A mulher do meu destino

76 Getting good at starting over every time that I return


Notas iniciais
* Getting good at starting over every time that I return = Ficando bom em começar de novo Toda vez que eu retorno - Trecho da musica "Walk" do Foo Fighters. Olá!! Obrigada pelo excelente feedback que vocês têm dado.. Muito obrigada!! Deixa eu explicar algumas coisas.. Bom, acho que não ficou muito claro, mas ainda tem outro conflito após esse que foi iniciado no capítulo anterior.. então ainda faltam alguns capítulos antes do derradeiro fim.. Mas.. aviso que mudanças acontecerão.. algumas meio radicais.. espero que compreendam.. Bem.. sobre o capítulo de hoje... *suspiro* Boa leitura..



William ajoelhou-se ao lado dos corpos dos pais, abraçou a mãe e deu um grito de dor. Olhei para Aredhel, ela estava desacordada, com alguns arranhões no rosto e com as costas queimadas. Deixei escapar um suspiro triste, Aredhel poderia se recuperar dos ferimentos, mas nunca da morte dos pais.

Mangog e Kl'rt começaram a vir em minha direção. Eu não sabia o que fazer. Lutar contra Kl'rt era como lutar contra quatro pessoas ao mesmo tempo. E Mangog era um monstro que continuava aumentando de força e tamanho. Acredito que nem com a ajuda de Odin e Thor conseguiria derrotá-lo. Tudo era tão frustrante. A minha impotência e desamparo diante da situação era latente. Deixei Aredhel deitada no chão e levantei-me, iria morrer lutando.

Mangog me acertou com um soco e saí deslizando pelo chão. Pude sentir o gosto e o cheiro férrico de sangue. Podia sentir algo quente descendo de meu supercílio. Vi Kl'rt enrolar seu braço elástico ao redor de Aredhel e começar a constringir o corpo dela.

– Deixe-a em paz! — gritei desesperado.

Tentei me levantar, mas Mangog me deu um novo golpe. William deixou os pais e correu para socorrer Aredhel. Kl'rt o atingiu com seu braço de pedra, fazendo William capotar. William chocou-se contra uma das paredes do salão e caiu desacordado. Gritei novamente para Kl'rt largar Aredhel. Kl'rt apenas riu e a continuou apertando. O rosto dela começara a ficar rubro, ela estava sufocando. Tranquei os dentes. Tentei avançar em direção a Kl'rt, mas Mangog novamente se pôs em meu caminho.

Ouvi Greta começar a chamar por Hela. Minha filha estava desmaiada nos braços de Greta enquanto esta a sacudia. Perguntava-me o que estava acontecendo. Com a minha distração fui golpeado novamente por Mangog. Atingi a pilastra mais próxima. Minha vista estava embaçada, eu estava perdendo a consciência de novo. Não conseguia me mover. Olhei para Kl'rt e Aredhel estava ficando roxa, já sem ar. Ouvi o som de ossos se quebrando.

– Aredhel.. Não.. — murmurei vencido, tentando me arrastar na direção dela.

Levei um chute de Mangog e caí encarando o teto do salão. Pensei que tudo estava perdido, que havia falhado em evitar que a tragédia acontecesse. Teria que passar pelo dissabor de assistir minha família ser morta diante de mim. Mangog aproximou-se de mim para finalizar o que havia começado, quando ouvi um uivo alto e algo negro saltar sobre ele. Era Váli em sua forma de lobo gigante. Os dois saíram rolando e lutando, destruindo algumas pilastras pelo caminho. Kl'rt, surpreso, afrouxou o braço sobre o corpo de Aredhel e pude vê-la voltar a respirar. Eu estava tentando me levantar quando uma enorme serpente enrolou-se no corpo de Kl'rt e o picou no pescoço, era Narfi.

Kl'rt deu um grito, mas não soltou o corpo de Aredhel. Irritado, Kl'rt, arremessou o corpo de Aredhel para longe, feito uma boneca de pano. Não conseguia me mexer, então berrei. Assisti desesperado Aredhel voando em direção a uma pilastra e fechei os olhos. Lágrimas desceram por meu rosto. Não queria vê-la morrer novamente, não suportaria. Deixei escapar um soluço de desgosto. Eu estava a ponto de enlouquecer.

