A mulher do meu destino

90 There will be no sorrow.. Let it be..


Notas iniciais
* There will be no sorrow.. Let it be.. = Não haverá sofrimento.. Deixe estar.. - Trecho da música "Let it be" dos The Beatles. Olá!! Agradeço de coração a todos os comentários e favoritações!! o/ Amo vocês.. Bem gente.. Eu não vou mais falar que tal capítulo é o penúltimo ou último.. Porque no final sempre acontece algo que acaba deixando para próximo o final.. Deixem-me explicar. Eu ainda não escrevi o final e nem o próximo capítulo. Eu publico os capítulos assim que ficam prontos. Tudo o que faço é anotar em um caderno o que ainda falta explicar ou colocar para finalizar a fic, por este motivo, fico sem saber o tamanho de cada capítulo e como eles ficarão. Então peço mil desculpas por não finalizar a fic neste capítulo.. Sei que alguns ficarão chateados, mas prometo q está acabando.. Já até comecei a escrever o primeiro capítulo da "Asgard Dirty Secrets". Boa leitura... PS: Aguardem o cabaré master de Aredhel e Loki.. Prometo caprichar..



Os meses foram passando de forma tranquila. Parecia que todo o sofrimento de fato havia ficado para trás. Estava finalmente podendo desfrutar de momentos com a minha família que jamais havia sonhado poder. Não precisava me preocupar com inimigos ou guerras. Tudo o que eu tinha que fazer era deixar as coisas como estavam.

Fenrir já tinha completado dez meses. Já dava os primeiros passos e costumava sair correndo, deixando Aredhel aflita. Era um bebê sorridente e, ao mesmo tempo, estranho. Não parecia temer nada. Não gostava muito de ficar dentro do palácio, chorava muito quando não podia sair. Entretanto, quando ia para o jardim, parecia estar em seu habitat. Engatinhava e caminhava alegremente, comendo algumas flores quando nos distraíamos ou brincava com insetos e animais como se fosse a coisa mais natural do mundo.

– Fenrir! Largue esse besouro! – gritou Aredhel correndo em direção ao menino.

– Acalme-se, Aredhel.. – riu James.

– Não Jimmy.. Eu não sei o que fazer com esse menino. Ele atrai os bichos feito um ímã. – bufou.

– Eu não falei? – ri – Foi Fenrir quem atraiu os insetos e os animais durante a sua gravidez. – confirmei.

– Deixe-o brincar com a gente, mãe. – disse Hela – Eu e o Igor tomaremos conta dele direitinho. – sorriu para Igor.

– Deixe.. – pediu Siegfried – Eu os vigiarei. – disse o rapaz.

Siegfried, assim como Váli, já era praticamente um homem feito. Ele era dois anos mais velho que Váli e já tinha dezesseis anos. Váli e ele ainda eram amigos inseparáveis. Sigrid, que tinha a mesma idade de Váli, também vivia a acompanhá-lo onde quer que ele fosse. O relacionamento deles não me preocupava, mas sim a proximidade de Siegfried e Hela. O jovem passou a agir feito um cão de guarda. Onde Hela estava, Siegfried também se encontrava. Aparentemente, mesmo com a diferença de idade entre eles, Siegfried havia se tornado confidente de Hela. Ela, mesmo tendo apenas onze anos, era meio precoce. Não gostava de ser chamada de criança e já se intitulava uma mocinha. Eu ainda não havia esquecido o que a Morte me revelara. Sendo assim, desde então, eu vigiava todo e qualquer possível pretendente de Hela.

– Está bem.. – concordou Aredhel meio contrariada.

Os quatro se afastaram e foram novamente brincar com as plantas do jardim.

– Fico tão feliz de ver que Hela gosta tanto de Igor. – comentou Aredhel – Ela foi a primeira a se aproximar dele. Váli também o aceitou. Só lamento que Narfi ainda seja tão arredio com o menino. – lamentou.

– Ah, Aredhel. – começou James – Não se preocupe. Hela defende Igor com unhas e dentes. Já a vi discutindo com o Narfi inúmeras vezes por causa dele. – riu.

– Narfi é muito ciumento. Acredito que puxou isso de você, Aredhel. – provoquei.

– Com certeza. Ele não tem nada seu nisso. – ela disse com sarcasmo.

