A mulher do meu destino
73 I'd do anything to have her to myself, Just to have her for myself
Notas iniciais
— Alguém pode explicar o que está acontecendo? — disse Thor confuso.
— Aredhel foi para Jotunheim! — respondi entredentes.
— Como assim? Por quê? — espantou-se Jane.
— Ela foi atrás da maçã de Iduna! — rosnei.
— Mas para quê? Para quem? — indagou Thor.
— Para ele! — sibilei apontando para James.
Thor e Jane entreolharam-se aturdidos. James meneava a cabeça negativamente, enquanto passava as mãos pelos cabelos.
— Loki, ela não vai conseguir. — disse Thor seriamente.
— Isso é loucura! Ela vai morrer lá! — disse James desesperado.
— Dessa vez Aredhel passou dos limites! Ela pode iniciar uma guerra e, pior, pode ser morta! — falei furioso – Vou atrás dela. — segui em direção à saída do salão.
— Eu irei com você, irmão. — disse Thor.
— Eu também vou. — falou James.
— E eu também, pai. — disse Váli.
Seguimos rapidamente para a Bifrost. Ao chegarmos lá interroguei Heimdall sobre o paradeiro de Aredhel.
— Heimdall, sabe me dizer se Aredhel está em Jotunheim? — questionei.
— Está. — disse serenamente.
— Eu sabia. — sibilei – Ela está bem? Está ferida? — perguntei preocupado.
— Ela está ótima. Está se saindo muito bem. — Heimdall deu um sorriso.
— O quê? — surpreendi-me.
— Espere. Vou trazê-la de volta. — disse Heimdall calmamente colocando a espada para abrir a Bifrost.
Aredhel surgiu através do portal toda arfante, mas com um sorriso no rosto. Apoiou as mãos sobre os joelhos por alguns segundos para recuperar o fôlego. Olhou ao redor e pareceu ficar meio surpresa com a nossa presença. Ao ver James correu toda sorridente em direção a ele e o abraçou.
— Eu consegui Jimmy! Consegui a maçã para você! — disse conjurando e estendendo a pequena maçã.
Aredhel colocou a maçã na mão dele e James deu um sorriso fraco. Ela apertou sua mão e deu um beijo em seu rosto. Fiquei furioso. Eu estava lívido de raiva e ciúmes. Marchei em direção aos dois e puxei Aredhel pelo braço.
— Você vem comigo! — vociferei.
— Loki, não. — murmurou James — Não brigue com ela. — pediu tentando segurar Aredhel.
Lancei um olhar fulminante a ele. Eu bufava de raiva.
— Está tudo bem, James. – disse Aredhel se colocando entre nós – Eu cuido disso. – falou com tranquilidade.
— James, deixe que eles resolvam esse assunto a sós. — disse Thor segurando James.
— Pai? — Váli franziu o cenho preocupado.
— Você fique com seu tio Thor. – Aredhel falou para Váli.
Segui com Aredhel em direção ao palácio. Nós fizemos o trajeto inteiro em silêncio. Aredhel fitava o chão e mordia os lábios inferiores nervosamente, sabia que estava encrencada. Fiquei remoendo durante o caminho, tudo que poderia ter dado errado com a imprudência de Aredhel. O ciúme que sentia também se apoderava de minha alma.
Abri a porta do quarto com um chute e puxei Aredhel para dentro, fechando a porta em seguida com violência.
— Você tem ideia de que seu ato impensado poderia ter ocasionado, Aredhel? — rosnei.
— Loki.. Eu... — começou a falar.
— Você quase iniciou uma guerra! — interrompi-a — Você foi imprudente! Inconsequente! — avancei sobre ela.
— Não.. Eu planejei tudo.. Eles nem perceberam que eu estive lá.. Não colocaria Asgard em risco e.. — tentou explicar.
— Planejou? Vem planejando há quanto tempo? Hein? — indaguei com raiva.
— Bem, eu.. Eu.. — voltou a falar.
— Você não pensou em mim e nem em seus filhos! — gritei e a agarrei pelos ombros.
— Loki.. Eu pensei sim.. Eu não arriscaria a vida de vocês nunca.. — murmurou.
— Você mentiu para mim! — berrei.
— Eu.. Eu.. Sinto.. Muito.. Eu.. Não.. — gaguejou.
— Eu odeio quando você mente para mim. — disse entredentes — E tudo por que? Por ele! — gritei e me afastei dela.
— O quê? — perguntou confusa.
— O que ele tem de especial, hein, Aredhel? Por que faz tudo por ele? — continuei descontrolado.
— Loki! – exclamou surpresa — Do que está falando? — olhou-me aturdida.
