A mulher do meu destino
55 When it's love you give I'll be a man of good faith
Notas iniciais

— Aredhel, me perdoe... Eu... Eu não fiz por querer... — falei nervosamente, me ajoelhando ao seu lado.
Ela não disse nada e começou a chorar. Eu não pensei duas vezes, carreguei-a e levei às pressas para a sala de cura. Ada, ao ver o braço novamente machucado, começou a ralhar com Aredhel.
— Majestade, eu já lhe falei que tem que cuidar desse braço, senão ele nunca vai se curar por completo e... – dizia a serva, impaciente.
— Fui eu, Ada — interrompi-a. — Eu a puxei pelo braço — confessei.
Ada olhou de mim para Aredhel e ergueu a sobrancelha. Percebi o olhar questionador dela, mas nada comentou. Ela deu um suspiro irritado e atendeu Aredhel em silêncio. Depois de imobilizar novamente o braço de minha esposa, nos deixou a sós.
— Eu o estava ensinando a fazer um pedido de casamento — Aredhel disse de repente, limpando as lágrimas do rosto. — Ele vai pedir Jane em casamento — murmurou fitando o braço.
— Aredhel, eu sinto muito — fui sincero. — Eu não pensei na hora. Fiquei com ciúmes e nem vi qual braço eu havia puxado. Eu jamais quis te machucar — falei com tristeza.
— Tudo bem… — falou com a voz quase sumindo.
Eu a abracei e ela permaneceu calada. Ergui com uma das mãos seu rosto e a olhei nos olhos.
— Você me perdoa? — perguntei angustiado.
— Perdoo — deu-me um sorriso fraco.
Era a resposta que eu queria ouvir, não dos lábios dela, mas de mim mesmo. Ouvi-la dizer que me perdoava daquela maneira displicente chegou a doer. Havia algo errado, podia ver em seus olhos.
Deixamos a sala de cura e levei-a para o quarto. Ela se sentou na cama e silenciosamente pegou um livro. Eu a fitei com o coração apertado. Por causa de meus ciúmes eu havia machucado o braço dela novamente. Sentei-me ao seu lado e fiquei acariciando seus cabelos. Aredhel fechou o livro, me olhou e deu um sorriso meigo.
— Eu já disse que está tudo bem, meu amor — falou. — Foi um acidente.
— Aredhel… — dei um suspiro. — Eu deveria te proteger da dor, não te machucar —murmurei com pesar. — Não tente justificar meu erros… Ainda que seja um acidente, foi por causa de meu ciúme que isso aconteceu.
Ela baixou os olhos e exalou o ar lentamente.
— Eu sei, mas… — fez uma longa pausa. — Jim uma vez me disse “Não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso” — disse se aninhando em meus braços, encostando a cabeça em meu peito.
— Você sente falta dele, não é? — indaguei.
Aredhel pareceu ficar tensa. Percebi que tinha medo de me dizer a verdade. Comecei a entender o que estava acontecendo.
— Pode dizer a verdade, Aredhel.
— Sim… — franziu os lábios em uma linha. — Eu sinto falta dele. Jim e Thor são como irmãos para mim. São meus amigos — murmurou.
— Desculpe-me se meu ciúme às vezes te sufoca, lhe faz se sentir solitária e... — passei delicadamente meus dedos por seu braço machucado — ...te machuca. Prometo tentar mudar e não sentir tanto ciúme de você com seus amigos. Tudo o que quero é te ver feliz — confessei entristecido.
Aredhel me olhou, sorriu e acariciou meu rosto.
— Eu confio em você — prossegui — e quero que saiba que pode sempre confiar em mim. Que você pode se abrir comigo e me dizer como se sente. Não quero que tenha medo de mim — suspirei em desalento. — Eu sempre estarei ao seu lado quando precisar de mim. Eu vou te amar para sempre — afirmei.
— Oh, meu amor… — sorriu. — Eu sempre confiei em você, Loki. E acredite... Estarei ao seu lado para apoiar e cuidar de você também — encarou-me em silêncio e ficou séria. — Sempre te amarei e farei tudo por você.
