A mulher do meu destino

46 Cause I'll just make the same mistake again


Notas iniciais
Cause I'll just make the same mistake again = Porque eu apenas cometerei o mesmo erro de novo - Trecho da música "Same Mistake" de James Blunt. Olá!! Fiquei ultra, mega, hiper feliz com os comentários do último capítulo!! Realmente foi um capítulo repleto de fortes emoções. Gostaria de agradecer a todos os comentários e a Loryelle Moonshadow que deixou mais uma recomendação para a fic!! Dei pulinhos aqui.. Para comemorar, realizei o desejo de muitas leitoras no capítulo de hoje... Um desejo profundo.. hehehehe Boa leitura!!

Partimos e em um piscar de olhos chegamos à casa de Aredhel. O silêncio imperava no local.

— Onde estamos? — perguntou-me o ator confuso.

— Estamos na antiga casa de Aredhel.

Enquanto eu juntava algumas coisas, James explorava o local com certa curiosidade.

— Quantos livros! — exclamou olhando ao redor.

— É... Aredhel é ávida por livros. Possui uma sede implacável por conhecimento — comentei orgulhoso.

— Ela tem bom gosto — sorriu sacudindo alguns livros do tal de Shakespeare para mim. — Desculpe a minha curiosidade, mas quem é este rapaz? — apontou para um retrato de Aredhel e Phillip. — Tem muitas fotos dele aqui — olhou ao redor.

— É o ex-noivo dela — revirei os olhos. — Ele morreu em um acidente — sorri de leve.

— Er... — fez uma pausa, parecendo incomodado com algo. — Você teve algo com a morte dele? — indagou erguendo uma sobrancelha.

Todos pensavam e esperavam o pior de mim. Bufei. Ainda que na época eu realmente estivesse disposto a me livrar daquele idiota para ter Aredhel, eu não havia feito nada contra ele. Quando ele morreu eu nem sabia quem era Aredhel ou de onde viera, muito menos a enxergava como mulher.

— Não. Foi um acidente de carro — fui sucinto. — E deixe de ser tão curioso. Não foi para me encher de perguntas que eu o trouxe aqui. Vamos subir! — ordenei.

O ator me seguiu silenciosamente até o quarto. Quando entramos, Aredhel e as crianças ainda estavam dormindo. Aproximei-me da cama e acariciei o rosto dela. Sabia que teria problemas quando ela acordasse.

— Tem certeza de que ela está bem? — perguntou James atrás de mim, empoleirado feito um corvo agourento.

— Tenho! Dei a ela uma poção, mas preciso de algumas ervas, que só existem em Asgard, para acordá-la — respondi meio irritado. — Agora me ajude. Pegue Hela — ordenei.

Hela dormia entre Aredhel e Váli. James se inclinou sobre Aredhel, pegou e carregou Hela nos braços. Dei a volta na cama e abaixei-me ao lado de Váli.

— Váli... Acorde — sacudi-o de leve.

O menino acordou, se espreguiçou e olhou ao redor. Seus olhos pararam por um momento em James e depois se virou para mim com um semblante confuso.

— Papai, ilusões podem carregar pessoas? — perguntou coçando os olhos.

— Não, filho. Ele não é uma ilusão — falei impaciente.

— Mas ele se parece demais com o senhor, papai! — exclamou Váli encarando James.

— Olá, Váli. Meu nome é James — sorriu. — Sou amigo de seus pais — estendeu a mão livre para cumprimentar Váli.

Váli o cumprimentou alegremente. Coloquei uma tigela sobre uma pequena mesa e coloquei a água da lagoa. Voltei para a cama e carreguei Aredhel nos braços. Voltei para próximo da mesa.

— Váli, segure a mão de James e agarre meu braço.

Eles se aproximaram e Váli fez o que pedi. Mergulhei o rosto na tigela e fomos transportados para Asgard.