— Você gosta dele, não é? Do jeito que ele te trata — a dor surgiu dentro do meu peito – De mim não! Eu sou o mentiroso! O monstro! — fechei os olhos enfurecido.
— Loki... Não... Isso é loucura... — murmurou assustada.
Estava cego de ciúmes. O raciocínio se foi e a uma dor pulsava de forma latejante no meu coração. Repentinamente, voltei a ser apenas movido pelo ódio e por minha obsessão. O descontrole era tamanho que os móveis do quarto flutuavam.
— Não negue! – berrei. – Você o ama! — explodi de raiva.
Os móveis do quarto, até então suspensos no ar, voaram e se chocaram contra a parede. De repente abri os olhos e a vi ali, encolhida. Lágrimas descerem por seu rosto e ela tremia. As palavras do meu eu do futuro, mais uma vez ecoaram em minha cabeça. “Cuidado com essa sua fixação por ela, vai acabar machucando-a novamente”. Só então percebi o meu total descontrole. Olhei para ela assustado e me afastei dela.
Passei as mãos por meus cabelos, perplexo com minha atitude. Eu havia me deixado levar por minha possessividade novamente. Aredhel soluçava toda encolhida assombra com meu destempero.
Baixei os olho e comecei a chorar. Eu me senti um monstro.
— Aredhel, perdoe-me.. Eu.. Eu perdi o controle.. — falei aos soluços.
Ela se levantou de onde estava e se aproximou de mim. Ela abriu os braços e eu a abracei sucumbindo ao remorso.
— Perdoe-me meu amor.. — sussurrei em meio às lágrimas – Perdoe-me, por favor.. — implorei.
Ficamos abraçados e chorando por um longo tempo. Chorei desconsoladamente. Ponderava que talvez Aredhel, na época que perdera a memória, tivesse razão, eu só a fazia sofrer. O meu amor por ela era ao mesmo tempo algo malévolo e divino. Algo pleno e brilhante, mas também doentio, capaz de machucar e até de matar. Desde o início eu fazia tudo para tê-la só para mim. O certo seria libertá-la, mantê-la longe de mim, a salvo de meu amor violento, mas eu não conseguia. Eu a amava insanamente. Jamais conseguiria viver longe dela. Perguntava-me por que meu amor por ela não podia ser sempre sereno, por que ele tinha que ter tanto tormento.
Depois de algum tempo chorando, eu encostei minha fronte na dela e deixei escapar um soluço. Perguntei-me se ela ainda seria minha. Temi que me abandonasse.
— Eu, só queria que James e Greta fossem felizes.. Como nós.. – murmurou.
Ao ouvir aquelas palavras, senti um nó se formar em minha garganta e a abracei mais forte.
— Eu sei.. – murmurei com a voz embargada – Perdoe-me, Aredhel. Eu fiquei tão nervoso com a ideia de você ter se arriscado indo para Jotunheim, que perdi o controle. Peço-te perdão também por meu ciúme desmedido. – dei um suspiro – Sei que o que sentes por James é um amor fraternal, mas não pude me conter. – confessei.
Aredhel me abraçou forte e, ainda chorando, meneou a cabeça afirmativamente.
— Eu te perdoo.. — disse em um sussurro.
— Eu te amo, Aredhel. — dei um beijo em seus lábios.
— Também te amo, Loki.
Fomos para a cama e eu me aninhei em meu colo e afundando meu rosto em seu peito. Adormeci pensando quantas vezes Aredhel ainda iria me perdoar. Até onde diria a capacidade dela de suportar meus defeitos. E quantas vezes mais eu ainda iria chegar na beira daquele abismo.
Tive um sono agitado. Pesadelos nos quais Aredhel me deixava dominaram a noite. Acordei várias vezes e custava a voltar a dormir. Eu ficava olhando para Aredhel preocupado com o ocorrido. Tinha receio de que ela se cansasse de tudo e resolvesse me abandonar.
Na manhã seguinte acordei sentindo dedos tocando meu rosto. Abri os olhos e encontrei os de Aredhel me fitando. Ela sorriu e passou os dedos por meu nariz e depois por meus lábios.
— Adoro ver você dormindo.. — murmurou.
Olhei para Aredhel, como olhava para ela todos os dias desde que a matara, com remorso. E nessa manhã o sentimento de culpa era mais latente do que nunca. Mais uma vez ela fora vítima de meu ciúme.
— Você não sabe o quanto detesto quando você me olha assim. – disse com tristeza – Você nunca vai esquecer, não é? – deu um suspiro exasperado.
— Não me abandone.. — as palavras escaparam de meus lábios.
