A mulher do meu destino
61 Everything you want to give me, It's too much, It's heavy, There is no peace
Notas iniciais

Eu achava a ida ao casamento uma total perda de tempo. Estava indo ao evento forçado, fazia aquilo apenas por Aredhel. Depois de tudo que ela passou, eu sabia que precisava se distrair. Ela necessitava ter um momento de paz antes de lhe revelar a participação de William naquele pesadelo que vivemos.
Essa “visita” seria de certa forma tensa. Eu ainda era considerado um inimigo de Midgard. Para eles minha pena, por meus crimes, havia sido demasiadamente branda. Eu sabia que Fury estaria no casamento, mas segundo Thor, naquele dia, pelo menos, haveria uma trégua. Segundo o próprio Thor, a negociação foi longa. Stark testemunhou em nosso favor, certificando que nos vigiaria de perto e se comprometeu a cuidar de todo nosso trajeto dentro de Midgard. Nossas visitas anteriores a Midgard foram às escondidas, mas a S.H.I.E.L.D sempre as acompanhara de perto. Thor falara que Fury havia ocultado nossas “visitas” do conhecimento do Conselho. Eu sabia o real motivo dele para isso, ele precisava manter uma boa comunicação conosco. Existia uma trégua não declarada entre nós. O comportamento complacente de Fury para conosco era exclusivamente em função de obter informação ou poder contar com o auxílio em um possível conflito com a Midgard da outra realidade. É algo que acontece. Inimigos sempre podem virar aliados quando surge a necessidade de enfrentar um inimigo em comum. Só me perguntava quanto tempo duraria essa trégua. De certa forma iríamos para Midgard preparados para um possível retirada repentina. Thor, Aredhel e eu não confiávamos em Fury, sendo assim tínhamos um plano de fuga.
Aredhel havia providenciado roupas para todos. Eram roupas no estilo dos midgardians, mas feitas em Asgard. O meu era um terno preto, com camisa preta e gravata com detalhes em preto e verde. Aredhel estava se banhando e, até então, eu ainda não havia visto o que vestiria. Quando a vi sair do banheiro, congelei. Aredhel estava com um vestido da mesma cor do vestido que Thor dera a ela, a cor de meus olhos. Era um vestido diferente, mas a cor dele me deixou meio chocado. Ela percebeu minha perturbação.
— Algo errado, meu amor? — indagou enrugando a testa.
Aproximei-me dela, passei meus dedos por seu rosto e depois por seus lábios. Fiquei olhando para ela e não pude deixar de me lembrar daquela noite. Encostei minha testa em sua fronte, dei um suspiro e a abracei apertado.
— Loki? — a perguntou soou assustada. — O que houve?
— A cor de seu vestido não me traz boas lembranças — murmurei com amargura e se coragem para encará-la.
— Ah… — ela entreabriu os lábios. — Eu sinto muito, meu amor. Eu não pensei que... Foi a cor escolhida para o vestido das madrinhas... Perdoe-me... — tropeçava nas palavras. — Se quiser eu posso trocar… De repente eu posso ir com outro vestido e lá eu uso uma ilusão para trocá-lo durante a cerimônia. Você vai fazer o mesmo. Está indo com outra roupa — disse se encaminhando de volta ao banheiro. — Por que não pensei nisso? E...
Peguei-a pelo seu pulso e a segurei. Ela virou-se para mim com o cenho franzido.
— Vá com ele. Está tudo bem — murmurei.
— Não. Eu tenho outro para ir e... — começou a falar.
Alguém bateu à porta a interrompendo e Aredhel foi atender. Era Greta informando que estava tendo problemas para vestir as crianças. Minha esposa resolveu ir ajudá-la. Passado algum tempo, estava terminando de me arrumar quando ouvi alguns gritos. Vinham do quarto de Narfi. Saí às pressas e, ao chegar ao quarto, vi Narfi sentado no chão olhando boquiaberto para a mãe, que se debatia toda assustada. O vestido de Aredhel estava todo chamuscado e faltava uma boa parte da barra dele. Havia um cheiro de tecido queimado no ar.
