A mulher do meu destino

47 Have you seen my enemy? He looked just like me


Notas iniciais
* Have you seen my enemy? He looked just like me = Você viu meu inimigo? Ele parecia comigo - Trecho de "Same Mistake" de James Blunt. Gente.. Quase que esse capítulo não sai.. Eu tive alguns problemas pessoais nesse fim de semana e somado a alguns pesadelos que andei tendo e sonhos com diálogos que só ocorrerão no futuro na fic *_*, sofri um bloqueio criativo.. Eu já tenho planejado todo o rumo da história, mas faltava passar isso para texto. Era informação demais para meu pobre cérebro.... u_u Muito obrigada pelos comentários!!! Um obrigado especial a leitora caosinlove que recomendou a fic! Estou profundamente grata mesmo! Sempre me emociono com as recomendações. Bom.. Surpresas boas e ruins... Boa leitura!

Na manhã seguinte, ainda meio dormindo, deslizei minhas mãos pela cama, tateando a procura de Aredhel. Abri os olhos e vi que estava sozinho, ela já havia levantado. Levantei, tomei um banho e segui para o salão. Lá fui informado que todos já haviam tomado seus respectivos desjejuns.

— E onde está Aredhel e Váli? — indaguei à serva.

— O príncipe está na biblioteca estudando e a rainha saiu com o seu convidado, senhor — informou-me.

— Disseram para onde iriam? — perguntei trincando os dentes.

— Não senhor. Tudo que sei é que saíram a cavalo — respondeu meio nervosa.

Bufei. Nem terminei minha refeição e me retirei irritado da mesa. Aredhel estava em algum lugar perambulando ao lado do atorzinho. Ela teria muito que se explicar quando chegasse. Inconformado, segui para meus afazeres, extremamente mal-humorado. Fandral notando minha irritação começou a tecer comentários.

— Meu rei — sorriu. — Vejo que está meio irritado e ontem parecia meio preocupado. Pensei que sua visita a outra Midgard fosse para resolver problemas e não arranjar outros — ironizou.

— Poupe-me de suas indiretas. O que você está querendo insinuar? — indaguei entredentes.

— Bom — manteve o sorriso cínico no rosto —, soube que Aredhel chegou aqui desmaiada, depois passou o dia distante de vossa majestade e, desde ontem, foi vista em companhia daquele homem estranhamente idêntico a vossa majestade. Há rumores de que vossa majestade e a rainha se desentenderam. Meu rei sabe que a criadagem fala demais — deu uma risada.

Sif e Volstagg deram risinhos.

— Sim. Todos falam demais por aqui — rebati sem muita paciência. — A criadagem e certas pessoas também. O que acontece entre mim e minha esposa, só dizem respeito a nós — rosnei.

Passei o resto da manhã extremamente irritadiço. Perto do horário do almoço, finalmente, Aredhel e James apareceram. Chegaram conversando animadamente, o que aumentou meu mal humor.

— Olha quem resolveu dar o ar de sua graça... Minha esposa — não contive o sarcasmo.

— Estava mostrando o reino para Jim, Loki — ela ergueu uma sobrancelha. Eu conhecia aquele olhar. Obviamente ela não se dobraria diante de meu ciúme incontrolável.

— Os dois? Sozinhos? — Minha paciência se esvaiu. Dei um murro no braço da cadeira.

— Não comece, Loki — rosnou para mim, erguendo um dedo em minha direção. — Com licença, Jim, vou me trocar. Fique à vontade, logo o almoço será servido — falou toda melosa com o ator e, lançando um olhar condenatório a mim, retirou-se toda irritada.

— Aredhel! — chamei entredentes.

Ela me ignorou e seguiu pelo corredor. Olhei para James e ele me encarava com um semblante sério. Aproximei-me dele furiosamente.

— Eu já lhe avisei! — apontei um dedo em sua face. — Fique longe de minha mulher! Detesto que se aproximem do que é meu! — alertei-o.

James pareceu não se intimidar, na verdade ele me encarou e fechou a cara.

— Loki, me desculpe, mais uma vez, pela intromissão — começou secamente. — Aredhel não é um objeto. Ela é sua esposa e não sua propriedade — exasperou-se. — Vou lhe dar um conselho. Pare com esse seu ciúme doentio. Aredhel só tem olhos para você. O único rival que você tem em relação a ela é você mesmo! — levantou o tom da voz. — Temos conversado muito e ela acabou me desabafando sobre algumas coisas que aconteceram entre vocês. Confesso que fiquei chocado com suas reações. Eu chego a temer que um dia você faça algo contra ela, ou alguém, por conta de sua possessividade em relação a ela — falou com um semblante sério.