Não ouvi o barulho do choque dela contra a pilastra. Abri os olhos e vi, pasmo, que James a havia pegado no ar e a segurava nos braços. Rapidamente compreendi o motivo de Hela ter desmaiado, ela havia ressuscitado James. Ele ainda estava ferido e com um corte grande na testa, mas estava vivo. Nunca ficara tão feliz em vê-lo bem, graças a ele Aredhel havia sido poupada da morte certa.

Narfi enrolava-se cada vez mais, cobrindo o corpo de Kl'rt. Pude ver Kl'rt tentar livrar-se da constrição que Narfi exercia sobre ele usando sua força e fogo. Mas Narfi era resistente ao fogo e muito forte, dessa forma, continuava a esmagá-lo lentamente. De repente vi Kl'rt começar a pegar fogo. Kl'rt gritava e aquilo soava como música para mim. Ele havia machucado Aredhel e agora estava pagando na mesma moeda. E conhecendo o filho que tinha, eu estava certo que Narfi fazia aquilo não só por vingança, mas por puro prazer. Os gritos de dor de Kl'rt ecoavam pelo salão, enquanto Váli continuava a lutar contra Mangog. Infelizmente a fúria de Váli parecia estar alimentando os poderes de Mangog. Pouco a pouco ele ia ficando maior que Váli.

Narfi finalizou Kl'rt e, por fim, largou o corpo dele. Kl'rt estava de certa forma irreconhecível. Parecia ser apenas uma massa verde escura e amontoada no chão. Narfi havia quebrado, triturado seus ossos em seu abraço mortal e o queimado. Narfi voltou a ser apenas um garotinho, correu em minha direção e abraçou-me.

– Pronto papai.. Um a menos.. — sorriu satisfeito.

Eu o encarei estupefato. Antes que eu pudesse dizer algo mais, guardas entraram no salão e cercaram Mangog e Váli. Consegui me reerguer e, com Narfi no colo, me aproximei de James. Greta havia o alcançado e estava com Hela nos braços. Aredhel estava com um dos braços e uma das pernas quebrada, mas estava viva.

– Tirem-nas daqui, James. Leve-as para um lugar seguro. — pedi – Narfi, vá com James e cuide de sua mãe e irmã. Proteja-as. — falei para Narfi e em seguida o coloquei no chão.

– Certo papai. — sorriu Narfi.

James assentiu e saiu correndo com Aredhel nos braços, sendo acompanhado de Greta e Narfi. Alcancei a Gungnir, a juntei e fui ajudar Váli. Ataquei Mangog com alguns raios, mas eles não tinham efeito sobre ele. Eu tinha que mudar de estratégia e rápido. Sabia que o ideal seria controlar os sentimentos de medo e raiva que imperavam no local, mas isso era impossível. Mangog estava cada vez maior.

Volstagg, Fandral e William recobraram a consciência. Aproximei-me de William e mandei-o sair do local e juntar-se à James. Ele, meio relutante, obedeceu minhas ordens.

Váli, Volstagg, Fandral, os guardas e eu tentávamos, em vão, conter Mangog. Mais uma vez, Mangog, derrubava um a um seus oponentes. Foi então que ouvi a voz de James ecoar no salão.

– Hela! Não! — berrou James.

Próximo aos pés de Mangog estava minha menininha. Ela encarava o monstro com uma expressão indecifrável no rosto. Eu quase surtei. Parecia que meu coração iria sair pela boca. Corri desesperadamente na direção dela. James fez o mesmo do outro lado do salão. Fandral e dois guardas, que ainda restavam de pé, também correram para pegar Hela. Mangog percebendo nossos receios olhou para baixo e sorriu malignamente ao ver Hela. Ele lançou um olhar de satisfação para mim e ergueu o braço para atacar a menina.

– Hela! — gritei em desespero, ainda correndo em sua direção.

