A mulher do meu destino

51 No, It's not going to stop, till you wise up


Notas iniciais
*No, It's not going to stop, till you wise up = Não, isso não vai parar, até você se tocar - Trecho da música "Wise Up de Aimee Mann. Gente! Eu fiquei emocionada com as palavras de apoio para a continuidade da fic. Na verdade teve algumas mensagens que me fizeram até chorar. Em virtude disso, além dos dois grandes acontecimentos, resolvi inserir outras histórias. Quero finalizar a fic direitinho, sem deixar pontas soltas.. Então alguns capítulos extras serão necessários para "fechar" a coisa toda. Espero que gostem.. Sobre o capítulo de hoje... Bom.. teremos muitas surpresas... Também terão dicas e confirmações de alguns fatos importantes... Terá uma cena que foi inspirada em um sonho que tive com o Loki XD~~~ Infelizmente só inspirada, pq meu sonho não foi até o "fim"... =/ Boa leitura.

Aredhel definitivamente era uma boa mãe. Mais uma vez dispensara as amas de leite e amamentava ela mesma Narfi. Ela afirmava que assim criava um forte laço com os filhos. De fato Aredhel era muito ligada a eles, seu carinho e dedicação em muito me lembravam de Frigga. Como eu tinha saudades dela… Minha mãe...

Minha esposa também continuava tendo alguns desmaios e eu não conseguia entender a causa. Comecei a acreditar que Aredhel era mais frágil do que eu imaginava e que as crianças a cansavam em demasia. Isso tudo me afligia. Ela era a primeira midgardian que comera a maçã de Iduna e eu não sabia como isso agiria a longo prazo.

Narfi já tinha três meses, Hela já completara três anos e Váli estava prestes a completar sete anos. Váli cada vez mais evoluía em magia, inclusive em transmutação. Váli e Hela, já passavam boa parte do dia estudando. O resto do tempo livre eles passavam em companhia dos amiguinhos ou com Aredhel e James. O ator adorava as crianças e sua estadia em Asgard se alongava. Ele fazia sucesso entre as mulheres do reino com seu jeito cortês e se adaptou facilmente com os costumes locais. Sua presença já nem me incomodava, ele mostrou-se ser um bom amigo e era muito respeitoso com Aredhel. Pude notar que ele e Sif se davam bem, mas as coisas não avançaram muito. Aredhel logo perdeu as esperanças de uni-los. James comentara com ela que não tinha maiores interesses em Sif.

Nesse mesmo período William apareceu e trouxe com ele, Mary. Eles foram recebidos por Aredhel e James. Quando eu soube que William havia vindo, fui prontamente vê-lo. Eu tinha contas a acertar com ele. Ao entrar no salão Mary e Aredhel estavam se cumprimentando.

— Filha, que bom que você está bem! — Mary abraçou Aredhel. — Will contou-me o que houve — lançou-me um olhar de condenação. — E o bebê? Já nasceu, né? Você não o perdeu, certo? — perguntou aflita, olhando-a de cima a baixo.

— O bebê está bem — sorriu a filha se sentando em uma poltrona e indicando outra para a mãe. — É um menino, Narfi. Greta, pode trazer as crianças, por favor? — pediu à serva.

— Claro, Majestade — a jovem fez uma mesura e se retirou.

— Você! — rosnei e apontei o dedo para William. — Temos contas a acertar! — ameacei.

William arregalou os olhos assustado. Mary encolheu-se na poltrona nervosamente. Aredhel segurou meu pulso e James se dirigiu a William.

— Você e eu temos que conversar sério. Agora — disse o ator, praticamente arrastando William do salão.

— Você vai ficar aqui — sussurrou Aredhel para mim.

Sentei-me na poltrona emburrado. Mary se recompôs e voltou a conversar.

— Filha, tem certeza que está tudo bem? — olhava incisivamente para mim. — Sabe que você pode voltar para casa, a hora que quiser. Vivemos em outros tempos, onde a mulher não é obrigada a continuar — fez uma pausa e fitou-me receosa — casada se o marido... — continuou falando.

— Mãe — interrompeu Aredhel, levantando a mão. — Eu estou bem, amo meu marido e não pretendo deixá-lo — foi seca. — Na verdade não estou entendendo o teor dessa conversa. Por que a senhora veio sugerir esse tipo de coisa? — perguntou com certa rispidez.

