A mulher do meu destino

92 Make the clock reverse, bring back what once was mine


Notas iniciais
*Make the clock reverse, bring back what once was mine = Faça o tempo voltar, traga de volta o que uma vez foi meu - Trecho da música Healing Incantation do desenho "Tangled" da Disney. Olá minha gente.. u_u Mais um capítulo.. Peço desculpas pela demora, mas eu precisei reler toda a fic para ver se eu não ia deixar nenhuma ponta solta no enredo.. Afinal.. Ela está mesmo acabando.. O final foi dividido em duas partes.. o próximo capitulo terá uma cena muito esperada e o final/introdução para a próxima fic.. O primeiro capítulo da "Asgard Dirty Secrets" já está quase pronto.. u_u Ele começa com uma introdução sobre o tempo q passou.. Gente.. vai ser muito personagem para administrar, mas acho q vai ser uma experiência legal.. u_u Pelo menos espero que gostem.. Vai ter muita treta.. Sobre o capítulo de hoje.. fecharei lacunas e é o começo do fim.. Boa leitura.. Até o último capítulo..

Segui James pelos corredores com meu coração apertado. A única coisa que vinha à minha mente era que eu fora o responsável pela antecipação do parto. Ainda faltavam pelo menos cinco semanas para a data prevista para o nascimento de nossas filhas.

– A culpa é toda minha.. — pensei alto.

– Acalme-se, Loki.. Vai dar tudo certo. Elas vão ficar bem. Seus filhos são sempre muito resistentes. Além disso, não é o primeiro filho de vocês. Aredhel é muito forte. — James tentou me animar, mas parecia tão aflito quanto eu.

Ao entrarmos na sala de cura vi que a situação realmente parecia grave. Ada ditava ordens às demais servas, enquanto Aredhel estava deitada em uma das camas gemendo de dor com ambas as mãos sobre o ventre. Aproximei-me da cama, segurei a mão de minha esposa e fiquei horrorizado ao sentir sua temperatura, estava queimando de febre. Aredhel estava com uma expressão sofrida no rosto, tinha os olhos abertos, mas fitava algum ponto distante dali, murmurava palavras confusas e parecia estar delirando. Fiquei desolado, não sabia o que fazer por ela.

– Eu sinto muito meu amor.. — murmurei sentindo meus olhos se encherem de lágrimas – Eu não deveria ter agido daquela forma.. — beijei sua fronte.

– Ada.. O que podemos fazer? — James indagou desesperado.

– Meu rei, a situação é grave. — disse Ada me olhando com pesar — A rainha não suportará um parto normal. Não conseguimos estabilizar a sua febre e a pressão sanguínea dela está começando a subir. Temos que fazer o parto o mais rápido o possível. Temo pela vida da rainha. Preciso que o senhores tentem estabilizar a temperatura dela e controlar o sangramento e a pressão dela durante o procedimento. — explicou.

– Eu cuido da temperatura. Eu consigo manipular gelo. — falei rapidamente e Ada olhou ao redor.

– Eu ajudo a controlar o sangramento e a pressão dela. — disse James prontamente — Mas Loki.. Para manipular o gelo.. — olhou para as outras servas – Bem.. Você sabe que.. — parecia inseguro.

– Ada, escolha as servas de sua maior confiança. — interrompi — O que vai acontecer aqui deve permanecer no mais absoluto segredo. Dispense todas as outras. — ordenei.

Ninguém da criadagem, além de Ada e alguns guardas, sabiam sobre minhas origens. Quando caí no abismo, Odin fez questão de que ninguém soubesse sobre minha origem. Por este motivo nossas conversas sobre o assunto sempre foram a sós, inclusive quando fui preso na volta de Midgard. Somente os amigos de Thor e Heimdall sabiam da verdade. Ada sabia sobre minha real origem, pois na primeira gravidez de Aredhel temi que ela não conseguisse suportar gerar o filho de um Jotun. E pela segurança de minha esposa, tive que revelar para Ada a verdade. Para baixar a temperatura de Aredhel teria que controlar meus poderes Jotuns e dessa forma acabaria assumindo minha outra forma. Se a verdade sobre minha origem se espalhasse, provavelmente teríamos problemas não só em Asgard, mas em todos os nove reinos.

