A mulher do meu destino
81 All my dreams are on the ground
Notas iniciais
Eu estava atônito. Como em algumas horas, todos meus planos haviam fracassado e caído por terra? Havia deixado Asgard para evitar que Cul a alcançasse e, no final, pelas minhas costas, ele invadiu meu lar, espalhou a morte e levou minha filha. Eu precisava voltar para casa com urgência.
– Váli.. Eu já estou voltando. Cuide de sua mãe.. — murmurei ainda chocado.
Váli meneou a cabeça e desfez a projeção. Virei-me para encarar Stark. Ele me olhou com pesar.
– Precisamos contar para o loiro o que aconteceu.. — murmurou Stark fitando o chão.
Passei uma das mãos pelo rosto. Jane, William e Greta estavam mortos. Agora que sabia o que era amar, podia imaginar como estavam se sentindo James e como Thor ficaria. Imaginei que Aredhel deveria estar arrasada, pois perdera o único parente que lhe restara e nossa filha fora levada.
– Stark.. Eu tenho que voltar para Asgard com urgência, mas eu retornarei. Junte as armas que lhe pedi para que eu possa ajudá-los. — falei rapidamente – Thor provavelmente irá para lá, então mande as armas por ele se for o caso. De qualquer forma, vou deixar Heimdall avisado para receber qualquer um de vocês se for preciso. — expliquei.
– Certo, Loki. — afirmou Stark serio.
– Até lá, tudo o que vocês poderão fazer é distraí-los e contar com a ajuda dos guerreiros de Asgard. Retornarei assim que puder. — fui sincero.
Parti de volta para Asgard. Cheguei ao amanhecer. A primeira pessoa que encontrei foi Heimdall. Avisei-lhe sobre o que havia combinado com Stark. Fui direto procurar por James e Váli. No caminho vi que havia sinais de luta pelo palácio inteiro. Paredes e pilastras quebradas, sangue no chão e alguns guardas ainda carregando feridos e mortos pelos corredores. Encontrei James sentado em uma poltrona chorando silenciosamente.
Ele estava com alguns cortes no rosto e nas mãos. Visivelmente lutara contra alguém. Ele mal percebeu a minha presença. Aproximei-me dele e pus a mão sobre seu ombro.
– Eu sinto muito, James.. — murmurei com tristeza.
Ele me olhou longamente e apenas meneou a cabeça.
– Eu sinto muito por Hela... — começou James — Juro que tentei evitar que a levassem.. — tentava se explicar — Quando cheguei ao esconderijo, eu encontrei Jane e... — deixou escapar um soluço — ..Greta mortas.. — baixou a cabeça — As crianças estavam chorando, tentavam acordá-las.. — disse exasperado — Olhei para a cama e vi que Váli e Narfi continuavam dormindo, mas que Hela não estava mais entre eles.. Perguntei por ela e as crianças disseram que um velho a havia levado. Ainda saí procurando por ela desesperado.. Mas.. — rompeu em soluços.
– James.. Acalme-se. Eu acharei Hela. Obrigado por cuidar de tudo em minha ausência. Vá descansar e cuidar de seus filhos. — falei rapidamente.
James balançou a cabeça afirmativamente, limpou as lágrimas do rosto e retirou-se do salão em silêncio. Procurei por Váli e não o encontrei, então resolvi ir atrás de Aredhel.
Entrei no quarto e Aredhel estava sentada na cama de costas para a porta. Aproximei-me dela em silêncio. Ela estava chorando, cabisbaixa. Sentei-me ao lado dela e pus minha mão sobre a dela. Sem aviso, ela retirou a mão e encarou-me com raiva. Lágrimas grossas desciam por seu rosto.
– A culpa é toda sua.. — disse trancando os dentes.
– O quê? — perguntei confuso.
– Tínhamos prometido um ao outro não ter mais segredos! Não esconder nada! E você mentiu para mim, me enganou novamente! — berrou comigo.
– Aredhel.. — murmurei chocado – Tudo o que eu fiz foi para proteger você e nossos filhos.. Eu não queria envolver vocês em uma nova guerra e.. — tentei me explicar.
– E envolveu Jimmy em tudo isso! — gritou furiosa me interrompendo – Você com sua lábia, suas mentiras, convenceu Jimmy a usar a Joia da Mente em mim! Meu único e melhor amigo! A única pessoa em que eu confiava além de você! — rosnou – Eu só não sinto raiva dele porque sei que você o enganou e envolveu-o nisso.. Além disso, ele perdeu.. — recomeçou a chorar — Meu Deus! Will, Greta e Jane estão mortos! Cul levou Hela! E a culpa é sua! — bateu com os punhos fechados em meu peito.
