A mulher do meu destino
69 This pain is just too real
Notas iniciais
Heimdall não ver Aredhel podia significar apenas uma coisa, ela estava na outra realidade. Aredhel não sabia como se esconder de Heimdall e nem que soubesse, teria motivos para fazer tal coisa. Quando pedi que Heimdall tentasse vigiar os passos de Jack, o soldadinho de Lorelei, descobrimos que Heimdall não enxergava na outra realidade. Pedi que, ainda assim, ficasse atento, para o caso Jack aparecesse em nossa realidade. Thanos e Amora eram poderosos os suficiente para se ocultarem e manterem também a própria Lorelei escondida das vistas de Heimdall.
Perguntei-me o que levaria Aredhel a ir para a outra Midgard. Estava claro que ela havia partido atrás de James. Fiquei imaginando que provavelmente ela havia sonhado com algo e que queria avisá-lo. Não conseguindo encontrá-lo, ela o seguiu até a outra realidade. Eu só temia que fosse algo relacionado à Thanos ou àquelas bruxas. Aredhel seria imprudente o suficiente, a ponto de por em risco sua vida por James. Fiquei furioso.
– Aredhel! — exclamei com raiva – Sempre imprudente! — resmunguei.
– Imagino que ela esteja na outra Midgard, Loki. — falou Heimdall calmamente.
– Com certeza! Parece que não tem ideia do perigo a que se expõe! — rosnei frustrado.
– Aredhel sabe se cuidar. Ela é muito esperta. — falou meio rindo.
– Esperta e inconsequente! — tranquei os dentes – Só espero que não se meta em confusão. — falei vencido.
Eu não podia largar tudo naquele momento e seguir atrás dela. Ainda mais se o que ela sonhara estivesse relacionado ao conflito com Thanos. Tinha que garantir a segurança de nossos filhos. Eu estava dividido e com raiva. Deixei a Bifrost e segui para o palácio. Decidi que iria esperar por alguns dias. Aredhel sabia que me deixaria preocupado, pois saíra sem avisar. Além disso, Aredhel jamais ficaria muito tempo longe dos filhos. Se ela tivesse ido apenas acompanhá-lo ou avisá-lo de algo, ela retornaria em pouco tempo. A única coisa que me restava era confiar em Aredhel e ter a esperança de que estivesse tudo bem.
Com o passar dos dias minha aflição só aumentava. As crianças perguntavam pela mãe, enquanto Mary e William partilhavam da mesma angústia que eu. A diferença de tempo entre os dois mundos parecia uma maldição naquele momento.
Já havia passado três dias quando Wilson começou a fazer comentários sobre a ausência da filha. Eu estava entrando no salão quando ouvi uma conversa dele com Mary e William.
– Para mim ela fugiu com o cara. – disse Wilson decidido – Eu nunca vi um relacionamento tão íntimo entre dois amigos. Ela passava mais tempo ao lado de James do que com o próprio marido. Eu vi um dia eles treinando no jardim. Estavam tão próximos, tocavam um ao outro. Tudo muito estranho. – destilava veneno.
– Pai.. – começou William – Ared e Jim provavelmente estavam pondo em prática o que sugeri. Somos humanos e, portanto, mais frágeis que os habitantes daqui. Então eu sugeri que criássemos “combos”. Golpes combinados, nos quais agiríamos em dupla ou trio. – explicou.
– Ainda assim, Will. — rebateu Wilson — Ela vivia grudada nele. Sempre unidos, conversando por horas. Que tanto assunto os dois tinham pra conversar? Com certeza estavam planejando essa fuga! — afirmou — Pelo que percebi ela confidencia tudo a ele. Ela nunca foi assim nem com você que é irmão dela! Além disso, ele é a cara do marido de sua irmã! Só que totalmente o oposto! James pelo menos é educado e gentil. Acredito que ele jamais a agrediria como o psicopata fez! — rosnou.
– Não, pai. Mesmo que ela se interessasse pelo James, ela jamais deixaria os filhos. — discordou William.
