A mulher do meu destino
67 Feelings, for all my life I'll feel it. I wish I've never met you, girl.
Notas iniciais
– Por favor, respire Aredhel, eu te imploro.. — sussurrei desesperado, sentindo as lágrimas descerem por meu rosto.
Tentei mais uma vez e Aredhel deu um suspiro alto, voltando a respirar, mas ainda com muita dificuldade. Deixei escapar um assobio de alívio. Inclinei a cabeça de Aredhel para trás para que ela conseguisse respirar melhor. Minutos depois, Ada chegou e a examinou. Perguntou-me o que tinha ocorrido e então expliquei a situação.
– Meu rei.. – fez uma pausa parecendo ponderar — Sua esposa está se recuperando de um ferimento grave em seu pulmão. Então ela deve evitar se cansar. Ela ainda não está em condições de respirar normalmente. Portanto deve evitar fazer certas coisas. – falou meio sem jeito.
– Er.. Entendo. – falei sentindo meu rosto corar.
Depois de fazer alguns procedimentos em Aredhel, ela se retirou. Pouco tempo depois Aredhel acordou e deu um sorriso fraco para mim. Dei um suspiro aliviado de vê-la viva e acordada. Passei os dedos por seu rosto, arrumando seu cabelo atrás de sua orelha. Aredhel reclamou que deitada era pior para ela respirar, então eu a ajudei a sentar. Coloquei-a sentada entre minhas pernas e apoiei suas costas em meu peito.
– Nada.. De.. Beijos... Certo? — falou com dificuldade.
– É amor.. Estamos de castigo. Nada de beijos ou outras coisas. — sorri de leve – Você teve o pulmão perfurado por uma de suas costelas quebradas. Ainda está se recuperando do ferimento, então você ainda vai levar algum tempo para recuperar seu fôlego. — contei – Que susto que levei.. Pensei que não conseguiria fazer você voltar a respirar.. — murmurei com tristeza.
– Desculpe-me... Meu amor.. Eu tentei respirar.. Mas parecia que não tinha ar.. Que não tinha.. Oxigênio ao meu redor.. Eu puxava e... Parecia que não.. Entrava nada.. — disse com a voz entrecortada, visivelmente cansada.
– Se perder o fôlego tem que tentar manter a calma. Sei que é desesperador ficar sem ar e que se deseja respirar o mais rápido o possível, mas tem que puxar o ar devagar e soltá-lo também lentamente. Só assim conseguirá voltar a respirar normalmente. — expliquei – Vou lhe mostrar como fazer. Você vai respirar junto comigo. Quando eu inspirar você fará o mesmo e soltará ar junto comigo, certo? — perguntei.
Aredhel afirmou com a cabeça e então eu coloquei uma das mãos em seu peito. Inspirei lentamente e ela me acompanhou com um pouco de dificuldade. Depois soltei o ar lentamente e ela fez o mesmo. Ficamos repetindo o exercício e aos poucos a respiração dela foi melhorando.
Pedi para trazerem o jantar no quarto. Aredhel levou muito tempo para comer, perdia o fôlego com facilidade durante a refeição. Várias vezes se engasgou com a comida. Ajudei Aredhel com o banho e também tomei um. Depois a deitei na cama e esperei que dormisse. Notei que tanto ela quanto eu estávamos ainda sem as alianças. Peguei-as onde havia guardado e coloquei a minha e depois a de Aredhel, dando um beijo em sua mão. Fiquei olhando ela dormindo, ainda meio preocupado. Como a respiração dela ainda era muito irregular, passei a noite acordado velando o sono dela.
Na manhã seguinte, Mary e James vieram ver Aredhel. Mary sentou-se na poltrona ao lado de Aredhel e as duas começaram a conversar. Aredhel ainda falava com dificuldade.
– E então? Como ela está? — perguntou-me James.
– Está se recuperando, mas ainda respira mal. Ontem à tarde me deu um susto. Desmaiou por falta de ar. Fiquei tentando fazê-la voltar a respirar e quase não consegui. Às vezes esqueço o quão frágeis vocês Midgardians são. — falei vencido.
