A mulher do meu destino
82 That's it. There's no way. It's over. Good lucky
Notas iniciais
Eu jamais me perdoaria se algo acontecesse a Aredhel. Por algum momento tudo pareceu se mover lentamente. Em um piscar de olhos eu me teletransportei para cima de Aredhel. Senti a Gungnir atravessar a carne e atingir meus ossos, em meu ombro esquerdo. Deixei escapar um gemido alto de dor. Pude ver que, mesmo tendo me colocado entre ela e a Gungnir, a ponta desta havia ficado apenas alguns centímetros do peito de Aredhel. Ela abriu os olhos e encarou-me assustada.
– Loki! Meu Deus! — gritou desesperada levando uma das mãos ao meu rosto.
Cul rosnou com raiva e puxou a Gungnir de volta, fazendo-me trancar os dentes com a dor. Caí ao lado de Aredhel, encarando o teto do salão. Váli voou sobre Cul, o fez largar a Gungnir e afastou-o de mim por algum tempo. Aredhel rapidamente pôs as mãos sobre meu ferimento tentando estancar o sangue que brotava incessantemente.
– Loki.. Meu amor.. — Aredhel começou a chorar – Eu vou.. — deixou escapar um soluço – Eu vou tentar estancar o sangue com magia.. — disse baixinho.
– Está tudo bem, meu amor.. — mordi os lábios com dor – Não foi nada grave.. — tentei tranquilizá-la.
Greithoth surgiu atrás de Aredhel. Quando eu ia gritar para alertá-la, James o atravessou com a Gungnir matando-no. Aredhel conseguiu fazer o sangue parar de fluir de meu ferimento, rasgou parte de seu traje e amarrou em volta de meu ombro. Narfi mantinha Skirn imobilizada em um abraço mortal, enquanto esguichava veneno em Kuurth. Váli continuava investindo sobre Cul e já havia conseguido ferí-lo. Estando ocupado lutando contra Váli, Cul tinha se esquecido de ressuscitar Greithoth.
James me entregou a Gungnir e levantei-me. Aredhel e James trocaram olhares silenciosos. Ela se aproximou de mim segurou minha mão e aproximou os lábios de meu ouvido.
– Mantenha Cul ocupado, Jimmy e eu pegaremos Hela. — sussurrou.
Acenei afirmativamente com a cabeça e os dois se afastaram de mim. Apontei a Gungnir em direção a Kuurth, o atingi com dois raios e ele deslizou pelo chão. Narfi também se enrolou em torno dele imobilizando-o. Naquele momento percebi o plano de meu filho. Ele os mantinha imobilizados, enfraquecendo-os com seu veneno e o calor que podia emanar, mas não os matava. Imaginei que fazia isso para evitar que eles retornassem à vida mais fortes que antes. Meus filhos eram perigosamente inteligentes.
Cul, vendo Aredhel e James se aproximarem de Hela, deu um forte golpe em Váli e trouxe Greithoth de volta. Fui a socorro de Váli enquanto Greithoth partiu para cima de Aredhel e James. Várias cópias deles surgiram ao redor de Greithoth. Eu sinceramente não sabia dizer quem criara as ilusões, mas rapidamente tive a resposta. Vi James chegando sorrateiramente ao lado de Hela. Ele puxou o livro de suas mãos e o atirou em direção de uma das cópias de Aredhel. Ela pegou o livro e o escondeu. Hela olhou ao redor e deu um grito.
Cul, furioso, lançou uma bola de energia em James. Ele foi lançado para longe do trono. Aredhel e Hela gritaram por ele. Hela desceu as escadas correndo e foi em direção de onde ele tinha caído. Váli voltou a investir sobre Cul, mas este lhe acertou um forte golpe fazendo-o se chocar contra uma das pilastras. Comecei um verdadeiro duelo contra Cul. Ele lançava suas bolas de energia e eu os raios da Gungnir. Cul não tirava os olhos da Gungnir, era visível seu desejo sobre a arma de Odin. Ele percebeu que não seria fácil tirar a Gungnir e Asgard de meu poder.
