A mulher do meu destino
59 I'm not calling for a second chance I'm screaming at the top of my voice
Notas iniciais

Eu não podia acreditar no que estava acontecendo. Aredhel respirava e seu coração estava batendo novamente. James parecia igualmente pasmo, pois me encarava boquiaberto. Minha esposa, embora viva, ainda estava pálida e continuava sangrando. Desesperei-me e a tomei em meus nos braços.
— Aredhel está viva, mas está sangrando! — gritei para o outro. — Rápido, James! Leve Hela para a sala de cura, levarei Aredhel! — ordenei.
Ele nem pestanejou, tomou a menina nos braços e saímos apressadamente em direção à sala de cura. Ao entrarmos lá, Ada, Eir e as outras servas me olharam chocadas. Olhavam de mim para Aredhel com uma expressão assustada no rosto, como se eu estivesse louco.
— Meu rei, o que fez? — indagou Ada aturdida.
— Aredhel está viva, mas está muito ferida! — falei rapidamente.
— Hela desmaiou… — completou James, todo afoito.
— Vocês precisam salvar as duas… — deveria ser um pedido, mas saiu como uma ordem.
James colocou Hela na cama e prontamente Eir e mais uma serva foram examiná-la. Deitei Aredhel em outra e Ada me olhou incrédula. Ela, ao constatar que Aredhel respirava, chamou outras servas e pediram para que nós nos retirássemos. Resignados, James e eu ficamos aguardando nervosos do lado de fora.
— Como? — ele murmurou, balançando a cabeça. — Como isso é possível? Ela estava morta... — parecia perplexo.
Eu não respondi. Estava com meus pensamentos divididos entre o fato extraordinário que presenciei, a preocupação com o estado de minha filha e felicidade de ter Aredhel de volta. Eu mal conseguia raciocinar.
Passado algum tempo Eir nos deixou entrar. Hela já estava acordada e sentada na cama. Minha pequena filha estava assustada e olhava para a mãe parecendo confusa. Eu a abracei apertado, enquanto as servas terminavam de enfaixar os ferimentos de Aredhel. Tinham coberto os braços, pernas, joelhos, pés, mãos e costas de Aredhel. As marcas no pescoço dela estavam roxas. Ao ver a minha esposa naquele estado senti um nó na garganta.
— A princesa está bem, meu rei — começou Ada. — Foi apenas um desmaio. Pode ter sido a emoção. E quanto a rainha, vossa majestade está viva milagrosamente e fora de perigo — meneava a cabeça. — É como se ela nunca tivesse sido atingida no abdome. Possui apenas os ferimentos causados pelo vidro e alguns hematomas — explicou. — Ela está dormindo, ainda não acordou e sinceramente não sei quando acordará — encarou-me pasmada. — Eu francamente nunca tinha visto tal coisa... — ergueu os ombros.
Eu me aproximei de Aredhel, ela estava recuperando a cor e respirava de forma compassada. Inclinei-me, a beijei nos lábios e eles estavam quentes novamente. Não contive um suspiro de alívio. Hela e Váli correram e agarraram a mão da mãe. James ficou olhando para Aredhel por um tempo, perdido em pensamentos. Parecia tão chocado quanto qualquer um de nós. Ele passou uma das mãos de leve pelo rosto dela, murmurando palavras inteligíveis e se sentou em uma cadeira do outro lado da cama.
Sentei-me em outra cadeira próxima e fiquei acariciando os cabelos de Aredhel. Ficamos por um longo tempo em silêncio. Cada um com seus pensamentos e sentimentos, todos aturdidos com o fato. Eu mal podia me conter de tanta emoção. Lágrimas de felicidade desciam por meu rosto. Era inacreditável mesmo… Ainda não conseguia abstrair como aquilo era possível.
De repente Thor entrou na sala todo afobado.
— Por Odin! Então é verdade? A pequena está viva! — ele exclamou.
— Está, Thor… — limpei as lágrimas de forma desajeitada. — Aredhel está viva... — murmurei em meio a um sorriso.
— Mas como isso é possível? — indagou claramente assustado.
— Acho que foi a Hela... — falou Váli. — Ela estava deitada sobre a mamãe, aí desmaiou e a mamãe voltou a respirar — explicou de forma astuta.
