A mulher do meu destino
44 When you try your best, but you don't succeed
Notas iniciais

— Vamos primeiro para minha casa — começou a explicar Aredhel. — Lá ligarei para Lucy e pedirei que ela fique com as crianças. Depois com o auxílio da água partiremos para San Diego. Jim falou que ficaria mais alguns dias na Califórnia, por conta de divulgações dos filmes. Ele já deve estar de partida para Londres. Esta é a única oportunidade que temos para encontrar alguns dos responsáveis pelos filmes. Espero que ele tenha convencido os principais a ir — franziu o cenho, pensativa.
— E onde vamos encontrá-los? — quis mais detalhes.
— Em um café — deu de ombros e me entregou o papel com o nome e o endereço do local —, foi o que ele marcou pelo e-mail. Você já sabe o que tem que fazer, né? — encarou-me séria.
— Sei. Sei — revirei os olhos, impaciente. — Irei disfarçado, assumirei a imagem de outra pessoa e sentarei em uma mesa próxima a de vocês — bufei.
— Ah, não fique irritado — afagou meu braço. — Sabe que eles teriam medo se vissem você lá. É melhor que pensem que fui sozinha, sinalizando um acordo de pacífico. Será melhor se não se sentirem ameaçados — fez uma pausa e fitou-me preocupada. — Loki, me prometa que vai se comportar e que não vai tentar fazer nada contra eles ou qualquer outra pessoa — pediu com aquele costumeiro olhar suplicante dela.
— Desde que eles não tentem nada, aceitem o acordo e que aquele verme não fique cheio de intimidades com você, não terão com o que se preocupar — ergui os ombros, despreocupado.
— Loki — fez uma cara triste.
Eu definitivamente não conseguia dizer não para aquela mulher.
— Está bem, Aredhel. Está bem — concordei contrariado.
Pegamos as crianças e partimos para a outra Midgard. Assim que chegamos a antiga casa de Aredhel ela telefonou para a amiga e ela informou que estaria lá dali a uma hora. Aredhel subiu para colocar Hela para dormir e Váli e eu ficamos bisbilhotando os livros da estante da casa. Váli já aprendera a ler em nosso idioma e no de Aredhel. Ela ficara surpresa com isso, dizia que nosso primogênito era muito novo ainda para isso, mas eu achei tudo muito natural. Ele era meu filho, então era quase óbvio que seria um prodígio.
Passado algum tempo deixei Váli na sala e subi. Aredhel havia trocado de roupa. Olhei-a chocado, a roupa era curta e deixava suas pernas a mostra. Ela usava ainda uma camiseta com a minha cara estampada nela.
— Espero que isso seja apenas uma ilusão. Você não sairá vestida desse jeito — falei sério. — Onde está o resto de sua roupa? — olhei ao redor. — Não está faltando a parte de baixo? Você a perdeu ou esqueceu de vestir? — indaguei com ironia.
— Eu estou vestida — crispou os lábios e passou por mim, para se fitar no espelho. — Isso é uma saia e nem está tão curta. Não é uma ilusão, são minhas roupas antigas. Eu só estou experimentando — olhou-se de lado. — Todas ainda servem. Eu sei que sempre fui gordinha e com seios fartos, mas fico feliz de não ter engordado tanto depois de dois filhos. Acho que foram os treinos — mordeu os lábios — Se bem que emagreci rápido só amamentando. Gostou da camiseta? — virou-se para mim e sorriu estendendo a mão para a camiseta.
— Gostei — sorri. — E se for para usar somente para mim, eu também gostei da saia. Mais ou menos gordinha, tanto faz, você sempre me excita — aproximei-me e passei a mão por sua coxa. — Acho que temos algum tempo até a sua amiga chegar — arqueei a sobrancelha com malícia.
Aredhel sorriu e indicou com a cabeça que Hela dormia na única cama do aposento. Segurei o rosto de Aredhel com as mãos e a beijei levemente.
— Não precisamos de uma cama. Sabe muito bem disso — sorri cinicamente. — Preciso lembrá-la de nossa… — tentei me lembrar da expressão que ela usara. — Lua de mel?
— Ah, Loki… — o rosto dela ficou carmesim. — Quantas vezes eu fiquei com medo de sermos pegos.
Ponderei sobre os lugares em que nos amamos naquele período e tive que concordar com ela. Ainda que a maioria das vezes eu apenas tivesse levantado o vestido dela até a cintura para possuí-la, mesmo assim, seria um escândalo.
— Bons tempos… — rocei meu nariz no pescoço de minha esposa. — Acho que precisamos de uma segunda lua de mel… — abracei-a e tomei seus lábios com lascívia.