Assim que chegamos, chamei alguns servos e passei algumas instruções. Primeiramente pedi que levassem as crianças e que acomodassem Aredhel em nosso quarto. Os servos demoraram a se retirar, pois olhavam boquiabertos para James. Presumi que perceberam que ele não se tratava de uma de minhas ilusões. James olhava tudo ao seu redor atônito. Não pude deixar de rir de sua expressão.

— Então? — ri. — Está surpreso? — indiquei o espaço ao redor.

— Claro que estou — sorriu embasbacado. — É exatamente igual ao filme, só que real e deslumbrante ao vivo. Nos filmes são cenários crus que são alterados por computador — comentou.

— Você terá que aguardar um pouco. Vou primeiro cuidar de Aredhel. Depois eu lhe explicarei o processo para que você retorne a sua Midgard — expliquei. — Por que não aproveita a oportunidade única de conhecer Asgard? Aceite isso como um agradecimento por seus serviços prestados — ironizei. — Pedirei que os servos o acomodem. Mas não se acostume com minha benevolência. Só o faço por Aredhel — adverti.

— Obrigado — murmurou distraidamente.

Passei mais algumas recomendações para os servos e eles me informaram que passamos sete meses fora. Retirei-me e fui para o quarto. Preparei, com o auxílio de algumas ervas, um antídoto para a poção que havia dado a Aredhel. Com cuidado, fiz minha esposa engolir parte do preparado.

— Aredhel — chamei-a. — Acorde, meu amor.

Aredhel lentamente abriu os olhos. Suspirei aliviado. A poção era eficaz em manter as pessoas dormindo indefinidamente. Alguns chegaram a morrer de fome. Olhei para ela e sorri. Ela me fitava ainda sonolenta e confusa. Ergueu-se e se sentou na cama. Olhou ao redor e depois para mim.

— Loki, filho de Odin! — estrilou. — Você me enganou! Você me dopou! — gritou furiosa comigo. — Por quê? O que você aprontou dessa vez?

— Aredhel, meu amor, acalme-se. Eu... — comecei a falar.

— Acalmar-me? — disse entredentes.

Aredhel se levantou em um átimo e tentou avançar em minha direção, mas se desequilibrou. Adiantei-me para ampará-la.

— Aredhel, se acalme, você ainda está sob o efeito da poção — alertei.

— Largue-me! — empurrou-me e caiu no chão.

Tentei me aproximar para ajudá-la a se levantar, mas ela voltou a me empurrar. Minha mulher era muito geniosa.

— Não me toque! Fique longe de mim! — rosnou se levantando com dificuldade. — Diga! O que fez na Terra? Diga-me! — gritou histérica.

— Está bem — ergui as mãos. — Vou lhe contar.

Ela relutantemente se sentou na cama e eu acomodei na poltrona que ficava ao lado. Depois de me empertigar, comecei a narrar com calma todo o ocorrido para Aredhel. Em virtude da raiva que ela estava de mim e sabendo que, com certeza, ela verificaria a veracidade do que eu estava contando, resolvi poupar-me de novas discussões e contei toda a verdade. Ela ouviu tudo aturdida, com lágrimas escorrendo por seu rosto. Depois que terminei ela se levantou em silêncio e dirigiu-se à porta do quarto.

— Aredhel? Aonde vais? — perguntei confuso.

— Eu preciso ficar sozinha. Preciso pensar — falou baixinho de costas para mim.

— Aredhel, meu amor. Entenda. Fiz por você, por nossos filhos, por todos nós — pedi.

— Não, Loki — encarou-me e crispou os lábios. — Sempre tão arrogante. Continua se achando superior a todos, principalmente em relação aos humanos. Nos julga tão inferior… — uma lágrima desceu por seu rosto. — Parece que às vezes esquece de onde veio — foi ferina.

