A mulher do meu destino
62 And so lying underneath those stormy skies, She'd say, "oh, I know the sun must set to rise"
Notas iniciais
— Thor! — sibilei.
— Will? M–mas como? Eu... Eu não... Não estou entendendo... — murmurou Aredhel atônita.
— O irmão da raposinha? — Stark franziu o cenho. — Mas não foi o cara que veio buscar a gente daquela vez? Eu pensei que ele fazia parte do “good guys”. Vocês têm muito o que explicar… — disse ameaçadoramente.
— Agora que você falou demais — ergui as mãos —, explique tudo a eles, Thor! — virei na direção de Aredhel — Venha comigo… Acho que precisamos conversar com calma... — pedi.
Segurei o cotovelo dela, fiz sinal com a cabeça para James e seguimos para dentro do local da festa. Sem conhecer bem o local, fomos para a sala onde fiquei com Thor e os outros padrinhos. Sentei Aredhel, que até o momento estava soturna, em uma cadeira e puxei outra. James fez o mesmo.
— Meu amor, depois que você — respirei fundo — morreu, Thor veio me contar como foi que Thanos o controlou. Segundo ele, Thanos, William e outro homem chamado Arthur, vieram para essa Midgard e então Thanos controlou a mente do Thor. O plano era Thor retornar à Asgard e roubar as Gems que estivessem em meu poder. Como você sabe, Thanos vigiava meus passos na busca pelas Gems. Ele já deveria saber que eu estava com outras em meu poder. Porém, felizmente, somente três estavam no cofre. Thor também deveria ajudar Amora na fuga da Lorelei e entregar a elas o Aether e o Tesseract. Ele igualmente ficou encarregado de levar a Gem da Mente, me matar, ir para a sua Midgard e entregar a Gem ao tal de Arthur. Mas como você foi ao quarto dele e ele me ouviu falando com James no corredor, ele armou aquela situação toda. Thor lhe beijou a força, justamente para provocar minha ira. Thanos queria que Thor me matasse durante a luta — expliquei.
— Pensamos em contar tudo para você antes, mas você ainda estava muito deprimida — atalhou James. — Depois teve o envenenamento da Hela e adiamos novamente. Iríamos contar tudo depois de hoje. Afinal, você estaria mais animada e seria mais fácil contar. Loki apenas queria lhe poupar de sofrer mais desgostos em tão pouco tempo.
Aredhel não nos encarava. Olhava fixamente para suas mãos. Parecia perdida em seus devaneios. Troquei um olhar preocupado com James.
— Aredhel? Meu amor? — chamei tocando seu rosto.
— Meu próprio irmão... — murmurou e finalmente me encarou. — Por quê? — Seus olhos estavam marejados, mas pareciam cheios de indignação. — Será que ele está sendo controlado? E meus pais? Será que Thanos sequestrou meus pais e está chantageando ele? — exasperou-se.
— Eu não sei, Aredhel — fui sincero. — Eu não o conheço bem, só você poderia dizer se ele estaria sendo controlado. De qualquer forma, quando ele veio aqui da última vez ele já sabia sobre a Gem do Tempo, então ele provavelmente já estava envolvido com Thanos desde aquela época — lembrei-a.
— Não... Era o Will de sempre... — ela meneou a cabeça com o olhar distante. — Ele só tinha mudado em relação a você. Eu até entendi a reação dele na época. Ele gostava muito do Phil. Sempre dizia que eu tinha tirado a sorte grande, que Phil seria um bom marido para mim... Por isso ele ficou com tanta raiva de você quando descobriu sobre a morte dele — deu um suspiro. — Thor não... Ele realmente parecia outra pessoa. Pensei que a decepção com Jane tinha sido tão grande que o fez mudar radicalmente.
— Então você acha que eles podem estar chantageando o seu irmão desde aquela época? — inquiriu James.
— Infelizmente, acho improvável… — fui franco.
