A mulher do meu destino

38 I can't see what you see when I look at the world


Notas iniciais
* I can't see what you see when I look at the world = Eu não consigo ver o que você vê quando eu olho para o mundo - Trecho da música "When I look at the world" do U2. Olá!! Mais um capítulo!! Obrigada pelos comentários!! Amo vocês!! Eu fiquei meio confusa e triste com a estatística da fic nessas últimas duas postagens. Pelo que vi tem menos de dez pessoas lendo a fic. =( Caiu para menos da metade a quantidade de leitores. Fiz algo errado? Não gostaram da história? Enfim, deixem a opinião de vocês. Espero que goste do capítulo de hoje... Boa leitura!!

— Thor, você é livre para ir e vir de Asgard, mas trazer midgardians já é outra coisa — comecei contrariado. — Ainda mais se tratando de Midgardians que não são do agrado do rei de Asgard. Eles não seriam bem-vindos na época de nosso pai e são bem menos agora — falei com sarcasmo. — E não é que às vezes os mortos voltam. Agente Coulson, você voltou do mundo dos mortos? — ironizei.

Coulson nada disse. Fury me encarava impassível e Stark apenas revirou os olhos.

— Parece que não fui muito efetivo nisso também — provoquei. Stark deu um passo, mas Fury o conteve. — Sem rancores? Bem melhor assim. Lá vocês teriam alguma chance, mas aqui... — dei um sorriso amplo.

— Loki, eles não vieram para guerrear — Thor resolveu falar. — Imaginei que não gostaria da visita, mas eles precisavam urgentemente lhe falar.

“Será que já teriam descoberto a troca das Gems?”

— Pensei que todas as pendências tivessem sido resolvidas antes de minha partida — mantive-me sereno. — Afinal, vocês ficaram com a Gem — fingi descontentamento.

— Na verdade viemos falar com sua esposa — falou Fury rapidamente.

“Aredhel?”

— O que querem com Aredhel? — perguntei deixando escapar certa irritação.

— Calma lá “Reindeer Games” — Stark se adiantou —, só queremos trocar algumas palavrinhas com ela. Não vamos roubá-la de você — soou irônico.

Tranquei os dentes.

— Claro que não… Vocês não se atreveriam — devolvi a ironia.

Sem aviso, Váli entrou correndo pelo salão.

— Tio Thor! — gritou o menino correndo em direção a ele.

— Meu pequeno! — riu Thor carregando meu filho.

Váli olhou para os demais e sorriu.

— Olá senhor Tony, senhor Nick e senhor Phil — cumprimentou Váli prontamente.

Os homens ficaram meio surpresos. Fury e Coulson apenas acenaram com a cabeça.

— Então esse é o herdeiro das travessuras — disse Stark, com sarcasmo. — Você nos conhece “menino rena”? — indagou se aproximando de Váli.

— Sim! Mas meu nome é Váli e não “menino rena” — franziu o pequeno cenho. — Mamãe e o tio Will me falaram de vocês. Eu vi todos os filmes. Cadê sua armadura? Todas as armaduras têm um gerador ARC? Como você transmite energia a cada peça da armadura? — disparou a falar.

— Está bem guardada. E eu gero... Espere. Quantos anos você tem? — perguntou Stark meio surpreso.

— Acabei de completar três — disse todo orgulhoso.

Stark arregalou os olhos.

— Um tanto precoce para a idade… — deu um pigarro.

— Um pequeno gênio meu sobrinho, não? — comentou Thor todo sorridente.

— Só espero que não siga os passos de seu pai — murmurou Stark para Váli.

Váli riu. De repente Aredhel entrou no salão.

— Mas o quê? Vocês por aqui? O que houve? – perguntou Aredhel surpresa ao entrar no salão. — Nossa! Você não morreu! Você está vivo! —sorriu chocada para Coulson.

Ela se aproximou do agente Coulson.

— Eu sinto muito pelo que aconteceu — falou toda sem jeito. — Eu realmente não queria que Loki o matasse, mas.. Mas que bom que está vivo.