– Por favor, filho. Parece até que você não conhece sua irmã. Ela não se importa com eles. Aredhel só pensa em si! Veja em que confusão nos meteu quando se casou com aquele louco! As crianças são um empecilho à liberdade de sua irmã. E pense bem, se ela as levasse, o marido dela iria com certeza atrás deles. Ela sabia disso e por isso fugiu sem levar os filhos. — concluiu.
Ouviu-se um soluço baixo. Olhei para onde tinha vindo o som e vi Greta e Narfi parados na outra entrada do salão. Greta tapava a boca com as mãos tentando conter os soluços e Narfi fitava o vazio com lágrimas escorrendo pela bochecha. Greta saiu correndo deixando Narfi ainda paralisado à porta. Mary, Wilson e William viram a cena e congelaram. Cerrei os punhos com raiva. Aquilo já era demais.
– Chega, Wilson! — gritou Mary repentinamente – Chega de destilar veneno sobre nossa filha! Você já destruiu boa parte da vida dela, mas eu não vou deixar que você faça o mesmo com meus netos! — berrou.
Invadi o salão, carreguei Narfi no colo e marchei em direção a Wilson.
– Nunca mais ouse tocar no nome de Aredhel novamente! — gritei apontando um dedo em sua face – Você não merece nem pronunciar o nome dela, que dirá falar algo a respeito! — tremia de raiva – Faça um favor a si mesmo e a nós, esqueça-se dela de uma vez por todas! Esqueça que ela é sua filha! Ela estaria bem melhor se fosse órfã de pai! — cuspi as palavras — A sua sorte é que meu filho está aqui, senão eu não responderia por meus atos! — rosnei.
O velho ficou boquiaberto e sem reação. Retirei-me do salão com Narfi nos braços e Mary me seguiu. Levei Narfi para seu quarto e lá tive uma longa conversa com ele. Mary ajudou também falando sobre Aredhel com o neto.
– Então a mamãe não fugiu? Ela gosta da gente? — perguntou-me Narfi com os olhos inchados de tanto chorar.
– Claro que ela não fugiu, filho. Sua mãe e eu nos amamos muito. Ela é louca por você e seus irmãos, daria a vida por vocês. Ela foi ajudar James com a família dele. James ama a Greta. Eles são namorados. — expliquei.
– Ah.. Então, por isso que vi uma vez o tio Jimmy beijando a Greta como o senhor beija a mamãe.. — disse pensativo.
Afirmei com a cabeça meio rindo. Narfi limpou as lágrimas, abriu um sorriso e saiu do quarto correndo dizendo que iria brincar. Mary me olhou e deu um suspiro.
– Não deixarei que Wilson destrua a vida de minha filha. — Mary começou a falar – Nesse tempo em que estamos aqui pude perceber o quanto você a ama e o quanto ela é feliz ao seu lado. — disse com os olhos cheios de lágrimas – Loki, muito obrigada por amar e fazer tão feliz a minha filha. — pegou as minhas mãos e as apertou com força – Vocês têm a minha benção. Cuide bem dela. Ela já sofreu demais. — falou com lágrimas escorrendo pelo rosto.
– Eu vou cuidar, Mary. Eu amo demais a sua filha. Demais. — afirmei.
Em seguida, Mary retirou-se do quarto. Fui atrás de Greta. Eu costumo não me importar com o sofrimento alheio ou pendengas de relacionamento de terceiros. No entanto, James já havia ajudado tantas vezes em reconciliações minhas com Aredhel, que acreditei que tinha o dever de esclarecer a situação com Greta. Eu a encontrei chorando no jardim. Sentei-me ao seu lado e ela me olhou surpresa. Tive que explicar a Greta o relacionamento difícil de Aredhel com o pai. Expliquei que Wilson sempre fazia questão de falar mal da filha e colocar-lhe todos os defeitos possíveis. Depois de uma demorada conversa, ela se convenceu de que entre Aredhel e James havia apenas uma forte amizade, que os dois tratavam um ao outro como irmãos.