Era notável que William havia relatado sua teoria sobre o acidente de Phillip e Peter e influenciado Mary contra mim. Não pude deixar de sorrir satisfeito com a resposta de Aredhel.

— Minha filha, como você consegue viver ao lado do assassino de seu antigo noivo e de seu amigo? — pasmou-se e levou a mão ao peito. — Phillip era um bom rapaz, lhe amava. Pensei que você o amava também. E Peter? Ele era seu amigo há anos. Você já parou para pensar que se ele — olhou para mim — não tivesse causado o acidente, hoje você e Phillip estariam casados, vivendo perto de nós e...

— E todas aquelas pessoas que Loki assassinou em nossa Terra estariam vivas — intrometeu-se William, retornando ao salão.

— William! — sibilou James. — O que foi que conversamos? — indagou irritado.

— Ared agora está bem — rebateu o outro. — Posso dizer o que acho sobre esse péssimo casamento que ela fez — falou com altivez. — Ared, seu maior erro foi ter entrado naquela floresta. Por algum momento você pensou que se não tivesse seguido aquela luz, Phillip, Peter e todas aquelas pessoas estariam vivas? — foi ferino.

Aredhel ouvia tudo impassível. Fiquei irritado e preocupado, eu sabia que isso era um assunto delicado para ela. William estava sendo cruel em jogar toda a culpa na irmã. Fiz menção de me levantar e responder, mas Aredhel segurou meu braço.

— Eu fiz a minha escolha — ela começou sem muita emoção. — Resolvi seguir a luz. Depois eu escolhi Loki. E se Phillip estivesse vivo, ainda assim, eu teria escolhido Loki novamente — afirmou e em seguida se levantou e saiu do salão.

— Fez uma péssima escolha, Ared! Vai se arrepender amargamente disso! Eu sei! — gritou aquela praga que era meu cunhado.

Minha paciência se esgotara. Eu estava prestes a avançar sobre aquele verme, quando Greta entrou trazendo as crianças para que Mary e William pudesse vê-los. Olhei para James e ele indicou com a cabeça para que eu fosse atrás de Aredhel. Na raiva eu realmente havia me esquecido de como ela poderia estar se sentindo.

Deixei o local e fui a sua procura. A intuição do ator estava certa, Aredhel fora atingida pelas acusações cruéis daquilo que se dizia irmão dela. Eu a encontrei de joelhos no chão do quarto. Ela chorava copiosamente, com as mãos no rosto.

— Aredhel, meu amor — inclinei-me e a ajudei a se erguer do chão. — Não dê ouvidos ao que seu irmão disse — abracei-a. — Nada do que aconteceu fora culpa sua.

Aredhel se encolheu em meus braços e ficou chorando por um tempo.

— Eu... E-eu consegui encontrar minha felicidade ao seu lado… — encarou-me, com lágrimas rolando por aquele lindo rosto. — Mas a que custo? E-eu m-mal… — suspirou. — Mal consigo suportar o preço que tive que pagar... Sempre vão me culpar… Eu… — bateu no próprio peito. — Eu me sinto tão culpada... Isso nunca vai parar... — soluçava.

Ela voltou a se retrair entre meus braços. Não suportava vê-la sofrendo daquela forma. Desfazendo-se em lágrimas por coisas que não vez. Eu ergui seu rosto e a encarei.

— Aredhel... Isso nunca vai parar enquanto você não compreender que não foi sua culpa — falei seriamente. — Tem que parar de se culpar pelo que aconteceu. Thanos a trouxe para cá. O que aconteceu com Phillip e Peter foi minha culpa.

— Foi um acidente… — ela murmurou.

— Eu sei… E justamente por isso que você não tem que se culpar por eles… Se há algum culpado naquele incidente, esse culpado sou eu. E quanto as pessoas de Midgard, eu também fui o único responsável. Mas no que se refere a eles, eu não me arrependo. Eles que procuraram aquele destino ao preferirem a ambição. Tiveram a ousadia de tentar sequestrá-la! Quase mataram James e você! — lembrei-a. — Esqueça o que os outros acham ou dizem a respeito. Você não é culpada — afirmei.

Ela apenas assentiu com a cabeça e enxugou as lágrimas. Algumas dúvidas permeavam minha mente e eu tinha que buscar uma resposta.