— Não se meta em meus assuntos! — trinquei os dentes. — Eu jamais a machucaria! — rebati irritado.

— Será mesmo? Tem certeza disso? — indagou descrente.

— Onde você está querendo chegar? O que está insinuando? — retruquei abespinhado.

— Você sabe — estreitou os olhos. — Você é violento e já a agrediu por outros motivos no passado. Eu vi a marca no pulso dela — passou as mãos pelos cabelos. Parecia tentar se controlar. — E não estou falando só de agressão física, estou falando de magoá-la com palavras também. Tome cuidado, Loki. Você pode perder tudo o que conseguiu. O seu inimigo parece com você, mas não sou eu. Olhe no espelho e você o verá — disse meio enraivecido e retirou-se.

Bufei de raiva. Aredhel agora trocava confidências com James e este se achava no direito de me enfrentar e dar conselhos sobre meu casamento. Mas o que me deixou mais furioso é que, mesmo que eu não quisesse admitir, James tinha razão. Durante algumas brigas eu já havia dito coisas tão dolorosas a Aredhel. E de fato eu chegara a machucá-la fisicamente. Já havia magoado minha mulher tantas vezes, que eu me perguntava porque ela ainda não tinha me abandonado. Eu nunca me esqueci da marca no pulso dela e nem do dia em que descobri a verdade sobre Frigga, mas duvidava que pudesse machucá-la novamente. Eu tinha a convicção de que jamais levantaria um dedo contra ela de novo.

Ainda meio agastado, fui atrás de Aredhel. Ela tinha saído do banho e se arrumava. Aredhel me viu entrar e olhou-me preocupada.

— Você não fez nada contra o Jim, não é? — indagou franzindo o cenho.

Dei um suspiro irritado e aproximei-me dela.

— Não, Aredhel. Eu nada fiz a seu amiguinho — afirmei.

— Loki, esse seu ciúme é tão cansativo. Eu só queria mostrar Asgard e... — começou a se justificar.

— Esqueça isso — abracei-a.

Aredhel fitou-me incrédula. Eu acariciei seus cabelos e dei um beijo em sua testa. Ela me abraçou parecendo confusa.

— Desculpe-me ser tão ciumento — comecei meio contrariado.

— Está tudo bem... — murmurou. — Nossa. Isso eu não esperava — encaro-me aturdida.

— Só não quero que briguemos por motivos tolos — fui sincero. — Eu permito que seja amiga dele — falei rapidamente antes que me arrependesse.

— Ah… — fingiu espanto. — Então você permite? — inquiriu em tom provocador.

— Aredhel, entenda. Estou tentando me controlar. Certo? — resmunguei. — Só acho que poderia ter escolhido outra pessoa, uma mulher, de preferência, para ser sua confidente — bufei.

— Uma mulher… Sei… — crispou os lábios e encarei-a. — Certo. Certo. Não vamos discutir. Fico feliz que tenha permitido minha amizade com Jim — falou em tom de ironia. — Dou-me por satisfeita só de não lhe ver mais implicando com ele. Na verdade — alisou meu traje — acredito que vocês seriam bons amigos — sorriu de lado.

— Não force, minha querida. Isso nunca vai acontecer — fui taxativo.

Na hora do almoço seguimos em direção ao salão. Chegando lá, Váli, James, Fandral, Volstagg e Sif já estavam aguardando o almoço, bem como os amiguinhos de Váli, Siegfried e Sigrid.

Assim que entramos Aredhel foi falar com Váli e vi James se aproximar dela. Os dois trocaram algumas palavras e ele olhou para mim ainda sério. Aredhel, toda sorridente, falou algumas coisas e ele voltou a sorrir. Imaginei que estivesse perguntando se eu fizera algo contra ela. Se não fosse por algo que envolvia Aredhel, eu teria ficado satisfeito em vê-lo tão temeroso. Ele não confiava em mim, mas, independente do ciúme que tinha de James com Aredhel, eu estranhamente sentia que podia confiar nele.

Almoçamos todos juntos e de fato o clima fora mais tolerável entre James e eu. Ainda que fosse incômodo feito uma pedra em minhas botas.

Pelo resto do dia, passei ocupado. Aredhel, por sua vez, ocupara-se de ciceronear James pelo resto da tarde. Ao fim do dia finalmente chegara o momento de James partir. Eu, enfim, me livraria daquela pedra.

