A mulher do meu destino
74 Want your bad romance
Notas iniciais
Segui para a sala de cura e pedi a Váli que chamasse Narfi para que eu conversasse com ele. Ao chegar à sala James estava sentado em uma das camas e Aredhel estava desacordada em outra. Ada veio diretamente falar comigo.
– Meu rei, ambos estão fora de perigo. Como foram atendidos rapidamente conseguimos que os efeitos do veneno fossem brandos. Os dois irão sentir ainda muita dor no local da picada e sofrerão com náuseas, mas não durará mais que alguns dias. A rainha fora sedada, pois ela recebeu uma dose maior de veneno e sentia muita dor. — explicou Ada.
– Certo, Ada. Obrigada. — falei rapidamente.
Ada se retirou me deixando a sós com os dois. James tinha aparência de alguém muito doente. Estava pálido, suava frio e tinha uma expressão sofrida no rosto. Estava com o braço esquerdo enfaixado. Aproximei-me da cama de Aredhel, me sentei em uma cadeira ao seu lado e acariciei seu rosto.
– Você está bem? — perguntei a James.
– Estou. Só estou meio enjoado. — disse com a voz falhando.
Voltei a olhar para Aredhel. Ela também estava pálida e com uma péssima aparência. Tinha o braço direito e a perna esquerda enfaixados. Dei um suspiro triste.
– Talvez tivesse sido melhor nunca ter nos conhecido. — murmurei.
– Do que você está falando, Loki? Você se arrepende de ter conhecido Aredhel? — indagou-me incrédulo – Você deixou de amá-la? — perguntou aturdido.
– Não, James. Eu nunca vou deixar de amá-la. Mas.. — buscava as palavras certas — ..ela estaria melhor se não tivesse me conhecido. — falei com tristeza.
– Loki, afinal o que está acontecendo? Desde que você retornou da outra realidade você tem agido estranho. E depois daquele dia em que Aredhel foi para Jotunheim você ficou pior. Fica olhando para Aredhel com culpa. — deu um suspiro exasperado – Não que você já não a olhasse assim desde que você.. — fez uma pausa — ..a matou. Mas piorou desde aquela noite. O que você fez a ela naquele dia? – perguntou de repente James meio desconfiado.
– Mais uma vez meu ciúme falou mais alto e eu quase a machuquei novamente. – confessei – Foi por muito pouco que eu não cometi um ato monstruoso.. – falei com amargura.
– Eu não quero nem imaginar o que você ia fazer. – disse entredentes – Na verdade prefiro não saber. — disse vencido.
Continuei olhando para Aredhel com culpa e pensando em tudo o que aconteceu.
– Espero que não esteja pensando em deixar Aredhel para protegê-la. – disse de repente me olhando com um semblante severo.
– Isso seria o certo. Seria o melhor para ela. Mas não.. Eu não conseguira viver longe dela.. – ponderei por um tempo – Pensei que você ficaria feliz se eu a deixasse. Não a magoaria ou machucaria novamente. – comentei.
– Loki, eu já desisti de colocar um pouco de juízo em Aredhel e de fazer você abrir os olhos para essa sua obsessão doentia por ela. Você dois são doentes. – disse meio exasperado – Ela é louca por você. Ela não sobreviveria sem você por muito tempo. – disse com amargura – Na verdade temo que um dia você se canse dela e a abandone. – franziu o cenho preocupado.
– Cansar-me dela? — dei um sorriso torto – Eu nunca me cansaria dela.. — olhei para Aredhel novamente – Ela é meu lar, meu mundo, meu ar, minha vida.. É tudo para mim. — confessei – E desde aquele dia em que eu descobri que a amava, eu soube que estava perdido. Eu só não queria aceitar isso. E quando ela morreu eu tive a certeza de que precisava dela para continuar vivendo. Que viver longe dela seria uma maldição. Eu jamais conseguiria viver sem ela. — desabafei.
– Estou surpreso. Jamais imaginei que viveria para ouvir você falar desse jeito. — deu um sorriso tímido – Foi até poético. Fico feliz de saber que a ama tanto. – disse.
Ficamos em silêncio por um tempo. Pensava no que o Loki do futuro havia me revelado. Sentia-me sufocado e pesado. Eu precisava dividir a angústia que vinha vivendo.
– Você guardaria um segredo? — perguntei aflito.
– Sim. Claro. — afirmou.
– Aredhel não pode saber. — alertei.
– Loki.. O que você está aprontando? — indagou severamente.
