A mulher do meu destino

60 I know, I know we can get through this if we really try


Notas iniciais
*I know, I know we can get through this if we really try = Eu sei, eu sei que nós podemos passar por isso se realmente tentarmos - Trecho da música "It's just love" da Sofia Talvik. Olá!!! Gostaria de agradecer todos os comentários! Obrigada especial a Nina Alves que recomendou a fic!!! XD 11 recomendações!!! o/ Fico feliz de ter agradado a maioria com o capítulo passado. Realmente os dois últimos capítulos foram carregados de emoções.. Mas como diz Scarlett O'Hara, amanhã é um outro dia... Então hoje teremos um capítulo que terá de tudo.. Drama, revelações, Shakespeare, novidades, cenas quentes e prévias do que virá pela frente.. Espero que gostem! Boa leitura..

Recomeço... Essa era a palavra para mim e Aredhel. Como consertar o que não tem conserto? Como desfazer todo mal feito? Se eu pudesse pegar de volta toda a dor que causei, eu pegaria. Se eu pudesse refazer cada passo errado que dei, eu refaria. Mas nem reunindo todas as Infinity Gems eu poderia desfazer o que fora feito. Talvez até existisse uma forma de quebrar o paradoxo temporal da Gem do Tempo, de voltar para o passado e desfazer todo o mal, mas ainda assim não mudaria alguns fatos... Ninguém se lembraria do ocorrido, mas eu sim. Eu sempre saberia o que tinha feito… Sempre recordaria daquela cena: Aredhel morta em meus braços.

Não se pode fugir da verdade. Ela podia ter me perdoado, mas eu jamais me perdoaria. Nada seria como já fora um dia.

Eu nunca tive a intenção de machucá-la. Tudo o que eu sempre quis foi amá-la. Quando a puxei pelo braço, peguei o braço errado. No momento a empurrei em direção ao espelho, em meio a raiva, não medi a força. Eu nem mesmo recordava de haver um espelho lá. Quando a ergui do chão pelo pescoço, deixando–me levar pela ira por alguns segundos, mas nunca desejei matá-la. E jamais imaginei que ela se teletransportaria para minha frente naquele instante. Naquele momento de ódio, mesmo acreditando que ela havia me traído, eu não queria machucá-la e muito menos matá-la. E mesmo que tudo aquilo ainda fosse verdade, eu nunca teria coragem de lhe desejar algum mal. Sempre tive a certeza de que eu jamais levantaria a mão para Aredhel, mas no final eu a machuquei do mesmo jeito.

A obsessão que nasceu de minha necessidade de tê-la ao meu lado, para o resto da vida, virou um monstro. No começo era um animalzinho inofensivo que começou sendo alimentado pelo desejo de prolongar a vida de Aredhel, mas depois passou a se alimentar de meu medo. Medo de que a vida, o destino ou a morte a tirassem de mim. Medo esse que ficou maior que o amor que sentia por ela. O medo também mata e destrói.

A redoma que construí ao redor de Aredhel a isolou, reprimiu, sufocou e, por fim, partiu-se em pedaços e caiu sobre ela. O vaso com a minha rosa da redoma, tinha caído no chão e se espatifado. A rosa se salvou por puro milagre... Eu não queria lhe causar dor, mas a culpa do acidente foi minha. O lugar da rosa era no jardim, livre e não presa em um vaso sob a ilusória proteção de uma redoma.

Demorei muito para entender que tudo o que tinha que fazer era confiar. Crer no amor de Aredhel por mim e deixá-la livre. A liberdade dela a manteria a salvo e feliz. E o amor que ela sentia, sempre a faria voltar para mim no final do dia. Era assim que deveria ter sido desde o começo e assim que seria dali em diante.

