A mulher do meu destino
56 When we were young when everything was what it seemed
Notas iniciais

Depois do longo e caloroso abraço, James sorriu nervosamente para mim. Ele sabia bem que eu não gostava daquela proximidade dos dois. Bufei contrariado. As coisas que eu era obrigado a suportar por amor àquela mulher...
— Já estava com saudades — comentou Aredhel.
— Eu também, mesmo tendo passado pouco tempo para mim — sorriu o palerma.
— E qual seria o motivo de sua ilustre e agradável visita? — não contive o sarcasmo.
— Bem… — ele crispou os lábios. — Eu tenho algumas coisas para contar a vocês sobre a outra realidade — ficou sério.
— Problemas na Terra? — Aredhel franziu o cenho.
— Sim, exatamente — confirmou James. — Eu diria que são apenas suspeitas, mas acho que vem coisa por ai. Acredito que estão planejando algo — arqueou a sobrancelha.
— Então precisamos realmente conversar — afirmei.
Nos encaminhamos para o salão, onde poderíamos conversar com mais calma.
— Bom — começou James —, como havia lhe dito, eu tinha que retornar para a Terra para ensaiar uma peça que estávamos montando. Porém, ao final do primeiro ensaio, apareceu um homem estranho, querendo conversar comigo. Pensei, a princípio, que poderia ser uma oferta de trabalho, mas ele dispensou meu relações-públicas e disse que o assunto seria tratado apenas comigo. Estranhei, mas concordei. Ele inicialmente veio fazendo inúmeros elogios ao meu trabalho. Tudo para despistar o que vinha a seguir — gesticulava. — Depois começou a perguntar sobre meu envolvimento com vocês. Foi então que entendi do que realmente se tratava a conversa. Pelas perguntas que fazia, parecia querer saber qual era minha posição em relação a vocês. Dei respostas evasivas, disse que conhecia vocês e que era próximo a Aredhel — ela fez menção de falar algo e ele levantou a mão. — Depois do que ocorreu no café, eu não poderia negar que tinha uma certa ligação com vocês. Ele começou a me fazer ameaças veladas. Deixou claro que ser amigo de vocês e apoiá-los poderia me custar muito caro. E que se eu resolvesse mudar de ideia, novas “portas” se abririam para mim em minha profissão.
— E o que você disse a ele? — perguntei.
— Eu resolvi fazer o jogo dele — continuou. — Disse que não queria ter problemas e que estava interessado em novas oportunidades profissionais. Ele disse que tudo o que tinha que fazer era dar a eles todo o tipo de informação que pudesse sobre vocês — franziu o cenho.
— O que ele perguntou? O que ele queria saber? — afobou-se Aredhel.
— Essa é a parte estranha — coçou a nuca. — Perguntou primeiro como estava a relação de vocês com a S.H.I.E.L.D e com os Avengers. Depois queria saber quantas e quais Infinity Gems Loki tinha juntado. Eu disse que nada sabia sobre isso, então ele falou que seria algo que eu poderia verificar, uma vez que tinha acesso a vocês. Eu disse que veria o que conseguiria descobrir e então ele partiu. No dia seguinte meu relações-públicas me ligou e informou que dois contratos meus, para um filme e uma série de TV, foram confirmados. Minutos depois de falar com ele, recebi outro telefonema me informando que os novos contratos eram um sinal do que poderia ganhar se colaborasse com eles — concluiu.
— Eles estão tentando lhe comprar — estreitei os olhos. — Mas o mais interessante é o tipo de informações que eles querem. Como eles sabiam que eu estava juntando as Gems? — indaguei seriamente.
— Eu realmente não faço ideia — James deu de ombros. — Isso foi o que achei mais estranho.
— Jim, bancar o agente duplo pode ser perigoso para você — disse Aredhel nervosamente.
— Não bancar pode ser mais perigoso ainda, Aredhel — alertei. — Se ele tivesse deixado claro que estava ao nosso lado, acho difícil que só a carreira dele fosse afetada — lembrei.
Aredhel afagou uma das mãos de James com um semblante triste.
— Eu sinto muito, Jimmy — ela murmurou.