– Ela vai ficar bem. Aqui vocês tem magia. Se fosse na Terra ela provavelmente ainda nem teria acordado. Estaria em estado grave, correndo perigo de morte. Aredhel é forte e vai se recuperar rapidamente. — tentou me confortar.
– James, desculpe. Eu ainda não lhe agradeci por ter cuidado de tudo e das crianças em nossa ausência. — agradeci.
– Tudo bem. Foi divertido “ser” Loki novamente. Além disso, adoro os filhos de vocês. São crianças maravilhosas. — sorriu.
Deixei Aredhel na companhia dos dois e aproveitei a oportunidade para ir falar com William, que já havia acordado.
Entrei no quarto e William estava sentado na cama de costas para a porta.
– Sabia que viria. — murmurou com certa ironia na voz – Não vai conseguir me manter muito tempo aqui. Ela virá me tirar daqui. — afirmou virando-se para me encarar.
– Ela não virá. Não se iluda. Você é apenas soldadinho para Lorelei. Dispensável. — falei com escarnio — William, daqui a mais alguns dias voltarei para conversar com você. E sei que me contará tudo que preciso saber. — sorri – E desejo lhe encontrar sendo consumido pela culpa pelo que fez a sua irmã.. — falei com raiva.
– Foi aquela vagabunda que começou, quando atacou minha amada Lorelei. — sibilou.
Segurei-me para não bater em William. Eu sabia que não valia a pena. Ele ainda estava sob o efeito dos encantos de Lorelei. Deixei o quarto e pedi que não o deixassem receber visitas.
Alguns dias se passaram. Aredhel ainda continuava de cama, mas estava quase totalmente recuperada de seus machucados e já respirava com mais eficiência. Ainda não tinha o mesmo fôlego de antes, mas conseguia lidar com as crises de falta de ar.
Durante esse tempo não voltei a encontrar Wilson. Ele me evitava e eu a ele. Também não vi William. Mary pediu várias vezes para vê-lo, mas neguei todas as vezes. Expliquei a ela que seria melhor esperar que o feitiço de Lorelei se desfizesse. Mary visitava a filha todos os dias. Wilson não foi vê-la nenhuma vez. Aredhel perguntou por ele todos os dias. Mary sempre dava alguma desculpa e Aredhel fingia que acreditava.
– Ele ainda não veio me ver.. — murmurou Aredhel depois que Mary saiu – Eu só queria saber o porquê.. Por que ele não gosta de mim? — perguntou de cabeça baixa – Por que ele disse que eu sou um.. — fez uma pausa — ..erro? — indagou com a voz quase sumindo.
– Não fique pensando nisso. — eu a encarei — Você não é um erro, Aredhel. Tenha certeza disso. E saiba que seus filhos e eu lhe amamos muito. — afaguei seus cabelos.
– Eu não sei o que seria de mim sem vocês.. — murmurou.
Eu a abracei e dei um beijo em seu rosto. Aredhel se encolheu em meus braços. Cada vez mais eu odiava o pai de Aredhel. Eu ainda não havia decidido se contaria a ela sobre a conversa que tive com Mary. Eu não sabia como ela reagiria se soubesse que o pai dela a via como um erro. Tinha receio de que isso mexesse mais ainda com sua autoestima.
Nesses dias, nossos filhos também visitaram regularmente a mãe. Narfi praticamente não saía do lado de Aredhel. Sentia-me aliviado quando chegava ao quarto e encontrava Aredhel animada conversando com as crianças. Eu sempre pensava que, apesar das dificuldades, eu tivera sorte pela família que tinha conseguido construir ao lado de Aredhel.
James mostrou-se ser um bom “irmão” para Aredhel. Como o esperado, todos os dias James ia vê-la. Um desses dias ele chegou para falar com Aredhel e então aproveitei para tomar um banho. Estava me vestindo quando comecei a ouvir parte da conversa deles.
– Eu sei o quanto você está sofrendo, Jimmy. E isso me corta o coração. — disse Aredhel fitando-o com tristeza e pegando a sua mão.
– Não está sendo fácil mesmo. — disse James acariciando a mão de Aredhel – Isso está me consumindo. Às vezes eu queria poder assumir logo o que eu sinto e acabar com esse sofrimento todo. Queria não ter mais que esconder o que sinto. — murmurou olhando-a com aflição.