— Eu? — assustou-se Hela. — Eu... E-eu n-não fiz nada... Eu... S-só queria… — engoliu com dificuldade. — Q-queria minha mãe de... D-de v-volta... — gaguejava.
— Está tudo bem — abracei-a e tentei acalmá-la. — Não importa como aconteceu. O importante é que mamãe voltou à vida — falei calmamente e dei um beijo em sua fronte.
Thor enrugou a testa, parecendo ficar confuso. James olhou de Hela para Aredhel e piscou algumas vezes. Pela forma como as encarava, e por mais absurdo que pudesse parecer, ele partilhava da mesma teoria de Váli. Imaginei que Aredhel havia contado a ele sobre as habilidades de Hela. De fato a teoria de Váli provavelmente estava certa. Mas, assim como a outra habilidade no começo, Hela ainda não sabia como controlar isso. Devolveu a vida à Aredhel sem perceber, movida provavelmente pelo desespero pela perda da mãe. Visivelmente seu poder era limitado. Ela conseguiu ressuscitar Aredhel, curar por completo o ferimento mortal, mas não conseguira curar os outros ferimentos. Além disso, usar seus poderes a fez desmaiar. Fiquei imaginando o quanto de energia ela usou para isso, mas apenas desmaiou. Hela cada vez mais mostrava ser muito poderosa. Ela tinha o dom de tirar e dar a vida aos seres. Eu jamais pude imaginar que a união de nossas raças, midgardians e jotuns, poderia gerar seres tão poderosos. Começava a me perguntar que poderes poderia ter Narfi.
Jane também veio ver Aredhel e ficou muito feliz e confusa ao mesmo tempo. Sigrid e Siegfried também vieram vê-la. Passado algum tempo James, que até o momento esteve calado, levantou-se.
— Vamos, crianças. Hora de dormir — chamou Váli com a mão. — Vamos, minha querida — carregou Hela.
As crianças foram com ele sem discutir. Fiquei mais algum tempo até que Ada informou que levariam Aredhel para o quarto. Eu segui para o quarto e fui tomar um banho, pois novamente eu estava coberto de sangue.
Quando saí do banheiro Aredhel já estava na cama. Através da porta aberta do quarto de vesti podia ver bem. James estava sentado em uma poltrona ao lado da cama e acariciava os cabelos de Aredhel com uma expressão de tristeza no rosto. Ele pareceu não perceber minha presença. Assisti ele se inclinar e dar um beijo na testa de Aredhel. Por mais inocente que fosse o ato, senti ciúmes.
— O que pensa que está fazendo? O que faz aqui? — questionei rispidamente, saindo do quarto de vestir.
James me encarou com raiva e vi algo mais perpassar por aqueles olhos azuis, mas não pude identificar o que era.
— Vai persistir no mesmo erro? — rosnou para mim com uma fúria contida transparecendo na voz.
— O que você quer dizer? — indaguei indignado com a acusação.
— Seu ciúme! — sibilou e se levantou. Ele respirou fundo e me encarou com um olhar frio. Parecia preso em uma luta particular. — Olhe para ela! Veja em que estado em que você a deixou! — apontou para Aredhel. — Você viu como ficaram os braços, as pernas, as costas dela? E esses hematomas no pescoço dela… — fechou a cara. — Ela pode ter voltado à vida, mas carrega as marcas desse seu amor violento, destrutivo e assassino! — cuspiu as palavras sobre mim.
Foi como se ele tivesse me atacado fisicamente. Olhei para Aredhel e senti meu coração se afundar em um mar de remorso. Eu podia tê-la matado acidentalmente, mas fiz tudo movido pelo ciúme.
— Eu vinha guardando tudo isso calado porque seus atos foram punidos com a maior pena o possível... A morte dela… — disse entredentes. — Falar qualquer coisa a respeito seria crueldade — baixou os olhos. — Mas mal Aredhel volta a respirar e você torna a ter o mesmo comportamento. Ainda me pergunto como você acreditou que ela seria capaz de lhe trair — cerrou os punhos.
— Você não viu o que eu vi! — retruquei na defensiva. — Eu... — comecei a falar.