— O que houve, Aredhel? — perguntei assustado.
— M-meu... M-meu vestido... P-pegou... P-pegou f-fogo... — gaguejou.
— Como assim? — questionei olhando ao redor, procurando alguma fonte de calor ou fogo que pudesse ter feito aquilo. — Não tem nada aqui no quarto que pudesse queimá-lo... — murmurei aturdido.
Aredhel ainda tremendo, apenas olhou para Narfi e retirou-se do quarto apressadamente. Fiquei sem entender. Olhei para Narfi e ajoelhei-me.
— O que houve, filho? — afaguei seus cabelos.
— Eu não queria vestir aquela camisa — apontou para a roupa na cama. — Mamãe disse que se eu não me vestisse não ia ao casamento do tio Thor. Aí ela disse que ia embora sem mim, então eu agarrei o vestido da mamãe — mordeu o lábio. – Aí fu! — gesticulou com as mãozinhas. — O fogo apareceu! — falou arregalando os olhos e balançando a cabeça.
Fiquei perplexo. Se eu tinha entendido direito, aparentemente Narfi tinha o poder de gerar combustões. Era um tipo de magia difícil, mas, de certa forma, eu já esperava que ele portasse um grande poder, assim como os irmãos. O problema era esses poderes geralmente se manifestarem contra a mãe dessas crianças.
— Vista sua roupa — fui sério. — Quero você pronto em cinco minutos. E sem discussão! — falei severamente.
Narfi, ainda assustado, apenas meneou a cabeça afirmativamente e pegou a camisa. Fui para o quarto e encontrei Aredhel terminando de vestir outro vestido, verde-escuro dessa vez.
— Você está bem, meu amor? Você se queimou? — olhei-a dos pés a cabeça.
Peguei suas mãos, as verifiquei e constatei que estavam meio avermelhadas.
— Eu estou bem — retirou as mãos das minhas. — Minhas mãos estão ardendo um pouco, mas estou bem. Apesar de o fogo ter começado na parte de baixo do vestido, minhas pernas não foram atingidas — comentou apertando as mãos nervosamente. — Foi ele, não foi? — perguntou de repente com os olhos cheios de lágrimas. — Foi Narfi que deu origem ao fogo?
— Eu acredito que sim, meu amor — abracei-a e percebi que ainda tremia. — Acho que Narfi pode incendiar as coisas. Mas não se preocupe, eu cuidarei disso. Assim como foi com Hela e Váli, eu o ensinarei a controlar isso — tentei tranquiliza-la.
Aredhel ficou por um tempo abraçada a mim e depois, silenciosamente, foi continuar a se arrumar. Fiquei preocupado com o silêncio dela, mas ela voltou a nos apressar dizendo que acabaríamos nos atrasando.
Depois de todos prontos nos reunimos no salão. Todos vestindo roupas de Midgard. Os meninos trajavam ternos cinza, sendo que o de Váli era em um tom mais escuro e ambos usaram gravatas verdes com tons diferentes também. A camisa de Váli era cinza e a Narfi era branca. James usou um terno de cor azul-escuro, camisa branca e gravata azul-claro. Hela vestia um vestido verde água. Encaminhamo-nos para a Bifrost e partimos.
Chegamos à Nova York. Pelo que Thor havia nos contado, Jane e ele passariam a morar em naquela cidade. Jane havia recebido uma oferta de trabalho e um novo patrocínio para sua pesquisa, o que a fez retornar aos Estados Unidos. Os amigos dela acabaram retornando também, inclusive Selvig. Stark enviou um veículo de transporte meio comprido para nos buscar no local marcado por Jane. O casamento seria em uma casa de campo pertencente ao Stark também. Segundo Aredhel, Stark era um dos padrinhos do casamento e ajudou a pagar pelo evento.
