A mulher do meu destino
75 This is it, the apocalypse
Notas iniciais
– O que houve Will? — indagou James preocupado.
– Bom.. — sentou-se e deu um suspiro – Eu falei com seu agente e ele falou que o mercado de filmes e teatro se fechou para você. Depois do que ocorreu com os dirigentes de cinema recentemente.. — olhou para mim — ..todos ficaram com receio de se envolver com você. Todos sabem que você está envolvido com Loki. — explicou.
– Imaginei que isso aconteceria. — James franziu o cenho – Mas não se preocupe. Não pretendo voltar para a outra realidade. Eu tenho um forte motivo para continuar aqui. Vou me casar. — olhou para Greta e sorriu.
– Você e Greta? — perguntou chocado – Caralho! Meus parabéns cara! — apertou a mão e depois deu um abraço em James.
– Até o final dessa semana Greta e eu partiremos para a outra Terra. Vou apresentá-la à minha família e resolver essas pendências com meu agente. — esclareceu James.
– Fico muito feliz por vocês dois. – sorriu William – Mas.. – olhou receoso para Greta — ..como vocês vão lidar com as diferenças? Sabe.. Viver em outro mundo, trabalhar e etc. — questionou.
– Bom, você sabe que já estou vivendo aqui por um longo tempo. Eu continuo treinando, aprendendo sobre Asgard. Greta tem me ensinado o idioma. — fez uma pausa – Estou montando um grupo de teatro para fazer apresentações nas vilas e até em outros reinos. Mas Greta e eu iremos morar aqui. Aredhel nos convidou para morarmos aqui no palácio. — explicou James.
– E quanto a diferença de tempo? Entende? Bem.. — William coçou a cabeça — Você vai viver menos e tal. – falou rapidamente.
– Digamos que Aredhel resolveu isso. – falei meio contrariado.
– Como assim? — perguntou William confuso.
– Ela foi até Jotunheim e trouxe uma maçã para mim. – disse James todo sem jeito – Eu vou viver o mesmo que Greta. Aredhel está até me ensinando magia. — disse todo animado.
Wilson deu um pigarro, olhou maliciosamente de James para Aredhel e cochichou algo para Mary.
– Você é louca mesmo maninha. – riu William – Ir para Jotunheim? To até com ciúmes. Parece que você gosta mais dele do que de mim. – fez cara de ofendido.
– Eu gosto de você. Não seja ciumento. Jimmy é como um segundo irmão para mim. – disse Aredhel e Wilson deu um novo pigarro — Eu também peguei maçãs para você, mamãe e papai. – explicou.
– Eu é que não quero essas coisas. Isso não é coisa de Deus. Devemos viver o que nos foi determinado. – sibilou Wilson.
– Nós não vivemos nesse mundo, filha. Não podemos e nem queremos viver tanto. – disse Mary.
Aredhel pareceu ficar triste, mas não quis argumentar.
– Hum. Eu ainda prefiro não rejeitar a ideia. – falou William – Vou pensar sobre o assunto. – sorriu para Aredhel.
Depois do jantar Aredhel foi conversar com a família e eu sentei-me um pouco distante e peguei um livro para ler. A conversa fluía bem até que Greta se retirou com as crianças, deixando-nos a sós. James deu boa noite a todos e também se recolheu. Assim que ele saiu, Wilson começou a falar.
– Até quando vocês dois vão continuar esse teatro, hein Aredhel? – indagou rispidamente.
– O quê? Que teatro papai? Do que está falando? – rebateu Aredhel confusa.
– Ora, não se faça de desentendida. Você e esse atorzinho, o tal de James, são amantes! – falou um pouco mais alto e olhou em minha direção.
– Wilson! Que absurdo! – exclamou Mary.
Eu fingia não estar ouvindo a conversa. Eu não queria me exaltar, sabia que perderia a cabeça com aquele velho maldito.
– Pai! Eu e Jimmy somos só amigos. O senhor ouviu. Ele vai casar com Greta e eu amo muito meu marido! – disse exasperada.