— Pensando bem... Acho que não... — disse Aredhel com o semblante triste. — Minha mãe, naqueles dias, não parecia temer algo que não fosse o Loki. Ela teria deixado transparecer que estavam sendo ameaçados. Quando a Will… Ele é muito covarde. Naquela visita ele teria nos contado. Mesmo com raiva de você, ele teria pedido a nossa ajuda. Na verdade teria exigido isso — fez uma careta. — Além do mais, ele é péssimo para guardar segredos e fazer conspirações. Sempre acabava me entregando para o papai... — deu um sorriso torto. — Mas não entendo... Ele conhece as histórias dos quadrinhos. Sabe muito bem quem é o Thanos, os objetivos deles e toda a história. Will sempre foi fã dos heróis. Ele é louco pelo Steve. Porque ele se uniria aos vilões? Por que queria matar o meu marido? — indagou confusa.
— Talvez para lhe proteger, Aredhel — disse James.
— Como assim? — encarei-o, surpreso. — Está insinuando que sou uma ameaça a minha própria esposa?
James fez uma careta e cruzou os braços.
— Loki, coloque-se no lugar dele. William lhe vê como um real vilão. Repentinamente, a irmã dele revela que casou com você e ainda apresenta o filho de vocês. E tudo isso apenas dias depois do funeral do noivo dela. Pense um pouco. Para a família de Aredhel tudo isso foi repentino demais. Talvez ele pense que você a mantém aqui presa. Lembre-se que ele já viu o quanto violento você pode ser. Então talvez, em uma atitude desesperada, resolveu se unir a outro vilão para salvar a irmã de suas garras. Acredito que isso inclusive explica o comportamento dos pais de Aredhel. Até a mãe dela tentou convencê-la a lhe deixar — explicou.
— Faz sentido... — murmurei irritado.
— É… — Aredhel anuiu lentamente. — Mas Will e mamãe sabem que escolhi ficar ao seu lado. Deixei bem claro isso para eles — rebateu.
— Saber disso, não significa que eles concordem ou acreditem no que você declarou. Eles podem pensar que você disse aquilo por medo de que Loki fizesse algo. Além do mais, imagino que sua mãe sabe que você não deixaria seus filhos para trás. Ela deve imaginar que você se sacrificaria para ficar perto deles — retrucou James.
— Verdade... Minha mãe pensaria isso… Entretanto... Meu pai e o Will, eu duvido muito. Eles acham que eu sempre faço tudo errado. Duvido que acreditem que eu seja uma boa mãe — comentou com amargura.
— De qualquer forma, Thanos roubou os três aero-porta-aviões e está com duas Joias do Infinito — James encarou Aredhel. — O povo da nossa Terra está se preparando para uma guerra — murmurou entristecido.
— Eu sabia que algo ruim estava para acontecer — Aredhel passou os dedos por sua testa. — Quando Narfi incendiou meu vestido, pensei que fosse isso, mas a sensação não passou... Pelo contrário, ela só aumentava… Eu deveria ter desconfiado... — falou com os olhos se enchendo de lágrimas. — Uma guerra eminente contra minha realidade, minha Terra. Santo Deus... A minha família está toda contra meu marido e quer vê-lo morto. Nunca vou ter paz... — levou a mão à boca, visivelmente tentando conter o choro.
Aproximei-me de Aredhel e a abracei. Comecei a entender seu comportamento estranhamente sombrio e a forma como bebia durante a festa. Ela pressentia que algo ruim estava por acontecer.
— Acalme-se, meu amor. Vamos encontrar um jeito de resolver isso — tentei tranquiliza-la.
Ela ficou pensativa e ficamos os três em silêncio por um tempo.
— Meu Deus! — ela disse de repente — E você, Jimmy? Thanos sabe que você está aqui, que está do nosso lado! Você não poderá voltar para a Terra! — exasperou-se.
— Eu sei Aredhel… — ele fez um afago na mão dela. — Eu pensei sobre isso um dia desses quando Loki perguntou por quanto tempo eu ainda ficaria aqui. Depois de pensar muito foi que percebi que não poderia voltar... Não por enquanto… Por mim mesmo e por minha família — deu um sorriso triste.
Aredhel apertou a mão dele e algumas lágrimas rolaram por seu rosto.
— E-eu... Sinto muito... — sua voz saiu embargada.
James balançou a cabeça e ele e Aredhel ficaram de mãos dadas por um tempo. Olhei para os dois com pesar e senti pena do ator. De fato a sua amizade com Aredhel havia lhe custado muito caro. Talvez ele jamais pudesse voltar para a sua realidade. James, meio emocionado, deu um beijo na testa de Aredhel e depois se recompôs.