Deslizei minhas mãos por seu corpo. Aredhel passou as mãos por minhas costas até alcançar meus cabelos. Passei as mãos por baixo de sua saia e puxei sua roupa íntima, rasgando-a. Ela se separou de mim e me olhou com uma cara cínica.
— Se continuar assim ficarei sem calcinhas para vestir — resmungou com um sorriso torto.
— Por mim, você nem as usaria — sorri com malícia.
— Você é muito tarado — riu e mordeu meu lábio.
Voltamos a nos beijar com ferocidade. Aredhel alcançou minha calça e a abriu. Empurrei-a em direção a uma pequena mesa.
— Vire-se, meu amor — pedi e sorvi seu perfume floral.
Aredhel se virou e se inclinou, apoiando-se na mesa. Ergui sua saia e acariciei suas nádegas e coxas. Afastei seus cabelos, encostei meus lábios em sua nuca e dei algumas mordidas. Eu a segurei pela cintura e penetrei sua intimidade lentamente. Comecei a mover meu quadril rapidamente. Com uma das mãos eu a abracei pela cintura. Com a outra deslizei por baixo de sua camiseta eu e apertei seu seio.
Aquela mulher me deixava louco.
— Geme baixinho, meu amor… — sussurrei ao seu ouvido. — Senão pode acordar nossa filha...
Continuei me movendo com luxúria, me deleitando com os gemidos baixos de Aredhel, até que juntos alcançamos nosso clímax. Abracei-a todo ofegante e dei um beijo em seu pescoço.
— Acho melhor tomarmos um banho e nos arrumarmos antes que sua amiga chegue — sugeri, enquanto ainda arfava, tentando recuperar meu fôlego.
Banhamo-nos e nos vestimos. Descemos e Váli ainda estava lendo um livro. Peguei um livro novamente e continuei lendo. Aredhel tirava fotos de Váli com seu celular.
— Meus filhotes são tão fofos! — exclamou me mostrando fotos de Hela e Váli.
— Mamãe, o que é o amor? — perguntou o menino, de repente.
— Bom... O amor é um sentimento... — ela fez uma pausa pensativa e abriu e fechou a boca, parecendo procurar as palavras. — Algo meio difícil de explicar. É algo que se sente por pessoas que são especiais para nós… — gesticulou.
— Não entendo — Váli balançou a cabeça e coçou os cabelos da nuca. — Segundo esse livro o “amor é fogo que arde sem se ver. É ferida que dói e não se sente.” Como assim? — indagou confuso. — Não parece fazer sentido.
— É… Até hoje não faz sentido nem para mim… — pensei alto.
Aredhel sentou-se ao meu lado e sorriu com um olhar sonhador.
— “É um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer. É um querer mais que bem querer. É um andar solitário por entre a gente. É nunca contentar-se de contente. É um cuidar que ganha em se perder. É querer estar preso por vontade. É servir a quem vence, o vencedor. É ter com quem nos mata, lealdade. Mas como causar pode seu favor nos corações humanos amizade, se tão contrário a si é o mesmo amor?” — suspirou. — Isso se chama metáfora, meu anjo. Luís Vaz de Camões tentou explicar o inexplicável. Ele tentou explicar o que é o amor. Como se sente uma pessoa que está amando — explicou toda carinhosa.
— Eu sei o que é metáfora, mas, ainda assim, é confuso — resmungou.
— Váli, há vários tipos de amor — prosseguiu Aredhel. — Amor de pais e filhos, como o que sentimos por você e sua irmã. E amor entre duas pessoas, como o que sinto por seu pai e ele por mim — sorriu timidamente em minha direção.
— Vai entender quando ficar mais velho. O que você não sabe agora, um dia sentirá — falei despreocupadamente.
Tocaram a campainha da casa. Era Lucy, a amiga de Aredhel. Minha esposa agradeceu à jovem várias vezes por ela ter vindo e entregou-lhe dinheiro. O que sobrara do período em que vivia em Midgard. Explicou à mocinha que a quantia era para comprar comida para ela e as crianças. Troquei minha imagem para a aparência de um homem típico midgardian, deixando Lucy chocada. Aredhel mudou sua aparência para roupas de Midgard e pegou uma bolsa. Nos despedimos de nosso filho e da jovem e partimos para a tal San Diego.