— Está tudo bem, Aredhel — deu um tapinha de leve nas mãos dela. — Loki, tem razão. E além do mais, vocês são meus amigos. É meu dever ajudá-los — sorriu. — Agora tem o segundo problema — disse voltando a ficar sério.
— Outro? — surpreendeu-se Aredhel.
— Eles lançaram o segundo filme do Capitão América — revelou o outro. — O filme já estava pronto quando vocês foram à reunião e aquilo tudo aconteceu.
— Se é sobre o Capitão, acredito que isso não nos diga respeito. Isso será um problema para os Avengers e Thor. Se não envolve Asgard, não há porque nos metermos. Os midgardians que resolvam seus próprios problemas — falei despreocupadamente.
Aredhel me encarou e deu um suspiro irritado.
— Ainda não sei do que se trata, mas eu trouxe o script — comentou abrindo a pasta que trazia. — Como sou amigo do protagonista, consegui uma cópia para mim — entregou um documento volumoso a Aredhel.
— Seria melhor que entregássemos ao próprio Steve Rogers. Eu... — ela começou a falar.
— Nem pense nisso, Aredhel — eu a interrompi. — Sua última ida a Midgard terminou muito mal — lembrei-a. — Eles sabem cuidar de si — fui incisivo.
Aredhel baixou a cabeça e ficou calada. James olhou desconfiado dela para mim, mas nada disse.
— Mais do que nunca estou preocupada com você e a minha família, Jim — ela murmurou de repente e ergueu o rosto para encará-lo. — Você vai ficar algum tempo com a gente, né? — pediu.
James me olhou de esguelha, meio indeciso, e eu apenas meneei a cabeça afirmativamente. Eu estava decidido a mudar meu comportamento com as amizades de Aredhel. Não queria que ela se sentisse solitária novamente. Ele olhou para ela e concordou todo sorridente.
— Que bom! — entusiasmou-se Aredhel.
— E quanto a sua família — ele prosseguiu —, antes de vir para cá, eu falei com seu irmão. Ele disse que estavam muito bem. Perguntei se tinham percebido algo suspeito, mas disseram que não. Resolvi não comentar o que tinha ocorrido comigo. Não quis amedrontá-los — deu de ombros.
— Ainda bem. Fico mais tranquila — ela suspirou.
— Então... — James disse de repente, dando um tapinha nas próprias coxas. — Quais são as novidades? O que aconteceu nesse tempo que passou? Pelos meus cálculos deve ter se passado mais ou menos um ano, certo? — inquiriu alegremente.
Um silêncio constrangedor se fez no salão. Olhei na direção de Aredhel e ela desviou o olhar.
— Aconteceu tanta coisa... — ela murmurou com uma expressão sombria no rosto, enquanto girava nervosamente a aliança no dedo.
James me olhou desconfiado. Envergonhado, baixei os olhos e dei um suspiro triste.
— Que tal darmos uma volta, Jimmy? — convidou Aredhel repentinamente, saindo de seus devaneios. — O jardim está com novas flores. Você precisa ver — forçou um sorriso.
— Claro — ele anuiu lentamente, parecendo não entender as entrelinhas daquele convite. — Eu adoro aquele lugar — passou o braço pelo de Aredhel a conduzindo para fora do salão, enquanto me encarava com uma expressão preocupada.
Eu sabia que Aredhel precisava conversar com alguém sobre o que aconteceu. Tudo o que havíamos passado a afetara emocionalmente em demasia. Apesar de voltar a parecer mais animada e voltar a me enfrentar, Aredhel não era mais a mesma. Andava muito passiva e soturna, parecia presa em uma espécie de sofrimento interno. E por mais que eu tentasse fazê-la falar, ela não me contava o que estava errado. Eu sentia ciúmes de James, mas estava feliz de Aredhel poder ter alguém para lhe fazer companhia. Depois de tanto tempo, fui obrigado a retomar minhas funções no reino, o que me deixava muito ocupado. Queria ter mais tempo para ficar ao lado de minha mulher, mas no momento aquilo não era possível.
Não me saía do pensamento o fato dos midgardians saberem sobre as Gems. Comecei a desconfiar da família de Aredhel. William sabia que eu tinha em meu poder algumas Gems. As únicas que ele não sabia que eu tinha em meu poder eram a Gem da Realidade e a da Alma.
