A mulher do meu destino

89 I faced it all and I stood tall and did it my way


Notas iniciais
*I faced it all and I stood tall and did it my way = Eu enfrentei a tudo e de pé firme continuei e fiz tudo do meu jeito - Trecho da música "My Way" de Frank Sinatra Olá Gente! "And now the end is near.." Sim.. chegamos ao penúltimo capítulo.. E é com nó na garganta que trago o capítulo de hoje.. O próximo será o último.. Espero que tenham gostado da fic até agora e que fiquem até o final e o começo da próxima "Asgard Dirty Secrets" (mudei um pouco o nome), que será com os filhos já todos grandinhos.. Já comecei a escrever o primeiro capítulo! o/ Obrigada pelos comentários! Boa leitura..



Eu dei alguns passos para dentro do quarto, sendo seguido por James. Rapidamente constatei que não se tratavam de uma ilusão, pois esmagávamos alguns insetos enquanto caminhávamos. Aredhel estava estática e os insetos continuavam se aproximando dela. Alguns começaram a subir pelos braços e pernas dela, deixando-a em pânico. Ela começou a gritar e a se debater, o que deixou os insetos mais agitados. Alguns saltavam sobre ela.

– Aredhel! Pare! Só está piorando as coisas! – gritei.

Teletransportei-me para perto dela e a tirei da cama. Ela se agarrou a mim com força, estava muito perturbada. James também se teletransportou para meu lado. Eu mal havia pegado Aredhel no colo e os vermes começaram a subir por minhas pernas. Ficou claro que era um ataque direcionado a ela. Eu tinha que eliminá-los, senão eles nos cobririam.

– Loki.. Aredhel está sangrando.. – avisou James.

Olhei para ela e o vestido dela estava sujo de sangue.

– Loki.. O bebê... – ela murmurou chorando.

– James, pegue Aredhel e leve-a para a sala de cura. Eu vou ficar aqui e eliminar esses insetos de uma vez. – expliquei enquanto a colocava nos braços de James – Vá! Rápido! – gritei enquanto o via sair às pressas do quarto com Aredhel nos braços.

Os aracnídeos e demais insetos começaram a ir rumo à porta do quarto. Teletrasportei-me para a porta e a fechei com violência para que não saíssem. Conjurei a Casket e os congelei. Escondi novamente a Casket e passei uma das mãos pelo rosto. Aquilo era magia muito avançada, podia controlar os insetos e direcioná-los para atacar alguém. Tranquei os dentes com raiva. Ponderei por um instante e comecei a temer que um de meus filhos fosse responsável por aquilo. E Narfi era o principal suspeito, pois era o único que não havia ficado feliz com a gravidez de Aredhel.

Segui apressadamente para a sala de cura. Precisava saber como estava Aredhel. Lá chegando encontrei James aguardando no lado de fora.

– Alguma notícia? – perguntei aflito.

– Nada ainda. – ele respondeu nervoso.

Passado algum tempo Ada nos deixou entrar. Aredhel estava dormindo. Sentei-me ao lado da cama onde ela estava e afaguei seus cabelos.

– Como ela está? E o bebê? Está bem? — perguntei preocupado.

– Senhor, sua esposa e o bebê estão bem. Foi apenas um susto. — tranquilizou-me – Ela chegou aqui muito agitada. Estava em choque. Ela teve um pequeno sangramento por conta da forte emoção, mas agora ela está sedada. — explicou.

Deixei escapar um suspiro de alívio. James se sentou do outro lado, em uma poltrona e pegou a mão de Aredhel. Ele a olhava com pesar e depositou um beijo na mão dela.

– O que aconteceu? – ele murmurou olhando para ela.

– Eu não sei, James. – confessei — Mas claramente era um ataque direcionado a Aredhel. Os insetos a seguiam. – revelei.

– Magia? Acha que alguém usou magia contra ela? – pasmou-se — Mas por quê? Por Deus.. Ela está grávida. – disse indignado.

– Não gostaria de pensar nisso, mas desconfio que possa ter sido o Narfi. – falei com tristeza.

– Meu Deus.. Acha que ele seria capaz de fazer isso contra a própria mãe? – perguntou perplexo.

– Capaz os dois meninos são. Uma vez, quando Aredhel estava grávida de Hela, Váli usou uma ilusão e conjurou aranhas para atacá-la. Ele disse que, como ela tinha medo, achou divertido assustá-la e que isso a ajudaria a perder o medo. – contei.