Aredhel conseguiu acertar Greithoth com sua adaga, mas em seguida foi atingida pelo mesmo. Ela rolou pelo chão caindo perto da escadaria. Aredhel tentava se reerguer quando Greithoth a carregou pelo traje. Gritei desesperado, pois estava ocupado com Cul. Apesar de muito ferido, ele havia atingindo meu ombro esquerdo, fazendo o sangue voltar a fluir vertiginosamente pelo ferimento. Narfi continuava tentando manter Kuurth e Skirn sob seu poder. Váli, que já havia se recuperado do ataque que sofrera, pulou sobre Greithoth e arrancou-lhe um dos braços. Aredhel caiu de joelhos no chão e assistiu estarrecida o filho despedaçar o corpo de Greithoth diante de si. Ela ficou coberta de sangue. Váli voltou a sua forma original e sorria satisfeito com o que tinha feito.
Gritos de dor ecoaram pelo salão. Eram Kuurth e Skirn sendo esmagados e incendiados vivos por Narfi. Pelo jeito, ele se cansara de “brincar” e resolveu, sadicamente, executá-los de uma vez por todas. Aredhel permanecia no chão assistindo tudo em choque.
Narfi terminou com os dois e voltou à sua forma. Também sorria feliz, parecia estar indiferente ao que fizera. Juntou-se a Váli e foram ajudar Aredhel, que se mantinha imóvel. Finalmente derrubei Cul com a Gungnir. Nesse momento Hela correu na direção dele. James vinha logo atrás dela mancando e segurando o braço, mas parecia recuperado de boa parte de seus ferimentos. Imaginei que Hela ou o ressuscitara ou o curara com seus poderes.
– Minha querida! — exclamou Cul acolhendo Hela em um abraço terno.
– Papai lhe machucou, tio? — perguntou a menina com a voz chorosa e com uma expressão triste.
– Fique longe dele, Hela! Ele está apenas lhe usando! — gritei.
Hela olhou-me friamente e voltou-se para Cul.
– Quer que eu lhe cure? — ofereceu Hela.
– Claro, meu anjo.. — sorriu Cul estendendo a mão para Hela.
– Não, Hela! — gritamos James e eu em uníssono.
Hela se sentou ao lado dele, o fitou com carinho e tocou seu rosto.
– Vou lhe curar, meu tio querido.. — murmurou Hela com um sorriso meigo.
Cul sorriu para ela e acolheu-a em seu colo. O sorriso angelical de Hela se transformou em um sorriso cínico, quase maligno.
– Você vai ver o que acontece com quem fere os que amo. — disse Hela com raiva.
Hela desmaiou tombando de encontro ao peito dele. Cul, segundos depois, largou Hela, que rolou de seus braços, caindo no piso. Depois ele inclinou-se para trás e caiu morto ao lado dela. Aredhel levou ambas as mãos à boca, como se tivesse tentando conter um grito de horror. James correu para pegar Hela e carregou-a nos braços.
– Ela está viva! Só está desmaiada. — disse James dando um suspiro de alívio — Ela mente tão bem quanto você.. — falou dando um sorriso torto.
Váli e Narfi riram. Aredhel se aproximou deles e ficou olhando para nossos filhos com uma expressão aturdida. Confesso que eu mesmo estava surpreso com a frieza de Hela. Jamais poderia imaginar que ela seria capaz de fingir tão bem a ponto de enganar Cul.
Senti tudo começar a ficar turvo, sentia-me tonto. Olhei para meu ombro e ainda estava sangrando muito. Percebi que quando me atingira com a bola de energia em meu ombro, Cul havia lançado algum tipo de magia que piorara o estado do ferimento. Sempre fui muito resistente e também tinha a habilidade de me regenerar rapidamente, mas aquele ferimento parecia algo fora do normal. Apoiei a Gungnir no chão para tentar me manter de pé. Aredhel notou que eu não estava bem e correu em minha direção.
– Loki! Você está sangrando de novo! — falou Aredhel aflita.
– Eu sei.. — disse meio impaciente – Temos que ir embora, voltar para Asgard. — falei rapidamente.
Aredhel tentava novamente fazer meu ferimento parar de sangrar quando Thor, Stark e Banner entraram no salão. De repente comecei a ver tudo ficar escuro, perdi as forças e, por fim, perdi a consciência.