Aredhel e James passaram o resto da manhã juntos. Só voltei a vê-lo durante o almoço, no qual ele passou a me encarar com certa agressividade. Percebi que os dois trocaram olhares e, com isso, ele parou de me encarar. Imaginei que ela havia contado sobre Tivan e todo o ocorrido. Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, James viria me importunar sobre o assunto. A preocupação dele com minha esposa me irritava, mas não falaria nada na frente dela. Eu tinha me comprometido a controlar meus ciúmes e cumpriria essa promessa. Além disso, naquele momento eu tinha preocupações mais importantes. O assunto das Gems ainda rodava em minha cabeça.
Depois do almoço chamei Aredhel para conversarmos a sós sobre o assunto.
— Aredhel vou lhe pedir uma coisa. Peço que evite comentar sobre as Gems para James e sua família. Não é seguro para nós e nem para eles saberem sobre elas — alertei.
— Eu nunca falei delas para ninguém — ela inclinou a cabeça. — O que Will e Jim sabem sobre as Joias foi o que viram nos filmes. Jim só sabe sobre a Joia do Tempo porque você contou a ele naquela ocasião — deu de ombros.
— Você não falou a William sobre a Gem do Tempo? — fiquei surpreso.
— Não, depois que você me contou sobre a Joia, eu só voltei a falar com Will naquele dia que ele veio me mostrar as fotos do acidente e... — ela parou de falar e virou-se boquiaberta na minha direção. — Como ele sabia que você tinha a Gem do Tempo? — indagou chocada.
— Eu não faço a menor ideia, Aredhel — fui sincero.
— Isso tudo é tão estranho — ela murmurou pensativa. — Como será que eles e Will sabem sobre as Gems? Será que eles persuadiram William a ajudá-los? — indagou-me aflita. — Será que meu próprio irmão está contra nós? — suspirou com tristeza.
— Eu não sei...
Eu abracei Aredhel e fiquei calado. Fiquei pensando na possibilidade de que realmente a família dela poderia ter sido seduzida a mudar de lado. Não por algum interesse, mas sim pelo fato de não gostarem de mim. Entretanto isso não explicava como William sabia sobre a Gem do Tempo e como os humanos descobriram sobre minha busca pelas outras Infinity Gems. Tinha que ter alguém mais poderoso por trás dos midgardians.
Pela tarde, Aredhel, como de costume, foi treinar e James ficou na companhia das crianças. Eu os encontrei na biblioteca, o ator lia para os pequenos um dos livros que minha mulher trouxera da Terra. Quando me viu entrar, lançou-me um olhar irritado, se levantou, deixou que Váli continuasse a leitura para os demais e veio em minha direção.
— Acho que precisamos conversar — foi direto.
— Sei o que vai dizer — levantei a mão. — Mas antes que comece, saiba que eu fiz o que fiz pelo bem dela. Ela estava sem memória, não estava em condições de decidir o que era melhor para si — falei rapidamente.
— Isso inclui quase quebrar o braço dela novamente? — indagou-me rispidamente.
— Foi um acidente — ergui os braços. — Eu não tive a intenção de machucá-la! — rosnei. — Acha que não me sinto culpado? Eu sei que deveria ter me controlado! Depois do que houve prometi a mim mesmo que iria me controlar. A prova disso é que eu deixei que você ficasse em Asgard, mesmo não gostando de vê-los juntos. Tenho feito tudo para agradá-la! Para vê-la feliz! — afirmei.
— Isso era o mínimo que poderia fazer por ela — rebateu. — Na verdade isso não passa de obrigação sua! Ela é sua esposa, não sua propriedade! — passou as mãos pelos cabelos nervosamente. — Aredhel precisa de sua liberdade. Ela não pode ir ver a família porque corre perigo. Você a proibiu de ir à Terra pelo que houve com o Collector e não quer que ela se aproxime de Thor e nem de mim — apontou o dedo em meu peito. — Ela não mora aqui, ela é sua refém! — sibilou.
— Cuide de seus assuntos, que de Aredhel cuido eu — retruquei ficando impaciente. — Ela não se queixa de nada. Mal fala de alguma coisa ultimamente. Além disso, eu não implico mais com a amizade que ela tem com você e com Thor.