— Aredhel… — sibilei. Era o cúmulo ela se desculpar pelo que eu tinha feito.

— A culpa não foi sua, senhora — Coulson falou baixo e sem emoção.

— Não me chame de senhora — sorriu sem graça. — Pode me chamar de Aredhel. Detesto formalidades.

Aquilo já estava ficando ridículo. Dei um pigarro e todos me olharam. Estendi a mão indicando Aredhel.

— Ela já está aqui. Digam logo o que desejam — fui ríspido.

— Senhora... Digo... Aredhel gostaríamos de lhe falar em particular — disse Fury.

— Particular? — ela estreitou os olhos e se virou na direção de minha guarda. — Guardas, se retirem — ordenou — e você — dirigiu-se a uma serva — leve Váli.

Prontamente foi atendida. A serviçal pegou Váli dos braços de Thor e junto com os demais se retiraram rapidamente.

— Depois o senhor me explica como funciona, tio Tony! — gritou Váli, acenando na direção dele.

Stark acenou de volta para o menino. Passei a mão pelo rosto, impaciente. Até meu filho tinha interesse por Stark, isso era o fim! Os visitantes olharam para mim e depois para Aredhel, permanecendo calados. Claramente não queriam que eu ouvisse a conversa. Tive vontade de rir. Nada e nem ninguém me retiraria de meu salão.

— Podem dizer o que querem — Aredhel disse por fim, demonstrando ter entendido o silêncio. — Não tenho segredos para meu marido.

Fury olhou para mim e deu um suspiro. Eu sorri satisfatoriamente.

— Bem — Fury deu um pigarro e começou —, Thor nos falou sobre os tais filmes e sobre a influência deles em nossa realidade. Pelo que entendemos praticamente tudo o que acontece nos filmes acontece em nosso mundo. É isso mesmo, Aredhel? — inquiriu de forma direta.

Aredhel olhou rapidamente para mim. Eu apenas sorri e mentalizei “Ora, ora… Não sou o único a achar que isso é uma ameaça”. Ela pareceu ler meus pensamentos, estreitou os olhos me fitando e depois olhou na direção de Fury e Stark.

— Sim… Bem... Mais ou menos — ela iniciou meio em dúvida. — Eu consegui alterar algumas coisas, mas as mortes... – olhou para Coulson. — Não consegui evitar. Entretanto eu nunca tentei alterar o final dos filmes. Afinal, no fim deles a terra é sempre salva pelos heróis — ergueu os ombros. — Só tive que me certificar para não interferir demais e modificar o rumo original.

— Acredito que o principal problema aqui não é se pode ser alterado ou não — interferiu Stark —, mas sim que esses filmes brincam com as nossas vidas. Com nosso planeta, e isso inclui Asgard — completou.

“Exato!” exclamei internamente. Só Aredhel, com seu sentimentalismo irritante, não via o perigo disso tudo. Ela olhou para mim com um semblante preocupado, implorando por socorro. O que eu não fazia por aquela mulher?

— Não se preocupem senhores — falei calmamente. — Eu mesmo já estou monitorando os passos dos responsáveis pelos filmes. Saberei com antecedência se tentarem fazer algo novo que envolva Asgard.

— O seu interesse é com Asgard e não com a Terra — retrucou Fury —, também temos o direito de evitar que um novo mal venha atingir nosso planeta.

— Eles têm razão, irmão! — acorreu Thor. — Esses filmes já custaram a vida de vários midgardians.

Tive que me conter para não revirar os olhos. Virei-me na direção de minha esposa.

— Então, Aredhel? Não é você que sempre quis evitar a morte de inocentes? — fui irônico. — Vai escolher defender um pequeno grupo em detrimento de centenas? — provoquei.

Aredhel me fitou furiosa. Depois olhou para os demais com um semblante triste.

— Deixem-me ver se entendi — Stark balançou as mãos. — Você está do nosso lado e ela está contra nós? — parecia surpreso. — Isso está ficando cada vez mais confuso — riu.

