A mulher do meu destino
68 I've been sleeping a thousand years it seems
Notas iniciais
Esperei Aredhel adormecer e só decidi dormir depois de me certificar que ela conseguia respirar melhor. Aninhei Aredhel em meus braços e adormeci. Comecei a sonhar. No sonho eu estava em um local estranho e mal iluminado. Parecia uma casa de Midgard abandonada. Tinha os móveis e o chão empoeirados. As paredes tinham uma estampa floral, desbotada e amarelada pelo tempo. Tinha lustres que deveriam ser de vidro ou cristal, mas que, devido ao tempo, ficaram opacos. E o teto cheio de bolor. Comecei a caminhar pelos corredores e à medida que eu adentrava pela casa, esta parecia recuperar sua beleza anterior. O Local lentamente ficava mais claro e bem iluminado. Podia ver os detalhes em dourado em alguns móveis e a prataria que preenchia algumas estantes. Finalmente pude ver os detalhes das paredes e o teto extremamente branco.
Caminhei até me deparar com um grande espelho, de moldura em dourado, em uma das salas que entrei. Vi minha imagem refletida nele e pude notar que eu estava mais jovem. Tinha a aparência e as roupas que vestia na época de minha juventude, antes de descobrir que era adotado. Na verdade reconheci meu traje do dia da primeira tentativa de coroação de Thor. Eu estava sem o capacete e tinha os cabelos curtos penteados cuidadosamente para trás, como eu os usava na época.
De repente vi pelo espelho uma figura feminina aparecer à porta, logo atrás de mim. Virei-me para encará-la e vi que era uma garota de Midgard. A jovem estava com um vestido grande e volumoso, de cor branca com desenhos florais em verde. Ela tinha um gigantesco chapéu na cabeça amarrado em seu queixo com um grande laço verde, cujas pontas eram longas e desciam até quase metade do comprimento do vestido. Possuía também uma larga faixa verde que demarcava bem sua cintura. A moça aproximou-se e pude ver era quase idêntica a Aredhel. Possuía estatura pequena e traços iguais ao de Aredhel. Tinha os mesmos olhos e cabelos castanhos escuros, sendo que seus cabelos estavam um pouco diferentes. Estavam ondulados e mais curtos, na altura dos ombros. Ela ficou me encarando por algum tempo e fitou-me de cima a baixo, como se estivesse me analisando. Em seguida parou diante de mim e deu-me um sorriso tímido.
Pensei inicialmente em amedrontá-la. Aproximei-me dela e a garota nem se mexeu, continuava me olhando maravilhada. Parecia não me temer. Sentia uma forte atração por ela e tinha a sensação de que a conhecia a mais tempo. Eu a olhava com certa malícia, para mim a forma como aquela jovem me encarava era excitante. Passei a mão por sua cintura e a puxei para mais perto, colando seu corpo ao meu. Senti-a estremecer, mas ainda assim ela continuava me olhando com adoração. Debrucei-me sobre ela e beijei-a. Ela começou a se debater em meus braços, resistia ao meu beijo. A jovem tentou me empurrar, em vão, por algum tempo e aos poucos foi cedendo ao caloroso beijo. Inesperadamente, sem qualquer aviso, dois rapazes entraram na sala. Um deles tinha cabelos castanhos claros e lembrava muito Phillip. O outro era ruivo e muito parecido comigo.
– Você! Tire suas mãos de minha noiva! – gritou o ruivo.
– Com você ousa tocar em minha irmã? – indignou-se o moreno.
Eu apenas sorri e larguei a cintura da moça. O ruivo puxou uma pistola arcaica e apontou para mim. O pobre mortal acreditava que poderia me ferir com aquela arma antiquada. Comecei a rir e ele atirou em minha direção. Pasmo, vi a garota colocar-se na minha frente e ser ferida no lado esquerdo do peito. Ela deu um gemido alto, levou as mãos ao ferimento e ameaçou desabar no chão. Antes que ela caísse, eu a amparei. Os dois rapazes avançaram sobre mim e, com meus poderes, eu os lancei contra a parede, fazendo-os cair desmaiados no chão. Olhei novamente para a garota e ela estendeu a mão tocando meu rosto.
– Loki.. Eu te amo.. – murmurou.
Fiquei estupefato com a declaração. Perguntava-me como ela sabia meu nome. Lágrimas escorriam por seu rosto e ela me fitava com tanta ternura. De repente, percebi que ela era a minha Aredhel. Seu vestido começou a tingir-se com o seu sangue e aos poucos ela foi fechando os olhos. Aredhel deu um último suspiro e morreu em meus braços. Desesperei-me e abracei seu corpo sem vida.