Hela o encarou inexpressivamente e tocou em sua perna. Mangog deu um urro e Hela caiu desmaiada. Ele começou a desabar em direção ao chão. Consegui alcançar Hela, agarrei-a e tirei-a do caminho antes que fosse esmagada por Mangog. Ele caiu do chão e aos poucos foi diminuindo de tamanho, até recuperar seu tamanho original. Mangog estava morto, Hela o matara.

Eu mal podia acreditar na evolução dos poderes de Hela. Ela nunca havia matado nada além de animais e contra a própria vontade. Seus poderes, até pouco tempo atrás, eram apenas capazes de fazer Midgardians desmaiar. Jamais imaginei que tão cedo conseguiria matar um ser de raça e poderes superiores.

Mangog e Kl'rt tinham sido eliminados. Agora restava Thanos.

Entreguei Hela a James e pedi que cuidasse dela. Váli voltou à sua forma original. Estava cheio de hematomas e arranhões. Ele veio caminhando com certa dificuldade em minha direção.

– Pai, conseguimos. — disse esbaforido.

– Ainda não terminou. — falei rapidamente – Mas de Thanos, cuido eu. — falei severamente – Ajude Ada a socorrer os feridos. — ordenei.

Váli apenas acenou com a cabeça e foi na direção da sala de cura. Assim como eu e Aredhel, Váli tinha conhecimento em algumas magias de cura.



Segui em direção à sala das relíquias. Cheguei ao local, mas não encontrei Thanos. Ao abrir a porta do salão, um portal de luz azul se abriu. Eu rapidamente teletransportei-me para longe, aparecendo próximo a uma das Gems. Do portal emergiu Thanos. Ele saiu de lá com um sorriso triunfante, gargalhava.

– Jamais imaginei que seria tão fácil entrar aqui. — riu Thanos — Tudo que tive que fazer foi esperar você abrir a porta, então abri o portal com o Tesseract. — sorriu cinicamente – Agora somos só você e eu, Loki. — o portal fechou-se atrás dele.

Segurei com força a Gungnir em minhas mãos. Finalmente chegara a hora de acertar as contas com Thanos.

– Você me enganou daquela vez, fez-me esperar amargamente todos esses anos. Fez eu me unir àqueles humanos idiotas, incluindo o irmão de sua própria esposa. Mas agora eu vou resgatar todas as Gems, de uma única vez. — disse Thanos olhando ao redor – Você sabia que cedo ou tarde eu lhe alcançaria. Que uma hora pagaria por sua audácia. — deu uma risada rouca – E.. Sabes que não pode me matar, Loki. Sou imortal. — lembrou.

– Você não levará nenhuma Gem, na verdade irá me devolver o Tesseract. Seus dois cúmplices estão mortos. — revelei.

– Isso pouco me importa. Eles eram tão descartáveis quanto você ou Other. — disse com desdém – Aqui estamos apenas nós dois. Vou matá-lo, pegarei as Infinity Gems e a Infinity Gauntlet. — escancarou os dentes em um sorriso sombrio – Mas não se preocupe. Não irá para o mundo dos mortos sozinho. Assim que eliminar você e pegar o que quero, irei atrás de Aredhel e de seus filhos. Matarei seus filhos diante de Aredhel e por último ela. Ou posso poupar sua vida temporariamente. Eu adoraria poder matá-la em sua frente, mas vai depender de sua sobrevivência em nossa breve luta e de qual Gem eu irei pegar primeiro. — sorriu satisfeito.

Tranquei os dentes e cerrei os punhos de raiva. Como eu sempre soubera, Thanos iria usar minha família para se vingar de mim.

– Na verdade acho que vou fazer pior.. — Thanos sorriu torto – Eu já controlei sua esposa e aquele seu sósia uma vez. Então não precisaria usar a Gem da Mente. — lembrou – Durante esses anos eu aperfeiçoei minha técnica de controle da mente. Não é só você que possui truques novos. — revelou — Seria muito mais divertido se eu fizesse sua amada esposa lhe trair com aquele homem na sua frente e, depois, ela mesma matar um a um seus filhos. O que acha? — sorriu com ironia — Eu nem precisaria matá-la depois disso. Ela mesma tiraria a própria vida. — gargalhou.