— Não é bem assim — apressou-se Aredhel. — Durante muito tempo eu não tinha certeza de que a realidade seguia fielmente todos os filmes. Só tive certeza depois do que aconteceu com Frigga, Thor e Jane, ou seja, depois do segundo filme se realizar. Tony, eu lhe avisei sobre o que aconteceria, sem ter certeza, por isso não fui tão clara. Se fosse igual ao filme você reconheceria meu aviso, se não fosse, isso não afetaria a sua vida — dirigiu-se a ele. — Sem contar que tentar alterar, provou-se, para mim, até ser pior... — entristeceu-se. — De lá para cá eu não soube muita coisa sobre os filmes, já estou há anos aqui nessa realidade. Fui saber de algo novamente quando certa pessoa foi ao meu mundo atrás das pessoas responsáveis pelos filmes – olhou para mim com raiva.

— Agora faz sentido! — exclamou Stark. — Por isso você estava lá! — apontou para mim. — A “diva de chifres” deve ter ido até lá e usado os famosos métodos persuasivos dele para “convencê-los” a mudar de ideia sobre os filmes. Eu sabia que ajudar os conterrâneos de sua esposa não era uma característica de sua natureza — foi venenoso.

Aredhel pareceu tentar dizer algo, mas desistiu.

— O importante é evitarmos que os filmes sejam feitos — Fury voltou ao assunto principal.

— Nisso concordamos — anuí em meio a um sorriso.

— Calma gente — Aredhel ergueu as mãos e disse com certa urgência na voz. — Acredito que deva haver uma forma de dialogarmos com os produtores e convencê-los a parar com isso. Mudar os roteiros, enfim...

— Aredhel tem razão — concordou Thor. — Não queremos causar maiores problemas na outra Midgard. Não vamos machucar ninguém, certo?

Os demais se entreolharam em silêncio. O quanto Thor era ingênuo. Até mesmo Aredhel tinha consciência de que a S.H.I.E.L.D não ligava para quantas vidas teria que sacrificar em outro mundo para proteger os deles.

— E se eles não concordarem com o que propormos? — perguntou Coulson.

— E porque eles não concordariam com isso sabendo que isso custaria a vida de tantos? — rebateu inocentemente Thor.

Aredhel pôs a mão no rosto e baixou a cabeça. Stark revirou os olhos.

— Thor, eles fazem fortuna com esses filmes. Um universo inteiro gira ao redor de nossas histórias nesta outra realidade. Para os midgardians tudo gira em torno de sua ambição por dinheiro. A cobiça é tamanha, que eles não dariam a mínima para as vidas que custariam, se isso pudesse lhes saciar sua sede de poder. Isso faz parte da natureza deles. Não importa de qual realidade seja a Midgard — expliquei.

Um breve silêncio se fez. Pelo que vi, pelo menos, eles não eram hipócritas de negar isso.

— Se eles não concordarem — Aredhel quebrou o silêncio —, eu mesmo me encarrego de resolver esse problema. Custe o que custar. Vocês têm minha palavra — afirmou com frieza.

Todos ficaram de certa forma surpresos com o que Aredhel dissera, inclusive eu. Perguntei-me se ela falara a verdade ou se estava blefando. Se fosse verdade, no que ela estava pensando? O que estava planejando fazer? O que a levou a mudar de opinião?

— Desculpe-me Aredhel — Fury a encarou —, mas não podemos depositar a segurança da Terra apenas em sua palavra. Você já se mostrou ser demasiadamente complacente para com os seus. Como você mesmo disse, vários filmes se “realizaram” desde que veio para cá. E também, uma vez, você já escolheu proteger uma única pessoa em detrimento de muitas vidas humanas — olhou na minha direção.

Aredhel franziu o cenho, visivelmente abalada pelo que Fury dissera, mas logo se recompôs.

