A mulher do meu destino
88 And at last I see the light
Notas iniciais
James me ajudou a me levantar. Eu ainda estava meio tonto com a volta à vida. Hela chorava irritantemente.
– Chega Hela! – rosnei – Ficar chorando não ajudará em nada. Ajudem-me a chegar à Bifrost. Heimdall deve saber onde ela está. – segui para fora do quarto.
– Loki! Tenha paciência com a menina! – ralhou James.
Bufei e revirei os olhos impaciente. Os dois me acompanhavam em silêncio pelo caminho. Aproveitei para saber se, durante minha ausência, tudo acontecera como eu havia planejado.
– Alguém desconfiou de algo? Já sabem que você “retornou” da outra realidade? – indaguei a James enquanto caminhava apressadamente.
– Não.. Ninguém desconfiou. – James fez uma careta – Sei fingir ser você muito bem. – falou todo convencido – Só Hela sabia do plano mesmo e prometeu ficar quietinha, não é? – ele sorriu para a menina — Além disso, você quase não falava com ninguém, tinha delegado quase todas as suas funções. Na verdade, seus filhos é que gostaram da mudança. – disse seriamente.
Parei para encará-lo e deixei escapar um suspiro.
– Sei que tenho sido muito negligente com tudo, principalmente com meus filhos. Sou grato por tudo que tem feito por mim e por eles. – fui sincero — Mas agora tudo vai voltar a ser o que era antes, assim que encontrarmos Aredhel. – voltei a caminhar.
– Tudo bem, Loki.. – sorriu James – Só espero que volte ao normal mesmo. – disse severamente.
Nós estávamos indo pegar os cavalos quando um guarda se aproximou de mim apressadamente. Ele estava pálido e visivelmente assustado com algo.
– Meu rei.. – murmurou confuso e nervoso – A sua esposa acaba de chegar ao palácio. – informou.
– Aredhel? – indaguei surpreso – Onde ela está? Como chegou até aqui? Ela está bem? – tropeçava nas palavras.
– Ela chegou a pé. Parece muito cansada. Ela disse que iria para o quarto. – contou.
– Aredhel está aqui! – falei exasperado para James – Ela deve ter ido para nosso antigo quarto, por isso não nos cruzamos pelo caminho! – sorri – Guarda! Avise os meus filhos! Estou indo direto para lá! Venha, Hela, mamãe está de volta! – peguei a menina no colo.
Rumamos quase correndo pelos corredores. Abri a porta do quarto com certa violência e senti meu coração quase parar ao vê-la ali, sentada em nossa cama. Ela se assustou ao nos ver à porta, mas em seguida sorriu. Pus Hela no chão e corri para os braços de Aredhel.
– Eu senti tanto a sua falta, meu amor. – abracei-a apertado e senti meus olhos se encherem de lágrimas.
– Eu também, Loki.. Meu Deus.. Como senti sua falta. – disse com a voz chorosa.
Olhei-a nos olhos por um tempo e a beijei nos lábios. Eu nem conseguia acreditar que era real. Poder sentir o calor de sua boca e o seu cheiro misturado com jasmim. Eu não estava sonhando, era ela sim, minha Aredhel.
– Mamãe! – gritou Hela agarrando-se à cintura de Aredhel.
– Minha menina! – a mãe carregou a menina e a encheu de beijos – Senti tanto a sua falta.. – disse entre lágrimas.
– Aredhel.. – murmurou James timidamente emocionado.
– Jimmy! – ela o abraçou apertado e ele a ergueu do chão, girando-a de leve no ar.
– Pensei que jamais te veria novamente.. – James falou entre lágrimas e deu um beijo demorado na fronte dela.
Dei um pigarro e cruzei os braços irritado, olhando aquela cena.
– Também senti falta de seus ciúmes, meu marido. – riu Aredhel, vindo me abraçar novamente.
Em seguida chegaram Váli e Narfi, acompanhados de Katarina, Wagner, Sigrid, Siegfried e o pequeno Igor. Novamente, mais cenas de abraços e lágrimas de emoção. Todos falaram de suas saudades, mas nenhum de meus filhos fez queixa sobre mim. Eles pareciam ignorar o meu péssimo comportamento para com eles. Senti-me um lixo. Meus filhos mostram-se ser mais maduros que eu. Aparentemente não guardavam mágoa de meu abandono. Depois de uma longa e animada conversa, James resolveu levar as crianças para fora do quarto a fim de nos deixar a sós. Com muito custo Igor desgrudou-se de mim e por fim acompanhou James, junto com os demais.
