A mulher do meu destino
37 Your love is teaching me how, how to kneel
Notas iniciais

Thor partiu e voltei para perto de Aredhel.
— O que você entregou para Thor? — ela perguntou curiosa.
— Uma maçã de Iduna — respondi meio sem jeito.
— Você tinha outra? — encarou-me surpresa.
— Sim — anuí. — Peguei duas. Eu estava guardando para outra oportunidade.
Na verdade sempre imaginei que usaria a maçã como uma forma de barganhar com Thor. Todavia, jamais imaginei que a entregaria tão facilmente.
— Mas Thor salvou sua vida… — crispei os lábios. — Então tinha que fazer isso. Vou ser eternamente grato a ele pelo que fez.
— Será que eu teria morrido na queda? — ela murmurou meio pensativa. — De qualquer forma, fico tão feliz de saber que fez isso por seu irmão — sorriu e em seguida me abraçou.
Dei um suspiro e sorri. Aredhel não tinha noção do perigo que correu. Pelo jeito, ela não tinha ideia da sua fragilidade. Supervalorizava as vantagens da maçã de Iduna.
— Você apenas ficou um pouco mais resistente e forte — encarei-a preocupado. — Viverá o mesmo que eu, mas ainda é mortal. Lembre-se de que sua origem é midgardian. Mesmo com a maçã, você é naturalmente mais frágil. A maçã é da longevidade, ela não dá superpoderes. Com muita sorte sairia mortalmente ferida de uma queda daquela altura. Ele salvou sua vida — afirmei.
— Oh… — entreabriu os lábios. — Sinto-me tão forte, aprendi muita coisa e treinei tanto, que as vezes esqueço que ainda sou humana.
— Eu nunca me esqueço… — comentei baixinho.
Partimos para a casa dos pais de Aredhel. Tínhamos que buscar Váli antes de retornarmos para nossa realidade. Mas a recepção estava longe de ser agradável naquela casa. Não fomos recebidos com o mesmo entusiasmo com o qual fomos agraciados no evento.
— Ah! Como você ousa trazer esse louco para nossa casa, Aredhel? Will nos contou o que o seu marido fez com ele! Imagine só! Obrigou nosso filho a ajudá-lo a sequestrar dois homens! E pior, para matá-los! — berrava Wilson. — Deus, o que fiz para merecer tamanho castigo?
Lancei um olhar furioso para o fofoqueiro do William. O covarde apenas se encolheu. Que necessidade tinha de contar tudo para aquele velho maldito?
— Papai, eu... — tentou falar Aredhel.
— Já pensou que seu irmão pode ser preso? — o velho a ignorou e prosseguiu. — Ser acusado de ser cúmplice de sequestro? Você nunca faz nada direito, mas sempre consegue se superar! Fez a maior besteira de sua vida quando se casou com esse lunático! Esse psicopata! Será que meu neto vai ser igual a ele? Fico imaginando como esse menino será se puxar esse sangue ruim e...
— Chega! — Aredhel gritou. — Basta! Já estou de saco cheio de suas reclamações! — desabafou.
— Ora! Mas que abusada! — indignou-se Wilson. — Não tem respeito mesmo! Sua filha Mary é uma ingrata!
— Filha! Respeite seu pai! — advertiu Mary.
— Se ele quer respeito, que se dê o respeito então! — retrucou Aredhel. — Ele pode falar de mim o quanto quiser, mas não do meu marido e muito menos de meu filho! — vociferou enfurecida. — Will, eu te aguardo em Asgard. Não esqueça o que lhe pedi!
Aredhel pegou Váli no colo e saiu batendo a porta furiosamente. Fiquei surpreso com a reação dela. Ela sempre se mostrou ser passiva aos comentários do pai, então jamais imaginei que reagiria de forma tão explosiva. Foi a primeira vez que a vi enfrentá-lo.
— Está vendo como é a sua filha? — o velho lazarento falou para Mary. — Nunca foi coisa boa, mas agora está pior! E tudo isso é culpa sua! — rosnou em minha direção. — Você é uma péssima influência para Ared! Você vai levá-la à ruína!
— Não abuse da sorte, velho! Senão esqueço que você é pai de minha esposa! — retruquei. — Aredhel está apenas respondendo à maneira que sempre foi tratada por você! — joguei na cara.