Ao chegarmos ao tal lugar, já havia várias pessoas. Uma mulher de cabelos de um tom entre loiro e ruivo veio nos receber. Ela estava trajando um vestido na mesma cor azul-verde, igual ao que Aredhel estava vestindo antes de queimar. A mulher veio nos receber, olhou para todos nós e depois de James para mim e sorriu, parecendo estar nervosa.
— Olá, Aredhel! — cumprimentou-a com um abraço. — Que bom que vieram! Fico feliz de vê-la bem novamente — sorriu.
— Olá, Pepper! Estou tão feliz em vê-la! — exclamou Aredhel. — Verdade… Não nos vemos desde aquele triste incidente… — os olhos dela perderam um pouco o foco. — Mas estou bem — forçou um sorriso. — A memória nova em folha.
— Esse deve ser Váli, certo? — a loira se dirigiu ao meu mais velho. — Olá, Sou Pepper Potts. Fico feliz que tudo tenha dado certo — cumprimentou. — E esses devem ser Hela e Narfi, não é? — sorriu cumprimentando as crianças. — Você deve ser o James… Prazer em conhecê-lo — deu um aperto de mão. — E... Er... Olá Loki... — cumprimentou-me nervosamente.
A Srta. Potts nos conduziu para um local onde havia várias cadeiras arrumadas. James e as crianças se acomodaram e ela pediu que Hela, Aredhel e eu a acompanhássemos para nos passar maiores instruções sobre nossa participação na cerimônia. Minha mulher já havia me explicado a coisa toda, inúmeras vezes, fez até ensaios conosco em Asgard. Nunca imaginei que os casamentos de Midgard poderiam ser tão complicados e cheios de formalidades.
Aredhel e eu mudamos a aparência de nossas roupas e nos separamos. Ela foi ver Jane e se juntar às madrinhas. Eu fui me encontrar com os padrinhos e com Thor. Entrei no local e estavam reunidos Thor, Stark e um rapazinho de cabelos castanhos claros. Stark e Thor me olharam com uma expressão divertida. Thor veio logo me dar um dos seus abraços efusivos.
— Obrigado por ter vindo, irmão — sorriu. — Não sabe o quanto estou feliz de vê-lo aqui. Esse casamento é muito importante para mim e Jane. E hoje eu ainda recebi uma excelente notícia! Jane espera um filho meu! — exclamou em um sorriso que mostrava todos os dentes.
— Meus parabéns, Thor — limitei-me a apenas sorrir de leve.
— Pois é! — Stark deu um tapa em meu ombro. — Agora a sua família vai ficar maior, homem rena! Você ganhará uma cunhada e será titio! E você e a raposinha? Planejam aumentar novamente a família ou fecharam a fábrica de renas? — ironizava sem parar.
Apenas revirei os olhos e ignorei o comentário.
— Aredhel ainda é muito jovem, provavelmente ainda me dará outros sobrinhos — sorriu Thor.
— É sério isso? — Stark parecia surpreso. — Thor, aqui na Terra existe algo que chamamos de controle de natalidade. Já que você e a Jane viverão aqui, acho melhor você se informar sobre isso. Aqui é muito caro sustentar muitos filhos. Não vá na onda de seu irmão — riu. — Mas agora falando sério... E a Aredhel? Thor me contou que o processo de recuperação da memória dela foi meio “lento” — indagou preocupado.
— Ela levou algum tempo até se lembrar de tudo, mas está bem. Aredhel é muito forte. Tem superado tanta coisa... – murmurei com amargura.
— Thor nos contou sobre a união do pessoal da outra Terra com Thanos — disse Stark.
Olhei para Thor e ele balançou a cabeça negativamente. Em seguida olhei para o rapaz que estava na sala, ele parecia estar alheio à nossa conversa e mexia distraidamente em seu celular.
— Não se preocupe — disse Thor, que havia seguido meu olhar. — Ele é amigo de Jane, é estagiário e namorado da Darcy — explicou.
— O que aconteceu em Asgard? — indagou Stark desconfiado. — Foi somente o Tesseract e o Aether que roubaram de lá? Afinal, você não se lembra de tudo que fez durante o tempo que ficou sob o controle de Thanos — dirigiu-se a Thor.