– Não tente me enganar. Esse casamento dele deve ser só para o psicótico de seu marido não desconfiar do caso de vocês. Vocês vivem grudados e trocando olhares. Você está ensinando a ele o que seu marido lhe ensinou. Isso que vocês chamam de magia. — falou com desdém — E, pelo que entendi, você arriscou sua vida para dar longevidade ao seu amante. Por favor! Ele vai até morar aqui sob o mesmo teto que você! Só o otário de seu marido é que não percebeu o que há entre vocês. – falou venenosamente – Sinto vergonha disso, não respeita nem seus filhos! — disse com nojo.
– Papai.. – murmurou Aredhel chocada.
– Wilson, pare de dizer essas coisas. Nossa filha não é assim. Nem aquele pobre moço. – protestou Mary.
– Ora Mary, você é que não conhece a filha que tem. E quanto a James, ele é um ator! Pode fingir com tranquilidade que está apaixonado por outra mulher. Mas a mim vocês dois não enganam. Não duvido que ela seja uma vagabunda e que esteja traindo seu marido! Você não presta Aredhel, nunca valeu nada! – rosnou ferinamente.
– Wilson! – gritou Mary.
Aredhel baixou a cabeça e começou a chorar.
– Basta! – gritei, largando o livro e levantando-me – Wilson! Eu avisei para ficar longe dela! Para esquecer que ela era sua filha! – rosnei enquanto avançava na direção dele.
Aredhel se interpôs entre nós. Wilson olhou para a filha e pude perceber um certo arrependimento em seu olhar.
– Não faça nada com ele, por favor.. – pediu Aredhel aflita.
Bufei de raiva e fiquei encarando o velho. Wilson me encarou de volta, pegou Mary pelo braço e saiu do salão marchando furiosamente.
Mais tarde, Aredhel estava sentada na cama pensativa. Depois de tomar um banho me sentei ao seu lado e afaguei seus cabelos. Ela encostou a cabeça em meu peito e continuou calada por um tempo.
– O que você tem, Aredhel? — perguntei preocupado.
– Meu pai.. – murmurou em meio a um suspiro triste — Por que ele me odeia? — questionou.
– Bem, Aredhel.. — fiz uma pausa tentando criar coragem – Daquela vez que fomos a sua Midgard, na qual me disfarcei de James, conversei com sua mãe. Ela acabou me revelando uma possível explicação para o comportamento de seu pai. — falei com calma.
– Diga-me! — exasperou-se – Por que ele nunca me amou? — indagou com lágrimas nos olhos.
Respirei profundamente e comecei a narrar o que Mary havia me contado. Aredhel ouviu a tudo impassível. Depois de eu terminar o relato, ela baixou a cabeça e ficou em silêncio por um tempo.
– Eu sou um erro.. — murmurou com a voz embargada.
– Não, meu amor.. Você não é. — afirmei a abraçando forte. — Seu pai só queria arranjar um culpado para seus próprios fracassos. — falei entredentes – Não sei o que seria de mim se você não existisse. — fui sincero.
Aredhel se encolheu em meus braços e deu um longo suspiro.
– Não.. Sou eu quem não sabe o que faria sem você. — disse levantando a cabeça para me encarar.
Deslizei com carinho meus dedos por seu rosto. Detestava ver Aredhel sofrer. Desejava fazê-la esquecer suas dores. Queria que ela se sentisse amada. Eu só ambicionava vê-la feliz. Aredhel ficou me olhando com ternura e admiração. Eu adorava o jeito que ela me olhava.
– Eu te amo, minha Aredhel.. — murmurei.
– Também te amo, meu Loki.. — sorriu.
Passei o indicador por seus lábios e depositei um beijo casto naqueles lábios que eu tanto amava. O beijo foi ganhando intensidade e incendiou meu peito. Segurei seu rosto em minhas mãos e sorvi seus lábios. Depois de deixá-la respirar, fiquei a encarando. Tirei minha roupa e em seguida a dela. Passei as pontas de meus dedos por seu pescoço e desci até seu colo, como se desenhasse em sua pele.
