A nova vida de Thomas Jackson
2 Os Cullen.
Notas iniciais
O caminho todo ha casa de Emmett foi silencioso, eu estava agora um pouco envergonhado por tudo. Eu havia me vendido tão fácil a ele que me veio à mente o que o mesmo deveria estar pensando de mim. Emmett parecia nervoso e eu conseguia notar isso, mas nunca na minha vida além do meu irmão conheci alguém que me acolheu. Sim, é isso que sinto aqui encolhido nesse banco de couro preto encarando o vampiro que me mordeu.
– O que olha? – Emmet perguntou.
Eu queria desviar a atenção, porém ele era tão belo.
– Nada...
– Não minta! – Ele sorriu. – Você está me encarando.
Eu corei, mesmo que isso não fosse mais possível. Eu me remexi desconfortável, não queria admitir meus sentimentos.
– Por que você é bonito!
A insegurança ruía meus ossos, Emmett, no entanto parecia animado com meu constrangimento.
– O que tem de tão engraçado?
– Você... Você me diverte!
Eu pensei, será que aquilo era um elogio.
– O que eu tenho de engraçado?
– Seu jeito, você não age como um vampiro.
– Por que... Eu não deveria agir como sou?
Emmett tinha um sorriso lindo, eu comecei a reparar mais nele depois que sofri a transformação. Era como se um elo me ligasse ao grandão.
– Sei lá, os vampiros que conheço não são normais... Hum, como posso dizer. São todos “sombrios”! – Ele fez questão de dar ênfase para aquela palavra.
Eu não contive a alegria e liberei um sorriso, Emmett parou o carro e eu observei a estrada. Não havíamos chegado a lugar algum, não estava entendendo a situação até notar os dedos de Emmett segurando o queixo e seu rosto se aproximando do meu. Nossos lábios não eram quentes e macios, eram lisos e rangiam ao se tocarem, todavia meus sentimentos eram tão intensos quanto uma brasa e confusamente indomáveis.
Eu recuei surpreso e Emmett ficou me olhando por um tempo. Sinceramente eu não sabia como reagir.
– Algo de errado Thomas?
Eu neguei.
– Nada Emmett, não a nada de errado.
Ele ficou desconfiado.
– Tem certeza?
Assenti.
– Sim, eu tenho.
Emmett afastou seu corpo de mim, colocou as mãos no volante e envolveu seus dedos ao redor do mesmo. Seu pé pisou no acelerador e voltamos ao caminho.
Eu não conseguia deixar de usar meus sentidos avançados, minha visão superaguçada observava uma coruja cinzenta avançar silenciosamente contra uma serpente que grotescamente arrastava seu estomago avantajado ao qual esmagava um rato entre suas entranhas. Eu escutava a respiração do roedor, porém eu também escutava a pele da cobra se comprimir aos poucos e o liquido da estomago trabalhando em oxidar o corpo do rato para melhor digestão. A cobra se preparava para entrar na sua toca, mas a Coruja foi veloz e com suas garras afiadas cravou na pele escamosa da víbora e a levou pelo céu.
Eu estava fascinado e ofegava.
– Você viu aquilo?
Emmett negou tendo foco na estrada.
– Não, eu não vi nada.
– Nem escutou?
Ele negou de novo.
– Nem mesmo escutei, não quer me falar o que viu e escutou?
Aquilo era um sorriso aparente que se formava em seus lábios, era discreto, mas era um sorriso.
– Eu vi uma cobra que havia devorado um rato rastejar até sua toca, porém uma coruja que voava silenciosa se aproximou sorrateira e veloz pelo ponto cego da cobra e a capturou usando suas garras.
Emmett pareceu se concentrar em algo por algum tempo, pois seus olhos estavam cerrados.
– Eu só consegui ver me focando um pouco, realmente um recém-criado tem por um tempo as habilidades mais avançadas!
Eu realmente me sentia incrivelmente forte, sentia uma força descomunal e que tudo ao meu redor era mais que perceptível. Tudo estava sensível ao mínimo contato comigo.
– Você não sente mais fome?
Eu coloquei a mão na minha garganta e esperei que aquele ardor infernal voltasse. Foi bem difícil sentir aquilo, pois a sensação de sede insaciável causa os efeitos de uma insanidade sórdida.
– Não Emmett, eu não senti mais sede.
Ele franziu o cenho.
– Estranho, na minha primeira vez eu quase que não consigo parar de beber sangue!
Na sua voz existia um pouco de orgulho nisso e ser um vampiro ainda me assustava, aqueles olhos dourados e desafiadores me atraiam como se eu fosse metal e eles imãs.
– Como ela é? – Perguntei.
– Ela quem?
– Rose... Esse é o nome dela, não é?
Desta vez o olhar de Emmett para comigo não foi de satisfação, surpresa ou carinho. Ele parecia um pouco incomodado em falar dela, mas eu queria saber sobre a vida dele, de como era a vampira que o transformou.
– Sim. – Ele respondeu. – Rose é exatamente aquela garota que faz qualquer um duvidar se é realmente necessária no mundo, sua beleza é estonteante.