Eu desviei o olhar, não conseguia me lembrar daquele dia sem me sentir culpado. Stark olhou de mim para Thor e pareceu suspeitar de algo.
— Vocês parecem esconder algo — acusou. — Insistirei na pergunta... Foi somente isso que aconteceu? Até hoje você não explicou como voltou ao normal, Thor — olhou incisivamente para o outro.
Percebi que Thor tinha ocultado a morte de Aredhel. Aparentemente, apenas Jane sabia que ela havia morrido e, mesmo assim, não sabia que eu era quem tinha cometido tal crime. Thor contou a Jane à mesma versão que deu a todos no palácio, de que ela tinha sido morta durante a fuga da masmorra. Apenas Thor, James, Aredhel e eu sabíamos da verdade.
— Não interessa a vocês saberem detalhes de algo que aconteceu em outro mundo — fui ríspido. — Os assuntos de Asgard não lhe dizem respeito — falei friamente.
— Pode até ser, mas as coisas que podem interferir na segurança da Terra me interessam e muito — sibilou Stark. — Ter o Tesseract e o Aether por aí podem nos trazer grandes problemas. Então exijo saber o que houve!
— Você não está em condições de exigir nada — sibilei. — As informações que Thor lhe deu, já vão além do que deveria saber. Dê-se por satisfeito e conforme-se com o que sabe — rebati.
— Será que vocês dois poderiam deixar para brigar depois de meu casamento? — Thor ergueu as mãos.
— Tudo bem! — bufou Stark. — Mais cedo ou mais tarde eu saberei o que realmente houve — ameaçou e saiu da sala.
Passado mais algum tempo uma mulher com celular na mão veio nos chamar. Havia chegado a hora. Primeiro entrariam os padrinhos, Stark, Ian Boothby, o tal namorado de Darcy, e eu. Stark entrou se exibindo como se fosse a estrela do evento. Ao assumir meu lugar dei uma rápida olhada na multidão sentada. Vi Barton e Banner sentados, mas não vi sinal de Romanoff, Fury ou de Rogers. Nem todos os Avengers compareceram. Não podia culpá-los, aquilo tudo parecia uma tolice. Depois entrou Thor, todo pomposo, dando acenos. Em seguida, entraram Pepper Potts, Darcy Lewis e Aredhel. Engoli seco novamente ao vê-la naquele vestido, por mais que fosse uma ilusão.
Por fim começou a tocar uma música pomposa e entrou Hela com uma cesta na mão jogando pétalas de flores no chão. Logo atrás, vinha Jane toda de branco acompanhada de Selvig, trajando um vestido parecido com alguns que vimos em vitrines em Midgard em certa visita. Um homem fez um discurso inicial e depois Thor e Jane trocaram juras de amor eterno. O discurso dos dois foi um tanto meloso, mas bonito. Não pude deixar de ficar olhando para Aredhel enquanto ouvia. Ela me encarava de volta com um sorriso meigo. Terminado os discursos o casal trocou alianças e, por fim, se beijaram.
Aredhel e eu mudamos nossa imagem novamente e seguimos para o salão onde se daria a comemoração. Então se seguiram uma série de costumes estranhos. Jogaram arroz nos noivos quando estes entraram no salão. Jane lançou um buquê de flores para um grupo de mulheres desesperadas que se acotovelavam para pegá-lo. Mas para a infelicidade delas, Potts, que estava sentada em uma mesa mais atrás da confusão, foi quem pegou o buquê. Aredhel animadamente me falou que isso era uma tradição de Midgard, que supostamente indicaria qual seria a próxima mulher a se casar.
Os convidados estavam espalhados pelo local em mesas pequenas. Em nossa mesa estávamos apenas Aredhel, James, as crianças e eu. Depois de algum tempo começaram a servir o almoço. Um grupo de serviçais vinham trazer a comida. Aredhel não tinha o costume de beber, mas estranhamente bebia um copo atrás do outro de uma bebida borbulhante que nos serviram. Ela estava muito calada, absorta demais em seus pensamentos e aquilo começava a me preocupar. Passado mais algum tempo começaram os discursos. Acredito que quase todos os convidados foram chamados para dizer algumas palavras aos noivos. Nunca imaginei que um casamento em Midgard fosse ser algo tão tedioso. Obviamente me recusei a falar. Aredhel foi quem nos representou.