— Aredhel... Você teria mesmo me escolhido se Phillip tivesse vivo? — perguntei meio receoso. — Se eu fosse tivesse ido lhe buscar em sua Midgard, você o teria abandonado e viria comigo?

— Sim, Loki… — olhou-me pasma, como se eu tivesse falado alguma besteira. — Eu realmente fiquei destruída com a morte de Phillip... — franziu o cenho. — Ele fora muito importante para mim. Phillip era, acima de tudo, meu melhor amigo... Mas eu já te amava — olhou-me nos olhos. — Podia ter passado apenas um dia na outra realidade, mas eu tinha vivido um ano. Tinha acontecido tanta coisa. Eu estava perdidamente apaixonada por você e tive certeza disso naquele dia em que você me beijou. Naquele momento eu soube que não conseguiria viver sem você — sorriu de leve.

— Então por que você partiu?

— Você parecia ter voltado atrás… — baixou os olhos. — Agiu como se nada tivesse acontecido… Empenhou-se em encontrar uma forma de me enviar de vota... Então não tinha motivos para ficar… — ergueu os ombros. — Bem… Eu tinha uma vida na outra realidade.

— Mas se eu não tivesse ido atrás de você imediatamente e ele estivesse vivo... Você… — respirei fundo, temendo a resposta da pergunta que faria a seguir. — Teria se casado com ele?

Ela voltou a me encarar com uma expressão de espanto.

— Não, Loki… Eu já não o amava como um homem. Não seria justo fazer isso com ele — meneou a cabeça com veemência. — Não seria honesto com nenhum de nós… Retornei decidida a terminar o noivado. Era você quem eu amava, mesmo que nunca voltássemos a nos ver.

Eu sorri e a abracei forte. Ficamos um tempo abraçados e depois voltamos para o salão. Apenas Mary ainda estava lá e ela brincava com os netos. Segundo James, William fora embora assim que nos retiramos. Mary não tocou no assunto novamente, ela apenas me olhava meio apreensiva. Percebi que a resposta de Aredhel fora de certa forma definitiva para William e Mary. Ficou claro que ela estava ao meu lado tanto no que dizia respeito ao acidente de Phillip, quanto ao que ocorreu na Midgard da outra realidade.

Dias depois, fazia uma manhã quente e ensolarada. Aredhel odiava dias quentes, então resolveu trancar-se na biblioteca para estudar. As crianças aproveitaram o dia para brincar perto do lago e arrastaram o “tio Jimmy” para ir com eles. Eu estava na biblioteca com Aredhel quando Váli e Sigrid entraram correndo.

— Papai! Mamãe! O tio Jimmy e a Hela estão machucados! — falou Váli esbaforido.

— Como assim? O que houve? — indagou Aredhel levantando-se em um átimo.

— Estávamos brincando no lago, ai o tio Jim carregou a Hela e depois ele caiu junto com ela — disse Sigrid, afastando uma mecha ruiva do rosto.

Saímos apressados em direção ao lago, Aredhel praticamente saiu correndo. Ao chegarmos lá, vimos James sentado no chão meio confuso com um corte na testa, enquanto ele socorria Hela, que chorava passando a mão pelo braço.

— Perdoe-me — começou James, todo nervoso. — Eu sinto muito mesmo. Eu fiquei tonto de repente e caí com Hela no colo — levou a mão ao corte que tinha na testa.

Carreguei Hela nos braços e Aredhel examinou toda aflita o braço da menina.

— Ela está bem, só bateu de leve o braço — falei calmamente.

— Temos que ver esse corte na sua cabeça — comentou Aredhel ajoelhando-se ao lado de James.

— Aredhel, eu sinto muito mesmo — desculpava-se o outro enquanto, ela o ajudava a se levantar.

— Esqueça isso — ela fez um muxoxo. — Foi um acidente. Está quente demais hoje. Você pode estar sofrendo de insolação. Sim… Provavelmente foi isso — olhou-o demoradamente. — Melhor todo mundo sair do Sol — acenou para as crianças e saiu conduzindo James para a sala de cura.