Já ia completar cinco dias desde que Aredhel e James haviam partido. Eu já estava me preparando para partir atrás de Aredhel. Eu já havia preparado um plano de fuga para Greta e a família de Aredhel, levassem as crianças para um reino vizinho em caso de invasão de Asgard em minha ausência. Porém um dia antes da data marcada de minha partida, pela manhã, Thor chegou acompanhado de Jane e um bebê no colo.
– Ora, a que devo essa visita, meu caro irmão? Veio apresentar seu rebento? — sorri com ironia.
– Loki, não é bem uma visita que me trouxe aqui. — disse Thor seriamente – Thanos, Lorelei e Amora apareceram com um dos aero-porta-aviões e atacaram a Terra. — revelou.
– Mais precisamente, Washington D.C. — falou Jane com a voz fraca.
– Então eu trouxe Jane e nossa filha, Rebecca, para ficar em segurança aqui em Asgard, enquanto tento ajudar os Avengers a combatê-las. — explicou Thor.
Pensei comigo que Aredhel estava certa. Ela sonhara que Thor e Jane teriam uma menina. Mas no momento aquilo era quase irrelevante diante do que Thor revelara. Devia ter imaginado que Thanos atacaria Midgard, somente lá ele conseguira as inúmeras mortes para dedicar à Morte. Até porque habitantes de Asgard e guerreiros mortos em batalha, não iam para o mesmo local que os Midgardians depois da morte. Morte era uma entidade que pela qual Thanos era apaixonado. Ela era a responsável pelo mundo para qual os humanos iam depois de mortos. Mas eu imaginei que Thanos viria primeiro para Asgard se vingar de mim e depois para Midgard.
– E tem outro detalhe, Loki. — disse Jane de repente – James está com eles. Ao lado deles. — falou franzindo o cenho.
– O quê? Isso não é possível. — falei assustado.
– Irmão, ele pertence àquela outra realidade. Sei que Aredhel confia nele, mas o Capitão mesmo os viu agindo ao lado de Thanos. — explicou Thor.
– Aredhel vai ficar muito decepcionada quando descobrir. — murmurou Jane – Onde ela está? — indagou.
– James há alguns dias pediu para ir ver a família e no dia de sua partida Aredhel sumiu. Pensei que ela tinha ido atrás dele para avisar algo. Ela tinha dito que tinha algo importante para dizer a ele. — expliquei rapidamente – Quanto a James, pode estar sob o feitiço de Lorelei ou Amora. — conclui.
– Aredhel? Como assim? Por que ela iria atrás dele assim sem avisar? — perguntou Thor confuso.
– Aredhel deve ter tido um daqueles sonhos premonitórios dela! Por isso foi atrás dele! — falei exasperado — De qualquer forma, isso só pode significar uma coisa, eles estão também com Aredhel! Agora ela deve estar nas mãos daquelas duas de novo. Thor, da última vez Lorelei quase matou Aredhel. Ela apanhou tanto. Levou mais de um mês para se recuperar totalmente. — falei com o desespero palpável em minha voz.
– Oh, meu Deus! Pobre Aredhel! — exclamou Jane apertando a filha nos braços.
– Quando Hogun foi nos avisar do ocorrido, eu não imaginei que tinha sido tão grave. — lamentou Thor.
– Jane e sua filha podem ficar aqui. Deixaremo-las, meus filhos e a família de Aredhel aos cuidados de Fandral, Hogun, Volstagg e Heimdall. Sif não aceitará ficar. Ela diz ainda ter contas a acertar com Lorelei. — falei rapidamente.
Avisamos a Fandral e os demais do ocorrido. Leir e William ofereceram-se para nos acompanhar. Aceitei a ida de Leir, mas recusei a de William. Mesmo estando com raiva de William, Aredhel não iria querer ver o irmão correndo perigo. Fui até o salão das relíquias e fiquei pensando sobre quais Gems eu deveria levar. Sabia que seria perigoso estar de posse de todas, então decidi levar apenas as que eu achei que fossem ser extremamente úteis nessa nova guerra. Thor, Sif, Leir e eu nos preparamos para partir. Combinamos que usaríamos a água do lago. Thor e os demais iriam direto para Washington e eu partiria atrás de Aredhel.