Inesperadamente Sif apareceu no jardim acompanhada de seu filho, Ullr, e fez sinal para Aredhel. Prontamente, minha esposa levantou e foi ao encontro de Sif, enquanto Ullr se juntava às demais crianças. Indulgentemente, Aredhel havia perdoado Sif. Depois de voltar à vida, Aredhel e Sif tornaram-se as melhores amigas. E ultimamente as duas andavam cheias de segredos. Aredhel, obviamente, estava a alcovitar o namoro entre Thor e Sif já há alguns meses.

De longe vimos Sif levar as mãos ao rosto e começar a chorar. Aredhel parecia consolá-la.

– Eu não disse? – olhei para James – Conheço Thor. Sif é uma idiota mesmo. Há anos correndo atrás dele. – comentei.

– Mas Thor parecia tão animado com o namoro. – James franziu o cenho – Ele até falou que estava pensando em se casar com ela. – contou.

– Casar? – espantei-me – Estou impressionado. – fui sincero – Enfim. Pelo jeito ele fez algo, pois aquilo ali não parecem lágrimas de felicidade. – indiquei com a cabeça as duas que conversavam.



Mais tarde naquele dia Aredhel me revelou a verdade.

– Dois filhos? – indaguei perplexo – O Thor tem dois filhos? – repeti ainda incrédulo.

– Sim.. Magni e Modi. – confirmou Aredhel – Bem, algum tempo atrás ele se envolveu com uma moradora da vila e pelo jeito a engravidou. Ela deu a luz aos gêmeos e faleceu em seguida. Parece que ela só tinha um irmão e ele mesmo veio trazer as crianças para Thor. – explicou.

– Agora entendi o motivo do alarido de Sif. – murmurei – No período em que essa jovem engravidou, Sif e Thor já estavam iniciando o namoro. – sorri de leve – Thor sempre foi assim. Galanteador. – ri.

– Ai, Loki.. – ela fez um muxoxo – A coisa é séria. É bem mais complicado que você imagina. – mordeu os lábios.

– Por que é complicada? A Sif tem só que escolher se vai ignorar isso ou não. Enfim. Eles ainda estão só namorando, então é só terminar o namoro. – dei de ombros.

– Digamos que agora é tarde para terminar o namoro. – disse Aredhel fitando o chão e enrolando os cabelos nervosamente entre os dedos.

– Tarde? Por quê? – perguntei curioso.

– Sif está grávida. – revelou e deu um suspiro.

– Bom, Aredhel.. Isso é um problema que só os dois podem resolver. – falei calmamente.



Obviamente que Sif perdoou o deslize de Thor. Os dois, aparentemente felizes, marcaram o casamento para dali a um mês. Sif prontamente aceitou criar os enteados e Aredhel lhe ofereceu ajuda.

Mais uma vez teríamos um casamento no palácio. Aredhel estava toda empolgada. Encarregou-se dos preparativos animadamente, porém colocara Váli e Hela para lhe ajudarem. Hela gostara, mas Váli ficara bastante irritado.

– Não é justo, pai. – bufou Váli – Eu já sou um homem e casamento é coisa de mulheres. Preferia estar ao seu lado, aprendendo sobre como administrar o reino. – desabafou.

– Tenha paciência, Váli. – James fez um afago em seu ombro – Sabe como sua mãe se empolga com casamentos. Aredhel quer muito que Thor e Sif consigam se acertar e formar uma família, para o bem dos filhos dos dois e desse outro que está para chegar. E ela ainda tem que cuidar de Fenrir e Igor. Fora o quanto ela tem me ajudado com os gêmeos. Sua mãe está muito sobrecarregada. – olhou para mim – Se seu pai concordar, eu ajudarei sua mãe com os preparativos e você assume as minhas funções para com o reino, o que acha? – sorriu.

– Sério, tio Jim? – Váli abriu um largo sorriso e depois olhou em minha direção – Posso, pai? Deixe-me mostrar ao senhor que posso lhe ajudar. – pediu.

– Se James assim quer.. Não vejo porque não. – dei de ombros – Você está mais do que na idade de assumir responsabilidades. – afirmei.

– Obrigado, pai! Obrigado a você também, tio Jim! — disse Váli todo animado – Pai, o senhor vai ver que não irei decepcioná-lo. — afirmou.

Desse momento em diante James tomou o lugar de Váli na ajuda à Aredhel com os preparativos do casamento. O evento prometia ser grandioso, apesar de ser o segundo casamento de ambos, mas tanto Thor, quanto Sif eram muito populares no reino.



