A mulher do meu destino

49 Sommes nous les jouets du destin


Notas iniciais
* Sommes nous les jouets du destin = Somos nós os brinquedos do destino - Trecho da música "Protège Moi" da banda Placebo. Obrigada pelos comentários. Foram tantas teorias, tantas mensagens de apoio ao Loki, muitas risadas dos comentários de Tony... Amo vocês!! Hoje estou meio dodói.. A gripe acabou me pegando, sendo assim não fui para a aula e entrei mais cedo só para postar o capítulo de hoje.. The show must go on! Espero que gostem.. Esse capítulo vem sendo idealizado a meses e só pude escrevê-lo agora... Esperem SURPRESAS... Boa leitura!

Eu estava perplexo. Olhava a foto e me via naquela estrada, mas eu tinha a certeza de que não era eu. Isso não fazia sentido. Naquela época eu estava provavelmente em Midgard na hora do acidente. Segundo eu tinha entendido, o tal acidente ocorrera logo após Phillip deixar Aredhel na floresta. Não tinha como eu estar em dois lugares ao mesmo tempo. Não podia ser eu.

— Aredhel, acalme-se, por favor — pedi, preocupado com seu estado. — Pense um pouco. Eu estava aqui nessa realidade naquela época. Estava em Midgard, lembra? Você sabia onde eu estava o tempo todo até você partir para seu mundo. Esteve comigo o tempo inteiro. Não tinha como eu estar lá — disse calmamente, me aproximando dela. — Essas fotos podem ser falsas. Pode ser outra pessoa usando uma ilusão. Sei lá — fui sincero.

Ela me fitou visivelmente confusa. Por alguns instantes, pareceu ponderar sobre o que eu dizia. Eu a amparei. Aredhel tremia e estava gelada. Fiquei com receio que passasse mal.

— Loki. E-eu... Eu... — gaguejou em meio às lágrimas.

— Shh... — beijei-lhe a fronte. — Está tudo bem, meu amor — abracei-a.

— Elas não são falsas — rebateu William. — Elas foram tiradas da gravação feita pela câmera de vídeo do carro de Phillip, que finalmente foi recuperado. Aredhel é da área. Saberia reconhecer montagens e vídeos falsos. A primeira coisa que ela pensou foi exatamente isso... Que poderia ser falso ou uma montagem feita em retaliação ao que você fez na Terra, mas ela mesma constatou que o vídeo e as fotos são reais — falou friamente.

— Ainda assim — comecei impaciente —, afirmo que não sou eu nessas fotos. Como eu já disse, pode ter sido alguém usando uma ilusão — retruquei irritado.

— Ou você pode ter usado a Joia do Tempo — disse William secamente. — Convenhamos, cunhadinho, quem de seus inimigos teria interesse em fazer você brigar com a sua esposa? O que ele ganharia com isso? Seria uma vingança boba, infantil! — a raiva evidente na voz.

Eu lancei um olhar fulminante para William. Aredhel olhou de William para mim. Vi a dúvida em seus olhos. Ela voltou a ficar nervosa e recomeçou a chorar.

— Eu não fiz isso, Aredhel — falei com veemência. — Eu nunca nem testei a Gem do Tempo — olhei-a nos olhos. — Sabe disso...

William deu uma risada de desdém.

— Será que ela sabe? — ele me encarou. — Vamos, Loki. Você é o deus da trapaça. Não é de hoje que você engana e manipula minha irmã — olhou na direção de Aredhel. — É uma tola apaixonada que acredita em tudo o que você diz, por mais absurdo que seja — balançou a cabeça. — Não precisa ser muito inteligente para pensar que se você pegasse a Joia do Tempo agora, ainda assim, poderia mudar tudo. Poderia voltar no tempo e alterar o que quisesse. Qualquer acontecimento ou momento. Tudo que você e Ared viveram pode ser parte de uma grande mentira. Então sim... Você pode ter voltado e matado Phillip, só para ficar com a Ared. Você é o tipo de pessoa que faria tudo isso e nunca admitiria — foi venenoso.