Fechei a cara. Eu entendi muito bem a insinuação dela. Era a primeira vez que via Aredhel usar isso contra mim. Ela franziu o cenho por um instante e pareceu se arrepender do que havia dito. Deu um suspiro meneando a cabeça negativamente. Baixou os olhos e com um semblante triste voltou a me encarar.

— Você nada mudou ao longo desses anos... — ela disse dando um sorriso amargo. — E continua cometendo os mesmos erros. Você está sempre mentindo, enganando e usando as pessoas. Inclusive as que afirma amar... Embora sempre esteja me cobrando para que eu não lhe esconda nada, você esconde as coisas de mim. Você está sempre me enganando e mais uma vez tomou decisões sozinho — senti a mágoa em suas palavras.

Aredhel tremia e apertava os punhos com força. Eu nunca tinha visto ela agir daquela forma. Era como se ela estivesse colocando para fora tudo o que havia guardado durante anos. Fiquei extremamente surpreso e preocupado.

— O medo o domina e você vive em função dele… E viver com medo é viver pela metade... — murmurou pensativa. — Cada vez afunda mais nessa obsessão de ter controle sobre tudo e todos. Você mata e destrói em nome desse controle! E por lhe apoiar… Por nunca ter me oposto, eu sou tão responsável por isso quanto você! — bradou em meio às lágrimas. — E eu não sei se ainda conseguirei ser feliz carregando tanta culpa... — desabafou.

Chorando se aproximou da porta e saiu em silêncio.

— Aredhel! — chamei.

Saí atrás de Aredhel, mas não a encontrei. Resolvi esperar que ela se acalmasse e que talvez mudasse de ideia. Alimentava a esperança de que ela entendesse que, no final, não tínhamos alternativa. Ansiava que ela entendesse meus motivos.

Procurei por Heimdall e Fandral para me informarem o que ocorreu e o que foi feito em minha ausência. Tinha que retomar o controle das coisas e continuar de onde parei. Para meu alívio não tiveram nenhum incidente. Apesar de todo o tempo que ficamos fora, eles não tiveram maiores dificuldades na administração.

Fiquei ocupado por um tempo me atualizando sobre as questões do reino e só voltei a ficar livre já na hora do jantar. Segui para o salão na esperança de poder conversar com Aredhel, mas ao chegar lá apenas encontrei Váli jantando.

— Vocês não sabem dizer onde poderia estar Aredhel? — indaguei aos serviçais.

— Ela está no jardim — respondeu James entrando no salão. — Ela disse que não sente fome e que não virá jantar — completou.

Olhei para James e ele vestia roupas de Asgard. Usava um traje simples de linho, compostos de camisa e calças azuis. Eu já tinha até me esquecido da presença dele no palácio.

— Você estava com Aredhel até agora? — inquiri, mal contendo minha irritação e me levantando da mesa.

— Sim, eu estava conversando com ela. Eu a encontrei por acaso — pareceu ponderar por um instante. — Perdoe-me a intromissão Loki, mas acho que você deveria ir conversar com ela. Ela se sente muito culpada pelo que houve na Terra — franziu o cenho.

Bufei. Não gostava da ideia de ver Aredhel conversando a sós com o James pelo palácio. Mas, no momento, a maior preocupação era minha briga com Aredhel. Resolvi seguir o conselho de James e fui atrás dela.

Cheguei ao jardim e ela estava sentada na grama. Arrancava as pétalas de uma flor com um semblante triste. Sentei-me ao lado dela e passei a mão por seus cabelos. Ela continuou calada fitando a flor.

— Aredhel, entenda... Eu fiz o que pude para evitar machucar ou matar aquelas pessoas. Você os conhece, sabe a ambição que eles têm pelo dinheiro. Sabia que eles resistiriam à ideia de perder um negócio tão lucrativo. Mesmo depois do que ocorreu no café, eles não pensavam em mudar de ideia. Pelo contrário, estavam prontos para persistir na ideia e manterem os filmes — fiz uma pausa. — No final das contas as mortes deles evitarão as mortes que ocorreriam aqui. As quais poderiam ser bem mais numerosas — argumentei.