– Não! Aredhel! Não! – gritei.
Encostei minhas testa em sua fronte e cerrei os olhos, enquanto as lágrimas escorriam por meu rosto. De repente, senti uma mão tocar meu rosto. Abri os olhos e vi Aredhel sorrindo para mim, mas tinha um estranho brilho no olhar. Ela estava com as mesmas roupas, só que eram totalmente negras.
– Você está viva, meu amor. – sorri.
Aredhel acariciou meu rosto e depois abriu um sorriso estranho, quase maligno. Então senti algo perfurando meu peito, olhei para baixo e vi que Aredhel havia fincado sua adaga no lado esquerdo de meu peito. Ela começou a rir, em seguida se levantou e me empurrou. Caí no chão de joelhos e olhava para ela perplexo. James apareceu atrás dela, também todo vestido de preto e deu-lhe um beijo apaixonado em seus lábios. Aredhel inclinou-se sobre mim e segurou o punho da adaga.
– É hora da vingança, meu amor... – sussurrou em meus ouvidos e girou a adaga em meu peito.
Senti uma forte dor e acordei esbaforido. Eu estava suado e meu coração batia descompassadamente. Olhei redor e vi que ainda era noite. Observei Aredhel dormindo e ela visivelmente também estava tendo um sono agitado. Estava com uma expressão de sofrimento no rosto e murmurava palavras que não consegui compreender. Acariciei seu rosto e fiquei pensando por um tempo no sonho que tive. Mais uma vez era um sonho confuso e sombrio. Acreditava que tudo o que tinha vivido ao lado de Aredhel e meus medos estivessem estimulando esses pesadelos. Dei um beijo demorado no rosto de Aredhel, abracei-a com cuidado e tentei dormir novamente.
Na manhã seguinte,quando acordei, Aredhel estava tentando se vestir. Eu a vi tentando inutilmente fechar os botões da lateral do vestido. Ela deu um gemido de dor e desistiu.
– Você deveria ter escolhido outra roupa. Você sabe que não pode usar nada que marque sua cintura. Suas costelas ainda estão quebradas. — falei calmamente.
– É.. Esqueci.. — murmurou.
Ajudei-a a tirar o vestido e colocar outro que era mais solto. Depois ela sentou-se na frente da penteadeira e comecei a escovar seus cabelos.
– Diga-me a verdade. Você ainda sente muita dor? — perguntei preocupado.
– Sim.. — deu um suspiro – Dói quando respiro, levanto os braços ou quando fico tempo demais sentada ou deitada. Não há posição confortável. — disse frustrada.
– Você sentiu dor ontem enquanto nos amávamos? Seja sincera. — pedi.
Ela baixou os olhos e balançou a cabeça afirmativamente.
– Por que não me falou nada? Pedi que me avisasse se tivesse algo errado! Teríamos parado! — ralhei — E por que não toma algo para a dor? Não há motivos para você ficar sofrendo. — falei meio impaciente.
– Eu queria muito, meu amor. É que, apesar da dor, eu estava gostando e senti prazer. — disse ficando rubra — Quanto aos remédios para dor, eu não tomo porque me dão muito sono. Eu não aguento mais ficar só dormindo. Ainda mais com os sonhos estranhos que venho tendo. — falou irritada.
– Que tipo de sonhos? — indaguei curioso.
Aredhel ficou calada e pensativa por um tempo, olhando para mim através do espelho.
– Bem.. — começou a falar – Eu sonho direto com você, só que em épocas e locais diferentes. Na verdade são mais pesadelos, porque no final ou você me mata ou eu mato você. — disse cabisbaixa.
– Locais como florestas ou casas em Midgard? — questionei meio desconfiado.
– Sim, exato! Er.. Como você sabe? — perguntou-me confusa.
– Acho que estamos tendo os mesmos sonhos. — falei seriamente – Você sonhou algo parecido ontem à noite? — indaguei.
– Sim.. No sonho de ontem estava você, Phillip e Jimmy. Eu encontrava você em uma sala sozinho. Você me puxou para um beijo, ai o Phillip e o Jimmy apareciam, rolou uma confusão e Jimmy atirou em você. Mas eu tentei lhe defender e fui atingida. Acredito que desmaiei ou morri, mas quando acordei eu não conseguia controlar o que fazia. Eu te ataquei com uma adaga e Jimmy me beijou. Eu sabia o que estava fazendo, mas não podia evitar. Era como se eu estivesse só assistindo a cena. Foi horrível.. — franziu o cenho aflita – No final eu acabei matando você.. — disse com tristeza.