— Casamento... — ela murmurou. — É algo difícil de definir com poucas palavras… Eu… — articulou os lábios, mas parou por um instante, olhou para todos e depois para Thor e Jane. Franziu o cenho em uma expressão triste e pareceu desistir do que diria. — Desejo felicidades aos dois — falou rapidamente e veio quase correndo para a mesa.
— O que houve, Aredhel? — perguntei preocupado quando ela se sentou a mesa.
— Nada — deu um novo gole na bebida. — Eu… — crispou os lábios. — Não ando muito inspirada para falar sobre esse tipo de coisa — foi amarga. — E, além do mais, eu não gosto de falar em público — meneou a cabeça e encarou o prato. — Deveria ter dito para você ir no meu lugar Jimmy... — murmurou e o encarou.
— Eu? — ele indagou surpreso. — Não sou íntimo dos noivos. Nem saberia o que dizer — riu de leve.
— Mas com certeza teria falado algo bonito — ela fez um muxoxo e virou o resto da bebida.
Olhei para James e indiquei Aredhel com a cabeça. Ele deu de ombros meneando a cabeça negativamente. Nenhum de nós sabia o porquê de Aredhel estar tão estranha.
Passada a fase dos torturantes discursos começaram as danças. As primeiras foram lentas. E, conforme o combinado anteriormente, dancei com as outras madrinhas e a noiva. O único momento que o fiz com prazer, foi quando valsei com Aredhel. Meneava a cabeça pensando o quanto eu a amava, para me sujeitar a tamanha tortura, só para vê-la mais animada. A Srta. Lewis parecia ter os dois pés esquerdos, tropeçava o tempo inteiro em meus pés.
Quando Aredhel dançou com Stark, notei que eles conversaram muito. Imaginei que ele deveria ter a questionado sobre o acontecido em Asgard. Vi minha mulher parecer nervosa, mas antes que eu pudesse ir ao seu encontro, Boothby a tirou de Stark. Pude perceber o alívio dela estampado em seu rosto. Finalmente, após todas as madrinhas e a noiva dançarem com os padrinhos e com o noivo, acabou todo aquele teatro e voltamos aos nossos lugares. O local de dança foi liberado para os outros convidados. As crianças correram para dançar no salão.
— Stark estava lhe chateando? — perguntei.
— Sim, um pouco. Ele queria detalhes do que aconteceu em Asgard — falou meio irritada. — Eu só quero esquecer aquele dia — bufou.
Olhei para ela com tristeza e peguei sua mão. Ela pareceu ficar meio sem jeito.
— Não é o que você está pensando… — apertou a minha mão. — É só que estou cansada de ver você triste. Por isso não quero mais falar sobre isso — falou meio exasperada.
— Falando ou não eu nunca vou esquecer, Aredhel — fui sincero.
Fez-se o silêncio na mesa. James olhava de mim para Aredhel, com uma cara de pesar.
— Vamos dançar, Aredhel? — James se levantou de repente, estendendo a mão na direção dela.
Ela o fitou meio surpresa e depois olhou para mim. Notei que ela ainda tinha receio de meu ciúme.
— Vá, meu amor. Vá se divertir — sorri, encorajando-a.
Aredhel abriu um largo sorriso, pegou a mão de James e foram para o salão. Fiquei observando o local e notei um certo burburinho. Depois de falar por um longo tempo no celular, Barton correu em direção a Stark e Banner, que conversavam em uma mesa do outro lado do salão. Stark e Banner pareceram ficar assustados com o que Barton falara. Os três seguiram em direção a Thor, trocaram novamente algumas palavras e Thor reagiu igualmente aflito. Thor olhou para mim e veio em minha direção. Fiquei tenso, olhei para meus filhos que brincavam alegremente e depois para Aredhel que dançava, distraidamente, com James. Preparei-me para reagir caso fosse necessário.