Fitei-a com ternura e a beijei nos lábios. Senti que ela escondia algo e hesitou em me falar, mas acabei afastando aquelas dúvidas e me entreguei ao momento. Afinal, não importava o que não fora dito. Enquanto Aredhel me amasse eu seria um homem bom e confiaria a ela minha alma. Eu seria a rocha onde ela poderia construir nosso futuro, seria um muro para protegê-la, defendê-la, tê-la e guardá-la. Daria asas a ela, se ela quisesse voar. Pelos deuses… A quem eu queria enganar? Eu lutaria e morreria por ela. Tudo o que eu queria ser era homem que ela desejava, o qual ela precisava. Seria capaz de qualquer coisa por ela.
Eu a beijava com cuidado. Aos poucos eu fui desabotoando seu vestido e encostei minha testa na dela. Fui me perdendo naqueles olhos castanhos, tão escuros, que me convidavam a conhecê-la profundamente. Naquele momento eu tinha certeza de que podia ouvir cada pensamento, ver cada sonho de Aredhel.
Tirei minhas roupas e despi Aredhel delicadamente. Pousei meus lábios em seu braço machucado, enquanto eu tocava seu corpo deslizando meus dedos por ele. De seu braço passei para seu colo. Passeei meus lábios por seu corpo cuidadosamente. Eu precisava respirá-la, saboreá-la, até poder senti-la em meu sangue.
Voltei a beijá-la e a abracei apertado, mas com ternura. Aredhel acariciava meus cabelos e me olhava como se quisesse memorizar cada detalhe de meu rosto. Eu desejava o mesmo, queria gravar cada detalhe daquela mulher que eu tanto amava.
Eu a penetrei e a vi abrir um largo sorriso. Aredhel e eu nos entregamos àquele momento. Nossos corpos seguiam seus instintos e dançavam a nossa valsa predileta. A nossa música era uma tentativa eterna de unir nossas almas em uma só.
Depois de alcançarmos nosso clímax, eu repousei desamparadamente nos braços dela. Ela segurava minha mão com sua mão direita e com a outra brincava com os fios de cabelo que me caiam sobre a fronte. Eu adormeci aninhado em seu seio, enquanto Aredhel cantarolava uma canção e delicadamente deslizava seus dedos pelo meu rosto. Eu não podia ser mais feliz do que era ao lado dela e temia irracionalmente que essa felicidade um dia me fosse tirada.
Thor de fato partira naquele mesmo dia para Midgard e nem ficou sabendo do ocorrido com Aredhel. Com a partida de Thor, Aredhel voltou a ficar taciturna. Imaginei que sentia falta de ter seus “irmãos” por perto. Tudo parecia mais claro depois que eu havia descoberto o quão solitária ela se sentia.
Toda vez que via Aredhel usando a mão esquerda com dificuldade, eu me sentia culpado. Por um longo tempo eu senti remorso, mas ela não se queixava. Na verdade ela via algo positivo em tudo aquilo, dizia que podia ser muito útil aprender a escrever e fazer tudo com a esquerda. O braço levou mais um mês para sarar por completo. Aredhel vangloriou-se de ser ambidestra depois de todo esse tempo.
Alguns meses se passaram. O fantasma de tudo o que havíamos sofrido parecia ter desaparecido por completo. Aredhel voltou a treinar e passou a se dedicar a treinar os filhos. Váli aprendia técnicas de luta e Hela magia. Váli pacientemente ajudava a irmã com as magias. Os dois tinham personalidades diferentes, mas eram muito unidos. Narfi estava perto de completar um ano e já falava suas primeiras palavras. “Mama” foi sua primeira.
Deixei de lado as Gems por um longo tempo. Minha ambição por elas quase me fizeram perder tudo, mas eu jamais iria me desfazer delas. Muita coisa havia sido sacrificada em nome das Infinity Gems. Eu havia ido longe demais para recuar. Deixaria para o futuro a finalização de meus planos. Contudo, reunir as Gems e testar o poder delas unidas, ficaria para depois, uma vez que, eu não tinha certeza de quais seriam as consequências de tal ato. Mantive no cofre de Asgard a Gem da Mente, o Aether e o Tesseract. Guardei comigo o Orb, a Gem do Tempo e a da Realidade. Eu tinha que rapidamente encontrar algum lugar para enviar as Gems, não era seguro mantê-las unidas.
Resolvi envolver mais Aredhel nas atividades do reino. Aredhel passou a me ajudar na administração de Asgard. Passei a ela a responsabilidade sobre a captura dos presos que haviam fugido durante a rebelião. Ela ficara muito empolgada e logo mandou Sif, Fandral e Volstagg em novas missões de captura.