— Mentira… — ela murmurou, com o rosto banhado de lágrimas.

— Ora seu… — trinquei os dentes. — Pare de tentar envenenar Aredhel contra mim! Eu não o fiz! Eu não o matei! — gritei.

— Eu não a estou envenenando! Estou apenas abrindo os olhos dela para a verdade! O nosso pai tinha razão! Ela jamais deveria ter se casado com você! Você é um vilão! Só podia destruir a vida dela, arruiná-la! — vociferou para mim e se voltou para ela. — Você errou feio, minha irmã. Acreditou que por amor ele mudaria? Você foi tão ingênua! As pessoas não mudam, muito menos vilões! Ared, se você não gostava mais de Phillip, você deveria ter escolhido um dos Avengers. Poderia ter se casado com o Capitão. Ele sim é bom, cuidaria de você e obviamente não teria matado Phillip e Peter — continuava falando feito uma matraca.

— Cale-se! — berrei. — Pare de dizer disparates! — rosnei.

Aredhel olhava para mim aturdida. Passava as mãos pelos cabelos nervosamente. Ela estava claramente perturbada e parecia prestes a surtar.

— Disparates? — insistiu William. — Você sabe que o que digo é verdade! Você não a ama... Ela é apenas um troféu para você! Quando soube que a Ared estava noiva, você a quis só porque ela pertencia a outro! Ared é sua obsessão e rodos sabem o que você seria capaz de fazer por ela! Você faria qualquer coisa para tê-la! Até matar! Não pode negar que pagaria o que custasse para tê-la só para você!! — sibilou.

— Custasse... O que... Custasse... — soluçava Aredhel em prantos.

Desesperei-me. Aredhel ainda lembrava-se do que eu havia dito a ela certa vez. Eu confessara a ela que tinha planejado sequestrá-la e trazê-la comigo, custasse o que custasse.

— Não, Aredhel... Não! Por favor… Acredite.. — implorei. — Cale-se William! — gritei.

Repentinamente Aredhel agarrou a minha roupa.

— Vo... V-Você... Di... Disse... Que... Que... Iria me t-trazer.. C-custasse o que custasse... — gaguejava atordoada. — Tudo... Tudo que vivi é… — franziu o cenho, desolada. — É uma grande mentira? — gritou, puxando ainda mais a minha roupa. — L-loki... Você não... Diga... Diga que não é verdade... Não pode ser... Não... Não... — murmurou exasperada e, de repente, desmaiou em meus braços.

— Aredhel! — amparei-a desesperado e levei uma das mãos ao seu rosto.

— Ared! — chamou William, se aproximando.

— Suma daqui, William! — gritei — Suma! Ou eu não respondo por mim! Desapareça! — berrava sentindo meu corpo inteiro tremendo de raiva.

William, assustado, afastou-se.

— Se algo acontecer a ela ou ao meu filho, eu juro que vou matá-lo! E não adianta fugir! Eu o encontrarei até em Helheim! — berrei, enquanto assitia o covarde sair correndo do salão.

Carreguei Aredhel e saí às pressas com ela para a sala de cura. Aguardei aflito ela ser atendida, enquanto remoía o ódio que sentia de meu cunhado. Eu estava furioso, tive o desejo insano de matar William.

Fiquei pensando em como minha vida havia virado um pesadelo em poucos minutos. Eu não sabia e nem imaginava quem poderia ser aquela pessoa na foto e William tinha conseguido piorar a situação falando da Gem do Tempo. Para completar, eu não sabia como Aredhel ficaria depois de toda essa confusão. Ela e o bebê ficariam bem? Ela acreditaria em mim? Como resolveria a confusão armada pelo acéfalo do irmão dela?

Passado um longo tempo, Ada veio falar comigo.

— Como ela está? E o bebê? — perguntei aflito.