– Quando foi que vocês ficaram tão amigos? – perguntou Aredhel surpresa com o comportamento do sobrinho.
– Bem.. Depois que você.. Enfim..- não queria nem tocar mais no assunto da morte dela — Ele passou a me seguir aonde quer que eu fosse. É um bom menino, gosto dele. – fui sincero.
Aredhel franziu o cenho e deu um leve sorriso. Ela se aproximou de mim e abraçou-me novamente.
– Fico tão feliz que você o tenha acolhido dessa forma. – ela me olhou nos olhos – Ele ainda é muito pequeno. Não quero que ele se esqueça dos pais, mas também não quero que lhe falte esse tipo de amor. – segurou a minha mão – Você se importaria se nós.. Bem.. – parecia procurar as palavras.
– Se nós os criássemos como um de nossos filhos? – perguntei.
– Sim! – disse toda sorridente.
Exalei o ar lentamente e afaguei a sua mão.
– Imaginei que você me pediria isso. – dei um sorriso torto – Prometo me esforçar ser um bom pai para ele. Mas não esconda dele a verdade. Isso só causaria problemas e você sabe disso. Digo por experiência própria. – alertei.
– Eu sei disso.. – ela brincava com meus dedos — Nunca pensei em fingir que ele seria nosso filho biológico. Como falei, quero que ele sempre saiba quem são os pais dele. Só quero que não lhe falte nada. – deu um meio sorriso.
Olhei longamente para Aredhel e notei que ela estava meio suja, descomposta e usava um vestido simples.
– Como você chegou até aqui? Por que está toda suja? – perguntei curioso.
– Você nem imagina para onde aquela vaca me mandou. – rosnou fazendo uma careta – Ela me mandou para o outro lado do reino. E nua! – exclamou – Tive que roubar esse vestido e fazer boa parte do caminho a pé. Até que consegui uma carona em uma carroça de um homem que, graças a Deus, não sabia quem eu era. – contou.
– Por que foi bom ele não saber quem você era? – fiquei confuso.
– Porque algumas pessoas me reconheceram pelo caminho. Uns pensavam que eu era um fantasma, outros algum tipo de bruxaria. Sempre fugiam de mim. Foi um inferno chegar até aqui. – bufou.
– Imagino.. Esse povo ignorante assustado com você.. – ri.
– Você ri porque não foi você que teve que andar horrores.. – ela fez um muxoxo – Mas.. – estreitou os olhos – O senhor tem que me explicar direitinho que ideia maluca foi essa de ir até lá e de querer libertar Thanos. – disse seriamente.
Dei um suspiro e comecei a narrar meu plano. Contei a ela que a ideia era James me matar, ir até Helheim, barganhar com a morte a vida dela e libertar Thanos em troca. Aredhel obviamente achou tudo absurdo.
– Isso foi muita loucura! E pelo jeito você agora consegue sempre convencer Jimmy a embarcar nesses seus planos mirabolantes! – rosnou – E você nem para me contar que tinha planejado usar Hela para voltar à vida ou que Jimmy fizera o que fez a seu mando! Deixou-me aflita sem entender o porquê Jimmy havia lhe matado e que eu voltaria de lá sem você! – sibilou.
– Aredhel.. Eu não poderia contar a você meu plano na frente da Morte. Poderia por tudo a perder. – tentei explicar – Mas parece que ela, de certa forma, já sabia que eu iria usar Hela. Não pareceu surpresa quando comecei a voltar a vida. E ainda disse que nossa filha um dia trabalhará para ela. – bufei.
– Trabalhar para ela? – sobressaltou-se.
– Sim.. Pelo que entendi Hela irá para lá por causa do homem que ama. – falei entredentes.
– Homem que ela ama? – surpreendeu-se – Como assim? Ela é apenas uma menina. – disse meio irritada.
– Parece que a Mistress tem interesse nos poderes de nossa menina e por conta disso se encarregou de saber sobre o futuro dela. – contei – Mas eu voltei antes que ela me revelasse quem é o audacioso. – rosnei.
– Ah, Loki.. – riu Aredhel – Você fica tão fofo com ciúmes.. Um dia nossa filha irá se apaixonar. Isso é inevitável. – disse cinicamente.
– Mas enquanto eu puder evitar, manterei os homens longe dela. – afirmei irritado.
– Você não tem jeito.. – ela riu e meneou a cabeça.
– Bem.. Mas deixemos isso de lado por enquanto.. – falei me aproximando de Aredhel – Eu estou com muitas saudades de minha esposa.. – sorri com malícia – Afinal estou a mais de um mês sem você ao meu lado.. – abracei-a.