Aredhel cerrou os olhos e parecia apreciar o meu toque. Levei meus lábios até seu queixo e os dedos até seus seios. Continuei “desenhando” sobre aquela pele macia, contornando seus mamilos e, posteriormente, as curvas de seu corpo. Beijava o corpo de Aredhel com cuidado e ela fazia o mesmo com o meu. Seus lábios quentes tocava minha pele de forma serena, mas pareciam queimar, em minha pele que pulsava de desejo por ela. Deixei que ela explorasse meu corpo com suas carícias e seus lábios, até que eu não suportasse mais.
Voltei a desfrutar de seu corpo. Deslizava meus lábios lentamente por seu colo, seios, ventre, coxas e pernas. Pelos gemidos que ela soltava, sabia que o que eu estava fazendo era um misto de prazer com tortura. Mas eu não tinha pressa. O prazer e o sofrimento dela, também era meu.
Quando eu já não conseguia mais prosseguir, eu a penetrei. Adorava estar dentro dela. Era tão quente e apertada. Fitei-a nos olhos e ela me sorriu. Segui me movimentando com calma, queria desfrutar do que era meu sem pressa. Eu queria aproveitar o máximo que podia, da forma melodiosa que ela gemia meu nome. No final, já não conseguindo me conter, me movia vertiginosamente, entrando e saindo dela. Senti ela cravar as unhas em meus ombros e gritar alto meu nome, ela estava em êxtase. Segundos depois me derramei dentro de seu corpo úmido e quente.
Saí de dentro dela gentilmente e deitei ao seu lado. Ela cruzou o braço sobre meu peito, depositou um beijo em meu rosto e pousou a cabeça em meu ombro. Fiquei acariciando suas costas até adormecermos.
No dia seguinte Aredhel acordou parecendo mais sombria do que nunca. Parecia muito nervosa durante o café. Esperei todos se retirarem da mesa e ficarmos a sós.
– Vai me dizer o está deixando você tão aflita, ou vou ter que adivinhar? – questionei dando um gole em meu suco.
– Pesadelos. – murmurou.
– Premonições? – indaguei preocupado.
Aredhel me olhou longamente, parecia ponderar se deveria me contar algo.
– Talvez, não tenho certeza. – respondeu fitando o próprio prato.
– Aredhel.. Sabe que detesto quando tenta esconder as coisas de mim. – disse meio irritado – Com o que sonhou afinal? – indaguei.
– Com a mesma coisa do dia anterior. – falou e mordeu os lábios – Escuridão, gritos, medo.. Muito medo.. E o cheiro da morte.. Parecia tudo tão incerto. – murmurou com o olhar distante – Loki, sinto que algo de ruim está se aproximando. Será que é Thanos? – perguntou-me aflita.
– Eu não sei, Aredhel. – menti – Vamos esperar que não seja e que dê tudo certo. Quem sabe com o tempo o sonho fique mais claro. – tentei tranquilizá-la.
Com os pesadelos recorrentes de Aredhel eu começava a ter certeza de que o dia de enfrentar Thanos se aproximava. Eu tinha que estar preparado.
As crianças aproveitaram a companhia de Mary, William e Wilson. O velho voltou a ignorar Aredhel, só falava com os netos. Pude ver na expressão do rosto de Aredhel que ela ficou muito deprimida com a situação. Eu nunca iria compreender e nem aceitar a rejeição de Wilson para com a filha.
No final da tarde William nos procurou para nos convidar para jogar pôquer. Aredhel e James ficaram animados com a ideia, sendo assim, nós quatro nos sentamos para jogar.
Anteriormente, Aredhel já havia me ensinado as regras desse jogo. Eu achei o jogo um tanto interessante, afinal, mais importante que ter a sorte de receber as cartas certas, era saber blefar. E em mentiras eu era mestre.