O ator ficou muito chateado com o ocorrido, mas Aredhel o tranquilizou. Com o incidente, comecei a notar um estranho padrão. Além de Aredhel, agora James havia desmaiado e ambos estavam junto das crianças quando isso ocorreu. Comecei a desconfiar de que Váli ou Hela poderiam estar usando magia sem minha autorização. Eu interroguei Hela e Váli, mas ambos negaram ter feito algo do tipo. Sem maiores pistas, deixei o assunto de lado.

Passadas algumas semanas Thor apareceu. Ele chegou muito triste. Segundo Aredhel me contou, ele brigara com Jane. Ao saber do ocorrido Sif ficou toda animada, mal podia esconder sua satisfação. Porém, para desgosto de Sif, Thor continuou ignorando-a e, na verdade, ele se aproximou demais de Aredhel. Thor fez de Aredhel sua confidente. Irritantemente, tive que passar a ter que suportar, também, Aredhel circulando com meu pseudo-irmão, cheia de segredos. Ela me dizia que não deixaria o casal se separar. Para a tristeza de Sif, Thor ficou por duas semanas em Asgard e depois partiu de volta a Terra decido a reatar com Jane.

Semanas depois James anunciou sua partida. Disse que tinha que retornar, pois ele teria que voltar para seu trabalho. Segundo Aredhel explicou ele tinha uma peça para ensaiar.

Pensei que, finalmente, Aredhel seria somente minha novamente. Ledo engano. Aredhel voltara a treinar e se dedicar aos seus estudos. Durante a gravidez havia deixado de lado inclusive seus estudos, pois quando estava bem e sem febre passava o tempo na companhia de James. Com a volta aos estudos e treinos, Aredhel mal tinha tempo para mim. Praticamente só nos víamos nas refeições e à noite.

Em um desses dias, eu havia passado o dia pensando em Aredhel. Havia chovido o dia inteiro e dias assim sempre me lembravam dela. Passei o dia atarefado e praticamente fiquei o dia sem vê-la. À noite cheguei ao quarto e ela já estava dormindo. Tomei um banho e deitei ao seu lado. Aredhel exalava perfume de jasmim. Eu desejava tomá-la. Aproximei-me dela e comecei a beijar seu pescoço. Vi Aredhel esboçar um leve sorriso. Continuei beijando e mordiscando seu pescoço na esperança de que ela acordasse.

— Acorde, meu amor — sussurrei em seu ouvido.

Aredhel tinha o sono leve, mas ainda assim não acordou. Olhei para a cabeceira e vi uma xícara. Deixei escapar um suspiro frustrado. Ela devia ter tomado algo para dormir. Fiquei olhando-a dormindo com aquele sorriso no rosto. Meu desejo de possuí-la só aumentava. Pensei “ela vai acabar acordando” e sorri com malícia. Tirei o lençol de cima dela e fui desfazendo os laços de sua camisola. Tirei a camisola, deixando-a nua, e fiquei contemplando seu corpo. Sorri com lascívia. Comecei a passar delicadamente meus dedos por seu corpo. Aproximei meu rosto e deslizei meu nariz e meus lábios por seu ventre, seios e pescoço. Inebriava-me com seu cheiro.

Aos poucos fui descendo novamente, sorvendo sua pele e, como tantas outras vezes, fui deixando marcas avermelhadas espalhadas por seu corpo. Pude ouvir Aredhel soltar alguns gemidos e percebi que seus olhos tremularam. Finalmente estava acordando. Levei meus dedos até sua intimidade e ela arqueou o quadril em minha direção, movendo-se lentamente em direção aos meus dedos. Não pude deixar de sorrir satisfeito. Notei que, mesmo sonolenta, Aredhel estava mais do que pronta para mim. Meu sorriso se alargou. Debrucei-me sobre ela e comecei a penetrá-la. Senti-a estremecer. Ela abriu os olhos e um sorriso brincou nos seus lábios.

— Acordou, meu amor? — sussurrei.

Ela deu uma risada baixa.

— Eu deveria ter imaginado que faria isso...

— Eu sabia que acordaria — sorri com malícia. — Você sempre acorda…

— Meu tarado… — beijou-me.

