A mulher do meu destino

50 It's just love, how hard can it be?


Notas iniciais
*It's just love, how hard can it be? = É apenas amor, o quão difícil pode ser? - trecho da música "It's just love" da Sofia Talvik. Olá!! Vocês não imaginam a minha felicidade ao perceber que surpreendi todo mundo! Como respondi a alguns comentários, eu venho planejando essa parte da fic e duas outras há meses. Por falar nisso, eu recebi um comentário que me deixou meio receosa. A fic está chata? Está muito longa? Sejam sinceras. Eu sei que chegamos aos 50 capítulos, mas como recebi muito apoio acabei planejando algumas histórias e a fic acabou ficando longa. Tenho pronto o plano de mais dois grandes acontecimentos e finalmente o fim da fic. O que posso prometer é tentar resumir o máximo possível essas duas fases. O que acham? Devo escrever como planejo ou resumir? Fiquei meio na dúvida. Sobre o capítulo de hoje, uma palavra: Shakespeare. Boa leitura!

Tentando me manter calmo comecei a narrar como foi a “visita” de William e suas trágicas consequências. Mostrei as fotos a James e ele me fitou meio indignado e em seguida ficou extremamente irritado.

— Independente de ser verdade ou não, o irmão de Aredhel foi imprudente! — disse irritado, largando as fotos sobre uma mesa. — Como ele pode tocar em um assunto tão delicado estando a Aredhel grávida? Ela poderia ter perdido o filho! — bufou exasperado.

— Eu tive que expulsá-lo daqui antes que eu o matasse — confessei. — Eu estava furioso demais para me conter.

— Mas afinal você o matou ou não o noivo dela? — indagou, me encarando seriamente.

Contei a ele que havia negado que o tinha matado. Falei sobre minhas suspeitas e toda a minha linha de raciocínio que me levaram a pensar em usar a Gem do Tempo para descobrir quem tinha sido o real responsável. Relatei minha volta no tempo para o dia do acidente, sem me esquecer de mencionar que aparentemente perdera meus poderes temporariamente. Ele ouviu a narrativa de minha viagem no tempo com uma expressão impassível. Temi que não acreditasse em mim. Resolvi confessar que tinha pensando em sequestrar Aredhel anos atrás, que faria tudo para tê-la e que pela situação atual, temia que ela me deixasse. Enfim, contei tudo.

— Eu simplesmente não posso perdê-la. Aredhel e as crianças são tudo para mim — senti um nó se formar em minha garganta. — Poder, um trono, nada disso me importa se eu não tiver Aredhel e nossos filhos ao meu lado — confessei com tristeza.

Depois de toda a narrativa ele ficou pensativo por um tempo. Parecia ponderar e, passado mais algum tempo, James finalmente me olhou franzindo o cenho.

— Você não tem sorte mesmo — murmurou com tristeza.

— Aredhel e eu somos brinquedos do destino — comentei dando um suspiro triste.

— Tão shakespeariano… — suspirou também. — É... “Em certos momentos, os homens são donos dos seus próprios destinos.” Em outros momentos não — deu um sorriso fraco. — Você sem querer foi responsável pela morte do noivo de sua esposa. Isso é irônico demais. Trágico. Parece até um enredo das peças de Shakespeare.

— Então você acredita em mim? — perguntei perplexo.

— Sim. Sei que eu não deveria — crispou os lábios —, mas acredito — deu um sorriso torto. — Só não sei como eu posso ajudar você nisso tudo — falou coçando a nuca.

Era o momento. Eu realmente estava muito desesperado para pedir justamente a ele aquilo.

— Eu quero que você interceda por mim — pedi com franqueza. — Fale com ela e a acalme. Diga a Aredhel que quero conversar com ela para esclarecer isso tudo. Tenho medo de que ela volte a ficar alterada se eu tentar falar com ela diretamente. Ela ficou tão abalada com a situação que a até ficou febril... Também temo pelo bebê. Eu pensei em usar uma ilusão, fingir que era você ou qualquer outra pessoa para fazer isso, mas não quero enganá-la. Foram mentiras assim que me colocaram nessa situação. A confiança que Aredhel possa ainda ter por mim, está por um fio — lamentei.

— Entendo — passou a mão pelo queixo. — Quem sabe agora, que ela está mais calma, ela lhe ouça. Pelo que falam, a gravidez geralmente deixa as mulheres mais sensíveis. Então por isso ela deve ter ficado tão nervosa — levantou-se e veio em minha direção. — Eu vou falar com ela. Farei o possível para ajudar — sorriu e me deu um tapinha nos ombros. — Tudo vai se resolver.