Partimos para Midgard, e todos chegamos em Washington. Era o que eu temia, Aredhel estava com eles em algum lugar por ali. A água nunca era exata. Chegamos em meio ao caos que tomara a cidade. Tudo parecia muito confuso. Havia duas grandes aeronaves pairando nos céus, as quais eu presumi que eram os tais aero-porta-aviões. Ironman atirava nos canhões da aeronave, que vez ou outra parecia mirar alguma pessoa no solo e atirava em outras. Vi o Capitão, Barton e Romanoff lutando nas ruas próximas a uma casa grande e branca, a qual lembrava um pequeno palácio e ocupava boa parte do local. Havia soldados Midgardians e policiais, mas pareciam lutar uns contra os outros. Pensei logo em Lorelei e Amora. Ambas tinham a habilidade de controlar homens. Uma com a voz e a outra com um beijo. Isso sem contar que Amora estava com o meu cetro.
Thor seguiu para ajudar os Avengers, Sif e Leir o seguiram. Eu estava decidido a encontrar Aredhel, era tudo o que me importava no momento. Procurei no meio daquele caos por Amora e Lorelei, eu as faria falar onde estava minha esposa. Vi Amora parada à porta daquela casa branca. Corri em sua direção e ela me avistou também. Pulei por cima de uma grade e segui correndo pela grama do local. Ela usou o cetro para atirar em minha direção. Eu facilmente desviava de seus ataques e usava ilusões para me esquivar dos ataques dos guardas e policiais que tentavam me parar.
Eu estava avançando em sua direção e já estava próximo dela, quando fui atingido por uma explosão que me atingiu do lado direito do corpo. Caí rolando por aquele gramado. Na hora reconheci a explosão como um dos ataques de Amora. Eu me levantei rapidamente e Amora já se encontrava diante de mim.
– Olá, querido. — disse e deu-me um beijo caloroso nos lábios – Sentiu saudades de mim? Por isso veio tão ávido em minha direção? — sorriu irônica.
Amora também havia sido minha amante. Entretanto, Lorelei nunca soube disso. Amora havia tentado usar a irmã para me atrair e ajudá-la em alguns planos no passado. Porém, ao invés de eu me apaixonar por Lorelei, as duas é que se apaixonaram por mim.
– O que diria sua irmãzinha se tivesse visto esse beijo? Acha que ela ainda ficaria do seu lado? — sorri cinicamente – Onde está a minha mulher? — perguntei a empurrando.
Amora fechou a cara, visivelmente irritada. Ela se afastou um pouco.
– O que você viu naquela humana sem graça? Tão inútil e fraca. Tão humana. — disse com nojo.
– Ela pode ser frágil, mas é melhor que você. — falei venenosamente.
Ela me olhou furiosa. Segundos depois pareceu olhar para alguém atrás de mim e depois deu um sorriso malicioso.
– Você não faz ideia do quanto errou quando escolheu aquela humana imunda. Ela rapidamente lhe trocou por outro. — disse com desdém.
Olhei para trás e vi Aredhel caminhando em minha direção. James vinha logo atrás dela. Aredhel parecia diferente, pareceu não esboçar nenhuma emoção ao me ver. E quanto a James ele me fitava seriamente. Ambos estavam vestindo roupas de Midgard que lembravam as usadas por Romanoff e Barton e eram de cor preta.
– Bem, meu querido, eu tenho muitas outras coisas para fazer. — disse Amora — Deixarei você aos cuidados de sua amada esposa e seu amante. — deu uma risada jocosa.
Amora piscou para Aredhel e saiu correndo em direção a casa. Aredhel lançou-me um olhar malicioso, conjurou sua adaga e veio para cima de mim. Ela me atacou, mas consegui segurar sua mão. Eu fiquei chocado, não entendia o que estava acontecendo.