O velho olhou para mim lívido de raiva. Mary se aproximou e pediu que se acalmasse. Cansado daquela gente, saí atrás de Aredhel. Ela me aguardava do lado de fora da casa, com um semblante triste.
— Não fique assim, meu amor. Eu não me importo com o que a sua família acha de você e muito menos de mim — abracei-a.
— Não fica triste, mamãe — murmurou Váli, esfregando o rosto no dela.
Aredhel deu suspiro e abriu um sorriso tímido.
— Eu amo vocês dois — choramingou, depositando um beijo na bochecha de Váli e depois outro em meu rosto. — Vamos para casa.
Em seguida partimos para Asgard. Seguimos direto para o salão das relíquias para guardar a Gem amarela. Até o momento, Aredhel nem imaginava que a roxa também estava comigo. Ri imaginando a cara do Stark, se ele descobrisse que a aquela Norn Stone não era a Gem roxa, caso ele tentasse testar o poder dela.
— O que é tão engraçado? — questionou-me Aredhel.
— Nada importante. Só uma coisa que me lembrei — disfarcei em meio a um sorriso.
— O que você está escondendo Loki, filho de Odin? — estreitou os olhos, desconfiada.
— Agora você vai sempre achar que estou escondendo algo? — fiz-me de ofendido.
— Eu te conheço, Loki — olhou-me de forma condescendente. — Acredito que em tudo o que passou, você ainda não me contou tudo — resmungou.
— Mas você viu que, por questão de segurança, algumas coisas não devem ser contadas — falei despreocupadamente. — Você mesma, agora, também guarda um segredo. Você está comigo nessa mentira — sorri com cinismo.
Aredhel deu um suspiro irritado. Aproximei-me dela e a agarrei pela cintura. Fiquei admirando-a por um tempo e ela fez uma careta.
— O que foi? Você sempre disse que me apoiaria até o fim — arqueei as sobrancelhas.
— Você não muda mesmo — riu.
— E você gosta de mim desse jeito, não é? — rocei o nariz na bochecha dela.
— Sim... Eu amo sua genialidade — afirmou abrindo um largo sorriso.
— Eu te amo...
— Eu também te amo...
Aproximei meus lábios dos dela, segurei-a pela nuca e reivindiquei sua boca para mim. Eu a beijei apaixonadamente. Aredhel sem dúvida era a mulher da minha vida. Alguém que não me questionava, apenas me seguia cegamente.
O beijo estava ganhando certa intensidade quando de repente senti uma pequena mão tocando meu rosto. Era Váli que sorria alegremente. Dei um suspiro e peguei-o do colo de Aredhel.
— Acho que está na hora de você dormir — segurei-o no alto e o sacudi de leve.
— Não to com sono — Váli fez um muxoxo.
— Você ainda não tem querer — fui sarcástico.
— Não é justo — resmungou, enquanto nos encaminhávamos para fora do salão.
— A vida não é justa… — sussurrei. — Dê boa noite para a sua mãe.
— Boa noite, mamãe… — murmurou emburrado.
— Boa noite, meu anjo — beijou-o.
Levei Váli até o quarto dele e o acomodei na cama. Ele ainda reclamou um pouco, mas logo adormeceu. Fui rapidamente para nosso quarto e Aredhel já estava lá.
— Váli finalmente adormeceu — anunciei. — Será que agora vou poder ter um pouco da atenção de minha esposa? — reclamei me aproximando e a enlaçando com força pela cintura.
— Claro que pode, amor — deu uma risadinha. — Mas antes preciso que você me prometa uma coisa — lançou-me um olhar meloso.
Aí tinha algo! Conhecia bem aquele olhar.
— Diga-me o que é e depois eu digo se prometo ou não — mal contive a ironia.
— Não. Primeiro prometa que vai fazer o que eu pedir, depois eu digo — rebateu quase ronronando.
— Aredhel... O que você está tramando? Para você estar fazendo todo esse rodeio, o que vai pedir, com certeza, é algo que eu não prometeria — fui direto, extremamente desconfiado.
— Eu sei que sempre cumpre suas promessas — alisou a gola do meu traje. — Por favor! Não é nada ruim — implorou.
— Eu sei... Esse é o problema — dei um suspiro vencido. — Ok. Diga. Eu prometo que vou fazer o que vai pedir.