— Obrigado — falei meio surpreso.

— De nada — disse sorridente. — Amigos são para essas coisas.

— Amigos... — murmurei meio rindo.

A minha vida era composta de ironias. Lembrei-me de Aredhel, na época em que estávamos presos. De como ela, aos poucos, foi conquistando minha amizade. Parecia que naquele momento eu estava novamente deixando outra pessoa fazer parte desse meu grupo seleto de amizades. Quem sabe um dia eu também passasse a confiar em James.

Levei James até o quarto e o deixei entrar. Fiquei do lado de fora esperando ele me chamar, caso Aredhel concordasse em me ver. Ada se retirou do quarto e os deixou a sós.

Não estava sendo fácil para mim. Mesmo tendo depositado todas as minhas esperanças em James, ainda assim, eu sentia ciúmes dele com Aredhel. Não era uma situação confortável saber que eles estavam a sós no quarto. No nosso quarto! Minha possessividade por Aredhel fazia minha mente questionar e até duvidar do amor que ela sentia por mim. Pensamentos de que Aredhel poderia se interessar por aquele ator minavam minha mente. Afinal, James e eu éramos idênticos fisicamente, mas com personalidades opostas. Eu era o mentiroso, ciumento, violento e abusivo. Ele era bom, gentil e amigável. Incapaz de fazer muitas dos crimes eu já cometera. Para completar, James também gostava dela, se importava de verdade com ela. Desde o começo eles se deram tão bem.

As dúvidas minavam minha mente e se amontoavam feito neve durante uma tempestade. E se depois de todo esse tempo Aredhel ficasse cansada de minhas mentiras e de meu ciúme? E se ela se apaixonasse por ele? E se ela me abandonasse e fugisse com ele? Não... Nunca! Eles não viveriam tempo suficiente para contar essa história. Meneava a minha cabeça tentando afastar esses pensamentos malignos. Lutava para tentar não ficar alimentando esses receios. Eu já tinha problemas suficientes com Aredhel no momento.

Eu não fazia ideia de quanto tempo eles ficaram conversando, mas para mim pareceu uma eternidade. Andava de um lado para outro nervosamente, naquela espera torturante, rezando para que Aredhel me desse a chance de me explicar. Depois de uma longa espera a porta se abriu e James saiu.

— Pode entrar — deu-me um sorriso tímido. — Ela quer falar com você — indicou com a cabeça para que eu entrasse.

Respirei fundo e entrei no quarto. Aredhel estava sentada na cama olhando e alisando a barriga. Ao me ouvir entrar ela me olhou e franziu o cenho. Ainda tinha a aparência abatida, mas parecia calma. Sentei-me na poltrona ao lado da cama.

— Você está melhor? — indaguei, sem saber o que dizer inicialmente. — Fiquei muito preocupado.

— Estou. Sente-se aqui... — murmurou indicando para eu sentar ao seu lado na cama.

Fiquei um pouco surpreso, mas me sentei ao seu lado e ela me fitou por um tempo.

— Você está tão machucado — passou a mão pelo meu rosto com uma expressão triste.

— Eu sei. Tenho que lhe contar algumas coisas e... — comecei a falar.

— Não precisa, Loki… — pôs a mão sobre as minhas. — Jim me contou tudo... — falou baixinho, com lágrimas nos olhos.

Um arrepio percorreu minha espinha.

— Aredhel, acredite em mim, o que falei é verdade — comecei exaltado. — Eu sinto muito mesmo. Realmente imaginei que podia ser Thanos ou outra pessoa se passando por mim... Nunca pensei que poderia ter sido eu a causar o acidente... Eu… Eu tentei salvá-los... Juro que tentei... — tropeçava nas palavras nervosamente.

Aredhel agarrou a minha mão. Ela me encarou com lágrimas escorrendo pelo rosto e balançou a cabeça negativamente.

— Eu acredito em você — murmurou com a voz embargada. — Loki... Eu sempre confiei em você — arfou e uma lágrima desceu por seu roso. — Sei que faria tudo para salvá-los, por mim… — soluçou.

— Meu amor… — abracei-a. — Eu sinto muito… Mesmo… Sei que ainda assim, fui responsável pela morte deles. Aredhel, espero que um dia me perdoe. Eu sei que podemos passar por isso se realmente tentarmos — afirmei apenado.

