A nova vida de uma alma sem lembranças
58 Capítulo 58 - O fim da campanha.
Notas iniciais
— Vencemos! Acabou! — Um dos soldados imperiais gritava.
— Vitória! Vitória! — Um Orc Comum urrava.
Uma confusão no meio da noite agitou o acampamento militar.
Aparentemente o grupo dos Orcs de Fargath terminou seu ataque e aniquilou todos os Renegados que encontraram.
Os Orcs liderados por Grumer era o batalhão mais forte da aliança contra os Renegados.
Apesar de Umbaku ser mais forte que qualquer um dos Orcs comuns, a força conjunta deles era imbatível dentro das tortuosas cavernas dos Renegados.
Talvez por também serem Orcs, dentro daquele covil, os Orcs Comuns se davam muito melhor que qualquer outro Elfo.
Ficando curioso, eu usei detecção mágica.
Embora complicado, pela quantidade de soldados no acampamento, eu consegui identificar algumas pequenas unidades de energia maligna dentro do covil, mas eram em quantidades tão pequenas que não deixariam ninguém preocupado.
Nós podíamos voltar a relaxar e descansar, e voltar a ter as nossas vidas cotidianas normalmente, pois os Renegados só voltariam a ser algum risco daqui algumas décadas.
Eu olhei para fora da tenda que eu estava e vi Grumer comemorando em meio aos soldados imperiais como se ele não fosse alguém importante.
A humildade de Grumer também mostrava o quão amante de batalhas eram os Orcs Comuns.
Meu pai foi chamado por um soldado imperial para participar da celebração.
— Não, obrigado. Eu ficarei aqui para cuidar de Dinus. — Respondeu meu pai ao soldado.
— Está tudo bem pai. Eu vou com você. — Eu respondi para ele não se preocupar tanto comigo. — Acho que se eu ficar sentado em algum lugar, eu posso ficar com vocês lá.
— Filho... — Meu pai me olhou com um rosto triste.
— Estou falando sério, pai. Vamos comemorar, por hora. — Eu sorri sinceramente para ele.
Devagar nós fomos para a grande tenda onde todos comiam.
Agora essa tenda parecia um bar cheio de bêbados rindo, conversando, gritando, cantando e dançando.
Eu não conseguia ficar feliz como eles, até porque a dor de ver meus companheiros mortos ainda me assombrava, mas meu pai estava conversando e bebendo com Umbaku e alguns outros soldados, tanto imperiais quanto do reino, além de guerreiros de várias raças.
Grumer, que estava cantarolando com uma enorme caneca de madeira na mão, enquanto derramava seu líquido ao balançar de sua dança, olhou para a minha direção e me viu.
No momento que ele me reconheceu, o sorriso desapareceu de seu rosto, ele colocou a caneca em alguma mesa e andou ligeiramente em minha direção.
— Criança! O que aconteceu com você? — Ele perguntou, com os olhos arregalados e espantado.
— Eu fui capturado. — Eu respondi, com um sorriso amargo.
— Você o quê? E você conseguiu escapar!? — Ele me encarou por um curto período de tempo, parecendo pensar e em algo, então Grumer levantou seu grande corpo, esticou uma mão para cima e a outra apontou para mim, gritando. — TODOS SAÚDAM DINUS! O MAIOR GUERREIRO DESSA CAMPANHA!
— URRA! — Os que bebiam, cantavam e riam levantaram suas canecas e gritaram.
Acho que Grumer tentou me animar, ele ficou me encarando e sorrindo.
Alguns instantes depois apareceram alguns soldados reais com Faror.
Ele já não usava sua pesada armadura, nem suas roupas de nobre, provavelmente essas eram as roupas que ficava por debaixo da armadura.
Ele olhou com espanto para mim.
— Pelos guardiões! Dinus! O quê... Você está bem? Como está se sentindo? — Faror pareceu ficar perdido por um momento, talvez meu cabelo raspado e minha cabeça enfaixada tenha assustado as pessoas que me conhecia.
— Eu estou melhorando. Ainda sinto dor, fraqueza e tenho muitas feridas, mas eu vou ficar bem. — Eu respondi sorrindo.