– Não, Aredhel.. Eu.. — comecei a falar e tentei tocá-la, mas ela afastou minhas mãos.
– A culpa é sua sim! — vociferou — Quando você mandou Jimmy nos controlar e dar aquela merda de chá para mim e as crianças você nos deixou indefesos! — gritou histérica – Se.. Se eu e nossos filhos não estivéssemos dormindo, todos estariam vivos e Cul não teria conseguido levar Hela! — sibilou furiosamente — Ele veio acompanhado de alguns agentes dele e, enquanto Will, Jimmy e os guardas lutavam contra eles, Cul foi ao esconderijo pegar Hela. Jane e Greta tentaram evitar que ela fosse levada e foram mortas! Na frente dos próprios filhos! — berrou – Thor vai ficar arrasado! Jimmy está destruído! Perdi meu irmão e não restou mais ninguém da minha família! Minha filha está sumida! E tudo é culpa sua! — socava meu peito.
Eu jamais poderia imaginar que, mais uma vez, meus planos dariam tão errado. Entendia o sofrimento e a raiva de Aredhel. Eu também lamentava por James, Thor e as crianças, mas fiz o que achei certo e o que era melhor para eles. Nunca imaginei que isso facilitaria as coisas para o inimigo. Tentei abraçá-la para confortá-la, mas ela me empurrou, se levantou e retirou-se do quarto batendo a porta com raiva.
Pensei em ir atrás dela, mas sabia que seria em vão, era melhor esperar ela se acalmar para poder conversarmos com mais calma. Eu ainda tinha providências a tomar, precisava localizar Cul para ir atrás de Hela.
Depois de resolver algumas pendências, eu estava a caminho do salão do trono, quando um guarda me informou da chegada de Thor, Stark e do Capitão América. Segui direto para o salão e quando lá cheguei, apenas Stark e o Capitão me aguardavam.
– Onde está Thor? — perguntei.
– Ele disse que ia ver a filha. — respondeu Rogers fitando o chão.
– Fizemos o que você pediu. Trouxemos as armas de todos os Avengers. Agora, “Mestre dos magos”, faça sua magia e torne nossas armas poderosas para derrotarmos o “Vingador”. — ironizou Stark.
Eu ergui uma sobrancelha confuso. Não havia entendido do que ele estava falando.
– Ah! Dessa vez eu peguei a piada. — riu o Capitão – Eu já vi esse desenho. — disse convencidamente.
Stark revirou os olhos e sorriu para mim.
– Então, homem rena.. Faça a mágica. Não temos tempo a perder. — falou Stark.
Stark e o Capitão colocaram no chão as armas. Eram as pistolas de Romanoff e Fury, o arco e a aljava de Barton, o escudo de Rogers, uma das armaduras de Stark e uma espécie de asas mecânicas.
– O que são essas asas? — indaguei curioso.
– Os Avengers possuem um novo integrante, Falcon. — sorriu Stark.
– Um velho amigo. — acenou Rogers com a cabeça.
– Enfim.. Tanto faz.. — dei de ombros e conjurei a Norn Stone.
– Ei! Essa não era a pedra que você colocou no lugar da Joia Roxa? — questionou Stark surpreso – É com ela que vai fazer o “encantamento”? — gesticulou com as mãos.
– Sim. É a Norm Stone, ela é que vai transformas suas armas Midgardians em algo realmente útil. — falei com sarcasmo.
– Então quer dizer que, por algum tempo, tivemos algo tão poderoso em mãos e deixamos escapar? — bufou Stark – Como deixei isso passar? Por que Thor não me falou nada sobre ela? — resmungou inconformado.
– Bem, primeiro porque vocês não acreditam em magia. Mas isso é natural do intelecto limitado de vocês Midgardians. — dei um sorriso cínico – Segundo porque Thor.. Bem.. Ele tem a inteligência de um Midgardian.. – ironizei.
O Capitão bufou e Stark fez um muxoxo. Eu comecei a fazer a magia, dando a todas as armas habilidades mágicas, a capacidade de atingirem e causar dano a um ser unicamente vulnerável à magia. Após eu terminar, os dois deram um sorriso leve e testaram suas respectivas armas. Puderam notar facilmente a diferença que elas haviam sofrido. Pareciam animados com a novidade, mas mal eles sabiam que isso não duraria muito tempo.