— Aredhel não está bem, Loki — encarou-me. — Depois de me contar sobre tudo o que aconteceu, ela de repente me abraçou e chorou. Quando perguntei o que tinha de errado, ela não quis me dizer. Talvez ela não se queixe de nada por medo de você. Já pensou nisso? — exasperou-se.
— Aredhel nunca teve medo de mim — fiquei indignado. — Eu sei que ela está estranha. Anda muito passiva. Ela nunca foi assim… Pelo contrário, sempre rebatia tudo o que eu falava ou fazia. Já tentei várias vezes que ela se abrisse comigo, mas também não me diz nada — murmurei. — Eu não sei o que fazer para descobrir o que há de errado — confessei com tristeza.
O ator me olhou demoradamente e então suspirou.
— Prometo que enquanto eu estiver por aqui vou tentar descobrir o que ela esconde — franziu o cenho.
— Obrigado. Eu só quero que ela fique bem — falei derrotado.
Os dias foram se passando. James passava muito tempo em companhia de Aredhel, mas nada descobrira e ela continuava sombria. Os dois leram o tal script e ficaram muito preocupados com o que descobriram. Disseram que a S.H.I.E.L.D e o Capitão teriam graves problemas. Inevitavelmente, Aredhel insistiu em ir avisá-los, mas me mantive irredutível. Não permitiria que ela fosse até Midgard novamente.
— Loki, por favor — ela implorou certa manhã. — A situação é grave.
— Não! Eu já disse que não! Não vou deixar que se arrisque! — sibilei.
— Loki, pense. Eles estão com o... — tentou argumentar.
— Não! — interrompi-a. — E não vamos mais discutir sobre isso! — fui ríspido.
Durante esse período, Aredhel ficou mais rigorosa com o treinamento das crianças e pediu para eu intensificar seus treinos. Ela desejava conseguir aperfeiçoar suas magias. Logo imaginei que era por conta do que lera naquele maldito script. Eu não permitiria que ela fosse lugar uma guerra que não fosse nossa, mas para não me indispor, concordei. Afinal, era bom que ela e meus filhos evoluíssem suas técnicas.
Contudo, ela não conseguia manter ilusões por muito tempo, principalmente as que mudavam a sua aparência e das coisas e pessoas ao redor. Esse tipo de magia era a que mais consumia energia e naturalmente, por ser humana, minha mulher estava em desvantagem.
Os treinos eram exaustivos, mas, ainda assim, Aredhel não conseguia manter as ilusões por muito tempo. No que dizia respeito a se teletransportar, a situação era pior. Ela nunca acertava o local para o qual deveria se teletransportar.
— Droga! — exclamou furiosa. – Não consigo fazer nada direito! — derrubou algumas armas com telecinese. — Nada!
— Eu já disse que você precisa se concentrar — lembrei-a. — Tem que ter paciência. Por que essa pressa toda em aprender? — perguntei por curiosidade.
Ela pareceu ponderar por um momento e então me respondeu.
— Loki, o povo de minha realidade está tramando algo. Temos que estar preparados — alertou.
Aproximei-me e levantei seu rosto com uma das mãos.
— Então é isso… Você está preocupada com a sua família, não é?
— Sim… — baixou a cabeça, entristecida. — Se algo der errado, eles vão ficar no meio do fogo cruzado. E ainda temo que tenham conseguido persuadir Will — enrugou a testa.
— Tenha calma, meu amor… — afaguei seus cabelos. — Temos tempo para descobrir. James poderá continuar investigando quando ele retornar. Sabes que pode levar até anos antes que algo realmente aconteça — tentei tranquilizá-la.
— Tem razão — deu um sorriso fraco. – Tenho bastante tempo para treinar — disse e senti certa amargura em sua voz.
Uma semana depois uma visita inesperada apareceu. Thor retornou de Midgard.
— Olá, meu irmão — disse todo sorridente, ainda na Bifrost. — Olá, minha garota! — abraçou Aredhel e rodopiou.
— Thor, que bom vê-lo por aqui — sorriu Aredhel.
Pelo comportamento dele, presumi que teria resolvido suas pendências com a humana, mas estranhei a sua presença ali. Esperava que não fosse para pedir ajuda para os amigos dele de Midgard. Eu já possuía a resposta pronta para aquela proposta.