Ia sair do banheiro, mas ao ouvir aquela conversa, parei na porta, congelado. As palavras deles me deixaram confuso. Sentia o ciúme tentando me dominar. Eles ficaram em silêncio por um tempo olhando um para o outro. Olhei para Aredhel e tentei convencer a mim mesmo que ela sempre me fora fiel. Que os pensamentos malignos que rondavam minha mente eram apenas fruto de minha possessividade. Meneei a cabeça tentando afastar esses receios, tinha prometido a mim mesmo confiar em Aredhel.
– Acho que está na hora de acabar com esse sofrimento. — disse Aredhel de repente – Sabe, eu acredito que devemos seguir nossos corações. Eu sei que pode parecer meio inconsequente, mas o que seria da vida sem o amor? O que seria se desistíssemos de amar? Passaríamos a vida toda lamentando. E essas duas palavrinhas “e se”, iria nos assombrar para o resto da vida. — deu um sorriso tímido.
Minha respiração começou a ficar pesada. Comecei a me perguntar se realmente eu estava entendendo as coisas de forma errônea. Continuei estático ouvindo e tentando absorver o que ouvia.
– Eu não sei Aredhel. Tem muita coisa em jogo... — James murmurou aflito.
– Tudo na vida tem seu preço. E o que a gente realmente deseja requer sacrifícios. Nem sempre se pode ter tudo na vida.. — Aredhel disse baixinho – Quando eu comecei com isso, sabia dos riscos, mas resolvi mergulhar de cabeça. Eu sabia que tinha que viver esse amor. — suspirou.
Senti meu coração afundar no peito. Tranquei a mandíbula com raiva. Aquilo não podia ser verdade. Eles não podiam ter se apaixonado um pelo outro.
– Eu sei.. — sorriu James – Em suma, o importante é ser feliz.. — murmurou.
– Exato, Jimmy. — concordou Aredhel — O mais importante é viver o presente e deixar para pensar no futuro quando ele chegar. Não adianta ficar se torturando pelas coisas que podem dar errado ou não. O medo estagna e.. — franziu o cenho — ..destrói. Pode inclusive acabar com uma linda história de amor... — deu um suspiro triste.
– É.. Eu sei como é.. — falou com um semblante sério – Espero ter tomado a decisão certa. – deu um sorriso torto.
– Se ouviu seu coração tudo dará certo. — sorriu Aredhel.
– Claro que ouvi.. — murmurou James corando – Resta-me tomar coragem para agir. — disse meio sem jeito.
– Tudo vai dar certo. Tenha certeza de que sempre estarei ao seu lado para o que der e vier. — Aredhel apertou a mão de James – Saiba que eu te amo e que tudo que desejo é a sua felicidade. — sorriu.
Estava chocado. Ouvi claramente Aredhel dizer a ele que o amava. Senti a raiva tomando conta do meu ser. Uma confusão instaurou-se em minha mente. Um ciúme doentio me fazia desejar invadir o quarto e matar James de uma vez. Aredhel era minha, somente minha. Ninguém, além de mim, poderia tocá-la. No que dependesse de mim, James nunca iria tomá-la. Ela jamais seria de outro.
James se inclinou na direção de Aredhel. Arregalei os olhos e fiquei esperando, estupefato, o desfecho daquela cena. Meu coração batia disparado e a ira crescia dentro de mim. Meu autocontrole estava se esvaindo. Eu transpirava fúria. Ele aproximou os lábios do rosto de Aredhel e deu um pequeno sorriso. James iria beijá-la.
– Também te amo, minha “irmãzinha”. — disse James dando um beijo em seu rosto — E realmente espero que Loki continue lhe fazendo feliz. Senão ele terá que se ver comigo. — riu James.
– O mesmo digo sobre Greta. Se eu te vir triste, ela vai ver o que acontece com quem mexe com meus “irmãos”. — riu Aredhel.
Respirei profundamente. Saí do banheiro cabisbaixo, os dois olharam para mim e franziram o cenho.
– Algo errado, meu amor? — perguntou Aredhel.