Havia chegado o “grande dia”, Thor estava nervoso e Aredhel uma pilha de nervos. Dividia-se entre cuidar das crianças e organizar os últimos detalhes. Desde a morte de Greta, Aredhel cuidava dos filhos sozinha, nunca a substituíra. Para completar, ela ajudava James a criar os filhos dele. Desde o falecimento da mãe, os gêmeos viam em Aredhel sua nova figura materna.

Entrei no salão do banquete e encontrei Aredhel dando as últimas ordens sobre a decoração do local. Wagner, Katarina e Igor corriam ao redor da grande mesa. Hela e Siegfried discutiam alguma coisa ao fundo do salão.

– Katarina! Desça daí! Wagner, não! — gritou Aredhel vendo a menina de cachos dourados subir na mesa de banquete ajudada pelo irmão e por Igor – Meu Deus.. Hoje eles estão demais.. — murmurou passando a mão pelo rosto, visivelmente cansada.

Peguei a menina de cima da mesa e a desci calmamente. O irmão dela ergueu os olhos azuis e olhou-me meio aflito. Era incrível como Wagner se parecia com James, tanto quanto Váli comigo.

– A mesa não é lugar para brincadeiras. – falei seriamente.

– Está bem, tio Loki.. – murmurou Katarina, segurando a mão do irmão.

– Igor, sua mãe está tentando trabalhar. Parem de correr e subir nos móveis. — ralhei – Aredhel, onde está o pai dessas crianças? — perguntei meio impaciente.

– James foi colocar Fenrir para dormir. Como eu estava muito ocupada aqui, ele se ofereceu para fazê-lo por mim. — disse se aproximando de mim.

– Meu amor.. Acho que está na hora de você escolher uma nova serva para lhe ajudar com as crianças. Assim não dá. – comentei.

– Certo.. — concordou meio distraída – Depois desse casamento eu vejo isso. — disse meio agitada.

– Hela, Siegfried. — chamei – Levem esses meninos para o jardim. — ordenei.

Os dois rapidamente me obedeceram e levaram os menores para fora do salão.

– Aprenda a delegar as coisas, Aredhel. – ri – Eu entendo que queria ajudar James e que tenha receio de substituir Greta por causa dele, mas é responsabilidade demais para você assumir sozinha. – argumentei.

Ela me deu um sorriso fraco e notei que estava com o rosto vermelho. Toquei em seu rosto e percebi que ela estava febril.

– Aredhel.. Você está com febre. — afligi-me – Precisa descansar e ir ver o porquê dessa febre. Sua saúde é mais importante que uma festa fútil dessas. — falei meio irritado.

– Eu nada tenho. É só estresse mesmo. Logo passa. — fez pouco caso.



Ao anoitecer todos finalmente estávamos reunidos no salão. Aguardávamos a entrada da noiva. Eu já estava meio impaciente, era eu quem realizaria a cerimônia. Thor estava visivelmente nervoso e Aredhel parecia meio distante, passava, vez ou outra, a mão pelo rosto. Vi James trocar algumas palavras com ela e receber negativas como resposta. James olhou de Aredhel para mim e meneou a cabeça negativamente. Fiquei preocupado.

O salão aos poucos foi ficando cheio. Sif e Thor eram claramente muito populares. A medida em que o local foi enchendo de pessoas, Aredhel parecia mais pálida. Repentinamente, ela levou as mãos à cabeça e soltou um gemido de dor. James a amparou e eu desci os degraus rapidamente.

– O que houve, meu amor? – perguntei a tocando de leve – Aredhel, pelos deuses, você está queimando de febre. – comentei horrorizado.

– Minha cabeça.. Parece que vai explodir.. Não param de falar.. – ela murmurou confusa, com os olhos fechados e ainda com as mãos sobre a cabeça.

– Acalme-se. Vou levá-la para a sala de cura. – falei aflito.

– Não, Loki. – interrompeu James — Eu a levo. Você precisa ficar aqui para realizar o casamento. – lembrou.

– Mas.. – resmunguei e olhei ao redor. Mais convidados estavam chegando.

– Eu ficarei com ela. Tudo vai ficar bem. – James afirmou.

Extremamente contrariado, concordei. Dei um beijo na fronte de Aredhel e ela seguiu amparada por James para fora do salão. Ao longe avistei eles pararem na saída do local e James a carregar no colo. Mordi os lábios com aflição. “O que teria Aredhel?”, me perguntava. Quase desci e fui atrás deles, mas bem nesse instante Sif finalmente entrou no salão.