— Não há o que perdoar — enxugou os olhos com as mãos —, foi um acidente. Você não teve a intenção. Pelo contrário, você ainda se arriscou para salvá-los — passou a mão por meu rosto. — Além disso, como James me lembrou, “lamentar uma dor passada, no presente, é criar outra dor e sofrer novamente” — deu um sorriso fraco. — Eu espero que você me perdoe, por ter acreditado, mesmo que por um momento, que você tinha mentido para mim. Dessa vez você estava falando a verdade. Bom, pelo menos, o que você achava que fosse a verdade — deu um suspiro triste.

— Aredhel, meu amor, claro que te perdoo — beijei-lhe a testa.

Eu a abracei e Aredhel encolheu-se em meus braços, ainda chorando.

— Fiquei muito assustado com seu estado. Você ficou tão perturbada. Tive medo que perdesse o bebê ou que isso fosse demais para você suportar. Eu... — dei um suspiro — Receei que você não acreditasse em mim, ou que não me perdoasse e quisesse me abandonar — confessei.

— Loki... — ela me olhou entristecida. — Desculpe-me ter deixado você tão preocupado. Quando Will apareceu com as fotos a primeira coisa que pensei é que eram falsas. Depois que constatei que eram verdadeiras comecei a pensar que você tinha mentido para mim de novo. Eu estava furiosa com essa possibilidade. Quando você falou que poderia ser outra pessoa eu queria acreditar nisso, mas eu sabia que você tinha a Joia do Tempo. E... — baixou os olhos. — Eu sei que seria capaz de fazer aquilo. Eu te conheço. Então me desesperei, eu precisava que você me dissesse que era mentira, que você não tinha feito aquilo. Mas eu não conseguia me acalmar. Era informação demais para eu processar — ela me encarou colocando uma das mãos em meu rosto. — Eu não vou te abandonar. Eu... Eu sou louca por você. Não consigo me imaginar vivendo longe de você. Eu te amo — disse às lágrimas.

— Eu te amo Aredhel. Também não viveria longe de você — disse e em seguia a beijei nos lábios.

Ela deitou a cabeça em meu peito e agarrou a minha mão.

— Espero que Phillip e Peter me perdoem. Se eu não tivesse vindo para cá, nada disso teria acontecido — lamentou Aredhel.

— Tire isso de sua cabeça. Você não tem culpa — falei seriamente.

Aredhel não disse mais nada, ficou encolhida em meus braços enquanto eu afagava carinhosamente seus cabelos. Ficamos assim por um longo tempo, até eu perceber que ela havia adormecido em meus braços. Alguém bateu a porta e mandei que entrasse. Era James.

— Então? Como foi? — sussurrou e olhou na direção dela.

— Ela acreditou em mim. Disse que não tinha o que perdoar, pois eu não tinha tido a intenção — contei.

— “O amor só é amor, se não se dobra a obstáculos e não se curva à vicissitude. É uma marca eterna. Que sofre tempestades sem nunca se abalar.” — suspirou. — Eu sabia que ela acreditaria em você e o perdoaria. Ele o ama demais. Tem que ver com que devoção ela fala de você — sorriu.

— Devoção? Verdade? — sorri sem graça. — Cheguei a pensar que ela fosse me deixar — falei com tristeza.

— Sim, é verdade. Como foi que ela disse mesmo... — ponderou. — “Ele e meus filhos são minha vida. Ele é parte de mim.” Ela jamais te abandonaria. Cuide bem dela. Você tem um verdadeiro tesouro em suas mãos — disse pensativo. — Espero um dia encontrar uma mulher que me ame assim também — deu um sorriso fraco.

— Muito obrigado, James. Eu nem sei como lhe agradecer pelo que fez por nós — falei meio sem jeito.

— De nada. Como disse Shakespeare, “os verdadeiros amigos não são aqueles que nos enxugam as lágrimas mas sim os que não as deixam cair” — riu.

Ficamos conversando por algum tempo enquanto Aredhel dormia encostada em meu peito. Passado algum tempo Ada retornou e praticamente nos expulsou do quarto, dizendo que Aredhel precisava descansar. James e eu descemos e nos juntamos às crianças, que já estavam aguardando o almoço. No fim do dia Aredhel apareceu e convidou James para ficar mais algum tempo em Asgard. Ele prontamente aceitou todo empolgado. Disse que, já que o tempo passava lentamente, poderia desfrutar alguns meses de algo que ele chamou de férias.

À noite Aredhel voltou a ter uma daquelas febres e resolvi preparar um banho para ela. Estranhamente ela sempre se sentia melhor quando estava dentro d'água, pois a febre passava rapidamente.

— Você não quer tomar banho junto comigo? — convidou dando um sorriso lascivo.

— Hum. Só banho? — sorri. — Sabe que não resisto estando tão próximo a você — disse cheio de malícia.