– Só preciso da ajuda dos senhores. Posso fazer todo o resto sozinha. — ela afirmou – Apenas aguardem mais alguns instantes. Pedirei que deixem tudo pronto para o parto e que se retirem rapidamente. — afastou-se dando mais ordens às servas.

As servas corriam de um lado para o outro organizando o material que Ada usaria, mas ainda estavam sendo lentas para mim. Eu não sabia dizer com certeza o estado de Aredhel, entretanto podia sentir claramente que a temperatura dela estava cada vez mais elevada. A sua respiração estava falha e ela continuava delirando. Ada olhou preocupada para James e apressou as criadas.

– Senhor James, peço que comece a controlar a pressão dela. — disse Ada – Está se elevando muito rápido. — alertou.

James se concentrou, segurou um dos pulsos de Aredhel e olhou para mim meio aflito.

– Ela está queimando, Loki.. — ele murmurou franzindo o cenho – Ela vai acabar convulsionando.. — disse angustiado.

Pus as mãos sobre a cabeça de Aredhel e comecei a tentar baixar a sua temperatura. Eu estava tentando controlar minha própria temperatura para não queimar Aredhel com meu toque e evitar assumir minha forma Jotun, mas como eu havia imaginado, este detalhe eu não estava conseguindo. Comecei a ver meus dedos começarem a mudar de cor e ficarem azuis.

– Ada.. Mais rápido! — ordenei entredentes.

Ada mandou as servas largarem tudo e mandou que elas saíssem. A maioria ficou confusa por não entender estarem sendo dispensadas. Algumas cochichavam que provavelmente usaríamos energia negra ou magias proibidas para salvar Aredhel e saíram amedrontadas. Depois de todas saírem Ada trancou a porta e preparou-se para o parto.

Eu já estava totalmente azul e lutava para não queimar Aredhel, mas pelo menos ela parecia estar sofrendo menos. Ada deu a Aredhel um preparado e segundos depois ela perdeu a consciência. Olhei para James e juntos olhamos para Ada.

– Tenham calma. Ela vai ficar bem. Não sentirá dor alguma. — Ada explicou.

Ada foi para o pé da cama de Aredhel e sentou-se em um banco. James e eu não sabíamos o que ela fazia. Havia uma cortina mágica que nos impedia de ver o procedimento.

– Senhor James, pode começar a controlar o sangramento. Eu já fiz a incisão. — anunciou Ada.

James pôs a outra mão sobre o topo da barriga de Aredhel e cerrou os olhos. Algum tempo depois ouvi o choro de um bebê. Instantaneamente eu sorri. Uma de minhas filhas havia nascido. James abriu os olhos e sorriu para mim.

Ada enrolou a criança em um pequeno cobertor e a colocou em um pequeno berço ao lado da cama. Momentos depois ouvi um segundo choro, fiquei eufórico. Ada repetiu o mesmo procedimento e colocou a bebê no outro berço.

– Meus parabéns, meu rei. Suas meninas nasceram e estão bem. — disse Ada sorridente.

– Parabéns papai.. — James murmurou meio rindo.

Enquanto Ada cuidava de Aredhel pude sentir que a temperatura dela aos poucos estava voltando ao normal. Retirei minhas mãos de sua cabeça e comecei a voltar à minha cor original. Como eu havia imaginado a febre era um dos sintomas de sua gravidez.

– Pronto. Logo a rainha acordará e estará como nova. — sorriu Ada.

Dei um beijo na fronte de Aredhel e encaminhei-me para ver minhas meninas, meus novos sóis. As duas eram lindas, tinham as feições de Aredhel e alguns traços meus, como o lábios finos, a cor de meus olhos e o cabelo preto. De uma coisa eu não tinha mais dúvidas, por mais diferentes que os filhos pudessem ficar a medida que cresciam, era impossível não amá-los de maneira igual. Mesmo depois de ser pai tantas vezes, a sensação mágica era a mesma. Um calor que invadia a alma e parecia me tornar mais completo. Um sentimento que irradiava, maior do que eu. Era assim que me sentia em relação a cada um de meus pequenos sóis.