— Vocês não tem outra escolha a não ser confiar em mim — começou com altivez. — Somente através de nós é que vocês teriam acesso à outra Terra. E eu jamais permitiria que vocês pudessem transitar livremente entre as duas realidades. Vou ser eternamente grata pela ajuda que você, Tony, e que os demais Avengers prestaram, mas eu não confio plenamente no julgamento de vocês, principalmente no da S.H.I.E.L.D. E sei que meu marido compartilha da mesma opinião — foi séria. — Vocês não confiam em mim e a recíproca é verdadeira — ergueu uma sobrancelha.

Sorri abertamente. Essa era a minha Aredhel. Sempre ferina em seus argumentos e difícil de derrubar em debates.

Stark esbouçou um sorriso cínico e Fury pareceu extremamente contrariado. Ele olhou para Thor como se esperasse que ele se manifestasse, mas isso não aconteceu. Thor baixou os olhos olhando para o chão.

— Não perca seu tempo, Fury — Aredhel falou repentinamente. — Nem mesmo Thor poderá ir contra as ordens de Loki — em seguida me olhou impassível.

— Essa é também a sua decisão, Loki? — indagou-me Fury.

— Todos ouviram minha esposa — dei um sorriso cínico. — Eu compartilho da mesma opinião — disse serenamente.

Fury parecia tentar controlar a irritação. Stark parecia segurar o riso. Apesar de discordar em alguns pontos de Aredhel e ela ter praticamente tomado decisões por mim, eu estava orgulhoso da astúcia dela. Eu, de fato, jamais deixaria que eles tivessem livre acesso a qualquer reino, mesmo que fosse em outra realidade. Quanto menos eles souberem sobre os filmes, melhor para mim. Não correria o risco de saberem sobre as Gems. Eu estaria sobre o controle da situação toda.

— Se isso era tudo o que queriam falar comigo — Aredhel retomou —, eu posso acompanhá-los até a Bifrost — estendeu a mão na direção do corredor com um sorriso irônico nos lábios. — Thor você ficará conosco por mais tempo? — sorriu docemente virando-se para ele.

Quase ri. Fury bufou. Stark parecia ainda estar se divertindo com a situação e Coulson apenas observava tudo em silêncio.

— Sim. Ficarei alguns dias. Pode deixar que eu os acompanharei até a Bifrost — murmurou Thor visivelmente vencido.

— Até mais ver, Aredhel — disse Fury contrariado e fez uma mesura. — Loki — acenou com a cabeça e em seguida retirou-se seguido por Thor.

— Adeus, senhora — Coulson fez uma reverência.

— Adeus — respondeu Aredhel.

Stark aproximou-se dela e quase sussurrou.

— Eu sempre tive certeza de que era esperta demais e você não me decepcionou. Você é uma raposa — comentou Stark sorridente e a cumprimentou dando um beijo em sua mão.

— E eu sei que vocês não vão deixar isso barato — ela respondeu, dando um sorriso torto. — Sei que você vai encontrar uma forma de contornar essa situação.

— Conte com isso — riu Stark. — Até, “homem rena”! — acenou com cabeça.

— Agora vão! — falei meio irritado.

Depois que todos se retiraram, Aredhel se virou para mim e deu um suspiro.

— É verdade o que disse? — questionei — Vai cuidar da situação como se deve? — não contive a ironia.

— Sim, Loki. Mas à minha maneira — disse com semblante sombrio.

— Aredhel, Aredhel... O que você está tramando? — fiquei preocupado.

— Não se preocupe. Eu também sei ser má e fria quando é preciso — afirmou com seriedade e se retirou.

Nos dias em que se passaram Thor ainda tentou, em vão, convencer Aredhel a ceder e permitir que Fury pudesse ter acesso à água do lago ou aos roteiros que ela pudesse conseguir. Ele nem ousou me pedir tal tolice, pois sabia que eu jamais concordaria com isso. Então ele resolveu arriscar com o coração mole de Aredhel, sem imaginar que a tenacidade dela podia ser bem maior.

— Aredhel, não podemos arriscar que eles continuem produzindo esses filmes — argumentava Thor. — Os Midgardians tem que ter o direito de saber o que eles pretendem fazer. Tem que ter a chance de se defenderem.