Jane e Thor fizeram as pazes. Jane o perdoou pelas palavras duras que proferiu a ela quando estava sob o domínio de Thanos. Estranhamente, Thor não se lembrava de tudo que Thanos o obrigou a fazer. Descobriu que ele fora rude com os amigos de Jane e Selvig. Ele também não lembrava de algumas coisas que falara comigo e com Aredhel.

Eles retornaram a Midgard depois de dois dias. Antes de partirem, Jane tomou uma importante decisão: ela comeu a maçã. Ela e Aredhel conversaram muito em uma tarde e, depois dessa conversa, Jane deu a boa notícia a Thor. Eles se casariam em dois meses, pois Jane havia aceitado a proposta de casamento de Thor. O casamento seria em Midgard. Aredhel e eu seríamos os padrinhos que, segundo Aredhel me explicou, era um costume dos casamentos de Midgard.

Sif nem imaginava o que estava acontecendo. Ela, Fandral, Volstagg e Hogun ainda estavam à procura de Lorelei e Amora. As últimas notícias trazidas por um guarda mensageiro era de que tinham partido para a Midgard da outra realidade. Pelo que aconteceu à Aredhel, resolvi deixar a missão nas mãos deles e adiar meu plano de me vingar de Thanos. Quanto a William, eu ainda não havia falado para Aredhel. Resolvi esperar passar alguns dias. Queria poupá-la de mais um desgosto. James concordou e também não tocou no assunto com ela.

O ator continuou conosco. Ele mais do que nunca passou a acompanhar Aredhel onde quer que ela fosse. Parecia um cão de guarda. Seria hipocrisia minha se eu dissesse que não sentia ciúmes e que isso não me preocupava. Mas minha posição em relação à Aredhel e seus relacionamentos era definitiva. Eu não interferiria mais em sua felicidade.

Eu os observava juntos, sempre unidos e cúmplices. Ele a fazia sorrir… Pegava-me pensando na possibilidade deles se apaixonarem. O que poderia fazer se isso acontecesse? Nada… Poderia controlar o universo ao redor de Aredhel, menos seu coração…

Sentia o ciúme latejar dentro de mim, mas o medo de repetir o meu maior pesadelo era mais forte que tudo. O medo do monstro que habitava em mim agora era maior que o medo de perdê-la. Eu a amava e havia aprendido, às duras penas, que a felicidade dela era o que realmente importava para mim. James estava certo, Aredhel não me pertencia, ela se doava a mim. E o dia em que não me quisesse mais, eu nada poderia fazer a esse respeito.

Quanto a mim e Aredhel, seguíamos juntando nossos pedaços. Em três dias as marcas desapareceram de seu corpo, mas não de minha alma. Ela parecia preferir ignorar o ocorrido, mas eu não conseguia fazer o mesmo. Não havia um dia em que eu acordasse e não a encarasse pedindo perdão com o olhar.

— Até quando vai me olhar assim? — perguntou-me irritada um dia desses — Foi um acidente! Você não queria me machucar e muito menos me matar. Eu que me teletransportei errado — bufou frustrada.

Eu não respondi, apenas continuei olhando para ela. Ela deu um suspiro e aproximou-se de mim.

— “Amar é nunca ter que pedir perdão”. E mesmo assim eu já te perdoei — disse dando-me um sorriso meigo.

— Acho que sua interpretação está errada... — não me contive. — Acredito que o significado dessa frase seria que amar é nunca ter que pedir perdão, porque quem ama alguém não machuca ou magoa essa pessoa…. Por isso nunca vai precisar pedir perdão... — expliquei. — Como fui acreditar que você tinha me traído? Como pude ter feito aquilo? Eu te amo tanto... — murmurei com tristeza, enquanto passava os dedos por seu rosto.

Seu sorriso murchou. Ela fitou o chão por algum tempo e depois voltou a falar.

— Ninguém é perfeito, Loki… — deu um suspiro. — Todo mundo comete erros. O importante é aprender com eles — franziu a testa e me encarou. — “O amor só é amor, se não se dobra a obstáculos e não se curva a vicissitudes. É uma marca eterna. Que sofre tempestades sem nunca se abalar”. Eu sei que nós podemos superar isso se realmente nós tentarmos — deu um sorriso torto.

