A mulher do meu destino

84 When you lose something you cannot replace


Notas iniciais
*When you lose something you cannot replace = Quando você perde algo que não pode substituir - Trecho da música "Fix you" de Coldplay. Olá! Bem, mais uma vez me desculpem pela demora.. Trago a vocês mais um capítulo.. Confesso que fiz algumas mudanças de última hora no rumo da história. Talvez este seja o penúltimo capítulo ou não.. Para as mudanças, me baseei nos comentários que venho recebendo, mais principalmente pelo do último capítulo que postei.. Pelo que li acho que muita gente, além de meu marido, ficará feliz com esse capítulo.. Boa leitura..



Prendi a respiração ao ver que, além da Gem roxa, ele segurava na outra mão meu cetro. "Então ele ainda não o havia me entregado", concluí. Encarei Thanos tentando manter a calma. Ele olhou demoradamente de Aredhel para mim e sorriu.

– Agora eu estou confuso, Loki.. Pela conversa que ouvi e, se entendi muito bem, esta mulher ao seu lado é mãe de seus filhos? – Thanos deu um sorriso cínico – Você nunca me falou que tinha filhos, muito menos com uma humana. – riu com desdém – É por isso que planeja governar a Terra? – perguntou em meio a um sorriso malicioso.

Pus-me a frente de Aredhel, protegendo-a atrás de mim. Pelo jeito ele havia ouvido muito de nossa conversa, não adiantaria nada fingir indiferença em relação à Aredhel. Ele sorriu novamente ao ver que realmente me importava com ela.

– Confesso que achei tocante e até comovente a linda conversa do casal. As doces juras de amor. — gargalhou Thanos – Mas sabem.. Eu não me lembro de ter trazido essa mocinha para.. – passou a mão pelo largo queixo — Como vocês mesmo disseram? – perguntou retoricamente — “Esta realidade”. – estreitou os olhos – Então se entendi bem, esta mulher chamada Aredhel é de outra realidade e eu a trouxe para cá.

De repente tudo fazia sentido. Estava claro que Thanos nem sabia da existência de Aredhel. Foi a nossa viagem no tempo que deu a ideia a ele de enviar Aredhel do outro mundo para nossa realidade. Ele ouvira toda nossa conversa e escutara que a ida dela iria ocasionar todo tipo de problemas e mortes. Agora sim tudo se encaixava. Ele mandou Aredhel para esta realidade pensando que ela só traria problemas. Eu estava com raiva do desatino de Aredhel, mas percebi que sem ele jamais a teria conhecido. Jamais imaginaria que tudo isso era um ciclo fechado.

– Vejamos.. – continuou Thanos – Então vocês com a ajuda de uma das Infinity Gems voltaram no tempo para me fazer mudar de ideia. E.. Pelo que entendi, você está sem seus poderes e totalmente vulnerável. – soltou uma gargalhada alta – Isso não poderia ser mais perfeito! – ria.

Thanos inesperadamente apontou o cetro para nós e atirou. Empurrei Aredhel para longe e pulei. Aredhel deu um grito e caiu no meio das pedras. Ficou toda machucada. Ela voltara a ser minha bonequinha de cristal, frágil e desprotegida, mas pelo menos não tinha sido atingida pelo raio.

– Entreguem-me a Gem e prometo que os matarei rapidamente, com menos dor o possível. – Thanos sorriu cinicamente – Se quiser eu a mato depois de matar você. Eu lhe pouparei de vê-la morrer. – apontou o cetro para Aredhel que ainda estava se levantando.

– Fique longe dela! – gritei.

– Ora, ora, ora.. O que você pensa fazer para me impedir? – sorriu com escárnio e caminhou em minha direção – Você está sem seus poderes, Loki. – lembrou – Mas já tomei minha decisão. Vou matar você e depois matarei sua mulher. Eu sei que ela é quem está com a Gem. – falou apontando o cetro para mim.

Eu estava perdido, estava distante demais de Aredhel para podermos retornar juntos com a Gem do Tempo. Não havia saída, fechei os olhos e implorei mentalmente que Aredhel usasse a Gem e fugisse, pelo menos a vida dela seria poupada.

Ouvi o grito de Aredhel, repentinamente senti ser empurrado e caí no chão. Abri os olhos e meu coração parou. Vi Aredhel parada em pé diante de mim. Ela estava com uma expressão de dor no rosto e com a boca entreaberta. Thanos tinha atravessado Aredhel com o cetro. Ela havia se sacrificado por mim.