— Thor, eu já disse que não tem como — rebateu Aredhel. — Não podemos confiar na S.H.I.E.L.D. Lembre-se que o objetivo deles com o Tesseract era construir armas de destruição em massa! Acredita mesmo que eles tentariam um diálogo antes de sair matando todos os responsáveis? Se fosse por eles, seu irmão hoje estaria morto! — alterou-se.

— Certo — anuiu impaciente. — E como você pretende evitar isso? Como vai saber o que eles pretendem fazer? Pelo que Loki falou eles mantém segredo do que é produzido nos filmes até o lançamento deles — lembrou-a.

— Isso é verdade. Eu só sei parte do que pretendem fazer nos próximos filmes porque fui lá e consegui parte dos roteiros a força — comentei despreocupadamente.

— Eu sei quem pode me fornecer toda informação que precisamos saber — Aredhel disse radiante. — Ele mesmo se ofereceu como mediador.

— Ah! Ele não, Aredhel! — rosnei. — Eu quero você longe daquele verme!

— Loki, não seja intransigente — bufou. — Vamos primeiro tentar do meu jeito. Se não funcionar, conforme prometi, resolverei o problema de qualquer maneira — disse decidida.

— Vou ficar de olho em vocês dois! Não quero ver vocês cheios de intimidades, senão não respondo por mim — avisei. — E se seu plano não funcionar eu mesmo eliminarei certas pessoas. Principalmente esse atorzinho. Esteja avisada Aredhel! — vociferei trincando os dentes.

— De quem vocês estão falando? — perguntou Thor confuso.

— Do ator que interpreta o Loki em meu mundo — ela explicou.

— Vou confiar em vocês dois — Thor olhou para nós e franziu o cenho. — Espero que realmente consigam resolver isso tudo de uma forma pacífica.

— Confie em mim. Não vou deixar que isso custe mais vidas do que já custou — ela confirmou decidida.

Thor permaneceu por uma semana em Asgard. Aproveitei o ensejo para discutir com ele sobre a melhora da segurança para Valhalla. Informei a ele sobre meus novos planos de acesso à sala de relíquias e ele me parabenizou pela ideia. Minha ideia era criar um acesso restrito, no qual apenas Thor, Aredhel e eu poderíamos entrar no local. Eu tinha que reforçar a segurança do salão, pois eu pretendia juntar todas as Infinity Gems.

Curiosamente, perguntei a Thor sobre a maçã e ele informou que Jane ainda não havia comido. Disse que ela estava receosa com a ideia de viver por tanto tempo. Tinha receio de testemunhar a morte de amigos e parentes. Perguntei uma vez a Aredhel se isso a preocupava e ela disse que sim, mas evitava pensar muito sobre isso. Dizia que como o tempo passava lentamente em sua realidade, ela os veria viver muito mais do que o normal e já era feliz por ter essa oportunidade. Ela também afirmava que acreditava que a morte era apenas uma passagem, não o fim de tudo.

Após uma semana Thor partiu novamente para Midgard.

Dias depois, eu levantei e Aredhel permaneceu dormindo. Ela andava sonolenta e agora vinha tendo um sono estranhamente mais pesado. Perguntava-me se poderia ser a tal paralisia do sono. De qualquer forma ela não estava tendo um sono normal.

Mais tarde, naquele dia, a encontrei cochilando sobre alguns livros na biblioteca. Eu a chamei, sacudindo-a um pouco e ela acordou sobressaltada. Fitou-me com uma expressão de quase pavor. Estava pálida e trêmula. Fiquei preocupado.

— Aredhel, o que houve?

— E-eu t-tive outro sonho de novo — gaguejou aturdida.

— Aqueles com a tal paralisia?

— Sim — meneou a cabeça lentamente, com o olhar perdido.

— E o que sonhou, afinal, para estar tão assustada? — perguntei angustiado.

— Sonhei que estava grávida — murmurou em choque.

Notas finais
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