— Majestade, ela está sedada. A rainha sofreu um esgotamento nervoso. O bebê está bem, mas devido ao seu estado, ela deve ficar em repouso completo. Não deve sofrer nenhum desgosto — alertou-me a serva com um semblante preocupado. — Ela acordou pouco depois que o senhor a trouxe para cá, estava transtornada. Quando perguntei se queria que eu o chamasse ela quase... — olhou-me meio apreensiva. — Ela quase surtou. Mas não se preocupe. O que demos a ela deve fazê-la dormir pelo resto do dia. Ela acordará bem melhor — deu um sorriso fraco.

Fiquei sem chão. Aredhel não podia nem ouvir meu nome que ficava nervosa. O que eu faria para resolver toda essa confusão?

Levaram Aredhel para o quarto e eu fiquei algum tempo ao seu lado. Passei a mão por seu ventre, aliviado pelo bebê estar bem e acariciei seus cabelos enquanto a via ressonar serenamente. Eu não conseguia esquecer a expressão dela transtornada. Por um momento pensei que Aredhel enlouqueceria. Eu sempre soube que ela se sentia culpada por ter se apaixonado por mim enquanto estava noiva de outro. Esse sentimento só piorou quando ela descobriu que ele havia morrido. Temia que tudo aquilo, somada à culpa que ela sentia pelo que ocorrera na outra Midgard, levasse Aredhel à loucura. Sabia que era demais para minha amada suportar. Eu ainda me lembrava das palavras dela quando contei o que tinha feito na outra realidade. “Eu não sei se ainda conseguirei ser feliz carregando tanta culpa”.

Deixei Aredhel no quarto, aos cuidados de uma serva e fui atrás de William. Os guardas me informaram que o covarde partira assim que soube que a irmã estava bem. Tive que adiar minha séria conversa com William para outra ocasião. No final achei melhor assim. Ainda que Aredhel e o bebê estivessem bem, eu não sei se conseguiria me conter. Dependendo do andar da conversa, meu cunhado terminaria morto.

Diante de tudo aquilo, tentei me acalmar, rever as fotos e pensar sobre o ocorrido. Pensei inicialmente que poderia ser o povo da outra Midgard tentando armar algo contra mim, mas como a própria Aredhel descartou a possibilidade de serem falsas as fotos, eu tinha que pensar em outras opções. Comecei a pensar que poderia ser uma vingança de Thanos. Desde o início ele estava envolvido com a vinda de Aredhel, então podia também ter sido responsável pela morte de Phillip. Thanos poderia ter se aliado a alguém que possuía a mesmas habilidades que eu e a usado para matar Phillip. Eu precisava pegar aquela pessoa, desmascará-la e provar minha inocência.

Depois de um longo tempo ponderando, decidi que a melhor opção seria realmente utilizar a Gem do Tempo. Com ela eu poderia voltar no tempo e descobrir quem tentou me incriminar. De certa forma eu temia que pegando aquela pessoa, eu evitasse a morte de Phillip e mudasse tudo. Perguntava-me se Phillip estivesse vivo, se Aredhel teria me escolhido.

Eu tinha que arriscar... Essa era única saída, a única forma de provar que eu era inocente. Estava nervoso, temia que algo me acontecesse e eu deixasse Aredhel desamparada, ainda mais no estado em que se encontrava. Sif, Fandral e Volstagg estavam fora, em uma missão. A única pessoa que eu poderia contar era com Heimdall. Eu sabia que, mesmo ainda não simpatizando comigo, ele cuidaria de Aredhel até que Thor ou eu retornasse. Por mais que minha esposa não acreditasse, todos a estimavam demais em Valhalla. Sendo assim, tomada a decisão, peguei a Gem. Senti um calafrio ao imaginar o quanto aquilo poderia mudar minha vida. Concentrei-me e pensei no local, naquela data e em Phillip. Aquele rosto que eu só conhecia por fotos. Respirei fundo e uma luz verde me envolveu e perdi a consciência.