— Quero que esqueça aquela ideia de tentar evitar que os filmes sejam feitos — falou de supetão, quase atropelando as palavras. — Quero que deixe as pessoas do meu mundo em paz. Não importa o que aconteça, você não vai fazer nada contra eles — soou quase como uma ordem.
Trinquei os dentes.
— Ah, Aredhel! Isso não! — irritei-me e afastei-me dela.
— Você já prometeu — abriu um sorriso cínico.
— Isso não é justo! — disse entredentes. — Eles podem arruinar tudo o que fizemos! Podem colocar sua vida e de Váli em perigo! — bufei.
— Você tem que aceitar que não pode controlar tudo. Que às vezes as coisas acontecem por conta do destino — tentou argumentar.
— Isso não é destino! São eles ditando sobre nossas vidas! — rosnei.
— Nem tudo acontece como nos filmes. Temos mudado tanta coisa… A minha presença mudou quase todo o seu destino. Talvez daqui para frente as coisas melhorem.
— Pode não acontecer exatamente como neles, mas acontece parecido o suficiente para nos afetar. Talvez as coisas piorem.
Ela deu um suspiro e se aproximou lentamente.
— Vamos combinar o seguinte — ela mordeu os lábios. — Ficaremos monitorando o que eles pretendem escrever ou fazer para os novos filmes. Se algo for nos ameaçar, eu e você, juntos, pensaremos em como evitar ou contornar a situação. Certo? Nada de agir sozinho ou me esconder algo, ok? — encarou-me. — Somos um casal, uma dupla, então chega de esconder as coisas de mim! Prometa! — exigiu.
Aredhel havia me deixado em uma situação difícil. Eu já tinha pensando em apenas continuar monitorando o ator, o diretor, o roteirista e aqueles estúdios. O pedido de Aredhel não interferiria nisso. Quanto a não esconder as coisas dela, era a parte mais complicada. Eu também não gostava de esconder as coisas dela, mas sei que Aredhel não me apoiaria em tudo. Teria que contar a ela sobre a Gem roxa, mas não naquela hora. Dei um suspiro vencido.
— Certo. Eu prometo — falei meio contrariado. — Vamos ficar observando e não vou mais esconder nada de você.
— Sendo assim — aproximou-se mais, com passos sinuosos —, agora você pode ter sua esposa só para si — lançou-me um olhar sedutor e passou os braços em volta de meu pescoço.
Sorri. Chegara a hora de cobrar de Aredhel o dia difícil que me fez passar. E eu sabia exatamente como eu queria receber o pagamento. Passei a mão por sua cintura a puxando para perto de mim.
— Finalmente — dei um sorriso malicioso. — Só me lembre, depois, de lhe contar algumas coisas. Mas agora vamos ao que interessa — carreguei-a nos braços e a joguei na cama.
Subi na cama e comecei a beijá-la calorosamente. Aos poucos o beijo foi se tornando mais voraz. Colei meu corpo no dela, usando meu peso para apertá-la contra mim. Separei meus lábios dos dela e encostei minha testa na dela.
— Você está em dívida comigo — arqueei as sobrancelhas com malícia. — Hoje fiz tudo o que você queria. Acho que mereço ser recompensado — umedeci os lábios.
— E o que meu rei deseja? — murmurou toda lasciva.
Levantei-me da cama me pondo de pé e puxei-a.
— Ajoelhe-se diante de mim — sorri cinicamente.
Aredhel abriu um largo sorriso e ajoelhou-se.
— Você tem que aprender a me obedecer, Aredhel — sorri acariciando seu rosto. — Não quero que chegue perto de outros homens. Entendeu?
— Sim, meu rei — afirmou passiva, fazendo cara de inocente.
Fiquei olhando para ela e passei as pontas de meus dedos sobre os lábios dela. Eu ia me inclinar para beijá-la, quando ela deu um sorriso malicioso e começou a abrir minha calça. Senti calafrios percorrerem minha espinha. Aredhel tocou com os lábios o meu sexo e começou a me dar prazer com sua boca. Pelos deuses… Como ela era boa nisso.