– Aredhel! Não! – gritei a plenos pulmões.

Sem a menor piedade, Thanos puxou o cetro de uma vez e Aredhel caiu sobre mim, sangrando muito e cuspindo sangue. Eu a amparei em meus braços e senti o desespero tomar conta de mim.

– Olha só sua mulher inútil.. Sujou o cetro com esse seu sangue imundo. – disse Thanos com desdém, se afastando um pouco – Se bem que não ficaria menos sujo com o sangue Jotun de seu marido. – riu.

Thanos nos deu as costas por um momento e, calmamente, com magia, limpou o cetro. Não pude deixar de achar aquilo tudo uma triste ironia. Uma vez no passado eu mesmo havia agido de forma igual quando matei Coulson e me diverti com a revolta nos olhos de Thor. Aredhel tinha razão. Tudo o que fazemos um dia se volta contra nós. Eu definitivamente estava fadado a pagar amargamente por cada erro do passado. Perguntava-me por quanto tempo Aredhel pagaria por meus erros.

Tranquei os dentes com ódio. Queria poder matá-lo com requintes de crueldade. Mas nada podia fazer, não sem meus poderes. A impotência diante daquilo fazia meu sangue ferver.

– Aredhel.. Você estragou a brincadeira. Eu ainda queria torturar Loki por algum tempo. — Thanos gargalhava.

Eu respirava pensadamente, tamanha era a ira que sentia. Voltei a olhar para Aredhel desesperado e pus a mão pressionado o ferimento. Era tudo o que eu podia fazer naquele momento. Rezava mentalmente para que ela aguentasse.

Enquanto Thanos estava distraído, se vangloriando de sua vitória certa, Aredhel pôs em minha mão a Gem do Tempo.

– Vá para casa, meu amor.. Salve-se.. Eu.. Eu te amo.. – sussurrou Aredhel se engasgando com o próprio sangue.

“Sempre pensando em mim”, meneava minha cabeça encarando aqueles olhos escuros. O amor de minha vida estava morrendo e pedia para que eu me salvasse. Quando ela entenderia que eu jamais a abandonaria? Meu coração estava se desfazendo em pedaços.

– Bem.. Sorte sua que sua morte pelo menos será rápida. Confesso que não era o que eu havia planejado para você, minha garota. — continuou Thanos ainda rindo.

Thanos se virou e viu-me com a Gem nas mãos. Eu apertei a Gem e a luz verde tomou conta do local. A última coisa que vi foi Thanos arregalando os olhos e vindo em nossa direção.



Inspirei o ar e percebi que não sentia mais dor alguma. Eu havia recuperado meus poderes e minha vitalidade. Olhei rapidamente ao redor e vi que estávamos no quarto novamente. James se levantava do chão, próximo à parede contra a qual se chocara. Como imaginara, havíamos retornado para momentos depois de termos partido. Olhei para meu colo e desesperei-me ao ver que Aredhel agonizava em meus braços.

O ferimento de Aredhel era grave demais. Mesmo recuperando sua força, aquilo seria demais até mesmo para mim. Tão desesperado quanto eu, James se ajoelhou ao nosso lado, pôs as mãos sobre o abdome dela e começou a fazer a magia de cura. Eu gritei chamando os guardas e pedi que trouxessem Ada rapidamente. Também coloquei minhas mãos sobre Aredhel e comecei a ajudá-lo.

– O que houve, Loki? – James indagou exasperadamente, tentando conter o sangramento – Foi você quem fez isto a ela? – trancou os dentes – Porque se foi, eu juro que matarei você e.. – sibilou com raiva.

– Não.. Não foi ele.. – gemeu Aredhel tocando meu rosto.

– Meu amor.. Não fale.. Poupe energia.. – falei rapidamente para ela – Foi Thanos que fez isso. – rosnei com raiva – Ele ia me matar, mas... Aredhel se colocou na minha frente e foi atingida em meu lugar.. – falei com pesar.

O sangue de Aredhel não parava de fluir. Ela respirava com dificuldade e estava cada vez mais pálida. De repente comecei a perceber que talvez não conseguisse salvá-la. Prendi a respiração, deixando a aflição tomar conta de mim. Hela ainda estava em sono profundo, não poderia trazer Aredhel de volta se ela morresse. Senti meu olhos arderem e encherem-se de lágrimas. Eu não podia perdê-la.