– Agora bem que podíamos nos chamar por outro nome, não é Picolé? Algo como.. “The Mighty”.. O que acha? — riu Stark.
– O ego sempre maior que a responsabilidade.. — resmungou o Capitão fazendo uma careta e meneando a cabeça negativamente.
– Só um aviso. — falei rapidamente interrompendo a briguinha deles – A magia só dura um dia. — dei um sorriso de satisfação ao vê-los demonstrar decepção.
– Então temos pouco tempo para agir. — disse Aredhel entrando no salão.
Aredhel ainda me encarava com raiva nos olhos. Ela havia se trocado, estava usando seu o traje de batalha.
– Raposinha. — sorriu Stark, pegando a mão dela e depositando um beijo.
– Tony. Steven. — Aredhel acenou a cabeça os cumprimentando com certa seriedade.
– Tem razão, Aredhel. — disse Rogers — Temos pouco tempo para resolver isso, mas ainda não sabemos onde encontrar o Serpent. Quando deixamos a Terra, há algum tempo atrás, os ataques haviam diminuído, mas ainda continuavam. Como somente as armas daqui tinham efeitos sobre eles, os outros Avengers seguiram os amigos de Thor. Estão ajudando a resgatar pessoas e evacuar os locais atacados. Até então estávamos de mãos atadas diante dos ataques. — explicou.
– Entendo. — falou Aredhel — Mas agora não precisam se preocupar. Váli achou uma pista que poderá nos ajudar localizar Cul. Segundo ele leu em alguns quadrinhos, Cul iria se esconder na Antártica. Seria lá que ele ergueria uma espécie de “Dark Asgard”. — revelou – Creio que você possa confirmar essa localização, não Tony? — dirigiu-se à Stark.
– Sim. Jarvis pode confirmar a localização dele. — concordou Stark.
– Acho difícil. — discordei – Durante todo esse tempo ele se manteve oculto. Nem Heimdall ou a água do lago pode localizá-lo. -
– Mais um motivo então para nos apressarmos. — falou Aredhel decidida – Vocês vão na frente e levem as armas. Prometo que em breve alcançaremos vocês. Apenas precisamos preparar algumas coisas. Irei me comunicar com vocês através de uma projeção antes de partirmos, assim saberei onde estão. — disse e caminhou para fora do salão.
Stark e o Capitão juntaram as demais armas, despediram-se e partiram em seguida. Fui atrás de Aredhel, eu não deixaria ela se arriscar nisso, mesmo que ela ainda estivesse furiosa comigo. No caminho encontrei Thor. Ele estava desolado, mas decidido a ter a sua vingança. Eu o atualizei sobre o que ocorreu com os Avengers e o que Váli descobrira.
– Entendo. — anuiu Thor — Vou avisar Fandral, Sif e Volstagg que, assim que se livrarem dos agentes, nos encontrem na Antártica. Cul, sendo nosso parente ou não, pagará por tudo o que fez. — disse entredentes – Resgataremos minha sobrinha e vingaremos os que morreram! — foi incisivo.
Imediatamente Thor partiu para Midgard atrás dos amigos. Segui à procura de Aredhel e a encontrei no jardim. Ela estava abraçada a James e ambos choravam, enquanto Váli e Narfi os olhavam com tristeza.
– Aredhel.. Eu vim me despedir.. – falei ao me aproximar deles – Vou atrás de nossa filha. Prometo trazê-la de volta, custe o que custar. – afirmei.
– Loki, eu vou com você. – disse Aredhel seriamente, largando James.
– Aredhel, eu já disse que não! – rosnei — Não vou deixar que minha família se envolva em outra guerra! E.. – tentei argumentar.
– Loki, não me interessa o que você quer. Você não manda em mim. – Aredhel me desafiou — E ficar aqui, imóveis.. – falou pausadamente a última palavra — ..não irá ajudar a resolver esse problema. Não quero que eles alcancem Asgard uma segunda vez. – encarou-me friamente.
– Narfi e eu também vamos papai. – falou Váli com um semblante sério.
– Mas o que é isso? Um complô? – rosnei irritado – Vocês não vão mesmo! – sibilei.
– Pai.. O senhor sabe que eles vão precisar de toda ajuda possível. Só magia pode ser usada para combater os agentes. E o senhor sabe das habilidades que Narfi e eu possuímos. – Váli começou a argumentar – O senhor sabe muito bem que precisará de nossa ajuda. Não conseguirá sozinho. – sorriu cinicamente.