Ela estava radiante de felicidade. Ficou claro o quanto ela parecia realizada. Lembrei-me de quando éramos bem jovens e o quanto ela já era apaixonada por Thor. Foram muitos anos esperando conquistá-lo e ela finalmente havia conseguido. Fiquei surpreso com a sua perseverança. Disse apenas algumas palavras aos noivos, eu estava com pressa, precisava ter notícias de Aredhel. Thor finalmente selou o casamento, dando um beijo em Sif, pondo um fim naquela enfadonha celebração.

Saí do salão apressadamente e fui para a sala de cura. Chegando lá não encontrei Aredhel.

– Onde ela está, Ada? – indaguei impaciente.

– Ela foi para vosso quarto, meu rei. – informou Ada — Nem me deixou examiná-la. Disse que tomaria um chá e iria dormir. Que a cabeça dela estava para explodir de dor. Ficou dizendo que precisava de silêncio. Que tudo estava barulhento demais. – contou.

Fui às pressas para o quarto. No caminho eu remoía que Aredhel já estava sendo negligente demais com a sua saúde. Entrei no quarto e encontrei James sentado na poltrona ao lado da cama. Aredhel estava deitada e dormia. James olhou para mim e franziu o cenho, parecia muito preocupado.

– Como ela está? – perguntei me aproximando da cama e sentado na beirada.

Toquei a testa dela e vi que a febre cedera, mas ela ainda estava muito quente.

– Ela está melhor, tomou um chá e adormeceu rapidamente. – ele falou – Mas confesso que estou muito preocupado. – disse de repente.

– Por quê? – indaguei me virando para encará-lo.

– Bem.. – ele deu um suspiro – Ela estava muito agitada, reclamava que todos estavam falando alto demais. Então eu a acompanhei até aqui e ela, de repente, gritou comigo. – disse espantado.

– Ah.. Então é preocupante ela gritar com você? – ironizei – Você é irritante mesmo. Até mesmo para Aredhel. – ri.

– Eu estou falando sério, Loki. – James me encarou irritado — Ela disse que eu não parava de falar. Que ela estava bem e que era para eu parar de falar nisso. – contou.

– E? O que há de estranho nisso? Ela estava com dor de cabeça. Natural que quisesse ficar em silêncio. – dei de ombros.

– Eu não estava falando nada. Estava quieto. Não abri a boca para dizer nada a ela desde a sala de cura. – explicou.

Eu o fitei confuso por um momento. E antes que eu pudesse concluir alguma coisa ele voltou a falar.

– Ela parecia estar lendo meus pensamentos. – ele revelou – As coisas que ela me acusava de falar, na verdade eu estava apenas pensando. – completou.

– Mas como? – olhei para Aredhel perplexo.

– Não faço a menor ideia.. – ele falou meneando a cabeça.

– Isso explicaria a dor de cabeça dela.. – pensei alto – Ela estava ouvindo os pensamentos daquelas pessoas.. Por isso reclamou de estar muito barulhento. – murmurei.



Passado algum tempo James se retirou e nos deixou a sós. Como eu não gostava de festas e estando Aredhel naquele estado, fiquei no quarto para cuidar dela. Não pensei muito sobre a ideia de Aredhel ler pensamentos. Antes de eu concluir qualquer coisa, precisaria ver como ela acordaria e averiguar a situação pessoalmente. Não sabia o que pensar da possibilidade dela ter adquirido tal habilidade. Eu pessoalmente não sabia se aquilo seria algo vantajoso ou perigoso para nós.

Troquei de roupa e sentei-me na cama, ao lado de Aredhel e fiquei lendo um livro. Eu estava distraído, quando Aredhel acordou e sentou-se na cama de supetão. Ela olhou para mim assustada.

– Você está bem, meu amor? – perguntei preocupado.

– Eu tive outra previsão.. Mas foi muito diferente das outras.. Eu sonhei com o futuro distante.. – declarou.

– O futuro distante? Como assim? Como sabe que é distante? – indaguei confuso.

– É que sonhei com nossos filhos adultos.. – baixou os olhos – Er.. E sei por quem Hela vai se apaixonar.. – mordeu os lábios inferiores.

– Por quem? – rosnei trancando os dentes.

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Comentem.