— Nada justifica o que você fez! — interrompeu-me aos berros. — Como você foi capaz de machucá-la dessa forma? É uma pena que eu não possa lhe dar uma surra, pois é o que eu faria se pudesse! — tremia de raiva. — Você é cego! Não vê o quanto ela te amou desde o começo! E que nunca seria capaz de fazer isso... Seu primeiro pensamento deveria ter sido de que ele a beijou a força! — sibilou.
— Não estou tentando me justificar. Eu sei que agi feito um monstro e nunca vou me perdoar pelo que fiz — falei com tristeza. — E eu sei o quanto ela me ama. Eu também a amo... Demais... — murmurei. — Será que ela irá me perdoar? — perguntei aflito.
— Eu não sei… — foi ríspido. — Entretanto devia começar a pensar em outras possibilidades. Pois essa rainha, de quem você pensa ser dono, talvez queira ser livre novamente depois do que aconteceu — estreitou os olhos me encarando com seriedade. — Mas será que o rei, do alto de seu trono, seria condescendente o suficiente para deixa-la ir? — arqueou uma sobrancelha.
— Nunca! — quase gritei. — Aredhel não pode me deixar. Eu jamais permitiria isso — fui firme.
— Eu já lhe falei uma vez... Aredhel não é um objeto — disse entredentes. — Ela tem vontade própria e vou defender isso! Se ela quiser deixá-lo serei o primeiro a apoiá-la! — vociferou.
— Não… Você não pode… — rebati aflito.
— Pode apostar que eu irei… Você não a merece! Vocês dois são cegos... — riu com amargura. — Você por não ver o quanto ela o ama e ela por lhe amar cegamente… — meneou a cabeça.
— Você gosta dela... — murmurei e novamente vi nos olhos dele algo que não consegui identificar, antes dele desviar o olhar. Isso só me fez ter mais certeza. — É isso! Você a ama! Claro! Como pude ser cego? Sempre fingiu ser apenas amigo, mas tem interesse nela! — rosnei.
— Eu gosto dela, mas não dessa maneira — ele disse cabisbaixo. — E mesmo que tivesse algum interesse por ela, além de nossa amizade, ela jamais olharia para mim — encarou-me novamente. — Ela ama você. Não enxerga nada além de você. Mas dessa vez eu torço que, para o bem dela mesma, ela deixe a razão falar mais alto que a emoção e o deixe! — afirmou.
— O quê? O melhor para ela seria me deixar? — estrilei. — E ainda diz que não tem interesse nela? — gritei furioso.
— Sua reação só prova o quanto estou certo — não recuou. — Loki, falo isso para o bem dela. Você continua agindo possessivamente. Você a machuca. Quantas vezes você vai machucá-la e querer matá-la antes de perceber que você tem que mudar? Você não quer nem dar a liberdade a ela de decidir sobre o próprio destino! — trincou os dentes com raiva. — Dê a ela a chance de ser feliz novamente. Deixe-a ir — saiu quase como um pedido.
— Eu não posso — fui sincero. — Eu não posso viver sem ela. Eu a amo demais… Mais do que a mim mesmo…
— “Se você ama alguma coisa ou alguém, deixe que parta. Se voltar é porque é seu, se não é porque jamais seria” — falou entristecido. — Se você realmente a ama, a deixará ir. E se ela escolher ficar ao seu lado, mude, porque se ela lhe der outra chance, creio que será a última. Não cometa o mesmo erro de novo — em seguida se retirou do quarto batendo a porta.
Fiquei sem reação. Olhei para Aredhel e senti meus olhos se encherem de lágrimas. James tinha razão. Eu havia feito tanto mal a mulher que dizia amar. Foram tantas agressões, físicas e verbais. Se eu não me esforçasse para mudar, por quanto tempo ainda Aredhel suportaria? E se dessa vez ela não me perdoasse? Afinal, foi bem mais que agressão, eu a matei. Ainda que tivesse sido um acidente...
Perguntei-me o que faria se ela quisesse me deixar. Antes dela perder a memória, eu diria que ignoraria sua vontade e a manteria a força ao meu lado. Entretanto ainda me lembrava do quanto ela chegou a me odiar quando a tranquei no quarto. Não queria vê-la daquele jeito novamente. Não suportaria ouvi-la ver aquele olhar, ouvir aquelas palavras... O que adiantaria tê-la ao me lado se ela me odiasse?