– Não.. Nada, meu amor.. — murmurei meio sem jeito.
Sentei-me ao lado de Aredhel e os dois continuaram a conversa sobre Greta. Eu estava aturdido. Se fosse em outros tempos, eu teria cometido um ato de desatino. Por pouco uma conversa inocente não terminara em tragédia. Olhei para os dois conversando despreocupadamente e senti medo. Percebi que meu ciúme e possessividade eram monstros, adormecidos talvez, mas que ainda estavam vivos, apenas esperando uma oportunidade para atacar.
James se despediu e saiu do quarto nos deixando a sós. Aredhel virou-se para mim e ficou me encarando por um tempo com as sobrancelhas arqueadas.
– Loki, aconteceu alguma coisa? Você está tão estranho. — disse com o cenho franzido.
Encostei minha testa na dela e fechei os olhos. Tudo o que me vinha à mente era aquela maldita noite. Por um momento, quase a história toda se repete. Se eu tivesse atacado James, Aredhel o teria defendido com a própria vida se fosse preciso. Provavelmente ela sairia, no mínimo, machucada. Ou talvez a tragédia toda se repetisse e eu a matasse novamente.
– Loki? O que você tem, meu amor? — indagou preocupada tocando meu rosto com a mão machucada.
Abri os olhos e encarei aqueles olhos castanhos. Eu a amava tanto, mas era um perigo para Aredhel. Desde o início eu só a magoava, machucava e a colocava em perigo. Afastei-me um pouco dela e passei os dedos sobre a pequena linha que ainda existia em seu supercílio esquerdo e depois sobre o leve hematoma que ainda havia ao redor de seu olho direito. Tudo o que acontecera de ruim a ela, desde que ela viera viver na outra realidade, fora culpa minha direta ou indiretamente.
– Você nunca deveria ter entrado naquela luz... — sussurrei triste.
– O quê? — surpreendeu-se – Do que você está falando, amor? — questionou confusa.
– Tudo isso foi um erro, Aredhel.. — murmurei.
Aredhel olhou-me incrédula e depois baixou a cabeça. Eu fiquei olhando para minhas próprias mãos me sentindo tão culpado por tudo que aconteceu a ela.
– Você se arrepende de ter se casado comigo? — perguntou em um sussurro.
– De certa forma. — respondi com tristeza.
Olhei para Aredhel e lágrimas escorriam por seu rosto. Ela apertava nervosamente o vestido com a mão esquerda e meneava a cabeça negativamente com o olhar perdido. Percebi que tinha falado besteira.
– O que.. Houve? O que eu.. Eu.. Fiz de errado? Você.. Você.. Vai.. Vai me.. Me deixar? — gaguejou.
– Não, Aredhel! — falei aflito – Eu nunca vou te deixar! Você não fez nada de errado! — falei com desespero.
Ela me fitou aturdida e soluçava. Eu a abracei e dei um beijo em seus lábios.
– É que eu só faço mal a você. Se eu fosse menos egoísta eu voltaria no tempo e teria evitado que você viesse para cá. — falei angustiado – Mas eu não consigo viver sem você ou nossos filhos. — fui sincero – Eu me arrependo de ter envolvido você nisso tudo. Ano após ano você vem sofrendo as consequências de meus erros. Eu vivo te machucando. Eu sou uma ameaça a sua vida. — disse amargurado.
– Meu Deus... — soluçou – Aquela noite vai nos assombrar para sempre... — murmurou vencida.
– Não é só por aquela noite. É por tudo que já aconteceu antes e depois. E eu ainda sou muito ciumento, possessivo e obcecado em relação a você. — confessei.
– Você está preso, mais uma vez, às más lembranças. Pense em todos os dias felizes que já tivemos. Eles são em maior número que as tragédias que vivemos. — apertou minha mão com a sua mão boa – A vida é assim. Cheia de altos e baixos. Feita de momentos bons e ruins. O importante é que somos felizes juntos. Pelo menos é o que eu acho primordial. — outra lágrima desceu por seu rosto.
– Você tem razão, meu amor. — limpei suas lágrimas com o polegar — Eu sou tão feliz ao seu lado e saber que você é feliz também, é tudo o que realmente importa para mim. — sorri de leve.