Ao voltar a respirar senti o ar gelado invadir meus pulmões, quase queimando. O cheiro de terra molhada e mato dominava o ar. Meu corpo todo estava dolorido, respirar era uma tarefa árdua. Parecia que eu havia levado outra surra daquela criatura que brincava de ser humano, chamada Hulk. Estranhamente me senti fraco, sem forças, era como se eu tivesse perdido meus poderes. Eu estava caído de bruços em um chão frio e úmido e na boca, um gosto de sangue dominava. A queda naquele local havia me machucado, logo isso ficou claro. Minha mente estava confusa, aos poucos comecei a lembrar o que fazia ali, mas não imaginava onde poderia estar.

Ainda podia sentir a Gem do Tempo segura em minha mão direita, que permaneceu fechada o tempo todo. Com lentidão e pouca destreza, guardei-a em meu bolso. Abri os olhos com dificuldade, minha vista embaçada não conseguia focalizar nada de concreto. Estava tudo muito escuro. Antes que pudesse começar a visualizar melhor onde estava, uma luz branca surgiu e me cegou. Percebi que vinha em minha direção e aumentava gradativamente. Senti um pânico invadir meu ser. Algo me impulsionava para me mover, dizia que eu precisava conseguir me levantar e sair dali rapidamente. A luz estava cada vez mais próxima e, com muita dificuldade, fiquei de pé. Mal conseguia me mover, meus músculos não me obedeciam. Nesse momento percebi que era tarde demais, a luz me alcançara, então fechei os olhos.

Ouvi um barulho estridente de algo derrapando. Abri os olhos e vi um veículo desaparecendo à minha esquerda. Olhei ao redor e finalmente minha vista pode me revelar onde eu estava. Aos pouco reconheci a paisagem, eu estava em uma estrada. Ouvi um estrondo vindo de onde o carro havia sumido. Corri com certa dificuldade para a lateral da estrada e olhei para baixo. Havia um rastro no mato e pude ver que o veículo tinha batido em algumas árvores no fundo do barranco.

Foi neste momento que entendi o que acontecia. Fiquei chocado. Eu estava na estrada da foto. O carro que desviara de mim na estrada, só podia ser o carro de Phillip. Fui tomando pelo pânico. Meus músculos ainda doíam, mas, ainda assim, apressei-me em descer a ladeira. Na hora eu só pensava que, por Aredhel, aqueles homens, Phillip e Peter, não podiam morrer. À medida que me aproximava eu sentia um cheiro forte que não conseguia identificar. Notei que havia fumaça saindo da parte dianteira do carro. Tentei acelerar minha descida, mas eu me movia lentamente. Era como se eu fosse um midgardian, fraco e lento. Indaguei-me mentalmente se isso seria um efeito do uso da Gem do Tempo.

Quando cheguei ao carro vi os dois rapazes desmaiados. Eles estavam com alguns machucados nos rostos, mas pareciam estar vivos. Tentei abrir a porta do carro, mas não conseguia, estava emperrada. De repente o que era apenas fumaça transformou-se em chamas, na parte dianteira do veículo. Dei um soco no vidro, mas tudo que fiz foi machucar minhas mãos. Olhei para minhas mãos chocado. Tentei usar meus poderes para mover a porta e nada. Eu estava sem meus poderes e frágil como um humano. Fiquei confuso, jamais imaginei que voltar no tempo poderia me deixar naquele estado.

As chamas tomaram conta da frente do veículo. O tempo para tirá-los do carro estava se esgotando. Logo as chamas alcançariam o local onde eles estavam. Olhei ao redor, achei uma pedra e com ela quebrei a vidraça. Phillip e o outro rapaz estavam presos por uma faixa que atravessava o peito deles. Tentei puxar Phillip em vão. Eu precisava de minha adaga, mas não conseguia conjurar nada.