William embaralhou as cartas e as distribuiu em pares para cada um de nós. Iríamos jogar a modalidade chamada “Texas Hold'em”, onde cada jogador recebe duas cartas e outras cinco são abertas e “compartilhadas” na mesa. Segundo Aredhel havia me explicado, nessa modalidade a ideia era fazer jogada utilizando as cartas da mão e as dispostas à mesa. O fato da maioria das cartas estarem à mostra, tornava o blefe o ponto alto do jogo.
– Agora vocês vão ver o mestre jogar. — gabou-se William olhando suas cartas.
Aredhel revirou os olhos e deu uma olhada em seu jogo. James passou uma das mãos pelos cabelos e mordeu os lábios. Foram feitas as primeiras apostas. Todos, com exceção de William, fizeram a aposta mínima. As três primeiras cartas foram viradas. William deu um sorriso, Aredhel permaneceu impassível e James mordeu os lábios. William aumentou a aposta, James e Aredhel desistiram. Eu precisava saber como William jogava, eu tinha apenas um par, então paguei para ver. William todo sorridente mostrou o que tinha, dois pares e ganhou a rodada.
Nas duas rodadas seguintes fiquei apenas observando. James denunciava sempre mexendo nos cabelos e mordendo os lábios quando seu jogo era ruim. William não escondia quando tinha um jogo que considerava bom. Aredhel é quem era mais complicada, mostrava-se sempre impassível.
Na terceira jogada percebi que os jogos de William e James estavam ruins. Aredhel era a única que eu não sabia. Seguimos jogando. Quando viramos a quarta carta William sorriu e Aredhel coçou o nariz nervosamente. Perguntava-me o que isso significaria. Meu jogo não estava muito bom, eu tinha um par e o jogo que estava na mesa. Na mesa tinha uma sequência de às, rei e rainha de copas e um par de nove. James desistiu. Continuei apostando, eu queria saber como Aredhel jogava. Na última carta da mesa a ser virada William deu um largo sorriso, era um três de paus. William apostou, eu paguei para ver e Aredhel cobriu a aposta. Vi William tomar aquilo como um desafio, ele pagou para ver e eu desisti. Os dois abriram o jogo. William tinha uma trinca de nove e um par de três, ou seja, um “full house”. Aredhel tinha um valete e um dez de copas, ela tinha um “Royal flush”. Ela soltou uma gargalhada e puxou as fichas. William bufou. Agora eu já sabia, quando Aredhel coçava o nariz, era porque tinha um bom jogo em mãos.
Nas duas rodadas seguintes usei o que sabia para recuperar as fichas que perdera. Até que na última rodada, aparentemente todos tinham um jogo ruim, presumi que tivessem no máximo um par ou uma trinca. Resolvi aumentar as apostar e blefar. Eles embarcaram incrédulos no meu jogo. Eu fingi estar com uma ótima “mão” e os bobos acreditaram. Como o jogo deles estava ruim, eles desistiram e eu peguei as fichas sem ter que mostrar minhas cartas. Eu não tinha nada na mão.
Depois de mais algumas rodadas, eu os havia deixado pobres. Na última rodada William, depois de desistir, arrancou as cartas da minha mão e descobriu que eu estava blefando. Eu gargalhei.
– Merda do caralho! Eu devia saber! Você devia estar blefando o tempo todo! – rosnou jogando as cartas sobre a mesa.
– O que você queria do rei da trapaça e da mentira? – riu James.
– Só você mesmo Will para achar que tinha chance contra o Loki. – riu Aredhel – Como jogadores, somos um casal imbatível. – comemorou.
– Realmente! Vocês dois são iguais! Eu nunca mais jogo com vocês! – bufou William.
– Não seja mal perdedor, Will. – James deu um tapinha nas costas de William.
Naquela noite depois de nos amarmos, Aredhel se aninhou em meus braços e logo adormeceu. Beijei sua fronte e fiquei observando ela dormir tranquila, até que eu mesmo fui vencido pelo cansaço.
Meu sono não fora tranquilo. Novamente eu tive o mesmo pesadelo. Escuridão, gritos, meus filhos mortos e Aredhel gritando. Por algum motivo estranho o grito dela parecia real e cada vez mais alto e angustiado. Ela chamava por mim com desespero. Quando acordei olhei para o lado e Aredhel não estava na cama. Mais uma vez ouvi Aredhel gritando, mas dessa vez não era sonho. Era real.