– Aredhel já havia me contado sobre isso. – falou meio irritado – Parece que seus filhos herdaram de você esse jeito sádico de ser. – disse meio contrariado – Apesar disso, duvido que tenham feito algo do tipo. — meneou a cabeça negativamente.

– Ainda assim, tenho que investigar. Peço que você fique aqui com Aredhel enquanto vou ter uma conversa séria com meus filhos. – pedi e em seguida me retirei.

Fui decidido atrás de meus filhos. Encontrei os três no jardim, brincando na companhia das demais crianças.

– Acompanhem-me, Váli, Hela e Narfi. – falei seriamente.

– O que houve, pai? – perguntou Váli franzindo o cenho.

– Não interessa o que houve. Quero conversar com vocês. Acompanhem-me. – fui ríspido.

– Posso ir também, papai? – questionou Igor todo sorridente.

Narfi lançou um olhar mortal para Igor, que nem percebeu. Ajoelhei-me diante de Igor e afaguei seus cabelos loiros. Já fazia alguns meses que ele me chamava de pai. No início fiquei meio receoso, mas com o tempo, sempre que o ouvia me chamar assim, sentia-me feliz.

– Não, Igor.. Preciso falar com eles a sós. Você pode continuar brincando com os outros. – sorri.

– Está bem, papai. – riu, deu-me um beijo no rosto e saiu correndo.

Narfi ficou arremedando Igor, mas logo se juntou aos irmãos e seguiram-me. Fomos até um dos salões para podermos falar reservadamente.

– Muito bem.. Quero saber quem de vocês resolveu pregar uma peça em sua mãe e invocar praticamente todos os insetos da redondeza para atacá-la. – falei calmamente e os encarei – Por conta do que houve, Aredhel está na sala de cura, dopada e teve um sangramento. — tranquei os dentes – A mãe de vocês está grávida! Podia ter perdido o bebê! — rosnei.

Os três pareceram surpresos e trocaram olhares entre si, visivelmente confusos.

– Eu jamais faria isso, papai.. – murmurou Hela franzindo o cenho.

– Pai, eu sei que no passado eu fiz algo parecido, mas o senhor sabe que eu prometi nunca mais fazer algo do tipo contra a mamãe. — começou Váli — Não tem um dia que eu não me arrependa do que fiz. – baixou os olhos — Eu nunca a machucaria. – afirmou me encarando seriamente.

– Muito menos eu. — disse Narfi — Eu não faria mal algum à mamãe. — parecia assustado – Daquela vez que queimei o vestido dela foi sem querer. E quando ataquei o tio Jimmy e ela, eu também não consegui me controlar. — ficou tristonho.

– Alguém invocou aqueles insetos! — sibilei – Não atacariam a sua mãe do nada. — fiquei impaciente.

– Quem sabe não foi o “lobinho branco”.. — disse Narfi com desdém – Afinal ele agora também está aprendendo magia. — deu de ombros.

– Lobinho branco? — perguntei confuso.

– É como o Narfi chama nosso irmão caçula, pai. — falou Váli balançando a cabeça negativamente – Tio Thor nos chama de lobinhos e.. Bem.. Como somos todos morenos e Igor é loiro.. — começou a explicar.

– Narfi.. — interrompi Váli – Eu já falei para você parar de hostilizar Igor. Sua mãe e eu não gostamos desse tipo de comportamento. — falei seriamente – Sua mãe decidiu que vocês serão criados como irmãos e.. — continuei falando.

– Ele não é meu irmão! — gritou Narfi.

Aproximei-me lentamente de Narfi e encarei-o.

– Certo. Igor não é seu irmão. E o que a sua mãe carrega no ventre também não é? — indaguei friamente.

Narfi franziu o cenho meio confuso e depois pareceu entender.

– O senhor acha que fui eu? — questionou com raiva.

– O seu comportamento leva a crer que sim. — falei rispidamente – Você rejeita Igor e também não gostou de saber que sua mãe esperava outro filho. Uma vez você já incendiou o seu quarto só porque Igor estava chorando. Acho que tenho todo o direito de desconfiar de você. — encarei-o inexpressivamente.

– Eu jamais faria isso com a mamãe. — ele bufou me encarando com os olhos se enchendo de lágrimas – Eu nunca mais fiz nada contra Igor e também não machucaria nenhum irmão meu! — rosnou e saiu correndo da sala.

