Notas iniciais
Postagem: 2020/07/09 Revisão: 2025/12/11 15:12

Eu não estou na terra.

Digo.

Esse não é o planeta terra onde eu vivi minha vida anterior.

Quando olhei pela primeira vez para o céu durante a noite foi que eu percebi.

Eu já havia achado tudo muito diferente do comum antes, mas aquele fato mudou completamente.


— Está vendo aquela bola grandiosa lá no céu? Aquele é Metz, como o nome de seu irmão.


Minha mãe apontou para a lua.

Só que aquilo não era a lua. Era enorme e parecia que estava exageradamente perto da terra.

Era alaranjada, totalmente diferente da Lua que eu conhecia em minha vida anterior.

Havia também outras luas no céu, menores que a lua que eu conhecia, mas dava para ver que não eram estrelas.

Essas outras menores viajavam pelo céu de maneira veloz. Em menos de uma hora olhando havia passado 2 outras.

Minha mãe disse que existem 4 dessas menores e que as cores de cada uma delas eram diferentes.

Metz também tinha duas luas próprias, Dinas e Dinus, que pareciam pequenas estrelinhas e quase não conseguíamos enxergar, mas que se movimentavam rapidamente envolta de Metz.

Foi então que eu descobri a origem do meu nome e de minha falecida irmã gêmea.


Mesmo sendo loucura, agora tudo fazia sentido.

Eu estava em um mundo completamente diferente.

Isso explicou bastante coisa sobre muitas outras coisas.

Foi difícil, mas consegui descobrir que o planeta se chamava Oriohn e o sol se chamava Khadji.

Não sei se aquilo era mesmo o Sol ou alguma outra estrela qualquer.

Será que eu estava em uma galáxia muito distante da terra?

Ou poderia ser que estive em um universo diferente?

Até mesmo outra realidade.

Não sei o que pensar sobre isso.


Depois de mais algum tempo eu comecei a aprender outras coisas com as pessoas do vilarejo também.

Aprendi que havia monstros nas florestas, aprendi que meu pai caçava esses monstros e outros animais e trazia carne para o vilarejo, descobri que não existia tecnologia nesse mundo.

Mas as duas coisas que mais me impressionaram foram:

Existia magia.

Eu não era humano.


Elfo.


Elfo foi a palavra que surgiu.

Eu sabia o que era Elfo.

Afinal, a palavra era dita como Elfus, muito similar com a que eu conhecia.

Isso me chocou bastante.

Eu não sabia o que sentir.

Apesar de ter certeza de que eu era um humano em minha vida anterior, eu não me lembrava de nenhum sentimento quanto a isso.

Nunca me passou pelos pensamentos não ser um humano.


Foi então que eu comecei a prestar mais atenção e vi que de fato as orelhas de todos eram mais compridas que o normal e mais pontiagudas, mas era algo bem discreto e o cabelo estava sempre por cima então não foi possível reparar antes.


Belos e longos cabelos de cores metálicas ou de um preto tão escuro que parecia a profundeza do céu noturno, grandes orelhas pontiagudas e vivendo em harmonia com a natureza.

Isso é o que se pensa ao falar sobre os Elfos, certo?

Aparentemente errado.

Onde vivemos é uma aldeia, e realmente há bastante árvores por aqui, só que é difícil dizer que isso é uma aldeia élfica que se imaginaria na fantasia sobre os Elfos.

Também não são orelhas tão longas nem cabelos tão compridos.

Embora o cabelo de todos aqui seja muito belo por ser ondulado e volumoso, mas não é algo que se esperaria ver em um Elfo.

Além disso, a beleza angelical é o maior ponto sobre a fantasia acerca dos Elfos e aqui todo mundo parece estar doente e desnutrido.


Bom.

Nem sempre a realidade é exatamente igual a fantasia.

Pode ser também que sejamos uma aldeia élfica diferente e passando por dificuldades.

Quem sabe?