– Ei.. Vamos com calma. – ela pôs a mão em meu peito – Eu ainda não esqueci que você mentiu para mim. – encarou-me séria.
– Mas fiz isso por você. Para lhe trazer de volta para mim. – sorri.
– Você nunca vai mudar.. – Aredhel sorriu — Mas está tudo bem.. Eu amo o jeito que você mente.. — riu – Eu te amo exatamente do jeito que você é. Você sempre será meu herói, mesmo que tenha perdido a cabeça. – deu-me um beijo nos lábios – Você não tem que libertar Thanos? – indagou.
– Depois.. Tenho um dia para libertá-lo. – revelei – Agora tenho algo mais importante para fazer. – sorri com lascívia.
– Você não acha melhor eu tomar um banho primeiro? – ela franziu o cenho.
– Não.. Você vai precisar de um banho depois que eu terminar com você.. – respondi cinicamente agarrando as nádegas dela.
– Vamos meu amor.. Eu prometo que será um banho interessante.. – ela sorriu com malícia.
Fomos para o banheiro. Ela ligou o chuveiro e tomei os lábios dela. Puxei a barra do vestido dela e no caminho fui alisando a sua pele macia.
– Pelo que entendi, você não está usando nada debaixo desse vestido. – disse levando minha mão até a intimidade dela e a ouvi gemer – Ah, meu amor.. Já está úmida. Sempre pronta para mim. – sorri.
Abri lentamente o vestido de Aredhel, expondo seus seios. Lambi a água que escorria pela pele dela. Tomei um de seus seios em minha boca e sorvi-o de forma voraz, me deliciando com os gemidos dela. Ela deslizou a mão por meu peito e foi abrindo meu traje afoitamente. Desceu a mão até minha calça, abriu e agarrou meu membro. Senti calafrios. Separei-me dela, tirei toda a minha roupa e ela fez o mesmo com o vestido. Ela pegou uma esponja e começou a passar calmamente por meu peito e costas. Aredhel lavou meu corpo com cuidado e em seguida ela se lavou diante de mim de forma sensual. Eu estava ficando louco. Eu a agarrei e comecei a sugar e morder o pescoço dela.
– Calma meu amor.. – ela riu – Hoje vou lhe servir e tratar como um rei. – sorriu e se ajoelhou diante de mim.
Aredhel envolveu meu membro com seus lábios quentes. Ela movia sua língua de forma enlouquecedora por ele. Fazia movimentos lentos e aos poucos foi acelerando. Desesperado, a segurei pelos cabelos e comecei a empurrar sua cabeça aprofundando meu membro em sua boca. Eu gozei na garganta dela soltando um grunhido rouco.
Puxei-a para cima e beijei-a com voracidade. Parei e encarei-a por um tempo.
– Hoje eu vou te devorar de todas as formas possíveis, minha Aredhel. – mordi o queixo dela – Quero ouvir você gritar meu nome até desmaiar de cansaço. – sorri.
Carreguei-a no colo e levei-a até a cama. Pus-me entre suas pernas e tomei sua feminilidade em meus lábios. Deslizava minha língua pela intimidade dela com calma. Sorvia o néctar dela prazerosamente. Aredhel agarrou meus cabelos e gemeu alto meu nome ao alcançar seu ápice. Subi sobre ela e acariciei seu rosto. Eu adorava ver aquela expressão de saciedade no rosto dela. Agarrei seu quadril com uma das mãos e a penetrei lentamente. Não havia melhor lugar para mim, do que estar dentro dela. Era sempre tão quente, úmida e apertada.
Comecei a mover meus quadris de forma voraz, enquanto a beijava nos lábios com ardor. Fui aumentando o ritmo das estocadas, até ele se tornar frenético. Separei-me dos lábios dela só para ouvi-la gritar meu nome. Isso sempre fora música para meus ouvidos.
– Loki.. – ela gritava.
– Isso. Grita meu nome.. – ordenava – Minha.. Você é só minha, Aredhel.. – grunhia.
Senti-a se contrair, pressionando com força meu membro dentro de si e arqueando o corpo em um longo orgasmo, em seguida me derramei dentro dela.
Dei um beijo casto em seus lábios e sorri para ela.
– Agora vire e fique de joelhos na cama. – ordenei.
Aredhel sorriu e prontamente me obedeceu. Dei uma bofetada em cada uma de suas nádegas e ouvi-a dar uma risada.