— Loki, temos um problema! — Thor chegou meio alarmado.
— O que houve? — questionei receoso, se tirar os olhos de minha família.
— Houve um ataque em Washington. A S.H.I.E.L.D foi dissolvida — falou Barton, chegando em seguida.
— Vocês estão falando do ataque da HYDRA? — disse Aredhel se aproximando junto com James.
— HYDRA? Do que vocês estão falando? — foi a vez Banner se juntar ao grupo, sendo seguido por Stark.
— Vocês sabiam disso? — sibilou Barton, desconfiado.
— Sim, isso faz parte do segundo filme do Capitão América — explicou James, como se fosse algo óbvio.
— Segundo filme? Mas que merda é essa? Fizeram outro filme e vocês não avisaram? — rosnou Stark.
— Perdão? Não avisamos? — indignei-me. — Aredhel entregou o roteiro a Thor. Ele deveria ter avisado vocês! — retruquei.
— Que filme? Que roteiro? Eu não lembro de ter recebido nada — Thor parecia surpreso.
— Merda! Você também não lembra disso, Thor? — perguntou Stark visivelmente irritado.
— Meu deus… — murmurou Aredhel. — Thor tinha dito que tudo isso já tinha acontecido — disse baixinho.
— Você esqueceu que ele estava, na época, sob o domínio de Thanos — lembrei-a.
— Certo. A informação se perdeu… — interferiu Banner. — Do que se trata o filme?
— Bom, ele praticamente marca do fim da S.H.I.E.L.D pelas mãos da HYDRA. Na verdade deixa claro que a HYDRA sempre esteve infiltrada na S.H.I.E.L.D. Envolvia a Romanoff, o Rogers e o Fury. Eles quase morreram — explicou James. — Por falar nisso, eles estão bem? — franziu o cenho. — Eles não foram convidados?
— Estão — disse Barton. — De fato, tudo isso que vocês disseram acabou de acontecer, acabei de falar com a Nat. Ela está escondida. O passado dela foi exposto. Mas outras pessoas se aproveitaram do caos para tirar vantagem — revelou.
— Que outras pessoas? — perguntou Aredhel.
— Thanos, Lorelei e aquela irmã dela — respondeu Barton. — Eles também estavam no filme?
— Não. Isso não está no roteiro! — comentou James perplexo. — Essas pessoas nem foram cogitadas para o filme.
— Acho que agora entendi — murmurei. — Quando você entregou o roteiro, Thor ainda estava sob o domínio de Thanos. Ele, com o roteiro em mãos, o utilizou para atacar a Terra, mudando o filme. Pelo jeito Thanos controlava o que Thor deveria lembrar ou não. Mas qual foi a vantagem que eles tiraram?
— Segundo a Natasha, eles aproveitaram o caos e usaram o Tesseract, abriram um portal e roubaram os três novos aero-porta-aviões da S.H.I.E.L.D. — informou Barton.
— Thanos mudou todo o final do filme — pasmou-se Aredhel. — Nele o Steve conseguia trocar os chips de controle dos aero-porta-aviões e as fazia destruírem umas as outras. Isso é terrível — lamentou.
— E o que esses novos aero-porta-aviões têm de especial? — questionou Banner.
— Segundo o roteiro original, eles fazem parte de um projeto chamado Insight — começou James. — Eles utilizam um algoritmo que avalia as possíveis atuais e futuras ameaças e as elimina. Pode matar milhões de pessoas — alarmou-se.
— Perfeito! — Stark jogou as mãos para o alto. — Agora aqueles idiotas da outra Terra possuem três poderosas armas que pode ser usada contra todos nós! — rosnou.
— Isso não poderia ficar pior — disse Aredhel com tristeza.
— Na verdade pode, Aredhel — alertou Thor. — Seu irmão está envolvido nisso tudo — falou de uma vez.
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