– Phillip era seu irmão e James seu noivo.. — murmurei.
– Sim.. Isso mesmo.. — disse aturdida.
– Sonhamos a mesma coisa, Aredhel. — concluí.
– Mas como? Por quê? — questionou boquiaberta.
– Eu não sei, Aredhel. Não faço a menor ideia. — fui sincero.
– Isso não faz sentido.. — murmurou pensativa.
Aredhel finalmente saiu do quarto por um período maior. Alegremente ela retornou ao seu amado jardim. Ela estava radiante. Ainda pela manhã falou com Mary e, finalmente, com Wilson. Ele falou muito rapidamente com a filha e agiu como se nada tivesse acontecido. Wilson parecia indiferente à melhora da filha. William procurou a irmã, chorou e implorou seu perdão. Aredhel, complacentemente, aceitou suas desculpas e o perdoou. Eu estava irresoluto, eu não o perdoaria nunca.
Pela tarde depois que as crianças voltaram dos estudos resolvi levá-las, junto com Aredhel, para um passeio em um lago próximo. James e Greta nos acompanharam. As crianças correram para a água e nós sentamos à sombra de uma árvore. Narfi, apesar de ser o menor, surpreendentemente era o que nadava com maior habilidade. Parecia estar em seu habitat natural.
– Tirem-me uma dúvida. — disse James – Os filhos de vocês vão ter o mesmo tempo de vida de vocês? — perguntou.
– Vão, James. — respondi — Primeiro porque são meus filhos e segundo porque Aredhel, ainda durante a primeira gravidez, comeu a maçã de Iduna. Mas mesmo que ela não tivesse comido, eles viveriam o mesmo que eu. Pelo menos é o que contam algumas lendas sobre filhos de Midgardians com outras raças. — expliquei.
– Engraçado.. Achava que vocês, não só envelheciam lentamente, mas também cresciam lentamente. Entretanto, pelo que pude observar através dos filhos de vocês, Siegfried e Sigrid, as crianças crescem na mesma velocidade que as humanas. — comentou.
– Fato, meu caro James. Nós crescemos na mesma velocidade que vocês até atingirmos a idade adulta. Depois é que começamos a envelhecer lentamente. — expliquei.
– Agora faz sentido o que vi nos filmes. — comentou Aredhel – Eu lembro de ver Fandral comentar com Thor sobre as visitas que vocês faziam à Terra e como assustavam as pessoas com os raios do Mjölnir. Isso só pode ter acontecido na época dos Vikings, que ocorreu entre setecentos e alguns anos após o primeiro milênio depois de Cristo. Porém, segundo Odin conta no filme, por volta do ano novecentos e sessenta e cinco é que ocorreu o conflito com os Jotuns. E após esse conflito é que ele achou você, Loki. Se vocês crescessem lentamente, ainda seriam crianças na era dos Vikings. — concluiu.
Ficamos por um tempo em silêncio observando as crianças jogando água umas nas outras.
– Ainda bem que a história aqui se seguiu bem diferente dos quadrinhos. — comentou James de repente — Sei que os filmes influenciaram demais na vida de vocês, mas poderia ter sido bem pior. — comentou.
– Você tem razão. — concordou Aredhel – Seria um pesadelo.. — disse com o olhar sombrio.
Fiquei pensando no que os dois comentaram. Não cheguei a ler muito dos quadrinhos que William me entregara anos antes, mas o pouco que li me deixara muito preocupado. Havia muitas guerras, mortes e destruições. Sendo boa parte causada por mim. Ficava imaginando que tudo aquilo poderia ter se realizado, se eu não tivesse conhecido Aredhel.
Depois que retornamos do passeio, cruzamos com William pelo caminho, percebi que Váli olhava para o tio com raiva. Lembrei-me que James comentara que Váli fora tomar satisfações com o tio e que o culpara pelo que houve com a mãe. Desde então, Váli era agressivo com o tio. Achei melhor não interferir. Eu não iria defender William, mas evitaria influenciar Váli contra ele. Já tínhamos problemas demais com a família de Aredhel.
Os dias passavam devagar e a tensão aumentava. O clima em Asgard era de uma guerra iminente. Fandral estava determinado em reforçar nossa guarda de elite. Hogun, depois de avisar Thor sobre todo o ocorrido, juntou-se a Sif e partiram em busca de velhos amigos, de outros reinos, para integrarem as forças de defesa de Asgard. Sif não falara mais nada sobre Thor, na verdade passara a evitar falar dele.