Deixei Aredhel dormindo no quarto e fui para os jardins. Precisava pensar sobre tudo o que aconteceu e sobre o que faria. Depois de um longo tempo caminhando e remoendo o passado, vi que não tinha saída.
Eu a amava e precisava dela para viver, mas não suportaria vê-la infeliz. Se ela quisesse ser livre eu daria a ela essa liberdade, mas faria tudo para reconquistá-la. Não desistiria de Aredhel tão facilmente. James podia ter dito que não tinha interesse nela, mas aquilo não me convenceu. Se ele realmente tivesse, jamais admitiria, pois sabia que a vida dele estaria em risco. Mas mesmo que realmente não tivesse, ainda assim ele seria uma ameaça.
Graças à nossa semelhança, ele se tornara uma ameaça real. Ele estava sempre próximo, tinha a confiança e o carinho dela. Carinho esse que um dia poderia se transformar em outro tipo de amor. Um dia Aredhel poderia acordar e pensar em tudo que teria se escolhesse outro. Eum homem com a mesma aparência e com personalidade oposta poderia ser tentador demais. Quem não compararia as opções que tinha se se sentisse sufocada por uma delas?Ele poderia vir a ser uma sombra sobre nós.
Não podia deixar que isso acontecesse. Eu não deixaria o caminho livre para James ou outro conquistar Aredhel.
Quando retornei ao quarto Aredhel ainda dormia. Pensando que ela dormiria pela noite inteira, segui para o banheiro a fim de me preparar para dormir.
Ao sair do banheiro, vi Aredhel se sentar com dificuldade na cama. Parei na porta e fiquei observando, não parecia ter notado minha presença. Ela olhou para os braços e para as pernas enfaixadas com um semblante triste. Colocou os pés para fora da cama e com dificuldade se levantou. Caminhou lentamente com uma expressão de dor no rosto. Senti meu estômago revirar. Era o responsável pelo sofrimento dela.
Ela chegou à frente do espelho e levantou o vestido. Passou as mãos sobre o ventre e pareceu surpresa. Imaginei que procurava a marca do ferimento mortal. Cerrei os olhos com força e quando os abri, vi que ela tinha sevirado de costa. Deu um suspiro triste ao observas asdemais faixas. Aproximou-se do espelho e passou os dedos pelos hematomas do pescoço. Desolado vi Aredhel abaixar a cabeça e começar a chorar baixinho. Aquilo me cortou o coração. Senti-me desconsoladamente culpado.
Desesperado, entrei no quarto e ela se assustou. Deu alguns passos para trás, tropeçou e caiu sentada no chão. Eu me aproximei silenciosamente dela e ajoelhei-me ao seu lado. Estendi as mãos para carregá-la, mas ela fechou os olhos e encolheu-se.
— Não me machuque... Por favor... — disse em quase em um sussurro.
Congelei. Fiquei ali com as mãos estendidas a olhando boquiaberto, paralisado. Senti um aperto no peito. Era a primeira vez que via Aredhel com medo de mim.
— E-eu... N–não... N-não o-o beijei... Eu J-juro. E-eu n-nunca... Te... T-te t-traí... — gaguejou baixinho com lágrimas escorrendo por sua bochecha.
Fechei os olhos tentando conter a tristeza que ameaçava transbordar de dentro de mim.
— Eu sei Aredhel... — murmurei com a voz embargada.
Eu passei as mãos por baixo de suas pernas e braços e a senti estremecer. Definitivamente, ela estava com medo de mim. Carreguei-a e a coloquei na cama. As ataduras de seus pés estavam novamente se tingindo de vermelho. Peguei ataduras novas na mesa ao lado e comecei a retirar as que estavam nos pés dela, enquanto ela observava tudo calada.
— Aredhel, acredito que você não se lembra de tudo o que aconteceu naquela noite — comecei, após criar coragem. — Eu sei que Thor lhe beijou a força. Sei que nunca me traiu. Ele lhe beijou porque estava sob o controle de Thanos. Ele queria que Thor roubasse as Gems, libertasse Lorelei e me matasse — expliquei resumidamente. — Quero que saiba que eu me arrependo amargamente por ter pensando que você havia me traído — confessei com amargura.