— James me falou a mesma frase uma vez. Quantas tempestades nosso amor poderá suportar? O quanto o seu amor por mim pode suportar? — indaguei com amargura.

— Quantas vierem — foi firme. — É assim que a vida é... Uma tempestade atrás da outra. Como eu já lhe falei uma vez, o importante não é bater de volta, mas sim o quanto conseguimos apanhar e seguir adiante — insistiu.

Passado alguns dias, em uma manhã, estávamos reunidos no jardim Aredhel, James, as crianças e eu. James e eu nos entretínhamos lendo, sentados nas cadeiras do jardim à sombra de uma árvore, enquanto Aredhel brincava com as crianças.

— Quando pretende ir embora? — perguntei a ele.

— Ainda não sei. Por quê? — indagou me fitando seriamente.

— Não precisa me olhar assim — ri sem humor. — Na verdade eu intencionava pedir que ficasse por mais tempo — confessei meio contrariado.

Ele me olhou boquiaberto, mas logo se recuperou.

— Pensei que minha presença e proximidade de Aredhel o incomodassem — disse desconfiado, fechando o livro e cruzando os braços.

— E incomoda — afirmei. — Mas sei que quando você partir, ela ficará triste. E tudo o que não quero é vê-la assim... — murmurei. — Ela ainda não sabe sobre o irmão e isso será outro golpe duro para ela — suspirei.

— Eu sei — fez um muxoxo —, mas não se preocupe. Não pretendo ir logo. Estarei aqui quando tivermos essa conversa com ela — franziu o cenho e me encarou. — Você anda tão estranho. Você nunca vai se perdoar, não é? — encarou-me apenado.

Era só o que me faltava… Vê-lo sentir pena de mim.

— Não… — admiti. — Mas pensei que seus olhares e a maneira como cerca Aredhel fosse para mim sempre me lembrar do que fiz.

— Não me entenda mal… — meneou a cabeça. — Reconheço o que sente por ela. Sou testemunha de que a ama... Sei que você não tinha a intenção de fazer mal a ela. Também sei que não quis machucá-la e muito menos matá-la. Contudo, receio que volte a cair no mesmo erro. Não quero que isso se repita… Tudo que eu não quero é vê-la machucada de novo — disse com um semblante triste.

Um breve silêncio se fez entre nós.

— O que ela lhe falou naquele dia? — mudei de assunto. — Como ela se sente a respeito de tudo o que aconteceu? — perguntei meio aflito.

— Vocês não conversaram sobre isso? — pareceu confuso.

— Conversamos, mas… — olhei na direção dela — ...não tenho certeza de que ela me falou tudo. Temo que tenha ocultado algo por receio de me deixar mal.

— Bom... — ajeitou-se na cadeira. — Ela contou que quando acordou ela não lembrava claramente o que tinha acontecido. Disse que tinha flashes da festa, de Thor ter agarrado ela de repente e a beijado a força. Depois que viu as ataduras, lembrou-se de tudo o que ocorreu depois, mas não lembrava nada do que tinha acontecido depois que você a atingiu com a lança. Ela pensava que você ainda acreditava que ela tinha lhe traído. Quando ela lhe viu no quarto ela ficou assustada e realmente pensou que você ainda a culpava — crispou os lábios.

— É... Ela me falou isso. Por isso estava com medo de mim — dei um suspiro triste.

— Ela disse que ficou chocada quando você disse que ela tinha morrido. E que ficou mais surpresa ainda quando você começou a falar que entenderia se ela quisesse te deixar. Segundo me contou, ela ficou confusa com o que você dizia. Disse que de início não compreendia por que você se sentia tão culpado. Ela falou que tentou falar com você, mas você saiu apressado do quarto — explicou.