Meus pesadelos com Aredhel tornaram-se uma coisa recorrente. Quase todos os dias eu sonhava que eu era responsável por sua morte ou que ela me matava. Sempre mudava o local e a época, mas a presença de James, Phillip e William passaram a ser quase constantes. Sendo que James estava em todos sempre, só mudava seu papel. Ele era noivo, marido, amante, pai ou irmão de Aredhel nos sonhos e sempre estava presente na hora da morte dela ou quando ela me matava. Eu estava cada vez mais confuso e Aredhel também. Ela estava melhorando rapidamente de seus ferimentos, mas dormia mal por conta dos pesadelos.
Eu temia que Thanos trouxesse ainda um exército com ele e que nossas forças não fossem o suficiente para defender minha família. Dessa forma, decidi intensificar o treino de luta e magia de meus filhos. Não gostava de pensar nessa possibilidade, mas talvez eles tivessem que se defender sozinhos. Váli e Narfi pareciam empolgados e se dedicavam arduamente. Hela no início relutou muito em lutar e usar magia para enganar ou machucar, mas ela logo entendeu que talvez tivesse que fazer isso para defender a família e passou a se empenhar mais. Aredhel não podia treinar, mas sempre que estava disposta assistia aos treinos dos filhos e voltou aos seus estudos sobre magia.
Uma tarde, durante o treino das crianças, fui surpreendido por James e William. William ficou à porta do local e James se afastou vindo em minha direção, sinalizando que queria conversar comigo. Deixei os instrutores treinando com meus filhos e fui falar com ele.
– Loki, eu sei que somos apenas humanos e sem a resistência que vocês possuem e que os inimigos possuem treinamento e conhecimento em magia. Mas, ainda assim, William e eu estamos dispostos a ajudar no que for preciso. – mordeu os lábios, pensativo — William quer se redimir pelo que fez e eu acredito que toda ajuda é bem-vinda. Sei que durante o conflito vocês estarão ocupados, então caberá a nós mesmos a nossa própria defesa e talvez das pessoas quem tenhamos apreço. – deu um sorriso fraco — William e eu somos esportistas e temos conhecimentos em algumas técnicas de luta. Sendo assim, gostaríamos de treinar para a batalha que possa vir a ter. – falou rapidamente.
– Por mim tudo bem. Temos bons instrutores que podem treinar vocês. – falei indiferente – Hela já havia comentado comigo que você ensinara a eles, nesse período em que estivemos fora, uma técnica chamada Capoeira. É isso? – indaguei.
– Sim. – riu – Eu aprendi para gravar o primeiro filme do Thor. Também aprendi o básico sobre esgrima, então sei manusear espadas. Tive que aprender quando fui chamado para interpretar um rei em uma minissérie de TV e, posteriormente, voltei a treinar para uma peça de teatro.
– Certo. Podem começar assim que quiserem. A sala de treino está a disposição de vocês. – dei de ombros.
– Ah.. Tem outra coisa. Sei que por segurança você suspendeu toda e qualquer visita à outra Terra, mas preciso ver meus pais e minhas irmãs. Quero ter certeza de que estão bem. – disse franzindo o cenho.
– Não aprovo a ideia, mas compreendo sua preocupação. A proibição é mais para a família de Aredhel. Eu não confio no pai dela e nem no William. Você pode ir. – falei.
– Obrigado. Avisarei quando for partir. — sorriu.
Passaram-se três meses, algumas coisas mudaram em Asgard e outras não. Os pesadelos meus e de Aredhel continuavam, só que eram menos frequentes. Entretanto eram mais longos e cheios de detalhes confusos. Pareciam indicar, insistentemente, que não devíamos confiar um no outro. Aquilo passou a nos assombrar. Se não fosse o fato de Aredhel estar tendo o mesmo tipo de sonho, pensaria que era algo fruto de minha obsessão por ela. Aredhel, cada vez mais, tinha olheiras profundas pelas noites mal dormidas.
Depois desse longo período Aredhel havia se recuperado totalmente de seus ferimentos e voltara a treinar. Ela inclusive ensinara o que aprendera para seu irmão e James. Os três e as crianças treinavam juntos. Váli chegou a derrotar William várias vezes, mesmo sendo apenas um garoto. Notei que ele tinha prazer em lutar contra o tio. Imaginava que era uma forma de se vingar pelo que William fizera.
Wilson e Mary continuavam morando conosco, mas Wilson não falava comigo e mal dirigia a palavra à filha. Segundo Mary, ele sentia que vivia em cárcere. Eu pouco me importava e Aredhel parecia cada vez mais indiferente ao comportamento dele. Entretanto, eu não sabia se ela estava apenas fingindo não se importar com a frieza do pai.