— E qual o motivo da visita? — indaguei despreocupadamente.
— Não é uma visita. Eu vim para ficar — falou de forma displicente.
— Perdão? — fiquei surpreso.
— E Jane? — pasmou-se Aredhel. — E a Terra? — estava aturdida.
— Terminei de vez com Jane — ergueu os ombros. — E quanto a Terra, eu a observarei daqui. Heimdall poderá me manter informado — disse sério.
— Terminou com Jane? — chocou-se Aredhel.
— Ela não soube dar valor ao amor que eu ofereci. Jane escolheu a tal ciência — falou com rispidez.
— Er... Bem... — Aredhel pareceu meio desconcertada. — Thor, preciso falar com você. Há uma nova ameaça a paz da Terra — mudou de assunto.
— Certo — ele sorriu de uma forma estranha. — Sou todo ouvidos, minha Aredhel — disse se retirando com ela do salão.
Aredhel me contou que depois de relatar o que ocorreria no filme, Thor informara que tudo já havia ocorrido e que os Avengers já tinham tomado algumas providências. Ele garantiu a ela e a mim que não havia com o que nos preocuparmos.
Nos dias seguintes Thor parecia ter voltado a ser aquele Thor de antes de Jane e de Midgard. Agia de maneira displicente e arrogante, vivia em farras e voltou a flertar com Sif. Ela andava sorrindo feito boba, mas mal sabia que o filho de Odin voltara a ser o conquistador de mulheres. Corriam rumores de seu comportamento galante pelo reino. A única coisa que não mudara no comportamento dele foi seu relacionamento com Aredhel. Na verdade, ele ficou irritantemente mais ligado a ela. Durante o dia ele a arrastava para todos os lados. Algumas vezes eles levavam James e as crianças com eles, outras vezes iam sozinhos. Essa situação toda me incomodava. Eu não gostava dessa proximidade toda depois que Thor voltou a ser o conquistador de antigamente, mas me mantive fiel à promessa que fiz a Aredhel.
Em um desses dias encontrei James lendo no jardim.
— Você viu Aredhel? — perguntei, mesmo imaginando qual seria a resposta.
— Ela saiu com seu irmão — falou meio mal-humorado e jogou o livro de lado.
Arqueei uma sobrancelha. Pensei que aquele ser era imune a mudança de humor.
— Algo errado? — perguntei curioso.
Ele me encarou e crispou os lábios. Parecia ponderar se me falava ou não. Então ele desviou o olhar meio constrangido.
— Não exatamente — começou baixinho. — É que começo a dar razão a você. Às vezes Thor é meio... — gesticulou com a mão livre e deu um suspiro — ...irritante.
— Oh, só agora percebeu isso? — fui irônico.
— Estou falando sério… — revirou os olhos. — Aredhel tem tentando exaustivamente fazê-lo voltar a agir de maneira responsável, mas parece que o fim do relacionamento dele com Jane o fez regredir — bufou.
— Para mim não há surpresa alguma — dei de ombros. — Esse é o Thor que conheci a vida toda. Mas confesso que fiquei surpreso com a mudança dele. Pensei que ele nunca esqueceria aquela mulher — dei de ombros.
— É… Pode ser… Mas, tem outra coisa que não gosto nesse novo comportamento dele — falou seriamente e baixou os olhos.
— O quê?
— A maneira como ele trata Aredhel — percebi um constrangimento perpassar pelo rosto dele novamente. — Ele age com cinismo e sarcasmo com as tentativas dela de persuadi-lo. Faz pouco-caso dela. E...
De repente fomos surpreendidos pela chegada de Thor e Aredhel. Thor estava com um enorme sorriso no rosto e Aredhel parecia cansada. Ambos estavam vermelhos, como se viessem de uma batalha ou longa atividade.
— Onde estavam? — indaguei sem rodeios.
— Estávamos cavalgando pelo reino. Distribuindo convites — contou Aredhel meio esbaforida.
— Convites?
— Sim, meu irmão — Thor sorriu abertamente. — Eu darei um baile daqui a cinco dias — revelou.
Olhei para Aredhel perplexo. Ela sorriu fracamente e deu de ombros.
— E qual seria o motivo da festa? — quis sinceramente saber.
— Surpresa, irmão. Surpresa — riu.
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