Quando finalmente abri os olhos novamente encontrei os de Aredhel a me fitar. Ela estava com os olhos vermelhos, visivelmente andara chorando, mas também estava com o rosto levemente arroxeado do lado esquerdo e com o lábio inferior machucado.
– Que bom que você acordou, meu amor.. — disse Aredhel com a voz chorosa e deu-me um beijo na fronte.
Olhei ao redor e vi que estava na sala de cura e Hela dormia na cama ao lado. Aredhel pegou minha mão e deu um beijo demorado, deixando algumas lágrimas descerem por seu rosto.
– Você perdeu muito sangue e acabou desmaiando. — deu um suspiro triste — Trouxemos você às pressas para cá. Tentei em vão estancar o sangue, mas não funcionava. Quando chegamos aqui, Ada descobriu que o ferimento tinha uma espécie de magia que evitava sua cicatrização. Por sorte eu encontrei rapidamente o feitiço que revertia seu efeito. — contou – Porém levará algum tempo para se recuperar. Por conta do feitiço de Cul, o ferimento cicatrizará de forma lenta. — avisou.
– Eu imaginei isso quando vi que continuava sangrando.. — minha voz saiu rouca – Mas o que houve com seu rosto? Por que está machucada? — perguntei desconfiado.
– Ah.. isso.. — passou a mão pelo rosto – Não é nada.. Esqueça isso.. — disse desviando o olhar do meu.
– Aredhel.. — falei severamente – Sabe que detesto que esconda as coisas de mim.. — lembrei-lhe.
– Está tudo pronto, Aredhel. – falou James entrando na sala nos interrompendo.
– Obrigada, Jimmy. – agradeceu Aredhel.
Levaram-me para meu quarto, onde iria descansar por mais algum tempo. Aredhel foi chamar nossos filhos para me verem, deixando-me a sós com James.
– James.. Conte-me o que houve depois que desmaiei. – Por quanto tempo fiquei desacordado? – questionei confuso — Por que Aredhel está machucada? – indaguei meio impaciente.
– Ah.. – deu um suspiro triste – Você ficou desacordado por quase dois dias. – falou e se sentou na poltrona ao meu lado — Ocorreu uma pequena discussão por conta de duas outras pessoas que morreram combatendo os soldados de Cul. – disse com pesar – Depois que você desmaiou, Aredhel e eu ficamos tentando estancar seu sangramento para podermos lhe transportar. Pedi que Thor trouxesse seus filhos para cá enquanto tentávamos lhe estabilizar. Nesse tempo, o Capitão, Nick e Natasha também apareceram por lá. Stark e Banner estavam falando sobre os quadrinhos e tudo o que ocorreu e, ao ouvir isso, Natasha puxou Aredhel e deu-lhe uma bofetada. Nick e Rogers a seguraram, mas ela colocou a culpa de tudo o que vem acontecendo na Aredhel. A batalha com Thanos, a guerra entre as duas realidades e, por fim, a morte de Barton. – contou.
– Romanoff ficou louca? – tranquei os dentes — Como ela ousa bater em Aredhel? Devia tê-la matado quando tive oportunidade! – rosnei – Quem foi a outra pessoa que morreu? – perguntei.
– Leir.. – James baixou a cabeça – Nós o trouxemos às pressas para cá. Enquanto lhe socorriam, Sif e os demais guerreiros retornaram. Sif invadiu a sala de cura e culpou você e Aredhel pelas mortes e todas as tragédias que vêm ocorrendo nos últimos anos. Ela estava totalmente descontrolada.. Fora de si.. Sif falou cada coisa cruel.. – franziu o cenho preocupado – Ela afirmou que a união de vocês era amaldiçoada e que um dia iria levar Asgard à ruína. Chegou inclusive a dizer que seus filhos eram monstros que um dia cresceriam e causariam o fim de todos os reinos. E também bateu em Aredhel. Só não a agrediu mais porque me coloquei na frente de Aredhel e Thor a segurou. – passou uma das mãos pelo rosto.
– Mas o que é isso? Agora todos resolveram bater na Aredhel e colocar nela a culpa por tudo? Isso é um absurdo! – alterei-me e senti uma pontada em meu ombro.