O romance entre James e Greta parecia cada vez mais sério. Começou a ser trivial encontrar o casal aos beijos nos jardins. Aredhel, apesar de ser a maior defensora do romance do casal, sempre que os via juntos parecia ficar triste. Sempre que eu perguntava o motivo, ela desconversava ou negava o fato. Dizia que essas minha observações eram frutos do meu ciúme.
Apesar do clima tenso, ainda tínhamos alguns momentos de lazer graças, principalmente, a James. Ele, Greta, William, Aredhel e as crianças apresentavam vez ou outra peças de teatro. James os dirigia e também as encenava. As peças eram sobre as obras de Shakespeare. Fandral chegou a fazer uma participação em uma delas.
Sif e Hogun retornaram e trouxeram alguns amigos guerreiros. Sif, surpreendentemente, andava direto em companhia de um deles, Leir. Leir era um guerreiro que, como Greta, era de Vanaheim. Ele era alto e forte, do mesmo porte físico de Thor e tinha os olhos verdes e cabelos ruivos. Pude notar que a simpatia era mútua, pois o guerreiro derretia-se toda vez que via a morena. Começava a desconfiar que a guerreira agora tinha um novo amor. Segundo Aredhel, Sif podia não admitir, mas visivelmente tinha um grande interesse em Leir.
Em uma manhã deixei Aredhel dormindo e desci para o café da manhã. Encontrei apenas James à mesa.
– Bom dia, Loki. — sorriu James.
– Bom dia. — respondi.
– Bem, conforme combinamos meses atrás, hoje partirei para uma rápida visita à Terra. Vou ver minha família. — disse rapidamente.
– Nossa. Já faz tanto tempo que eu até tinha esquecido. Greta já sabe de sua partida? — indaguei.
– Sim. Ela ficou meio preocupada, mas entende. Prometi ser breve, afinal o tempo voa aqui. — falou dando um sorriso torto.
– Boa sorte. Espero que tudo ocorra bem. — fui sincero – E tome cuidado. Sabes bem o que pode acontecer. Eles ainda podem estar nos vigiando. – alertei.
– Obrigado. — sorriu de leve – Terei sim, serei o mais discreto o possível. Irei direto para a casa de meus pais e depois para a de minhas irmãs. – explicou.
James terminou o café e retirou-se. Momentos depois Aredhel apareceu. Eu fiquei boquiaberto ao vê-la entrar no salão. O que ela vestia me deixou assombrado. Ela trajava um vestido muito semelhante a um dos sonhos que tive. Era um vestido branco com motivos florais em verde e uma faixa verde marcando a cintura. Ele não era tão volumoso ou longo como o do sonho, mas era igualmente franzido na cintura e tinha o comprimento um pouco abaixo dos joelhos dela. Aredhel ainda tinha um laço verde, da mesma cor da faixa, amarrado na cabeça. Ela entrou apressadamente no salão.
– Você viu Jimmy, Loki? — perguntou meio apressada.
– Sim, ele acabou de tomar café. Ele vai, conforme o combinado, partir para a outra Midgard para ver a família dele. — expliquei.
– Eu preciso alcançá-lo! Tenho algo muito importante para dizer a ele! — disse aflita se dirigindo para fora do salão.
– O que houve? — questionei extremamente curioso.
– Depois eu explico! — gritou saindo correndo pela porta.
Terminei de tomar meu café e fui atrás de Aredhel. Eu estava muito curioso, desconfiava que pudesse ser algo relacionado à sua partida a Midgard ou à Greta. Procurei por Aredhel em vários lugares e não a encontrei. Alguns servos chegaram a dizer que a encontraram procurando por James, mas que depois não a viram mais. Dei ordem para que procurassem por ela no palácio. Naquele momento eu não pensei que ela pudesse ter saído do palácio, pois não era do feitio de Aredhel sair sem avisar. Com o passar da manhã comecei a ficar preocupado, pois ninguém tinha encontrado ou visto Aredhel em lugar algum. James também não estava mais em Asgard, imaginei que ele já teria partido. Chegara a hora do almoço e nada de encontrarem minha esposa. Aflito, fui a Bifrost à procura de Heimdall para pedir que ele localizasse Aredhel.
– Heimdall, você consegue ver Aredhel? Ela está desaparecida desde esta manhã. — falei preocupado.
Heimdall ficou observando por algum tempo e depois se virou para mim com uma expressão de preocupação no rosto.
– Loki, eu não vejo sua esposa em lugar nenhum. – falou seriamente.
Senti um bolo se formar em minha garganta. Perguntava-me onde poderia estar Aredhel.
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