Uma tarde, após retornar de uma missão, Sif veio me procurar.
— Loki, aconteceu um incidente durante um interrogatório — disse meio nervosa.
— O que houve?
— Aredhel se desentendeu com um dos prisioneiros e digamos que houve uma luta — franziu o cenho.
— O quê? — perguntei surpreso. — Onde está Aredhel? Ela está bem? — fiquei preocupado.
— Aredhel está na sala de cura, ela está machucada, mas não corre perigo — falou rapidamente.
— Por Helheim Quem foi esse prisioneiro? Ele pagará caro pelo que fez! — rosnei entredentes.
— Ah... Não se preocupe. Aredhel resolveu o problema — disse meio rindo. — Lorelei levou uma surra — sorriu satisfeita.
— Lorelei? — pasmei. Perguntei-me que aquela mulher teria feito para provocar minha mulher. — E qual foi o motivo da luta?
— Acho melhor você perguntar a sua esposa — deu um sorriso cínico.
Fui imediatamente para a sala de cura. Quando cheguei lá Aredhel estava com os lábios machucados e alguns hematomas no rosto, braços e pernas. Fiquei furioso ao vê-la naquele estado.
— Aredhel, você pode me explicar o motivo que levou você a brigar com uma prisioneira? Você está ficando louca? — sibilei.
— Ela pediu por isso. Lorelei me provocou — sorriu satisfeita.
— E você me diz isso assim? Como se fosse a coisa mais natural dos nove reinos!
Ela deu de ombros.
— Ela lhe provocou? Como? — questionei.
— Ora, meu amor. Agora vai se fazer de desmemoriado? — olhou-me séria. — Eu sei o que vocês tiveram no passado — arqueou as sobrancelhas.
Crispei os lábios. Lorelei foi uma de minhas amantes no passado e pelo que Aredhel deu a entender, Lorelei usou isso para provocá-la.
— Quer dizer que, toda vez que você cruzar o caminho de alguma mulher do meu passado, você vai fazer esse tipo de coisa? — perdi a paciência. — Aredhel você é impulsiva e imprudente! Ela é uma asgardian, é muito mais forte e resistente que você, poderia ter te matado! Olhe seu estado! Está toda machucada!
— Ela está duas vezes pior que eu. Nem tendo a voz mais encantadora do mundo, algum homem olhará para ela tão cedo — sorriu malignamente. — Eu lhe avisei que, com ciúmes, eu podia ser pior que você. Eu não discuto com a minha concorrência, eu elimino — disse friamente.
— Como está a minha aprendiz exemplar? — perguntou Sif ao entrar na sala.
— Ótima! — Aredhel ergueu o braço com um gesto de vitória.
— Estou tão orgulhosa de você! Mostrou-se ser muito habilidosa lutando! Usou bem o que aprendeu comigo e com Loki! — disse Sif toda sorridente.
— Então você aprova esse desatino? — encarei Sif, pasmo. — Aredhel se comportou como uma criança que aceita provocações! Ela tem que agir como uma rainha! — rosnei.
— Lorelei bem que mereceu — Sif pareceu não se abalar. — Tem certas coisas que mulher nenhuma aceita ouvir sem sentir o sangue ferver. Além disso, Lorelei há muito tempo merecia levar uma surra dessas. Eu mesma a teria matado se pudesse — trincou os dentes.
A rixa de Sif com Lorelei vem de longa data. Lorelei enfeitiçara um namorado de Sif e praticamente o levou a morte. Desde esse dia Sif guarda grande rancor de Lorelei.
Eu fiquei boquiaberto, mas, ao mesmo tempo, orgulhoso. Aredhel, apesar de ter agido de forma infantil, mostrou-se capaz de lutar contra alguém bem mais forte que ela fisicamente. Lorelei tem a mesma força e resistência física de Sif, mas de habilidades mágicas só tem a voz. Minha rainha utilizou o que sabia de luta e de magia para ganhar dela. Segundo Sif, Aredhel utilizou várias ilusões para enganar Lorelei. Ficou quase sem energia para usar magia, mas ganhou a luta. Segundo fui informado, posteriormente, Lorelei ficara em um estado deplorável. Independente disso, ela voltara a usar o colar que a mantém muda, evitando que possa usar sua habilidade de enfeitiçar os homens.