– Aredhel? O que está fazendo? — indaguei boquiaberto.
Ela apenas sorriu maquiavelicamente. Soltou-se de minhas mãos e voltou a me atacar. Ela usava contra mim tudo o que eu havia lhe ensinado. Eu apenas me esquivava e defendia os golpes de Aredhel. Eu não podia machucá-la. Sem aviso, James tentou me atacar também com uma adaga. James atacava-me também com os mesmos golpes de Aredhel. Notei claramente que ela havia treinado ele muito bem.
Eu estava confuso, me perguntava se James estaria sob o feitiço de Amora ou Lorelei, mas nada explicava o comportamento de Aredhel. Eu estava em dúvida da consciência dos dois. Imaginei, inicialmente, que Amora poderia estar controlando Aredhel com o cetro ou que talvez Thanos a estivesse controlando.
Eu não podia lutar com os dois ao mesmo tempo, acabaria machucando um deles. Afastei-me deles, mas Aredhel e James voltaram a avançar juntos sobre mim. Resolvi contra-atacar James. Empurrei Aredhel e ataquei James com um soco, eu o desarmei e dei um murro no estômago dele. Ele foi lançando ao chão. Aredhel correu para socorrê-lo.
– James, meu amor, você está bem? — ouvi-a perguntar a ele toda preocupada.
– Estou, minha vida.. — murmurou James tocando o rosto dela.
Tinha algo errado naquela cena. Se Aredhel estivesse sendo controlada pelo cetro ou por Thanos, por que ela mostraria interesse por James? Ela o chamara de “meu amor”. E se James estivesse sendo controlado por Amora ou Lorelei só teria olhos para elas e também seria indiferente em relação a Aredhel.
– O que está acontecendo, Aredhel? — perguntei estupefato.
Ela virou-se em minha direção e tinha o semblante carregado.
– Meu querido marido, o que está acontecendo é que me cansei de você. — sorriu cinicamente – Acha mesmo que ficaria ao seu lado depois de tudo o que você fez à minha Terra, família e a mim? Você tentou me matar! Machucou-me tantas vezes! Eu tenho um novo amor. Amo James. Eu queria lhe deixar, mas jamais poderia deixar meus filhos para trás! Então só existe um jeito de eu me ver livre de você e recuperar meus filhos, é eliminando você de uma vez por todas! — rosnou.
Eu mal podia acreditar no que estava acontecendo. As palavras de Aredhel foram como uma punhalada em meu peito. Eu estava perplexo. Eu a amava e negava-me a aceitar as palavras que ela havia proferido. Aredhel e James haviam se apaixonado, fugiram e agora ela queria se livrar de mim e resgatar os filhos.
– Aredhel.. — murmurei chocado – Dias atrás você dizia que me amava! — rosnei com raiva.
Por mais que eu me negasse a aceitar, a dor que senti com aquelas palavras era real demais. Eu mal conseguia raciocinar. Olhei para Aredhel e senti-me duplamente traído. Primeiro, porque ela havia se apaixonado por outro. Segundo, por mentir para mim durante todo esse tempo. Eu havia confiado em sua fidelidade até o fim, a defendido tantas vezes. Dessa vez eu não estava entendendo erroneamente as coisas. Eu tinha dado tudo àquela mulher e no final ela mesma me afirmara que havia jogado tudo fora. Era ela que admitia para mim que amava outro homem.
– Você é uma pedra em meu sapato, Loki. — murmurou Aredhel com frieza – Pode alguém amar algo que lhe incomoda tanto? Pode? — indagou em tom de ironia – Tenho nojo de você! — vociferou.
Na hora não pensei no que estava fazendo. Agindo por impulso, ergui o braço e dei uma bofetada em Aredhel. Ela caiu no chão, levou a mão ao rosto e ergueu a cabeça me encarando com raiva. Estava com o lábio inferior machucado. Doeu-me ver o que tinha feito.