– E quanto ao seu ciúme. Eu sei que continua sendo possessivo, mas você hoje pelo menos se controla. Loki, não existe cura para tudo. Existem coisas que a gente tem que aprender a viver com elas. Aprender a controlá-las. Olhe a situação que vivemos hoje. Você sempre teve ciúmes de James, mas hoje o abriga e é amigo dele. Antes você nos vigiava, hoje você nos deixa até as sós aqui no quarto. — argumentou.
– Você não sabe o que está dizendo. Não tem ideia dos desatinos que cheguei perto de fazer por essa obsessão, por esse ciúme doentio que tenho por você. — falei com amargura.
– Você chegou perto, mas não fez. Conseguiu se controlar. Você está mudando.. — beijou-me nos lábios.
– Ah, Aredhel.. Você sempre enxergando o melhor de mim... — dei um sorriso fraco.
– Claro que sim.. Eu te amo, Loki.. Mais do que a mim mesma.. — disse olhando em meus olhos.
– Também te amo, Aredhel. Você é a minha vida. — declarei — Desculpe-me por lhe fazer acreditar, mesmo por um momento, que não queria ter te conhecido. Você foi o que de melhor aconteceu na minha vida. — dei um beijo demorado.
Separei-me dela e ela deu um sorriso torto. Aredhel ficou me encarando por um tempo, enquanto brincava com a minha camisa e de repente riu.
– Nós ainda não podemos, não é? — perguntou ficando rubra.
– Eu não sei, Aredhel. — sorri sem jeito – Você ainda perde o fôlego, não sei se é uma boa ideia. Eu ainda não esqueci que você desmaiou naquele dia. — falei preocupado.
– Ah.. — fez um muxoxo – A gente podia tentar pelo menos.. — falou baixinho.
– Certo, minha taradinha. Mais tarde então tentamos. Por agora, tente descansar. Você ficou falando demais e até chorou. Durma um pouco. — dei um beijo em seu topo.
Aredhel concordou e se aninhou na cama. Fiquei em sua companhia até que adormecesse. Afagava seus cabelos e pensava em tudo que conversamos. Ainda me sentia temeroso com a loucura que quase cometi, se não tivesse escutado a conversa até o fim. E senti culpa por quase tê-la magoado por ter dito que fora um erro ela vir para aquela realidade. Ela tinha razão. Se ela não tivesse entrado naquela luz, eu não saberia o que era felicidade. Eu seria eternamente grato por tê-la ao meu lado.
Depois que Aredhel adormeceu segui para o quarto de William. Imaginei que depois de todos esses dias ele já estaria fora do controle de Lorelei. Ao entrar no quarto, William estava sentado em um canto. Ele me olhou e encolheu-se, visivelmente com medo.
– Por favor, Loki, me diga. Ared.. Ared está viva? — perguntou-me com a voz trêmula.
– Está, mas não graças a você. — respondi trancando os dentes.
– Ela está muito mal? Eu.. Eu ouvi o barulho de ossos se quebrando, quando a Lorelei a chutou. — passou as mãos pelo rosto — Por Deus.. Eu nunca vou me perdoar.. — começou a choramingar.
– Você não tem ideia de como ela ficou. Ela teve duas costelas, o nariz e três dedos quebrados. Também teve o pulmão perfurado e estava coberta de hematomas. — disse entredente — No que depender de mim, você nunca esquecerá mesmo. Sua ajuda a Thanos para controlar Thor também quase custou a vida de Aredhel. — sibilei.
Ele me olhou estupefato.
– Então o que James contou era verdade? — indagou com lágrimas nos olhos.
– James nunca acompanhou Aredhel. Era eu disfarçado. Eu que fui a sua casa e acompanhei vocês naquele dia. E o que contei sobre Thor era verdade. Ele a beijou a força e tudo deu errado. — contei.
– Então é verdade! Você a machucou! — rosnou — Por isso que eu me uni a Thanos! — rebateu William – Você faz mal a ela! Depois que descobri sobre a morte de Phil, eu sabia que tinha que fazer algo para te afastar da minha irmã! Ela está com você ainda, por medo! Ared só não deixa você porque não pode levar os filhos com ela! — gritou.