– Narfi! — gritei.

– Pai.. — começou Váli se aproximando de mim – Eu acredito em Narfi.. Apesar de implicar com Igor, ele nunca mais sequer tocou nele. — defendeu – Pai, nenhum de nós nunca faria nada um contra o outro, muito menos contra a mamãe ou um irmão que ainda não nasceu. — afirmou.

Dei um suspiro exasperado e passei uma das mãos pelo rosto. Aquela história sobre o ataque à Aredhel estava começando a ficar mais confusa do que imaginei. Eu não tinha pista de quem poderia ser o responsável. Retornei à sala de cura e vi Narfi, com lágrimas escorrendo pelo rosto, segurando a mão de Aredhel. James continuava sentado e observava a cena. Aproximei-me de Narfi e sentei-me na poltrona.

– Eu nunca faria isso a ela.. — ele murmurou ainda de costas para mim.

– Desculpe-me, filho.. — pus a mão em seu ombro — Seu comportamento me fez crer que talvez fosse capaz de fazer algo do tipo. Você tem se mostrado ser tão ciumento. Não pode ser assim tão egoísta. — expliquei.

Narfi se virou, me olhou longamente e abraçou-me apertado. Carreguei-o, o coloquei em meu colo e dei um beijo em sua fronte. Ele se encolheu e ficou abraçado a mim. Fiquei acarinhando os cabelos de Narfi, até que adormecesse.

– Parece que voltamos à estaca zero. Sem pistas. — disse James pensativo.

– Agora mais do que nunca, quero vigilância máxima sob Aredhel. Pelo menos até descobrirmos. — falei decidido.

Tempo depois Váli e Hela se juntaram a nós aguardando Aredhel acordar.



Aredhel se recuperou do susto e passou a viver acompanhada. Quando eu não podia lhe fazer companhia, era James ou um dos filhos que ficava com ela. Temia que algo do tipo voltasse a acontecer.

E assim se passou mais de um mês. Em uma manhã estávamos sentados no jardim, Aredhel, James, Hela, Igor e eu. Aredhel tecia uma coroa de flores para a filha. Igor e Hela corriam pelo jardim escolhendo as flores para colocar na coroa. Em um momento Aredhel se levantou e foi ajudá-los, seguindo para o outro lado do jardim, saindo de nossas vistas.

Vimos Thor e Sif passeando de mãos dadas, ao longe. Já fazia algum tempo que eles eram vistos juntos. Começava a desconfiar de que Sif finalmente conquistaria Thor.

– Acho que em breve teremos um novo casamento. — disse James rindo olhando em direção a Thor e Sif.

– Não sei.. Não é a primeira vez que os dois namoram. — dei de ombros.

– Papai! Jimmy! — Hela apareceu correndo – A mamãe está em apuros! — disse esbaforida.

– Como assim? — levantei em um átimo.

– Venham ver! — saiu correndo na frente.

James e eu a seguimos correndo, viramos na esquina de um grande arbusto e paramos chocados diante da cena bizarra à nossa frente. Aredhel estava segurando a mão de Igor e os dois estavam cercados de animais. Havia roedores, aves e até lobos. Eles continuavam chegando e logo estávamos cercados também. Os animais apenas cercaram Aredhel, mas ficaram ali parados, como se esperassem uma ordem para atacar. Fiquei aflito.

– Aredhel venha em nossa direção lentamente. — falei enquanto também caminhava na direção dela.

Aredhel pegou Igor no colo e começou a caminhar em nossa direção. Os animais abriam caminho, mas a continuavam seguindo. Finalmente ela nos alcançou, peguei Igor dos braços dela e começamos a recuar lentamente. Mais uma vez, os bichos nos seguiam.

– Eles seguem a Aredhel como os insetos o fizeram.. — murmurei.

– Eu não estou entendendo mais nada.. — disse James.

Fiz menção de atacar os animais, mas Aredhel segurou meu braço.

– Loki, não. Eles não estão nos atacando. — ela disse – Estão apenas me seguindo. – alertou-me.

Seguimos recuando até entrarmos no palácio. Depois de fecharem os portões, aos poucos os animais se dispersaram. James me olhou extremamente confuso e Aredhel olhou de mim para sua barriga.

– É o bebê, não é, Loki? — ela indagou acariciando a barriga – Fui eu quem atraiu os insetos naquele dia e o mesmo aconteceu hoje com os animais. É o bebê. — concluiu.