Quando chegamos na tal cidade seguimos direto para o tal “café”, havíamos aterrissado no estacionamento do estabelecimento. O local, que parecia uma espécie de taverna, parecia estar vazio. Aparentemente só estavam presentes os serviçais, Aredhel e eu. Era um ambiente pequeno com apenas cinco mesas, um balcão comprido com uma vidraça que exibia bolos, tortas e outras iguarias. Havia cheiro muito forte, porém agradável, exalando no local. Aredhel se sentou em uma das mesas e eu em outra mesa próxima. Apesar de chegarmos quase juntos, eu tinha que fingir que não a estava acompanhando. Ela chamou uma das servas do local e de maneira satisfatória, notei que de onde estava poderia ouvir tranquilamente toda a conversa na mesa de minha mulher.
— Vou querer um cappuccino e um apfelstrudel — pediu Aredhel.
Em seguida a jovem veio até a minha mesa e me entregou um livreto. Meio perdido com os itens lá elencados, me limitei a pedir o mesmo que Aredhel.
Passado algum tempo o ator chegou. Como de praxe, o verme entrou todo sorridente, acenou para Aredhel e seguiu para sua mesa. Ele abraçou Aredhel efusivamente. Fechei meus punhos sobre a mesa, com raiva, mas me mantive quieto. Observaria até onde aquela audácia iria.
Eles se sentaram e começaram a conversar.
— Desculpe-me ter deixado você esperando — ele pareceu sem graça.
— Nada — Aredhel balançou a mão. — Eu que cheguei antes da hora marcada. Obrigada por ter vindo. Quem confirmou que viria? — foi direta.
— De nada. Eu só quero ajudar. Virá um representante da empresa detentora dos direitos sobre as histórias e um representante dos estúdios responsáveis pela produção dos filmes — revelou.
— Aqui está seu pedido — disse a serva do local colocando um prato e uma xícara sobre a mesa de Aredhel. — O senhor vai pedir... — a moça repentinamente perdeu a voz e abriu um largo sorriso, corando violentamente. — Er... O senhor vai... Vai querer a-algo? — gaguejou.
— Ah, sim.. Desculpe-me — ele pegou o livreto. — Hum… — crispou os lábios. — Acho que já tomei muito café hoje... Vou querer um chá. Earl Grey com um pouco de leite. E para comer, biscoitos. Obrigado — sorriu o ator.
A serva saiu toda alegre e em seguida veio me trazer o que pedi. Eu experimentei a bebida, tinha um sabor forte e o mesmo cheiro que perfumava o local, que era muito agradável. Precisava ter aquela bebida em Asgard! O tal apfelstrudel parecia uma torta feita de uma massa fina, as quais pareciam folhas de papel empilhadas. Veio com um pote de creme branco ao lado. Provei primeiro o creme, era algo como leite doce batido. Vi Aredhel colocá-lo em cima da torta e fiz o mesmo. Provei a torta e percebi que o recheio era de pedaços de maçã com canela. O recheio, a massa em folhas e o creme, de fato, formavam uma mistura muito saborosa.
— E o Loki? Como está? — a minha cópia mal produzida, continuou a conversa.
— Está bem — ela disse em meio a um suspiro. — Ainda muito pessimista com a situação, mas, pelo menos, aceitou a ideia de um diálogo. Como você sabe, o tempo passa mais rápido lá, então ele pôde esquecer por algum tempo esse assunto todo. O problema é que outras pessoas ficaram interessadas nisso tudo — fez uma careta.
— Outras pessoas? Como assim? — surpreendeu-se o outro.
— Dias depois que retornamos, Stark e Fury apareceram em Asgard querendo detalhes e até acesso à nossa Terra para resolver esses assuntos sobre os filmes — revelou. — Thor também andou nos pressionando. Todos estão preocupados com a influência dos filmes daqui na outra realidade.
— Entendo. É uma situação realmente complicada. Eu sinceramente sinto muito por tudo isso. Espero que tudo dê certo hoje — murmurou o ator franzindo o cenho e depois sorriu. — Tenho uma boa notícia. O diretor e o roteirista abandonaram o projeto. Falei com o John e ele também está pensando em não mais interpretar o Thor. Ele disse que não quer se envolver em confusões. E eu, apesar do contrato, resolvi que também não interpretarei mais o personagem nas telas, só em eventos — passou as mãos pelos cabelos meio sem jeito. — Eu só ainda não comuniquei a ninguém a minha decisão. Preciso primeiro contatar meu advogado. Meu contrato previa cinco filmes — deu um suspiro. — Agora tem um novo problema, eles estão produzindo uma série. Chegaram a entrar em contato comigo sobre ela. Temo que isso também influencie na outra realidade.
