A mulher do meu destino
42 The heart is a bloom shoots up through the stony ground
Notas iniciais

Após terminarem de examinar Aredhel, levaram-na para nosso quarto. Váli correu para ver a mãe e foi logo agarrando à mão dela.
— Por que a mamãe não acorda, papai? — perguntou-me com o semblante triste.
— Eu não sei, filho — respondi com sinceridade.
— Será que ela vai demorar muito pra acordar? — indagou com inocência.
— Espero que não — murmurei passando a mão pelos cabelos de Váli – Ela vai ficar bem. Não se preocupe — tentei confortá-lo.
Tentava também convencer a mim mesmo do que dissera. Mas na verdade eu temia que seu estado piorasse. Uma angustia crescia dentro de mim e eu começava a temer pelo pior.
Eu saí do lado de Aredhel por alguns momentos e, quando voltei, encontrei Váli deitado ao lado dela, todo encolhido. Deixei escapar um suspiro triste. Éramos dois homens dependentes do amor daquela mulher.
Nos dias em que se seguiram, o estado de Aredhel permaneceu inalterado. Lembrei-me daqueles dias em que ela ficou dormindo depois de nosso julgamento e eu apenas velava seu sono. Naquela ocasião ela estava esgotada e ainda tinha batido a cabeça. Dessa vez não sabíamos os motivos que a deixaram nesse estado. Váli andava todo tristonho, nem seus amiguinhos conseguiam animá-lo. Ele passou a visitar várias vezes no dia o nosso quarto e quando ficava sozinho, acabava se aninhando ao lado da mãe. Eu mal saía do lado de Aredhel, não comia e não dormia direito. A preocupação me consumia dia após dia. Era por Váli que eu tentava manter o resto de sanidade que me restava.
Passada uma semana as servas me procuraram para avisar que dali a três dias fariam o parto de Aredhel, mesmo ela estando naquele estado. Segundo elas, estava passando da hora do bebê nascer. Eu pensei que enlouqueceria de tanta angústia. Temia pela saúdo do meu filho que ainda não tinha nascido, mas também por minha esposa.
No dia seguinte eu estava cochilando na cama, ao lado de Aredhel, quando fui acordado por um grito. Acordei sobressaltado e atônito, vi minha esposa acordada com a mão sobre a barriga e uma expressão de dor no rosto.
— Aredhel? Você acordou, meu amor! — eu a abracei emocionado.
— Loki, vai nascer — gemeu ofegante, me afastando com o braço. — O bebê vai nascer — repetiu com urgência.
Ainda surpreso com a recuperação dela, carreguei Aredhel e segui direto para a sala de cura. As servas olharam espantadas para ela, quando entrei. Percebi que não era o único chocado com aquela recuperação repentina. Rapidamente acomodaram Aredhel em um dos leitos e a prepararam para o parto.
As contrações se aceleraram e ela gritava a cada uma que chegava. Beijei a fronte de Aredhel e afaguei a sua mão. Eu lutava para me acalmar também.
— Vai ficar tudo bem, meu amor — sussurrei ao seu ouvido.
Eu disse isso a ela para tranquilizá-la, mas na verdade tentava convencer a mim mesmo disso. Depois de uma semana em sono profundo, eu temia que algo mais pudesse acontecer a ela. Eu estava tentando manter a calma.
Aredhel agarrou a minha mão e tentou esboçar um sorriso. A serva pediu para que eu me retirasse. Fiquei meio apreensivo, mas Aredhel me disse que estava tudo bem.
— Eu te amo — murmurei depositando um beijo na cabeça dela.
— Eu... Também... Te amo... — ela respondeu com dificuldade e com uma expressão de dor no rosto.
— Se eu pudesse passar por isso em seu lugar… Eu passaria… Eu juro… — fui sincero.
— Eu sei… — sorriu-me.