— Eu não vejo nenhum problema nisso — sorriu de volta.

Essa era a minha Aredhel, sempre disposta… Tirei minha roupa e entrei na banheira. Aproximei-me dela e a beijei. Ela passou as pernas sobre as minhas e sentou-se em meu colo. Deslizou suas mãos por meus cabelos e nuca enquanto nos beijávamos. Desci com meus lábios por seu pescoço e colo, até chegar aos seus seios. Eu sugava a pele de seus seios deixando leves marcas avermelhadas neles. Aredhel gemia docemente, arranhando minhas costas. Deslizei minhas mãos por suas costas enquanto eu dava leves mordidas em seu colo e pescoço. Puxei-a para mais perto e a ergui, desci seu corpo lentamente, encaixando-a em meu membro. Ela gemeu e cravou as unhas em meus ombros. Aproximei meus lábios de seus ouvidos e mordi a parte de trás de sua orelha.

— Cavalgue, meu amor — sussurrei em seus ouvidos.

Aredhel começou a se mover lentamente, subindo e descendo em meu colo. Eu me deliciava com seus gemidos e seu movimento. Continuei mordiscando e sugando seu pescoço e seios, deixando-a toda marcada. Aredhel foi acerando o movimento e gemia cada vez mais alto. Eu estava ficando louco com aquilo, arfava de prazer em seus ouvidos. Segurei-a pela cintura, ajudando-a a acelerar o movimento e, com um grunhido, cheguei ao clímax. Ela continuou se movendo até chegar ao orgasmo também. Ela relaxou em meus braços respirando rapidamente, tentando recuperar o fôlego.

Depois do banho fomos nos vestir. Aredhel olhava-se no espelho enquanto amarrava os laços de sua camisola. Eu me aproximei e passei as mãos por seu ventre, ficando por trás dela.

— Acho que amanhã terá que usar uma roupa de gola alta — sorri cinicamente, vendo refletido no espelho as marcas que deixei nela.

— É... Percebi... — sorriu passando a mão pelo pescoço.

— Existem outros lugares que ainda desejo marcar — sussurrei afastando seus cabelos e beijando sua nuca.

— Seu tarado… — ela riu.

Com um gritinho, eu a carreguei no colo, levei-a para a cama e nos amamos novamente.

Nos meses que se passaram, a saúde de Aredhel melhorou consideravelmente. Estava mais animada e a frequência de suas febres diminuíram. A única coisa que ainda me preocupava eram alguns desmaios que ela vinha sofrendo. Pensei que poderia ser cansaço, pois isso sempre acontecia quando estava junto das crianças.

James e Aredhel ficaram inseparáveis. Ela fez questão de apresentar cada canto do reino. Tive quecontrolar meu ciúme ao extremo. Não queria me indispor com minha esposaedesejava que ela não tivesse mais nenhum problema durante a gravidez. Depois de dois meses Sif, Fandral e Volstagg retornaram. Aredhel apresentou James a eles. O ator se derreteu em gentilezas para Sif. Isso fez a minha esposa alcoviteira se animar e ela prontamente começoua imaginar coisas e afazer planos para os dois.

— Viu como Sif ficou toda sem jeito com os elogios de Tom? — comentou Aredhel com um sorriso malicioso no rosto.

— Notei — disse indiferente. — Também notei que James é muito bom com as palavras. Mas... Crê que ele realmente está interessado nela? Porque se estiver, acredito que ele esteja perdendo seu tempo. Pois ela só tem olhos para Thor — alertei.

— Bom, ainda não sei — mordeu o lábio inferior. — Jim costuma ser sempre muito gentil com todos, mas acho que formariam um bonito casal — sorriu.

— Aredhel... Pense bem, isso não daria certo. Eles pertencem a realidades diferentes — fui sincero.

— Nós também somos de realidades diferentes e deu certo. Então quem sabe... — deu de ombros.

De fato, nos dias seguintes, Sif e James se aproximaram muito. Aredhel ficara toda animada com a possibilidade de uni-los. Algo me dizia que ela estava interpretando as coisas de forma errada. De qualquer jeito, para a infelicidade dos planos de Aredhel, Sif e os demais partiram para uma missão de captura de alguns presos, que fugiram durante a rebelião na masmorra. Depois de anos, esses presos finalmente foram localizados.

Mais dois meses se passaram. Era dia do aniversário de Aredhel. Ela já estava nas últimas semanas de gestação e faltava um pouco mais de um mês para a criança nascer. Váli, Hela, Siegfried e Sigrid resolveram fazer uma surpresa para o aniversário. Colheram as flores favoritas de Aredhel e ajudaram a preparar um bolo. Pelo que entendi, Aredhel havia contado a eles sobre os costumes dos midgardians a respeito de aniversários. No almoço eles alegremente foram entregar a surpresa, menos Hela que chorava com as mãos escondidas atrás das costas.