Eu engoli em seco, algo me dizia que o relacionamento dele e de Rose passavam bem além de criador e cria, e eu sabia disso pela forma que falava.
– Existem outros?
– Vampiros?
– Sim vampiros.
– Sim, existem vários outros... Mas estou levando você para a minha família, os Cullen.
Eu coloquei a mão na sua cocha e apertei, a imagem de outros vampiros juntos me assustou. Emmett havia me assustado, e pelo o quê ele falou sobre a forma dos outros vampiros falarem já dava para imaginar o que aguardava a mim.
– É comum você levar outros como eu?
– Recém-criados?
Assenti.
– Sim, é normal?
Emmett sorriu fraco como se aquilo fosse bobo, eu realmente não conseguia o entender. Ele possuía um jeito engraçado de falar e agir teve seus momentos de seriedade e agora voltava a sorrir como um bobo.
– Não mesmo, nós os Cullen não criamos outros vampiros a não ser que seja necessário!
Eu olhei para as minhas mãos como se elas pudessem me falar algo.
– Eu fui necessário?
Emmett engoliu em seco, ele não em encarou como todas as vezes que quis me responder.
– Não... Eu fui fraco e não consegui manter a dieta de animais, só quando em dei conta da bobagem que havia feito larguei seu pescoço e já era tarde demais para lhe matar... Eu deixei que virasse um de nós, por que eu não queria estragar mais uma vida.
– Você... Iria me matar?
– Acho que sim.
Fiquei em silêncio tentando organizar as informações que me eram dadas, Emmett era muito bonito e estava me levando para sua casa onde me ofereceria abrigo, no entanto existia o fato dos Cullen também concordarem – Eu acho.
– Rose é uma Cullen?
Ele assentiu.
– Sim, a mais bela.
Eu olhei para o vidro do carro. Será que algo mudou em mim, será que não foi só a minha visão e os outros sentidos que se modificaram. Estava frio e o ar condicionado do carro permitia que o vidro ficasse embaçado e que eu pudesse ver o meu reflexo. Eu estava... Lindo? Meus olhos vermelhos, a minha pele tão pálida que me lembrava de flocos de neve. Algo em mim era perfeito.
– Você também é bonito. – Ele falou um pouco sem jeito.
Eu olhei para o lugar em que estávamos e comecei a ver grandes e pontiagudos pinheiros, árvores escuras e compridas que formavam uma imensidão. Com a minha visão, bem ao longe eu conseguia avistar uma mansão e isso me fez pensar o quanto os Cullen poderiam ser importantes.
– Onde estamos?
– Em Forks, Washington.
Eu apontei para a mansão e Emmett parou o carro a uma distância bem considerável da mansão. Se eu apenas fosse um humano não conseguiria ver ela nem mesmo com muito esforço.
– O que foi?
Ele se aproximou outra vez de mim e roubou outros beijos meu. As mãos dele circularam minha cintura e aproximaram nossos corpos, Emmett largou meus lábios e passou sua língua pelo meu pescoço e meus sentindo a flor da pele alertaram. Eu senti minhas presas crescerem e joguei Emmett contra a porta do carro, vi seus olhos surpresos e tomei seu pescoço com beijos.
– Eu só queria aproveitar o que não pudemos fazer na floresta.
– Mas porque tão longe?
Minhas emoções eram avulsas, o lado vampiresco reagia de forma inusitada a alguns comandos de Emmett. Eu sentia uma enorme vontade de transar com o mesmo, porém me dei conta de que estava no território dela, de Rose.
– Eles estão lá? – Eu me afastei de Emmett e voltei para o meu canto.
O grandão estava processando que outra vez não iria passar de beijos, Emmett abriu a posta do Jeep e ficou do lado de fora pesando um pouco até entrar no carro.
– Eu iria propor para irmos até lá correndo, todavia iram notar mais cedo que você está comigo... Alice e Edward não deixariam que você passasse despercebido, principalmente Alice.
Eu fiquei curioso e me aproximei mais de Emmett.
– Porque só eles dois me notariam, porque não os outros... Existem mais oito lá dentro!
Emmett me olhou admirado e sorrindo como um bobo até parar e começar nos dedos e falar alguns nomes estranhos como Reenesmi.
– Jacob também deve estar lá dentro, aquele chiwawa superdesenvolvido!
– Estou com medo! – Admiti.
Emmett notou meu nervosismo e passou um braço por mim.
– Pelo quê?
– Não sei, apenas estou tenso... Você mesmo falou que vocês só criam vampiros quando se é necessário!
Ele baixou os olhos como se as suas próprias palavras estivessem cravando facas em suas costas varias vezes.
– Olha Thomas, eu sei que tudo está sendo confuso para você. Eu sei que as coisas ainda vão ficar mais conturbadas, porém você precisa me dar um voto de confiança e enfrentar a minha família comigo. Você é meu recém-criado e não posso deixar que você simplesmente saia pelo mundo a fora, não sou o mais responsável dos Cullen, mas vou ser o que for preciso para você.