Peguei a bebê que nascera primeiro em meus braços e sorri para ela.

– Einmyria.. É assim que vai se chamar minha princesa.. — falei bobamente para a bebê.

– São tão lindas, Loki.. — disse James todo sorridente.

– Quer segurá-la? — perguntei e James anuiu animadamente.

Entreguei Einmyria a ele e debrucei-me sobre o outro berço e peguei a outra menina.

– E você vai se chamar Eisa.. — falei olhando para a bebê.

– A Aredhel nunca vai poder escolher o nome de nenhum dos filhos, Loki? — resmungou James.

– Ela nunca se queixou dos nomes que dei aos demais. — dei de ombros.

– Hela vai ficar tão feliz de ter irmãs. — James comentou olhando para a bebê – Ela sempre se queixou de não ter irmãs. Ficou tão feliz quando minha Katarina nasceu e quando Rebecca veio morar aqui. Hela reclama que Váli nunca deixou Sigrid brincar muito com ela. — riu.

– Sim.. Minha princesinha vai adorar as irmãs.. — concordei em meio a um sorriso.



Levaram a Aredhel e as bebês para nosso quarto. Enquanto Aredhel descansava, eu não tirava os olhos das meninas. Fiquei ponderando o quanto era feliz de ter formado uma família tão grande. Imaginei que vagaria sem encontrar alguém com quem desejasse me casar. Depois de ser preso, acreditei que teria que viver fugindo ou apodreceria naquela masmorra. Nunca havia pensado, nem no meu mais louco devaneio, que me casaria um dia com uma Midgardian e que esta viria de outro mundo, outra dimensão. Muito menos que teria seis filhos com ela.

Acariciei o rosto das crianças, que dormiam tranquilas, e sorri. Eu sentia que era o homem mais feliz e sortudo dos nove reinos. Fui para a cama e olhei para Aredhel. Sentei-me ao seu lado e dei um beijo em seus lábios. Fiquei pensando que tinha sorte de no final tudo ter dado certo no parto dela. Passei meu dedos pelos cabelos de Aredhel e tomei uma decisão, nós não teríamos mais filhos. Pediria a ela que voltasse a se prevenir. Parecia que a cada gravidez os riscos ficavam maiores e temia que ela não resistisse a outra. Esta última tinha sido demais exaustiva para ela. Testemunhei todo o seu sofrimento e até piorei a situação em alguns momentos. A vida de Aredhel era o mais importante para mim. Além disso, já tínhamos um número grande de filhos e, a este respeito, eu estava mais do que satisfeito.





Passado algum tempo, Aredhel acordou, fitou-me por um tempo e abriu um largo sorriso.

– Eu não te ouço mais... — murmurou.

– Não ouve mais meus pensamentos? — perguntei meio incrédulo.

– Não.. — ela deu um suspiro de alívio – Eu não ouço nada.. — disse com uma expressão de alívio.

– Se você está feliz com isso.. Eu também estou.. — dei um beijo em seus lábios – Quero ver você bem e feliz. — fui sincero.

Aredhel me abraçou e afobadamente pediu que eu lhe mostrasse as filhas. Arrumei as duas meninas nos braços dela e fiquei observando as três juntas, eram lindas. Enquanto Aredhel amamentava as bebês os nosso filhos vieram ver as irmãs. Todos estavam muito animados.





Os dias foram se passado. Aredhel e Broomhilda se desdobravam em cuidados com as gêmeas e demais crianças. Aredhel sempre vinha para a cama exausta. Em uma dessas noites, eu estava massageando os pés dela, enquanto ela estava calada e pensativa.

– No que tanto pensa, meu amor? — perguntei.

– Ah.. — deu um suspiro e sorriu para mim – Em como as coisas poderiam ter sido bem diferentes. — fez um afago em minha mão – Se você não tivesse ido até Helheim, barganhar por mim, não estaríamos juntos hoje. Não teríamos nem Fenrir e nem as meninas. — disse com olhos sonhadores – Parece que tudo foi antecipadamente programado. Já pensou que você poderia ter feito o que fez daquela vez com Thanos, tê-lo aprisionado em outro mundo ou dimensão? Tenho a sensação de que tudo isso fazia parte de um grande plano. Que você desde o início precisaria ter a alma de Thanos para fazer a troca. Já pensou nisso? — indagou-me.