– Por favor.. Por favor.. — implorava vendo minhas mãos se encharcarem com o sangue dela, enquanto as primeiras lágrimas desceram por minha face.

– Aredhel.. — James meneou a cabeça negativamente e o vi começar a chorar.

Aredhel olhou de James para mim e franziu o cenho.

– Loki.. Eu tenho.. Que lhe dizer.. Uma coisa.. — começou a falar com dificuldade.

– Não, Aredhel.. Fiquei quieta.. — pedi aos prantos.

– Deixe-me falar... Por favor.. — ela pediu — Eu.. Eu não me arrependo de nada do que fiz.. — tossiu sangue – Eu não lamento ter voltado no tempo.. Ou ter vindo para essa realidade.. — engasgou-se.

– Aredhel.. Não.. Por favor... — implorei.

– Se não fosse isso.. — Aredhel me interrompeu — Eu não teria te conhecido.. Sido tão feliz durante esses anos.. E tido os filhos que tanto amo.. — lágrimas desciam por seu rosto – Eu fui tão feliz ao seu lado.. Eu.. Eu te amo demais.. — soluçou – Por Deus.. Eu faria tudo de novo.. Morreria por você quantas vezes fosse necessário.. — pôs a mão em meu rosto.

– Aredhel.. Pare.. Você não vai morrer.. Pare por favor.. — eu implorava em meio a soluços.

– Jimmy.. Ajude Loki.. Por favor.. Continue sendo a voz da consciência dele.. E.. Cuide de meus filhos.. Eu te amo.. Meu maninho.. — com a outra mão tocou o braço dele.

– Eu também te amo, Aredhel.. — James soluçava — Minha irmã de outra mãe.. — deu um sorriso fraco – Mas você não vai morrer.. — dizia exasperado.

– Por favor.. Eu sei que vou morrer.. Apenas prometa.. — pediu novamente.

James anuiu silenciosamente e fechou os olhos se debulhando em lágrimas.

– Não entendo porque... Não consegui prever isso.. — ela disse com amargura fitando o teto do quarto.

– É porque você não vai morrer! — gritei desesperado.

Ela me fitou longamente e piscou, deixando mais lágrimas escorrerem.

– Perdoe-me... Por tudo o que fiz você... Passar.. Eu.. Só achei.. Que fazia o que era melhor... — Aredhel falou se afogando.

– Eu não tenho nada o que perdoar.. — encostei minha fronte na dela e fechei os olhos com força – É você que tem que me perdoar.. Pelos deuses.. Eu te fiz sofrer tanto.. Te machuquei tantas vezes.. Exigi demais de você.. Tirei de você quase tudo o que você amava.. Eu te sufoquei com meu amor.. — soluçava descontroladamente – Aredhel.. Eu te amo mais que tudo.. Faria qualquer coisa por você.. Qualquer coisa.. — confessei – Por favor.. Não me deixe.. — implorei vencido pela dor.

– Não há o que perdoar.. Amar é nunca ter que pedir perdão.. — sorriu fracamente ao repetir a frase que um dia me dissera – Eu jamais te deixaria.. Se essa escolha fosse minha.. Faria tudo por você.. Tudo para te ver feliz.. — engasgou-se e tossiu mais sangue.

Beijei a fronte dela e depois o lábios dela. Senti novamente o gosto de sangue, o mesmo gosto amargo da morte. Todo meus esforços de estancar o sangramento pareciam inúteis. As mãos de James e as minhas já estavam pintadas de rubro com o sangue dela. Eu já tinha vivido aquele desespero anteriormente e sabia como isso iria terminar, mas não queria aceitar. Não, eu não havia enfrentado todos os pesadelos possíveis e impossíveis para terminar daquele jeito. Eu tinha feito de tudo para tê-la ao meu lado, para mantê-la viva e agora eu a estava deixando escapar entre meus dedos, feito o sangue que dela fluía.

– Diga aos.. Meus filhos.. Que os amo... Demais.. Perdoe-me por.. Não lhe dar mais filhos... — ela disse com a voz fraca.

– Por favor.. Não Aredhel.. Eu não posso te perder! Não de novo! Não! — gritei desesperado.