— Eu fico feliz e ao mesmo tempo lamento por vocês. Não queria que isso causasse maiores problemas ou prejuízos para você e os demais. Sinto muito, mesmo — falou Aredhel visivelmente entristecida. — Quanto à série eu já soube. Meu irmão me contou sobre a mesma. Também estou aflita com isso, pois lá Coulson também voltou dos mortos.
— Igual a série… — ele murmurou pensativo. — Quanto a nós... Não se preocupe conosco. Tomamos consciência da gravidade da situação e não queremos tomar parte em algo que machuque outras pessoas — deu um novo sorriso. — Hum — empertigou na cadeira. — Você recebeu as fotos?
— Sim. Meu irmão levou para nós. Eu adorei. Ficaram ótimas. Ah! — exclamou e em seguida pegou o celular. — Hoje, antes de vir, tirei fotos das crianças. Deixe-me lhe mostrar — estendeu o aparelho para o ator.
— Crianças? Vocês já têm outro filho? Nossa o tempo lá passa rápido mesmo — espantou-se e pegou o celular.
— Sim, temos agora uma menina. Hela — sorriu.
— Ela é linda… — o ator murmurou olhando para o aparelho. — Parece-se com você. Espantoso. Váli é mesmo a cara do Loki. Espero um dia ter um filho parecido comigo também — sorriu. — Desculpe a minha curiosidade, mas como você foi parar em outra realidade? Como foi que vocês se aproximaram? Até hoje me pergunto como ele foi se apaixonar por uma humana.
— Bom — Aredhel entrelaçou os dedos e apoiou o queixo sobre eles. — Segundo o próprio Thanos, foi ele quem me enviou para lá com a ajuda de uma das Infinity Gems, com o objetivo de mudar o destino de Loki. Eu cheguei momentos depois do Loki chegar ao laboratório da S.H.I.E.L.D. No início pensei que estava sonhando, então me ofereci para ajudá-lo — ergueu os ombros. — Disse que era vidente, que sabia sobre o futuro dele e que o ajudaria. Tudo parecia absurdo demais para ser real, então não vi problemas em mentir. Depois daquela fuga alucinante, percebi que aquilo não era um sonho. Eu era fã dele, mas não poderia deixar que ele matasse as pessoas. Então tentei convencê-lo a desistir de tudo aquilo, mas obviamente não podia confessar que não era uma vidente. Então mantive a farsa. Eu e Loki possuímos, em comum, um conflito familiar. Então, justamente por saber como ele se sentia, tentei convencê-lo a mudar de ideia. Só que não deu muito certo. Ele pensou que eu o estava manipulando — deu um suspiro.
— Loki sendo Loki... Imaginei… Ele é muito desconfiado. Sabe, eu o entendo. Cheguei a comentar uma vez que saberia até o que dizer a ele se eu fosse o analista dele — riu. — Acredito que tudo o que ele precisava era colocar toda aquela mágoa para fora. Não é fácil se sentir rejeitado a vida toda — comentou o ator com um semblante triste.
Aquela conversa toda estava me deixando meio desconfortável. Os dois estavam sentados, falando sobre a minha vida, de como eu me sentia e eu ali, ouvindo tudo. Era desconsertante.
A serva se aproximou e trouxe o que o ator pedira. Mais uma vez a serviçal se derreteu para ele antes de se retirar.
— Mas você mudou muita coisa em relação ao filme? — o inseto indagou após dar um gole em sua bebida.
— Não muita coisa — Aredhel crispou os lábios. — Na verdade, eu me esforçava para não mudar algumas coisas. A única coisa que tentei mudar no Avengers foi o final. Quando Loki e Thor lutaram na torre Stark e Loki fugiu, eu expliquei para Thor que o cetro fechava o portal. Mas quando partimos para o topo da torre alguns Chitauri nos atacaram, o cetro caiu e deu tudo errado — passou as mãos pelo rosto. — Tentei consertar a situação colocando Thor novamente onde ele deveria estar e fui buscar o cetro. Quando retornei a Natasha já estava lá, então tive que convencê-la a esperar que Tony se livrasse do míssil. O detalhe era que ninguém confiava em mim. Nem o Loki e nem os Avengers. Eles pensavam que eu estava realmente ao lado dele. Então, mesmo tendo feito aquela revelação, depois que tudo terminou, fui presa e interrogada por Natasha. Após uma longa espera, eles constataram ou se convenceram de que eu não pertencia àquela Terra. Sendo assim, Thor me levou para Asgard a fim de ver se teriam como me mandarem de volta. Mas chegando lá fui julgada por Odin. Ele me condenou à prisão por eu ter preferido ajudar e poupar a vida de Loki em detrimento da vida de todas as pessoas que morreram. Resumindo, eu era tão culpada pelas mortes quanto o Loki. Só não fui condenada à morte porque no final eu ajudei os Avengers — concluiu com tristeza.