— Vamos primeiro ver como resolveremos isso, certo Loki? — olhou na minha direção. — E se, ainda assim, tudo der errado enquanto eu estiver vivo, posso sempre recomeçar — deu um sorriso fraco.
Confesso que as vezes admirava o otimismo dele.
— Vamos livrar nosso mundo de Thanos e daquelas cadelas! — disse Aredhel com raiva, levantando o punho.
— Acho que a coisa não é tão simples assim — alertei. — Ainda não sabemos quem da Midgard de vocês está envolvido nisso. Desconfio que sejam ainda as empresas que produzem os filmes, mas isso não garante que os governantes de lá não estejam envolvidos. Talvez eles todos estejam apoiando Thanos por vontade própria. Até onde eu sei Thanos podia controlar a mente de apenas um indivíduo por vez e somente agora que ele está de posse do Aether, possibilita a expansão desses poderes. E antes de poder utilizá-lo ele terá que aprender a controlá-lo. Lembre-se de que o Aether consome a vida daquele que não consegue dominá-lo. Não é tão simples utilizar as Gems. Eu mesmo só consegui controlar a Gem da Realidade, pois ilusões é minha especialidade e, mesmo assim, tive que utilizar uma quantidade imensa de energia. Treinei durante muito tempo para conseguir fazer aquilo — expliquei. — Temos sorte de Thor não ter entregado a Gem da Mente para uma delas antes de recuperar o controle sobre si mesmo.
Aredhel voltou a ficar quieta.
— O que você pretende fazer? — perguntou James.
— Primeiro saber o que os Avengers pretendem fazer. A S.H.I.E.L.D não existe mais, mas creio que eles estejam dispostos a defender Midgard — dei de ombros.
— Nós não podemos nos precipitar — começou Aredhel. — Existem pessoas inocentes na outra realidade. Muitos sabem que foi o próprio Thanos que os atacou da outra vez. Isso ainda é muito recente lá. Tem meus amigos, a família de Jimmy e — baixou a cabeça — minha família.
— Talvez Thanos não tenha se revelado, talvez ele esteja apenas controlando a situação, escondido atrás dos Midgardians que o apoiam — rebati. — Não seria a primeira vez que ele utiliza outros para conseguir o que quer. Digamos que nem conhecemos seu exército pessoal ainda. E quanto a sua família, comece a pensar na possibilidade deles todos estarem apoiando ele por vontade própria e que você terá que escolher um lado, Aredhel — falei seriamente.
Aredhel baixou a cabeça, fitando o chão. James pôs a mão no ombro dela tentando dar algum apoio. Embora entendesse o sofrimento de minha esposa, eu tinha que ser franco. Ignorar aquela possibilidade não era uma escolha dada as evidências de envolvimento de William na trama de Thanos.
— Eu vou procurar Thor e os demais para saber o que eles pensam fazer. Depois eu me encontro com vocês — falei e em seguida me retirei da sala.
Voltei para o salão e não vi sinal de Thor e nem de os outros Avengers. Avistei a Srta. Potts e fui em sua direção.
— Srta. Potts, poderia me dizer onde posso encontrar Thor e Stark?
— Acho que eles estão no escritório — ela piscou os olhos, aparentemente surpresa. — Você entra por aquela porta, segue o corredor até o fim e dobra à esquerda. É a primeira porta — explicou indicando com a mão a entrada da casa. — Aconteceu algo, Loki? — pareceu preocupada.
— Não. Está tudo sobre controle, Srta. Potts — dei um sorriso calmo.
Segui em direção à entrada da casa. No caminho fui abordado por Váli.
— Pai, o que está acontecendo? Eu ouvi o tio Thor e o tio Tony conversando com o Banner e o Barton sobre umas aeronaves, a HYDRA, Thanos e o fim da S.H.I.E.L.D. Thanos está atrás do senhor? — o menino disparou as perguntas.
— Você estava bisbilhotando, Váli? — ralhei, mas internamente estava orgulhoso da curiosidade dele. — Mas... Como você sabe sobre Thanos? — indaguei surpreso.
— Eu assisti o filme dos Avengers. Eu sei tudo o que o senhor fez aqui — deu de ombros.