— Que bom que está bem. Fico aliviado em saber que sobreviveu. Mas como chegou a esse estado? — Faror também perguntou.
— Ele foi capturado e sobreviveu! — Grumer respondeu por mim, com um tom alto e feliz.
— Sério!? O quão... Isso é... — Então a expressão de espanto se tornou um rosto triste. — Nem devo imaginar pelo que você passou.
— Não se preocupe, eu fiquei inconsciente e não me lembro ter sido torturado. Quando eu acordei eu dei um jeito de escapar. — Eu respondi, ainda sorrindo, para tentar melhorar o clima para Faror.
— DINUS! — Myuka gritou. Ela também estava nessa campanha e veio em minha direção quando ouviu Grumer gritar meu nome. — Dinus...
— Garoto. — Kurio e Louyi também estavam lá. Todos me olhavam com tristeza no rosto.
— Ei! Alegrem-se! — Grumer voltou a falar alto. — Essa criança é fantástica! Ele fez algo quase impossível.
— Tinha que ser Dinus... — Kurio comentou, com um pequeno sorrindo substituindo a expressão triste.
— Óh, Dinus... — Myuka ajoelhou-se e me abraçou.
— Myuka... — Eu coloquei minha mão direita no ombro dela, enquanto sorria. — Está doendo...
— Ah! Me desculpa. — Ela me soltou rapidamente.
Esse pessoal continuou próximo a mim, enquanto bebiam, riam e conversavam.
Eu olhei para meu pai e notei que ele estava chorando, mas com um sorriso no rosto, enquanto olhava em minha direção.
A festa continuou até a manhã seguinte, mas eu e meu pai saímos mais cedo e fomos dormir.
No dia seguinte o pessoal começou a se arrumar para ir embora.
As barracas e tendas eram desmontadas e muitas tropas caminhavam para dentro da floresta.
Eu até conseguiria andar, mas seria bem devagar, então Umbaku me levou em seu colo para casa.
Enquanto caminhávamos pela floresta, Umbaku aproveitou para falar comigo.
— Eu... Me desculpe, Dinus. — Umbaku falou mansinho e baixinho. — Por tudo o que você passou.
— Não precisa se desculpar. Eu estou bem. De verdade. — Eu respondi.
— Mesmo assim, eu falhei em proteger vocês. — Ele continuou.
— Veja, Umbaku, desculpe pela maneira que eu vou dizer isso, mas você não pode fazer tudo. O que aconteceu, aconteceu. O maior culpado sou eu por me atirar no meio dos Renegados sem pensar nas consequências.
— Hmmm... — Umbaku ficou quieto.
— Além disso, eu só consegui escapar com vida por conseguir usar magia sem encantar, os pegando desprevenidos. — Eu esperei um pouco antes de continuar. — Será que outra pessoa conseguiria?
— Isso é... É verdade. — Umbaku começou a entender meu ponto.
— Sem querer ser arrogante, mas com um braço quebrado, seria muito difícil se fosse outro caçador conseguir escapar com vida. — Então eu sorri para Umbaku. — Então não se preocupe com isso. Vai ficar tudo bem afinal.
— Sim, entendi. O importante é que você está vivo, não é? — Ele sorriu de volta com um sorriso amargo.
Umbaku ainda me olhava com uma expressão de tristeza e dó, mas ele parece ter entendido meu ponto.
Nós continuando caminhando em direção à Khuma.
Até encontramos alguns monstros no caminho, mas os caçadores não tiveram problemas em abatê-los.
Nós caminhamos até o anoitecer, bem mais devagar que quando estávamos indo para o combate.
Nós paramos para comer algumas vezes e recuperar o fôlego de alguns.
Quando chegamos ao portão de Khuma já estava escuro.
Um dos caçadores que ficaram estava de guarda, nos viu e correu preparar nossa recepção.
Meu irmão Metz também estava de guarda quando entramos na Vila e ficou espantado quando me viu.
Então ele me pegou do colo de Umbaku e me ajudou a chegar em casa.
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