– Tente ficar quieto, Loki. Senão Aredhel vai ficar furiosa comigo por lhe contar isso. Ela me pediu para que não tocasse no assunto. – ralhou James me ajudando a me acomodar na cama.
– E como ela está depois disso tudo? Eu sei que há anos ela se sente culpada por tudo.. – perguntei preocupado.
– Não sei lhe dizer, Loki. — James mordeu os lábios — Ela anda muito estranha. Chorou um pouco na hora da confusão, mas depois não tocou mais no assunto. Notei que ela fica olhando para os meninos de um jeito estranho. Acredito que ela esteja com medo deles desde que ela viu o que eles são capazes de fazer. – passou a mão pelo queixo.
– Ah.. Era só o que me faltava. – dei um suspiro exasperado — Conheço Aredhel, deve estar remoendo o que Sif e Romanoff falaram. – resmunguei.
Ele ficou em silêncio por um tempo fitando as próprias mãos. Lembrei-me de que se Hela estava dormindo profundamente e eu estive inconsciente por quase dois dias, significava que não puderam trazer de volta Greta, Jane e William.
– Os funerais já ocorreram? – indaguei quebrando o silêncio.
– Os de Jane, William e de minha esposa, sim. – falou com apatia – Aredhel mandou avisar Helga, mas ela não veio para a cerimônia. — comentou.
No dia da morte de William, Greta e Jane, Helga, esposa de William, estava ausente. Dias antes do ocorrido ela foi visitar os parentes e levara o filho consigo. Assim sendo, ela não fora outra vítima de Cul. Apesar da família ter expulsado Helga de casa quando ela ficara grávida, ao saberem do casamento dela com William, interesseiramente voltaram a paparicar a moça. Afinal, astutamente, eles sabiam que se tratava do irmão da rainha e que Helga havia virado protegida de Aredhel.
– Ela deve ter preferido ficar com aquela família dela de interesseiros. Quando ela ficou grávida nem queriam saber dela. Depois que William a assumiu, eles prontamente a aceitaram de volta. — resmunguei – Aredhel ficou muito chateada? — perguntei.
– Acho que ela nem notou a ausência da garota. Parecia tão distante. — disse James preocupado.
– Tenho que ficar de olho em Aredhel.. — pensei alto — Você pretende voltar para a sua realidade? – questionei.
– Não.. – falou com um olhar distante – Nem meus filhos e nem eu viveremos o mesmo tempo que os demais. Além disso, eles já estão acostumados à Asgard e apegados às outras crianças. Estão aprendendo magia e a cultura daqui. Eles não se encaixariam no outro mundo. Seria crueldade de minha parte fazer isso com eles. E... – deu um sorriso torto – Eu sentiria falta de sua família, Loki. Sabe o quanto gosto de você, Aredhel e de seus filhos.
– Sei.. – resmunguei – Aredhel e as crianças sentiriam demais a sua falta. – falei contrariado.
– E você não? – perguntou meio rindo.
Apenas revirei os olhos.
Passado algum tempo, Aredhel veio acompanhada de Váli e Narfi. Meus meninos relembravam animadamente a batalha, todos orgulhosos de seus atos. Aredhel olhava para eles com certa apatia e James a fitava com preocupação.
No início da noite fomos chamados para o jantar. Como eu já me sentia melhor, fui comer à mesa com os demais. Sif e Erik, seu filho, não apareceram para comer. Imaginei que só a veria durante o funeral. O clima na mesa era de tristeza. De fato, mesmo tendo derrotado Cul, não havia nada a ser comemorado, muita gente morrera.
Após as crianças se retiraram da mesa, aproveitei a oportunidade para conversar com Thor.
– Thor, você vai voltar para Midgard? – perguntei repentinamente.
– Não, Loki. – fitou o prato – Rebecca está se dando muito bem com os primos e as demais crianças. Lá éramos somente Jane, Rebecca e eu. Vez ou outra recebíamos visita de nossos amigos. Eu tentava me adaptar àquele reino, mas somente por Jane. Agora que não mais a tenho, posso cuidar de Midgard daqui mesmo. – fez uma pausa — Se você aceitar, ofereço meus serviços a Asgard novamente. – ofereceu.