Ainda com a mão em meu rosto, ela deu um breve sorriso. Naquele momento eu percebi, senti, que aquela era a última vez que a veria sorrir. Senti algo morrer dentro de mim.

– Eu.. Te.. Amo.. Loki.. — ela disse, cerrou os olhos e a sua mão desabou.

– Não! Aredhel! Não! Não! Por favor! Não! — berrei sentindo uma forte pontada em meu peito.

James tirou as mãos dela e rompeu em soluços. Eu a abracei forte e chorei desconsoladamente. Esqueci o mundo que me cercava. Ouvi Ada e outras servas entrarem no quarto e começarem a falar um monte de coisas. Logo outras vozes se juntaram ao vozerio que inundava aquele quarto. Local este que agora parecia pequeno diante do desespero que eu sentia. Não, minha dor era maior que todos os nove reinos juntos, maior que todas as realidades. Rapidamente meus gritos e choro ficaram mais altos que qualquer som naquele local. Eu ignorava o que acontecia ao meu redor, tudo o que sentia, ouvia, via ou respirava era meu desamparo.

Afastei-me dela e olhei mais uma vez para seu rosto. Um raio de sol iluminou aquela face que eu tanto amava e que agora estava pálida e sem vida. O dia já havia nascido, mas para mim eram tudo trevas. Não havia nada que pudesse me tirar daquela escuridão de sofrimento. Estava escuro e eu estava acabado, derrotado. Eu queimava dolorosamente por dentro, enquanto chorava compulsivamente a perda dela.

Eu amava Aredhel de uma forma imensurável. Ela era meu ar, meu alimento, meu motivo para continuar vivendo, era tudo e mais um pouco para mim. Aredhel tinha um poder inexplicável sobre mim. Eu era forte, mas parecia que minhas pernas eram fracas demais para me manter de pé diante dela, sem cair aos seus pés. Minha mente implorava para que ela voltasse para mim. Sim, eu estava perdido, alucinando. Estava diante de linhas e fatos que não podia mudar, mas que eram custosamente dolorosos para acreditar. Hela estava em seu sono e nada poderia desfazer o mal e trazer Aredhel de volta. Lágrimas desciam incansavelmente por meu rosto. Eu havia perdido algo que não poderia repor ou substituir.



James tocou meu ombro e eu me levantei meio desajeitado. Era como se não sentisse minhas pernas. Caminhei com Aredhel em meus braços, mas sem me ater ao caminho que percorria. Estava anestesiado e alienado pela dor. James e Thor seguiam ao meu lado, atrás vinham as servas. O silêncio era ensurdecedor. Por onde passávamos, por quem cruzávamos o caminho, ouvíamos um lamento. Guardas e servos baixavam a cabeça e murmuravam palavras de pesar. Eu tinha perdido minha esposa e eles a sua rainha. Pelas lamúrias que ouvia, percebi que Aredhel era muito querida. Lembrei-me do quanto ela simpatizava com a criadagem e o quanto os tratava como iguais.

Chegamos à sala de preparação dos mortos. Odiava até o cheiro daquele lugar. Debrucei o corpo de Aredhel sobre uma das mesas que lá havia e fiquei olhando para ela. Seu rosto e braço direito, todos arranhados e seu traje coberto de sangue. Tudo aquilo era amargamente familiar. Mais uma vez eu era responsável pela morte dela, mesmo que indiretamente. Afinal, ela morrera para me salvar.

Ajoelhei-me ao lado dela, segurei sua mão entre as minhas e encostei meus lábios nela. Lágrimas novamente vieram à tona. O que faria dali em diante? Como seria o resto dos anos de minha vida sem tê-la ao meu lado? Nenhuma medida de tempo seria suficiente ao lado dela, muito menos os poucos anos que vivemos juntos. Sonhei que passaria a eternidade ao seu lado.

Deixei Aredhel por algum tempo, tomei um banho rápido e fui contar pessoalmente ao meus filhos a triste notícia. Para piorar a situação, os meninos estavam na companhia das demais crianças. Reuni o pouco de força que ainda me restava e, tentando manter a serenidade, contei a meus filhos e demais crianças a triste notícia. O desespero e lamento foi geral. Váli saiu quebrando tudo pelo caminho e Narfi apenas se evadiu do local. Sigrid e Siegfried desabaram em um choro compulsivo, seguidos pelos filhos de James. Aredhel sempre fora muito presente na vida dos gêmeos e depois da morte de Greta, eles não desgrudavam dela. Igor permanecia estático, fitando o nada. Olhei para ele e senti muita pena, nenhum familiar havia lhe restado. Ajoelhei-me no chão, chamei-o, ele veio correndo até mim e abraçou-me apertado. Logo as demais crianças me abraçaram. Novamente senti que estava vendo a triste repetição de um cena do passado. Uma história que jamais gostaria de rever e que nunca deveria ter acontecido.