— Fiquei com receio da resposta dela. Eu não tinha coragem de encará-la.

— Ela ficou sozinha por um tempo e, relembrando o que aconteceu, começou a entender como você se sentia — ficou pensativo. — Ela não te culpou nenhum momento por tê-la machucado, mas ficou muito magoada por você ter acreditado que ela tinha te traído. Ela disse que o que mais doeu nela foi a maneira que você olhou para ela — comentou olhando na direção dela. — Eu fui vê-la e conversamos sobre tudo o que ocorreu, inclusive depois da morte dela. Ela ficou muito abalada ao saber o quanto você se culpava e como você ficou durante o tempo em que ela esteve morta. Foi então que ela me pediu que lhe chamasse — encarou as próprias mãos.

— Sim… — anuí. — Aredhel disse que não esquece que eu a olhei com ódio e quase nojo. Como eu me arrependo de ter desconfiado dela — comentei amargurado.

— Mas você a deixaria ir mesmo? — encarou-me de repente.

— Deixaria… — confirmei. — Mesmo que isso me matasse. Eu só quero vê-la feliz.

Algo perpassou pelos olhos dele, mas não consegui identificar o que seria.

— Loki… — ele começou muito sério. — Não faça promessas que não possa cumprir...

— Faria qualquer coisa por ela… — afirmei entredentes. — Até mesmo aceitar que ela se apaixonasse por outro — fui sincero.

James me fitou perplexo. Eu o encarei de volta inexpressivamente. Ele prendeu a respiração e vi uma dúvida pairar no seu pestanejar de olhos.

— Mesmo que esse outro fosse você… — completei.

O outro refolegou e deu um pigarro, ficando rubro.

— Loki, e-eu e Aredhel somos apenas... — começou a falar todo nervoso.

— Eu não estou insinuando nada — eu o interrompi. — Eu apenas estou sendo sincero. Estou disposto a fazer tudo para vê-la feliz, mesmo que isso me faça infeliz para o resto da vida — murmurei.

O ator me encarou pensativo por alguns instantes.

— Você não viveria longe dela por muito tempo… — murmurou com um olhar distante. — Assim como ela jamais o deixaria… — franziu o cenho.

— Acha mesmo que ela nunca me deixaria? — indaguei inseguro.

— Não se preocupe… — ele baixou os olhos e deu um sorriso torto. — Aredhel o ama… Desesperadamente… — meneou a cabeça e voltou a me encarar. — "Amor quando é amor não definha. E até o final das eras há de aumentar. Mas se o que eu digo for erro. E o meu engano for provado. Então eu nunca terei escrito. Ou nunca ninguém terá amado" — sorriu e deu um suspiro.

— Eu sei... Confio no amor que ela sente por mim — sorri de leve. — Tenho que confiar… É tudo que tenho...

Aredhel aproximou-se de nós e sentou-se em meu colo. Deu-me um beijo rápido nos lábios. Olhei-a nos olhos e acariciei seu rosto.

— “O verdadeiro nome do amor é cativeiro” — sorri para ela. — “É estar-se preso por vontade...” Eu sou prisioneiro de seu amor — confessei.

— “Pobre é o amor que pode ser descrito” — riu James, apanhando o livro novamente.

— Verdade — concordei.

— Shakespeare, Camões... Vocês estão inspirados hoje, hein? — riu Aredhel.

Dias depois eu estava ocupado quando um guarda entrou no salão.

— Majestade, a rainha solicita sua presença na sala de cura — anunciou, fazendo uma mesura.

Assustado, segui às pressas para a sala de cura. Ao entrar na sala vi Hela deitada. Ela suava frio e estava muito pálida. Váli, Siegfried e Sigrid pareciam aflitos e Aredhel chorava copiosamente.

— Loki! — ela correu assim que me viu. — A-aconteceu... Um... U-um acidente com as crianças... — soluçava nervosa.