— Como você assistiu? Sua mãe não queria que você visse esses filmes — comentei chocado.
— Peguei o notebook que o tio Will deixou aqui e assisti — ergueu os ombros novamente. — Também assisti os dois filmes do tio Thor. A mamãe não sabe que eu assisti, mas o tio Jimmy sabe. Depois que assisti fiquei muito confuso e comecei a perguntar para ele sobre algumas coisas. Perguntei, por exemplo, como o senhor e a mamãe se conheceram. Afinal, nos filmes o senhor não gostava de midgardians e a mamãe é uma. Então ele começou a desconfiar que eu tivesse visto os filmes e me fez confessar — coçou a nuca, visivelmente constrangido. — Ele me explicou muita coisa… Por exemplo, fatos que ocorreram, mas que não tinha nos filmes. A mamãe mudou muita coisa neles — franziu o cenho. — E o senhor mudou muito também e tudo por causa da mamãe — deu um sorriso tímido.
Eu estava boquiaberto. Váli havia descoberto sobre meu passado e tratava tudo com uma naturalidade espantosa.
— Meu filho... Eu fiz muita coisa errada. Magoei e machuquei muita gente. Uni-me às pessoas erradas e... — comecei a falar nervosamente.
— Eu sei, pai — interrompeu-me. — Mas o senhor se arrepende, não é? E o mais importante é que o senhor mudou e vem tentando consertar seus erros — abriu um sorriso esperançoso.
Fiquei perplexo ao constatar que Váli, embora encarasse as coisas com uma visão bem mais otimista, conseguira entender e até aceitar meus erros e mudanças. Era como se eu estivesse conversando com um adulto e não com uma criança. A perspicácia de Váli me lembrava de Aredhel e de mim mesmo.
— Sim. E tenha em mente que a vida cobra muito caro por nossos erros — falei com amargura.
— Mas deu tudo certo afinal, não deu? — enrugou a testa.
— Sim, mas sua mãe e eu pagamos o preço desses erros até hoje… — confessei.
— Então, o que está acontecendo é por causa do passado? — insistiu Váli. — É Thanos?
— Váli... É Thanos, mas a história é um pouco mais complicada. Depois eu lhe explico melhor — tentei encurtar a história.
— Se tiver uma batalha eu quero ir! — disse todo empolgado.
— Não, Váli! Sua mãe jamais deixaria. Ela ficaria furiosa comigo se soubesse os detalhes da luta contra Tivan — lembrei-o.
— Mas o senhor viu que posso dar conta. Eu o derrotei sozinho — tentou argumentar. — A mamãe irá com vocês se tiver uma guerra? — indagou.
— Com certeza ela irá, mesmo contra a minha vontade — comentei meio irritado.
— Então se ela vai eu também posso ir! — alteou a voz.
— Não, Váli! Não insista! — vociferei. — Além disso, nem sabemos o que vai acontecer ainda — já estava impaciente com a birra dele.
— Ela é quem não deveria ir! — rosnou. — Eu sou mais resistente que a mamãe por ser parte Jotun! Sei tudo o que ela sabe de magia! Mamãe é apenas uma humana! Sou muito mais útil que ela! Mamãe seria um peso para o senhor!
Ouvi o barulho de vidro se quebrando. Olhei para o lado e vi Aredhel e James parados. Ele segurava dois pratos com fatias de bolo e havia dois outros quebrados aos pés de Aredhel. Ela franziu o cenho e vi a decepção em seus olhos.
— Aredhel... — murmurei.
— Mamãe... E-eu… Eu não quis... — gaguejou Váli.
Aredhel nem esperou o menino terminar, virou-se e saiu andando apressadamente. Sumiu rapidamente no meio das pessoas que dançavam no salão.
— Mamãe! Espere! — gritou Váli, saindo correndo atrás de Aredhel.
— Por Deus… — bufou James. — Vocês dois não negam que são pai e filho. São iguais em tudo! — colocou os pratos sobre a mesa. — Ela viu vocês conversando e pensou em trazer bolo para comer com vocês. Hoje está sendo um dia difícil para ela. Primeiro o chilique de Narfi, depois a traição do irmão e agora o próprio filho a menosprezando. Ela já tem uma baixa autoestima... — passou uma das mãos pelos cabelos e deixou escapar um assovio.