– Eu não disse? — rosnou Aredhel – Sempre violento comigo! Seu monstro! Eu nunca deveria ter me casado com você! Eu te odeio! — gritou.
Eu tremia de raiva e, ao mesmo tempo, me desfazia em pedaços por dentro. Parte de mim arrependia-se amargamente por ter batido nela. Outra parte dizia que era o mínimo que eu deveria fazer com ela. Mas no fundo eu sabia que não conseguiria machucá-la de propósito ou matá-la. Eu estava magoado e ferido, mas ainda amava Aredhel. Meu coração estava dilacerado.
– Como você ousa tocar nela? — sibilou James para mim – Sempre a machucando! — ajudou Aredhel a se levantar — Pois, a partir de agora, você nunca mais encostará um dedo nela! — vociferou irado.
James se pôs na frente de Aredhel para defendê-la. Senti inveja e ciúmes. James sempre defendera Aredhel, mas agora seus atos pareciam diferentes diante das revelações. Eles não pareciam ser apenas amigos, agora agiam como um casal. James tomara o que era meu, o que me pertencia. A minha obsessão e possessividade por Aredhel, clamava por uma atitude minha. Eu poderia continuar sofrendo e não fazer nada contra Aredhel, mas eu mataria James sem a menor dúvida. Agarrei-o pela roupa e arremessei-o em direção a uma árvore. Aredhel gritou por ele. James bateu na árvore e caiu desacordado. A minha ira me cegava. James jamais ficaria com Aredhel. Nenhum outro homem tocaria em Aredhel. Ela podia não me querer mais, mas também não seria de nenhum outro. Eu caminhei em direção a ele, iria matá-lo de uma vez por todas.
Estava me aproximando dele quando Aredhel teletransportou-se para minha frente. Novamente ela começou a me atacar. Seus golpes estavam mais rápidos e ela me atacava com fúria. Cada vez mais eu sentia ódio de Aredhel. Dei um empurrão nela e ela caiu no chão. Continuei marchando em direção a James. Aredhel voltou a tentar, de maneira infantil, me atacar pelas costas. Eu calmamente virei-me e aparei seu golpe no ar. Agarrei sua mão na qual estava a adaga e girei seu pulso para forçá-la a largar a adaga. Ela deu um gemido de dor e ajoelhou-se, mas sem largar a arma.
– Não abuse de sua sorte, Aredhel! Não seja estúpida! — tranquei os dentes, girei ainda mais seu pulso e ela voltou a gemer — Você é apenas uma Midgardian! É fraca e lenta! Pode ter aprendido meus truques, mas você não é páreo para mim, Aredhel! Nunca será! — rosnei.
– Largue-me! — gritou soltando a mão e tentando novamente me atacar com a adaga.
Agarrei a mão dela no ar sem dificuldades, baixando-a novamente. Segurei-a pelo pescoço e a empurrei encostando-a contra a árvore, enquanto ainda imobilizava uma de suas mãos. Tomei cuidado para não apertar seu pescoço, apenas mantinha a mão firme, para que não tentasse me atacar. Tentava ao máximo me controlar para não machucá-la ou correr o risco de matá-la novamente. Sabia que jamais me perdoaria se o fizesse.
– Basta! Chega dessas suas tentativas inúteis de me atacar! — falei entredentes – Solte arma antes que eu mude de ideia e te mate de uma vez! — blefei.
– Matar-me? Isso não me surpreenderia. Não seria a primeira vez. — disse com amargura.
As palavras dela me atingiram como um soco no estômago. Tudo parecia fazer sentido. Estava claro que Aredhel nunca me perdoara pelo que eu fizera a ela. E o pior é que eu a entendia. Eu mesmo nunca me perdoei.
Ela ergueu o rosto para mim e deu um sorriso maligno. Aredhel soltou a adaga, agarrou com a outra mão e, agilmente, cravou a arma em meu abdome. Eu a larguei, ela se aproximou de mim e puxou-me pela roupa.
– É hora da vingança, meu amor.. — sussurrou em meu ouvido.
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