Vários meses se passaram e tudo estava na mais completa paz, se não fossem algumas coisas. Os desmaios de Aredhel continuavam. Notei que sempre aconteciam quando ela estava com Hela e por conta disso passei a vigiar os passos de minha princesinha. Não era algo que acontecia sempre, mas em algumas ocasiões pude notar que frutas apodreciam, flores murchavam e animais morriam nas mãos da menina.
Foi então que comecei a juntar as peças desse quebra-cabeça. Durante a gravidez de nossa filha, Aredhel sentia uma fraqueza e sono exagerados. Chegou a entrar em um sono profundo por dias no final da gravidez. Somente Aredhel e James haviam desmaiado quando estavam com Hela. Ambos eram humanos, portanto, mais frágeis. Eu desconfiava que a menina tinha o “toque” da morte. Era algo que me assustava. Minha princesinha ainda era criança e parecia não poder controlar isso. Eu também temia que a intensidade de seu poder crescesse com a idade. Hela, por enquanto, não fazia mal a nenhum asgardian e ocasionava desmaios em humanos, mas e se com o tempo pudesse matá-los?
Com medo de assustar Aredhel, guardei minhas desconfianças para mim. Discretamente comecei a fazer algumas experiências com Hela. Pedia para a menina tentar fazer murchar algumas flores e apodrecer algumas frutas. No início ela não conseguia fazer nada, quando fazia era por acidente. Depois, com os treinos de magia dados por Aredhel, ela aprendeu a se concentrar e começou a controlar essas ações. Assim, ela passou a controlar isso, não fazia frutas ou plantas murcharem acidentalmente, só quando queria.
— Consegui papai! Consegui! — disse toda animada. — Agora, nunca mais vou estragar as flores da mamãe — mordeu os lábios.
— Certo, meu anjo. Agora vamos tentar fazer o mesmo com insetos. Primeiro você vai tentar tocar eles e não lhes fazer mal. Depois irá se concentrar e irá matá-los — expliquei.
O sorriso se desfez em seu rosto e ela meneou a cabeça negativamente.
— Não... Eu não vou matar nenhum bichinho — murmurou assustada.
— Mas são insetos, Hela — tentei argumentar.
— Mesmo assim... — fez um muxoxo. — Eles estão vivos — fez beicinho.
Hela não possuía só a aparência de Aredhel, tinha também seu coração mole. De certa forma isso me tranquilizava, pois ela nunca faria mal a alguém de forma leviana. Hela não parecia ter o instinto vingativo de Váli. Ela era uma menina calma e não gostava nem de travessuras.
— Está bem. Vamos então apenas treinar evitar matá-los, certo? — disse calmamente.
Aparentemente Hela conseguia controlar essa sua habilidade com os insetos e os animais. Mas ainda não tinha certeza, pois ela se recusara a fazer-lhes algum mal. Restava testar com outros seres. Senti um calafrio só de pensar no que eu pediria a menina. Respirei fundo e ajoelhei-me diante dela.
— Minha filha, você sabe que seus poderes não fazem mal a mim e seus amiguinhos, certo? — Hela balançou a cabeça afirmativamente. — Então quero que você tente fazer isso com sua mãe. Só que você vai tentar também fazer mal a ela — pedi.
— Não! Fazer mal a mamãe, não! — rosnou.
— Acalme-se. Você sabe que isso não nos faz mal. Então ela ficará bem também — menti.
Engoli seco diante de minha frieza. Eu precisava ter certeza de que ela poderia fazer se quisesse e que ela podia controlar a ação de matar ou não um ser. A segurança de Aredhel e nossa, no futuro, dependia dela conseguir dominar isso. Os animais e insetos realmente morreriam, mas Aredhel apenas desmaiaria. Com a evolução dessa habilidade e sem o controle dela, ela poderia realmente matar a mãe sem querer. Eu precisava aproveitar que, por enquanto, ela apenas fazia humanos desmaiarem. Tinha que fazê-la dominar essa habilidade enquanto ela realmente não podia colocar em risco a vida de ninguém. Hela estava crescendo e certamente essa habilidade evoluiria com sua idade.
— Tem certeza? — perguntou em dúvida.
— Tenho — afirmei.
Levei Hela até a biblioteca onde Aredhel estava. Ao entrar no local, aproximei-me e dei um beijo em minha esposa.