— Eu sei... Eu vou atrás dela... — afirmei aflito.
— Espere... Você já falou com Thor e os outros? — lembrou-me.
— Não... Ainda não — crispei os lábios. — Váli ouviu parte da conversa dos Avengers e queria saber o que estava acontecendo. Falou que já sabia de meu envolvimento com Thanos no passado e disse que se houvesse uma guerra ele queria participar — revirei os olhos. — Para ele isso não deve passar de uma brincadeira. Meu filho não entende a gravidade da situação. Então começamos a discutir sobre o assunto e deu nisso... — dei um suspiro.
— Então deixe que eu falo com Aredhel… Enquanto isso você vai logo falar com eles — falou seriamente.
— Certo. Obrigado.
James foi atrás de Aredhel e eu fui em direção ao escritório. Ao chegar ao tal local, de fato, lá estavam os Avengers reunidos.
— Finalmente a rena reapareceu — resmungou Stark, assim que passei pela porta.
— Onde está a pequena? — indagou Thor.
— Está se recuperando da notícia maravilhosa que você deu a ela — fui sarcástico.
— Eu sinto muito… — passou a mão pela nuca. — Eu não tinha intenção de magoá-la. Falei sem pensar — ergueu as mãos, todo sem graça.
— Bom, voltando ao assunto principal — disse Barton, nos olhando de esguelha —, temos que estar preparados para um possível ataque.
— Não acho que seja bem assim — discordou Stark. — Se eles quisessem nos atacar teriam feito isso assim que colocaram as mãos nas aeronaves da S.H.I.E.L.D. Thanos tem outros planos.
— Tony tem razão — concordou Banner. — Segundo você nos contou eles nem chegaram a atacar diretamente. Eles se aproveitaram do conflito com a HYDRA para furtarem os aero-porta-aviões.
— Concordo em parte — resolvi me intrometer. — Primeiramente, nós nem sabemos onde está a tal aeronave e tampouco onde eles estão escondidos — lembrei. — De fato a briga de Thanos, Lorelei e Amora é comigo. E alguns Midgardians da outra realidade não andam muito felizes também. Afinal, fui eu quem foi até lá e exigiu de maneira benevolente que eles parassem de fazer os filmes — dei de ombros. — Mas com Thanos por trás de tudo, creio que todos devem estar preparados. Na verdade minha sugestão seria investigar a fundo o que eles estão planejando. Depois pensar sobre o que fazer a respeito — sugeri.
— Loki tem razão — anuiu Stark. — Não podemos nos precipitar. Pelo que entendi sobre a diferença de tempo nas realidades, o tempo está a nosso favor. Podemos fazer tudo com calma. Posso usar Jarvis e os satélites para ficar de “olho nos céus” para qualquer sinal do aero-porta-aviões em nossa realidade.
— Você vai usar os satélites para fazer isso? — Banner o encarou. — Você tem acesso a eles?
— Não — Stark deu de ombros —, mas tenho meus métodos para acessar.
— Por que eu ainda pergunto? — murmurou Banner.
— Eu concordo — foi a vez de Thor se manifestar. — Pessoas inocentes podem pagar com a vida caso ocorra uma guerra mesmo. Independente da realidade, temos que pensar nas pessoas que não estão envolvidas nisso — atalhou.
— Ok! Na nossa realidade temos como rastreá-los, mas na outra? — rebateu Barton. —Como vamos saber o que planejam se não temos acesso à outra realidade? Não podemos ficar apenas aguardando uma invasão — rosnou.
— Eu posso investigar — erguei a mão. — Posso ir disfarçado para tentar descobrir o que puder. Além disso, já contamos com os guerreiros de Asgard que estão em missão na outra realidade e ainda não retornaram. Eles foram justamente atrás de Lorelei e Amora.
— E como vai disfarçado? — perguntou Banner.
— Digamos que o grupinho de Midgard está esperando algumas informações de um amigo nosso. Amigo esse que poderia fingir nos apoiar para ganhar nossa confiança — sorri.
— De quem você está falando, Loki? — indagou Thor confuso.
— James, o ator! — exclamou Stark. — Claro! Perfeito!