Agora a magia.

Por essa eu também não esperava.

Em Oriohn magia era algo comum.

A maioria dos seres que podiam se comunicar também podiam usar magia.

Foi o que me disseram.

Os Elfos eram proficientes em magia.

Então eu também seria?

Ou será que por eu ter nascido de uma alma humana eu não seria?


Então eu pedi para minha mãe me ensinar magia.

Ela negou prontamente, disse que eu era muito novo para usar magia e que era muito perigoso.

Mesmo assim eu fiquei impressionado de como ela agiu normalmente.

Eu nunca suspeitaria disso, mas minha mãe sabia usar magia.

Eu ainda estava em choque.

Era muita informação nova e diferente para mim.

Também pedi para meu pai me ensinar magia, e ele também recusou.

Nem Metz havia aprendido isso ainda.

Só que eu estava ansioso.

Eu queria saber se eu poderia ou não usar magia logo.

Para não criar esperanças e acabar me desapontando.

Então eu tentei achar um jeito de convencer alguém a me ensinar magia.

Pelo menos descobrir se eu podia ou não usar magia.


— Mãe. Como eu sei um dia eu poderei usar magia?

— Não se preocupe com isso filho. Todos podem usar magia. Basta saber os encantamentos.


Então minha dúvida foi amenizada.

Se eu entendi direito, não depende da capacidade mágica do indivíduo, mas sim do canto correto.

Deve ser por isso que disseram que os seres que podiam se comunicar também podiam usar magia.

Faz sentido, não é? Se só é preciso falar, então quem consegue falar naturalmente conseguirá usar magia.

Eu acho...


— Mas e se mesmo com o encantamento eu não conseguir? Não tem nada que eu possa usar agora para me tirar essa dúvida? Eu prometo não usar depois.

— Hmm, você nunca agiu dessa maneira antes... Acho que deve haver algo pequeno que você possa tentar, mas não conte a ninguém sobre disso, pois só podemos aprender magia depois dos 12 anos. — Então ela fez aquela expressão maravilhosa que ela fazia quando está pensando em algo. — Acho que podemos tentar um encantamento para aquecer a água. Acredito que nada ruim acontecerá se você não conseguir usar direito, mas você provavelmente não conseguirá usar ainda e vai sentir bastante cansaço. Você é muito novo.


Então ela pegou um balde d'água.

Primeiro ela me pediu para sentir a temperatura da água, que estava normal.

Então começou a rezar, com uma das mãos submersa e a outra na altura da testa com a palma voltada para o céu e com os olhos fechados.

Todas as palavras que ela usou nesse momento eram novas para mim.

Eu nunca havia escutado palavras parecidas durante esse tempo todo.

Então as duas mãos dela começaram a brilhar.

Era um brilho pálido meio alaranjado.

Quando acabou, ela me pediu para colocar a mão na água novamente e agora estava morna.


Fiquei maravilhado com aquilo.

Já havia ouvido bastante sobre magia, mas não havia presenciado uma até então.

Porém eu não me lembrava nada do encantamento que ela usou.

Depois de muito esforço eu acabei conseguindo memorizar as palavras mesmo sem saber o significado.

E quando tentei fazer o encantamento eu senti a magia pela primeira vez.

Fiz exatamente como ela fez, fechando os olhos e deixando a palma da mão levantada para o céu enquanto a outra estava submersa.

Parecia que o calor do meu corpo estava sendo puxado de dentro de mim, ao mesmo tempo eu senti algo parecido com um formigamento em minhas duas mãos.

Assim que eu terminei o encantamento minha mãe deu um grito.

Quando eu abri meus olhos no susto, o cômodo estava totalmente claro, parecia que estávamos debaixo do sol, mas logo escureceu, e o balde estava vazio.

Notas finais
Caso encontre algum erro gramatical ou de digitação, fique à vontade para me enviar a correção. Agradeço profundamente qualquer apoio.