— Aredhel… — pus as mãos sobre seus ombros. — O que houve com Hela? — perguntei preocupado.

— Eu... Eu... De...De... — gaguejava às lágrimas.

— Aredhel, pare de gaguejar — abracei-a. — Tente se acalmar — encarei-a.

— Hela e Narfi estavam brincando com algumas plantas e acabaram se envenenando — falou James rapidamente.

— Onde está Narfi? — indaguei com o desespero palpável na voz.

— O príncipe está bem — disse Ada aturdida apontando para a cama mais ao fundo da sala — Ele só está febril como sempre. De resto está gozando de excelente saúde. Ele estranhamente não tem sinais de envenenamento, apesar de ter chegado aqui com a boca cheia de folhas. Talvez não tenha ingerido nenhuma afinal — pareceu confusa.

— E quanto a Hela?

— Majestade… Digamos que o estado da princesa é um verdadeiro milagre... A planta que ingeriram é extremamente venenosa. Ela geralmente mata poucos minutos depois de ingerida.

Aredhel soluçou alto.

— Pelos deuses… Ela ficará bem? – perguntei angustiado.

— Acredito que sim… De repente ela comeu poucas folhas ou cuspiu — ergueu os ombros. — De qualquer forma, segundo a forja de almas, o corpo dela está reagindo em uma velocidade espantosa. Ficará boa em uma semana no máximo. Ela está fora de perigo, mas creio que ainda sofrerá com alguns efeitos do veneno — apontou na direção do leito. — A febre, calafrios e alucinações devem durar alguns dias. Lamento não poder ser mais precisa, mas é que se trata de uma situação inédita. O príncipe e a princesa… Eles deveriam…

— Deveriam estar mortos… — completei o que ela tinha dificuldade em verbalizar.

Ela e Eir trocaram olhares e balançaram a cabeça em afirmativa. Aredhel carregou Narfi nos braços e o abraçou apertado. Depois se aproximou da filha e passou a mão pelos cabelos de Hela e rompeu em soluços.

— Se Hela prestasse mais atenção nas aulas do professor Henrike, teria reconhecido que essa não era comestível — comentou Váli.

— Ela comeu porque eu comi. Não me fez mal — falou Narfi fazendo beicinho.

— Então você comeu mesmo? — encarei o caçula, pasmo.

— Uhum… — afirmou calmamente.

— É... É... T-tudo... C-culpa... M-minha... E-eu m-me dis... D-distraí e não... N-não vi quando se... Afastaram-se... Eu... Eu... — debulhava-se Aredhel.

— Não chore, mamãe... — murmurou Narfi afagando com sua mãozinha o rosto dela.

— Aredhel, acalme-se — tentei tranquiliza-la. — Ambos não correm perigo. Hela vai ficar boa logo.

Apesar de ter ficado aliviado de Narfi não ter se envenenado e por Hela mostrar rápida recuperação, fiquei muito surpreso. Sabia do poder que meus filhos tinham, mas não imaginei que teriam tamanha resistência. Embora o veneno matasse, Hela estava fora de perigo e se recuperava velozmente. Narfi, por sua vez, comera da planta, porém nada sofrera. Só estava febril! Estar febril não era uma novidade para nós. Desde recém-nascido, Narfi sempre teve sua temperatura um pouco acima do normal. Apesar de febril, nunca pareceu estar doente ou algo parecido. Na época pensei que fosse isso a origem das febres de Aredhel durante a gravidez. Cada um de nossos filhos possuía características muito peculiares e que revelavam à medida que iam crescendo. Parecia que Narfi tinha uma notável resistência a venenos.

Aredhel não saía do lado da filha e afirmou que cuidaria de Hela durante a noite. Ofereci-me para lhe fazer companhia, mas ela recusou. Disse que eu precisava trabalhar no dia seguinte e que ela poderia cuidar da menina sozinha. Muito contrariado, concordei. Fui dormir muito preocupado com as duas. Com Hela pelo sofrimento e Aredhel porque eu sabia que ela estava se sentindo muito culpada. Não quis nem jantar. De madrugada acordei com Greta batendo à porta do quarto.