Um nó se formou em minha garganta. Ele usaria Aredhel para me torturar. Mas Thanos não podia imaginar que eu havia sido avisado por mim mesmo de seu retorno. E eu também tinha meus planos.

– Você não vai nem chegar perto de Aredhel e meus filhos. Vai ter que passar por mim antes de encostar um dedo neles. — rosnei entredentes.

– Como você desejar. — sorriu e avançou sobre mim.

Eu sabia que não poderia lutar contra Thanos. Ele possuía habilidades muito superiores às minhas. Tinha conhecimentos avançados de magia, era mais forte fisicamente que eu e conseguia manipular energia. Dessa forma meu plano, desde o início, contava com a ideia de evitar uma luta corpo-a-corpo. Mas precisava que ele me tocasse apenas uma vez.

Fingi não conseguir me esquivar rapidamente, coisa que não era difícil de parecer real, nas condições físicas nas quais eu me encontrava. Ele me agarrou pelo pescoço e ergueu-me.

– Você é tão fraco. Patético. Foi-me muito útil por algum tempo. Mas deixou-se ser vencido por aquele grupo de humanos idiotas. E pior, se envolveu com uma humana. Caiu na minha armadilha tão tolamente. — riu – Quais são suas últimas palavras? — indagou-me cinicamente.

– Agora sua alma é minha.. — murmurei agarrando seu braço e desfazendo a ilusão.

Em minhas mãos, ao invés da Gungnir eu segurava Orb, a Gem da alma. Eu não poderia matar Thanos, mas poderia aprisionar sua alma. Orb brilhou intensamente, emitindo uma forte luz branca. O Tesseract caiu da mão de Thanos, tilintando no chão. Thanos me soltou e seu corpo desabou no piso do salão de relíquias com um forte estrondo. Deixei escapar um suspiro de alívio. Meu plano havia dado certo. O pesadelo havia acabado.



Desde a visita do “outro” Loki, eu vinha traçando meu plano e aperfeiçoando meus conhecimentos e controle sobre as Gems. O meu outro eu revelara enfaticamente que Thanos retornaria e que só com meus poderes eu não seria capaz de derrotá-lo. Loki deixara claro que somente com as Infinity Gems eu teria alguma chance de evitar a tragédia. Infelizmente, eu não sabia com exatidão quando Thanos atacaria.

Eu tinha a consciência de que não poderia usar Realidade novamente. Isso só atrasaria Thanos, mas não o impediria de vir atrás de mim. As demais também se mostrariam inúteis contra ele, vez que ele era imortal. A minha única chance estava em Orb.

Devolvi Orb ao seu devido lugar. Agora que ela continha uma alma aprisionada, emitia um brilho prateado. Também restaurei o Tesseract ao seu local original, antes de ser furtado. Caminhei com certa dificuldade até a porta. Eu estava muito ferido e exausto. Abri a porta e chamei pelos guardas. Eles vieram e retiraram o corpo de Thanos. Ordenei que o corpo dele fosse destruído, como forma de garantia. Após todos deixarem o local e eu me certificar de que tudo estava seguro em seu devido lugar, por uma segunda vez, saí do salão e cerrei a porta.

Eu precisava ver Aredhel e Hela, fui direto para a sala de cura. No caminho passei pelo salão. Os feridos já haviam sido socorridos. Só restavam os mortos que começavam a serem recolhidos. Vi quando alguns guardas carregavam os corpos dos pais de Aredhel.

Entrei na sala de cura e ela estava lotada. Fui direto para a área, mais reservada onde encontrei Hela, Aredhel, James, Volstagg e William sendo socorridos. Aredhel e Hela estavam desacordadas e dos demais estavam sentados, já com seus respectivos curativos. William olhou de Hela para James, bufou e saiu marchando da sala. Olhei para James confuso. Ele pareceu ler meus pensamentos e começou a explicar.

– Loki.. Hela está em coma, ou como vocês chamam aqui, sono profundo. Ada disse que não tem ideia de quando ela acordará. William está revoltado, porque ele descobriu que Hela me trouxe de volta à vida e que, estando em coma, não tem como trazer os avós. — explicou James.