– Faça como achar melhor. Esta também é a sua casa. – respondi – Creio que Aredhel e as crianças ficarão felizes de tê-los por aqui. – olhei em direção a Aredhel.
Aredhel apenas olhou para Thor e assentiu inexpressivamente. James tinha razão, o comportamento dela não era mais o mesmo. Imaginei que tudo o que havia ocorrido fora demais para ela. Não tinha mais nenhum parente e fora acusada de ser a causadora de todas as mazelas que nos assolaram. Eu precisava conversar com Aredhel.
Thor, Fandral e Volstagg se retiraram para se prepararem para o funeral de Leir. Ficamos apenas Aredhel, James e eu à mesa, comendo em silêncio. Inesperadamente entraram dois guardas no salão, acompanhados de um homem e de Igor, filho de William. O homem era na verdade um mensageiro e trazia um pequeno envelope.
Quando viu os o homem e o sobrinho, Aredhel pareceu não entender o que estava acontecendo.
– E Helga? Onde ela está? – perguntou Aredhel confusa.
O homem nada respondeu, ele se aproximou de Aredhel e entregou-lhe o envelope. Ela olhou confusa para o envelope e o abriu, havia duas cartas nele. Aredhel começou a ler a primeira e sua expressão era de total horror.
– A família disse que tudo o que têm a dizer está na carta. A outra é a carta que Helga deixou. — explicou o homem e retirou-se em seguida.
– Levem o Igor daqui… — disse Aredhel com a voz trêmula.
Os guardas prontamente a obedeceram e se retiraram. James se levantou e foi para o lado de Aredhel e começou a ler junto com ela. Aredhel estava ficando pálida e tremia.
– Afinal, o que houve Aredhel? Conte logo! – falei agoniado.
– Helga se matou… — disse Aredhel em um sussurro.
– E aqueles miseráveis culpam vocês pela morte dela. Dizem que se não fosse por William ter vindo para cá, ela não o teria conhecido e nada disso teria acontecido.. – James trancou os dentes com raiva e tirou o papel das mãos de Aredhel.
Aredhel passou as mãos pelos cabelos nervosamente e deixou cair a segunda carta. Ela estava visivelmente perturbada.
– Aredhel, a culpa não foi sua. — falei com urgência — Com certeza foi a família dela que deve ter falado um monte de disparates quando souberam da morte de seu irmão. — rosnei me levantando com um pouco de dificuldade.
– Loki tem razão, Aredhel.. — disse James tentando acalmá-la.
Ela nada disse e encaminhou-se para fora do salão aos tropeços.
Após o funeral, voltei para o quarto e fiquei aguardando Aredhel retornar. Passado alguns minutos ela retornou e disse que já havia acomodado Igor no quarto de Narfi. O menino não queria dormir sozinho, pois sentia falta dos pais.
Aredhel permanecia extremamente taciturna. Ela preparou um banho para mim, ajudou a me banhar e depois a me vestir. Permaneceu o tempo inteiro calada. Sentamo-nos na cama e ela ficou pensativa.
– Meu amor.. Não fique assim.. — disse passando uma das mãos em seu rosto.
Ela me fitou por um tempo e acariciou meu rosto.
– Eu te amo tanto, Loki.. — murmurou com lágrimas nos olhos.
– Também te amo demais, minha Aredhel. — sorri.
Aredhel se sentou em meu colo e começou a me beijar carinhosamente. Separou-se um momento de meus lábios para me fitar com tanta tristeza nos olhos. Queria poder tirar toda a culpa que ela estava sentindo, poder ler seus pensamentos para consolá-la. Passei minha mão direita sobre sua coxa e vi ela fechar os olhos e abrir a boca. Eu adorava ver as reações dela quando a tocava.
Ela levou as mãos até minha camisa, abriu-a e depois retirou minha calça e o resto de minha roupa. Aredhel voltou a se sentar em meu colo e abri sua camisola. Depositei alguns beijos em seu colo, mas logo ela assumiu o controle da situação. Tomou meus lábios em um beijo desesperado, enquanto alisava meu peito e abdome com seus delicados dedos.