Aredhel franziu o cenho confusa e passou a mão por meu rosto.
— Eu nunca vou te abandonar, Loki. Eu te amo. — disse me encarando.
Eu a puxei para um beijo sôfrego. Um beijo carregado de medo, culpa e desespero. Quando senti que ia perder o fôlego, me separei dela. Toquei um dos laços de sua camisola e olhei para ela como se pedisse permissão para tocá-la de forma mais íntima. Depois do que eu fiz a ela na noite passada, eu estava com receio e vergonha de me aproximar dela. Aredhel olhou para minha mão, deu um sorriso fraco e deslizou os dedos por ela.
— Não vou negar que senti medo... Você me olhava com raiva, ódio.. Estava fora de si.. Era ira e puro ciúme.. — murmurou ainda encarando minha mão.
— Eu sei.. Perdoe-me.. — falei baixinho e tirei a mão do laço.
Ela segurou minha mão e sorriu para mim.
— Tudo bem.. Vamos esquecer isso. — deu um sorriso meigo.
Olhei-a nos olhos e ela meneou a cabeça me incentivando a tocá-la. Puxei a fita de sua camisola lentamente e depois desfiz os demais laços da peça e deixando-a nua. Aredhel ajudou-me a tirar a camisa e depois a calça. Passei gentilmente meus dedos por seu colo, seios e ventre. Beijava seus lábios de forma delicada, dando leves mordidas. Distribuí beijos cálidos por seu corpo enquanto acariciava seus seios. Penetrei-a lentamente e, fitando seus olhos, iniciei o vai-e-vem de meus quadris.
— Eu te amo demais, Aredhel.. — sussurrei.
Recostei minha testa na de Aredhel e perdi-me naqueles olhos castanhos. Ela me olhava com doçura e gemia meu nome baixinho, enquanto suas mãos repousavam sobre meu peito. Amei Aredhel com calma até alcançarmos juntos o êxtase.
Depois de levantarmos, tomamos um longo banho juntos e seguimos para o salão. Logo que entramos Greta veio correndo em nossa direção e abraçou Aredhel.
— Muito obrigada.. Vou ser eternamente grata pelo que fez.. — murmurou com lágrimas escorrendo pelo rosto.
— Não precisa agradecer. Eu o amo demais.. — deu um suspiro – Eu o considero um irmão. Tudo que peço é que o faça feliz. — sorriu.
— Tem a minha palavra de que farei tudo para fazê-lo feliz. — disse Greta.
James se aproximou e abraçou Aredhel.
— Você está bem? — James perguntou a Aredhel e olhou em minha direção.
— Estou. — respondeu Aredhel segurando as mãos dele – E você? Se sente mais forte? — riu.
— Sim. É estranho estar repentinamente mais forte. Muito obrigado. — deu um suspiro – Você foi tão imprudente.. Poderia ter morrido, Aredhel.– ralhou.
— Não brigue comigo. Sei que faria o mesmo por mim. — sorriu Aredhel.
— O pior é que faria mesmo.. — riu.
— Agora vou pegar mais pesado nos treinos e já pode começar a tentar por em prática do que te ensinei sobre magia. – deu um soco de leve no braço de James.
Durante o café, Aredhel narrou sua aventura em Jotunheim. Contou que foi para Jotunheim disfarçada de Jotun e utilizou a água do lago para chegar o mais próximo o possível do local onde estavam as maçãs e evitar chamar a atenção usando a Bifrost. Tjazi, que era o guardião das maçãs estava morto, então fora mais fácil chegar até a caixa de freixos. Depois de pegar o que queria, foi para um local afastado e chamou por Heimdall. Como Aredhel passara muito tempo mantendo a ilusão, voltou esbaforida e quase sem forças de lá. Confessou que Heimdall a ajudara com o plano, ela pediu que ele a avisasse quando o movimento ao redor do local estivesse menor. Aredhel quis ao máximo evitar cruzar com algum Jotun. Temia ser descoberta.
— Ainda sim você se arriscou muito. Foi inconsequente. Você mentiu para mim. Inventou que iria ver Rebecca. – falei entredentes.
— Eu sei, meu amor.. – começou Aredhel — Mas sei que você nunca concordaria com isso. E eu precisava fazer isso. – franziu o cenho.
— Enfim. O importante é que tudo deu certo. – disse Thor.
— Eu tomei todo o cuidado possível. Adiei várias vezes o plano. Sonhei que o plano falharia por dias. Até que ontem sonhei que tudo sairia como o planejado. – sorriu satisfeita.
— Isso quer dizer que suas previsões estão cada vez mais precisas. — comentou James.