Em seguida me retirei e fiquei do lado de fora aguardando. Apesar da angústia que estava passando, tive a sensação de que o tempo passou mais rápido que no parto de Váli. Logo ouvi o choro de um bebê. Entrei novamente e Aredhel estava desacordada. Sentei-me ao seu lado e segurei sua mão. Ela estava gelada e pálida, fitei-a preocupado. Em momentos a serva apareceu com o bebê no colo.
— Ela vai ficar bem, majestade. Só precisa descansar — sorriu e em seguida me entregou o bebê. — É uma menina — revelou.
Apesar de ser tão pequena, ainda assim, era visível a semelhança dela com Aredhel. Seus traços eram quase a cópia perfeita da mulher que eu tanto amava. Só havia uma diferença, a bebê tinha meus olhos. Ainda que eu soubesse que a cor poderia se alterar eu duvidava. Eram de um azul-esverdeado tão claro, como os de Váli quando nasceu. Tive a certeza que ficariam iguais ao meu.
Eu a acomodei em meus braços e a ninei, maravilhado. Eu era pai mais uma vez. Meu coração se dividia novamente e agora abrigava uma nova moradora. Podia sentir o agradável calor do meu terceiro sol invadindo meu ser. Eu ganhara mais alguém para amar imensuravelmente, minha princesinha.
— Olá, Hela — cumprimentei-a beijando sua fronte.
Na manhã seguinte Aredhel acordou e pareceu muito surpresa ao saber que estava em sono profundo antes de entrar em trabalho de parto.
— Eu estava em sono profundo? Como assim? Por quanto tempo? — questionou Aredhel surpresa algum tempo depois.
— Segundo a serva você não respondia a estímulos, nem mesmo aos dolorosos. Ficou uma semana assim — expliquei.
— Uma semana? Meu Deus... Eu estava em coma — murmurou chocada.
— Coma? — indaguei sem entender.
— É como chamamos esse estado de “sono profundo” — abanou com a mão. — Isso é tudo tão estranho. A última coisa de que me lembro era de estar perto da floresta, de começar a chuviscar e de sentir um sono incontrolável. Mas não importa, o importante é que nossa Hela está bem — sorriu olhando para a bebê em seus braços. — Váli já a viu?
— Sim. Ficou todo animado com a irmãzinha.
Sentei-me ao lado de Aredhel e peguei Hela de seus braços. A mãe ficou me observando por um tempo.
— Você está com uma cara horrível — murmurou, tocando meu rosto. — Está com olheiras tão escuras. Desculpe-me por deixar você tão preocupado. — comentou com um semblante triste.
— A culpa não é sua. Só torço para que nada parecido aconteça de novo. — dei um suspiro de exasperação.
Coloquei Hela no berço ao lado da cama e puxei do bolso uma caixinha.
— Eu havia mandado fazê-la já há algum tempo — pus a caixa na mão dela. — Mas ficou pronta apenas depois que você ficou naquele estado. Foram feitas com um metal raro, existente somente aqui em Asgard — expliquei enquanto ela encarava a caixa com curiosidade.
Ela me olhou demoradamente e inclinei a cabeça, a incentivando a abri-la. A surpresa cobriu o rosto de Aredhel.
— São alianças mesmo? — parecia meio chocada.
— São. Eu avisei que mandaria fazer uma para você usar e deixar claro que eu era seu dono — sorri cinicamente.
— Percebi — olhou-me de esguelha. — Está escrito seu nome em asgardiano em uma delas — riu.
— E está escrito na mesma língua o seu nome na outra — apontei. — Como você disse que só usaria se eu usasse, mandei fazerem uma para mim — ergui uma das sobrancelhas.
Ela estendeu a mão esquerda para mim e sorriu com os olhos cheios de lágrimas. Peguei a aliança dela e coloquei em seu dedo anelar. Ela pegou a outra aliança e colocou em meu dedo. Depois, com lágrimas escorrendo por sua bochecha, ela sorriu esfuziante e deu-me um beijo nos lábios.
— Te amo! — exclamou toda alegre.