– Também senti falta de lhe devorar por aqui.. – murmurei enquanto a penetrava lentamente por trás e ouvi-a gemer baixinho – Você é também tão apertada aqui atrás. – beijei as costas dela e levei meus dedos até sua intimidade.
Penetrei dois dedos meus em sua feminilidade enquanto me movia lentamente dentro dela. Comecei a massagear o seu clitóris e aumentei a velocidade de meu movimento gradativamente. Em pouco tempo, chegamos juntos ao orgasmo novamente. Aredhel desabou na cama e fui me lavar. Quando retornei, ela me aguardava com um sorriso no rosto.
– Ainda quero mais, meu rei. – ela sorriu.
Nós nos amamos por mais duas vezes naquela manhã. Ela adormeceu de cansaço e resolvi deixá-la descansando. Tomei um banho demorado e eu fui até o salão de relíquias. Peguei a Gem da Alma e, conforme o combinado, libertei a alma de Thanos. A Gem brilhou intensamente e voltou a sua cor original, indicando que não havia mais uma alma ali aprisionada. Como ele não possuía mais um corpo, imaginei que ele fora para o mundo dos mortos e que lá a Morte lhe daria um novo corpo. Não me agravada a ideia de ver Thanos livre novamente, sabia que ele viria atrás de vingança, mas eu não tinha alternativa. Aredhel era mais importante que qualquer outra coisa para mim.
Eu não poderia estar mais radiante. Aredhel estava viva. Todos aqueles dias, desesperado por trazê-la de volta. Aquelas semanas dolorosas vivendo em um borrão, cego e obcecado com a ausência dela. Remoendo e afogando-me em minha dor. E agora ela estava ali comigo, brilhando como as luzes das estrelas que iluminam o céu de Asgard. Foi como se depois de tanto tempo preso na escuridão, eu finalmente visse a luz. Era como se o nevoeiro frio, no qual eu estava perdido, tivesse se dissipado. Tudo era novamente quente, real e brilhante como cristal. Ela estava ao meu lado e eu era feliz de novo.
As semanas foram se passando e tudo foi voltando ao normal. Meus filhos eram felizes novamente e eu me esforçava para ser um bom pai para eles e Igor. Váli e Hela aceitaram bem a ideia de acolher Igor como irmão, mas Narfi não aprovou muito a ideia. Ele morria de ciúmes do menino, principalmente porque o garoto continuou agarrado a mim.
Passado um pouco mais de um mês, estávamos sentados James, Váli e eu à mesa, tomando café, quando Aredhel entrou com um sorriso tímido no rosto. Ela se sentou silenciosamente e segurou a minha mão.
– Loki.. Eu tenho uma coisa para lhe contar.. – ela disse toda rubra.
– Diga, meu amor.. – falei curioso.
– Estou grávida. – ela sorriu.
– Meu amor.. – murmurei aturdido – Mas que notícia maravilhosa! – exclamei – Serei pai de novo! – sorri e beijei a mão dela – Obrigada meu amor.. Não poderia ter me dado melhor presente. – disse mal me contendo de tanta felicidade.
– Parabéns! – sorriu James.
– Vou ganhar outro irmão? – indagou Váli em meio a um sorriso.
– Ou irmã.. – disse Aredhel.
– Hum.. Acho que o Narfi não vai gostar disso.. – Váli deu um sorriso torto.
Aredhel e eu demos a notícias a Hela, Narfi e Igor. Como previra Váli, Narfi não pareceu muito feliz com a novidade.
Os meses foram se passando e Aredhel já estava com quase cinco meses. Pela primeira vez, desde a gravidez de Váli, ela não tinha sintomas estranhos. Ela só tinha os enjoos e tonturas tradicionais. Como nas gestações anteriores, eu não me cansava de acariciar e beijar a barriga dela. Eu adorava vê-la grávida, ela sempre ficava muito bonita.
Uma manhã eu levantei mais cedo e a vi ressonando tranquila. Levantei em silêncio para não acordá-la. O dia estava quente, então abri as janelas e as portas da sacada do quarto. Depositei um beijo em seu rosto e deixei o quarto. No corredor encontrei com James e começamos a conversar sobre assuntos do reino, quando ouvi o grito de Aredhel. James e eu corremos em disparado para o quarto e ao abrir a porta, fiquei chocado com a cena que vi. Aredhel estava toda encolhida na cama e chorava apavorada. O quarto, as paredes e parte da cama estavam totalmente cobertos por insetos e aracnídeos de todos os tipos.
– Mas o que diabos está acontecendo aqui? – indagou James ao meu lado.
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