James entrou no quarto e Katarina e Wagner correram para abraçá-lo. Igor se agarrou em minhas roupas, então o peguei no colo. Deixei as demais crianças com James e fui atrás de meus filhos. Encontrei Narfi incendiando algumas folhas secas no jardim. Ele olhou para mim e veio ao meu encontro, abraçou uma de minhas pernas e rompeu em lágrimas. Depois de esperar os dois meninos se acalmarem, fui atrás de Váli e o achei sentado no chão na sala de treino. Estava com o rosto inchado, mas com semblante carregado. Eu o abracei, mas ele permaneceu introspectivo.

Passei o resto do dia velando Aredhel e tentando consolar meus filhos e Igor. Pela experiência anterior, eu me mantive distante de meu quarto. Saberia o que aconteceria se eu entrasse lá, não queria sentir novamente as lembranças me sufocarem.

À noite, depois de muito trabalho, consegui colocar as crianças para dormir. Vi eles se despedirem demoradamente da mãe e os conduzi até seus quartos. Quando retornei à sala de preparo me vi só com meus pensamentos, remorsos e lembranças. Olhei em direção a Aredhel e senti um nó na garganta. Vestiram-na com um vestido azul-verde, da cor dos meus olhos e encheram seus cabelos com jasmim. “Amarga ironia”, pensei. Ela já estava pronta para a cerimônia. Pedi que o ritual fosse executado no dia seguinte. Eu tinha vãs esperanças de que Hela acordasse e pudesse trazê-la de volta antes do amanhecer.

James se juntou a mim no meio da noite. Ficamos os dois em completo silêncio. Eu rememorava todos os anos felizes que tive ao lado de Aredhel. O seu jeito doce de me olhar, seu sorriso alegre e sua astúcia. Eu jamais esqueceria de suas incansáveis perguntas e de suas ousadias. Também sabia que nunca esqueceria do que era estar com ela e amá-la. Os milênios que me aguardavam seriam minha prisão e castigo.

Já era madrugada, o amanhecer estava próximo. De repente fui tomado por um desespero sem medida. Não podia aceitar aquele destino trágico. Levantei-me em um átimo e sai correndo daquele local. Ouvi James chamar por mim e os passos dele no corredor a me seguir. Entrei na sala de cura com um chute na porta. Alcancei a cama de Hela, a segurei pelos ombros e a sacudi com vigor.

– Acorde, Hela! Por favor! Eu lhe imploro! — eu gritava com a menina.

– Loki! O que está fazendo? Você vai machucá-la! — disse James segurando meus braços.

– Largue-me! — empurrei-o — Você não faz ideia do que estou passando! Não sabe o quanto estou desesperado! — rosnei.

Vi os olhos de James se encherem de lágrimas e ele trancar os dentes com raiva.

– Eu sei exatamente pelo que você está passando! — gritou – Eu também perdi minha esposa! E.. Por Deus, Loki.. — deu um longo suspiro – Eu também amava Aredhel.. — passou as mãos pelos cabelos — Eu sinto muito.. Você tem que aceitar... Ela se foi.. — murmurou em meio às lágrimas.

Deitei Hela na cama, pus as mãos sobre o rosto e caí em mim. Ele tinha razão, não havia mais nada a ser feito. A única coisa que me restava era me conformar e tentar seguir em frente.

James se sentou ao meu lado e passou o braço por meu ombro. Eu o olhei e deixe escapar um suspiro triste. Sem maior aviso ele me abraçou. Fiquei pasmo, ele me pegara de surpresa. Eu estava fragilizado demais para me importar com o jeito irritante dele em ser tão amigável. Correspondi ao abraço e entreguei-me ao desabafo, deixando as lágrimas novamente correrem por meu rosto.

– Obrigado, James.. — murmurei em prantos.

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Comentem. PS: Meu coração é uma aranha caranguejeira, peludo e venenoso. #caranguejeirafeelings O próximo capítulo depende de seus comentários..