Aredhel fitava as mãos e ouvia tudo silenciosamente de cabeça baixa.
— Eu nunca deveria ter duvidado de se seu amor. Jamais me perdoarei por tê-la machucado — olhei para seus pés e pernas —, por tê-la estrangulado — senti as lágrimas descerem por meu rosto — e por tê-la matado.
Ela ergueu a cabeça e fitou-me chocada.
— Você morreu e por um milagre, ainda não muito claro, voltou à vida — revelei.
Aredhel, franziu o cenho e me olhou confusa. Terminei de fazer o curativo nos pés e sentei-me na poltrona ao lado da cama. Entendia que ela tentava absorver o que eu dizia, mas o silêncio dela era uma tortura.
— Sei que o que fiz não tem perdão — respirava pesadamente tentando me controlar. — Eu vou entender se você quiser me deixar. E digo que você tem a liberdade para ir, se assim o quiser... — ela me encarou aturdida. — Só peço que entenda que não posso deixar que leve nossos filhos para longe. Eles são meus herdeiros e possuem habilidades que seriam perigosas demais para o convívio com os midgardians. Sabes que eles jamais se adaptariam a viver como crianças comuns. Além disso, ir para Midgard nesse momento seria perigoso para você e para eles. Você pode continuar vivendo em Asgard em uma casa na vila ou aqui mesmo no palácio, se assim quiser. Nada lhe faltaria. Prometo não interferir mais em sua vida, lhe tocar ou me aproximar de você, se assim desejar — falei em meio às lágrimas. — Não precisaria nem falar comigo. Poderia fingir que eu nem existia…
Ela ficou boquiaberta, parecia chocada com o que eu estava falando.
— Mas antes que tome qualquer decisão — continuei —, peço que pense. Eu nunca encontrarei palavras para dizer como me sinto, Aredhel. Simples palavras não poderiam explicar meu amor por você e como seria prosseguir sem você ao meu lado. Sem você minha vida não tem significado ou rima… É como notas para uma música tocada fora do tempo correto... — respirei fundo. — Você criou tudo o que eu sou hoje. Essa versão minha... Apoiou-me quando estava inseguro, devolveu meu orgulho. Ao seu lado sempre tive uma amiga. Alguém com quem eu sempre pude contar e que esteve ao meu lado quando precisei. Só você acreditou em mim nos bons e maus momentos. Principalmente nos maus... Somente você tem fé em mim — encarei-a. — Você é minha amiga e meu precioso amor. Ensinou-me a viver novamente. Com a sua morte, eu percebi que você tem a minha vida em suas mãos. Você é quem escolhi para trilharmos um caminho juntos. E sei que sem você, eu não vou conseguir. Eu não estou pedindo por uma segunda chance... Estou implorando... Gritando com toda minha voz... — dei um soluço. — Por favor, me perdoe Aredhel. Não me deixe... Eu lhe imploro... — levantei-me em seguida.
Senti seus dedos tocarem minha mão, mas não tive coragem de encará-la e ouvir uma resposta negativa. Ouvi-a sussurrar algo, mas não entendi. Deixei o quarto rapidamente. Encontrei James do lado de fora, no corredor. Ele me olhou de cima a baixo.
— O que houve? — perguntou preocupado. — Aredhel? — alarmou-se.
— Eu fiz o que você queria! — rosnei. — Ela é livre para partir — revelei com violência.
Ele abriu a boca espantado e empurrei-o de leve, tirando-o do meu caminho e segui para o salão do trono. Estava desconsolado e aflito. Temia que Aredhel nunca me perdoasse. E pensando em tudo o que aconteceu, eu mesmo jamais o faria. Fiquei por um longo tempo sozinho, sendo consumido pelo medo e remorso. Pouco antes da meia-noite James apareceu.
— Loki, Aredhel quer falar com você — declarou impassível. — Ela queria vir aqui, mas eu não deixei. Os pés dela ainda estão muito machucados — falou com tristeza.
— Ela falou algo? — perguntei ansioso.
— Vá vê-la, Loki — insistiu com um semblante sério.