Comecei a gemer enquanto acariciava seus cabelos. A medida que ela me sugava, fui perdendo o controle. Aquilo estava me deixando tão louco, que eu mal conseguia evitar puxar os cabelos dela. Passado algum tempo e não suportando mais a excitação, puxei-a para cima. Queria que aquilo terminasse de outra forma. Apertei-a contra meu corpo e a fui empurrando em direção à cama. Na beira da cama comecei a arrancar com violência a sua roupa. Cheguei a rasgar algumas peças. Aredhel fez o mesmo com as minhas.
Debrucei-a em nossoleito e deitei-me sobre ela. Voltei a beijá-la desenfreadamente, em um ritmo eletrizante. Deslizei minhas mãos sobre seu corpo e puxei com força seu quadril contra o meu. Desci meus lábios pelo seu pescoço até chegar aos seus seios. Os beijei com volúpia, dando leves mordidas em seus mamilos. Ela gemia em meus braços. De repente ela inverteu as nossas posições e ficou sobre mim. Sorriu na minha direção com lascívia e aos poucos foi sentando sobre meu membro, até que eu estivesse todo dentro dela. Soltei um gemido. Aredhel começou a movimentar-se sobre mim, cavalgando.
Eu grunhia, adorava quando ela fazia isso. Ela gemia cada vez mais alto a medida em que aumentava a velocidade do movimento. Eu agarrei sua cintura em uma tentativa de ajudá-la a ditar o ritmo. Ela se moveu de uma maneira cada vez mais intensa, até que juntos alcançamos o clímax. Aredhel se jogou sobre meu peito arfando. Eu acariciei o seu rosto e a tirei de cima de mim. Virei-me deitando sobre ela e dei uma mordida em sua orelha.
— Pensa que já acabou? — sussurrei arfante ao seu ouvido. — Sua dívida é alta. Você tem que entender que me pertence. Você é minha Aredhel — afirmei pausadamente.
— Sou toda sua — murmurou ofegante. — Só sua — deu–me um sorriso doce.
Abri um largo sorriso e tomei novamente seus lábios. Beijei-a freneticamente, até deixá-la sem fôlego. Penetrei-a de uma vez e comecei a mover o quadril lentamente. Distribuí beijosem seu pescoço, enquanto sorvia o perfume de seus cabelos. Amava o perfume de minha mulher. Deixe-me levar pelo prazer que sentia eaumentei a velocidade do movimento, fazendo meu quadril chocar-se com força contra o dela. Aredhel gemia melodiosamente em meus ouvidos. Ouvi-la gemendo daquele jeito me dava arrepios. Encostei minha fronte na dela e fiquei admirando sua expressão de prazer a cada estocada que dava.
Aredhel era minha, somente minha. Só eu podia tocá-la e ninguém mais. Somente eu podia fazê-la sentir prazer. Sorri de satisfação ao pensar nisso. Observei seu rosto corado e investi sobre ela com mais força. E o que saiu de seus lábios foi a mais bela melodia de seu prazer. Logo a senti estremecer em meus braços e soltar um gemido alto, sinalizando que chegara ao seu ápice. Imprimi um ritmo constante até me derramar novamente dentro dela.
— Ainda aguenta mais minha rainha? — arfei em seus ouvidos.
Aredhel toda rubra e arfante, fitou-me nos olhos, deu um sorriso e balançou a cabeça afirmativamente. Por fim acabamos nos amando por mais duas vezes, até que ela desmaiasse de exaustão em meus braços. Eu a abracei e fiquei acariciando seu rosto enquanto ela ressonava em meus braços.
— Eu te amo, minha Aredhel — sussurrei depositando um beijo em sua testa.
Confesso que tinha um apetite voraz por Aredhel. Lembro-me de que durante nossa “lua de mel” cheguei perto de machucá-la algumas vezes por conta disso. Às vezes esquecia de que ela era humana e exagerava um pouco. Depois que Aredhel comeu a maçã isso mudou bastante, eu podia ser insaciável e indomável sem preocupações.
Na manhã seguinte contei a Aredhel sobre a Gem roxa. Ela ficou meio irritada, mas no final aceitou melhor do que imaginei. Disse que não confiava em Stark e que duvidava que ele guardasse a Gem sem tentar analisá-la. Aredhel sempre disse que ele e Fury eram os mais perigosos daquele grupo.
Dias depois estávamos tomando café. Havia passado uma semana desde que retornamos da outra realidade. Aredhel estava muito calada e com uma cara de quem não dormira bem.