— Eu realmente espero que essas mortes não sejam em vão. Que com o fim dos filmes não surjam outras guerras e novos inimigos. Afinal, nem tudo o que nos aconteceu ao longo desses anos estava em um dos filmes — falou seriamente me encarando.

— Também espero, meu amor — murmurei.

Aredhel tinha razão, nem tudo o que enfrentamos, esteve nos filmes. Mas, pelo menos, agora não correríamos o risco de ter boa parte de nossas vidas atreladas aos filmes.

— Você já pensou que isso pode trazer graves consequências para minha família e para Jim? — falou de repente. — Para a polícia James é uma vítima, mas para as empresas envolvidas nessa guerra ele é nosso cúmplice! Eles sabiam que eu era sua esposa! Podem ir atrás de meus pais e de Will! — exasperou-se.

— Aredhel, sua família tem a água do lago. Se algo der errado eles virão para cá, imagino — lembrei-a despreocupadamente.

— Acha tão fácil? — sibilou. — Minha família não possui superpoderes! Eles podem ser pegos de surpresa e nem ter como fugir para cá! E acredita que seria tão simples para eles abandonarem a vida deles, tudo o que construíram e vir viver em outro mundo? E quanto a Jim? Você o usou e agora não liga para o que possa acontecer com ele! — rosnou.

Tive que me conter. Ver aquela preocupação toda de Aredhel com o ator estava me deixando irritado. Eu não queria piorar minha situação com Aredhel tendo uma crise de ciúmes ou me indispondo com ela por causa dele ou da família dela.

— Vamos procurar uma forma de avisar sua família sobre a situação e deixá-los preparados para uma possível fuga para cá, está bem? E quanto ao ator... — dei um suspiro tentando controlar minha irritação. — Vamos fazer o mesmo. Qualquer coisa o abrigaremos aqui também — trinquei os dentes, demasiadamente contrariado. — O que está feito, feito está. O que nos resta é procurar soluções para remediar. Se tiverem que começar de novo aqui em Asgard ou na Midgard dessa realidade terão que se conformar — dei de ombros.

Após bufar visivelmente irritada, ela passou a mão pela fronte.

— Está bem... Você está certo… Não há como voltar atrás e corrigir tudo isso — suspirou pesadamente. — Mas isso não muda o fato de você ter me enganado. De estar sempre escondendo as coisas de mim, de continuar mentindo... E pior, mentindo para mim! Você me dopou... — murmurou com lágrimas nos olhos.

— Perdoe-me por ter feito aquilo com você, mas eu sabia que você não concordaria com o que eu ia fazer. E eu também não queria que se arriscasse — suspirei. — Prometo não esconder mais as coisas de você — falei com sinceridade.

Com uma das mãos ergui o rosto de Aredhel e aproximei-me para beijá-la, mas ela desviou o rosto e voltou a baixar a cabeça.

— Espero que dessa vez você cumpra a sua promessa — disse baixinho e levantou-se.

Aredhel seguiu para dentro do palácio e me deixou sozinho novamente. Fiquei pensando que realmente eu já havia prometido não esconder as coisas dela e havia falhado. Naquele momento, eu temia que estivesse perdendo a confiança da mulher que eu amava.

Voltei para o salão. Váli e James estavam conversando alegremente. Aredhel estava com Hela nos braços e ouvia a conversa com um sorriso tímido nos lábios. Ao entrar no salão ela me olhou de relance e voltou a desviar o olhar.

— Greta — Aredhel chamou uma das servas. — Por favor, leve Hela e Váli para seus quartos. Já está na hora de dormirem — entregou Hela para a serviçal.

Váli deu um beijo de boa noite em Aredhel e veio fazer o mesmo comigo. Depois se dirigiu a James.