Fiquei boquiaberto. Váli cada vez mais parecia uma cópia fiel minha. Isso era assustador. Olhei para James angustiado, pedindo mentalmente que ele usasse a Gem da Mente.
– Ele não está mais com ela.. – disse Aredhel adivinhando meus pensamentos e conjurando a pedra com um sorriso de satisfação.
Fechei os olhos e cerrei os punhos, lívido de raiva. Aredhel era ardilosa demais, pensara em tudo. Respirei fundo e tentei argumentar.
– Aredhel.. Pense pelo menos nos meninos. Eles não podem ir.. – apelei.
– Eu também não quero envolvê-los nisso, mas não vou deixar que você use a Joia neles.. – Aredhel escondeu a Gem novamente — Você não tem ideia do quanto é perturbador ser controlado dessa forma. – fitou o chão com tristeza.
James baixou o olhar e os meninos também. Dei um suspiro vencido.
– Eu também vou com vocês. – disse James rapidamente.
– Mas Jimmy.. E seus filhos? Vai deixá-los? E se algo acontecer a você? – indagou Aredhel preocupada.
– Vocês vão precisar de toda a ajuda que puderem ter. Eu testemunhei o poder que eles têm. E se Cul não for derrotado, ele virá para Asgard e talvez não haja futuro para meus filhos. – disse James com pesar.
Sem outra possibilidade de escolha, depois de nos prepararmos, no fim do dia, todos partiram junto comigo para Midgard. Pouco antes de partirmos, Aredhel conversou com Stark, através de uma projeção. Ele confirmou a localização de Cul e passou maiores detalhes sobre onde ficava o palácio dele na Antártica. Stark também avisou que não puderam ir atrás de Cul, pois os ataques em vários locais de Midgard voltaram a se intensificar. Disse que a esperança deles estava depositada em nós.
Seguindo as orientações dele chegamos à Antártica, um lugar frio e inóspito, o qual muito me lembrava de Jotunheim. Caminhamos por algum tempo até visualizarmos uma réplica fiel do palácio de Asgard, mas feito de gelo. Na entrada havia alguns guardas de gelo. Rapidamente os eliminamos. Fora simples em demasia passar pela entrada e isso me incomodava. Tudo estava sendo fácil demais e isso era um mal sinal.
Entramos com tranquilidade no palácio e ao chegarmos ao salão principal, encontramos a cópia fiel do salão do trono de Asgard. No trono estava Cul, um homem idoso e aparentemente forte, sentado com Hela ao seu lado. Eles conversavam distraidamente, parecendo alheios à nossa presença. Na parte de baixo da escadaria havia três soldados dele, que imaginei serem três dos oito Worthy. Um parecia um ogro, era grande e musculoso, com a pele acinzentada. Outro lembrava muito um inseto gigante, era verde e possuía olhos vermelhos. Por fim, o último era na verdade uma mulher, parecia uma guerreira de Asgard. Tinha cabelos castanhos e era aparentemente muito forte.
– Hela! — gritou Aredhel.
– Mamãe! — gritou a menina de volta toda alegre.
Hela tentou descer as escadas mas Cul segurou sua mão.
– Minha querida, seus pais e amigos vieram conversar comigo. — falou Cul suavemente com sua voz rouca e grave — Aguarde aqui quietinha, ouviu? — pediu – Continue lendo o livro que lhe dei. Há magia de todo tipo nele. — sorriu e acariciou o rosto dela.
Hela anuiu, voltou a se sentar na cadeira ao lado do trono e abriu um grande livro dourado. Tranquei os dentes com raiva, Aredhel deixou escapar um soluço e pude ouvir James bufar de raiva. Cul se levantou e desceu as escadas lentamente.
– Eu já os aguardava. O “olho-que-tudo-vê” havia me avisado da possível visita de vocês. — falou Cul alegremente — Mas você demorou, meu sobrinho bastardo.. — sorriu cinicamente – A maior prova de que meu irmão não era digno de ser rei de Asgard veio quando ele o adotou como filho. Um Jotun. – disse com nojo.
Aredhel deu um passo a frente visivelmente irritada. Pus o braço para evitar que ela avançasse mais. Ele queria nos provocar.
– E não contente misturou-se com os Midgardians.. — continuou Cul — Outra raça inferior. — disse com desdém – Só não lamento mais, pois graças a essa união grotesca tenho minha salvadora e meu maior tesouro, Hela. — estendeu a mão em direção à minha filha.
