A nova vida de uma alma sem lembranças
73 Capítulo 73 - Renegados, os Orcs cinzentos.
Notas iniciais
Estranhamente a porta do quarto estava trancada.
Eu tinha a chave, então isso não era nenhum problema, mas era relativamente cedo para estar trancada.
Considerando o horário terrestre, devia ser algo próximo de 21 horas.
Geralmente nós trancamos o quarto quando vamos dormir ou quando não há ninguém nele.
Será que Khonar havia saído novamente?
Eu abri a porta com delicadeza para não o acordar se ele já estivesse dormindo.
E realmente, o Elfo do Céu estava em sua cama.
Ele estava deitado de bruços, provavelmente por conta de suas asas, para não as machucar.
Não havia nenhuma coberta ou edredom cobrindo seu corpo, apenas as suas próprias asas.
Porém, eu não estava com sono ainda.
Ainda era muito cedo.
Então decidi pegar o livro que estava lendo anteriormente e fui para uma das praças para continuar a lê-lo.
O livro que eu estava terminando de ler era recomendação de Yunis, pois ele soube que eu ganhei uma condecoração ao lutar contra os Renegados na Campanha da Floresta Negra.
O nome do livro era “Renegado — Os Orcs cinzentos” e ele contava vários detalhes sobre a história desses Orcs violentos.
No começo de sua existência os Orcs Cinzentos não eram mal-vistos e nem atacavam ferozmente aos outros seres.
Os Orcs foram criados por Ekir, o Guardião do Fogo, assim como os Humanos e muitos outros seres falantes de Oriohn.
A grande diferença entre os cinzentos e seus parentes verdes eram o medo.
Os Orcs cinzentos tinham medo do fogo e do sol.
Eles mal saiam de dia e viviam em suas cavernas, saindo apenas para caçar.
Os Orcs verdes também tem medo do fogo e do sol, mas eles se acostumaram a viver fora das cavernas e aprenderam a conviver com esse medo, eles transformaram esse medo em força.
Durante a Primeira grande Era esse medo dos Orcs cinzentos foi se transformando e aos poucos foi se tornando ódio.
Segundo esse livro, os Orcs cinzentos foram os primeiros seres a sentirem ódio.
Quando a Primeira grande Era se encerrou, uma enorme fúria atingiu o coração desses Orcs e eles surtaram.
Na noite do primeiro dia da Segunda Era uma pequena cidade humana foi atacada e dizimada pelos Orcs cinzentos, usando nada mais que unhas e dentes.
O ataque foi unilateral, até porque ninguém esperava por isso e uma batalha nunca havia acontecido antes.
Os humanos usavam apenas lanças, arcos e flechas apenas para caçarem, eles nem pensaram em usar para se defenderem dos enormes Orcs que os atacaram.
Aquela pequena cidade era chamada de Nurn e ficava próximo de onde hoje é Uma, ao sul do continente.
As ruínas da cidade foram mantidas para que todos se lembrassem da crueldade que os Renegados possuíam.
Quando chegou meia noite já não havia um humano vivo e os cinzentos passaram a comer a carne dos cadáveres, Ekir, que assistia tudo de seu templo, decidiu intervir.
Ele surgiu em Nurn como um relâmpago e um estrondo e fez com que todos os Orcs cinzentos se ajoelhassem perante o Guardião.
O clima rapidamente se alterou e uma forte tempestade começou.
Os olhos do guardião brilhavam em chamas como duas estrelas e sua voz era forte como os relâmpagos e trovões que estavam caindo das nuvens.
Ekir abominou os atos de seus próprios filhos e por atacarem seus "irmãos" e condenou-os a serem chamados de Renegados por toda a sua existência.
Mas isso não fez com que os Renegados sentissem culpa ou entendessem que aquilo era errado.
Eles apenas sentiram mais raiva e mais ódio.
Os Renegados se esconderam de volta em suas cavernas e apenas se prepararam para atacar novamente.
Na segunda vez, eles atacaram uma aldeia élfica na floresta ao sul de Vegúrlia.