– Não estou aprontando nada. É algo que vai acontecer e que é inevitável, mas Aredhel não deve saber. — falei seriamente.
– Certo.. Prometo que não falarei nada a ela. — afirmou meio desconfiado.
Calmamente eu contei a James sobre a “visita” do Loki do futuro. Revelei a James tudo o que o meu outro eu havia me contado. E as escolhas que eu teria que fazer e as providências que tinha que tomar. James ouviu tudo em silêncio, mas com o pânico crescente estampado no rosto.
– Isso é horrível, Loki. Deve haver uma forma de evitar que isso aconteça. Tem que ter. – disse James aflito passando as mãos pelos cabelos.
– É nisso que venho trabalhando. – murmurei pensativo — A saída são as Infinity Gems. — revelei.
– Agora entendo. — ajeitou-se na cama — Por isso vivia trancado no salão das relíquias e por horas na biblioteca. — concluiu – Pode contar com a minha ajuda, Loki. Bem, no que eu puder ajudar. — franziu o cenho.
– Continue fazendo o que tem feito. Treine e ajude Aredhel no treino das crianças. — ponderei – E se for preciso ter que fugir.. — dei um suspiro triste — Peço que leve Aredhel e meus filhos com você. — pedi.
– Entendo.. — murmurou James apreensivo – Eu cuidarei deles. Tem minha palavra. — afirmou.
– Váli e Aredhel irão teimar em não ir, então faça o possível para levá-los. Mesmo que precise usar a força. — fui sério.
James pareceu ficar em dúvida, mas meneou a cabeça afirmativamente. Nesse momento Váli entrou na sala acompanhado de Narfi, o qual estava aos prantos.
– Papai, me perdoe.. Eu.. Eu não conseguia me controlar.. Não queria machucar a mamãe e nem o tio Jimmy.. – soluçava Narfi – Tio Jimmy desculpa.. – murmurou indo em direção a James.
– Está tudo bem, Narfi. Você não fez por querer. – James deu um sorriso tímido.
– Vou ajudar você a controlar a transmutação, Narfi. Assim não machucará mais ninguém acidentalmente. – falei calmamente.
Aredhel foi levada para nosso quarto e fiquei ao seu lado. Eu estava sentando na cama lendo um livro quando, no fim do dia, ela acordou.
– Narfi? Onde está Narfi? Ele está bem? – perguntou assustada.
– Está, Aredhel. Ele já voltou ao normal. E James também está bem melhor. – tranquilizei-a.
– Jim? Ele se machucou? – questionou confusa.
– Sim. Parece que ele foi lhe socorrer e também foi atacado. – expliquei.
– Sabe, Loki.. Cada vez mais eu temo esses poderes de nossos filhos. É poder demais nas mãos de... – fez uma pausa — ..crianças. – falou aturdida.
– Acalme-se, elas vão aprender a controlar seus poderes. Além disso, são bons meninos. – disse calmamente.
– Eu não sei, Loki.. Váli é impulsivo, imprudente e muito vingativo. E Narfi.. – ponderou — Ele é sádico. Tem prazer em usar seus poderes. Ver as coisas queimando. – deu um suspiro – Eu temo pelo futuro deles. – disse preocupada.
– Não se preocupe. Eles saberão fazer o que é certo. – afirmei.
Nos dias que se passaram, Aredhel, além dos treinos com James e os filhos, também passou a se ocupar da organização do casamento de Sif e Leir. James e Greta passaram a viver grudados. Greta empenhava-se em ensinar a James os costumes, o nosso idioma e a história dos noves reinos. Apesar de conviver conosco já há algum tempo, James sabia muito pouco sobre Asgard. Como não tinha planos de viver no reino, nunca teve necessidade de aprender nada além do que Aredhel havia lhe informado. E com os recentes estudos de magia, tornou-se primordial seu aprendizado.
Eu continuava a aperfeiçoar meu domínio sobre as Gems e passara a treinar com Narfi sua transmutação. Com a ameaça de Thanos, os novos poderes de Narfi pareciam ser extremamente úteis em uma possível batalha. Mais do que nunca meus filhos teriam que saber se defender.
Quanto a mim e Aredhel, as coisas não estavam como antes. Desde o acontecido eu, de certa forma, me continha em nossos momentos de intimidade. Não que eu não a desejasse de forma ardente, pelo contrário, sentia vontade de dominá-la como fizera tantas vezes. Entretanto, não conseguia esquecer a forma como eu agira com ela. Toda vez que olhava para ela em nossos momentos íntimos, a lembrança do medo dela, de seus gritos pedindo para que eu parasse, invadiam minha mente. Cada vez que eu me lembrava daquele dia, eu me odiava e me amaldiçoava. Sentia nojo de mim mesmo.