– Afinal de contas o que você quer com a minha filha? — rosnou Aredhel.
– O que eu quero com Hela? — Cul encarou Aredhel — O que mais poderia ser? As habilidades dela. — riu alto – Ela pode curar, matar e ressuscitar qualquer ser. Parece que a mistura de Jotuns com Midgardians pode formar seres poderosos. — olhou para Váli e Narfi – Pelo menos foi o que ela me contou. — deu um sorriso cínico.
– Você não vai usar minha filha! — sibilei – Hela! Venha para junto de nós! — gritei.
– Não perca seu tempo. Ela só ouve e vê o que eu quero. Enquanto estiver lendo aquele livro, ela estará sob meu poder. — sorriu satisfeito.
Eu deveria ter imaginado. Até aquele momento Hela parecia estar alheia à nossa conversa. Ela podia ser inocente, mas era tão inteligente quanto os irmãos. Agora estava tudo claro, ele a mantinha afastada de nós e da realidade através de magia.
– Uma pena ela não poder assistir o fim da família dela. — aproximou-se dos soldados dele — Direi a ela que vocês a abandonaram por ela ser.. — fez uma pausa — ..diferente. Que vocês a viam como uma ameaça a suas próprias vidas. — disse despreocupadamente – Mas não se preocupem, Aredhel e Loki.. Eu cuidarei bem dela. Eu a criarei como minha filha. — abriu um largo sorriso.
Tranquei os dentes com raiva. Aredhel me olhou aflita.
– Estes são Skirn, Greithoth e Kuurth. — apresentou e apontou para cada um dos guerreiros.
Skirn era a mulher, Greithoth o ogro e Kuurth o inseto. Cul ficou frente-a-frente comigo e deu um sorriso torto.
– Este aqui eu cuidarei pessoalmente. — encarou-me e depois olhou para Aredhel, James e os meninos — Skirn, Greithoth e Kuurth. – evocou os guerreiros dele – Quanto ao resto.. São todos de vocês. Divirtam-se. — riu.
Váli e Narfi se transmutaram. Greithoth ficou diante de Aredhel e James. Skirn diante de Narfi e Kuurth perante Váli.
– Eu quero a Gungnir. — Cul rosnou entredentes e atacou-me.
O ataque me lançou no ar, mas rapidamente me recompus e aterrizei de pé alguns metros mais adiante.
– Então venha pegá-la. — desafiei e conjurei a Gungnir.
Em minha vista periférica pude ver meus filhos rolando pelo salão trocando golpes com os Worthy. Do outro lado do salão, Aredhel e James combinavam seus ataques e multiplicava suas imagens para confundir Greithoth. Fiquei pasmo com a habilidade com que James conseguia executar os golpes que havia ensinado Aredhel. Ela o treinara muito bem.
Ataquei Cul com a Gungnir, mas tudo o que consegui foi fazê-lo cair no chão sem maior efeito. Definitivamente ele era muito poderoso. Novamente ele me atacou com uma bola de energia, lançando-me para o outro lado do salão. Quase deixei a Gungnir cair. Ouvi um grunhido alto e vi que Váli havia despedaçado Kuurth. Olhei para o outro lado e Narfi acabava de soltar o corpo de Skirn. Voltei a encarar Cul dando um sorriso de satisfação. Ele respondeu com outro sorriso de sarcasmo. Ele fez um movimento com as mãos e Kuurth e Skirn voltaram à vida.
– Não é só sua filha que possui a habilidade de trazer os mortos de volta. — sorriu – Pena que só posso fazer isso com meus próprios guerreiros. — fechou a cara e voltou a me atacar.
Caí no chão com violência e a Gungnir saiu deslizando pelo chão. Ouvi o grito de Aredhel e vi ela e James serem arremessados contra uma pilastra cada e caírem desacordados. Kuurth e Skirn atacaram Váli e Narfi com o dobro da força que possuíam anteriormente, jogando-os longe.
– Ah.. Esqueci de dizer.. Quanto mais eles morrem, mais poderoso eles ficam. — gargalhou Cul.
Parecia que o sentimento de impotência fazia parte de minha sina. Todos os meus sonhos estavam no chão. Cul caminhou lentamente até a Gungnir e juntou-a. Depois calmamente aproximou-se de Aredhel.
– Diga adeus à mamãe, Hela. — sorriu e ergueu a Gungnir.
– Aredhel! — gritei.
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