— Nossa — ele passou a mão pelo queixo. — Você praticamente abraçou desde o início a famosa “jornada do herói”. E Odin foi tão duro com você. Ele deveria ter ficado, pelo menos, um pouco grato. Afinal, Loki é filho dele e você tentou protegê-lo — murmurou pensativo o ator e a encarou. — Você se arriscou tanto por ele — olhava-a de um jeito estranho. — Pelo jeito você já gostava dele e apenas não percebera ainda.
— É. Talvez você tenha razão — ela murmurou —, mas levei um bom tempo para perceber. Mais de um ano — arqueou as sobrancelhas.
— Você ficou presa naquela masmorra? Dividiu cela com outros seres? — pareceu preocupado.
— Sim, fiquei na masmorra, mas tinha uma cela só minha. Cortesia de Frigga… Acredito que ela ficou grata pelo que fiz por Loki... Eu era vizinha de cela dele. Foi assim que ficamos… — fez aspas com os dedos — ...amigos — riu.
— Ah... Agora faz sentido. Vocês passaram um ano presos, até acontecer a rebelião na prisão, certo?
— Isso… Exatamente...
Aredhel seguiu contando toda a nossa trajetória. O ator ouvia a história toda, maravilhado. Ele vez ou outra fazia comentários ao meu respeito, sobre minhas reações. Percebi que estranhamente ele realmente parecia me conhecer muito bem.
— Mas é claro! — ele deu um tapa de leve sobre a mesa. — Quando você falou que estava noiva ele deve ter percebido que estava apaixonado por você! E a forma como ele se declarou só mostra o quanto ele devia estar em conflito com o que sentia. Pelo que conheço dele, sei que ele não aceitaria se apaixonar por uma humana e lutaria contra esse sentimento, mas eu confesso que não esperava que fosse pensar em matá-la — concluiu aturdido. — Ele chegou a colocar a mão em seu pescoço? — perguntou retoricamente, pasmado.
Aredhel deu um sorriso fraco e me encolhi na cadeira. De fato, eu não me orgulhava daquilo. Na verdade me doía toda vez que lembrava que quase cedera à ideia de matar a mulher que agora era tudo para mim.
— Agora sabendo mais detalhes — o ator prosseguiu —, percebi porque ele se apaixonou por você — sorriu. — Vocês são parecidos, tem mágoas em comum, desde o início você vem se dedicando a ajudá-lo e, para completar, é inteligente e bonita. Ele não tinha como resistir — meneou a cabeça.
Aredhel ficou toda corada. Rangi os dentes com a parte final do comentário. Eu sabia que minha esposa era bonita e inteligente, mas não gostava da ideia de outro homem notar isso. Mas mal tive tempo para remoer o que o idiota dissera, pois nesse momento entraram quatro homens no local. Notei que um deles se dirigiu ao balcão e o outro permaneceu próximo à porta do local. O ator acenou para os outros dois, os quais se dirigiram para a mesa deles. Eles cumprimentaram o ator e Aredhel e se sentaram.
— Agradeço por terem vindo — ela disse de forma amistosa. — Creio que o já deve ter dado a vocês uma prévia da situação que nos trouxe a essa reunião, certo? — abriu um largo sorriso.
Os homens assentiram com a cabeça e corresponderam ao sorriso com outro quase cínico. Mais três homens entraram no local. Passado algum tempo, notei que os servos do local tinham estranhamente desaparecido. Comecei a achar aquilo tudo suspeito.
— Acredito que depois de esclarecer algumas coisas — Aredhel continuou falando —, vocês entenderão meus motivos e poderemos entrar em um acordo — disse com toda calma.
Mais um homem entrou no local e sentou-se atrás de mim. Trinquei os dentes e cerrei os punhos com força. Aredhel era uma tola mesmo. Agora eu tinha certeza, aquilo era uma cilada.
— Nós não viemos fazer nenhum acordo — anunciou um dos representantes. — Vamos continuar produzindo os filmes. E você, moça, será o nosso acordo — sorriu deliberadamente.
— Como? — surpreendeu-se Aredhel, no ápice de sua ingenuidade.
Dois dos homens que haviam entrado no local se aproximaram dela e do ator e apontaram armas para eles. Ela e o idiota de meu sósia se levantaram espantados. Parecia que o plano de Aredhel havia fracassado, exatamente como eu imaginara.
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