— Exato! Thanos, enquanto controlava Thor, o viu em Asgard agindo como um amigo leal e depois o vê de volta à Terra com as informações que precisa — sorri satisfeito. — Como ele também tinha contato com a família de Aredhel, vou poder descobrir mais sobre o envolvimento do irmão dela — concluí.
— Sei que você é o mestre do disfarce, mas você conhece bem esse cara? — retrucou Stark. — Se ele chegar agindo estranho lá eles poderão desconfiar que é você. Imagino que Thanos também saiba de suas habilidades de se disfarçar — alertou.
— Já conheço muita coisa sobre ele, mas vou precisar de mais algum tempo para tornar bem efetivo meu disfarce. Contudo, isso não será problema. Como você mesmo disse, o tempo está do nosso lado — dei um sorriso irônico.
Conversamos ainda por mais um tempo. Combinamos de manter-nos vigilantes e avisar uns aos outros sobre qualquer novidade. Thor e Aredhel seriam essas pontes de comunicação entre nós, uma vez que Thor moraria em Midgard.
Terminada a conversa, fui atrás de minha esposa. Já estava no fim da festa, boa parte dos convidados já tinham partido. Encontrei Aredhel em nossa mesa junto com James e as crianças. Ela parecia meio apática e Váli olhava tristemente para seu prato de bolo. Percebi que o que quer que James tenha dito, não conseguira contornar o desastre criado pelas duras palavras de Váli. Aredhel acabou por confirmar minhas suspeitas ao pedir para voltarmos para Asgard, assim que cheguei a mesa.
Despedimo-nos dos noivos e dos demais Avengers, pegamos o mesmo carro até o local ao qual chegamos e retornamos para Asgard. Aredhel permaneceu em silêncio durante o nosso retorno. Ao chegarmos a Asgard combinei com James que na manhã seguinte contaria a ele sobre a conversa com Stark e os demais. Falei também com Váli que teríamos uma conversa séria sobre o que houve. Eu ainda não havia esquecido o quanto ele havia sido cruel ao falar da mãe daquela forma.
Aredhel foi levar nossos filhos para seus respectivos quartos e eu fui para o quarto. Sentei-me na poltrona e fiquei aguardando Aredhel. Quando entrou ela, seguia na direção do banheiro, mas eu a puxei pelo braço e a fiz sentar em meu colo.
— Precisamos conversar, Aredhel.
Ela permaneceu em silêncio fitando as próprias mãos.
— Não fique assim, meu amor — Acariciei levemente seus cabelos. — Nós conseguiremos resolver tudo. Conversei com Thor e seus amiguinhos. Vamos primeiro investigar o que estão planejando. Vou poder descobrir melhor sobre o envolvimento de seu irmão. Tudo vai dar certo — expliquei.
Aredhel exalou o ar lentamente e me fitou com um olhar triste.
— O que fiz de errado, Loki? — perguntou com os olhos marejados. — Por que minha família não gosta de mim? Por que iriam querer matar você? — seu lábio inferior estremeceu. — E-eu... S-sou u-um peso para você? — as lágrimas represadas desceram por seu rosto.
Senti meu coração se apertar. Eu sabia que o dia fora muito difícil para ela e que fora cheio de decepções. Aredhel ficara visivelmente mais deprimida depois de descobrir sobre William e de ter ouvido Váli falar aquelas coisas.
— Não, Aredhel... Você não é um peso… — falei com urgência. — Tampouco você fez algo de errado. Quanto a sua família eu realmente não sei — suspirei. — Váli só falou aquilo porque estava tentando me convencer a levá-lo para a batalha contra Thanos e... — comecei a explicar.
— Eu sei… — interrompeu-me. — Ele me contou tudo e me pediu desculpas. Mas acho que ele estava certo no que disse — deu um sorriso triste. — Mesmo sabendo magias e técnicas de luta eu ainda sou humana. Sou fraca.
— Não, meu amor... Pelo contrário. Você é muito forte. Tem suportado tanta coisa. Física e emocionalmente — passei a mão por sua coxa. — Sua compaixão é sua fortaleza. Mesmo sofrendo tantas decepções, continua persistindo, acreditando no melhor das pessoas. Você olha para um céu tempestuoso e, mesmo assim, acredita que o sol sairá logo. Ser humana e resistir a tudo isso que já passamos, só prova o quanto você é forte — sorri timidamente.