– Você nunca vai esquecer isso também, não é? — indagou-me Aredhel — Eu já te perdoei e, além disso, você não chegou a me machucar. – disse com tristeza.
– Posso não ter feito, mas cheguei perto de fazê-lo. Pergunto-me como você ainda me perdoou. Não sei como consegue deixar que eu te toque.. – murmurei amargurado.
Aredhel franziu o cenho, acariciou meu rosto e fitou-me com pesar.
– Na verdade, não sei por que não pensou em me abandonar. — bufei — Talvez fosse o melhor para você.. – pensei alto.
– Não diga isso, Loki. — segurou meu rosto entre suas mãos — Eu te perdoei porque te amo. Eu jamais pensei em te abandonar. E eu não consigo viver longe de você. — deu um sorriso meigo – Tente esquecer aquilo. Não suporto te ver assim. Já é tão difícil ver você sofrendo por.. — respirou fundo – ..aquela maldita noite. — disse entredentes – E agora vai sofrer por isso também? — disse meio exasperada.
Olhei-a nos olhos e passei meus dedos de forma suave por seu rosto e depois por seus lábios. Perguntava-me como Aredhel podia me amar tanto. Como ela conseguia amar alguém mau, mentiroso, vingativo e violento como eu. Alguém que a oprimia e a machucava tanto. Aredhel me amava apesar de minha obsessão e do meu amor doentio. Ela vivia presa em um romance ruim. Aredhel me aceitava com meus defeitos, erros e parcas virtudes. Desde o começo arriscou a própria vida para me ajudar e defender. Era uma mulher meiga, carinhosa, atrevida e forte. Para mim era impossível não amá-la. Aredhel era a minha verdade, meu tesouro, o meu tudo como eu o era para ela. Eu tinha o meu coração repleto de coisas que gostaria de declarar a ela, mas geralmente eu não o fazia.
– Loki.. — segurou minha mão — Eu te amo do jeito que você é.. Com seus defeitos e virtudes.. — murmurou em meio a um sorriso.
– Eu não posso esquecer o que houve. – dei um suspiro — Eu te amo tanto Aredhel.. Você é meu anjo, meu tudo, meu ser.. – disse baixinho.
Inclinei-me e meus lábios tocaram os dela de forma cálida. Podia sentir seu hálito doce e sua respiração descompassada. Levei uma de minhas mãos por sua nuca e intensifiquei o nosso beijo. Rapidamente pude ouvir seus batimentos cardíacos se alterarem.
Pelos deuses. Como eu amava aquela mulher. O amor que sentia por ela exigia tudo de mim. Eu estava nela e ela em mim de tal forma, que eu sentia sua dor e ela a minha. Indagava-me se nosso amor resistiria a todos aqueles sofrimentos, sacrifícios e tormentas. Eu tentava afirmar para mim mesmo que sim. “Afinal, havia resistido até a própria morte uma vez”, pensei amargurado.
Deixei seus lábios e alcancei seu pescoço. Eu ofegava de desejo enquanto sorvia o perfume da pele de Aredhel, misturado com jasmim. Eu inspirava sue cheiro de tal forma que podia sentir o cheiro da luz do sol em sua pele. Ouvi Aredhel arfar abafadamente meu nome em meus ouvidos. Senti-a deslizar uma das mãos por dentro de minha camisa acariciando meu peito e passando a ponta dos dedos por um de meus mamilos. Com a outra mão ela puxava meus cabelos da nuca. Abri parte da frente de seu vestido e segurei um de seus seios em minha mão, apertando-o levemente.
– Loki.. Meu dono.. – sussurrou em meus ouvidos.
Senti como se tivesse levado um choque. Eu estava tentando manter o controle e ouvir Aredhel dizer aquilo não estava ajudando.
– Não.. Aredhel.. – murmurei com a voz entrecortada.
Passei os dedos com delicadeza ao redor de seu mamilo e pude senti-los intumescerem. Desci meus lábios até ele e suguei-o com intensidade.
– Isso, amor.. – gemeu – Sou sua.. Toda sua.. – arfou.
Ao ouvir aquilo dei uma leve mordida em seu mamilo e dela deixou escapar um gemido alto. Eu respirava pesadamente, louco para possuí-la de forma voraz. Meu autocontrole se desfez, feito fumaça no ar.