— Boa noite, tio Jim! — abraçou o ator.

— Boa noite, Váli — sorriu James.

— Precisamos conversar, Jim — falou Aredhel com um semblante triste.

Sentei-me em uma poltrona e, emburrado, assisti Aredhel explicar seus receios em relação a segurança do ator e da família dela. O sorridente James aos poucos foi ficando tristonho e assumindo um semblante de derrota. Caíra finalmente em si. Viu que tinha sido tão ingênuo quanto Aredhel ao acreditar no bom senso dos seus iguais. Não que ele tivesse muita escolha no que dizia respeito a me ajudar em meus planos. Eu praticamente o obrigara a fazer parte daquela situação. Entretanto James pôde perceber o quão caro lhe custou acreditar na utópica possibilidade de realizar um acordo com aqueles midgardians.

Aquilo era irônico. Eu era o “estrangeiro” que sabia desde o início que aquele plano estava fadado ao fracasso. Enquanto que Aredhel e James eram os “nativos” que não conheciam a própria espécie e nem a grandeza de suas ambições. Pobre James, se Aredhel estivesse certa, a vida que ele conhecia tinha acabado. Todavia eu tinha fortes dúvidas que ele fosse punido diretamente por algo. Pelo menos enquanto os “sobreviventes” ainda lembrassem de minhas ameaças. Contudo, algo me dizia que sua carreira como ator não teria a mesma sorte… Então resolvi não comentar sobre isso.

Depois da longa explanação Aredhel praticamente implorou que ele perdoasse ela e a mim por tê-lo envolvido nisso tudo. Tudo o que James fazia era menear a cabeça afirmativamente com um olhar triste e distante.

— Duvido que você e a família de Aredhel tenham algum problema tão cedo — finalmente tomei a palavra e me dirigi a James. — Se forem espertos, os midgardians lembrarão de meu aviso. Eles sabem que a família de minha esposa é, indiretamente, minha família também. E que você é... — custou-me dizer tais palavras. — Meu “amigo”... — falei contrariado. — E, portanto, meu protegido — revirei os olhos.

James ficou boquiaberto. Vi Aredhel esboçar um sorriso malicioso. Um sorriso de vitória. Bufei.

— Ele tem razão, Jim — ela sorriu. — Eles sabem que você está sob nossa proteção.

James voltou a ficar sorridente. Eu não entendia como uma pessoa podia estar o tempo inteiro sorrindo. Parecendo estar feliz o tempo todo. Chegava a ser patético.

Aredhel encerrou a conversa prometendo que no dia seguinte iria ensiná-lo a usar a água do lago para levá-lo de volta a outra Midgard. Prometeu que lhe entregaria uma garrafa com a água para que ele pudesse utilizá-la, caso fosse necessário fugir para Asgard. Aredhel ainda disse que passaria a ele outras instruções que deveria transmitir a seus pais e William.

Finalmente terminamos a enfadonha conversa e seguimos para os quartos. James se dirigiu ao quarto no qual foi acomodado, enquanto Aredhel e eu fomos para o nosso. Fui direto tomar um banho enquanto Aredhel foi para a cama. Depois que saí, Aredhel estava sentada lendo. Sentei-me ao seu lado, acariciei seus cabelos e fiquei encarando-a. Ela me ignorou e continuou lendo.

— Aredhel, você não vai me perdoar? — indaguei com tristeza.

Ela deu um suspiro e baixou o livro. Olhou-me e deu um sorriso fraco.

— Vou. Eu sou uma boba mesmo. Sempre acabo te perdoando — disse com amargura.

— Aredhel, meu amor — toquei seu rosto. — Perdão. Não queria te magoar.

Aredhel segurou a minha mão, apertou e deu um sorriso fraco.

— Desculpe ter dito aquilo sobre suas origens. Sabes o que penso a respeito. Falei aquilo por raiva. Eu nunca lhe julguei ser inferior ou monstro por ser Jotun — acariciou meu rosto.