Naquele momento eu tive um clarão. Aredhel estava certa. Tudo aquilo fazia parte realmente de um plano. Mais precisamente de meu plano. Fora eu que alertara a mim mesmo sobre Thanos, sobre aperfeiçoar meus conhecimentos sobre as Gems. Eu fora demasiadamente incisivo quanto a Gem da Alma. Meu outro eu já sabia que eu conseguiria aprender a controlar a Gem da Alma. Pelo jeito também tinha a consciência de que Aredhel morreria no futuro, mas havia escolhido não contar e agora tudo fazia sentido. Se eu soubesse disso, faria tudo para evitar, mas a morte dela, bem como seus atos insanos foram todos necessários. Sem aqueles desatinos eu nunca a teria conhecido. Fora ela mesma quem dera a ideia a Thanos de trazê-la para a minha realidade. Estava bem claro que eu havia apenas revelado o que era necessário e dado algumas pistas sobre outras coisas. De repente, fazia sentido a forma enigmática como eu mesmo falara sobre algumas coisas. Eu tinha planejado de forma criteriosa tudo o que deveria dizer a mim no passado.

– Loki? — disse Aredhel me tirando de meus devaneios – Você ouviu o que eu falei? — franziu a testa.

– Claro que ouvi, Aredhel.. — peguei seu rosto em minhas mãos – Eu já disse o quanto você é perspicaz? — dei um beijo em seus lábios – Sua astúcia sempre me impressionou.. — ri e levantei-me da cama.

Comecei a trocar de roupa e Aredhel me olhou confusa.

– Onde você vai? — ela me questionou.

– Eu tenho algo muito importante para resolver. Uma visita a fazer. — falei enquanto terminava de me vestir.

– Uma visita? A essa hora? Loki.. O que você está tramando? — indagou-me em tom severo.

– Quando eu voltar eu lhe explico. — beijei seu topo – Não é nada grave. Confie em mim. — sorri.

Aredhel deu um suspiro exasperado.

– Não demore e tome cuidado. — ela disse – Eu te amo. — apertou minha mão.

– Tomarei. Também te amo. — beijei-a e saí.





Segui rapidamente em direção ao salão das relíquias. No caminho ia traçando os fatos a serem revelados, o que deveria falar com certa cautela e o que não deveria mencionar de maneira alguma. Peguei a Gem do Tempo, pensei em mim mesmo e naquele dia fatídico, então a pedra brilhou.

Acordei deitado no chão frio do que parecia ser o meu quarto. Com certa dificuldade eu me levantei e sentei em uma poltrona que havia ali perto, nas sombras do quarto. Fiquei tentando recuperar o fôlego e as forças. Definitivamente eu detestava essas viagens do tempo. Odiava aquela sensação de fragilidade e fraqueza desmedida que me assomava nessas viagens. Olhei para a cama e vi-me dormindo abraçado a Aredhel. Pude perceber claramente que eu estava tendo um pesadelo. Mesmo dormindo, parecia muito agitado. Lembrei-me que naquela noite sonhei que Thanos matava toda minha família.

Vi-me acordar todo esbaforido e angustiado. O meu outro eu olhou com pesar para Aredhel e retirou as algemas que ainda estavam nela. Sorri satisfeito e ri ao lembrar daquela noite, fora memorável, eu precisava repetir a dose com Aredhel.

Meu outro eu passou as mãos pelo rosto de forma exasperada. Era um fato, eu realmente tinha exagerado com Aredhel. Ela ficara toda marcada.

– Machucá-la dessa forma é o menor de seus problemas. — comecei a falar calmamente.

O outro Loki se virou em minha direção e viu chocado eu surgir das sombras.

– Seu pesadelo irá se realizar se não seguir exatamente o que eu lhe disser. — falei por fim.

Notas finais
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