Passei as mãos nervosamente por meus cabelos. Matar Mangog havia sido demais para Hela. Comecei a temer por sua vida. Quando será que acordaria? Afaguei os cabelos de Hela carinhosamente.

– E quanto a Aredhel? — indaguei a ele sentando-me entre as camas de Aredhel e Hela.

– Está com uma queimadura grande nas costas, com o braço direito e a perna esquerda quebrada. — disse com tristeza.

Dei um suspiro triste. Aredhel estava com o braço e a perna imobilizados. Havia alguns arranhões e hematomas pelo corpo. Seu cabelo, que antes passava de sua cintura, havia sido encurtado pelas chamas. Agora estava na metade de suas costas. Acariciei seu rosto e depositei um beijo em sua fronte. Ela estava viva, era isso que importava. Com o tempo ela se recuperaria.

– E onde estão Narfi e Váli, James? — perguntei tentando localizá-los.

– Narfi está com Greta. Váli já havia sido atendido e estava usando magia para ajudar os demais feridos. Estava por aqui até algum tempo atrás. — respondeu James olhando ao redor.

No final de tudo não é difícil constatar que meu plano falharia se meus filhos não tivessem lutado ao meu lado. Sem eles, nenhum de nós teria sobrevivido. O outro Loki tinha razão, eu jamais poderia imaginar o poder que eles possuíam. Meus filhos seriam capazes de, sozinhos, destruir ou salvar um reino inteiro.



A alvorada chegara e a noite do pesadelo havia terminado. Hela foi levada para seu quarto e Aredhel para o nosso. Na metade da manhã fui informado da preparação do funeral dos mortos em batalha, entre eles estavam os pais de Aredhel. Depois de resolver algumas coisas urgentes, finalmente fui para o quarto. Tomei um longo banho, deitei-me ao lado de Aredhel e a fiquei observando. Cansado, acabei adormecendo. Acordei com Aredhel chorando.

– Aredhel? – perguntei assustado.

Ela me abraçou e encolheu-se em meus braços.

– Ji.. Jimmy.. Está morto.. Papai.. Papai está bem? No.. Nossos filhos estão bem? – soluçava.

– Aredhel.. Tem algumas coisas que você precisa saber. – falei seriamente.

– Mais alguém morreu? – indagou-me em choque.

Comecei a narrar para Aredhel todo o ocorrido. Contei que James havia sido ressuscitado por Hela, que os pais dela estavam mortos, da participação decisiva de nossos filhos na batalha e do destino final de Thanos. Aredhel chorava desesperadamente.

– Meus.. Pais.. Eu.. Eu.. – gaguejava em meio às lágrimas.

– Seu pai, antes de morrer.. – engoli seco — ..disse que lhe amava. – falei rapidamente.

Ela me encarou aturdida, como se não acreditasse no que eu dizia. Apenas meneei a cabeça reafirmando o que eu havia dito e ela voltou a se debulhar em lágrimas. Abracei-a forte e a fiquei consolando. Depois de um tempo voltei a falar.

– Tem duas outras coisas que preciso lhe dizer. A primeira é que Hela está em sono profundo, ou como você chama, em coma.

– Hela? Meu Deus, minha filhinha! Por quê? – indagou agitada.

– Acredito que ela usou energia demais para matar Mangog. Lembre-se de que ela só conseguia fazer você e James desmaiarem. Mangog era um ser muito poderoso. Na verdade, acredito que ela se arriscou demais, poderia ter morrido. – lamentei.

– Loki.. Cabia a nós a missão de proteger Asgard e não a nossos filhos.. – dizia com tristeza — Eles são apenas crianças. Váli é apenas um menino e já matou tanta gente. E Narfi.. Nosso caçula torturou e matou um outro ser. Até nossa princesinha, que nunca quis machucar um inseto, agora carregará uma morte nas costas. Isso não é certo. Eu é quem deveria protegê-los de tudo e não eles a mim. – deu um soluço.

– Eu entendo sua frustração, meu amor. E digo que sinto o mesmo. Nunca me senti tão impotente diante de tudo. No final, não consegui proteger minha família, nossos filhos que o fizeram. – falei amargurado.