– Minha.. Só minha.. – falei com a voz falha.
Comecei a beijar seus seios de forma desesperada. Sugava a sua pele macia com avidez, desejando marcá-la. Aredhel havia despertado o monstro novamente. Eu queria devorá-la de forma insaciável e deixar minhas marcas por todo o corpo dela. Eu desejava provar que ela era só minha.
Pus a mão sobre a pequena abertura que eu tinha feito em seu vestido, a olhei nos olhos, dei um longo beijo em seus lábios e puxei com força o tecido. O vestido que anteriormente eu abria com cuidado, agora era rasgado pela minha fúria em tomá-la. Senti Aredhel abrir um sorriso entre meus lábios. Olhei-a mais uma vez e ela sorriu lasciva para mim. Era isso que ela queria. Aredhel me queria do jeito que eu era, obsessivo.
Rasguei o resto de sua roupa e a deixei nua. Peguei-a pelos cabelos e os puxei. Suguei desesperadamente seu pescoço e colo deixando-a marcada. Depois, saí desfrutando de seu corpo, deixando um rastro de marcas por onde meus lábios passavam, enquanto Aredhel arranhava vorazmente as minhas costas. Nosso amor era selvagem e violento. E juntos escrevíamos um romance ruim.
Levei dois dedos até sua intimidade, ela estava mais do que pronta para mim. Eu gostava de constatar o poder que tinha sobre ela. Introduzi meus dedos em seu sexo e ela gemeu baixinho.
– Loki.. Eu quero você... Dentro de mim.. — murmurou com dificuldade.
Sorri satisfeito. Posicionei-me entre suas pernas, beijei seu ventre e debrucei-me sobre ela a penetrando lentamente. Mas logo comecei a me mover com velocidade, segurei sua cintura e intensifiquei as estocadas.
– Mais.. Mais forte.. – pedia com uma expressão de prazer no rosto.
Senti arrepios. Eu adorava vê-la sentindo prazer e sentia uma satisfação imensa de saber que eu era responsável por isso.
– Quem é seu dono, Aredhel? Diga meu nome. – ordenei entredentes.
– Loki.. Você.. Você é meu dono.. – gemeu.
Empurrava com força meu quadril contra o dela e ela gemia alto meu nome. O prazer dela sempre me contagiava. Segurei um de seus pulsos contra a cama, levei a mãos livre ao seu pescoço e ela voltou a sorrir. Ela cruzou as pernas ao redor de minha cintura e apertou-me com força. Pressionei gradativamente meus dedos contra o pescoço dela a medida que eu acelerava meu movimento.
– Goza para mim, meu amor.. — murmurei.
Aos poucos o rosto dela foi ficando vermelho. Instantes depois Aredhel fechou os olhos, franziu o cenho abrindo a boca e deixou escapar um longo gemido. Senti-a estremecer em meus braços, ela havia chegado ao seu orgasmo. Antes que começasse a sufocar, larguei seu pescoço e continuei com as estocadas até alcançar o meu ápice, dando um grunhido em seu ouvido.
Ainda tentando recuperar meu fôlego dei um beijo em sua fronte e ela sorriu para mim.
– Estava com.. Saudades desse seu jeito.. — disse Aredhel com a voz entrecortada.
– Eu também, minha taradinha.. — falei.
– Eu amo esse.. Esse seu lado voraz.. — mordeu os lábios em meio a um sorriso lascivo.
Dei um beijo em seus lábios e recomecei as carícias, ainda estava sedento por ela. Amei Aredhel selvagemente por mais duas vezes aquela noite.
Na manhã seguinte acordei e Aredhel estava encolhida junto a mim. Ela ressonava tranquila e tinha um tímido sorriso no rosto. Afastei seus cabelos e acariciei seu rosto. Dei um beijo em sua fronte, passei os dedos pelas marcas em seu pescoço e pela primeira vez não me senti tão culpado. Apesar dos hematomas, eu sabia que ela havia sentido prazer e que aquilo era o que ela queria. Mas, ainda assim, não era para mim agradável vê-la machucada.
Mesmo depois de anos juntos ainda tentava entender Aredhel. Como ela podia gostar de meu lado possessivo?
Chegara o dia do casamento de Sif e Leir. Aredhel havia se esmerado nos dias anteriores para preparar a cerimônia. O evento contaria apenas com a presença da família e amigos dos noivos, sendo que, muitos desses, viriam de outros reinos.