— Não se esqueça de explicar a situação a Will — ela disse para o ator. — Ele vai saber como explicar para nossos pais — franziu o cenho, parecendo meio preocupada.

— Pode deixar, Aredhel. Vou explicar tudo de pedir que eles fiquem de alerta — sorriu. — Mas foi muito bom poder conhecer Asgard e conhecer você. — dirigiu-se a Váli fazendo um cafuné na sua cabeça. — Você é um rapaz muito inteligente e cheio de truques — riu.

— Obrigada pela ajuda — Aredhel tomou as mão dele entre as suas. Por Frigga, por que ela tem que tocá-lo? — E, mais uma vez, perdoe-nos pelo ocorrido. Não queríamos o envolver nisso tudo — completou visivelmente culpada.

— Fiz o que achei certo e não me arrependo — fez um afago na mão dela. Respirei fundo. — Eu que agradeço a oportunidade de conhecer um novo mundo. Fiquei maravilhado mesmo — sorriu de novo.

— Não esqueça. Qualquer coisa é só usar a água. Você sempre será bem-vindo a Asgard — ela fez questão de insistir.

— Sim. Muito obrigado. Até Aredhel. Cuide-se. E qualquer problema me procure ou mande recado por William que virei vê-la — abraçou Aredhel e olhou sério para mim. Francamente, acredito que esse midgardian não tem noção do perigo ou de qualquer coisa na miserável vida dele.

James abaixou-se e abraçou Váli. Logo depois se dirigiu a mim.

— Não se esqueça do que lhe falei, Loki. Cuide bem dela — falou baixinho enquanto me cumprimentava com um aperto de mão.

— Eu sei cuidar do que é meu — redargui entredentes.

Ele me lançou um olhar de desaprovação e limitei-me a dar um suspiro irritado. Depois das despedidas, ele finalmente partiu. Estava livre daquela praga.

Seis meses se passaram. Hela já tinha mais de um ano e meio. Com exceção dos cabelos pretos e dos olhos azuis-esverdeados, ela se parecia cada vez mais com Aredhel. Ela era visivelmente uma criança diferente de Váli. Em comparação à Váli, Hela não era muito sorridente e falava muito pouco. Mas mostrava ter a mesma inteligência do irmão. A primeira palavra dela, para alegria de Aredhel, foi “mamãe”.

Váli continuava treinando magia comigo. Ele treinava displicentemente e com certa arrogância truques mais simples. Sempre me pedia que ensinasse a ele truques mais difíceis. Percebi que Váli combinava a avidez de Aredhel por conhecimento, com a minha soberba. Tudo isso somado à sua habilidade nata para a magia, mostrava que Váli era o resultado de uma mistura perigosa. Váli começara a pregar peças em todos no palácio. Ele só não ousava usar magia contra a mãe e nem contra mim. Mas também, estranhamente, não praticava contra Sigrid e Siegfried. Váli parecia gostar demais deles, principalmente de Sigrid.

Nesse mesmo período, eu tinha decidido entrar em contato com o Collector, ou melhor, Taneleer Tivan, para recuperar o Aether. Depois de eu ter localizado a Gem do Tempo, começara a se aproximar o momento em que finalmente poderia reunir todas as Gems. Eu ainda não tinha explorado as propriedades da Gem do Tempo. Eu ficava observando aquela bola verde e algo nela me fazia temer seus poderes. Eu sabia que, se a dominasse, o passado e o futuro seriam brinquedos em minhas mãos, mas e se eu não a dominasse? O quanto poderia me custar brincar com o Tempo? Eu sentia que a Gem verde era como o Aether, algo perigoso demais para ser manipulado. Sentia que, assim como o Aether, o Tempo poderia consumir e destruir tudo.

Tive que ir pessoalmente ver o Collector. Não poderia enviar Sif ou um dos guerreiros, pois eu ainda não tinha me preparado para revelar a verdade sobre as Gems para Aredhel. Em minha visita ao Collector eu tive que ser discreto. Não queria que ele sequer imaginasse que eu tinha as outras Gems.

— A que devo a honra de receber o próprio rei de Asgard em minha aeronave? — falou com um brilho curioso nos olhos.

— Vim resgatar algo que lhe foi confiado. Aether — fui sucinto.

Ele estreitou os olhos e ficou me encarando.

— E por que isso agora? Não tenho eu sido um fiel depositário? Um guardião confiável? — questionou com astúcia.

— Meu caro Tivan, longe de mim questionar sua honestidade. Entretanto o Aether tem que voltar para seu esconderijo original, longe do alcance de qualquer ser vivo — expliquei calmamente.