— Olá, meus amores — falou Aredhel, tomando a menina em seus braços — Nossa você está ficando pesada. Minha princesa está ficando grandinha — riu.
Fiz sinal com a cabeça para que Hela fizesse o combinado. Ela me fitou meio receosa, mas olhou para a mãe e baixou os olhos. Aredhel baixou rapidamente Hela e se apoiou em mim. Encarou–me e então desmaiou nos meus braços.
— Mamãe! — gritou a menina.— O senhor mentiu! Mentiu! A mamãe tá morta! – começou a chorar.
— Acalme-se Hela. Sua mãe só desmaiou — falei rapidamente e voltei minha atenção a mulher em meus braços — Meu amor, acorde — sacudi-a de leve.
Aredhel abriu os olhos e levantou-se visivelmente tonta. Eu a ajudei a sentar em uma cadeira e Hela, aos prantos, afastou-se da mãe.
— Eu... E-eu... Não q-que... Q-queria... P-papai... Que... Q-que p-pediu.. Desculpa m-mamãe... — Hela soluçava, enquanto as lágrimas banhavam seu rosto.
— Acalme-se, meu anjo. Eu estou bem. Foi só um desmaio. Vem com a mamãe — Aredhel chamou a menina com as mãos.
Hela relutou e se recusou a se mexer na direção da mãe.
— Hela? O que você tem? — perguntou Aredhel confusa.
— Vou... V-vou... Te... T-te fazer... M-mal... — passou a mão pelo rosto molhado.
— Do que você está falando, minha filha? — vi-a franzir o cenho, confusa.
— Se você não quiser não fará mal a sua mãe — intervi. — Lembre-se do que fez com os insetos e animais. Se você controlar seu poder como treinamos não a machucará — lembrei-a.
Aredhel me fitou aturdida. Hela olhou para mim e eu a incentivei com a cabeça. Ela se aproximou de mãe e a abraçou, afundando o rosto em peito. Aredhel afagou seus cabelos e deu um beijo em seu topo, mas a menina continuou chorando.
— O que está acontecendo, Loki? — perguntou-me desconfiada, apertando a filha contra si.
— Aredhel, precisamos conversar. Você precisa saber algumas coisas sobre Hela — falei seriamente.
Aredhel e eu fomos para o quarto, a fim de evitar que outros ouvissem o que eu revelaria. Muito calmamente contei para ela sobre as habilidades de Hela. Refiz toda a linha de raciocínio que me levou a crer que nossa filha poderia matar ou desacordar com o seu toque. E, por fim, contei a ela sobre os testes. Aredhel ouviu tudo boquiaberta. Depois de ouvir o relato ficou com uma expressão soturna.
— Aredhel? — chamei ao perceber que estava perdida em seus pensamentos.
— Váli pode virar um lobo gigante e matar pessoas. Hela pode tocar e matar — enumerou com os dedos. — O que Narfi poderá fazer? Tony tinha razão. Nossos filhos podem vir a serem um perigo. A nossa responsabilidade de criá-los, ensiná-los o que é certo e incutir-lhes valores é imensurável. Será que conseguiremos? — comentou com uma expressão assustada.
— Claro que conseguiremos — fiz um muxoxo. — Hela é uma boa menina. Não queria fazer mal nem aos insetos. E Váli já mostrou que, mesmo sendo mais parecido comigo, tem um bom coração. Não há motivo para se preocupar — abracei-a.
— Espero que sim. Tenho tanto medo de errar como mãe — murmurou.
— Você é uma excelente mãe — dei um beijo em seu topo.
Uma manhã Aredhel acordou toda entusiasmada. No café da manhã ela mal se continha de tanta felicidade.
— Posso saber o motivo de tanta empolgação? — questionei surpreso.
— O sonho que tive ontem a noite! — respondeu sorridente.
— Com o que sonhou?
— Ah... — mordeu os lábios ponderando. — Uma pessoa virá nos visitar — falou despreocupadamente.
— Posso saber quem seria? — fiquei curioso.
— Melhor que seja surpresa... Não sei se você vai gostar — riu.
No meio da manhã recebemos a tal visita. Aredhel ao vê-lo saiu correndo e o abraçou efusivamente.
— Você veio! — ela sorriu ao abraçá-lo.
Eu sabia que não era uma simples visita e pude ver isso em sua expressão séria. James não parecia alegre com sempre. Notícias ruins chegavam da outra Midgard.
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