Aquelas palavras me tocaram intensamente e concordei em seguir o resto da viagem. Emmett estacionou o Jeep em um espaço que havia perto da mansão e outros caros caríssimos. Em pouco tempo ele já me guiava pelas escadas e tomou minha frente para abrir a porta de vidro como um digníssimo cavaleiro. Eu estava me sentindo um bobo com todo esse tratamento, até escutar um burburinho e algumas risadas livres.
Quando entramos em um como branco decorado com quadros de madeiras e cômodos de marfim avermelhado, havia varias pessoas belas com perfil de mármore perfeitos olhando em nossa direção. Quase todos eram casais, havia um par mais velho de coroas magérrimos. Outro casal que em chamou a atenção foi um cara magro e pálido de cabelos cor de bronze e uma jovem baixa de cabelos castanhos e rosto quase sem expressão.
– Aqueles dois são Bela e Edward! – Ele cochiou baixo para eu ouvir. – Os mais velhos são meus pais adotivos!
Eu inclinei meu rosto na direção de uma garota sorridente de cabelo curto e repicado segurando a mão de um loiro delgado e de olhar penetrante.
– E aqueles dois?
A garota veio em minha direção e estendeu a mão para mim.
– Eu sou Alice e esse é meu namorado, Jasper se é isso que quer saber garotinho! – Ela estava se apresentando para mim como se tivesse me escutado.
Eu apertei sua mão e a cumprimentei.
– Ele poderia ao menos sorrir! – Edward falou.
Bela a baixinha que Emmett comentou ter cara de sonsa deu uma cotovelada em Edward que reclamou.
Emmett não conseguia olhar na direção do homem loiro que tinha sua visão focada em mim.
– Quer explicar algo para nós filho?
Emmett olhou para mim e torceu os lábios.
– Carlisle, eu... Eu acabei cometendo um erro.
A garota com cabelos cacheados que se se encostava ao corpo de um cara moreno, musculoso e... Bonito apontou para mim.
– É um recém-criado, que nem a mamãe naquele tempo?
O cara moreno beijou sua bochecha e o vampiro Edward olhou para mim e franziu o cenho.
– Não Nesmi, sua mãe é importante.
Emmett olhou injuriado para o moreno que deveria ser Jacob, supus.
– Retire o que disse? – Pediu.
Passos de salto ecoou de outro cômodo e uma loira tão bonita que seria capaz de roubar meu fôlego apareceu.
– Porque ele deveria fazer isso, realmente bela foi importante para alguma coisa! – Disse a mulher loira machucando meus sentimentos.
Emmett deixou os ombros caírem.
– Rose... Deixe-me explicar.
A loira levantou a mão dando um basta.
– Não Emmett, é o que todos nós estamos pensando... Fale-me, você estava se divertindo?
Emmett ficou calado, aquilo era demais para mim. Ele havia errado, mas Rose estava o envergonhando e lhe interrogando na frente de todos. Aquilo era uma pressão muito grande colocada sobre uma pessoa.
– Basta! – Falei e todos olharam para mim, só então notei o erro que cometi. Engoli em seco e encarei Rose. – Porque não pergunta para mim... Eu sou o recém-criado!
Edward e Alice trocaram olhares.
– Ousado não acha?
Eu desviei meu olhar do dela e me encolhi, segurei as mangas frouxas do meu casaco e encarei o chão.
– Desculpa.
Bela veio até mim, ela dirigiu um olhar para Rose e me deu um sorriso.
– Ei, venha comigo. Eles precisam conversar a sós.
Nesmi e Jacob nos acompanharam, na sala haviam ficado Emmett e os outros. Eu dei um ultimo olhar para ele e o mesmo sorri para mim, eu só tive a chance de ver Rose avançando com um chute em seu tórax e uma gritaria começou.
– Como é seu nome? – Bela perguntou.
– Thomas Jackson.
Nesmi sorriu para mim.
– Bonito nome!
– É, vai ser bonito se Rose decidir acabar com ele.
Bela deu um cascudo no moreno que grunhiu.
– Ai, isso dói! – Jacob reclamou.
– A decisão se ele vai ser um Cullen ou não irá ser uma votação geral.
Nesmi sentou comigo na mesa.
– Você sabia que meu pai e minha tia Alice já sabiam que você viria?
Eu assenti.
– Emmett me falou um pouco.
Eu ainda estava tímido e desconfortável, pois estava cercado por desconhecidos.
– Na verdade tia Alice que previu que Emmett lhe traria para cá, já havia sido tarde quando você havia virado vampiro... Não tínhamos como impedir.
– Ela pode ver o futuro? – Perguntei fascinado.
Ela concordou e Bela deveria estar sorrindo da forma como falei.
– Sim, ela é uma vidente.
Eu olhei nos olhos de Nesme.
– E você, o que pode fazer?
Ela colocou o dedo na minha testa e mostrou as imagens de quando Alice anunciou que Emmett havia me transformado em vampiro.
Eu fiquei pasmo e sorri.
– Pode... Isso é incrível!
Eu olhei para Jacob.
– Ele é um vampiro?
Reenesme negou.
– Não, é um lobisomem.
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