— Entendo. Por um momento pensei que seu lado ambicioso estivesse falando mais alto, filho de Odin — deu um sorriso malicioso.

— Como um bom rei, sempre serei fiel às escolhas de meu pai. Manterei as Gems longe de mãos ambiciosas, inclusive as minhas — sorri cinicamente.

— Você pode levá-lo. Afinal esta Gem nunca pertenceu à minha coleção — falou tentando disfarçar o descontentamento. A triste mania das pessoas tentarem mentir para mim.

Retirei-me levando comigo o Aether e retornei à Asgard. Mas algo me dizia que o Collector parecia resignado em demasia. Nem tentou argumentar ou barganhar, mas não me preocupei. Finalmente faltava apenas mais uma Gem, Alma.

Ocupada com a educação das crianças e com seus estudos de poções e magias, Aredhel mal tinha tempo para treinar. Para completar, passava boa parte do tempo livre dedicando-se a música e a estudar sobre os nove reinos. Por conta disso, ela voltara a comer mal e dormir pouco. Dizia que se sentia envergonhada de não poder me ajudar na administração do reino e de saber tão pouco sobre os nove reinos.

— Aredhel, tente entender. Você não tem como aprender em tão pouco tempo, o que levei mais de mil anos para aprender — tentei explicar.

— Eu sei, mas não quero que sinta vergonha de mim — resmungou. — Você é rei e devo estar a altura de poder fazer algo pelos reinos — fez um biquinho.

— Eu não tenho vergonha de você — toquei seu rosto. — Além disso, todos notam seus esforços e sabem que você é de Midgard. Na verdade seus atos os surpreenderam — puxei-a para um abraço.

— Sei. Todos acreditavam que, por ser humana, eu era um ser inferior e atrasado — crispou os lábios. — A verdade é que sou mesmo. Não consigo fazer nada útil — disse em desalento.

Aredhel tinha razão em parte. Os reinos tinham os mesmos preconceitos que eu tinha. Às vezes eu ficava pensando o que aconteceria se eles descobrissem que um Jotun era o rei de Asgard. Mas estava errada em pensar sobre si mesma como alguém inútil. A verdade é que mesmo depois de muito tempo, Aredhel ainda se sentia culpada por ter falhado no conflito com a Midgard dela.

Sentei-me ao seu lado e segurei a sua mão.

— Aredhel, essa sua falta de autoestima me preocupa. Você não é inútil. Tire isso de sua cabeça — com uma das mãos ergui seu rosto, para que me encarasse. — Você tem feito tanto por todos. Lutou para defender sua Midgard, tentou resolver os problemas com eles, cuida bem de nossos filhos e de mim. Não entendo porque continua pensando dessa forma sobre si mesma — comentei entristecido.

— Desculpe-me — deu de ombros. — Não é fácil tirar da nossa cabeça algo que fomos levados a acreditar por toda uma vida. Você ouve tantas vezes a mesma coisa que, mesmo sendo mentira, ela se torna verdade. Se torna parte de você — deu um sorriso amargo. — Eu adoro quando você me diz que sou útil, mas quando me olho no espelho, não consigo gostar do que vejo. Eu simplesmente não consigo ver o que você vê em mim... — murmurou com tristeza.

Eu a abracei e senti-me frustrado. Eu não podia fazer nada por ela. Estava de mãos atadas diante das tristes experiências que levaram Aredhel a se ver dessa forma. Em minha mente não deixava de culpar o pai de Aredhel por boa parte delas. Aquele velho maldito e desprezível arruinara a autoestima da própria filha.

Como Aredhel dizia, “falando no demônio”… Uma manhã, Wilson e William apareceram em Asgard. Eu estava ocupado e pouco me interessava encontrá-los. Dessa forma, quem os recebeu foi Aredhel. Eles já estavam a algum tempo conversando quando, passando próximo ao salão, ouvi o velho dizendo disparates para Aredhel.

— Eu sabia que ia dar nisso! — o velho disse alto. — Esse louco com quem você casou foi até a Terra e criou uma verdadeira guerra. E agora, segundo aquele ator, que é a cópia de seu marido, corremos o risco de sofrer as consequências dos atos dele! — gritou.

— P-papai... Eu... E-eu... — gaguejava Aredhel.

— A polícia está tentando identificar a mulher que aparece nas imagens gravadas no café — gesticulava feito um lunático. — Você imagina o que acontecerá quando descobrirem que é você? Imagina como nossa vida vai ficar? Sua mãe nem está dormindo de tão preocupada! — berrou com Aredhel. — Não é verdade, Will?