Conjurei meu traje e saí correndo, seguindo o som da voz de Aredhel. Cheguei até o salão principal. Volstagg, Fandral, Aredhel, James e os guardas lutavam contra alguns seres estranhos. Um deles tinha a pele verde, orelhas pontudas e mais ou menos a minha altura. O outro era um monstro gigante de pele laranja, com chifres e apenas três dedos em cada mão. Logo atrás deles estava Thanos.
– Ora, ora, ora.. Se não é o rei de Asgard, Loki.. — falou Thanos com ironia – Finalmente voltamos a nos encontrar. Hoje vim acertar nossas contas, Loki. E recuperar o que é meu, as Infinity Gems. Trouxe dois aliados, Mangog.. — apontou para o monstro laranja — ..e Kl'rt, o supersoldado Skrull. — apontou para o ser de pele verde.
– Mangog.. Skrull.. — murmurei chocado.
Mangog era um velho inimigo de Odin. Dizia ser a soma total do ódio de um bilhão de seres que já foram mortos por Odin. Sua força e tamanho dependiam de energias psíquicas como ódio, medo, devoção, as quais conseguia absorver dos seres ao redor. Sobre o soldado Skrull, Kl'rt, eu ouvira falar que, como todo Skrull, era metamorfo. Além disso, após uma experiência, adquiriu as habilidades como superforça, pirocinese, invisibilidade e elasticidade.
James e Aredhel olharam em minha direção. Aredhel me olhou com desespero, parecia que não tinha ficado feliz em me ver ali. James parecia aflito e indeciso. Acenei com a cabeça para que ele fizesse o que combinamos e olhei para Aredhel. James avançou sobre Aredhel, agarrou-a pela cintura carregando-a e seguindo em direção à saída do salão.
– Não! Jimmy, me solta! Loki! Não! — gritava Aredhel.
Não olhei para trás. Sabia que a ajuda de Aredhel e James poderia nos fazer falta, mas eu não arriscaria sua vida. Queria que minha família estivesse segura, mesmo que isso custasse a minha vida.
Eu precisava chegar até o salão de relíquias, precisava das Gems para derrotar Thanos. Teria que passar por Mangog e Kl'rt. Vi Thanos seguir pelo corredor. Imaginei que ele ia atrás das Gems, mas como só eu e Aredhel tínhamos acesso, deixei para me preocupar com isso depois. Primeiro eu precisava eliminar os outros dois.
Conjurei a Gungnir e avancei sobre Kl'rt. Eu lancei um raio em sua direção e ele bloqueou com um de seus braços, transformando-o em uma espécie de rocha. Pelo canto do olho vi Volstagg, Fandral e os guardas atacarem inutilmente Mangog. Era como ver formigas atacando um gigante. Eu começava a temer que tudo acontecesse como nos pesadelos.
Mais uma vez investi contra Kl'rt usando minhas ilusões e a Gungnir. Ele bloqueou novamente o ataque e atirou bolas de fogo contra mim. A maioria eu consegui me esquivar, outras tive que bloquear usando a Gungnir.
– Será que é só isso que o rei de Asgard tem a oferecer? — indagou Kl'rt.
Tranquei os dentes e avancei sobre ele, mas inesperadamente ele desapareceu. Olhei ao redor confuso, presumi que ele estivesse usando seu poder de invisibilidade. De repente, levei um soco e fui lançado ao chão. Antes que eu pudesse me levantar fui atingido novamente e jogado do outro lado do salão. A Gungnir saiu deslizando pelo chão. Eu estava perdido. Não podia ver meu inimigo e meus ataques não estavam sendo efetivos.