— É, mas ainda fornecem poucas informações. Estão mais claras, mas ainda preciso de mais detalhes. – murmurou pensativa.
O resto do dia Aredhel passou agarrada a Rebecca. Aredhel andava pelo palácio apresentando a bebê como sua sobrinha. Rebecca era uma criança muito sorridente, de cabelos loiros e olhos azuis como os de Thor. Váli, Hela e Narfi também cobriram de mimos a “prima” deles.
Na manhã seguinte Thor e Jane retornaram para Midgard.
Os dias se passaram. Aredhel e James passavam cada vez mais tempo um na companhia do outro. Treinavam e estudavam magia juntos, uma vez que James ainda não sabia ler o nosso idioma. No começo Aredhel tentou evitar ser vista por mim quando estava na companhia dele. Sempre ficava nervosa quando eu os pegava conversando. Por conta disso James passara a me olhar com desconfiança, mas aparentemente, Aredhel não havia lhe confidenciado o que ocorrera depois que ela voltara de Jotunheim. Em um desses dias chamei Aredhel para conversarmos.
— Aredhel, não precisa ter medo. Eu sei que reagi de forma violenta naquela noite, mas eu não queria te machucar. E não farei mal algum a James. Tem minha palavra. – fiz uma pausa – Eu confio nele. – falei meio contrariado — Sei que ele só tem olhos para Greta. – peguei a sua mão – Não quero que tenha medo de mim. Prometo não te machucar novamente por causa de meu ciúme. – fui sincero.
— Tudo bem, meu amor. Você não chegou a me machucar. E eu não tenho medo de ti. Só temo por James. Por isso eu andava evitando que você nos visse juntos. – confessou.
— Então era esse o motivo de seu comportamento estranho, Aredhel! – exclamou James entrando – Você a machucou de novo! – rosnou para mim.
Eu apenas olhei para Aredhel e baixei a cabeça. Podia não tê-la machucado, mas cheguei perto de fazê-lo. James avançou em minha direção, mas Aredhel se interpôs entre nós.
— Ele não me machucou. – disse Aredhel rapidamente – Nós.. – parecia procurar as palavras certas — ..apenas discutimos.
James olhou para Aredhel desconfiado. Ela o encarava impassível.
— Isso é uma doença, Aredhel. Não coadune com isso. – falou seriamente – Mesmo que seja muito mais forte que eu, se tocar nela de novo, você vai se ver comigo. – ameaçou-me e saiu marchando furioso do local.
Aredhel se virou e olhou-me com um semblante aflito.
— Vou manter minha palavra. Não farei mal algum a ele. – afirmei calmamente.
Depois desse dia, nenhum de nós três voltou a tocar no assunto novamente.
Algumas semanas se passaram. Aproximava-se a data do casamento de Sif e Leir. Não se falava outra coisa no reino. Aredhel insistira para que a cerimônia ocorresse no palácio. Sif e Leir, por fim, concordaram. Ambos partiram em viagem a fim de convidar os parentes e amigos que viviam em outros reinos. O clima de casamento também influenciou o outro casal de noivos, James e Greta. James começou a planejar seu breve retorno à outra realidade. Queria aproveitar a ocasião para resolver suas pendências naquela Midgard e apresentar a noiva para sua família. Ficara combinado que os dois partiriam em três semanas, logo após o casamento de Sif e Leir.
Com a volta da normalidade em Asgard, voltei a me ocupar unicamente dos assuntos de Asgard e do meu aprendizado sobre as Gems. Eu tinha que estar preparado para o retorno de Thanos. Em virtude de minha falta de tempo, Aredhel passou a se encarregar novamente do treinamento das crianças.
Em uma manhã, Aredhel, James, Váli, Hela e Narfi foram treinar magia aos arredores do palácio. Escolheram treinar próximo ao rio. Aredhel havia me dito que iria treinar teletransporte e ilusões. Eu estava concentrado manipulando uma das Gems quando Váli entrou correndo no salão.
— Pai.. Aconteceu um acidente.. – disse esbaforido.
— O que houve? – perguntei assustado.
— A mamãe e o tio Jimmy estão na sala de cura. Foram envenenados. – falou rapidamente.
— O quê? Envenenados? Como? – indaguei perplexo.
— Narfi.. Ele também sabe se transmutar. Ele se transformou em uma serpente e atacou a mamãe e o tio Jim. – explicou.
— Narfi? Uma serpente? – murmurei incrédulo.
“Você não tem ideia do poder que nossos filhos têm”, falou o Loki do futuro em minha lembrança. “Eu arriscaria dizer que eles poderiam destruir até um reino inteiro sozinhos”, riu o meu outro eu.
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