Comecei a olhar ao redor procurando algo afiado para cortar aquela faixa. Afastei-me um pouco do carro quando ouvi um estampido. Senti um forte impacto, fiquei surdo e senti meu corpo ser arremessado para trás. Tudo ficou escuro. Aos poucos o zunido em meus ouvidos fora substituído por sons estridentes. Quando consegui abrir os olhos, eu estava a vários metros do carro, ou do que havia restado dele. Os Phillip e Peter haviam morrido na explosão.

Os barulhos estridentes aproximavam-se. Logo os reconheci. Pertenciam àqueles veículos da guarda de Midgard. A dor que sentia em meu corpo ficara três vezes maior. Mal conseguia me mexer. Eu tinha cortes nas mãos e alguns cacos de vidro cravados em minha pele. Sentia meu rosto arder em alguns pontos. Podia sentir o cheiro de sangue e o gosto dele em minha boca havia se intensificado. Minha cabeça latejava e estava muito machucado. Eu mal conseguia acreditar na minha fragilidade. Arrastei-me para longe do carro. Eu sabia que não deveria ser visto por mais ninguém. Já havia feito um grande estrago no passado e do qual sabia que poderia me custar muito caro. O que acontecera talvez custasse o amor da mulher que eu amava.

Escondi-me atrás de uns arbustos. Cansado e sonolento, eu não tinha mais forças para me manter acordado. Sentia-me nauseado e tudo parecia girar. Aos poucos, minha vista foi escurecendo e então perdi a consciência.

Quando finalmente despertei, já era dia. Imaginei que naquela hora Aredhel já havia retornado, que talvez já soubesse do ocorrido. Lembrei-me de quando a vi de volta em Asgard, o estado em que se encontrava, estava catatônica, desolada. Doía-me pensar no quanto ela sofreria, mesmo que estivesse sofrendo por outro homem. E para minha infelicidade, agora eu tinha a certeza de que quem causara essa dor fora eu. Quantas vezes mais eu iria magoá-la? Machucá-la?

Tirei a Gem do tempo de meu bolso e fiquei olhando para ela. Brincar com o tempo tinha seu preço. Definitivamente, eu era apenas um joguete do destino. Tentando desvendar o mistério de quem havia tentado me incriminar, descobri que eu realmente havia causado o acidente. E por mais que tivesse tentado salvá-los, eu tinha falhado. Era muito irônico que eu já havia pensado em matar Phillip para ficar com Aredhel e que, agora, tivesse me arriscado a morrer em uma explosão para salvá-lo. O mais frustrante era visualizar que a verdade dos fatos era tão fantástica que ninguém acreditaria, nem eu mesmo. Apertei a pedra em minha mão e desejei voltar para o tempo real.

Abri meus olhos e eu estava no salão novamente. Senti que tinha meus poderes de volta e que estava forte novamente. Entretanto estava muito ferido. Ainda tinha cortes em minhas mãos, meu rosto também continuava ardendo e meu corpo ainda estava muito dolorido. Sentei-me em uma poltrona desolado. Como eu contaria a verdade a Aredhel?

Fui até o quarto, encontrei Aredhel dormindo e Eir estava sentada em uma poltrona ao seu lado.

— Meu rei! — fez uma mesura. — Vossa majestade está todo machucado! — exclamou a serva, alarmada.

— Como ela está? — perguntei ignorando o comentário.

— Bem, ela estava com uma febre alta novamente, mas ela já foi medicada — fez uma pausa apreensiva. — Quando a febre ainda estava alta, ficou murmurando coisas estranhas — falou receosa.

— Que tipo de coisas? — indaguei preocupado.

— Ela parecia brigar com vossa majestade. Pedia para que o senhor se afastasse, que não tocasse nela — olhou-me por um tempo franzindo o cenho. — O chamou de assassino — desviou os olhos para o chão.