– Qual é a segunda coisa que tinha para me dizer? – indagou-me.

– Bem.. Eu já sabia que Thanos retornaria e que, talvez, isso custasse a vida de todos nós. – confessei.

– Como assim já sabia? – olhou-me desconfiada.

Narrei calmamente para Aredhel a visita do Loki do futuro. Contei-lhe o que ele revelara e o que havia planejado. Ela ficou visivelmente irritada, mas depois foi se acalmando. Depois que terminei de narrar, ela ficou em silêncio por um tempo.

– Loki.. Acho que nós dois temos que parar com essa mania de tentar proteger um ao outro. De certa forma, eu também ocultei algo de você. – mordeu os lábios.

– Ahá! Eu sabia que você não havia me contado tudo sobre seus pesadelos! – sibilei – Aredhel, você sabe que odeio que esconda as coisas de mim! – rosnei.

– Eu sei meu amor, mas entenda, no sonho eu via você morto. Por isso quando soou o alarme da invasão, saí às pressas e não lhe acordei. Temi que o sonho se realizasse. – tentou se explicar.

– Certo.. Certo.. – falei meio impaciente – Talvez tenha razão. Se tivéssemos compartilhado o que sabíamos, talvez as coisas tivessem sido menos complicadas. – concordei.

– E talvez meus pais e todos aqueles soldados estivessem vivos.. – murmurou Aredhel voltando a chorar.

– Aredhel, talvez tivesse que ser desse jeito. Você mesma sempre disse que tem coisas que são inevitáveis, por mais que tentemos mudá-las. – tentei confortá-la.

– Talvez.. – murmurou triste — Eu preciso ver Hela.. Preciso ver minha filha – falou aflita, querendo se levantar.

– Acalme-se Aredhel. Eu lhe levo até ela, você quebrou a perna e o braço. Está muito machucada. Tenha calma. – disse rapidamente.

Eu estava ajudando Aredhel a se levantar para irmos até o quarto de Hela, quando ouvimos gritos vindos do lado de fora do quarto.

– Larguem-me! – gritava William do lado de fora do quarto – Eu quero falar com ela! – rosnou.

Acomodei Aredhel sentada na cama e fui abrir a porta. William entrou marchando furiosamente e foi em direção a Aredhel.

– Você não pode deixar que eles cremem nossos pais! – disse todo exasperado – Hela pode trazê-los de volta! – falou afobadamente – Ela trouxe James, então pode trazer eles também! – vociferou.

– Will, Hela está em coma, não sei quando poderá acordar. – disse Aredhel assustada.

– William, também há um limite de tempo para Hela ressuscitá-los. Todas as vezes que Hela tentou ressuscitar um animal ou inseto só foi eficaz nos que tinham morrido a menos de vinte e quatro horas. – interferi.

– Não importa! Vamos esperar! Ainda temos tempo! Se ela pôde trazer seu amante pode trazer eles! Você deve isso a eles, Ared! Eles morreram por sua causa! – berrou com a irmã.

– William. – falei entredentes, tentando me controlar.

– Will.. – murmurou Aredhel aturdida — Eu.. Eu também sinto muito.. Eu não.. Queria.. — gaguejava Aredhel.

– Sente nada! – retrucou William — Você não gostava do papai! Sempre se fazia de vítima dizendo que ele não gostava de você! E agora? Ele morreu para te salvar! A culpa é toda sua! Se você nunca tivesse se juntado ao Loki, nada disso teria acontecido! Eu disse que ia se arrepender de ter se juntado a um vilão! – bufava de raiva.

Aredhel baixou a cabeça e soluçava desconsoladamente.

– William! – rosnei.

– Seu ato impensado custou a vida de nossos pais! – continuou William — Você nunca deveria ter entrado naquela luz! – tremia – Papai tinha razão! Você jamais deveria ter nascido! – cuspiu as palavras sobre ela e deu uma bofetada na irmã.

Aquele ato insano de William fora a gota d’água. Eu já havia tolerado demais seus desatinos. Ele agora pagaria por tudo que fez Aredhel passar.



Notas finais
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