— Você está bem? Está tão calada e com uma expressão cansada — comentei.
— Estou cansada mesmo, dormi mal. Voltei a ter um episódio de paralisia do sono — murmurou sonolenta.
— Paralisia do sono? — perguntei confuso.
— É quando a gente sente que está acordado, mas não consegue se mexer. Eu já tive isso algumas vezes, mas já fazia anos que eu não tinha. Geralmente acontecia quando... — fez uma pausa com um semblante preocupado — ...eu sonhava com coisas que se realizavam — franziu o cenho.
— O quê? Você sonha com o futuro? — indaguei curioso. — Você tinha dito que não era vidente.
— Mais ou menos — ergueu os ombros. — Não sei explicar. Geralmente as coisas aconteciam quase exatamente como eu havia sonhado. Infelizmente a maioria era de sonhos ruins. Acidentes, mortes e coisas do tipo... Era uma experiência assustadora. Eu ficava paralisada e tinha esses pesadelos. Às vezes até ouvia as vozes de gente que já tinha morrido há muito tempo. Era horrível. Sentia muito medo, pois eu nunca conseguia evitar que as coisas se realizassem — baixou os olhos entristecida. — Will até me chamava de bruxa agourenta por causa disso. Isso começou na minha adolescência, mas passou com os anos… Nunca mais tinha tido essa experiência, mas a de ontem foi um pouco diferente. Para começar, eu não tive um pesadelo e sonhei com pessoas vivas e uma que está morta. No sonho, elas apenas vinham nos visitar e conversar sobre algo importante. Que, para variar, eu não lembro. A paralisia foi rápida e pela primeira vez não senti medo.
— E sonhou com quem? — perguntei despreocupadamente.
— Sonhei com Thor, Fury, Tony e Coulson. Era um sonho tão claro, quase real. Eu os via aqui em Asgard — comentou com um ar sombrio.
— Agora até sonha com o Stark? — resmunguei irritado e deu um murro na mesa.
— Loki, não se pode controlar sonhos. E não sonhei nada demais. Só os vi aqui — deu de ombros.
— Talvez você possa até ser um tipo de vidente. Acho que está evidente que tem alguma habilidade mediúnica — comentei pensativo.
— Eu nunca gostei disso. Nem dos pressentimentos que tenho eu gosto. Eu sempre pressinto quando algo ruim vai acontecer. Eu passei o dia com uma angustia naquele dia em que você foi para Jotunheim. Assim como também pressenti que algo aconteceria no dia em que você partiu para meu mundo e sequestrou o Will. O que adianta sentir que algo ruim vai acontecer ou sonhar com isso se a gente não sabe o que é e se não pode evitar? A única vez que tive certeza do que aconteceria e consegui fazer algo, foi quando pressenti que Other iria para o quarto de Váli na noite da invasão — resmungou.
— Você me salvou em Jotunheim e atrapalhou os meus planos… — sorri.
Ela fez uma careta.
— Parece que você me “enxerga” melhor que o Heimdall — ironizei.
Aredhel riu.
— De qualquer forma, acho que você devia tentar desenvolver essas suas habilidades. Pesquise sobre isso, creio que deve haver uma forma de aperfeiçoar isso — sugeri.
— Será? Eu não sei — meneou a cabeça. — Saber sobre o futuro pode não ser um dom, mas sim uma maldição. Eu senti na pele isso. Nem sempre se consegue mudar e às vezes tentar mudar pode por tudo a perder — suspirou.
— Eu penso de forma diferente. Você mudou muita coisa. Faça o que achar melhor Aredhel, mas acredito que deveria tentar — insisti.
Se Aredhel pudesse desenvolver essas suas habilidades, poderia vir a ser uma vidente de verdade. Isso seria muito útil, seria esplêndido. Não pude deixar de sorrir diante dessa possibilidade.
Continuamos conversando por mais um tempo até que segui para minhas atividades diárias. Fui para o salão do trono e estava na sacada quando avistei ao longe o portal da Bifrost se abrindo. Estranhei. Será que Thor viria nos visitar? Passado mais algum tempo, um dos guardas veio anunciar que eu tinha visita, mandei que entrassem. De fato era Thor, mas para minha surpresa ele não vira sozinho. Acompanhando Thor estavam Stark, Fury e Coulson. Aredhel realmente estava virando uma vidente de verdade.
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