— O que houve, minha filha? — chamou Hela com as mãos, mas a menina não se moveu. — Por que está chorando, meu anjo?

Ainda chorando, Hela estendeu as mãos e mostrou um buquê de flores mortas.

— N-não s-sei... O que… O que houve... Elas... Elas estavam... Tão... Tão bonitas... — soluçava minha menina.

— De novo? — bufou váli. — Você sempre estraga tudo, Hela — resmungou.

— Váli! Não fale assim de sua irmã — ralhei.

— Mas é verdade — rebateu o menino. — Outro dia ela matou o passarinho da Sigrid. Eu avisei para ela pegar ele com cuidado, mas acho que ela o sufocou.

— Eu não o sufoquei! — estertorou a irmã.

— Chega, Váli — encarei-o com seriedade.

Meu filho cruzou os braços, emburrado.

— Não importa, meu anjo — Aredhel acorreu. — Elas podem ter murchado por causa do calor. Está tudo bem. Agora venha cá… — acenou para Hela.

Hela correu para os braços de Aredhel e a abraçou, encolhendo-se nos braços da mãe. Passado alguns segundos Aredhel desceu a menina e agarrou meu braço. Ela estava pálida.

— Loki... — murmurou e em seguida desmaiou em meus braços.

— Aredhel? — chamei assustado.

Ela abriu lentamente os olhos. Eu a sentei em uma cadeira e ela aos poucos foi recuperando a cor. De repente, começou a ficar ofegante e levou a mão à barriga.

— Acho que está na hora, Loki — deu um gemido.

James se ofereceu para ficar com as crianças e levei Aredhel para a sala de cura. Logo Eir e Ada confirmaram o trabalho de parto e correram para prepará-la. Pego de surpresa e ansioso, fiquei do lado de fora aguardando. A espera foi longa. Foi uma tortura ouvir Aredhel gritando por horas e eu ali sem poder fazer nada. James apareceu e uniu-se a mim na espera.

— Há quanto tempo ela está em trabalho de parto? — indagou-me preocupado.

— Há duas horas — respondi nervoso.

— Tenha calma. Tudo vai dar certo — deu-me um tapinha nas costas.

Após mais algum tempo os gritos de Aredhel cessaram e ouvimos o choro do bebê. Ada pediu que eu entrasse. Minha esposa, mesmo inconsciente, ainda arfava exausta.

— O parto se complicou um pouco — disse Ada, passando a mão pela fronte. — O bebê nasceu antes do tempo, mas no final deu tudo certo, majestade. A rainha ficará bem — sorriu.

Eir veio com o bebê nos braços e entregou-me. Era um menino. Pensei que seria algo natural e sem mistérios ser pai pela terceira vez, mas percebi que estava enganado. A emoção foi a mesma que senti da primeira vez que fui pai. Estava bobo e sem palavras. O bebê parecia uma mistura minha com Aredhel. Tinha parcos cabelos pretos, os mesmos olhos azuis verdes e meu nariz. De Aredhel ele tinha os lábios, o formato dos olhos e a cor da pele. Beijei o bebê na cabeça e senti um calor intenso tomar meu peito. Mais um novo sol, agora, aquecia o meu coração.

— Seja bem-vindo, Narfi, meu filho — sussurrei para o bebê.

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Comentem. Aposto que teve muitas leitoras se voluntariando para ser a "mulher que irá ama James". hehehehe O que acharam da ideia de unir dois corações solitários? James e Sif? Respondam-me! Disso depende o destino deles na fic. *NOTA 1: Citações do capítulo são de Shakespeare. NOTA 2: A letra da música "It's just love" I will stand as you fall I’ll be standing tall standing where I used to fall for you but tonight I’ll be wearing your shoes wearing your life as I go outside I’m not one that will easily hide easily hide in my brand new shoes I can’t lose State your case make this race if it’ll make you feel good make you feel good with your selfasteem when I wake up it’ll all be a dream all be a dream when I close my eyes I will see it’s still you and me you and me so I close my eyes to all the lies I know I know we can get through this if we really try I know I know we can get through this if we really try it’s just love how hard can it be I’m within I’ll be crawling round under your skin searching your lungs and your veins for where you are keeping the things you don’t share tasting the sweat on your upper lip when you’re worn out I’ll still be a hit still be a hit in my brand new shoes I can’t lose