Fui para o quarto e Aredhel estava sentada na cama. Ela me viu e deu um tapinha na cama pedindo para que eu sentasse ao seu lado. A expressão em seu rosto nada revelava. Sem opção, me sentei ao seu lado. De repente ela me abraçou e começou a chorar.
— Aredhel? O que houve? — perguntei assustado.
Ela não respondeu e continuou chorando. Aquilo me deixou mais angustiado do que eu já estava. Perguntava-me se ela não tinha coragem de dizer que ia me abandonar. Com uma das mãos eu ergui o seu rosto fazendo-a me encarar.
— Diga, Aredhel... Pode dizer a verdade — pedi, resignado.
— Eu.. E-eu t-te amo... N-não... N-não posso viver l-lon… L-longe de você... — soluçava.
— Então você me perdoa? — indaguei incrédulo. — Vai me dar outra chance? — encarava-a pasmo.
— E-eu... E-eu te p-perdoo... S-sim... — deu um sorriso fraco em meio as lágrimas.
Puxei-a pela nuca e a beijei nos lábios. Meus braços desceram inadvertidamente por suas costas e a abracei apertado. Ela deu um gemido alto, se afastando instintivamente. A emoção era tanta que me esqueci de seus ferimentos nas costas.
— Desculpe-me, meu amor... — murmurei com pesar.
Antes que ela pudesse dizer algo, Váli entrou no quarto com Narfi no colo, sendo seguido por Hela.
— Mamãe! — exclamaram os dois mais velhos e correram na direção dela.
— Meus bebês! — Aredhel abriu os braços para recebê-los.
Ela apanhou Narfi dos braços de Váli e ele e Hela pularam na cama. Logo Os dois três estavam chorando, enquanto Narfi observava tudo sem entender e perguntava com aquela sua fala de bebê o porquê das lágrimas. Eu mesmo me vi derramando as minhas. A cena toda parecia irreal. Boa demais para ser verdade.
E foi assim que passamos a primeira noite do resto de nossas vidas… Nos apertamos e dormimos todos juntos. Ninguém queria ficar longe de Aredhel.
Na manhã seguinte, quando despertei as crianças já tinham deixado o quarto e Aredhel já estava acordada.
— Bom dia, Loki… — ela sorriu para mim o sorriso que eu amava e que pensei que jamais veria novamente.
Se aquilo era um sonho, eu jamais queria acordar.
— Bom dia, Aredhel… — respondi, me inclinando na sua direção.
Eu a abracei com cuidado e a beijei apaixonadamente. Como senti falta daqueles lábios. Os quais cheguei acreditar que nunca mais meus lábios tocariam. Era tão bom sentir o calor dela, ouvir seu coração batendo acelerado, tê-la em meus braços.
Separei-me dela para observar melhor seu rosto. Depois que ela acordara daquele sono que teria sido eterno, eu mal olhara para ela. A culpa não me deixou encará-la. Acariciei seu rosto enquanto sorria maravilhado. Parecia que somente naquele momento eu tomara a consciência de que era real. Aredhel estava viva.
— Eu te amo tanto, Aredhel... Fiquei tão desesperado quando te perdi... — murmurei sentindo as lágrimas rolarem por meu rosto.
— Também te amo... Você não me perdeu... — puxou minha mão e a beijou. — Eu estou aqui... — sorriu.
Voltei a beijá-la. Era um beijo sôfrego. Cheio de necessidade. Um desejo de preencher o vazio que senti quando pensei que tinha a perdido para sempre. A dor que eu senti recentemente aos poucos foi se dissipando. Tudo que eu sentia era felicidade. O amor da minha vida estava comigo novamente. Aredhel entregou-se em meus braços. Passava seus dedos delicadamente por meu rosto e nuca. Comecei a beijar seu queixo e ao chegar ao seu pescoço, senti algo afundar em meu peito. As marcas de meus dedos estavam lá. Afastei-me dela envergonhado.
— Eu não posso... — murmurei.
— O que houve, amor? — ela perguntou confusa, passando uma das mãos por meu rosto.
Olhei para as mãos dela e em seguida para a extensão de seu braço coberto pelas atadura. Ela percebeu para onde eu olhava, franziu o cenho e baixou os olhos.