– Acredito que sim, Aredhel.. — falei calmamente.

– Do que vocês estão falando? — questionou James.

– As gestações de Aredhel sempre apresentaram algum “sintoma” estranho. Então acredito que dessa vez ela.. — cocei a nuca — De alguma forma.. Possa atrair animais e insetos. Acho que não ocorreu ataque algum a ela daquela vez, assim como aconteceu agora. — expliquei.

– Minha nossa.. – murmurou James passando as mãos pelo rosto – Por que tudo tem que ser mais complicado com vocês dois? – deu um sorriso torto – A gravidez de Greta foi tão normal.. – comentou.

– Eu sou Jotun.. Lembre-se disso.. – lembrei-lhe.

– Vocês ainda pretendem ter mais filhos? – ele indagou e eu apenas sorri cinicamente – Então o que será da próxima vez? Portais dimensionais? – franziu o cenho.

– Não exagere, Jimmy.. – riu Aredhel.

– Que poderes esse bebê terá? – James ponderou.

– Boa pergunta.. – Aredhel franziu o cenho.

Depois do incidente, por precaução, Aredhel evitava passeios ao ar-livre.



Meses se passaram. Eu mal podia crer na paz que desfrutava depois de tanto tempo. Eu havia enfrentado a tudo, conseguido me manter firme e tinha feito tudo como eu queria, do meu jeito. Havia cometido erros graves que tinham me custado muito caro, erros esses que nem sempre caíram sobre mim. Muitas vezes Aredhel foi quem pagara por minhas decisões erradas. Entretanto, parecia que finalmente eu estava sendo recompensado por tudo que sofrera. A tranquilidade era tão grande, que às vezes eu imaginava que estava sonhando.

Uma manhã, enquanto eu lia alguns documentos no salão do trono, vieram me avisar que Aredhel estava em trabalho de parto. Fui às pressas para a sala de cura e fiquei aguardando do lado de fora. Já havia se passado horas e tudo o que eu ouvia eram os gritos de Aredhel. Tempo depois, James apareceu e juntou-se a mim naquela espera angustiante.

– Pelos deuses, que demora.. — falei angustiado.

– Acalme-se, Loki. Vai ficar tudo bem. — fez um afago em meu ombro.

Após mais algumas horas finalmente os gritos de Aredhel cessaram e ouviu-se o choro de um bebê. Ada abriu a porta e nos deixou entrar. Aredhel estava dormindo, mas estava visivelmente esgotada, sua respiração ainda era pesada. Sentei-me ao lado dela, acariciei seus cabelos e dei um beijo em seus lábios. Ada veio e entregou-me o bebê. James pegou uma das mãos de Aredhel entre as suas, depositou um beijo demorado e aproximou-se de mim para ver o bebê.

– É um menino.. — murmurei maravilhado – Olhe James.. Meu novo menino.. — sorri bobamente.

Era um bebê de cabelos pretos e olhos azuis, como os meus. Começava a ter certeza que os cabelos pretos e os olhos azuis eram uma constante em nossos filhos. O bebê também se parecia demais comigo, mas tinha alguns traços de Aredhel.

– É lindo.. — sorriu James.

– Vai se chamar Fenrir.. — falei olhando para o bebê – Fenrir, filho de Loki.

– Você é quem sempre escolhe os nomes? — riu James.

– Sim.. Os nomes de meus sóis, sempre sou eu quem os escolhe.. — disse calmamente.

– Sóis? — perguntou James.

– Sim.. Cada filho meu é como um sol que vem iluminar e aquecer minha vida.. — respondi emocionado enquanto Fenrir apertava meu dedo com a sua pequena mão.

– Entendo.. Sei exatamente como está se sentindo.. — sorriu James.

Eu estava radiante. Não conseguiria deixar não transparecer a felicidade que sentia naquele momento. Já havia esquecido como era a emoção de ser pai. Emoção essa que naquele momento parecia ser maior do já fora alguma vez. Depois de tudo que Aredhel e eu passamos, a vinda de Fenrir representava algo mais. Ele era a prova viva de que fiz o certo em não perder a esperança. Que mesmo quando tudo está perdido, há sempre a chance de recomeçar. A felicidade sorria mais uma vez para mim e Aredhel. O sol havia brilhado novamente para nós, e agora, com o calor e a intensidade de quatro sóis.



Notas finais
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