Eu não conseguia mover muito a mão esquerda, por conta do ferimento. Alisei sua cintura, subi a mão direita até seu seio e o acariciei. Deixei sua boca e levei meus lábios até seu mamilo, o sugando com calma. Aredhel soltou um gemido e voltou a passar seus lábios quentes por meu pescoço, peito e abdome, dando leves mordidas pelo caminho. Ela desceu até meu membro e envolveu-o com sua boca. Apertava suas coxas e gemia alto, enquanto ela me sugava com ardor.
Já estava próximo do ápice quando a puxei pelo cabelo. Aredhel mordeu os lábios e montou em mim. Deixei escapar um gemido ao senti-la tão quente, molhada e apertada. Ela começou a se mover e colou o corpo junto ao meu. Eu podia ouvir seus deliciosos gemidos em meus ouvidos enquanto arfava nos dela. Aredhel aos poucos foi cavalgando mais rápido e voltou a me beijar com voracidade. Levei as mãos até os glúteos dela e os apertei com força. Ela gemeu alto e eu, com um grunhido, me derramei dentro dela. Segundos depois ela arqueou o corpo para trás e atingiu seu orgasmo.
Depois do calor do momento, ela me ajudou a me vestir e a deitar na cama. Deitou-se ao meu lado e ficou me fitando com aqueles olhos melancólicos, acariciando meu rosto. Em pouco tempo acabei adormecendo.
Fui acordado com gritos e batidas na porta do quarto. Aredhel se levantou rapidamente e abriu a porta.
– Rápido! — disse Thor todo afobado – O quarto de Narfi está em chamas! — falou com urgência.
Thor correu e nós dois seguimos atrás dele. Quando lá chegamos James e Váli já havia conseguido conter o fogo. Igor estava encolhido em um canto do quarto, estava em choque. Aredhel pegou o menino no colo e abraçou-o forte.
– O que houve aqui? — indaguei severamente a Narfi.
– Igor não parava de chorar e eu queria dormir. Então resolvi dar um susto nele. — Narfi sorriu cinicamente.
Aredhel se aproximou do filho e deu-lhe uma bofetada.
– Mamãe.. — choramingou Narfi.
Ela, tremendo, olhou para a própria mão e depois para o rosto de Narfi. Aredhel começou a chorar e saiu do quarto com Igor no colo. Narfi começou a chorar e perdi a paciência. Fiz sinal para James, Váli e Thor se retirarem.
– Você errou, Narfi! Você foi cruel, irresponsável e sádico! — gritei e ele baixou a cabeça — Você mereceu a bofetada que levou de sua mãe! Igor está passando por um momento difícil. Perdeu o pai e a mãe! E você, ao invés de mostrar um pouco de compaixão, ainda o torturou! Além disso, quase pôs fogo no andar inteiro! — rosnei.
– Desculpe-me papai.. Eu sinto muito.. — disse cabisbaixo.
– Acho melhor você pensar no que fez, arrumar essa bagunça e ir pedir perdão ao seu primo! Quero esse quarto igual ao que era antes até amanhã cedo! — falei furioso.
– Certo papai.. — murmurou.
– Agora sente-se, que a conversa ainda não acabou. — falei severamente.
Depois de uma longa conversa com Narfi, retornei ao quarto e encontrei Aredhel sentada na cama. Igor já estava dormindo e ela visivelmente havia chorado. Eu ia me aproximar dela quando ela começou a falar.
– Natasha, Sif e meu pai tinham razão. Está tudo errado.. — disse com a voz embargada.
– Do que você está falando, Aredhel? — perguntei já sabendo a resposta.
– Nosso casamento foi um erro.. Jamais deveríamos ter ficado juntos.. Eu nunca deveria ter vindo para cá.. Não pertencemos à mesma realidade.. Nossa união só tem causado problemas, guerras, conflitos e sofrimento.. — falava com lágrimas escorrendo pelo rosto.
– Aredhel? Você pretende me deixar? — indaguei incrédulo.
– Mais do que isso.. Eu vou desfazer todo o mal que foi feito.. — Aredhel abriu a mão exibindo a Gem do Tempo.
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