Oriohn com um pouco de dificuldade, mas eles eram ladrões.
Eles costumeiramente roubavam os animais dos fazendeiros.
Com isso, eles podiam ser caçados como monstros, mas o costume era apenas espantá-los e impedir que voltassem.
Embora eles não fossem "Bons", Nayná parecia ter um pouco de dó deles.
Eles também foram criados por Ekir.
De qualquer maneira, a missão era criar um muro para proteger a fazenda e não os caçar.
Perguntei também onde ficava essa fazenda e Nayná me mostrou no mapa.
Era relativamente perto.
Com a minha velocidade, eu poderia chegar lá em algumas horas.
A recompensa não era muito grande, mas entre as missões até Terceira Classe sem ser de extermínio ou coleta de recursos muito longe de Vegúrlia, era a mais lucrativa, e eu podia realizar com certa facilidade, já que eu já conhecia a magia necessária.
— Khonar, qual velocidade você consegue correr?... Ou voar? — Eu perguntei antes de aceitar a missão.
— Bom... — Ele pareceu ficar um pouco envergonhado. — Não querendo me gabar, mas eu posso voar bem rápido.
— Você consegue acompanhar um cavalo galopando? — Eu fiz a expressão mais séria que eu podia, mas ele simplesmente sorriu antes de responder.
— Sim, eu consigo. — Ele pareceu um pouco confuso depois de responder.
— Certo, então vamos pegar essa missão?
— Sim! Estou ansioso para viajar contigo. — Khonar sorriu alegremente.
Nayná terminou os processos internos para a missão e nós saímos em direção ao portão da cidade.
Nós já havíamos tomado café, devia ser algo entre 8 e 9 horas da manhã quando chegamos no portão.
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