— Majestade, sua filha está descontrolada. A princesa está tendo alucinações e atacou a rainha — disse afobada.

Saí correndo em direção ao quarto de Hela. Ao chegar ao quarto vi minha filha encolhida em um canto e Aredhel caída de bruços no chão. Pensei no pior. Ajoelhei-me ao lado de minha esposa e a virei. Ela estava com um inchaço na testa e com o nariz sangrando, mas respirava. Gritei chamando por ajuda.

— O que houve? — perguntou James chegando à porta do quarto. — Aredhel? Hela? — assustou-se.

Ele entrou no quarto e ia em direção a Hela.

— Não! Não toque nela! — gritei e ele parou. — Pegue Aredhel! Eu levo a menina! — precipitei-me na direção de Hela.

James carregou Aredhel e eu peguei Hela nos braços. Minha filha estava catatônica. Levamos as duas para a sala de cura e ambas foram prontamente atendidas. Logo Aredhel acordou.

— Acredito que as alucinações e esse estado catatônico de vossa alteza, são sintomas do próprio envenenamento — falou Ada.

— A princesa continua metabolizando o veneno em uma velocidade absurda — comentou Eir aturdida. — Creio que os sintomas apenas durem mais uma semana.

— E você, meu amor? — dirigi-me a Aredhel. — Está tudo bem? E esse inchaço na cabeça? E o nariz?

— Estou bem. Eu acho que bati a cabeça e o nariz quando desmaiei — murmurou entristecida.

— A vossa esposa ficará bem. Não foi nada grave. O nariz está meio inchado, mas ela não o quebrou — explicou Ada.

Fomos para o nosso quarto e levamos Hela conosco. Aredhel queria continuar ao lado da filha, então achei mais seguro que ficasse perto de mim. Eu acomodei nossa filha na cama e sentamos ao seu lado. Aredhel encolheu-se em meus braços e fiquei fazendo carinho em seus cabelos, enquanto ela observava a menina dormindo. Passado algum tempo Aredhel também adormeceu. Fiquei observando as duas dormirem. Hela estava tendo um sono agitado e Aredhel também não parecia dormir em paz. Estava com uma expressão sofrida no rosto. Definitivamente, a vida de minha esposa não era fácil.

Na manhã seguinte Hela continuava tendo febre alta e alucinações. Resolvi ficar com minha mulher e filha. Temia que Hela durante suas crises utilizasse seus poderes contra a mãe. Aredhel não saiu de perto da menina, passou o dia sem comer.

— Aredhel, você tem que comer. Desse jeito vai adoecer também — ralhei.

— Eu não consigo, não sinto fome. Eu... E-eu m-me sinto tão culpada... Sou a mãe deles… Deveria estar atenta a tudo… Como fui me descuidar? — murmurou com lágrimas nos olhos.

— Aredhel... Foi um acidente — beijei sua bochecha. — Vai ficar tudo bem — abracei-a.

— É, mas podia ter custado a vida deles… — fungou.

Os dias que se seguiram foram duros para nós. Aredhel andava nervosa, comia mal e no fim da semana acabou adoecendo. Estava muito fraca, pálida e perdera peso. Eu passei a semana aflito, primeiro por Hela e depois por Aredhel. Um dia James veio falar comigo.

— Loki, eu sei que você não está com cabeça para falar disso, mas o que pretende fazer sobre William? — perguntou.

— Eu ainda não sei, James — fui franco. — Acha que seria conveniente contar a Aredhel sobre isso agora? — perguntei meio cansado.