Novamente fui atingido por uma série de golpes, era jogado feito um trapo de um lado para o outro. Usei várias vezes minhas ilusões para ludibriá-lo, mas ainda assim era atingido algumas vezes. Sem aviso, Kl'rt, ainda invisível, começou a atirar bolas de fogo contra mim. Tentei me esquivar, mas fui atingido com um golpe forte na cabeça. Eu vi Kl'rt voltar a se materializar e se preparar para jogar mais bolas de fogo contra mim. Eu estava perdendo os sentidos.
Fechei os olhos e esperei sentir o calor e a dor do fogo, mas tudo que senti foi alguém me abraçar e o perfume de jasmim. Ouvi um grito de dor e o cheiro de cabelo queimado, então abri os olhos. Aredhel estava diante de mim. Ela me protegera da bola de fogo com o próprio corpo e fora atingida nas costas. Aredhel franzia o cenho em uma expressão de dor e arfava muito. Antes que eu pudesse dizer algo, vi o braço de Kl'rt se enrolar, feito uma serpente, ao redor do corpo dela e a puxar para longe de mim.
– Aredhel! — gritei com desespero.
– Mulher estúpida! — rosnou Kl'rt jogando Aredhel contra uma pilastra.
Aredhel caiu no chão e Hela entrou correndo em sua direção. Eu tentava me levantar e ir em direção a elas. Aredhel, depois de se recuperar do golpe, tentava se arrastar em direção a Hela, quando Kl'rt jogou uma bola de fogo em direção à menina.
– Hela! Cuidado! — gritei desesperado disparando em sua direção.
Hela ficou parada e Aredhel gritava desesperadamente. Quando pensei que ela seria atingida, James surgiu e agarrou Hela, tirando-a do caminho. Com raiva, Kl'rt esticou seu braço e deu um poderoso golpe, atingindo James e arremessando Hela e ele para o outro lado do salão. James, usando o próprio corpo para proteger Hela, voou e atingiu a pilastra com violência. Pela forma como James caiu e pela quantidade de sangue que se espalhava pelo chão, temi pelo pior.
– Jimmy.. Jimmy, acorda.. — Hela chamava e sacudia James, em meio às lágrimas.
James não reagia. Hela começou a gritar por ele desesperadamente. Greta alcançou os dois e a ouvi dar um grito de dor. Do outro lado do salão, Aredhel, se debulhando em lágrimas, gritou por ele também. James estava morto.
Eu tentei alcançar a Gungnir, mas Kl'rt ficou invisível e fui atingido novamente. Eu mal conseguia me mexer. Vi Aredhel, aos prantos, engatinhar em minha direção, quando Kl'rt lançou duas bolas de fogo nela. Senti-me mais uma vez impotente diante daquela situação. Parecia que era inevitável. Eu iria perder minha mulher e filhos. Juntei toda a força de tinha para me erguer, correr e tentar protegê-la. Mas antes que eu a alcançasse, vi algo que me deixou chocado. Wilson atravessou o salão, empurrou Aredhel e foi atingido por uma das bolas.
– Papai! – gritou Aredhel
A outra bola atingiu o chão próximo a Aredhel e a jogou para longe do local do impacto. Wilson levantou a cabeça e estendeu a mão em direção a Aredhel.
– Ared! – deu um grito sofrido – Eu.. Te amo.. Filha.. – murmurou e parou de se mexer.
Mary entrou correndo aos berros e ajoelhou-se ao lado do corpo do marido.
– Wilson! – chamou-o Mary – Não! Ele está morto! Morto! – berrou.
Eu finalmente pude alcançar Aredhel e constatei, aliviado, que ela estava viva. Kl'rt me atacou outra vez e eu, segurando Aredhel, tentei desviar do golpe, mas fui atingido. Rolei pelo chão agarrado a Aredhel. Kl'rt virou na direção de Mary e a atacou. Tudo que pude fazer foi desviar os olhos daquela cena. Mary foi atingida e caiu, visivelmente morta, ao lado do marido.
– Não! Pai! Mãe! — ouvi William urrar em algum ponto do salão.
Do outro lado Mangog já havia matado vários soldados e derrubado Volstagg e Fandral. Um a um todos estavam caindo. Meu pesadelo estava, aos poucos, se tornando real.
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