Naquele dia Aredhel ficou ao lado de Sif. Ela e algumas servas arrumaram a noiva para a cerimônia. Leir cuidou de receber os amigos e familiares, dele e de Sif. Hogun, Thor e Jane vieram para o evento.
Aredhel vestiu um vestido verde claro com detalhes em dourado e eu vesti meu traje tradicional com a capa e o elmo. Os meninos usaram roupas parecidas com as minhas e Hela vestiu um vestido rosa com dourado. James e Greta vestiram trajes em tons de azul. Thor utilizou seu tradicional traje e Jane usou um vestido vermelho com detalhes em prata.
Na hora marcada todos fomos para o salão do trono. Eu, como rei de Asgard, é quem realizaria o casamento. Sif entrou no local radiante. Estava com um vestido cor de vinho com detalhes em dourado. Leir, que esperava nervosamente, abriu um largo sorriso ao vê-la. Os dois juntaram-se à minha frente, proferi algumas palavras, eles trocaram votos e enfim eles estavam casados.
Na festa o clima era de amor. Casais por todos os lados. Apesar de sempre achar isso tudo meloso e tedioso em demasia, naquela noite em especial eu não me importava. Eu estava ao lado da mulher que amava e, pela primeira vez em muito tempo, desfrutei de sua companhia como não fizera nas últimas festas a que participamos.
A atração da noite era o casal recém-casado e todas as atenções estavam voltadas para eles, então podia me dedicar apenas a Aredhel. Dançamos várias músicas juntos e em cada dança fora, por alguns instantes, como se estivéssemos em um mundo só nosso. Pude deixar para trás, pelo menos por um momento, todas as aflições, medos e remorsos que vinha sentindo. Podia viver a calmaria e não pensar ou planejar nada, mesmo que fosse por apenas uma noite. Eu estava em paz. Desde o meu casamento com Aredhel, não havia me divertido tanto em uma comemoração.
No dia seguinte o casal recém-casado viajou para Vanaheim e Thor e Jane retornaram à Midgard. Dias depois, James e Greta começaram a se preparar para partir, iriam para a outra realidade em uma semana. Eles passariam alguns meses fora de Asgard e se casariam assim que retornassem. Sendo assim, mais uma vez a organização de todo o evento seria feita por Aredhel. Em virtude disso, segundo Aredhel, Greta tinha apenas mais uma semana para deixar encaminhada a produção de seu vestido de noiva.
Dois dias depois do casamento de Sif e Leir, Aredhel, durante o café da manhã, parecia estranhamente distante.
– Algo errado, Aredhel? — indaguei.
– Sonhos estranhos.. — murmurou ainda pensativa.
– Sonhou com o quê? — perguntei meio apreensivo.
– Bem.. O primeiro sonho foi bem normal. Sonhei que meus pais e William vinham nos visitar. — fez uma pausa – O problema está no segundo sonho. Eu só via escuridão e ouvia vozes. Alguns gritos e... — deu um suspiro — ..outras coisas que não deu para entender.
Olhei para James e ele mordeu os lábios parecendo nervoso.
– Você só ouvia vozes e gritos? Não conseguiu entender nada do que diziam? — insisti.
– Só vozes e gritos. Não consegui entender nada. — disse encarando o prato.
Algo me dizia que Aredhel havia sonhado com algo a mais do que estava contando. Depois das últimas “aventuras” de Aredhel eu andava mais alerta em relação a ela. Ainda não havia me esquecido de que ela mentira para mim.
– Acredita que o sonho dela tenha algo a ver com Thanos? — indagou-me James depois que ficamos a sós.
– Eu não sei.. — falei pensativo – Mas sinto que Aredhel não nos contou tudo. Não me surpreenderia se ela escondesse algo. Não seria a primeira vez que ela ocultaria algo para me proteger. Meu receio é que seja algo sobre ela, como foi quando ela morreu daquela vez. — cerrei os punhos aflito.
– Eu não acho que ela tenha escondido algo. Ela prometeu não mentir mais para você desde a história sobre Jotunheim. — argumentou James.
– James, Aredhel é como eu. Nem sempre confiável.. — dei um sorriso torto.
No final do dia Wilson, Mary e William apareceram em Asgard. Wilson parecia ter vindo obrigado. Chegou e ficou emburrado em um canto com os braços cruzados. Mary e William cumprimentaram a todos de forma alegre entretanto, ao irem cumprimentar James, olharam-no com uma expressão triste.
– Não tenho boas notícias para você, Jim.. — murmurou William.
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