— Eu também te amo. Se eu soubesse dessa tradição midgardian e que iria gostar tanto, teríamos trocado alianças em nosso casamento.
— É tão linda... — murmurou olhando para a própria mão. — Muito obrigada — não conseguia tirar o sorriso do rosto.
— Espero que agora fique bem claro para outros, principalmente para alguns midgardians — fui incisivo —, que você me pertence — trinquei os dentes.
— Duvido que haja muitos que saibam ler runas — riu Aredhel.
— É um costume de vocês usarem isso e que eles entendam que você é casada é mais que suficiente para mim. Meu nome é mais para lembrar os outros daqui e a você disso — sorri satisfeito.
— Nossa... Que possessivo — falou divertidamente.
— Você sabe que eu não estou brincando — fui sério.
— É... Eu sei... — fez um muxoxo e me olhou de soslaio. — Tão ciumento…
— Quando você se casou comigo, sabia que eu era assim — lembrei-a.
Abracei-a e dei um beijo em seu rosto.
Nas semanas que se passaram Aredhel mostrou-se totalmente recuperada. Não sentia mais nenhum cansaço, voltou a ter o sono leve e vivia cheia de energia. A única coisa que não mudou foram os sonhos. Em uma manhã Aredhel estava muito animada, disse que sonhara que a mãe e William viriam lhe visitar.
No meio da manhã eles, de fato, chegaram. Wilson não veio. Mary ficou muito surpresa e feliz ao conhecer a neta. Ela também achou que Hela era a reprodução fiel de Aredhel. Durante o almoço, o ex-noivo de Aredhel voltou a ser assunto. Parecia que ele sempre seria um fantasma a me assombrar.
— Ared, você e Phil tinham uma câmera no carro? — indagou William de repente.
— Sim. Phil vira alguns vídeos na internet sobre gravar incidentes no trânsito e ficou muito animado. Então, ele resolveu instalar uma câmera no carro para depois postar os vídeos — comentou dando de ombros. — Mas por que a pergunta? — olhou desconfiada para o irmão.
— Falei com os pais de Phillip e eles falaram que a polícia conseguiu recuperar a câmera — comentou Mary.
— Segundo a polícia o carro ficou muito destruído — completou William —, mas que a câmera estava intacta. Pelo que disseram a polícia ficou de avisá-los assim que extraíssem o vídeo, para saber o que motivou ele a desviar e que o fez perder o controle do carro — abocanhou um pedaço de torta.
— Hum. Deve ter sido algum animal na pista — murmurou Aredhel com um semblante triste. — Phil gostava de animais e faria de tudo para não matar um. Mãe, os pais dele já foram lá em casa pegar as coisas dele?
— Sim. E fiz conforme você me instruiu. Entreguei a cópia das chaves para eles irem até lá e pegarem as coisas do filho falecido — Mary balançou a cabeça em lamento. — Tão novo...
— Eles perguntaram por você — atalhou William. — Quase que o pai acabou falando sobre vocês. Sorte que a mãe interferiu e disse que você tinha saído do país para estudar.
— Melhor assim, não seria algo simples explicar a eles sobre o ocorrido — falou Aredhel franzindo o cenho. — Eles acabariam por entender que eu o traía.
— Ared, não se esqueça de que você, Loki e os Avengers salvaram a Terra de uma invasão e que posaram para muitas fotos e vídeos naquela ocasião. Não se fala em outra coisa por lá. Então mais cedo ou mais tarde eles vão descobrir — alertou William.
— Duvido que notem minha presença e me associem ao grupo de heróis — Aredhel meneou a cabeça. — E se me reconhecerem em algum vídeo ou foto pensarão que eu era um cosplayer. Eles sabiam que eu e Phillip curtíamos ir a esses tipos de eventos. Além do mais, ninguém me conhecia lá. Loki e os Avengers é que eram os heróis — sorriu.
— Até agora não sei o que é isso que vocês chamam de Cosplay... Cosplayer... Enfim — bufei. — Aquele atorzinho me chamou de algo assim — comentei meio irritado.