Dessa vez os Elfos da Floresta, que eram muito mais ágeis e perspicazes que os humanos, abandonaram a aldeia e fugiram daquele lugar.
Ninguém saiu ferido e o vilarejo permanece intocado e abandonado até os dias de hoje.
O terceiro ataque foi novamente a uma pequena cidade humana.
Há 2 mil anos atrás era uma pequena cidade, mas hoje essa é a Capital Real de Uma.
Os Renegados foram surpreendidos pelos humanos, que agora estavam cientes da crueldade de seus "parentes", e foram completamente derrotados por flechas e lanças.
Ekir também assistia isso, mas achou justo os humanos se defenderem e decidiu não intervir.
Como os Humanos e Orcs eram completa responsabilidades de Ekir, nenhum outro Guardião interveio também, apesar de assistirem todos os ocorridos e se entristecerem.
Os poucos Renegados sobreviventes se esconderam de volta nas cavernas.
Mas eles criaram algo muito mais cruel em seus esconderijos.
Foram os Renegados que criaram a forja e inventaram as armas de guerra.
Eles inventaram a espada.
Ao atacarem novamente, dessa vez uma grande cidade dos Elfos da Planície que estava em construção, eles foram derrotados, pois esses Elfos se provaram grandes guerreiros e conseguiram revidar, apesar de várias vidas perdidas.
Esse Elfos fundaram a Metrópole de Narádia.
Então os Elfos da Planície descobriram a forja e as armas.
Essa informação e o seu conhecimento se espalhou rapidamente pelos seres falantes de Oriohn e logo todos estavam se preparando para se proteger dos Renegados usando armas forjadas.
Os Elfos de Narádia decidiram formar uma aliança e uniu forças com uma grande quantidade de povos que viviam nas proximidades para caçar e exterminar os Renegados.
Essa aliança deu certo e um grande exército foi formado, patrocinados e liderados pelo recém-formado Império de Narádia.
Essa aliança se mantém até hoje, assim como a aliança do Império de Vegúrlia que foi criada na mesma época.
Embora a campanha de ataque ao covil dos Renegados tenha sido muito boa, não foi um completo sucesso, pois muita gente começou a desaparecer perdidos nos labirintos que eram os túneis do covil e os Renegados sobreviventes voltaram a se multiplicar.
Apesar de não ter aniquilado completamente os Renegados, muito tempo de paz durou entre os povos de Oriohn, que agora precisavam se preocupar apenas ao viajarem pelas tortuosas estradas e densas florestas do grande continente.
Fora a história de como os Orcs cinzentos se tornaram os Renegados, no livro havia vários detalhes estudados sobre os Renegados.
Por exemplo, quando eles caminham pelas estradas para emboscar os viajantes, eles sempre estão em quatro.
A maioria das vezes suas espadas, adagas e flechas estão envenenadas.
Seus corpos ficaram ainda maiores e mais fortes depois de se tornarem os Renegados.
Eles falam a linguagem comum de Oriohn, mas eles não conversam com ninguém fora eles mesmos.
Se capturados, eles geralmente tentam suicídio, até mordendo a própria língua.
Quando eles estão furiosos, eles não fogem, eles lutam até morrerem.
E aquilo que eu já sabia, o seu ódio se manifesta como magia e essa magia "escorre" de seus corpos, afetando todos os seres à sua volta, corrompendo e transformando-os em monstros.
Eu finalmente terminei o livro.
Tem muita informação aqui. Muito mesmo.
Mas é difícil de guardar todos os detalhes.
O que mais me marcou foram os nomes das cidades.
A cidade de Uma eu já ouvi falar, pois é de lá que a família Sangue-de-Prata migrou.
Agora Nurn e Narádia eu ainda não havia ouvido falar.
Nurn é uma ruína humana, assim como o vilarejo abandonado, e permanecem da mesma maneira até hoje, mais de dois mil anos depois.
Narádia deve ser algo muito similar à Vegúrlia.
Novamente a vontade de viajar por Oriohn e conhecer todos esses lugares preencheu meu coração.
O sono fez meus olhos pesarem juntamente aos meus músculos por conta do treino, então eu voltei para o quarto e fui dormir.
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