– Pare de falar besteiras! A morte do noivo dela foi um acidente! Aredhel me ama! Ela nunca teve medo de mim e muito menos quis me abandonar! — rosnei de volta – Por causa de suas suposições absurdas, Aredhel quase morreu, seu idiota! Você acreditava realmente que Thanos iria poupar ela ou meus filhos? Não, seu humano estúpido! As primeiras vítimas seriam justamente Aredhel e as crianças! Thanos, Lorelei e Amora iriam querer me pegar por meu ponto fraco! Minha família! — gritei.
William me olhava chocado e meneava a cabeça negativamente. Parecia finalmente estar compreendendo a estupidez de seus atos. Levou as mãos à cabeça e lágrimas começaram a escorrer por seu rosto.
– Meu Deus.. Ared.. As crianças.. — sussurrou – Como eu fui burro! Merda! — desesperou-se.
– Chorar e desesperar-se não vai mudar o que aconteceu. Não apagará o que Aredhel sofreu! O que meus filhos sofreram! — vociferei – Você não tem ideia da tortura que foi para eu assistir Aredhel ser surrada quase até a morte e não poder fazer nada! Eu não sofro os efeitos do feitiço de Lorelei, mas não podia reagir senão as duas teriam matado sua irmã! Você errou feio, William, e só está vivo porque é irmão dela! Caso contrário eu teria tido o maior prazer do mundo em lhe matar! — berrei.
William baixou a cabeça e soluçou.
– Eu também não esqueço o que vi.. Depois que recuperei a consciência de meus atos, os gritos de Ared não saem da minha cabeça.. A visão dela apanhando fica se repetindo sem parar, como um filme em minha mente.. — chorava.
– Boa sorte. Agora terá que viver com os fantasmas de seus erros. — falei com raiva — O que sabe sobre os planos de Thanos? — fui direto.
– Nada. Eu só soube que ele ia controlar Thor quando chegamos na Terra. Depois disso, me dispensaram e voltei para casa. Só voltaram a me chamar para apresentar Lorelei e Amora. Depois disso eu só seguia ordens, mas nunca sabia dos planos. Tudo o que sei é que eles têm muito interesse nos Avengers e nas Joias do Infinito, e que há gente dos estúdios de cinema envolvido nisso. Jack é um deles. — explicou.
– Isso não ajuda muito. Continuamos às cegas. — resmunguei — Mas juro que Lorelei pagará pelo que fez a Aredhel. — fechei os punhos com raiva.
– Eu posso vê-la? — murmurou enxugando as lágrimas.
– Pode, mas aviso que ela está descansando. Não a acorde. — avisei – A partir de hoje poderá sair do quarto, porém será vigiado. E assim como seus pais, não terá acesso à água do lago e nem tão pouco será permitido usar a Bifrost. — alertei.
Segui com William até o quarto. Ele entrou e Aredhel continuava dormindo. A respiração dela ainda era entrecortada. William ajoelhou-se ao lado da cama e a fitou por um tempo. Acariciou com cuidado a mão machucada de Aredhel e depois o rosto dela. Ele então agarrou a outra mão da irmã, encostou os lábios e começou a chorar silenciosamente.
Apesar de achar a cena toda tocante, eu não conseguia sentir pena de William. Ele, assim como eu, teria que aceitar seus erros e aprender com eles. William que escolhera se unir a Thanos e todo o resto veio como consequência.
– Perdoe-me, maninha.. – William sussurrou em meio a um soluço.
Passado algum tempo, ele se levantou todo tristonho e perguntou-me se ele poderia ver também as crianças. Pedi que o guarda o acompanhasse até o quarto das crianças.
Mais tarde encontrei com James e ele me contara que tivera uma longa conversa com William. James contou que ele estava muito arrependido e sentia muito remorso por tudo o que ocorreu com Aredhel. Ele contou ainda muito animado que pedira Greta em namoro e ela aceitara.
– Segui o conselho de Aredhel. Tirei um peso do meu peito. Eu não suportava mais aquela situação. – comentou.