— Não, na verdade eu sugeriria que você esperasse até o casamento de Thor — mordeu o lábio inferior. — Já se passou mais de um mês, então não acho que seria um problema esperar mais um pouco. Mesmo que ele esteja sob o comando de Thanos, ou esteja sendo obrigado a ajudá-lo, poucas horas se passaram lá. Aredhel está deprimida demais para lidar com a situação. Principalmente se vocês comprovarem que ele está ajudando por vontade própria — parecia preocupado.

— Acho que você tem razão… — anuí. — Aredhel não anda muito bem. Não sei se resistiria ao choque… Fora que ela pode acreditar que ele não está sendo controlado e querer ir salvá-lo — bufei. — Francamente duvido que William esteja sendo obrigado ou controlado. Da última vez que o vi parecia ser o mesmo covarde de sempre. Naquela época ele já mostrou que sabia sobre a Gem do Tempo. E apesar da confusão de causou entre Aredhel e eu, ele se mostrou muito preocupado com ela. Thor, quando estava sob o controle de Thanos, não ligava para ela. Pelo contrário, chegou a insinuar coisas — trinquei os dentes.

— De fato, Thor tratava Aredhel com escárnio — fez uma careta. — Lembro-me de ter comentado isso com você. Na verdade, naquele dia, eu ia comentar algo que talvez tivesse piorado a situação... — disse meio sombrio.

— O quê? — perguntei curioso.

— Eu ia comentar que ele olhava para ela com malícia, desejo — crispou os lábios. — Mas eles chegaram e acabei não comentando. Ainda bem que não comentei. As coisas podiam ter sido pior — franziu o cenho.

— Acho que nada podia ter sido pior do que já foi. Afinal, tudo terminou de forma trágica do mesmo jeito — comentei amargurado.

James se aproximou, deu uma batidinha em meu ombro e deu um sorriso fraco.

— O importante é que hoje ela está viva. Vocês ganharam uma nova chance — sorriu.

— Verdade… — concordei. — O que me preocupa é que ficou muito claro que eles utilizaram a água do lago para acessar essa realidade e agora estão com o Tesseract — lembrei. — E pensar que autorizei deixar a água com a família dela para protegê-los… Mal podia imaginar que eles se voltariam contra ela...

Passado mais alguns dias Hela estava saudável novamente e Aredhel, aos poucos, também se recuperava. Incentivei Aredhel a fazer os preparativos para nossa ida a Midgard para o casamento de Thor e Jane. Ficou combinado que iríamos Aredhel, James, as crianças e eu. Thor também convidara os amigos, mas como estavam na missão de captura de Lorelei e Amora, eles não iriam ao casamento. Segundo minha mulher, os Avengers também estariam presentes na ocasião. Eu achava tudo isso tão estranho, inimigos do passado reunidos em uma festa. Tanta coisa havia mudado nos últimos anos. Eu até mesmo tinha dívidas com Stark.

Nesse meio tempo voltei a treinar com Hela. Tentei fazê-la trazer de volta à vida algumas plantas e insetos, mas não tive sucesso. Ela não conseguia controlar essa habilidade. A menina não trouxe de volta à vida uma flor sequer. Comecei a me perguntar se ela realmente teria essa habilidade, mas só isso explicaria a volta de Aredhel à vida.

A data do casamento se aproximava. Com a chegada do evento Aredhel voltou a se animar. Uma noite entrei no quarto e minha esposa penteava seus cabelos, sentada na cama. Sentei-me ao seu lado e dei um beijo suave em seu pescoço.

— Então? Muito animada com a ida a Midgard? — sorri.

— Sim, mas também estou um pouco preocupada. Ficaremos algum tempo fora de Asgard enquanto Thanos, Lorelei e Amora estão por ai, à solta. Enfim... — deu um suspiro.

— Só ficaremos fora por algumas horas. Heimdall cuidará de tudo em nossa ausência. E eu estarei ao seu lado e das crianças. Além disso, lá estão todos aqueles amiguinhos de Thor, metidos a heróis. Estaremos seguros — tranquilizei-a.