— Talvez eu seja apenas uma sonhadora — riu de leve.
— E o que seria da vida sem os sonhos? — rebati.
Ela parecia ainda relutar em crer no que eu falava.
— Aredhel… Você é a única capaz de me fazer dar o melhor de mim. Você é quem me dá forças quando acho que vou fracassar.
Aredhel sorriu para mim e deu-me um beijo no rosto. Continuei acariciando sua coxa e fui puxando de leve seu vestido, subindo sua barra. Ela sorriu e ficou brincando com as mexas do meu cabelo. Fechei os olhos e desfrutei por alguns instantes deste carinho. Deslizei delicadamente meus dedos pela parte de dentro de sua coxa, como se tivesse desenhando em sua pele. Com a outra mão afastei seus cabelos e fiz carinho em seu pescoço.
— Sabe Aredhel, eu gosto quando você fica assim, quietinha — subi minhas mãos por sua coxa. — Passiva... — aproximei meus dedos de sua intimidade. — A mercê das vontades e — passei a mão por dentro de sua calcinha — dos desejos de seu dono — sussurrei e toquei em seu sexo.
Senti Aredhel estremecer. Sorri com lascívia. Eu massageava com os dedos sua intimidade. Ela gemia baixinho enquanto apertava minha camisa e a barra do vestido entre as mãos. Aproximei meu rosto e comecei a beijar e sugar a pele de seu pescoço. Continuei com aquelas carícias por um tempo. Logo percebi o quanto ela já estava excitada, mas continuei.
— Loki... — falou baixinho com o cenho franzido, em agonia.
— Diga, minha Aredhel.
— Eu... Eu não aguento mais... — disse com a voz entrecortada.
— Você quer seu dono dentro de você? — sussurrei novamente em seus ouvidos.
Balançou a cabeça afirmativamente.
— Diga, meu amor. Diga o que você quer — insisti em baixa voz.
— Eu quero você... Loki... Dentro de mim... — disse com a voz falhando.
Senti calafrios e sorri satisfeito.
— Gosto de ver você assim, prontinha para mim — sorri e apertei-a contra meu corpo. Estava duro por ela. — Está sentindo? Eu também quero estar dentro de você — mordi sua orelha.
Aredhel deixou escapar um gemido. Eu a carreguei até a cama. Fiquei de joelhos diante dela e fui tirando minha roupa apressadamente. Ela fez o mesmo com a sua. Peguei a faixa de seu vestido e amarrei seus pulsos acima de sua cabeça, prendendo na cama. Ela me olhou surpresa.
— Hoje não vai se mexer. Hoje você é minha... Só minha... — murmurei contra a pele de seu pescoço.
Beijei-a com urgência, deixando-a sem fôlego, enquanto minhas mãos desciam habilmente por seu corpo, até alcançar as suas coxas. Deitei-me entre suas pernas, penetrei-a lentamente. Eu não tinha pressa. Queria desfrutar de cada centímetro daquela mulher. Quando finalmente estava enterrado nela, comecei naquele vai e vem de forma lenta.
Alternava meus beijos entre sua boca e seus seios. Aredhel começou a gemer alto e isso me incitou a me mover cada vez mais rápido. Eu me movia com voracidade, grunhindo de prazer em seus ouvidos. Ela fechou os olhos arqueando as costas e atingiu o êxtase. Continuei me movendo até alcançar o meu orgasmo também.
Ainda arfando soltei Aredhel da cama, mas ainda a mantive amarrada. Passei seus braços em volta de meu pescoço e dei leves beijos em seus lábios.
— Não vai me soltar, amor? — perguntou-me ofegante.
— Não. Eu ainda não terminei com você — sorri com malícia.
— Loki, eu te amo demais… — riu.
Amamo-nos mais duas vezes e Aredhel adormeceu exausta. Desamarrei seus pulsos e os massageei para ajudar a desfazer as marcas que ficaram. Eu a acomodei em meus braços e deixei-me cair no sono. Estava cansado, mas plenamente satisfeito e realizado. Eu era indefinivelmente louco por aquela mulher.
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