Aredhel e William riram. Depois de me explicarem sobre Cosplayers, voltamos a falar sobre Hela e Váli. Mais tarde naquele dia William nos informou que falara com o ator e tinha novidades.
— Ele respondeu ao e-mail, marcando o encontro — William disse entregando um papel para Aredhel. — Ele mandou abraços. Chegou até a mandar um abraço para você, Loki — riu.
Bufei irritado. Será que aquele idiota não tinha percebido a minha antipatia por ele?
— Hum. Isso é daqui a quase um ano — Aredhel deu um suspiro. — Talvez Fury e os demais não esperem tanto tempo — parecia preocupada.
— Eu não me preocuparia — intervi despreocupadamente. — Duvido que encontrem uma forma de ir para outra realidade tão rapidamente — revirei os olhos.
— Eu não sei, Loki — ela me olhou com o semblante preocupado. — Tony é muito esperto. Sei que deve estar trabalhando em algo.
— Veremos. Acho que você os superestima em demasia.
— E você os subestima… — rebateu.
O resto do dia, William e Aredhel estranhamente andavam cochichando pelos cantos. Logofiquei desconfiado de que fosse algo relacionado ao ator ou aos produtores dos filmes. Vi os dois na biblioteca falando baixo, então resolvi tentar ouvir o que conversavam escondido.
— Ared, sabe me dizer se o agente Coulson está vivo? — perguntou William.
— Sim — confirmou Aredhel. — Ele até veio aqui junto com o Fury e o Tony. Pensei que ele tinha morrido.
— Ah... Então a coisa fica mais complicada... — comentou o irmão com um semblante sombrio.
— Por que, Will? O que houve? — indagou aflita.
— Existe uma série de televisão chamada de Agents of S.H.I.E.L.D, na qual o Coulson reapareceu vivo. Há todo um mistério em volta dessa “ressurreição” — explicou.
— Você só pode estar brincando — exasperou-se a irmã. — Série de TV? — passou a mão pela testa. — Será que teremos que nos preocupar até com isso?
— Não sei Ared, mas também descobri que você evitou uma morte — revelou.
— Como assim? — ficou surpresa.
— Segundo eu andei lendo, Loki poderia ter matado um dos Einherjar, esses guardas de elite de vocês. O tal guarda teria seguido vocês e Loki o aguardou chegar e então assumiu sua forma. Pelo que você me contou Loki de fato assumiu a forma de um guarda, mas não o matou ninguém. A sua presença nesse mundo pode ter alterado algo — explicou.
— Se isso for verdade, haverá alguma esperança. Eu alterei algumas coisas, mas até então não tinha conseguido evitar as mortes. Se eles continuarem produzindo os filmes, significa que poderemos alterar quase tudo, se soubermos antes, é claro — animou-se Aredhel.
— Sim, ainda que nem tudo seja como nos filmes, vou continuar de olho nas coisas. E com a ajuda do seu novo amigo, vamos sempre estar por dentro do que vai rolar. Pelo menos do que envolver o Loki — comentou o outro.
— Fato — ela fez uma pausa e pareceu ponderar sobre algo. — Will, vou te pedir uma coisa. Não comente com o Loki sobre essa série de TV — pediu com uma expressão preocupada. — Na verdade, qualquer coisa que venha a saber, sobre filmes, séries, produtores e atores, diga somente a mim. Loki já ficou muito paranoico com o que já sabe, não quero que ele acabe cometendo novas loucuras.
— Certo, maninha. Mas se ele descobrir, acho que ficará meio estressado com você — alertou com cenho enrugado.
— Deixe que do Loki cuido eu — retrucou Aredhel. — Quando achar que devo contar eu falarei com ele. Além disso, agora tem outras pessoas interessadas em saber sobre o que é produzido em nossa Terra e que possa interferir nessa realidade. Quanto menos gente souber melhor.
— Como assim mais gente? — questionou William.