— Você tem razão. Vai ficar tudo bem — sorriu.

— Você está tão cheirosa hoje... — murmurei deslizando meus lábios por seu pescoço.

— E você sempre tarado… — riu.

Eu peguei o pente de suas mãos e o joguei no chão. Depois fui desatando os laços de sua camisola. Deslizei minha mão por seu seio esquerdo, o envolvi com minha mão e o apertei levemente. Ela deu um gemido.

— Aredhel... Você não imagina o poder que tem sobre mim... Você me deixa louco de desejo... — sussurrei em seu ouvido.

— Você também me deixa louca... — aproximou a boca de meu ouvido — ...meu dono... — sussurrou de volta e mordeu minha orelha.

Senti um calafrio percorrer minha espinha. Eu a joguei na cama e abri o resto de sua roupa. Puxei uma de suas pernas e distribuí mordidas até chegar às suas coxas. Depois a agarrei pela cintura e deslizei minha língua por seu ventre e subi até chegar aos seus seios. Sentia Aredhel estremecer enquanto puxava meus cabelos com certa violência. Sorvi e mordi seus mamilos com volúpia. Aredhel se contorcia enquanto dava gemidos altos. Eu estava enlouquecendo de excitação.

— Meu amor, eu não posso esperar mais... — sussurrei, enquanto me livrava da parte de cima de meu traje.

— Eu sou toda sua... — deu um sorriso malicioso.

Abri a calça e a penetrei rapidamente. Aredhel deu quase um grito. Ela cravou as unhas em minhas costas e depois desceu as mãos arranhando toda a extensão delas. Deixei escapar um gemido alto. Comecei a me mover vorazmente, chocando meu quadril com força contra o de Aredhel. Ela gemia alto e franzia o cenho em minha expressão predileta de prazer.

— Amo te ouvir gemer, minha Aredhel... — ofeguei em seus ouvidos.

Continuei naquele ritmo alucinante até alcançarmos nossos orgasmos simultaneamente. Fiquei agarrado a Aredhel tentando recuperar meu fôlego.

— Pronto para outra, meu rei? — perguntou-me de repente com um sorriso lascivo.

— Eu estou sempre pronto... — sorri maliciosamente.

Nós nos amamos mais uma vez e depois adormecemos exaustos.

Chegou o dia tão esperado por Thor. Pela manhã a agitação era grande entre as crianças, todos muito animados com a ideia de visitar Midgard. Aredhel, no entanto, parecia soturna. James e as crianças logo se retiraram da mesa para se prepararem. Fiquei olhando para Aredhel por um tempo meio preocupado. Sentir remorso fazia parte de minha rotina.

— Você vai passar o resto da vida me olhando assim, não é? — indagou meio irritada.

— Eu não posso evitar, Aredhel — respondi vencido.

Ela fechou a cara e continuou comendo.

— Algo errado, meu amor? — questionei meio aflito.

— Não exatamente. Não é nada a respeito do que você está pensando. Estou tentando entender o sonho que tive ontem a noite. Eu infelizmente esqueci boa parte dele quando acordei — comentou com uma expressão de frustração no rosto.

— O que se lembra?

— Eu tenho certeza que sonhei com o Steve e o Nick. Mas tinha outro homem no sonho — fechou os olhos e bufou. — Mas não lembro do conteúdo do sonho — fez uma careta.

— Você deve ter sonhado com o casamento. O Capitão e o Fury foram convidados para o evento — dei de ombros.

— É... Pode ser... — murmurou. — Bom, tudo que sei é que será um dia inesquecível. Finalmente Thor e Jane serão um casal oficialmente. É tão romântico — suspirou toda sorridente.

— De fato. Será um dia bem diferente... — concordei.

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Comentem. *NOTA: A história da Rosa da redoma eu tirei de um capítulo do desenho animado bem antigo do Pequeno Príncipe.