— Eu sei que estou feia... Mas não doem mais e não ficarão cicatrizes... — disse baixinho.
Ela pensava que eu a rejeitara porque estava com marcas no corpo. Isso só me fez me sentir mais culpado ainda. Ergui seu rosto.
— Não, Aredhel! Isso não importa! Não me importaria nem que você ficasse com cicatrizes! Eu te amaria do mesmo jeito! Sua aparência não é o importante! — falei desesperado. — Eu não consigo porque me sinto culpado! — confessei. — Essas marcas não foram causadas por outra pessoa… Foram feitas por mim...
— Eu vou ficar bem… Elas vão sumir… — murmurou me abraçando e dando-me um beijo. — Por favor, vamos esquecer isso… Eu já lhe perdoei pelo que aconteceu. O importante é que estou aqui… Deixemos o passado no passado. Não deixe que isso assombre nosso amor — pediu fitando-me nos olhos.
Ela me puxou novamente para um beijo. Beijou-me com ternura e deslizou os dedos por meus cabelos,provocando um arrepio que desceu por toda minha costa. Os lábios dela desceram por meu pescoço e ela se afastou um pouco, apenas para sorrir para mim.Eu conhecia bem aquele sorriso. Era a forma dela me encorajar a prosseguir. Beijei-a novamente e em seguida fui descendo por seu rosto ebeijei as marcas que havia deixado nela. Eu a beijaria intensamente até que com meus lábios eu pudesse apagar aquelas marcas que fiz no corpo dela e em sua alma.
Era maravilhoso voltar a sentir o cheiro dela misturado com jasmim. Seu perfume não seria mais algo que me assombraria e sim meu motivo de alegria.
— Eu te amo e vou te amar sempre... — sussurrou em meu ouvido com a voz entrecortada.
— Eu também te amo, Aredhel — sussurrei de volta. — Para sempre e sempre...
Tirei minha roupa e Aredhel tirou o vestido. Ela soltou a ponta da atadura que estava enrolada sobre seus seios e que cobria as costas. Eu a ajudei a desenrolá-la. Depois tirei as ataduras de suas pernas e braços. Pareciam ter cicatrizado bem, mas ainda eram visíveis. Ela pareceu ficar incomodada e quis cobri-los novamente, mas não deixei.
— Não, Aredhel. Logo você não terá mais essas marcas, mas eu nunca quero esquecer o quanto mal eu já lhe fiz. Elas vão sumir de seu corpo, mas têm que ficar em minha alma — murmurei com tristeza. — E quero que saiba que te amo do jeito que estiver — sorri emocionado.
Ela deu um sorriso fraco. Fiquei a observando por um tempo e comecei a tocar a sua pele, levemente, com as pontas de meus dedos. Sua pele tão macia, eu já havia me conformado com a ideia de que não teria a oportunidade de tocá-la novamente. Aproximei-me e beijei carinhosamente seus seios, sugando sua pele em alguns pontos. Aredhel gemia baixinho e eu a debrucei carinhosamente sobre a cama. Deslizei meus lábios por seu corpo até chegar a sua intimidade. Demorei-me por um tempo lá, me satisfazendo com os gemidos de prazer que ela dava. Senti uma euforia tomar conta do meu ser. Pensei que não ouviria mais aqueles prazerosos sons. Quando a senti próxima de seu êxtase eu parei e voltei a subir. Penetrei-a lentamente. Temi que nunca mais pudesse tomá-la novamente, então eu queria desfrutar ao máximo daquele momento. Comecei a mover meu quadril de forma lenta.
Aredhel sorriu meigamente para mim e voltei a beijá-la. Eu a beijava desesperadamente, querendo ter certeza de que tudo aquilo era real e não um sonho. Eu tinha minha esposa… Minha Aredhel de volta… Tinha que ser real...
Aos poucos fui aumentando a velocidade do movimento e Aredhel passou a gemer entre meus lábios. Fechei os olhos delirando com o prazer que eu a fazia sentir. Logo ela chegou ao orgasmo e em seguida eu me derramei nela.
Eu tinha recuperado minha felicidade. Eu me sentia renovado. Senti-me abençoado por tê-la de volta.
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