— Fury e os Avengers já sabem dos filmes e pensam como Loki a esse respeito. Que o que é produzido lá é uma ameaça — ela disse com um semblante sombrio. — Eu não confio neles, Will. Você sabe como a S.H.I.E.L.D trabalha — murmurou preocupada.
— Tem razão — ele fez uma pausa. — Ared, você já pensou que talvez fique bem no meio de um conflito entre duas Terras? Você já imaginou que talvez tenha que escolher um lado? — encarou-a aturdido.
— Eu não quero nem pensar nisso — deu um suspiro triste. — Eu ainda tenho fé de que eles cederão e que chegaremos a um acordo. Eu prometi que resolveria o problema, caso o acordo falhasse... Mas ainda não sei o que faria — confessou.
— É… — William estalou a língua. — Eu não queria estar no seu lugar — fez uma careta. — Ser casada com um vilão tem seus contras...
De fato mais produções envolvendo nossa realidade era algo extremamente perigoso. E esse era mais um motivo para eu seguir o meu plano e não o de Aredhel. Fiquei satisfeito em saber que os filmes poderiam ser alterados, mas não me agradara o final da conversa. Era a vez de Aredhel começar a ter segredos para mim. Não pude deixar de ficar irritado com isso. Entretanto isso, de certa forma, me liberava da minha promessa de fazer as coisas sem que ela soubesse. O encontro com os produtores prometia ser muito interessante. Minha esposa tinha que realmente torcer para que sua ideia desse certo. Caso contrário ela teria que escolher um lado. Dessa vez eu não teria piedade de ninguém e nem ela poderia me impedir.
Assim que Mary e William partiram, Thor, Sif, Volstagg e Fandral retornaram de suas missões. Todos ficaram alegres de saber do nascimento de Hela. Thor mais uma vez ficara bobamente maravilhado e orgulhoso com a sobrinha.
— Ela é a sua cara, pequena. De meu irmão, só tem os olhos — sorriu Thor para Aredhel.
— Você acha mesmo? — sorriu Aredhel. — Bom, Váli é a cara do seu irmão. A cada dia Váli se parece mais com ele. Está virando uma cópia do pai — disse toda orgulhosa.
— Váli tem seu sorriso e seu jeito doce e carinhoso de ser, Aredhel — comentei. — Tinha que ver o quão preocupado ele ficou enquanto você esteve desacordada. Não desgrudava.
— Oh, tadinho de meu filho — ela fez um muxoxo e franziu o cenho. — Ele não me falou nada. Parece você, meu amor. Fica escondendo o que sente — sorriu.
— Bem, infelizmente tenho que deixá-los — falou Thor. — Agora que cumpri minha missão, voltarei para Midgard.
— Vá em paz, Thor — Aredhel apertou as mãos dele. — Eu imagino o quanto deve estar sentindo falta de Jane. Desejo um bom retorno. Muito obrigada por sua ajuda. E diga a Jane e a Darcy que mandei um abraço.
— Mande lembranças minhas aos seus amiguinhos heróis — fui sarcástico. — E fiquei atento, Thor. Eles estão quietos demais. Se souber de algo, nos avise — alertei.
— Avisarei sim. Não se preocupe, irmão. Não devia ser tão desconfiado. Eles só querem o bem. Apenas desejam proteger Midgard — defendeu Thor.
— São humanos, Thor, isso já seria o suficiente para não confiar neles — murmurou Aredhel.
Thor e eu olhamos para Aredhel meio surpresos.
— Ora, Aredhel. Você falando assim de seus iguais? — indaguei com ironia.
— Justamente por ser humana é que eu digo isso — ela disse com firmeza. — Eu sei como humanos agem, cresci entre eles. Não somos um povo confiável, infelizmente.
— Disso eu tenho certeza — estreitei os olhos na direção dela. — Seu povo costuma agir de forma sorrateira, até com aqueles a quem juram lealdade.
Eu ainda estava irritado com a ideia de Aredhel tentar esconder as coisas de mim. Começava a me perguntar o que mais ela poderia esconder de mim.
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