– Meus parabéns. Espero que dê tudo certo entre vocês. – fui sincero.
– Obrigado. Independente de como o conflito termine, pretendo ficar com Greta. Espero que possamos voltar para a Terra. — franziu o cenho — Fico imaginando como reagiria Odin com esse desfile de humanos em Asgard. Os dois filhos dele se casaram com humanas e você ainda trouxe família e amigos de sua esposa para viver aqui. Ele ficaria furioso. – riu James.
– Verdade. Ele não aprovaria isso. Já teria mandado os guardas expulsarem vocês daqui. – ri.
Voltei para o quarto à noite e Aredhel já havia jantado e estava no banheiro terminando de se banhar. Eu a ajudei a vestir uma camisola branca e curta. Eu tomei um banho rápido e sentei ao seu lado na cama.
– Espero ficar boa logo. Não aguento mais passar tanto tempo no quarto. Estou com saudades do jardim. — fez beicinho.
– Creio que amanhã poderá ir ao jardim. Você já não se cansa tanto. Está se recuperando rapidamente. — afaguei seus cabelos.
– Então... – corou e pegou minha mão – Podemos tentar? – sorriu lascivamente.
– Aredhel, eu sinto sua falta também, mas acho tão arriscado. Tenho medo que passe mal. – falei com sinceridade.
– Por favor? – pediu com uma expressão meiga no rosto.
– Está bem. Mas se sentir falta de ar você me avisa, certo? E sem beijos demorados. – alertei.
Ela balançou a cabeça afirmativamente e deu-me um beijo rápido. Olhei para Aredhel e senti medo. Confesso que vê-la tão vulnerável, ainda me deixava mais excitado. Eu a desejava desesperadamente, mas tinha muito receio de machucá-la.
Comecei a beijá-la com cuidado. Eu dava beijos esparsos e leves mordidas em seus lábios. Aredhel foi abrindo minha camisa, enquanto nos beijávamos. Tirei a camisola dela e o resto de minha roupa, em seguida comecei a beijar seu pescoço. Embriagava-me com o cheiro dela misturado com o perfume de jasmim. Meu anseio por possuí-la só aumentava. Desci até seus seios, depositando beijos esparsos. Aredhel começou a gemer e a puxar meus cabelos. Desci minha mão até seu sexo e massageei por um tempo, fazendo-a gemer mais alto. Deitei Aredhel de lado na cama e a puxei colocando suas costas coladas em meu peito.
– Lembre-se meu amor, respire. E me avise se ficar sem fôlego. — sussurrei em seu ouvido e entrelacei meus dedos da mão direita nos de sua mão esquerda.
Aredhel meneou a cabeça afirmativamente. Então comecei a penetrar sua intimidade e mover meu quadril lentamente. Aredhel gemia de prazer, me deixando mais ávido por ela. Podia sentir a respiração dela ficando mais falha e ela apertando cada vez mais forte minha mão, a medida em que eu acelerava. Eu estava preocupado, mas o prazer que ela emanava e que eu sentia, aos poucos foi me inebriando. Já não conseguia me concentrar em mais nada, a não ser naquela busca desesperada por saciedade. Eu arfava de forma descontrolada nos ouvidos de Aredhel. Aumentei mais o ritmo das estocadas até sentir Aredhel estremecer em meus braços e dar um gemido fraco. Continuei me movendo rapidamente até me derramar nela.
Confesso que ainda queria mais, mas ao deixar dissipar aquela nuvem de prazer na qual me perdi, percebi o quão cansada Aredhel estava. Ela respirava com muita dificuldade e tentava aplicar o que eu lhe ensinara para recuperar o fôlego. Mantive-me abraçado a ela e a auxiliei na respiração.
– Isso, Aredhel. Respire com calma. — falei preocupado.
Após algum tempo ela conseguiu normalizar a sua respiração.
– Consegui.. — disse com a voz entrecortada.
– Sim, meu amor.. Você conseguiu.. — dei um beijo em seu rosto.
Percebi que Aredhel ainda levaria algum tempo para se recuperar. O preocupante era que eu não sabia se ela teria todo esse tempo antes de nossos inimigos nos atacarem.
Fale com o autor