Comecei a mover meu quadril levemente, ela cerrou os olhos e um sorriso de prazer se desenhou nos lábios de Aredhel. Comecei a beijá-la ternamente. Ela passou os braços por meu pescoço e intensificou nosso beijo. Fui acelerando o movimento e ela começou a gemer em meus lábios. Logo parou de me beijar, fechado os olhos e franzindo o cenho com uma expressão de prazer. Ver a minha mulher daquele jeito só me deixou mais excitado. Comecei a dar estocadas, enquanto ela gemia cada vez mais alto. Ela curvou o corpo para trás e deu um gemido alto, alcançando seu orgasmo. Eu segui com as estocadas até me esvaziar dentro dela.

— Desculpe ter te acordado — falei com a voz entrecortada.

— Se for para me acordar… — fez uma pausa para respirar. — Desse jeito... Eu juro que não me importo... Pode me acordar sempre... — sorriu arfando.

— Minha taradinha... — sorri e em seguida a beijei nos lábios.

Depois de nos amarmos mais uma vez, adormecemos exaustos.

Nas semanas seguintes, comecei a treinar Aredhel para que aprendesse a guardar objetos em um lugar que somente ela teria acesso, mas não estava sendo fácil. Ela “perdia” os objetos com frequência. Não conseguia encontrar boa parte deles. Expliquei a ela que tinha que aprender a se concentrar e fazer as coisas com mais calma. Por fim, depois de várias tentativas, Aredhel conseguiu reencontrar alguns dos objetos que “escondera”.

Aredhel insistiu profusamente para treinarmos batalhas um contra o outro. Desde o início era algo que eu evitara, mas agora me via forçado a ter que ceder. Ela, apesar de ser incapaz de me vencer, já estava hábil o suficiente para se defender de meus ataques.

Em uma tarde estávamos treinando, Aredhel e eu. Combinamos que começaríamos com luta sem armas, seguidas de com armas e por fim com magias. Na luta corpo a corpo Aredhel mostrou-se ser bem ágil, continuava sem ter muita força nos golpes, mas havia melhorado bastante em esquiva. Treinar com armas era algo que me deixava tenso, pois mesmo tendo controle de meus movimentos, eu temia machucá-la acidentalmente. Essa parte do treino me surpreendeu. Minha esposa mostrou ter um bom domínio do uso de lança e adagas. Desviava de meus ataques com rapidez e facilidade. Ao lançar minhas adagas na direção dela, ela se esquivava com uma destreza felina.

— Você é muito ágil em desviar de objetos. Foi Sif que a treinou assim? — perguntei.

— Na verdade não — crispou os lábios. — Quando eu era criança, eu não era muito boa em esportes coletivos. Geralmente era a última a ser chamada para compor um time — revirou os olhos. — Mas existia um esporte que eu não era tão ruim assim. Queimada. Eu era péssima para “combinar” ou “queimar” alguém, mas quase sempre era única a sobreviver em meu time. Não deixava de jeito nenhum me acertarem. Geralmente saía cheia de arranhões, de tanto que me jogava no chão para desviar das bolas — riu de leve.

— Queimada? — indaguei confuso. Nunca tinha ouvido falar.

Aredhel me explicou como funcionava o jogo. Achei interessante e curioso como os midgardians eram competitivos. Tudo era motivo para competir e mostrar a supremacia dos mais fortes sobre os mais fracos, até mesmo nas brincadeiras infantis.

Terminada esta parte do treino, finalmente começamos a treinar com o uso de magia. Aredhel já conseguia se multiplicar facilmente, mas ainda não sabia se teletransportar. Comecei a ensiná-la os primeiros princípios. O exercício era simples: ela tinha que se mover para pontos próximos e fixos, mantendo-se concentrada quando fizesse isso. Qualquer falha na concentração poderia fazê-la errar o local para onde queria ir e ocasionar um acidente.

Na primeira tentativa Aredhel conseguiu se teletransportar, mas caiu sobre mim.

— Aredhel, concentre-se! — ralhei me levantando. — Um erro como esse pode custar a sua vida.

— Desculpa. É muito difícil — resmungou.

— Se fosse fácil todos fariam — fui ríspido.

Continuamos treinando, mas ela sempre errava o local. Ela começou a ficar frustrada e os erros aumentaram. Irritada ela tentou se teletransportar novamente e caiu sobre o suporte de armas. Corri para socorrê-la e vi que ela tinha se cortado com as lâminas de algumas armas. Tinha um corte na coxa e outro no braço.