Suspirei em desalento, me aproximei da cama, dei um beijo na fronte de Aredhel e retirei-me. Depois de um banho e de fazer alguns curativos, resolvi não ficar ao lado dela. Temia que, se estivesse no quarto na hora em que ela acordasse, ela voltasse a ficar agitada novamente. Então resolvi deixá-la dormir em paz.

Eu sabia que passaria a noite insone. Estava desconsolado. Comecei a pensar que Aredhel jamais acreditaria em mim. Eu havia mentido tantas vezes que agora ela não confiava mais em mim. Temia que ela pensasse em me deixar. Não, isso não aconteceria. Eu nunca deixaria Aredhel me abandonar.

Fiquei pensando em quem poderia me ajudar a resolver aquela situação. Devido ao estado de Aredhel eu não poderia conversar com ela, só a menção de meu nome já a deixava nervosa. Precisava que alguém conversasse com ela e a convencesse a me ouvir, ou que pudesse contar a verdade para ela. Precisava de alguém que não fosse a influenciar contra mim, como William o fez. Odiava-me por pensar nisso, mas só havia alguém que me ouviria e que poderia interceder por mim.

Ainda de noite, depois de pensar muito, segui irresoluto em resolver aquela situação e evitar que Aredhel me deixasse. A primeira coisa que eu fiz foi pedir para que vigiassem Aredhel e as crianças. Que não deixassem, em hipótese alguma, que eles deixassem o palácio. Depois decidi ir atrás da única pessoa que poderia me ajudar: James.

Peguei a água e parti atrás de James. Cheguei a frente de uma residência de tijolos aparentes, que lembrava um pouco a casa de Aredhel. Eu sabia que a água do lago não era muito precisa, nem sempre aparecíamos ao lado da pessoa, mas sabia que era sempre próximo. Desta forma, imaginei que aquela casa deveria ser a dele. Apertei o botão que havia ao lado da porta e aguardei. Foi o próprio James que abriu e, ao me ver, assustou-se.

— Loki? O que faz aqui? Por que está todo machucado? — perguntou chocado.

— Não tenho tempo para explicar. Preciso que venha comigo. É sobre Aredhel — comentei aflito.

— Aredhel? O que houve? Ela está bem? — inquiriu sobressaltado.

— Em Asgard lhe explico — puxei-o pelo pulso.

Quando chegamos a Asgard, já era de manhã. Ada, a serva responsável por Aredhel, veio ao nosso encontro.

— Meu rei, a rainha despertou — informou a serva.

— E como ela está? — indaguei preocupado.

— Ela acordou mais calma. Ainda está muito abatida, mas, pelo menos, não parece tão perturbada quanto estava ontem — explicou, franzindo o cenho.

— Como ela passou a noite? — suspirei.

— Ela acordou no meio da noite, mas ainda estava muito nervosa. Quando dissemos a ela que iríamos chamá-lo, ficou agitada, perguntou inúmeras vezes se o irmão estava bem, se o senhor não tinha feito nada a ele. Então achei melhor sedá-la novamente — crispou os lábios.

— E agora? Ela perguntou por mim?

— Não senhor. Mas pediu para ver os filhos. Devo permitir? — olhou-me incerta.

— Sim. Sim, leve-os para vê-la — falei com tristeza.

Ada retirou-se e James puxou meu braço.

— Afinal o que houve com Aredhel para ela ter ficado perturbada? — começou com rispidez. — Por que ela temia que você tivesse feito algo ao irmão dela? E que história é essa de “permitir” que ela veja os filhos? O que você andou aprontando dessa vez, Loki? — encarou-me com um semblante carregado.

Dei um suspiro meio irritado.

— Sente-se que vou lhe contar tudo — indiquei a poltrona ao lado. — Peço que ouça tudo primeiro, depois pode dizer ou perguntar o que quiser — sentei-me em outra poltrona e dei um suspiro cansado.

Chegara a hora de ver se James acreditaria em mim e se me ajudaria a convencer Aredhel.

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Comentem.