— Bom… É. De fato, é verdade — William anuiu, sem parecer surpreso com a agressividade do pai. — A polícia ainda não identificou você maninha, mas acho que logo descobrirão a verdade. E quanto a mãe, ela anda bem nervosa — foi incisivo.

Aredhel baixou a cabeça e visivelmente segurava as lágrimas. Aquilo era tortura.

— Você tem ideia de quantas pessoas ele matou? — o velho prosseguiu com o alarido. — Ele destruiu viaturas, matou seguranças, policiais e o presidente de uma das empresas! Até derrubou um helicóptero! E onde você estava que não fez nada, sua inútil? — cuspiu as palavras sobre Aredhel.

— Pai... — murmurou William, dando um cutucão nele.

Aredhel rompeu em soluços. Eu fiquei furioso. Entrei no salão, avancei no velho e o ergui pela gola do casaco.

— Como ousas falar assim com minha mulher? — rosnei. — Ela e sua filha! — disse entredentes.

Wilson me olhou apavorado, parecia prestes a ter uma síncope. William ficou boquiaberto e congelado no lugar onde estava. Aredhel correu e segurou meu braço.

— Loki! Não! — gritou desesperada. — Ele é meu pai… — falou baixinho, com a voz chorosa.

Bufei e soltei o velho maldito. Wilson caiu sentado no chão. Ele ficou pálido, colocou a mão no peito e arfava assustado. Aredhel correu e ajoelhou-se ao seu lado para acudi-lo, mas ele a empurrou.

— Eu não quero mais ouvi-lo falando desse jeito com Aredhel! Ou eu não respondo por mim! — gritei.

— O senhor está bem, papai? — Aredhel indagou com a voz chorosa, enquanto insistia em ajudá-lo.

— Estou — o velho resmungou se desvincilhando dela novamente —, mas não graças a você, que só me dá desgosto e se casou com esse monstro psicopata. — Empurrou as mãos Aredhel e se levantou com a ajuda de William. — Vamos, Will. Nossa conversa com a sua irmã terminou. Esse cara vai acabar com a sua vida, Aredhel. Escute o que estou dizendo. O maior erro de sua vida foi ter se casado com ele — afirmou.

Impassível, como se estivesse deixando para trás um cão abandonado e não a própria filha, o velho se retirou do salão, acompanhado por um William aturdido. Aredhel ficou no chão, chorando copiosamente. Aproximei-me dela e a ajudei a se levantar.

— Está tudo bem, meu amor — murmurei afagando seus cabelos.

Ela não falou nada e continuou chorando. Depois seguiu para o quarto e passou o resto do dia trancada nele.

À noite, quando cheguei ao quarto, ela já estava deitada. Mesmo dormindo, era visível sua cara inchada pelo choro. Dei um suspiro exasperado. Eu já estava cansado do pai de Aredhel. Toda vez que via a filha, nas últimas vezes, a tinha magoado. Se ele não fosse pai dela eu já o teria matado. Deitei-me ao lado de Aredhel e a aninhei em meus braços.

De madrugada, acordei incomodado e com um calor. Vi-me abraçado a Aredhel e percebi que o calor vinha dela, ela estava febril. Na verdade, ela ardia em febre. Levantei-me e fui a procura de algo para ela. Voltei com um chá, eu a acordei e ela o tomou. Pouco tempo depois ela voltou a dormir e a febre diminuiu, mas não passou por completo. Na manhã seguinte Aredhel ainda estava com os olhos inchados e a febre ainda persistia.

— Acho melhor você ficar na cama hoje. Precisa descansar e se alimentar melhor. Você tem se alimentado muito mal — falei preocupado.

— Certo. Vou ficar aqui quietinha hoje. E prometo que vou comer direitinho — afirmou, forçando um sorriso.

Aredhel definitivamente não estava bem. Ela nunca gostou de ficar quieta. Desde que a conheço, eu praticamente tinha que a obrigar a ficar na cama quando se acidentava. Imaginei que a febre e o seu desânimo eram apenas por causa da discussão do dia anterior, mas com o passar dos dias, comprovei que estava errado. Já havia se passado uma semana e Aredhel continuava desanimada. Sua febre ia e voltava. Comecei a ficar preocupado. Aredhel afirmava que passaria, dizia que só estava precisando descansar e que agora estava comendo bem, mas eu não estava muito convencido disso.

Nesse mesmo período, no meio de uma manhã, novas visitas apareceram, Thor e Stark.

Notas finais
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