— Eu sei. Percebi que se arrependeu rapidamente de ter dito aquilo. Você é tão fácil de decifrar — ri.

Ela voltou a franzir o cenho e fitou-me com um olhar suplicante.

— Só não faça isso de novo. Não me engane. Não minta mais para mim — murmurou tristemente.

— Eu já prometi. Não farei isso novamente — sorri de leve.

Aproximei-me e dei um beijo em seus lábios. Dessa vez ela não me evitou. O beijo foi se intensificando. Debrucei-me sobre ela, deitando-a na cama. Deslizei uma de minhas mãos até sua coxa e fui subindo erguendo sua camisola. Fitei-a nos olhos, ela sorriu para mim e acariciou meu rosto com uma de suas mãos e começou a rir.

— Você é meu herói — riu.

— Como? — indaguei confuso.

— Você fez tudo aquilo por mim, por nossos filhos, por nós — deu um sorriso torto.

— Você me deixa confuso. Brigou comigo por isso e agora me chama de herói? — ri.

— É… — mordeu os lábios. — Não concordo com o que fez, mas, no fundo, foi uma prova de amor.

— Já que sou seu herói, acho que preciso ser recompensado, certo? — sorri com malícia.

— Sim. Está certo. Será recompensado — riu. — Seu tarado.

— Então se prepare. Estou faminto — sorri e em seguida a beijei.

Separei-me dela por um momento. Tirei minhas roupas e a camisola de Aredhel. Ela se sentou na cama e aproximou os lábios de meu peito. Começou a lamber meus mamilos. Afagava seus cabelos enquanto deixava escapar alguns gemidos. Depois Aredhel foi descendo e dando mordidas em meu abdômen até chegar mais embaixo. Ela agarrou meu membro e começou a chupá-lo. Senti calafrios e gemi alto. Ela continuou fazendo prazerosos movimentos com sua boca em meu membro, por um longo tempo. Eu estava delirando com aquilo. Sentindo que estava chegando próximo de meu orgasmo, puxei-a pelos cabelos e a joguei na cama. Ela me fitou assustada. Debrucei-me sobre ela e aproximei meus lábios de seus ouvidos.

— Quero me derramar dentro de você, mas não desse jeito — sussurrei.

Aredhel sorriu e então abri suas pernas. Comecei a beijar e lamber suas coxas. Algumas vezes dava mordidas. Ela soltava gemidos baixos. Fui subindo até chegar ao seu sexo. Devolvi a ela o prazer que havia me dado, deslizando e explorando, com minha língua, sua intimidade. Quando senti que ela estava próxima de seu ápice parei. Ela me olhou um pouco frustrada.

— Calma, meu amor. Já lhe darei o que deseja — sorri lascivamente.

Deitei-me sobre ela, me posicionei e a penetrei. Ela deu um gemido e em seguida comecei a me mover rapidamente. Estava sedento para possuí-la. Meu desespero era tamanho que comecei a imprimir um ritmo violento. Ela gemia alto, não sei se de prazer ou de dor. Mas como se tivesse adivinhando o que eu pensava, ela começou a gritar para eu continuar. “Mais forte” ela gritava. Não me contive mais. Prossegui me movendo violentamente até que alcançamos nosso orgasmo juntos.

Depois de nos recuperarmos, nos amamos mais uma vez. Posteriormente deitei de lado e puxei Aredhel, encostando suas costas nuas em meu peito. Eu a abracei pela cintura e ela se aninhou em meus braços. Enquanto eu respirava o perfume de seus cabelos, adormecemos agarrados.

Tudo tinha se resolvido como eu queria. Aredhel era perfeita para mim. Em vez de tentar me mudar, no final, por mais louca que fosse minha ambição, eu sempre conseguia o apoio dela.

Notas finais
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