— Aredhel! Tem que manter a calma! Emoções atrapalham a concentração! — rosnei enquanto a ajudava a se levantar. — Olhe só! Você se machucou! Eu disse que era cedo demais para você aprender essa técnica. Tem que aprender a controlar suas emoções! — continuei brigando, enquanto olhava para o corte em seu braço.

— Eu sei! — gritou, puxando o braço para longe. — Sou uma estúpida! — deu-me as costas e saiu marchando para fora do salão.

Segui Aredhel até a sala de cura e lá ela mesma fazia os curativos. Ela bufava de raiva. Aproximei-me dele e tomei a atadura que ela puxava com fúria demasiada.

— Aredhel, você não é estúpida — comecei a enrolar a faixa com mais cuidado. — Só é impaciente. Quer fazer as coisas sem se concentrar. Você se deixa levar pelas emoções — acariciei seu rosto.

— É, eu sei... — suspirou.

— Por questão de segurança, quero que me prometa que só vai treinar teletransporte quando estiver comigo. O acidente dessa vez não foi grave, mas sabes que é perigoso — fui sério.

— Está bem. Eu prometo — falou contrariada.

Eu ajudei Aredhel com os curativos da coxa e encerrei o treino naquele dia.

Passado algumas semanas Aredhel apareceu uma manhã trajando roupas de midgardians. Ela trazia junto com elas as crianças também trajando o mesmo tipo de roupa.

— Para onde a senhora pensa que vai? — indaguei curioso, mas imaginando para onde ela iria.

— Vamos a Midgard. Sonhei que Thor e Jane brigaram novamente. O sonho tinha outras coisas confusas que não entendi, mas enfim — deu de ombros. — Vou lá conversar com ela. Vou aproveitar e levar as crianças. Jane não conhece Hela e nem Narfi. Vai ser divertido, não é, crianças? — perguntou animada.

— É! – gritaram Hela e Váli em uníssono.

— Eu não gosto da ideia de você circulando naquele lugar, sozinha com as crianças. Midgard é perigosa — alertei.

— Você falando em perigo? Você é que era perigoso para Midgard — riu. — Eu sei me defender e as crianças também. Os perigos de lá não são mais problemas para nós — sorriu toda orgulhosa.

— Continuo não achando uma boa ideia — rebati. — Você é muito teimosa. Sempre faz o que quer. E é muito presunçosa — falei meio irritado. — Você e as crianças ainda são aprendizes em magia — lembrei.

— Vai ficar tudo bem... Confie em mim — sorriu.

— Sua tenacidade é irritante mesmo — resmunguei. — Vá com cuidado. E não demore — aproximei-me. — Vou sentir saudades — dei um beijo em seus lábios.

— Certo. Volto no fim da tarde — sorriu e logo seguiram para a Bifrost.

Passei o resto do dia ocupado. Mal percebi quando a noite chegou e eles ainda não haviam retornado. Comecei a me preocupar. Já havia passado da hora do jantar quando Thor apareceu em Asgard com Hela no colo. Atrás de Thor vinha Jane com Narfi nos braços.

— Ah! Finalmente chegaram. E vejo que trouxeram visitas — falei com ironia. — Não precisava ter tido o trabalho de trazê-los, Thor... E Aredhel e Váli? — perguntei despreocupadamente, notando a ausência dos dois.

Jane baixou os olhos e fitou o chão. Thor franziu o cenho com uma expressão de pesar. Senti algo apertar em meu peito.

— Onde estão Aredhel e Váli? — a pergunta saiu trêmula, com minha voz entregando a preocupação.

— Loki... — Thor fez uma pausa e me encarou com tristeza. — Aredhel está em Midgard. Ela está em um hospital, internada — revelou.

— Como assim internada? O que houve? Ela está ferida? Por que não a trouxe para cá, para nossas curandeiras? Onde está Váli? — questionei nervosamente.

— Ela foi ferida, mas já foi socorrida e está fora de perigo — ele começou falando rapidamente. — Ela e Váli foram ao laboratório de Stark, onde foram atacados e... — baixou os olhos. — E Váli foi sequestrado.

— O quê? Sequestrado? Por quem? — desesperei-me.

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Comentem. NOTAS: Como teve muitas opiniões divergentes sobre Sif e James, resolvi seguir meus instintos.. XD Aqui na minha região chamam o jogo de Queimada, mas já viu com os nomes de Queimado e Cemitério.